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ATRIBUTOS DO PODER DE POLÍCIA

No documento INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 59-61)

PODERES ADMINISTRATIVOS SUMÁRIO

DECRETO REGULAMENTAR DECRETO AUTÕNOMO

1.4 PODER DE POLÍCIA

1.4.4 ATRIBUTOS DO PODER DE POLÍCIA

Os atributos do poder de polícia são a discricionariedade, a imperatividade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade.

1.4.4.1 DISCRICIONARIEDADE

O atributo da discricionariedade permite que as autoridades que exercem a atividade de polícia do Estado tenham liberdade para tomar decisões relativas a essas atividades. Essas decisões podem referir-se as seguintes situações: Criação ou extinção de regras de polícia e; escolha e quantificação da pena a ser aplicada ao infrator nos casos em que a aplicação da penalidade não é vinculada.

Por meio do atributo da discricionariedade do poder de polícia o Estado pode determinar quais condutas particulares são consideradas proibidas ou condicionadas e quais condutas podem ser exercidas livremente.

Além disso, a discricionariedade do poder de polícia também se manifesta nos casos que a lei prevê uma pena que tenha duração no tempo, e não fixa exatamente a quantidade de pena a ser aplicada ao infrator no caso concreto, dando uma margem de escolha de quantidade de pena a ser aplicada ao infrator pelo julgador, ou então, quando a pena tem caráter financeiro e a autoridade de polícia pode determinar o valor da pena dentro dos limites impostos pela lei.

O poder de polícia é em regra discricionário, mas em alguns casos ele pode ser vinculado. O poder de polícia é considerado vinculado quando a autoridade de polícia não tem liberdade para quantificar a pena a ser aplicada ao infrator. Nesses casos, a lei determina todos os detalhes relativos à pena a ser aplicada, cabendo a autoridade policial apenas a execução do ato, ou seja, quando o poder de polícia é vinculado a autoridade policial não tem competência para tomar decisões relativas à imposição da pena.

1.4.4.2 IMPERATIVIDADE

O atributo da imperatividade significa que na relação Estado e administrados, segundo a ótica do poder de polícia, o Estado é um imperador e os administrados são seus súditos. Cabe ao Estado- imperador definir as regras, fiscalizá-las e punir os infratores; e aos administrados-súditos cabe obediência às regras definidas pelo Estado. Sendo assim, o exercício do poder de polícia independe do fato de o administrador concordar ou não com a regra que foi imposta pelo Estado.

Logo, o poder de polícia é impositivo ao administrado, ou seja, o fato de o administrado concordar ou não com a regra de polícia não impede o Estado de agir, pois o exercício do poder de polícia independe da concordância ou anuência do administrado.

Apesar de o poder de polícia ser imperativo, alguns atos do exercício desse poder não são imperativos, ou seja, não obrigam a pessoa sujeita ao ato. Como exemplo, cite-se as atividades de consentimento de polícia, em que a Administração Pública dá um consentimento ao administrado para que ele exerça alguma atividade de exercício condicionado. Esses consentimentos manifestam-se por

arma de fogo. Nesses casos, o ato da administração pública que manifesta o consentimento não obriga o administrado a exercer o direito consentido.

1.4.4.3 AUTOEXECUTORIEDADE

O atributo da autoexecutoriedade permite que a administração pública execute diretamente os atos de polícia independentemente de autorização judicial.

A autoexecutoriedade não é um atributo presente em todos os atos decorrentes do poder de polícia, sendo assim, a regra é que o poder de polícia é autoexecutório e excepcionalmente o poder de polícia não é autoexecutório.

Para que um ato administrativo decorrente do exercício do poder de polícia seja autoexecutório, é necessário que exista autorização da lei ou que seja um caso de urgência. Como exemplo de autorização da lei para que um ato de polícia seja autoexecutório, cite-se a apreensão de medicamentos com prazo de validade vencido expostos em prateleiras de uma farmácia em procedimento de fiscalização sanitária. A apreensão é o ato de polícia e ela está autorizada na lei, sendo assim, o fiscal deve apreender, sem necessidade de nenhum tipo de autorização judicial, os medicamentos encontrados.

Não havendo previsão em lei ou não sendo situação de urgência, o poder de polícia não é autoexecutório.

Outra forma para identificar se o ato de polícia é ou não autoexecutório é fazendo a análise dos elementos que compõe a autoexecutoriedade. Os elementos que integram a autoexecutoriedade são a exigibilidade e a executoriedade. Um ato de polícia pode ser apenas exigível, e nesse caso ele não é autoexecutório, para que ele seja autoexecutório, ele deve ser exigível e executório ao mesmo tempo.

A exigibilidade é um atributo presente em todos os atos administrativos decorrentes do poder de polícia. Quando um ato é apenas exigível, a administração pública não pode executar o ato de polícia diante da resistência do particular sem que haja manifestação do poder judiciário. Quando isso acontece, pode-se dizer que a administração pública não pode aplicar diretamente nenhuma coerção, ou seja, a coerção aplicada é indireta. É o caso das multas, por exemplo, que podem ser aplicadas a quem comete uma infração de trânsito, a administração não pode receber o valor devido através da coerção e caso a pessoa penalizada se recuse a pagar a multa, o seu recebimento dependerá de execução judicial pela administração pública. A exigibilidade é uma característica de todos os atos praticados no exercício do poder de polícia.

A executoriedade é um atributo presente em alguns atos administrativos decorrentes do poder de polícia. Quando um ato é executório, a administração pública pode executar diretamente o ato de polícia diante da resistência do particular sem que haja manifestação do poder judiciário. Quando isso acontece pode-se dizer que a administração pública pode aplicar uma coerção direta. É o caso das sanções de interdição de estabelecimentos comerciais, suspensão de direitos, dentre outras.

1.4.4.4 COERCIBILIDADE

O atributo da coercibilidade permite que a administração pública faça uso da força para executar os atos de polícia diante da resistência do administrado.

A coercibilidade tem a finalidade de garantir a autoexecutoriedade do ato. O ato de polícia só é autoexecutório porque ele é coercitivo.

A coercibilidade não depende de autorização judicial e o uso da força deve acontecer pelo uso de meios e práticas legítimos, humanos e compatíveis com a urgência e a necessidade da medida adotada.

1.4.4.5 COMPARAÇÃO ENTRE IMPERATIVIDADE E AUTOEXECUTORIEDADE

Muitas questões de prova tentam confundir os conceitos de imperatividade e autoexecutoriedade, sendo assim, para facilitar o entendimento das regras, é necessário fazer a comparação entre esses atributos.

IMPERATIVIDADE AUTOEXECUTORIEDADE

O ato de polícia não depende da anuência do administrado

O ato de polícia não depende da autorização do poder judiciário

No documento INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 59-61)