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CLASSIFICAÇÕES DE ATOS ADMINISTRATIVOS

No documento INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 84-89)

ATOS ADMINISTRATIVOS

AUTOEXECUTORIEDADE = EXIGIBILIDADE + EXECUTORIEDADE 4.4.3.1 EXIGIBILIDADE

4.5 CLASSIFICAÇÕES DE ATOS ADMINISTRATIVOS

A doutrina classifica os atos administrativos de diversas formas. Neste material será apresentada as seguintes classificações de atos administrativos:

Classificação quanto à liberdade de ação; Classificação quanto aos destinatários; Classificação quanto à situação de terceiros;

Classificação quanto à composição da vontade produtora; Classificação quanto à perfeição;

Classificação quanto à validade; Classificação quanto à eficácia;

4.5.1 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À LIBERDADE DE AÇÃO

Quanto à liberdade de ação da Administração Pública para a produção de um ato administrativo, o ato pode ser classificado em ato vinculado e ato discricionário.

4.5.1.1 ATO VINCULADO

Ato vinculado é o ato administrativo praticado pelo agente público sem liberdade de decisão a respeito da prática do ato. Nesse caso a lei determina de forma objetiva todos os aspectos do ato não dando margem para apreciações subjetivas por parte do agente público de aspectos de conveniência e oportunidade. O ato vinculado possui todos os seus elementos ou requisitos de validade vinculados, ou seja, competência, finalidade, forma, motivo e objeto são elementos vinculados em todos os atos vinculados.

Finalizando, como um ato vinculado não resulta de análise de mérito (conveniência e oportunidade), um ato vinculado não pode ser revogado pela administração pública. Todavia, os atos vinculados podem ser anulados por critérios de legalidade.

Exemplo de ato vinculado: concessão de alvará, concessão de licença para dirigir, concessão de licença maternidade à servidora pública, etc.

4.5.1.2 ATO DISCRICIONÁRIO

Ato discricionário é o ato administrativo praticado pelo agente público com liberdade de decisão a respeito da prática do ato. Nesse caso a lei autoriza que o agente público faça apreciações subjetivas de conveniência e oportunidade para a prática do ato.

Apesar de o agente público poder fazer apreciações de conveniência e oportunidade para produzir um ato discricionário, o agente público não tem liberdade absoluta, a liberdade desse agente para fazer apreciações é limitada pela lei, pelo interesse público e por critérios de razoabilidade proporcionalidade.

O ato discricionário não possui todos os seus elementos ou requisitos de validade vinculados, ou seja, tem elementos que são vinculados e tem elementos que são discricionários. São elementos vinculados dos atos discricionários a competência, a finalidade e a forma. O motivo e o objeto são elementos discricionários em todos os atos discricionários.

Comparando os elementos dos atos vinculados com os elementos dos atos discricionários, conclui-se que independentemente de o ato ser vinculado ou discricionário, os elementos competência, finalidade e forma são elementos vinculados. Já os elementos motivo e objeto são vinculados quando o ato é vinculado e são discricionários quando o ato é discricionário.

Finalizando, como o ato discricionário resulta de análise de mérito (conveniência e oportunidade), um ato discricionário pode ser revogado pela administração pública, desde que seja legal.. Todavia, caso o ato discricionário seja ilegal, ele deve ser anulado e não revogado.

Exemplo de ato discricionário: concessão de autorização para porte de arma de fogo, concessão de licença para tratar de interesses particulares a servidor público, etc.

4.5.2 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AOS DESTINATÁRIOS

Quanto aos destinatários que alcançam os atos administrativos podem ser classificados como atos individuais ou de efeitos concretos e atos gerais ou de efeitos abstratos.

4.5.2.1 ATOS INDIVIDUAIS / EFEITOS CONCRETOS

Os atos individuais ou concretos são aqueles que possuem destinatários determinados e que tem aplicação em uma situação concreta prevista por norma.

Exemplo: Concessão de licença para construção, nomeação de candidatos aprovados em concurso público, etc.

4.5.2.2 ATOS GERAIS / EFEITOS ABSTRATOS

Os atos gerais ou abstratos são aqueles possuem destinatários indeterminados. Estes atos preveem uma situação abstrata que caso aconteça no mundo real deverá levar a prática de um ato individual.

Exemplo: Os atos normativos, pois estes atos emanam comandos gerais e abstratos com conteúdo de norma sobre determinada matéria.

4.5.3 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À SITUAÇÃO DE TERCEIROS

A classificação quanto à situação de terceiros considera se o terceiro atacado pelo ato administrativo é integrante da administração pública ou não. Segundo essa classificação o ato administrativo pode ser classificado como ato interno e ato externo.

4.5.3.1 ATO INTERNO

Ato interno é o ato administrativo produz efeitos apenas dentro da Administração Pública. São produzidos para garantir as relações formais entre os servidores públicos, empregados públicos e os temporários.

Exemplo: Aplicação de penalidade a servidor público, instruções, portarias, etc. 4.5.3.2 ATO EXTERNO

Ato externo é o ato administrativo produz efeitos fora da Administração Pública. São produzidos para garantir as relações formais entre a Administração Pública e os particulares (independentemente de este ter ou não vínculo com a Administração Pública.

Exemplo: Aplicação de uma multa de trânsito, a publicação de um edital de concurso público, etc.

4.5.4 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À COMPOSIÇÃO DA VONTADE

Quanto à composição da vontade necessária para a produção de um ato administrativo, o ato pode ser classificado em ato simples, ato complexo e ato composto.

4.5.4.1 ATO SIMPLES

Ato simples é o ato administrativo que resulta da manifestação da vontade de um único órgão.

O número de pessoas (autoridades públicas) que precisam manifestar à vontade para a confecção de um ato simples não é o fator determinante desta classificação. Por esta classificação o que interessa é o ato ter sido resultado da manifestação de um único órgão, seja esse órgão singular ou colegiado.

Exemplo: concessão de licença para dirigir, aplicação de penalidade administrativa a servidor público, etc.

4.5.4.2 ATO COMPLEXO

Ato complexo é o ato administrativo que resulta da manifestação da vontade de dois ou mais órgãos públicos. Neste caso, a perfeição do ato só é alcançada com a manifestação da vontade de

todos os órgãos responsáveis pela sua edição, e por isso, não produz efeitos enquanto faltar a manifestação da vontade de algum dos órgãos envolvidos na sua produção.

Note que no caso do ato complexo existe um único ato administrativo que resulta da manifestação da vontade de dois ou mais órgãos.

Exemplo: Concessão de aposentadoria a servidor público. O ato de aposentadoria de servidor manifesta a vontade do órgão do servidor concordando com a aposentadoria e se aperfeiçoa somente após análise do respectivo tribunal de contas que finaliza o ato.

4.5.4.3 ATO COMPOSTO

Ato composto é o ato que para produzir efeitos depende da edição de outro ato administrativo que o aprove.

Note que no caso do ato composto são produzidos dois atos administrativos para que surjam os efeitos jurídicos, pois o primeiro ato administrativo depende de aprovação de um segundo ato administrativo que será produzido por outro órgão.

Neste caso são produzidos dois atos administrativos por dois órgãos diferentes para possa surgir algum efeito jurídico.

Exemplo: Nomeação de alguém para assumir cargo de dirigente de agência reguladora, ministro do STF, Procurador Geral da República, etc. As nomeações acima dependem da edição do ato de indicação pela chefia do Poder Executivo Federal, todavia somente surtem efeitos após aprovação da indicação pelo Senado Federal que editara outro ato aprovando o primeiro.

ATO SIMPLES ATO COMPLEXO ATO COMPOSTO

1 órgão = 1 ato Vários órgãos = 1 ato Dois órgãos = 2 atos.

4.5.5 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À PERFEIÇÃO

Quanto à perfeição o ato administrativo pode ser classificado em ato perfeito e ato imperfeito.

4.5.5.1 ATO PERFEITO

Ato perfeito é o ato que concluiu o seu ciclo de formação, ou seja, o documento está pronto. O fato de um ato ser perfeito não significa que esse ato é legal, pois ele pode ter passado pelo ciclo de formação com respeito as normas e nesse caso será um ato perfeito e válido ou com desrespeito às normas e nesse caso o ato será perfeito e inválido.

Em decorrência do atributo da presunção de legitimidade, mesmo que o ato seja inválido (ilegal), ele deve ser obedecido enquanto não for anulado.

A perfeição tem relação com a eficácia do ato, poia a eficácia do ato depende do fato de o ato já ter passado pelo seu ciclo de formação.

Considerando que o ato perfeito pode ser válido ou inválido e que o ato perfeito é um ato eficaz, conclui-se que o ato pode ser perfeito, válido e eficaz e também pode ser perfeito, inválido e eficaz.

O ato é perfeito, válido e eficaz quando ele conclui o seu ciclo de formação, com respeito as normas do ordenamento jurídico e está apto para produzir efeitos.

O ato é perfeito, inválido e eficaz quando ele conclui o seu ciclo de formação, com desrespeito às normas do ordenamento jurídico e está apto para produzir efeitos.

4.5.5.2 ATO IMPERFEITO

Ato imperfeito é o ato que não concluiu o seu ciclo de formação, ou seja, o documento não está pronto, está em processo de produção, e por isso, também não é eficaz, ou seja, não gera efeitos. 4.5.6 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À VALIDADE

Quanto à validade, o ato pode ser classificado em ato válido e em ato inválido. 4.5.6.1 ATO VÁLIDO

Ato válido é o ato praticado de acordo com o ordenamento jurídico, ou seja, com respeito às leis e aos princípios fundamentais da Administração Pública. É o ato legal.

4.5.6.2 ATO INVÁLIDO

Ato inválido é o ato praticado de desacordo com o ordenamento jurídico, ou seja, com desrespeito às leis e aos princípios fundamentais da Administração Pública. É o ato ilegal.

4.5.7 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À EFICÁCIA

Quanto à eficácia, o ato pode ser classificado em ato eficaz e em ato ineficaz. 4.5.7.1 ATO EFICAZ

Ato eficaz é o ato que está pronto para produzir efeitos jurídicos.

A eficácia tem relação com a perfeição do ato, poia a eficácia do ato depende do fato de o ato já ter passado pelo seu ciclo de formação.

4.5.7.2 ATO INEFICAZ

Ato ineficaz é o ato que não está pronto para produzir efeitos jurídicos. 4.5.8 CLASSIFICAÇÃO QUANTO À REVOGABILIDADE OU PRECARIEDADE

Quanto à revogabilidade ou precariedade o ato pode ser classificado em ato revogável ou precário e em ato não revogável ou não precário.

4.5.8.1 ATO REVOGÁVEL OU PRECÁRIO

Ato revogável ou precário é o ato que pode ser revogado.

Somente os atos discricionários que estão produzindo efeitos podem ser revogados. Não é possível a revogação de atos vinculados.

4.5.8.2 ATO NÃO REVOGÁVEL OU NÃO PRECÁRIO

Ato não revogável ou precário é o ato administrativo que não pode ser revogado.

Não podem ser revogados os atos vinculados e os atos discricionários cujos efeitos já se exauriram.

No documento INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 84-89)