• Nenhum resultado encontrado

Efeitos do método pilates nos parâmetros de força e função pulmonar: uma revisão sistemática / Effects of the pilates method in forces and lung function parameters: a systematic review

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2020

Share "Efeitos do método pilates nos parâmetros de força e função pulmonar: uma revisão sistemática / Effects of the pilates method in forces and lung function parameters: a systematic review"

Copied!
21
0
0

Texto

(1)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761

Efeitos do método pilates nos parâmetros de força e função pulmonar: uma

revisão sistemática

Effects of the pilates method in forces and lung function parameters: a

systematic review

DOI:10.34117/bjdv6n9-644

Recebimento dos originais: 27/08/2020 Aceitação para publicação: 28/09/2020

Janaina Rocha Niehues

Fisioterapeuta, Especialista em Fisiologia do Exercício. Mestranda no Programa de Pós Graduação em Ciência da Reabilitação, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Araranguá, SC, Brasil. Endereço: Rua Pedro João Pereira, 150, Mato Alto, Cep 88.905-120,

Araranguá/SC.

Email: [email protected]

Patrícia Haas

Doutora, Docente da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, Centro de Ciências da Saúde, Florianópolis, SC, Brasil. Endereço: Eng. Agronômico Andrei Cristian Ferreira, Bairro:

Trindade; CEP 88040-900 – Florianópolis/SC. Email: [email protected]

Cardine Reis

Doutora, Docente do Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, Departamento de Fisioterapia, São José, SC, Brasil. Coordenadora no Programa de Extensão e Pesquisa em Reabilitação Cardiopulmonar – Estácio Reabilita, São José, SC, Brasil. Endereço: Rua Paul

Percival Harris, 250, Torre 2, apto 201, Estreito, Florianópolis-SC. Email: [email protected]

Lourenço Sampaio de Mara

Cardiosport - Clínica de Prevenção e Reabilitação Cardíaca, Florianópolis, SC. Endereço: R. Ernesto Stodieck, n. 56 - Centro, Florianópolis - SC, 88025-130.

Email: [email protected]

Sabrina Weiss Sties

Doutora, Docente do Centro Universitário AVANTIS, Departamento de Fisioterapia, Balneário Camboriú, SC, Brasil. Endereço: Av. Marginal Leste, 3600 - Estados, Balneário Camboriú - SC,

88339-125.

Email: [email protected]

Ana Inês Gonzáles

Doutora, Docente do Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, Departamento de Fisioterapia, São José, SC, Brasil. Coordenadora no Programa de Extensão e Pesquisa em Reabilitação Cardiopulmonar – Estácio Reabilita, São José, SC, Brasil. Endereço: Rua Maria Filomena da Silva n.207, apto 208, Nossa Senhora do Rosário, Cep 88110-630, São José/SC.

(2)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 RESUMO

O Método Pilates se popularizou nas últimas décadas, sendo necessária a investigação de seus benefícios para prática clínica. Este estudo teve por objetivo verificar os efeitos de programas de treinamento com método Pilates na força muscular respiratória e função pulmonar. Para tal, realizou-se uma revisão sistemática, nas bases de dados PubMed, LILACS, Cochrane-Library, PEDro e Science Direct, de acordo com as palavras do dicionário Medical Subject Heading Terms (MeSH) para PubMed e Cochrane-Library, adequadas para as demais bases. Foram incluídos: estudos de intervenção com Método Pilates; indivíduos de qualquer faixa etária; ambos os sexos; saudáveis ou não; avaliados por meio do exame de espirometria, manovacuometria ou outros testes de função pulmonar considerados relevantes; follow-up mínimo de 4 semanas. Ao final 10 estudos foram considerados elegíveis. Houve melhora significativa nos parâmetros de Força Muscular Inspiratória (PImáx) em 7 estudos, que contemplaram indivíduos saudáveis, com Doença Renal Crônica (DRC) e Fibrose Cística (FC). Em relação a Força Muscular Expiratória (PEmáx), o Método Pilates realizado isoladamente, demonstrou melhora significativa nos parâmetros de PEmáx em 7 estudos, em indivíduos saudáveis, de ambos os sexos e diferentes faixas etárias. As variáveis de função pulmonar Pico de fluxo Expiratório (PFE) e ventilação voluntária máxima (VVM), evidenciaram aumento significativo em 1 estudo e em 2 estudos, respectivamente, ambos em mulheres saudáveis jovens. Podemos concluir que o Método Pilates demonstrou influenciar positivamente os parâmetros de PImáx, PEmáx, PFE e VVM em indivíduos saudáveis de ambos os sexos e diferentes faixas etárias. Adicionalmente, foi capaz de promover melhora na PImáx de pacientes com DRC e FC.

Palavras chave: Técnicas de Exercício e de Movimento, Exercícios Respiratórios, Espirometria ABSTRACT

The Pilates Method has become popular in recent decades, and its benefits for clinical practice need to be investigated. This study aimed to verify the effects of Pilates training programs on respiratory muscle strength and pulmonary function. Systematic review in PubMed, LILACS, Cochrane-Library, PEDro and Science Direct databases, according to the words of the Medical Subject Heading Terms (MeSH) dictionary for PubMed and Cochrane-Library, suitable for the other databases. The following were included: Pilates Method intervention studies; individuals of any age group; both sexes; healthy or not; assessed by spirometry, manovacuometry or other pulmonary function tests considered relevant; minimum follow-up of 4 weeks. At the end 10 studies were considered eligible. There was a significant improvement in Inspiratory Muscle Strength (MIP) parameters in 7 studies, which included healthy individuals with Chronic Kidney Disease (CKD) and Cystic Fibrosis (CF). Regarding Expiratory Muscle Strength (MEP), the Pilates Method alone showed a significant improvement in MEP parameters in 7 studies in healthy individuals of both sexes and different age groups. Pulmonary function variables Peak expiratory flow (PEF) and maximum voluntary ventilation (MVV) showed a significant increase in 1 study and 2 studies, respectively, both in healthy young women. We can conclude that Pilates Method has been shown to positively influence the MIP, MEP, PEF, and MVV parameters in healthy individuals of both sexes and different age groups. Additionally, it was able to promote an improvement in MIP in patients with CKD and CF.

(3)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 1 INTRODUÇÃO

Dentre as distintas possibilidades de exercício físico, o método Pilates se tornou uma modalidade que se popularizou nas últimas décadas1. É um programa de condicionamento do corpo-mente8 o qual vem ganhando popularidade e aceitação a nível mundial1.

Desenvolvido por Joseph Pilates na década de 1920, o método apresenta-se como uma importante opção de treinamento físico que procura proporcionar bem-estar ao praticante, permitindo, dentre outros aspectos, a melhora da flexibilidade, força, coordenação1,3,4, circulação sanguínea, condicionamento físico, amplitude articular, alinhamento postural5-7, consciência corporal e percepção do movimento3.

O método pauta-se em seis princípios: controle, concentração, precisão, fluidez, centralização e respiração8. Apesar de a respiração ser um dos fundamentos tradicionalmente

conhecidos do método, há poucos estudos na literatura científica atual que objetivaram averiguar seus efeitos de treinamento sobre o sistema respiratório9. Propõe-se que o estilo respiratório do método acentua a respiração costal, por mover as costelas póstero-lateralmente, fazendo com que subam e desçam durante o fluxo respiratório7.

Nesse sentido, pressupõe-se que o treinamento com o método Pilates possa promover ganhos na função pulmonar e na força muscular respiratória. Visto sua ampla utilização na prática clínica, faz-se necessário a investigação de seus benefícios. Desse modo, esse estudo tem como objetivo verificar as evidências dos efeitos de programas de treinamento com método Pilates na força muscular respiratória e função pulmonar.

2 MÉTODOS

Este estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática, modalidade de investigação que diante de uma questão problema utiliza-se de métodos sistemáticos e explícitos para identificar, selecionar e avaliar criticamente os estudos selecionados. A revisão sistemática foi conduzida conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)10.

3 ESTRATÉGIA DE BUSCA

Esta revisão sistemática foi registrada na plataforma PROSPERO (International Prospective Register of Systematic Reviews), com o protocolo de número CRD42019126529.

As buscas por artigos científicos foram conduzidas por dois pesquisadores independentes nas bases de dados eletrônicas desde suas fundações até maio de 2020 (PubMed, LILACS,

(4)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761

Cochrane-Library PeDro e Science Direct), sendo estruturadas e organizadas na forma PICO, que representa um acrônimo para População alvo, Intervenção, Comparação e “Outcomes” (desfechos)10. Devido ao objetivo desta pesquisa, os acrômios População Alvo e Controle (comparação) não foram utilizados por não serem aplicáveis ao objetivo do estudo.

Para a seleção dos descritores foram utilizadas as palavras do dicionário Medical Subject Heading Terms (MeSH), sendo este um vocabulário controlado e fortemente utilizado pela comunidade científica para a indexação de artigos na base de dados PubMed e Cochrane, com os seguintes descritores: “Exercise movement techniques” OR “Pilates-Based Exercises” OR “Pilates Training” AND “Respiratory Muscles” OR “Ventilatory Muscles” OR “Breathing Exercises” OR “Respiratory Muscle Training” OR “Respiratory Function Tests” OR “Pulmonary Function Tests” OR “Lung Function Tests” OR “Lung Volume Measurements” OR “Maximal Respiratory Pressure” OR “Maximal Expiratory Pressure” OR “Maximal Inspiratory Pressure” (Apêndice I). Esses foram posteriormente adequados para as demais bases utilizadas nesta revisão sistemática.

Para complementar, foi realizada uma busca manual nas referências dos artigos incluídos na pesquisa e a busca por literatura cinza no Google Scholar.

4 CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE 4.1 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Os desenhos dos estudos selecionados foram ensaios clínicos controlados e randomizados, ensaios clínicos não controlados quasi-randomizados, estudos comparativos com ou sem controles simultâneos, estudos de caso, e série de casos com 10 ou mais casos.

A população dos estudos selecionados foi composta por indivíduos de todas as faixas etárias, sem distinção de idade, de ambos os sexos; submetidos à intervenção com Método Pilates, que tenham sido avaliados em relação à função pulmonar por meio do exame de espirometria, manovacuometria ou outros testes de função pulmonar considerados relevantes para o estudo (pletismografia).

Como critério para tempo de intervenção, foram incluídos os estudos que tiverem um follow-up mínimo de 4 semanas.

(5)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 4.2 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Foram excluídos os arquivos do tipo carta ao editor, diretrizes, revisões sistemáticas e meta-análises. Também foi critério de exclusão as intervenções pouco claras; mal descritas ou inadequadas; multimodais, para que não houvesse interferência nos resultados; e trabalhos que abordassem desfechos diferentes dos de interesse.

4.3 SELEÇÃO DOS ESTUDOS

A seleção dos estudos foi realizada por dois examinadores independentes. Inicialmente, foram excluídos estudos com base no título; em seguida, os resumos foram analisados, e apenas os potencialmente elegíveis foram selecionados para avaliação na íntegra. As divergências foram resolvidas por consenso.

4.4 EXTRAÇÃO DE DADOS

A extração dos dados foi realizada utilizando-se uma ficha de extração de dados elaborada pelos pesquisadores, na qual os dados extraídos foram adicionados incialmente por um dos pesquisadores e, após, conferidos pelo outro pesquisador.

Quando necessário, os autores correspondentes foram contatados para sanar dúvidas e\ou fornecer informações não apresentadas no estudo publicado.

4.5 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO ESTUDO

Para a avaliação da qualidade metodológica, foi utilizada a Escala PEDro. A escala PEDro baseia-se na lista de Delphi, tendo por objetivo auxiliar na identificação metodológica dos estudos. Esta se divide em 11 itens, em que o íten “1” não é pontuado, fazendo com que ao final se tenham escores variando de 0 a 10 pontos.

5 RESULTADOS

5.1 DESCRIÇÃO DOS ESTUDOS

As diferentes fases da pesquisa e seleção dos estudos podem ser observadas na Figura 1. Um total de 63 estudos foram identificados nas bases de dados PubMed, LILACS, Cochrane-Library, PeDro e Science Direct e busca manual de artigos. Em seguida, foram realizadas as etapas de exclusão por duplicação, título, resumo e leitura completa. Ao final, 10 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade. Cabe ressaltar que o número de concordâncias entre os avaliadores foi considerada alta diante do processo de seleção dos estudos.

(6)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 Figura 1: Fluxograma de Seleção dos Estudos

Ao total, a amostra final foi constituída de 274 indivíduos, sendo que destes, 154 eram saudáveis, 45 com diagnóstico de Espondilite Anquilosante (EA), 56 portadores de Doença Renal Crônica (DRC) e 19 indivíduos com Fibrose Cística.

A intervenção isolada com Mat Pilates foi utilizada como terapêutica em 154 indivíduos: 84 saudáveis, 23 com EA, 28 com DRC e 19 com Fibrose Cística. A associação entre Mat Pilates e exercícios de treinamento muscular inspiratório (TMI) foi utilizado em 11 sujeitos e a associação com palestra educativas e Mat Pilates foi realizada em 10 indivíduos da amostra.

Na Tabela 1, podem ser visualizadas as características dos estudos encontrados.

5.2 AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA

Dos 9 estudos que realizaram a avaliação da força muscular respiratória, a melhora nos parâmetros de Força Muscular Inspiratória (PImáx) foram observadas em 7 estudos. Para esta variável, o Método Pilates em solo ou aparelhos quando aplicado como exercício isolada promoveu melhora significativa nos valores de Pimáx em 6 estudos9,11-15, sendo evidenciado em

(7)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761

uma amostra composta de 63 indivíduos saudáveis, de ambos os sexos e diferentes faixas etárias9,11,12,14,15 e 7 indivíduos do sexo masculino com Fibrose Cística com média de idade de 13 ±7 anos13.

Em um único estudo15 em indivíduos saudáveis, com média de idade de 65±4, os exercícios de Mat Pilates foram associados a exercícios de TMI. Neste estudo, ambos os grupos que foram submetidos ao método pilates, demonstraram resultados de melhora significativa para os valores de Pimáx, independentemente do método ter sido ou não associado ao TMI. Cabe ressaltar que os valores basais de PImáx pré intervenção não eram homogêneos, estando em torno de 36.55 (±8,86) e 51.64 (±17,93), para o grupo submetido ao Mat Pilates + TMI e para o grupo submetido apenas ao Mat Pilates, respectivamente. Adicionalmente, ao analisarmos o percentual de melhora de ambos os grupos, nota-se que os exercícios de Mat Pilates associados ao TMI foram capazes de promover resultados mais significativos em relação aos valores de PImáx.

Já no estudo de Sarmento et al (2016)16, o método Pilates foi aplicado em pacientes com DRC, de ambos os sexos, em ambiente hospitalar, sendo adaptado no leito. Os pacientes foram divididos em dois grupos: Grupo intervenção (n=28) submetido aos exercícios de Pilates solo, adaptados no leito hospital, diariamente até a 10ª sessão ou até alta hospitalar associado a terapia respiratória e Grupo Controle (n=28), submetido a fisioterapia com cinesioterapia convencional, diariamente até a 10ª sessão ou até alta hospitalar associada a terapia respiratória. Neste estudo, os resultados demonstraram que, apenas os indivíduos do grupo intervenção demonstraram melhora significativa nos valores de PImax, sendo os valores pré intervenção não mostraram diferença significativa.

Em relação a Força Muscular Expiratória (PEmáx), 8 estudo3,9,11,12,14,15,17 realizaram a avaliação desta variável. Por meio dos resultados apresentados, é possível observar que o método pilates realizado isoladamente foi capaz de promover a melhora nos parâmetros de PEmáx em 7 dos 8 estudos, em indivíduos saudáveis, de ambos os sexos e diferentes faixas etárias. Adicionalmente, quando comparado aos indivíduos que realizaram exercícios de Mat Pilates associado ao TMI, a utilização do Mat Pilates de forma isolada foi capaz de promover resultados semelhantes, não havendo diferença significativa15.

(8)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 Tabela 1: Resultados dos Estudos Encontrados

Autor/Ano/País do Estudo

Objetivo do Estudo Desenho do Estudo

Descrição da amostra Protocolo de Intervenção

Resultados Encontrados Função pulmonar Força muscular respiratória Outras variáveis ALVARENGA et al. 201815 Brasil Analisar a influência do treinamento muscular inspiratório associado ao MP na função pulmonar e capacidade aeróbica de idosos

ECR GPTI (n=11) 65±4 anos GP (n=11) 65±3 anos GC (n=09) 73±5 anos

GPTI: Exercícios de Mat Pilates + TMI por 2x/semana, 45 minutos, por

10 semanas GP: Exercícios de Mat

Pilates 2x/semana, 45 minutos, por 10 semanas

GC: sem intervenção NA ↑PImax* GPTI e GP ↑PEmax* GPTI e GP TC6’ (p>0,05) TOZIM et al. 201817 Brasil Analisar a influência do MP sobre a eficácia da força muscular respiratória em idosos ECR GP (n=14) 67 (65.38-68.62) anos GC (n=17) 64,88 (62.80-66.96) anos GP: Exercicios de Mat Pilates, 2x/semana, por 8

semanas GC: palestras NA ↑PEmax* GP NA MARTINEZ-PUBIL et al., 201718 Espanha Avaliar o impacto da fisioterapia, baseada no MP, na

função pulmonar de pacientes com Espondilite Anquilosante

ECR N = 45 (H/M) GP (n=23) 50±13 anos GC (n=22) 49±11anos GP: Exercícios de Mat Pilates, 12 semanas GC: sem intervenção Não foram constatadas diferenças significativas NA NA GIACOMINI et al. 201611 Brasil Verificar os efeitos de um programa de treinamento com

MP sobre a musculatura da parede abdominal, força e

desempenho muscular respiratório e função pulmonar

em mulheres saudáveis

Ensaio clínico não controlado Mulheres (n=16) Saudáveis 32±10 anos Sedentárias Não tabagistas Sem contato prévio com

o MP

Exercícios com Mat Pilates, com duração de 60 minutos,

2x/semana, 8 semanas Foram utilizados 20 exercícios por sessão, que

variaram de 3 a 10 repetições ↑ PFE* ↑VVM * ↑PImax * ↑PEmax * Espessura Músculos Abdominais: ↑Tra* ↑OI*, ↑OE*

(9)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 SARMENTO et al. 201616 Brasil Comparar os efeitos da fisioterapia convencional e MP na funcionalidade, força muscular respiratória, e capacidade de exercício em pacientes hospitalizados com

DRC ECR Homens (n=30) Mulheres (n=26) GP (n=28) 44 ±12 anos GC (n=28) 47 ±10 anos Paciente internados por

insuficiência renal crônica e/ou

pós-transplante renal

GP: exercícios de Pilates solo, adaptados no leito hospital, diariamente até a

10ª sessão ou até alta hospitalar + terapia

respiratória

GC: fisioterapia com cinesioterapia convencional,

diariamente até a 10ª sessão ou até alta hospitalar +

terapia respiratória

NA ↑PImax GP*++ Teste de degrau

incrementalGI*++ Índice de Barthel (p>0,05) Questionário MedRisk (p>0,05) JESUS et al. 20159 Brasil

Avaliar os efeitos do MP sobre a função pulmonar, mobilidade

toracoabdominal, força muscular respiratória e distribuição de gordura corporal Ensaio Clinico controlado não randomizado Mulheres Saudáveis Sedentárias Não tabagistas GP (n=11) 33 ±8anos GC (n=10) 31 ±7 anos GP: exercícios de Mat Pilates solo e equipamento, 2x/semana, com duração de 60 minutos, durante 12 semanas GC (n=10): sem atividade Não foram constatadas diferenças significativas (p>0,05) ↑ PImax*GP ↑ PEmax* GP Cirtometria: ↑Axilar* ↑Xifoideano* ↑Abdominal* SANTOS et al. 201512 Brasil Avaliar os efeitos do MP no Solo sobre os parâmetros respiratórios de mulheres

saudáveis

Ensaio clínico não controlado

Mulheres (n=10); 22 ±2 anos;

Saudáveis

Exercícios de Mat Pilates, 2x/semana, por 10 semanas, com duração de 45 minutos

↑ VVM# ↑ PImax+ ↑ PEmax+ Cirtometria: ↑Axilar+ ↑Xifoideano+ ↑Abdominal+ FRANCO et al. 201413 Brasil Analisar os resultados pré e pós intervenção com Mat Pilates na força muscular respiratória e função pulmonar

Ensaio clínico não controlado N = 19 (H/M) Homens (n=7) Mulheres (n=12) 13 ±7 anos Diagnóstico de Fibrose Cística

Exercícios de Mat Pilates, 1x/semana, 60 minutos, 16 semanas Não foram constatadas diferenças significativas (p>0,05) ↑PImax* no gênero masculino; NA

(10)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761

LOPES et al. 20143

Brasil

Avaliar os efeitos de exercícios do MP na força muscular respiratória de idosas antes e

após 11 semanas de treinamento

Ensaio clínico não controlado

Mulheres (n=7) 64 ±6 anos;

Saudáveis; Sedentárias

Exercícios de Mat Pilates no solo, 2x/semana, com duração de 40 minutos, durante 11 semanas NA ↑PEmax * FÔNSECA et al. 201230 Brasil Investigar a influência do MP na forca dos músculos

respiratórios de idosas por meio de medidas cientificamente aceitas como a

manovacuometria Ensaio clínico controlado Mulheres Idosas 71 ± 4 anos Saudáveis GP (n=10) GC (n=13) GP: cartilhas e palestras educativas+ exercícios de

Mat Pilates, 2x/semana, durante 60 minutos, por 12

semanas GC: cartilhas e palestras educativas Não foram constatadas diferenças significativas (p>0,05) Não foram constatadas diferenças significativas (p>0,05) QUIRINO et al. 201214 Brasil Investigar os efeitos de um protocolo de exercícios baseados no MP sobre a forca muscular respiratória, PFE e a

mobilidade toracoabdominal em jovens

sedentários

Ensaio Clínico não controlado N = 15 (H/M) 22 ± 2 anos Mulheres (n=9) Homens (n=6) Jovens Saudáveis sedentários

Exercícios de Mat Pilates, 2x/semana, com duração de

50-60 minutos, por 12 semanas NA ↑PImax+ ↑PEmax+ ↑PFE+ Cirtometria: ↑Axilar + ↑Xifoideano+ ↑Abdominal+

Legenda: H – homens; M – mulheres; ECR – Ensaio clínico randomizado; GP – grupo pilates; GPTI – grupo pilates mais treinamento inspiratório; GC – grupo controle; TC6’ – Teste de Caminhada de seis minutos; MP – Método Pilates; PImáx – Pressão inspiratória máxima; PEmáx – Pressão Expiratória Máxima; ↑ - aumento; NA – não avaliado; MP – Método Pilates; DRC – doença renal crônica; VVM – ventilação voluntária máxima; PFE – pico de fluxo expiratório; Tra – Músculo transverso do abdômen; OI – Músculo Oblíquo interno; OE – Múculo oblíquo externo; *p˂0,001; + p˂0,05; VVM – ventilação voluntária máxima; ++diferença intragrupo;

(11)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 5.3 AVALIAÇÃO DAS VARIÁVEIS DE FUNÇÃO PULMONAR

As variáveis de função pulmonar foram avaliadas em 6 dos 11 estudos encontrados. Um aumento significativo no Pico de fluxo Expiratório (PFE) foi evidenciado apenas em um único estudo11 realizado com mulheres saudáveis, com média de idade de 32 ±10 anos, submetidas a um protocolo de Mat Pilates com duração de 60 minutos, 2x/semana durante 8 semanas. Já para a ventilação voluntária máxima (VVM), foi evidenciado aumento significativo em dois estudos11,12 ambos realizados com mulheres saudáveis jovens 32 ±10 anos e 22 ±2 anos, respectivamente), submetidas a exercícios de Mat Pilates.

5.4 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA

Dos 10 estudos encontrados nesta revisão, apenas 2 obtiveram um bom escore de avaliação da qualidade metodológica de acordo com a Escala PEDro16,18. Um estudo obteve a pontuação

média de 5 pontos e 7 estudos se mantiveram com escores abaixo de 5 pontos, demonstrando uma qualidade metodológica ruim (Tabela 2).

(12)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 Tabela 2: Classificação Metodológica dos Estudos Elegíveis segunda escala PEDro

Descrição Alvarenga et al 201815 Tozim et al 201817 Martinez-Pubil et al, 201718 Giacomini et al 201611 Sarmento et al 201616 Jesus et al 20159 Santos et al 201512 Franco et al 201413 Fonseca et al 201430 Quirino et al 201214

1. Os critérios de elegibilidade foram especificados*

Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

2. Os sujeitos foram aleatoriamente distribuídos por grupos

Sim Sim Sim Não Sim Não Não Não Sim Não

3. A alocação dos sujeitos foi secreta Não Não Sim Não sim Não Não Não Não Não

4. Inicialmente, os grupos eram semelhantes no que diz respeito aos

indicadores de prognóstico mais importantes

Não Não Sim Não Sim Não Não Não Não Não

5. Todos os sujeitos participaram de forma cega no estudo

Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não

6. Todos os terapeutas que administraram a terapia fizeram-no de forma cega

Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não

7. Todos os avaliadores que mediram pelo menos um resultado-chave,

fizeram-no de forma cega

Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não

8. Mensurações de pelo menos um resultado-chave foram obtidas em mais de 85% dos sujeitos inicialmente distribuídos pelos grupos

Sim Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

9. Todos os sujeitos a partir dos quais se apresentaram mensurações de resultados receberam o tratamento ou a condição de controle conforme a alocação

Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Sim

10. Os resultados das comparações estatísticas inter-grupos foram descritos para pelo menos um resultado-chave

Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

11. O estudo apresenta tanto medidas de precisão como medidas de variabilidade para pelo menos um resultado-chave

Sim Não Não Não Sim Sim Não Sim Sim Não

(13)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761

Legenda: * iten não contabilizado ao valor final da pontuação.

Tabela 2: Classificação Metodológica dos Estudos Elegíveis segunda escala PEDro

Descrição Alvarenga et al 201815 Tozim et al 201817 Martinez-Pubil et al, 201718 Giacomini et al 201611 Sarmento et al 201616 Jesus et al 20159 Santos et al 201512 Franco et al 201413 Fonseca et al 201430 Quirino et al 201214

1. Os critérios de elegibilidade foram especificados*

Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

2. Os sujeitos foram aleatoriamente distribuídos por grupos

Sim Sim Sim Não Sim Não Não Não Sim Não

3. A alocação dos sujeitos foi secreta Não Não Sim Não sim Não Não Não Não Não

4. Inicialmente, os grupos eram semelhantes no que diz respeito aos

indicadores de prognóstico mais importantes

Não Não Sim Não Sim Não Não Não Não Não

5. Todos os sujeitos participaram de forma cega no estudo

Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não

6. Todos os terapeutas que administraram a terapia fizeram-no de

forma cega

Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não

7. Todos os avaliadores que mediram pelo menos um resultado-chave,

fizeram-no de forma cega

Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não

8. Mensurações de pelo menos um resultado-chave foram obtidas em mais de 85% dos sujeitos inicialmente

distribuídos pelos grupos

(14)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 9. Todos os sujeitos a partir dos quais

se apresentaram mensurações de resultados receberam o tratamento ou a

condição de controle conforme a alocação

Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Sim

10. Os resultados das comparações estatísticas inter-grupos foram

descritos para pelo menos um resultado-chave

Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

11. O estudo apresenta tanto medidas de precisão como medidas de variabilidade para pelo menos um

resultado-chave

Sim Não Não Não Sim Sim Não Sim Sim Não

Pontuação 5 3 9 3 7 4 3 3 4 3

(15)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 6 DISCUSSÃO

Os principais resultados encontrados nesta revisão demonstram ser plausível a utilização de exercícios do Método Pilates quando o objetivo é promover melhora dos parâmetros de PImáx, PEmáx, PFE e VVM. Tais resultados, podem ser atribuídos aos princípios norteadores do método, merecendo maior destaque o controle respiratório e o de acionamento do “power house”9. Adicionalmente, assim como os demais músculos

esqueléticos, os músculos respiratórios também são capazes de responder aos estímulos dados pelo treinamento físico9.

Embora estudos já tenham confirmado a eficácia do método para correção postural, flexibilidade, fortalecimento muscular e condicionamento físico, a literatura ainda é escassa quando se trata de evidenciar a efetividade do Método Pilates sobre as respostas da mecânica muscular respiratória e função pulmonar9.

De acordo com o que vem sendo descrito na literatura, o padrão respiratório preconizado durante a realização dos exercícios de Pilates é descrito como “respiração lateral”, capaz de acentua a respiração costal7, favorecendo a utilização do tórax e dos

músculos da caixa torácica, favorecendo a expansão lateral da caixa torácica, o que acaba repercutindo no aumento do espaço para a expansão pulmonar, influenciando os volumes pulmonares em indivíduos saudáveis praticantes do método 9,19.

Adicionalmente, estudos científicos recentemente realizados têm demonstrado que durante a execução da técnica, o músculo transverso do abdômen é fortemente requerido, prevenindo a distensão abdominal, o que acaba por proporcionar um maior apoio diafragmático, permitindo o movimento das costelas inferiores e maior excursão diafragmática7.

Entretanto, quando o assunto é a influência do método nos volumes pulmonares, os resultados encontrados nesta revisão ainda se demonstram inconclusivos. Dos 11 estudos encontrados, apenas seis realizaram a avaliação de medidas de função pulmonar. As medidas de função pulmonar apresentaram alterações estaticamente significativas apenas para as variáveis de PFE11em um único estudo e para VVM em dois estudos11,13. Nestes, a aplicação do Método Pilates se deu em solo, como método de intervenção isolada, sem a associação de outras terapias e sem a utilização de um grupo controle. Adicionalmente, foram desenvolvidos com uma população total de 26 mulheres jovens saudáveis, com valores espirométricos pré intervenção acima de 80% do predito, o que corresponde a função pulmonar dentro da normalidade29.

(16)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 No estudo de Giacomini et al (2016)11 pode-se observar melhora significativa para PFE e VVM, após 8 semanas de intervenção, 2x/semana. Adicionalmente, além dos parâmetros de PFE e VVM, o estudo demonstrou melhora significativa na espessura dos músculos, oblíquos interno e externo e transverso do abdômen. Já no estudo de Santos et al (2015)12, além do aumento nos valores de VVM após 10 semanas de intervenção, 2x/semana, foi observada melhora significativa para os valores de cirtometria nos pontos, axilar, xifoideano e abdominal.

Embora os achados desta revisão não sejam conclusivos, os resultados positivos demonstrados nas variáveis PFE e VVM relacionadas a função pulmonar de indivíduos saudáveis, demonstram ser plausível que estes benefícios positivos, possam ser transportados para populações com disfunções respiratórias.

Ainda, durante a fase expiratória, a contração associada dos músculos do diafragma, transverso abdominal, multífido lombar e do assoalho pélvico20, além de tantos outros

músculos, faz com que, durante a realização dos exercícios, a musculatura abdominal seja intensamente trabalhada21,22, através da técnica de centralização (power house)23,24.

Estudos têm demonstrado que Método Pilates é uma técnica capaz de promover o aumento da atividade dos músculos reto abdominal22,25,26, transverso do abdômen22,25,27, obliquo interno22,27 e oblíquo externo26 durante sua execução.

Fisiologicamente, sabe-se que os músculos abdominais (transverso abdominal, oblíquo interno e externo e reto abdominal), têm a função de auxiliar na mecânica ventilatória, funcionando como músculos expiratórios que atuam, principalmente, na expiração forçada. Suas fibras musculares, durante a expiração forçada, tracionam as costelas e as cartilagens costais inferiormente, provocando o aumento da pressão intra-abdominal e deslocando o diafragma superiormente para dentro da cavidade torácica, a fim de aumentar o volume e a velocidade da expiração28.

Os músculos abdominais também apresentam duas importantes funções ventilatórias na fase inspiratória: a) durante a expiração forçada, o aumento da pressão intra-abdominal gerada pelos músculos abdominais, proporciona um estiramento passivo das fibras costais do diafragma, preparando-o para a próxima inspiração e b) o aumento da pressão gerado pela descida do diafragma na inspiração deve ser contrariado pela tensão da musculatura abdominal, funcionando como um suporte para a excursão diafragmática. Sem uma complacência eficaz dessa musculatura, o tendão central do

(17)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 diafragma não é estabilizado efetivamente para efetuar a expansão lateral da parede torácica.

Por conta disto, durante o aumento do trabalho respiratório do método pilates há um acréscimo na atividade muscular abdominal em ambas as fases da respiração28. Desta forma o fortalecimento da musculatura abdominal, pode proporcionar um reforço para a função diafragmática9,28, ao mesmo tempo em que, outros músculos que também participam da inspiração e se encontram envolvidos durante a execução dos exercícios, podem ser fortalecidos9.

Descreve-se que a utilização adequada dos exercícios do Método Pilates, com sua ênfase na respiração controlada, associada ao fortalecimento abdominal, pode ser terapia capaz de prevenir ou reverter às reduções funcionais decorrentes do declínio pulmonar29.

Corroborando com o que vem sendo descrito na literatura, os resultados desta revisão demonstram que os exercícios do Método Pilates exercem influência positiva nos parâmetros de força muscular respiratór (PImáx e PEmáx) de indivíduos saudáveis de ambos os sexos e diferentes faixas etárias. Adicionalmente, foi capaz de promover melhora significativa na PImáx de pacientes com DRC e FC.

Em indivíduos com EA, não foram encontrados resultados significativos para nenhuma das variáveis neste estudo.

Os resultados encontrados nesta revisão demonstram-se promissores, deve-se estar atento ao se extrapolar estes dados, uma vez que, em sua maioria, os estudos encontrados demonstraram baixa qualidade metodológica avaliada pela escala PEDro. A falta de cegamento dos avaliadores e terapeutas, bem como, a falta de um grupo controle em alguns dos estudos, pode ter sido responsável em evidenciar uma limitação metodológica.

Entretanto, uma vez que o método Pilates encontra-se mais fortemente disseminado no meio clínico, sendo utilizado como complemento da atuação fisioterapêutica convencional e respiratória, devido ao seu importante enfoque no controle da respiração, torna-se relevante a investigação da influência do método sobre tal sistema.

Neste sentido, diante destes dos achados desta revisão, sugere-se a realização de futuros estudos que se utilizem tanto de populações saudáveis, quanto de indivíduos com disfunções respiratórias, uma vez que se torna plausível que os benefícios positivos, possam ser transportados para esta população. Cabe ressaltar, que até o momento, de acordo com esta revisão, apenas dois estudos foram desenvolvidos em pacientes que

(18)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 apresentam prejuízo da função respiratória decorrente do processo fisiopatológico de suas doenças.

Adicionalmente, com a realização de novos estudos, outros desfechos podem ser observados, podendo apresentar resultados mais significativos e elucidar os benefícios dessa modalidade de treinamento, fortalecendo sua aplicação na prática clínica, com apropriada validade científica derivadas de sua aplicação.

7 CONCLUSÃO

Os resultados encontrados nesta revisão demonstram a influência positiva da utilização do Método Pilates, na melhora significativa das forças musculares respiratórias (PImáx e PEmáx) e parâmetros de função pulmonar (PFE e VVM) em indivíduos saudáveis de ambos os sexos e diferentes faixas etárias. Adicionalmente, foi capaz de promover melhora significativa na PImáx de pacientes com DRC e FC. Por conta disto, estudos devem ser desenvolvidos a fim de elucidar os achados encontrados.

Ainda, cabe ressaltar que, na população estudada, não foram descritos efeitos adversos decorrentes do treinamento com exercícios do Método Pilates.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente trabalho foi realizado com apoio do Programa Pesquisa Produtividade da ESTÁCIO SANTA CATARINA – São José.

(19)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 REFERÊNCIAS

1. Engers PB, Rombaldi AJ, Portella EG, Silva MC. Efeitos da prática do método Pilates em idosos: uma revisão sistemática. Rev Bras Reumatol. 2016;56(4):352–65.

2. Gonzáles AI, Nery T, Fragnani SG, Pereira F, Lemos RR, Bezerra PI et al. Pilates Exercise for Hypertensive Patients: A Review of the Literature. Alternative Therapies, 2016;22(5): 40 – 45.

3. Lopes EDS, Ruas G, Patrizzi LJ. Efeitos de exercícios do método Pilates na força muscular respiratória de idosas: um ensaio clínico. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol.2014;17(3):517-53.

4. Bernardo LM. The Effectiveness of Pilates Training in healthy adults: An appraisal of the research literature. J Body Mov Ther. 2007;11(2):106-10.

5. Sacco ICN, Andrade MS, Souza PS, Nysiyama M, Cantuária AL, Maeda EYI, et al. Método pilates em revista: aspectos biomecânicos de movimentos específicos para reestruturação postural – Estudos de caso. Rev. Bras. Ci e Mov. 2005;13(4): 65-78. 6. Muscolino JE, Cipriani S. Pilates and the powerhouse — I. J Body Mov Ther. 2004;8:15-24.

7. Aparicio E, Pérez J. O Autêntico Método Pilates: A Arte do Controle. São Paulo: Planeta do Brasil Ltda, 2005.

8. Costa LMR, Schulz A, Haas AN, Loss J. Os Efeitos do Método Pilates Aplicado à População Idosa: Uma Revisão Integrativa. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2016; 19(4):695-702.

9. Jesus LT, Baltieri L, Oliveira LG, Angeli LR, Antonio SP, Pazzianoto-Fort EM. Efeitos do método Pilates sobre a função pulmonar, a mobilidade toracoabdominal e a força muscular respiratória: ensaio clínico não randomizado, placebo-controlado. Fisioterapia e Pesquisa.2015;22(3):213-22.

10. Moher D, Liberati A, Tetzlaff J, Altman DG, and The PRISMA Group. Preferred reporting items of systematic review and meta-analyses: the PRISMA statement. PLOS Medicine.2009;7(7):Article ID e1000097.

11. Giacomini MD, da Silva AM, Weber LM, Monteiro MB. The Pilates Method increases respiratory muscle strength and performance as well as abdominal muscle thickness. J Body Mov Ther. 2016;20(2):258-64.

12. Santos M, Cancellierro CM, Arthuri MT. Efeito do método Pilates no Solo sobre parâmetros respiratórios de indivíduos saudáveis. Rev. Bras. Ci. e Mov. 2015;23(1):24-30.

13. Franco CB, Ribeiro AF, Morcillo AM, Zambon MF, Almeida MB, Rozov T. Efeitos do método Pilates na força muscular e na função pulmonar de pacientes com fibrose cística. J Bras Pneumol. 2014;40(5):521-27.

14. Quirino CP, Teixeira GG, Leopoldino AAO, Braz NFT, Vitorino DFM, Lima VP. Efeitos de um protocolo de exercícios baseados no método Pilates sobre variáveis respiratórias em uma população de jovens sedentários. Fisioterapia Brasil. 2012;13(2). 15. Alvarega GM, Charkovski SA, Santos LK, Silva MAB, Tomaz GO, Gamba HR. The influence of inspiratory muscle training combined with the Pilates method on lung function in elderly women: A randomized controlled trial. Clinics. 2018; 73.

16. Sarmento LA, Pinto JS, da Silva AP, Cabral CM, Chiavegato LD. Effect of conventional physical therapy and Pilates in functionality, respiratory muscle strength and ability to exercise in hospitalized chronic renal patients: A randomized controlled trial. Clin Rehab. 2017;31(4):508-20.

(20)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 17. Tozim BM, Navega MT. Efeito do método pilates na força dos músculos inspiratórios e expiratórios em idosos. Rev. bras. cineantropom. desempenho hum. 2018; 20(1):1-9. 18. Martinez-Pubil JA, Acebal-Gonzáles A, Álvarez RF, Veja-Álvarez JA. Pilates en pacientes con espondilitis anquilosante:repercusión en la función pulmonar. Fisioterapia. 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.ft.2017.05.001.

19. Blount T, Mckenzie E. Pilates básico. São Paulo: Manole; 2006.

20. Pires DC, Sá CKC. Pilates: notas sobre aspectos históricos, princípios, técnicas e aplicações. Revista Digital - Buenos Aires.2005;10(91).

21. Silva ACLG, Mannrich G. Pilates na Reabilitação: uma revisão sistemática. Rev Fisioter Mov.2009;22(3):449-55.

22. Jago R, Jonker ML, Missaghian M, Baranowski T. Effect of 4 weeks of Pilates on the body composition of young girls. Prev Med. 2006;42(3): 177-80. 2006.

23. Barbosa AWC, Martins FL, Vitorino DF, Barbosa MC. Immediate electromyographic changes of the biceps brachii and upper rectus abdominis muscles due to the Pilates centring technique. J Body Mov Ther. 2013;17:385e390.

24. Critchley DJ, Pierson Z, Bettersby G. Effect of pilates mat exercises and conventional exercise programmes on transversus abdominis and obliquus internus abdominis activity: Pilot randomised Trial. Manual Therapy.2011;16:183e189.

25. Dorado C, Calbet JA, Lopez-Gordillo A, Alayon S, Sanchis-Moysi J. Marked Effects of Pilates on the Abdominal Muscles: A Longitudinal Magnetic Resonance Imaging Study. Med. Sci. Sports Exerc. 2012;44(8):1589–94.

26. Silva MF, Silva MAC, Campos RR, Obara K, Mostagi MQR, Cardoso APR, et al. A comparative analysis of the electrical activity of the abdominal muscles during traditional and Pilates-based exercises under two conditions. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. 2013,15(3):296-304.

27. Endleman I, Critchley DJ. Transversus abdominis and obliquus internus activity during Pilates exercises: measurement with ultrasound scanning. Arch Phys Med Rehabil 2008;89:2205-12.

28. Montes AMSM. Efeito de um programa de exercícios segundo Pilates em indivíduos com asma controlada – controlo motor vs . função ventiratória. Dissertação de Mestrado. Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto. 2011 p.1-77.

29. Shaw BS. Pulmonary Function Changes In The Aged Following Pilates Exercise Training. A Coll Sports Med. 2013: 367.

30. Fônseca AMC, Gomes AC, Bezerra NMB, Guerra RO, Fregonesi GAF, Maciel ACC. Influência do método Pilates na força muscular respiratória de idosas. Fisioterapia Brasil. 2012; 13(5).

(21)

Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72698-72718, sep. 2020. ISSN 2525-8761 APÊNDICE I: ESTRATÉGIA DE BUSCA PARA PUBMED E COCHRANE-LIBRARY

[(“Exercise movement techniques” OR “Pilates-Based Exercises” OR “Pilates Training”) AND (“Respiratory Muscles” OR “Ventilatory Muscles” OR “Breathing Exercises” OR “Respiratory Muscle Training” OR “Respiratory Function Tests” OR “Pulmonary Function Tests” OR “Lung Function Tests” OR “Lung Volume Measurements” OR “Maximal Respiratory Pressure” OR “Maximal Expiratory Pressure” OR “Maximal Inspiratory Pressure”)]

Imagem

Figura 1: Fluxograma de Seleção dos Estudos
Tabela 1: Resultados dos Estudos Encontrados
Tabela 2: Classificação Metodológica dos Estudos Elegíveis segunda escala PEDro
Tabela 2: Classificação Metodológica dos Estudos Elegíveis segunda escala PEDro

Referências

Documentos relacionados

Com o objetivo de mensurar o florescimento no contexto do trabalho, foi desenvolvida a EFLOT (Escala de Florescimento no Trabalho), onde resultados altos de escores da escala indicam

Fica a certeza da busca universal da consciência de perpetuação da cultura, da arte do povo, através de suas linguagens naturais, fazendo imergir novas figuras e elementos

Entretanto é nítida a necessidade de maior embasamento técnico-científico por parte dos fisioterapeutas e instrutores do método para atender de forma efetiva a

Engloba os processos necessários para garantir o uso mais efetivo das pessoas envolvidas no projeto.. EQUIPE

Quando a numeração do Chassi aparece do lado direito da coluna significa que a utilização da peça se aplica até este número do chassi

Para responder essa questão, aplicou-se o MIAC com a finalidade de estimar o valor econômico total da canga a partir da preferência declarada pela população local quanto

Com relação ao levantamento radiométrico realizado em tubos de raios X com fluoroscopia, assinale a alternativa correta quanto aos parâmetros de operação necessários

No sistema Procera AllCeram, para obtenção do coping de alumina para dentes naturais, os dados da leitura do troquel são transferidos “via modem” para a estação de produção