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INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO

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Academic year: 2021

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INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO

SUMÁRIO

1. CONCEITO DE DIREITO _______________________________________________________________ 1 2. RAMOS DO DIREITO _________________________________________________________________ 2 3.1. DIREITO PRIVADO ______________________________________________________________________ 2 3.2. DIREITO PÚBLICO ______________________________________________________________________ 3 3. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO ________________________________________________ 4 4. OBJETOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO _________________________________________________ 4 5. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO __________________________________________________ 5 6.1. LEI __________________________________________________________________________________ 5 6.2. JURISPRUDÊNCIA ______________________________________________________________________ 5 6.3. DOUTRINA ____________________________________________________________________________ 6 6.4. COSTUMES ADMINISTRATIVOS (PRAXE ADMINISTRATIVA) _____________________________________ 6 6. SISTEMAS ADMINISTRATIVOS _________________________________________________________ 6

7.1. SISTEMA FRANCÊS / DUALIDADE DA JURISDIÇÃO / CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO _______________ 6 7.2. SISTEMA INGLÊS / JURISDIÇÃO ÚNICA / SISTEMA NÃO CONTENCIOSO ____________________________ 7

1. CONCEITO DE DIREITO

Para uma boa compreensão do conceito de direito administrativo, ou seja, do que é o direito administrativo, e também do objeto (qual a finalidade) do direito administrativo, é importante em primeiro plano compreender de forma objetiva o que é o direito.

Direito é um conjunto de normas impostas coativamente pelo Estado, que vão regular a vida em sociedade, possibilitando a coexistência pacífica das pessoas.

Por normas deve-se entender as regras escritas e positivadas em textos legais (Constituição Federal, Leis, Tratados Internacionais, Medidas Provisórias, Decretos, Regulamentos, dentre outros) e também os princípios que não necessariamente precisam estar escritos, mas que ainda assim representam os valores

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da sociedade e vão orientar a atividade de criação das normas escritas, bem como a sua interpretação e aplicação.

O direito deve obrigatoriamente ser obedecido pelas pessoas que coabitam no Estado, e para garantir essa obediência, o Estado pode inclusive usar a força coercitiva.

O direito representa uma limitação à liberdade do homem, e essa limitação à liberdade decorre diretamente do fato de que o exercício absoluto da liberdade pelos indivíduos é nocivo ao desenvolvimento da sociedade.

Imagine por exemplo que de uma hora para outra não exista mais regra alguma regulando as relações sociais, neste cenário, tudo pode acontecer, pois não há mais punição para conduta alguma, afinal de contas, não há mais regras. Os roubos, os homicídios, os estupros, por exemplo, não seriam mais punidos. Tal cenário é quase que inimaginável, e caso algo assim ocorresse, provavelmente levaria este grupo social a criação do direito para defesa dos seus membros, pois caso contrário, este grupo seria levado à extinção.

Como os romanos já diziam “onde existem homens, existirá também o direito” (ubi homo, ibi jus), para regular as relações decorrentes da vida em grupo. O direito então representa ao homem a perda do gozo absoluto da liberdade em prol de uma vida social civilizada, onde a recompensa pela abdicação da plenitude da liberdade se faz presente através das vantagens e privilégios que decorrem da vida social.

2. RAMOS DO DIREITO

O direito é dividido em dois ramos distintos, são eles, o direito privado e o direito público. 3.1. DIREITO PRIVADO

O direito privado é caracterizado pela regulamentação de interesses PRIVADOS. Neste ramo do direito, existe um conflito entre particulares, ou seja, em um dos lados da disputa tem um particular, seja este particular uma pessoa física ou uma pessoa jurídica e de outro lado da disputa tem-se outro particular, também, tanto faz ser esse particular é pessoa física ou pessoa jurídica.

Em regra, o direito privado não regula relações entre particulares e o Estado. Eventualmente o Estado pode integrar um dos polos regulados pelo direito privado, conforme veremos logo adiante.

Característica marcante do DIREITO PRIVADO é a RELAÇÃO JURÍDICA DE IGUALDADE estabelecida entre as partes. Assim sendo, no direito privado as partes são tratadas com os mesmos direitos e obrigações, afinal de contas cada uma das partes representa os seus próprios interesses, e não há que se falar em relação de subordinação e hierarquia entre os interesses privados. Essa relação jurídica de igualdade também é chamada de RELAÇÃO JURÍDICA HORIZONTAL.

O direito privado é governado pelo PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE humana que preconiza que os particulares têm liberdade para escolher os seus objetivos pessoais e também definir os meios para alcançar tais objetivos, desde que esses meios e objetivos não sejam proibidos em lei. De maneira

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O direito administrativo não faz parte do ramo do direito privado, e como exemplos desse ramo do direito, tem-se o direito civil, o direito empresarial.

3.2. DIREITO PÚBLICO

Já o direito público apresenta uma ideia contrária a ideia apresentada pelo direito privado.

O direito público é caracterizado pela regulamentação dos interesses públicos e o seu objetivo é a resolução de conflitos que envolvam tais interesses contra os interesses dos particulares. Nestes casos, em um dos lados do conflito está o Estado, representante dos interesses da coletividade, e do outro lado da disputa tem-se o particular (tanto faz ser esse particular, pessoa física ou pessoa jurídica), representando os seus próprios interesses.

No direito público o Estado tem um tratamento privilegiado diante do particular, ou seja, as normas que regulam o direito público conferem prerrogativas especiais ao Estado diante do particular, o que impede um tratamento igualitário entre as partes.

Característica marcante do DIREITO PÚBLICO é a RELAÇÃO JURÍDICA DE DESIGUALDADE estabelecida entre os polos. Assim sendo, no direito público as partes são tratadas com distinção de direitos, obrigações e responsabilidades. Essa relação jurídica de desigualdade também é chamada DE RELAÇÃO JURÍDICA VERTICAL.

O fundamento dessa relação jurídica vertical entre o Estado e o particular, arbitrada pelo direito público é encontrado no princípio da SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO, tal princípio preconiza que os interesses públicos (da coletividade) se sobrepõem aos interesses privados, e sendo o Estado o procurador dos interesses da sociedade, ao Estado é conferido poderes especiais para conseguir defender o interesse da coletividade. Sem esses poderes especiais o Estado não teria como defender os interesses da coletividade.

Se o Estado tivesse o mesmo tratamento que o particular quando defendesse interesses públicos, não lograria êxito em atingir a satisfação de tais objetivos, exemplo:

Imagine que um município pretenda ampliar um hospital para melhor servir a sua sociedade, entretanto é necessário adquirir imóveis próximos ao hospital, pois não há terreno disponível nas adjacências deste. Nesta hipótese, caso um dos proprietários ou todos se recusam a vender amigavelmente o seu imóvel ao município, estará iniciado um conflito entre o Estado e o dono do terreno. O Estado quer o terreno para satisfazer uma necessidade da sociedade e o seu proprietário quer continuar sendo o seu proprietário para satisfazer os seus próprios interesses, sendo assim, o município tem plenos poderes para desapropriar o imóvel particular de seu interesse, desde que é claro, pague o valor correspondente ao seu proprietário.

Note que a relação é desigual, pois o Estado pode passar por cima da vontade do particular e realizar uma compra forçada do imóvel (desapropriação).

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que o Estado atinja os interesses públicos, sua característica principal é o tratamento privilegiado assegurado ao Estado.

Como dito acima, eventualmente o Estado pode ter suas relações regidas pelo direito privado, a exemplo quando o Estado atua no domínio econômico, no exercício da atividade empresarial, mas nestes casos é errado falar que o Estado está sendo integralmente regido por normas de direito privado, ou exclusivamente regido por normas de direito privado. A expressão adequada para estes casos é que o Estado está sendo predominantemente regido por normas de direito privado, pois ainda assim lhe é assegurada algumas prerrogativas de direito público, o que não afasta a característica da igualdade entre as partes no direito privado.

Concluímos então que o Estado pode ser integralmente regido por normas de direito público, afinal de contas, é o que acontece na maioria das suas relações, mas ele não pode ser integralmente regido por normas de direito privado, e quando o Estado se submete ao direito privado, dizemos que ele está sendo predominantemente regido por normas de direito privado.

O direito administrativo faz parte do ramo do direito público, e como outros exemplos do direito público temos o direito constitucional, penal, processual penal, tributário, dentre outras searas do direito e conforme já foi dito, todas estas searas guardam em comum a regulação das relações do Estado.

3. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO

O professor Hely Lopes Meirelles conceitua o direito administrativo como sendo “o conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem órgãos, agentes e atividades públicas que tendem a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”.

A professora Maria Sylvia Di Pietro define o Direito Administrativo como "o ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza política."

4. OBJETOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO

O direito administrativo tem dois objetos, a administração pública e o exercício das atividades administrativas do Estado.

O direito administrativo tem por objetivo regular as relações da administração pública, sejam estas relações de natureza interna entre as entidades que a compõe, seus órgãos e agentes; sejam estas relações de natureza externa entre a administração e os administrados.

Além de ter por objeto a administração pública, também é foco do direito administrativo o desempenho das atividades públicas, sejam elas exercidas pelo próprio estado por meio da administração pública ou exercidas por algum particular, como no caso das concessões, permissões e autorizações de serviços públicos.

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Resumidamente podemos dizer que o direito administrativo tem por objeto a administração pública e também as atividades administrativas, independente de quem às exerça.

5. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO

O termo fonte dá ideia do lugar onde algo começa a surgir. Sendo assim, por fontes do direito administrativo, deve-se entender os lugares onde encontramos as regras do direito administrativo.

Todavia, o direito administrativo não é codificado, sendo assim, não é possível encontrarmos um código que contemple as normas de direito administrativo como acontece com o direito penal, civil, processual penal, dentre outros. Para encontrarmos as normas de direito administrativo, temos que recorrer a diversas fontes.

São fontes do direito administrativo a lei, a jurisprudência, a doutrina e os costumes (praxe administrativa). Veja a seguir as características de cada uma das fontes do direito administrativo.

6.1. LEI

Em decorrência do princípio fundamental da legalidade, que orienta todo o direito administrativo, a lei é a fonte primária e principal do direito administrativo. A lei vincula a atuação da administração pública dos três poderes e de todas as esferas da federação.

Todavia, para entendermos melhor o significado do termo lei e da sua finalidade, é importante classifica-la em dois tipos: Lei em sentido estrito e Lei em sentido amplo.

Lei em sentido estrito são os atos legislativos que inovam o ordenamento jurídico, tais como as leis complementares, leis ordinárias e leis delegadas.

Lei em sentido amplo é um termo mais amplo que inclui qualquer tipo de norma aplicada à administração pública, independente do órgão estatal que a produziu. Neste caso, entende-se por lei a própria Constituição Federal, as leis ordinárias, complementares, delegadas, medidas provisórias, decretos, resoluções, portarias e qualquer outro ato que seja de obediência obrigatória pela administração pública.

O direito administrativo adota como fonte principal a lei em seu sentido amplo. 6.2. JURISPRUDÊNCIA

A jurisprudência é o resultado de vários julgados realizados pelo poder judiciário sobre determinada matéria que caminham num mesmo sentido, serve como paradigma para o julgamento de novas ações judiciais referente aos mesmos temas.

A Jurisprudência, traduzindo a reiteração de variados julgamentos num mesmo sentido, influencia a construção do direito, e especialmente a do Direito Administrativo. Ela tem um caráter mais prático, mais objetivo, mas nem por isso se aparta de princípios teóricos que, por sua persistência nos julgados, acabam por penetrar e integrar a própria Ciência do Direito;

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as súmulas vinculantes que foram introduzidas no ordenamento jurídico brasileiro pela emenda constitucional nº 45. As súmulas vinculantes são publicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois de reiteradas decisões num mesmo sentido e seu conteúdo vincula a administração pública dos poderes legislativo, executivo e judiciário da União, Estados, DF e municípios.

6.3. DOUTRINA

A doutrina o resultado do trabalho dos estudiosos do direito administrativo. São livros que têm a finalidade de tentar sistematizar e melhor explicar o conteúdo das normas de direito administrativo, podem ser utilizadas como critério de interpretação de normas, bem como auxiliar a produção normativa.

Assim como a jurisprudência, a doutrina é uma fonte secundária do direito administrativo e por isso, não vincula a atuação da administração pública, ela é só uma fonte de orientação para a atuação do administrador público e para a produção de normas que irão orientar a atividade da Administração Pública. Devido ao fato de a doutrina representar o entendimento do seu autor sobre as regras do direito administrativo, essa fonte do direito apresenta várias contradições, pois é comum que em alguns pontos os autores tenham entendimentos distintos de um ou outro instituto jurídico.

6.4. COSTUMES ADMINISTRATIVOS (PRAXE ADMINISTRATIVA)

Os costumes são práticas reiteradas observadas pelos agentes administrativos diante de determinada situação quando a há lacuna da norma.

Os costumes somente podem ser utilizados para orientar a atuação da administração pública na falta de lei determinando o que deve ser feito. Sendo assim, o costume não pode substituir a lei, mas somente pode ser utilizado para tampar uma lacuna deixada na lei pelo legislador.

Os costumes são fontes indiretas do direito administrativo.

Como exemplo de comportamento costumeiro pode-se citar as filas. Antes de o legislador considerar colocar como obrigatória essa modalidade de organização de pessoas, os órgãos públicos já adotavam a organização das pessoas em filas para garantir um atendimento mais justo.

6. SISTEMAS ADMINISTRATIVOS

São os regimes que dispõe o Estado para realizar o controle de legalidade dos seus atos administrativos. E estes podem ser classificados em sistema francês ou inglês. Veja a seguir.

7.1. SISTEMA FRANCÊS / DUALIDADE DA JURISDIÇÃO / CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO

Pelo sistema francês, o poder judiciário não tem competência para fazer controle de legalidade dos atos da administração pública.

Neste caso existe duas justiças, uma justiça comum para julgar os particulares e uma justiça administrativa que tem a competência de julgar os atos da administração pública.

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Neste sistema, os atos praticados pela administração pública não podem ser anulados pelo poder judiciário. Existem tribunais de natureza administrativa que têm a competência de realizar o controle de legalidade dos atos administrativos e caso seja necessário, anulá-los.

As decisões desses tribunais administrativos têm efeito de coisa julgada, pois não podem ser revistas pelo poder judiciário, haja vista o fato de o poder judiciário não realizar controle de legalidade dos atos da administração pública.

O sistema administrativo francês não é o sistema administrativo para controle de legalidade dos atos da administração pública.

7.2. SISTEMA INGLÊS / JURISDIÇÃO ÚNICA / SISTEMA NÃO CONTENCIOSO

Neste sistema, o controle de legalidade dos atos da administração pública pode ser feito pela própria administração pública e também pelo poder judiciário, sendo que somente as decisões do poder judiciário têm caráter de definitividade, ou seja, somente as decisões do poder judiciário tem força de coisa julgada.

Todos os conflitos entre a administração e o administrado e ainda entre a administração e os seus agentes, podem ser levados até o poder judiciário, e só este tem o poder de decidir com força de coisa julgada. É importante observar que neste sistema, a administração pode julgar conflitos, todavia mesmo que ela já tenha julgado ou esteja julgando um conflito, o particular pode acionar o poder judiciário e este poderá desfazer o resultado do julgamento feito pela administração pública, pois as decisões da administração pública são decisões administrativas e por isso não tem força de coisa julgada, podendo ser revistas pelo poder judiciário por meio do controle de legalidade e somente as decisões do poder judiciário que são decisões judiciais tem força de coisa julgada, não podendo ser revista por outras autoridades.

Ainda que as decisões da administração pública não tenham força de coisa julgada, isso não impede que a administração pública julgue conflitos. Todavia, estes conflitos podem ser levados para solução perante o poder judiciário e é este quem tem o poder de dizer qual é o direito aplicável ao caso.

Esse é o modelo de sistema administrativo adotado pelo Brasil.

Para entender melhor o assunto, basta comparar o sistema inglês com o francês, enquanto no primeiro existe uma justiça com competência para julgar poder público e particulares, no sistema francês existe uma justiça para julgar o poder público e outra para julgar o particular.

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NOÇÕES DE ESTADO

SUMÁRIO

1. CONCEITO DE ESTADO _______________________________________________________________ 1 2. ELEMENTOS DO ESTADO _____________________________________________________________ 1 3. FORMAS DE ESTADO _________________________________________________________________ 2 3.1. ESTADO UNITÁRIO ________________________________________________________________ 2 3.2. ESTADO FEDERADO ________________________________________________________________ 2 3.3. DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA _______________________________________________________ 3 4. PODERES DO ESTADO ________________________________________________________________ 3 5. FUNÇÕES DOS PODERES DO ESTADO ____________________________________________________ 4

1. CONCEITO DE ESTADO

O termo Estado pode ter várias interpretações, por exemplo, o termo Estado é geralmente utilizado para nos referirmos aos Estados-membros, entes que compõe a República Federativa do Brasil (ex. São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Sergipe, etc). Todavia, neste tópico, devemos associar a palavra Estado à ideia de país. Neste sentido, podemos conceituar Estado como sendo a pessoa jurídica territorial soberana.

A doutrina também conceitua o Estado como sendo um povo em um dado território vivendo segundo sua livre e soberana vontade.

2. ELEMENTOS DO ESTADO

Os elementos que compõe um Estado são três: o território, o povo e governo soberano.  Território: é a base fixa do Estado (solo, subsolo, mar, espaço aéreo).

Povo: é o componente humano do Estado

Governo Soberano: é o responsável pela condução política do Estado, por ser tal governo soberano, temos que este não se submete a nenhuma vontade externa, pois relembrando lá fora o Estado é independente e aqui dentro sua vontade é suprema.

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3. FORMAS DE ESTADO

Existem duas formas de Estado: Estado unitário e Estado federado.

3.1.

ESTADO UNITÁRIO

Estado unitário é termo utilizado para se referir aos países caracterizados pela CENTRALIZAÇÃO POLÍTICA. Neste tipo de país existe um só poder político central que emana sua vontade por todo o território nacional.

Sendo assim, em um Estado unitário, existe relação de hierarquia e subordinação entre o poder político central e as demais entidades administrativas regionais e locais, ou seja, Estados-membros e municípios em regra, quando existem, não são dotados de competências políticas (capacidade de criar leis), pois as competências políticas são exclusivas do poder político central. Neste caso, Estados-membros e municípios são subordinados a vontade do poder político central.

O Brasil não é um Estado unitário.

Um exemplo de Estado unitário é o Uruguai.

3.2.

ESTADO FEDERADO

Estado federado é termo utilizado para se referir aos países caracterizados pela DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA, ou seja, existem diferentes entidades políticas autônomas que são distribuídas regionalmente e cada uma exerce o poder político dentro de sua área de competência.

Sendo assim, em um Estado federado, não existe relação de hierarquia e subordinação entre o poder político central e os poderes políticos regionais e locais, ou seja, Estados-membros e municípios são dotados de competências políticas.

O Brasil é um Estado federado.

No caso do Brasil, mais precisamente falando, da República Federativa do Brasil, existe uma divisão interna de competências que são distribuídas entre as entidades políticas que compõe a federação. Essas entidades políticas autônomas são: a União, os Estados, os municípios e o Distrito Federal.

Pode-se entender que essas entidades políticas autônomas compõe a República Federativa do Brasil, ou seja, aquelas fazem parte desta, e esta é o todo, é a soma das entidades políticas autônomas (União, Estados, DF e municípios).

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL = UNIÃO + ESTADOS + DISTRITO FEDERAL + MUNICÍPIOS Cada entidade política tem as suas próprias competências. Essas competências são definidas na Constituição Federal.

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3.3.

DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA

A descentralização política é a forma utilizada pelo Estado Federado (no nosso caso, a República Federativa do Brasil) para criar entidades políticas de atuação interna e distribuir para elas competências políticas que são competências para criar leis.

Essa divisão interna de competências é a principal característica de um Estado federado, pois enquanto no Estado unitário um só poder político central emana sua vontade por todo território nacional, sem dividir competências com outros entes, na federação existem várias entidades políticas, cada uma com a sua parcela de competências políticas, ou seja, as competências políticas são exercidas de forma descentralizadas.

Cuidado para não confundir descentralização política com descentralização

administrativa!!!

Enquanto a descentralização política trata da descentralização de competências políticas, o que ocorre quando o estado federal (no nosso caso a República Federativa do Brasil) se divide internamente em outras entidades (no nosso caso, a República Federativa do Brasil se divide internamente em um ente de atuação nacional, União; em entidades de atuação regional, estados; em entidades de atuação local, municípios e no Distrito Federal) e transfere para estas o exercício de competências políticas. Tal fenômeno ocorre por meio da Constituição Federal

Já a descentralização administrativa trata da descentralização de competências administrativas que ocorre quando os entes federados (União, estados, DF e municípios) transferem competências administrativas para entidades integrantes da administração indireta ou para particulares o que ocorre respectivamente por lei no primeiro caso ou por contrato administrativo ou ato administrativo no segundo caso.

DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA Transferência de competências políticas do ente

federal para os entes federados.

Transferência de competências administrativas dos entes federados (administração direta), para a administração indireta ou para particulares. Decorre da Constituição Federal Decorre de Lei ou de ato administrativo

O assunto descentralização administrativa será estudado com bastante profundidade mais adiante quando tratarmos das técnicas administrativas.

4. PODERES DO ESTADO

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Art. 2º da CF: São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

5. FUNÇÕES DOS PODERES DO ESTADO

As funções dos poderes, em regra são a de criar leis (inovar o ordenamento jurídico), de administrar e de julgar conflitos. Cada poder é responsável pelo exercício de uma dessas funções. Todavia, é errado pensar que cada poder somente desempenha uma dessas funções.

Cada poder desempenha uma das funções do Estado de forma principal e também desempenha as outras funções do Estado de forma acessória. Em razão do fato de cada poder desempenhar, além da sua função principal, algumas funções acessórias, a doutrina classifica a separação dos poderes como flexível.

Sendo assim, como a classificação da separação dos poderes é flexível, ela não é absoluta ou rígida. A separação dos poderes seria absoluta caso cada poder desempenhasse somente a sua função principal, não podendo desempenhar funções acessórias. O que não é o caso do Brasil.

A função principal de cada poder é aquela função que realmente justifica a existência de tal poder. Relembrando, a separação entre os poderes não é absoluta ou rígida, mas sim flexível, pois em determinados momentos pode-se observar, por exemplo, o poder legislativo desempenhando funções administrativas ou jurisdicionais. O mesmo acontece com os demais poderes.

PODER FUNÇÃO TÍPICA OU PRINCIPAL FUNÇÃO ATÍPICA OU ACESSÓRIA

PODER EXECUTIVO  Administrar  Inovar o ordenamento

jurídico;

 Julgar conflitos.

PODER JUDICIÁRIO  Julgar conflitos  Inovar o ordenamento

jurídico;  Administrar. PODER LEGISLATIVO  Inovar o ordenamento

jurídico;

 Fiscalizar a

administração pública.

 Administrar;  Julgar conflitos.

Relacionando a análise feita sobre os poderes e suas funções com os entes que compõe a República Federativa do Brasil, verifica-se que não existe poder judiciário municipal. Sendo assim, existe poder executivo, legislativo e judiciário nas esferas federal e estaduais e do Distrito Federal, já nos municípios

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NOÇÕES DE GOVERNO

SUMÁRIO

1. CONCEITO DE GOVERNO______________________________________________________________ 1 2. CLASSIFICAÇÃO DE GOVERNO _________________________________________________________ 2 2.1. GOVERNO EM SENTIDO FORMAL OU SUBJETIVO ________________________________________ 2 2.2. GOVERNO EM SENTIDO MATERIAL OU OBJETIVO ________________________________________ 2 3. SISTEMAS DE GOVERNO ______________________________________________________________ 2 3.1. PARLAMENTARISMO _______________________________________________________________ 2 3.2. PRESIDENCIALISMO ________________________________________________________________ 3 4. FORMAS DE GOVERNO _______________________________________________________________ 3 4.1. MONARQUIA _____________________________________________________________________ 3 4.2. REPÚBLICA _______________________________________________________________________ 4

1. CONCEITO DE GOVERNO

Governar está relacionado com a função política do Estado, a função de comando, de coordenar, de direcionar e fixar planos e diretrizes de atuação do Estado. O governo é o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais responsáveis pela função política do Estado.

O governo está diretamente ligado com as decisões tomadas pelo Estado. O governo exerce a direção suprema e geral do Estado. Considerando o Estado uma pessoa e fazendo uma analogia com o corpo humano, podemos dizer que o governo é o cérebro do Estado.

A doutrina caracteriza o governo como sendo uma atividade política, discricionária e independente, sendo assim, governar é uma atividade política pois é a responsável por criar normas que inovam o ordenamento jurídico, é também uma atividade discricionária, pois o governo é incondicionado e ilimitado, e o governo é independente porque subordina-se somente aos mandamentos da Constituição Federal, não havendo hierarquia e subordinação entre os responsáveis pelo exercício do governo.

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2. CLASSIFICAÇÃO DE GOVERNO

A doutrina classifica o conceito de governo em um sentido formal/subjetivo e em um sentido material/objetivo.

2.1.

GOVERNO EM SENTIDO FORMAL OU SUBJETIVO

Em sentido formal ou subjetivo, governo é o conjunto de poderes e órgãos responsáveis pela atividade de governar. Neste caso, associa-se a palavra governo com as instituições públicas responsáveis pelo comando, coordenação, direção e fixação de planos e diretrizes de atuação do Estado.

2.2.

GOVERNO EM SENTIDO MATERIAL OU OBJETIVO

Em sentido material ou objetivo, governo é a atividade de governar, independentemente da instituição pública que a exerça, ou seja, associa-se a palavra governo com as atividades de comando, coordenação, direção e fixação de planos e diretrizes de atuação do Estado.

3. SISTEMAS DE GOVERNO

O termo sistema de governo refere-se ao grau de dependência entre o poder legislativo e o poder executivo.

Os sistemas de governo existentes são dois: o parlamentarismo e o presidencialismo.

3.1.

PARLAMENTARISMO

O parlamentarismo é caracterizado por uma grande relação de dependência entre o poder legislativo e o poder executivo.

Neste tipo de sistema de governo, a chefia do poder executivo é dividida entre duas autoridades públicas, um chefe de Estado e um chefe de governo. O chefe de Estado é responsável pela representação internacional do país e o chefe de governo é responsável pelas relações internas do país, ou seja, o chefe de governo é o chefe da administração pública.

O chefe de Estado pode ser um presidente ou um rei, a depender de o país ser uma república ou uma monarquia. Este chefe de Estado faz a nomeação do chefe de governo, todavia, a pessoa nomeada para a chefia do governo, somente poderá desempenhar esta função caso seja aprovada pelo poder legislativo.

Sendo assim, é fácil observar que existe uma grande relação entre os poderes, pois o poder legislativo precisa aprovar a indicação da pessoa que irá exercer a chefia de governo.

O Brasil não é um país parlamentarista.

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A chefia do Estado e a chefia do Governo são desempenhadas por pessoas distintas.  Chefe de Estado: responsável pelas relações internacionais;

Chefe de governo: responsável pelas relações internas, o chefe de governo é o chefe da administração pública.

3.2.

PRESIDENCIALISMO

O presidencialismo é caracterizado por uma pequena dependência entre o poder legislativo e o poder executivo.

Neste tipo de sistema de governo, a chefia do poder executivo não é dividida entre duas autoridades públicas como no parlamentarismo. Neste tipo de sistema de governo, o chefe de Estado e o chefe de governo são representado pela mesma autoridade pública, ou seja, no presidencialismo, uma mesma autoridade pública é responsável pelas relações externas e internas do país, bem como pela chefia da administração pública.

Como o chefe de Estado e o chefe de governo estão representados na mesma pessoa, não é possível que o poder legislativo aprove a indicação do chefe do poder executivo, sendo assim, é fácil observar que não existe uma grande relação entre os poderes.

O Brasil é um país presidencialista. CARACTERÍSTICA PRINCIPAL

A chefia do Estado e a chefia do Governo são desempenhadas pela mesma pessoa.

4. FORMAS DE GOVERNO

O termo forma de governo refere-se ao grau de dependência entre governantes e governados. As formas de governo existentes são duas: a monarquia e a república.

4.1.

MONARQUIA

A monarquia é a forma de governo caracterizada pela pouca ou nenhuma dependência entre governantes e governados.

As principais características do governo monárquico são a hereditariedade, a vitaliciedade e a ausência do dever de prestar contas à população.

Hereditariedade: o poder é passado de pai pra filho. O povo não escolhe o governante.Vitaliciedade: o detentor do poder fica no cargo até a morte.

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Como pode-se observar, devido a hereditariedade, vitaliciedade e ausência do dever de prestar contas, vemos que os governantes não dependem da escolha dos governados para chegar ao poder e depois que estão no poder, governam como se fossem os donos do país até a sua morte.

O Brasil não é uma monarquia.

Um exemplo de país que a adota a forma de governo monárquica é a Inglaterra.

4.2.

REPÚBLICA

A república é a forma de governo caracterizada pela grande dependência entre governantes e governados.

A república é caracterizada pelos princípios da eletividade, temporalidade e o dever de prestar contas.

Eletividade: o governante precisa ser eleito para chegar ao poder.

Temporalidade: ao chegar ao poder, o governante ficará no cargo por tempo determinado.Dever de prestar contas.

Devido ao fato de o governante depender do voto dos governados para chegar ao poder, de este poder ser exercido temporariamente e do dever de prestar contas à população dos atos de governo, nota-se uma grande dependência entre governantes e governados.

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NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

SUMÁRIO

1. CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ________________________________________________ 3 2. CLASSIFICAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ____________________________________________ 3 2.1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO MATERIAL OU OBJETIVO __________________________ 3 2.2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO FORMAL OU SUBJETIVO ___________________________ 4 2.3. COMPARANDO O CRITÉRIO MATERIAL OBJETIVO COM O CRITÉRIO FORMAL SUBJETIVO ________ 5 3. COMPARAÇÃO ENTRE GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA _______________________________ 6 4. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA _____________________________________________________ 7 4.1. CARACTERÍSTICAS DAS ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA ___________________ 7 5. TÉCNICAS ADMINISTRATIVAS __________________________________________________________ 8 5.1. CENTRALIZAÇÃO __________________________________________________________________ 8 5.2. DESCENTRALIZAÇÃO _______________________________________________________________ 9 5.2.1. DESCENTRALIZAÇÃO POR OUTORGA LEGAL / TÉCNICA / SERVIÇOS / FUNCIONAL ____________ 9 5.2.2. DESCENTRALIZAÇÃO POR DELEGAÇÃO / COLABORAÇÃO _______________________________ 10 5.2.3. COMPARANDO A DESCENTRALIZAÇÃO POR OUTORGA LEGAL COM A DESCENTRALIZAÇÃO POR DELEGAÇÃO. __________________________________________________________________________ 10 5.3. DESCONCENTRAÇÃO ______________________________________________________________ 11 5.3.1. DESCONCENTRAÇÃO CENTRALIZADA _______________________________________________ 12 5.3.2. DESCENTRALIZAÇÃO DESCENTRALIZADA ____________________________________________ 12 5.4. CONCENTRAÇÃO _________________________________________________________________ 12 5.5. COMPARAÇÃO ENTRE DESCENTRALIZAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO ________________________ 12 5.6. CONCLUSÃO SOBRE AS TÉCNICAS ADMINISTRATIVAS ___________________________________ 12 6. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA __________________________________________________ 13 6.1. CARACTERÍSTICAS COMUNS DAS ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA ________ 13 6.2. CONTROLE DO ESTADO: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA CONTROLANDO A ENTIDADE DA

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6.3. CRIAÇÃO DOS ENTES DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA ____________________________________ 14 6.4. EXTINÇÃO DOS ENTES DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA ___________________________________ 15 6.5. AUTARQUIA _____________________________________________________________________ 16 6.5.1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS AUTARQUIAS _____________________________________ 16 6.5.2. CLASSIFICAÇÃO DAS AUTARQUIAS _________________________________________________ 16 6.5.2.1. AUTARQUIA (ORDINÁRIA) ______________________________________________________ 17 6.5.2.2. AUTARQUIA EM REGIME ESPECIAL _______________________________________________ 17 6.5.2.3. AGÊNCIAS REGULADORAS ______________________________________________________ 17 6.5.2.4. AUTARQUIA TERRITORIAL ______________________________________________________ 17 6.5.2.5. AUTARQUIAS INTER FEDERATIVAS OU MULTI FEDERATIVAS __________________________ 18 6.5.2.6. AUTARQUIA FUNDACIONAL OU FUNDAÇÃO AUTÁRQUICA ___________________________ 18 6.6. FUNDAÇÃO PÚBLICA ______________________________________________________________ 18 6.6.1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS FUNDAÇÕES PÚBLICAS _____________________________ 19 6.6.2. CLASSIFICAÇÃO DAS FUNDAÇÕES PÚBLICAS _________________________________________ 19 6.6.2.1. FUNDAÇÃO PÚBLICA (COMUM) _________________________________________________ 19 6.6.2.2. FUNDAÇÃO AUTÁRQUICA OU AUTARQUIA FUNDACIONAL ___________________________ 19 6.7. EMPRESAS ESTATAIS (EMPRESA PÚBLICA E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA)_______________ 19 6.7.1. CONCEITO DE EMPRESA ESTATAL __________________________________________________ 20 6.7.2. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS EMPRESAS ESTATAIS _______________________________ 20 6.7.3. CLASSIFICAÇÃO DAS EMPRESAS ESTATAIS ___________________________________________ 20 6.7.3.1. EMPRESA PÚBLICA ____________________________________________________________ 20 6.7.3.2. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA _______________________________________________ 21 6.7.4. DIFERENÇAS ENTRE AS EMPRESAS PÚBLICAS E AS SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA _______ 22 6.7.5. SÚMULAS RELACIONADAS A COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS SOCIEDADES DE

ECONOMIA MISTA _____________________________________________________________________ 22 6.8. PARA TREINAR: COMPARANDO CARACTERÍSTICAS DAS ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

(18)

1. CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Antes de fazermos qualquer conceituação doutrinária sobre Administração Pública, pode-se entendê-la como sendo a ferramenta utilizada pelo Estado para atingir os seus objetivos.

Veja bem, o Estado possui objetivos, e quem escolhe quais são esses objetivos é o seu governo, pois a este é que cabe a função política (atividade eminentemente discricionária) do Estado, que determina as suas vontades, ou seja, o governo é o cérebro do Estado.

Para poder atingir esses objetivos o Estado precisa fazer algo. O Estado faz esse algo através de sua Administração Pública. Sendo assim, a Administração Pública é a responsável pelo exercício das atividades públicas do Estado.

A administração pública está presente dentro dos 3 poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Afinal de contas, conforme já foi visto, os três poderes exercem a função administrativa, sendo esta função administrativa a função principal e típica do poder executivo e uma função acessória e atípica do poder legislativo e do poder judiciário.

A doutrina caracteriza a administração pública como sendo uma atividade neutra, vinculada à lei ou a norma técnica e hierarquizada. Sendo assim, administrar é uma atividade neutra pois ela não toma decisões políticas, mas somente realiza a execução das decisões tomadas pelo governo, é também uma atividade vinculada a lei ou a norma técnica em razão do princípio da legalidade que dispõe que a administração pública somente pode fazer o que a lei determina ou autoriza, e por fim, a atividade administrativa é hierarquizada, ou seja, as pessoas jurídicas que integram a administração pública estão estruturadas internamente por órgãos públicos e agentes públicos e entre esses órgãos e esses agentes existe uma relação de hierarquia e subordinação.

2. CLASSIFICAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A doutrina classifica o conceito de Administração Pública em um sentido formal/subjetivo e em um sentido material/objetivo.

2.1.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO MATERIAL OU OBJETIVO

Em sentido material ou objetivo, administração é a atividade de administrar, independentemente da instituição pública que a exerça.

Adotando-se este critério de classificação, considera-se integrante da administração pública qualquer instituição que exerça alguma atividade administrativa do Estado, e neste caso, tanto faz se a instituição que exerce a atividade administrativa é pública ou privada.

(19)

No Brasil, o critério adotado para classificar a administração pública não é este, e caso este critério fosse o critério adotado, a composição da administração pública brasileira teria a seguinte forma: União, Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas prestadoras de serviço público, Sociedades de economia mista prestadores de serviços públicos, e além dessas instituições, também integraria a administração pública brasileira os particulares prestadores de serviço público, o que inclui as concessionárias, permissionárias e autorizatárias prestadoras de serviço público.

Além disso, as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras da atividade econômica não integrariam a estrutura da administração pública brasileira.

Sendo assim, Administração pública em sentido objetivo é integrada por qualquer um que exerça função pública, ou seja, ela é integrada pelos membros da administração pública direta, indireta e por particulares no exercício da função pública.

Lembrando, este critério não é o adotado no Brasil, sendo assim, a administração pública brasileira não tem a composição apresentada acima. A composição da administração pública brasileira é feita com base no critério formal ou subjetivo de classificação. Veja a seguir.

2.2.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO FORMAL OU SUBJETIVO

Em sentido formal ou subjetivo, o termo administração pública está relacionado com o conjunto de instituições públicas a quem ordenamento jurídico atribuiu como tal, independentemente de esta instituição exercer ou não a atividade administrativa do Estado. Ou seja, Administração Pública compreende o conjunto de órgãos e pessoas jurídicas encarregadas, por determinação legal, do exercício da função administrativa do Estado.

Pelo modelo formal a Administração Pública é o conjunto de entidades (pessoas jurídicas, seus órgãos e agentes) que o nosso ordenamento jurídico identifica como sendo integrante da Administração Pública, pouco importando a sua área de atuação, ou seja, pouco importa a atividade exercida pela pessoa jurídica, e sim quem é a pessoa jurídica. Se o ordenamento jurídico diz que determinada pessoa jurídica integra a Administração Pública, esta pessoa integra a Administração Pública.

Sendo assim, a Administração pública em sentido subjetivo é integrada somente pelos membros da administração pública direta e indireta, ou seja, somente pelas entidades da administração pública direta e indireta, os órgãos que as integram e os agentes públicos que trabalham nesses órgãos, não incluindo neste conceito de administração pública os particulares que exercem função pública.

A federação brasileira é formada por quatro entidades federadas (União, estados, DF e municípios), cada uma dessas entidades possui uma administração pública direta e uma administração pública indireta.

(20)

A administração indireta é constituída por pessoas jurídicas (Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista) criadas pelo ente político instituidor e por isso vinculada a eles.

Administração Direta: É representada pelas entidades políticas, são elas: União, Estados, DF e Municípios.

Administração Indireta: É representada pelas entidades administrativas, são elas: Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista.

A definição de quais entidades integram a administração pública no Brasil foi feita pelo Decreto-Lei 200/67, que dispõe sobre a organização da Administração Federal, estabelecendo diretrizes para a Reforma Administrativa. É importante observar que esse decreto dispõe somente sobre a Administração Pública federal, todavia, pela aplicação do princípio da simetria, tal regra é aplicada uniformemente por todo o território nacional, assim sendo, concluímos tal classificação utilizada neste decreto define expressamente a Administração Pública federal e também implicitamente a Administração Pública dos demais entes da federação.

Decreto-Lei 200/67:

Art. 4° A Administração Federal compreende:

I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios.

II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:

a) Autarquias;

b) Empresas Públicas;

c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas.

No Brasil nenhuma outra entidade integra o conceito de Administração Pública, somente as entidades da administração direta e indireta. Sendo assim, os particulares prestadores de serviço público (concessionários, permissionários e autorizatários não integram a administração pública.

2.3.

COMPARANDO O CRITÉRIO MATERIAL OBJETIVO COM O CRITÉRIO

FORMAL SUBJETIVO

Pela adoção do critério material ou objetivo de classificação de administração pública, esta seria integrada por qualquer instituição que exerça atividade administrativa do Estado, independentemente de esta instituição ser pública ou privada, já pela adoção do critério formal ou subjetivo, a administração pública é integrada apenas por instituições que o ordenamento jurídico indicarem como tal, independentemente de esta instituição exercer ou não atividade administrativa do Estado.

(21)

Sendo assim, pelo critério material, a administração está relacionada com o verbo administrar, administração é a atividade de administrar e pelo critério formal, administração é substantivo, é quem administra, é a pessoa que recebeu a incumbência legal de administrar a coisa pública.

3. COMPARAÇÃO ENTRE GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Conforme já foi visto, governar está relacionado com a função política do Estado, a função de comando, de coordenar, de direcionar e fixar planos e diretrizes de atuação do Estado. O governo é o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais responsáveis pela função política do Estado.

O governo está diretamente ligado com as decisões tomadas pelo Estado. O governo exerce a direção suprema e geral do Estado. Considerando o Estado uma pessoa e fazendo uma analogia com o corpo humano, podemos dizer que o governo é o cérebro do Estado.

A doutrina classifica o governo como uma atividade política, discricionária e independente, sendo assim, governar é uma atividade política pois é exercida por políticos e tem o poder de inovar o ordenamento jurídico, e é também uma atividade discricionária e independente porque subordina-se somente aos mandamentos da Constituição Federal, não havendo hierarquia e subordinação entre os responsáveis pelo exercício do governo.

Para poder atingir os objetivos definidos pelo governo, o Estado precisa fazer algo. O Estado faz esse algo através de sua Administração Pública. Sendo assim, a Administração Pública é a responsável pelo exercício das atividades públicas do Estado.

A doutrina costuma dizer que a administração pública é uma atividade neutra, vinculada à lei ou a norma técnica e hierarquizada. Sendo assim, administrar é uma atividade neutra pois ela não toma decisões políticas, mas somente realiza a execução das decisões tomadas pelo governo, é também uma atividade vinculada a lei ou a norma técnica em razão do princípio da legalidade que dispõe que a administração pública somente pode fazer o que a lei determina ou autoriza, e por fim, a atividade administrativa é hierarquizada, ou seja, as pessoas jurídicas que integram a administração pública estão estruturadas internamente por órgãos públicos e agentes públicos e estes estão organizados de forma hierarquizada.

A tabela a seguir destaca as principais diferenças nas características do governo e da administração pública, e lembre-se, governo é uma coisa e administração pública é outra coisa, os dois conceitos não se equivalem.

GOVERNO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Comanda, decide o que tem que ser feito Executa as decisões tomadas pelo governo

Atividade política Atividade neutra

Atividade discricionária Atividade vinculada à lei ou a norma técnica Atividade independente Atividade hierarquizada

(22)

4. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA

A administração pública direta é integrada pelas entidades políticas, federadas ou estatais; e são elas: União, estados, Distrito Federal e os municípios.

Antes de continuar, uma observação importante, os termos entidades políticas, entidades federadas ou entidades estatais são sinônimos e somente fazem referência as entidades integrantes da administração pública direta. Fazendo um contraponto a essas expressões está a expressão entidades administrativas. Essa expressão faz referência as entidades integrantes da administração pública indireta, ou seja, não faz referências as entidades integrantes da administração pública direta.

ENTIDADES POLÍTICAS / FEDERADAS / ESTATATAIS

ENTIDADES ADMINISTRATIVAS Administração pública direta Administração pública indireta

União, estados, DF e municípios Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.

Relembrando, a administração pública direta é integrada apenas pela União, estados, DF e municípios, sendo assim, os territórios não integram a administração pública direta, sendo classificados como autarquias territoriais, ou seja, integram a administração pública indireta federal.

4.1.

CARACTERÍSTICAS DAS ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

DIRETA

Relembrando, a administração pública direta é integrada apenas pela União, estados, DF e municípios, sendo assim, os territórios não integram a administração pública direta, sendo classificados como autarquias territoriais, ou seja, integram a administração pública indireta federal.

1. São PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO interno = têm AUTONOMIA

a. Unidas elas formam a República Federativa do Brasil: Pessoa Jurídica de direito público externo = tem SOBERANIA (independência na ordem externa e supremacia na ordem interna).

Antes de continuar, é importante ressaltar que União é uma coisa e República Federativa do Brasil é outra coisa. Comparativamente, a República Federativa do Brasil é o ente federal, e representa a soma de todos os entes federais, ou seja, é a soma da União, dos estados, do DF e dos municípios, sendo assim, enquanto a República Federativa do Brasil é o todo, a União é só uma parte deste todo. Além disso, a República Federativa do Brasil é a pessoa jurídica de direito público externo e tem soberania, ao passo que a União é uma pessoa jurídica de direito público interno (não externo) e em razão disso, não possui soberania, apenas autonomia política, administrativa e orçamentária.

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL UNIÃO

(23)

Tem soberania Tem autonomia

É o todo É uma parte

2. Adotam REGIME JURÍDICO de direito público; 3. Têm AUTONOMIA:

a. Política: é o poder de inovar o ordenamento jurídico por meio da criação de leis; b. Administrativa: é o poder de se auto administrar de forma independente e

autônoma dos demais entes federados. Em razão disso, conclui-se que as entidades da administração pública direta não se subordinam hierarquicamente umas às outras, sendo cada uma elas dotadas de capacidade de se auto administrar;

c. Financeira / Orçamentária: é uma decorrência da autonomia administrativa. Como cada entidade da administração pública direta têm a sua própria receita, cabe a elas próprias decidirem como irão aplicar esses recursos para alcançarem os fins governamentais, ou seja, os entes políticos têm orçamento próprio.

4. SEM SUBORDINAÇÃO: atuam por cooperação;

5. Suas COMPETÊNCIAS são hauridas da Constituição Federal; 6. REGIME DE PESSOAL: Regime Jurídico Único / Estatuto 7. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE AÇÕES JUDICIAIS

a. União = Justiça Federal

b. Demais entes políticos = Justiça Estadual (se DF, justiça do Distrito Federal)

5. TÉCNICAS ADMINISTRATIVAS

Técnicas administrativas é o termo utilizado para representar os meios de que dispõe o Estado para executar suas atividades de natureza administrativa. Ou seja, as técnicas administrativas correspondem aos métodos, as formas que o Estado utiliza para executar suas atividades públicas.

As técnicas administrativas utilizadas pelo poder público para a concretização das atividades administrativas são quatro: centralização, descentralização, desconcentração e concentração.

5.1.

CENTRALIZAÇÃO

A execução da atividade administrativa é considerada centralizada quando as entidades da administração pública direta titulares da competência para exercer determinada atividade administrativa, a exerce diretamente através de seus órgãos e agentes.

(24)

Sendo assim, a atividade administrativa centralizada é exercida pelo próprio Estado, que atua por meio de seus órgãos da administração pública direta.

5.2.

DESCENTRALIZAÇÃO

A execução da atividade administrativa é considerada descentralizada quando as entidades da administração pública direta titulares da competência para exercer determinada atividade administrativa, não a exerce diretamente através de seus órgãos e agentes, mas sim por meio de outras pessoas físicas ou jurídicas. Ou seja, neste caso, a pessoa política titular da competência para o exercício de determinada atividade, transfere o exercício dessa atividade para outra pessoa.

Essa outra pessoa que vai ficar responsável pela execução da administração pública pode ser uma entidade da administração pública indireta (autarquia, fundação pública, empresa pública e sociedade de economia mista) ou um particular (concessionária, permissionária e autorizatária prestadora de serviço público).

Por ser a descentralização uma técnica administrativa em que a entidade da administração pública direta titular da competência para exercer determinada atividade administrativa externaliza a execução da atividade administrativa, transferindo-a para outra pessoa que não integra a administração pública direta, a descentralização é considerada um processo externo.

É importante destacar que a descentralização não gera relação de hierarquia e subordinação entre a pessoa política e a pessoa que irá receber a competência para exercer essa atividade, independentemente de essa pessoa ser integrante da administração pública indireta ou de ser um particular.

A descentralização pode ser realizada de duas formas: descentralização por outorga legal e descentralização por delegação.

5.2.1.

DESCENTRALIZAÇÃO POR OUTORGA LEGAL / TÉCNICA /

SERVIÇOS / FUNCIONAL

A descentralização por outorga legal, também chamada de descentralização técnica, descentralização por serviços e descentralização funcional acontece quando a pessoa política titular da competência para o exercício de determinada atividade cria uma entidade da administração pública indireta e transfere o exercício dessa atividade para a entidade criada.

Sendo assim, é por meio da descentralização por outorga legal que nasce as entidades da administração pública indireta, ou seja, a administração pública indireta é um resultado da descentralização por outorga legal.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA DESCENTRALIZAÇÃO POR OUTORGA LEGAL  A descentralização por outorga legal é formalizada por meio de uma lei;

(25)

 Por meio da descentralização por outorga legal a entidade da administração pública direta transfere a titularidade da atividade administrativa descentralizada para entidade da administração pública indireta que foi instituída. Sendo assim, a titularidade da atividade deixa de ser da entidade da administração pública direta e passa a ser de titularidade da entidade da administração pública indireta instituída para tal finalidade;

 Não tem prazo de duração. A transferência de competência é feita por lei, e as leis, via de regra, possuem vigência, e elas só têm a sua vigência interrompida quando revogadas por outra lei. Em razão disso, a descentralização por outorga legal não tem prazo de duração, não tem data específica para ser cancelado.

5.2.2.

DESCENTRALIZAÇÃO POR DELEGAÇÃO / COLABORAÇÃO

A descentralização por delegação, também chamada de descentralização por colaboração acontece quando a pessoa política titular da competência para o exercício de determinada atividade transfere o exercício dessa competência para um particular que a exercerá por sua conta e risco.

Esse particular que vai receber a execução da competência administrativa não integra a administração pública direta e nem a indireta, e são eles os concessionários, permissionários e autorizatários prestadores de serviços públicos.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA DESCENTRALIZAÇÃO POR DELEGAÇÃO

 A descentralização por delegação não é formalizada por meio de uma lei, ela é formalizada por meio de um contrato administrativo ou de um ato administrativo;

Por meio da descentralização por delegação a entidade da administração pública direta não transfere a titularidade da atividade administrativa descentralizada para o particular. Ocorre apenas a transferência da execução da atividade que passa a ser de responsabilidade do particular, mas a titularidade desta atividade continua com a entidade da administração pública direta.

 Tem prazo de duração. O contrato administrativo ou ato administrativo que formaliza a descentralização por delegação deve conter cláusula ou artigo indicando qual é o prazo de duração da transferência de competência. Após o término do prazo de duração apontado no contrato ou ato, a execução da atividade volta a ser de responsabilidade da entidade da administração pública direta.

5.2.3.

COMPARANDO A DESCENTRALIZAÇÃO POR OUTORGA LEGAL

COM A DESCENTRALIZAÇÃO POR DELEGAÇÃO.

DESCENTRALIZAÇÃO POR OUTORGA LEGAL / TÉCNICA / SERVIÇOS / FUNCIONAL

DESCENTRALIZAÇÃO POR DELEGAÇÃO / COLABORAÇÃO

(26)

exercício de determinada atividade cria uma entidade da administração pública indireta e transfere o exercício dessa atividade para a entidade criada.

exercício de determinada atividade transfere o exercício dessa competência para um particular que o exercerá por conta e risco.

Ocorre por meio de lei. Ocorre por meio de contrato ou ato administrativo.

Transfere a TITULARIDADE da atividade. Transfere somente a EXECUÇÃO da atividade. Não transfere titularidade.

Não tem prazo. Tem prazo.

5.3.

DESCONCENTRAÇÃO

A execução da atividade administrativa é considerada desconcentrada quando as entidades da administração pública direta ou indireta titulares da competência para exercer determinada atividade administrativa, cria um órgão dentro de sua própria estrutura e transfere para este órgão o exercício desta competência. Ou seja, neste caso, a pessoa jurídica da administração pública direta ou indireta titular da competência para o exercício de determinada atividade, transfere o exercício dessa atividade para um órgão público criado dentro de sua própria estrutura com a finalidade de executar a atividade.

Para que ocorra a desconcentração, é necessário que a entidade tenha a titularidade da competência desconcentrada, sendo assim, particulares que prestam serviço público, como não detêm a titularidade da atividade que executam, não realizam desconcentração. Sendo assim, a desconcentração somente pode ser realizada pelas entidades da administração pública direta e indireta.

Por ser a desconcentração uma técnica administrativa em que a entidade da administração pública direta titular da competência para exercer determinada atividade administrativa não externaliza a execução da atividade administrativa, ao contrário continua exercendo essa competência por meio de um órgão integrante da sua estrutura interna, a desconcentração é considerada um processo interno.

É importante destacar que a desconcentração gera relação de hierarquia e subordinação entre o órgão que foi criado e a pessoa jurídica a que está ligado.

A desconcentração pode ser realizada de duas formas: descentralização centralizada e descentralização descentralizada.

(27)

5.3.1.

DESCONCENTRAÇÃO CENTRALIZADA

A desconcentração centralizada acontece quando a pessoa jurídica que cria um órgão dentro de sua própria estrutura para executar determinada atividade administrativa integra a administração pública direta.

5.3.2.

DESCENTRALIZAÇÃO DESCENTRALIZADA

A desconcentração descentralizada acontece quando a pessoa jurídica que cria um órgão dentro de sua própria estrutura para executar determinada atividade administrativa integra a administração pública indireta.

5.4.

CONCENTRAÇÃO

A execução da atividade administrativa é considerada concentrada quando as entidades da administração pública direta ou indireta titulares da competência para exercer determinada atividade administrativa, extingue um órgão dentro de sua própria estrutura. Ou seja, neste caso, a pessoa jurídica da administração pública direta ou indireta titular da competência para o exercício de determinada atividade, extingue o órgão público periférico executor da respectiva atividade administrativa.

5.5.

COMPARAÇÃO ENTRE DESCENTRALIZAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO

DESCENTRALIZAÇÃO DESCONCENTRAÇÃO

A pessoa política titular da competência para o exercício de determinada atividade, transfere o exercício dessa atividade para outra pessoa.

A pessoa jurídica titular da competência para executar determinada atividade do Estado, cria

um órgão dentro de sua estrutura e transfere para este órgão o exercício desta competência.

Processo externo. Processo interno.

Envolve duas pessoas. Envolve uma pessoa.

Não gera relação de hierarquia e subordinação. Gera relação de hierarquia e subordinação.

5.6.

CONCLUSÃO SOBRE AS TÉCNICAS ADMINISTRATIVAS

Os termos concentração e centralização estão relacionados à ideia geral de distribuição de atribuições da periferia para o centro, ao passo que desconcentração e descentralização associam-se à transferência de tarefas do centro para a periferia.

(28)

6. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA

A administração pública indireta é integrada pelas entidades administrativas, e são elas as: Fundações Públicas, Autarquias, Sociedades de Economia Mista e Empresas Públicas.

Para ajudar a memorizar o nome das entidades que compõe a administração pública indireta, use a palavra FASE, veja a seguir:

F

undação Pública; 

A

utarquia;

S

ociedade de Economia Mista; e 

E

mpresa Pública

Antes de continuar, é importante relembrar uma observação importante, os termos entidades políticas, entidades federadas ou entidades estatais são sinônimos e somente fazem referência as entidades integrantes da administração pública direta. Fazendo um contraponto a essas expressões está a expressão entidades administrativas. Essa expressão faz referência as entidades integrantes da administração pública indireta, ou seja, não faz referências as entidades integrantes da administração pública direta.

ENTIDADES POLÍTICAS / FEDERADAS / ESTATATAIS

ENTIDADES ADMINISTRATIVAS Administração pública direta Administração pública indireta

União, estados, DF e municípios Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista.

6.1.

CARACTERÍSTICAS COMUNS DAS ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO

PÚBLICA INDIRETA

Neste tópico será apresenta as características que são comuns a todas as entidades da administração pública indireta, por isso, fique ligado, o assunto cai muito em prova. Veja a seguir:

1. As entidades da administração pública indireta têm personalidade jurídica própria; 2. As entidades da administração pública indireta têm patrimônio e receita próprios; 3. As entidades da administração pública indireta têm autonomia:

 Administrativa;  Técnica;

 Financeira.

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