VII-Pasqualetto-Brasil-9
IDENTIFICAÇÃO E MONITORAMENTO DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS DE MOTOCICLETAS E SIMILARES EM GOIÂNIA- GOIÁS
Antônio Pasqualetto1
Engenheiro Agrônomo formado pela UFSM, Mestre e Doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa, professor da Universidade Católica de Goiás e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás.
Caroline França Cavalcante
Acadêmica de Engenharia Ambiental da UCG
Endereço (1): Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET Goiás. Rua 75, nº 46, Centro – CEP 74055-110; Goiânia, Goiás, Brasil. Telefone: 55(0xx62)212-5050; FAX: 55(0xx62)213-1451; (55) (0xx62) 32245500 ou 92443942; [email protected]
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RESUMO
Goiânia é uma das cidades com maior concentração de veículos do Brasil. Apresenta uma frota de aproximadamente 650.000 veículos movidos a gasolina, álcool ou diesel. Destes, entorno de 125.256 são motocicletas e similares, importados e nacionais. A proposta deste trabalho foi a de obter amostras dos poluentes emitidos pela frota de motocicletas em Goiânia, conhecer a dimensão do problema da poluição atmosférica e sugerir meios de combatê-la. A pesquisa foi dividida em duas etapas coletando-se 79 amostras por meio do equipamento denominado “analisador de quatro gases”. Os dados foram organizados distinguindo-se o ano de fabricação da motocicleta e a quantidade de cada ano amostrado. Foram observados somente os níveis do gás CO (% vol) de acordo com os padrões de emissão estabelecidos na Resolução CONAMA 297/02 aprovando ou reprovando as motocicletas testadas. Os dados apontam que as motocicletas fabricadas após a resolução CONAMA 297/02 estão em conformidade quanto a emissão de CO e 85% das motocicletas amostradas que trafegam em Goiânia são anteriores a resolução CONAMA 297/02.
Palavras-chaves: poluição atmosférica, emissão, motocicletas, amostra
INTRODUÇÃO
Entende-se como poluente atmosférico, de acordo com a Resolução CONAMA N° 003/90, qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade, concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar: impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde; inconveniente ao bem-estar público; danoso aos materiais, à fauna e flora; prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade.
Com o crescente aumento da frota de veículos circulando na capital de Goiás a preocupação com a qualidade do ar aumentou, uma vez que, o grande vilão da poluição atmosférica resulta da queima incompleta dos combustíveis dos veículos automotores e que são responsáveis pela emissão de monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2), óxido de nitrogênio (NO), dióxido de enxofre
(SO2), derivados de hidrocarbonetos e chumbo.
Goiânia é uma das cidades com maior concentração de veículos do Brasil, apresenta uma frota de aproximadamente 650.000 veículos movidos a gasolina, álcool ou diesel. Destes, entorno de 125.256 são motocicletas e similares importados e nacionais.
A preocupação com a poluição gerada pelas motocicletas ocorreu recentemente, pois no princípio da década de 90 o seu número era pequeno se comparado com os automóveis (PAULA, 2004).
O custo acessível, a facilidade de mobilidade, mesmo durante os congestionamentos, juntamente com o surgimento dos mototaxistas contribuíram para o incremento, especialmente em grandes centros urbanos. No entanto, se por um lado minimizam o problema de tráfego, por outro os veículos de duas rodas têm contribuído significativamente para o aumento da poluição. Por conta disso, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) decidiu estabelecer regras de emissão de poluentes por ciclomotores, motociclos e similares, que constam da Resolução nº 297, de 26 de fevereiro de 2002. Com base nessa resolução, o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) instituiu o “Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similar – PROMOT ”.
Segundo levantamento da ABRACICLO - Associação Brasileira dos fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas e Similares (2004), no período de janeiro a setembro de 2004, o setor das duas rodas comercializou 684.534 motociclos no mercado interno, um crescimento de 6,6%, em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram negociadas 641.862 unidades. Até o final do ano a previsão é de que sejam comercializadas 940.000 motociclos no mercado interno. O grande salto foi entre 1996 e 1997, quando a produção pulou de 288 mil para 426 mil.
Este expressivo crescimento da frota nas principais regiões metropolitanas do país contribui expressivamente para a emissão de poluentes e para a contínua deterioração da qualidade de vida, saúde e meio ambiente. Um fator que torna as motocicletas e similares em forte contribuinte para o aumento da poluição atmosférica reside no fato de estas, em sua maioria absoluta, não possuírem catalisadores e serem carburadas.
Verificando-se a necessidade de se criar estratégias para a preservação, controle e recuperação da qualidade do ar, avalia-se os principais poluentes atmosféricas emitidos por motocicletas e similares na frota de Goiânia, GO.
REVISÃO DE LITERATURA
Como resultado do uso indiscriminado ou abusivo do recurso ar, sobretudo em áreas geográficas limitadas ou confinadas, surge a poluição do ar. Em linhas gerais pode-se definir poluição do ar, como a presença ou lançamento no ambiente atmosférico de substâncias em concentrações suficientes para interferir direta ou indiretamente na saúde, segurança e bem estar do homem, ou no pleno uso e gozo de sua propriedade (DERÍSIO, 2000).
A principal causa da poluição atmosférica mas principais regiões urbanas brasileiras é decorrente da intensa circulação de veículos automotores, do contínuo e rápido crescimento da frota e de sua crescente preponderância como meio de transporte. Esse grande contingente de veículos não só emite poluentes em seus locais de origem, como também, dadas a mobilidade da frota e as correntes atmosféricas, dissemina suas emissões por outras regiões mais afastadas (ÁLVARES JR et al., 2002)
O controle das emissões de poluentes vem se tornando cada dia mais rigoroso, à medida que mais pessoas tem sofrido com os efeitos do aumento da poluição
A poluição é parte integrante da sociedade industrial, isto é, uma das conseqüências da geração de energia útil pelo processo de combustão. Seus efeitos no meio ambiente estão ligados a problemas de ordem política, social e econômica (CARVALHO e LAVACA, 2003).
A tendência rápida de contínua de urbanização observada no Brasil desde o início da década de 1960, associada à necessidade crônica de sistemas adequados de transportes de massa e o aumento da motorização individual, tem levado os grandes centros urbanos ao congestionamento de tráfego e a poluição por veículos automotores (DERÍSIO, 2000).
Em conseqüência do rápido crescimento do segmento de motocicletas no país e o aumento das taxas de emissão de poluentes, está em vigor desde o início do ano de 2003, a primeira fase do PROMOT, que foi regulamentado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente através da Resolução CONAMA n°297 de 26/02/2002. O PROMOT foi elaborado com datas e metas a serem cumpridas pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental -CETESB- juntamente com montadoras com a finalidade de controlar os índices de emissão de poluentes.
O objetivo é regulamentar o nível de poluentes emitidos pelas motos fabricadas no país de acordo com o nível aceito na Europa, onde o programa é chamado Euro 1, considerado o mais exigente do mundo na questão ambiental (TELLES.,2001)
O PROMOT possui três fases distintas que prevê a redução gradativa da emissão de gases poluentes no ar. A primeira delas, a partir do ano de 2003, estabelece a regulagem dos modelos novos de motocicletas com limites fáceis de serem atingidos para que todos os fabricantes tenham capacidade de se adequar. A segunda etapa começa em 2005 com limites mais rigorosos para modelos de ciclomotores produzidos a partir dessa data, envolvendo mudanças nas configurações de motor e nos sistemas de alimentação, transmissão e exaustão. Por fim, a terceira etapa começará em 1º de janeiro de 2006, quando todos os ciclomotores em produção, modelos novos ou já existentes, deverão obedecer aos limites propostos em 2005. Uma nova etapa que está prevista para 2009 que fará com que o PROMOT tenha uma defasagem na legislação brasileira de apenas três anos em comparação à européia (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE - MMA, 2003).
As motocicletas feitas no país desde janeiro de 2003 estão poluindo 68% menos do que as fabricadas até o ano passado. Daqui a seis anos, o corte terá de ser de 92% em relação aos níveis de 2002. Elas terão de possuir catalisadores e injeção eletrônica.Mesmo com a redução já conseguida, uma moto nova polui até 16 vezes mais que um carro atual, segundo dados divulgados por Paulo Macedo, coordenador do PROMOT (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares). Uma motocicleta usada é até 35 vezes mais poluente do que um automóvel (DETRAN, 2003).
METODOLOGIA
A pesquisa foi desenvolvida no âmbito da cidade de Goiânia e dividida em duas etapas coletando-se 79 amostras. Foram escolhidos dois pontos distintos da cidade levando-se em consideração a sua localização, a fim de não causar transtornos ao trânsito, bem como o horário mais propício à realização das aferições.
A primeira etapa foi desenvolvida no dia 15 de abril de 2004, na qual utilizou-se o equipamento denominado “Analisador de quatro gases”, na Avenida Castelo Branco, Setor Coimbra. Nesta fase, foram amostradas 19 motocicletas. A segunda etapa foi realizada nos dias 13 e 14 de maio de 2004, na esquina das Avenidas T-1 e T-6, no Setor Bueno, onde foram amostradas 60 motocicletas.
De acordo com os procedimentos descritos na resolução CONAMA N° 007 /93 do, a aferição deve ser feita em temperatura de motor superior a 70 ºC, nas rotações de 2.500 rpm e marcha lenta, por 15 segundos cada. Porém, antes da captação destes gases, a motocicleta é submetida à aceleração de 2.500 rpm por 30 segundos (pré-condicionamento), a fim de descontaminar o carter do motor de qualquer impureza de HC.
As motocicletas equipadas com motor do tipo dois tempos não foram amostradas, pois por misturar diretamente o óleo no combustível, há o risco de contaminação do banco de gases da máquina analisadora. Só foram amostradas motocicletas de motores quatro tempos.
Os resultados das amostras foram avaliados com base na Resolução CONAMA N° 297/02, que estabelece os limites para emissões de gases poluentes por ciclomotores, motociclos e veículos similares novos.
A tabela 1 representa os índices de emissão de poluentes para motocicletas e similares novos, limites estes, estabelecidos pela Resolução citada para o cumprimento da primeira fase do PROMOT.
Tabela 1: Limites máximos de emissão de gases de escapamento para motocicletas e similares novos. Resolução CONAMA 297/02 Produzidos a partir Monóxido de Carbono [g/km] Óxidos de Nitrogênio [g/km] Hidrocarbonetos [g/km]
Teor de Monóxido de carbono em marcha lenta
[%] 6,0*
01/01/2003 13,0 0,3 3,0
4,5**
* teor de monóxido de carbono em marcha lenta em volume aplicado para motocicletas com deslocamento volumétrico menor ou igual a 250cm3.
** teor de monóxido de carbono em marcha lenta em volume aplicado para motocicletas com deslocamento volumétrico maior a 250 cm3.
Na avaliação das amostras foi analisado somente o teor de monóxido de carbono (CO), em marcha lenta [%], por ser o gás liberado em maior proporção pela queima incompleta de combustíveis nas fontes móveis de poluição.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Resolução CONAMA N° 297/02 se aplica para motos novas. As motos colocadas no mercado antes de 2003 não precisam atender as exigências. Desse modo, na análise dos dados somente as amostras de motocicletas fabricadas a partir do ano de 2003 cabe a aplicação correta da Resolução pertinente. As demais foram avaliadas fazendo-se uma simulação caso a Resolução fosse assim, também a estas aplicadas. (tabela 2)
Tabela 2: Quantidades de motocicletas amostradas em relação ao ano de fabricação. Goiânia, 2004. Ano de fabricação da motocicleta N° de motocicletas 1980 2 1981 1 1982 1 1984 1 1985 1 1988 1 1989 1 1990 2 1991 4 1992 2 1994 1 1996 1 1997 10 1998 4 1999 7 2000 6 2001 18 2002 5 2003 7 2004 4 TOTAL 79
O resultado de 100% de aprovação com relação aos padrões de emissão estabelecidos pela Resolução CONAMA N° 297/02, não induz à preliminar de que todas as motos amostradas não estão
poluindo. Pelo contrário, o seu índice de emissão ainda é muito alto se comparado com o de um carro novo. A interpretação que se deve fazer dos resultados obtidos é a de que as motocicletas são fortes contribuintes para aumentar os índices de poluição atmosférica, mas com as novas etapas do PROMOT que entrarão em vigor a partir do próximo ano com perspectivas até o ano de 2009, a tendência é reduzir os níveis de poluição provocados por motocicletas até um nível em que fique igual ao dos carros ou ainda menor
A Tabela 3 apresentam uma simulação caso a Resolução CONAMA N° 297/02 fosse aplicada já na primeira fase do PROMOT, nas motocicletas amostradas no período compreendido entre os anos de fabricação 1980-2002. haveria apenas 4% de reprovação.
Tabela 3: Simulação da aplicação da Resolução CONAMA N° 297/02 nas motocicletas amostradas no período compreendido entre os anos de fabricação 1980-2002.
Situação Ano de
fabricação da
motocicleta Aprovado Reprovado Sub-Total 1980 2 0 2 1981 1 0 1 1982 1 0 1 1984 1 0 1 1985 1 0 1 1988 1 0 1 1989 0 1 1 1990 2 0 2 1991 4 0 4 1992 2 0 2 1994 1 0 1 1996 1 0 1 1997 10 0 10 1998 4 0 4 1999 5 1 6 2000 6 0 6 2001 17 1 18 2002 5 0 5 TOTAL 64 3 67
.Constata-se que 85% da frota de motocicletas avaliadas correspondem ao período compreendido entre os anos 1998-2002, concluindo-se assim, que o número de motocicletas enquadradas (15%) dentro da primeira fase do PROMOT ainda é relativamente pequeno.Mas já bastante significativo quanto ao índice de aprovação de 100% em relação aos padrões de emissão de poluentes fixados na Resolução CONAMA N° 297/02.
Este fato demonstra o resultado da eficiência da Resolução, uma vez, que já começa a atingir os objetivos do PROMOT.
A simulação feita com a aplicação da Resolução nas motocicletas amostradas no período dos anos de fabricação compreendido entre 1980-2002 (fig. 3) já para a primeira fase do PROMOT, revelou que 4% delas estariam reprovadas. Isto se deve ao fato de que antes do ano de 2003 não existia nenhuma Legislação que regulamentasse os padrões de emissão de poluentes na atmosfera, ou seja, não obedeciam a nenhuma regra. Mas a tendência é que, aos poucos, as motocicletas antigas deixem de circular, enquanto as motocicletas novas vão ocupando seu lugar.
A tabela 4 apresenta os limites de emissão de poluentes do PROMOT que estão em vigor a partir a partir de 1° de janeiro de 2006 (para todas as motocicletas comercializadas a partir desta data, e para a fase que está prevista para 2009.
Tabela 4: Limites máximos de gases de escapamento para motocicletas e similares novos.
Poluentes Limites 2005/2006 Limites 2009
Monóxido de carbono
5,5 g/km 2,0 g/km
1,2 g/km (motos com deslocamento volumétrico menor
que 150 cm3)
0,8 g/km (motos com deslocamento volumétrico menor que 150 cm3) 1,0 g/km (motos com
deslocamento
0,3 g/km ( motos com deslocamento volumétrico maior que 150 cm3) Hidrocarbonetos
volumétrico maior de 150cm3) Óxidos de
Nitrogênio
0,3 g/km 0,15 g/km
Para que as motocicletas atinjam o reduzido nível de emissão de poluentes será preciso a incorporação de modernas tecnologias. Uma das soluções para as motos deixarem de liberar gases tóxicos na atmosfera é equipá-las com catalisador Possivelmente, até 2009, as motocicletas já sairão de fábrica com sistema de injeção eletrônica, em substituição ao carburador, e com escapamentos dotados de catalisador, o que tornará as emissões ainda mais inofensivas para o meio ambiente.
Lembrando que as exigências de uso de catalisadores ou de qualquer outra inovação se limitará às motos fabricadas a partir da fase prevista pelo PROMOT em 2009. Em outras palavras, veículos produzidos antes da vigência da Resolução estarão isentos, já que moto antiga demora a sair de circulação e sua adequação à nova legislação custaria caro para os proprietários, mas renderia lucro para as empresas de reposição de peças importantes para a redução dos níveis de poluentes no ar, como catalisadores e injeção eletrônica.
As motocicletas que não respeitarem os limites de emissão de gases poluentes estabelecidas pelo CONAMA ficarão proibidas de ser vendidas no país. Para isso, o CONAMA instituiu, como requisito para produção, comercialização e importação, a Licença para Uso da Configuração de Ciclomotores, Motociclos e Similares (LCM).
A licença terá que ser requisitada pelo fabricante ou importador da motocicleta junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). As análises de emissão de gases poluentes serão realizadas em laboratórios certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), sob a supervisão do IBAMA (DIÁRIO POPULAR, 2004).
Um fator determinante na redução da quantidade de poluentes atmosféricos está na qualidade do combustível que é vendida e utilizada nas motocicletas e em outros tipos de veículos.O combustível adulterado pode causar corrosão nas peças principais do motor, consumo superior, falhas no motor, na bomba de combustível, entupimentos, etc. Fora todo prejuízo, existe ainda o desrespeito ao meio ambiente, pois os gases eliminados pelos veículos, são de misturas irregulares e não previstas, o que acaba gerando um maior grau de poluição tóxica sem controle, que prejudica o ar que se respira, a natureza e os homens. Assim, é essencial que haja uma comunicação mais intensa entre a indústria automobilística e a indústria de combustíveis, de forma que os avanços apresentados não se percam por atrasos ou outras deficiências de inter-relação.
A redução dos níveis de emissão de poluentes atmosféricos não constitui em um fator isolado a fim de se obter a melhoria da qualidade ambiental. É importante salientar que não só a categoria de motocicletas quanto todos os outros veículos devem ser mantidos de acordo com as recomendações do fabricante para que não altere o funcionamento normal e as emissões atmosféricas provenientes dos mesmos. Desse modo surge a necessidade de se criar postos de inspeção dos níveis de emissão de gases para que o proprietário tome as devidas providências de regulamentação.
Acompanhado da verificação de utilização de combustível não adulterado, a manutenção regular da motocicleta nos componentes essenciais de funcionamento também garante uma redução nos níveis de poluentes emitidos pelo escapamento.
Uma das alternativas, que invariavelmente esbarram em altos investimentos de pesquisa e de produção, e na política para o setor de transportes é a introdução de uma nova tecnologia que pode proporcionar a substituição do combustível convencional por outro menos poluente, ou mesmo a introdução de outros métodos de transformação de energia. Neste caso vale ressaltar duas hipóteses a) Substituição do combustível convencional;
b)Introdução dos motores elétricos para propulsionar o veículo.
Assim, uma ótima opção às motocicletas movidas à gasolina tem-se as motocicletas elétricas, movidas a energia. São caracterizadas pelo menor consumo de combustível, são também mais silenciosas porque não há o ruído do motor a explosão.O motor elétrico não gera gases porque não provoca combustão. A dificuldade está em armazenar energia elétrica compatível com os níveis de potência atingidos pelos motores de combustão interna. O maior benefício ambiental das motocicletas e também de outros veículos elétricos é que independem do estado de manutenção ou da idade da frota. Esta característica mostra uma vantagem incomparável às outras motocicletas e veículos convencionais movidos à gasolina ou combustíveis denominados “limpos”, como o etanol ou gás natural, que estão sempre abertos a desregulagens, desgaste e conseqüente deterioração das emissões de poluentes ao longo de sua vida útil.
É preciso que se busque a sustentabilidade do transporte por meio da implementação de tecnologias mais eficientes na redução e até mesmo na própria eliminação de emissões de poluentes atmosféricos, aliado também a um maior incentivo na utilização do transporte coletivo como meio de locomoção em massa.
CONCLUSÕES
.
Conclui-se que:
a) as motocicletas fabricadas após a resolução o CONAMA N° 297/02 estão em conformidade quanto a emissão de CO.
b) 85% das motocicletas amostradas que trafegam em Goiânia são anteriores a resolução N° 297/02 Diante disto recomenda-se:
a) Envidar esforços para renovação da frota adequada aos padrões de emissão da Resolução N° 297/02
b) Tão importante quanto reduzir os níveis de poluição atmosférica nos grandes centros urbanos, como Goiânia, é fazer-se uso reduzido do transporte individual e utilizar com maior freqüência o transporte coletivo como forma de prevenção da poluição do ar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ÁLVARES JR et al. Emissões Atmosféricas. Brasília: SENAI/DN, 2002.373p
2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FABRICANTES DE MOTOCICLETAS, CICLOMOTORES, MOTONETAS, BICICLETAS E SIMILARES – ABRACICLO.Disponível em:< http://www.abraciclo.com.br/> Acesso em: 13 nov 2004.
3. CARVALHO, J. A. de; LAVACA ,P. T. Emissões em Processos de Combustão.São Paulo, Editora UNESP, 2003, p.09.
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5. DERÍSIO, J. C. Introdução ao Controle de Poluição Ambiental. 2. ed. São Paulo, Signus Editora, 2000, p. 87 e 116.
6. DIÁRIO POPULAR. Disponível em: <http://www.diariopopular.com.br/13_09_02/ip100909.html> Acesso em: 17 abr. 2004.
7. DEPARTAMENTO DE TRÂNSITO. Motos cortam emissão, mas ainda poluem 16 vezes mais que carros. Disponível em: http://www.detran.ms.gov.br/noticias/noticia.asp?id=0049 Acesso em: 29 set. 2003.
8. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE-MMA. Disponível em: < http://www.mma.gov.br> Acesso em : 29 nov 2003.
9. PAULA, M. de. Responsabilidade Ambiental.Disponível em:< http://www.anfamoto.com.br/anfanews.php?filename=anfanews506> Acesso em: 24 ago. 2004.
10. PROGRAMA DE CONTROLE DA POLUIÇÃO DO AR POR VEÍCULOS AUTOMOTORES-PROCONVE.Disponível em: < http://www.ibama.gov.br/proconve Acesso em : 28 de nov 2003. 11. TELLES, F. Poluição das motos será controlada por lei. O Estadão, São Paulo, 9 nov.
2001.Disponível em: <http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2001/nov/09/178.htm> Acesso em: 15 mar. 2004.