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O PANORAMA DOS JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO CATARINENSE: BOLETIM 2015

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TRABALHO E HABITAÇÃO – SST

DIRETORIA DE TRABALHO E EMPREGO – DITE

SETOR DE INFORMAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO

O PANORAMA DOS JOVENS NO MERCADO DE

TRABALHO CATARINENSE: BOLETIM 2015

Elaboração:

Leandro dos Santos, Me. sociólogo.

Viviane da Rosa, Me. socióloga.

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Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho e Habitação – SST Diretoria de Trabalho e Emprego – DITE

Sistema Nacional de Emprego – SINE/SC Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho

Email: informaçã[email protected] Fone: 3664-0637

1 APRESENTAÇÃO

A atenção para com o estabelecimento de políticas públicas direcionadas à população jovem constitui-se em uma das questões de especial relevância no contexto do Brasil contemporâneo. No espectro de ações necessárias, a relação entre juventude e trabalho merece atenção redobrada. Isso porque na esfera do mundo do trabalho se articulam outros tantos pontos importantes da agenda pública nacional, tais como educação, inserção social e econômica, segurança pública, entre outros. Também não só por parte do interesse coletivo que a relação entre juventude e trabalho é temática de especial relevância. No imaginário juvenil, a questão do trabalho igualmente se apresenta como um dos aspectos de maior interesse (GUIMARÃES, 2005).

O panorama da juventude no mercado de trabalho em Santa Catarina é o tema deste boletim produzido pelo Setor de Informação do Mercado de Trabalho, vinculado à Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Habitação – SST. Para os efeitos deste levantamento, utilizou-se a classificação etária mais usual para a definição dos jovens. Nesse sentido, a população jovem se refere à parcela de pessoas compreendidas na faixa entre 15 a 24 anos de idade.1

Na primeira seção, são apresentados alguns dos indicadores mais gerais sobre a participação dos jovens na estrutura laboral catarinense. Nesse caso, utilizou-se como fonte de dados a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios – PNAD/IBGE.

Na seção seguinte, aborda-se a especificidade da inserção juvenil no mercado de trabalho formal de Santa Catarina. Para tanto, trabalhou-se com dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregado – CAGED, ambos disponibilizados pelo Ministério de Trabalho e Emprego – MTE.

INDICADORES GERAIS DOS JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO

1

Atualmente, existem algumas iniciativas de se expandir a parcela da população jovem para abarcar as pessoas com até 29 anos. As justificativas alegadas são o aumento na expectativa de vida para a população em geral e as dificuldades na obtenção de autonomia por parte desta população no atual contexto socioeconômico.

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2 Em Santa Catarina, os jovens (de 15 a 24 anos) representam 16% da população, segundo dados da PNAD válidas para o último levantamento da pesquisa, em 2013. Ao todo, são pouco mais de 1 milhão de pessoas, sendo que destes, 51% tem idade entre 15 a 19 anos, e os outros 49% entre 20 a 24 anos de idade.

Os jovens são 20% do total da população economicamente ativa no estado (a PEA significa a quantidade de pessoas trabalhando ou que está procurando emprego). A composição da PEA juvenil é formada majoritariamente por aqueles entre 20 a 24 anos, correspondem a 60%. Do total de jovens com essa faixa etária (525 mil), 85% estão trabalhando ou procurando emprego. Isso significa a taxa de participação para esse estrato populacional. A mesma taxa para quem tem entre 15 a 19 anos de idade (555 mil) é de 54%.

No geral, a taxa de participação no mercado de trabalho para quem tem entre 15 a 24 anos é de 69%. Em números absolutos, significa 741 mil jovens na condição de economicamente ativos.

Tabela 1: Indicadores gerais dos jovens no mercado de trabalho (em %), SC – 2013

Fonte: PNAD/IBGE; Elaboração: Setor de Informação do Mercado de Trabalho, SST/SINE/SC.

A taxa de participação juvenil nos ajuda a dimensionar a pressão dos jovens no mercado do trabalho. Entretanto, essa presença não responde exatamente a efetiva inserção, isto é, a conquista e manutenção de um posto de trabalho. Como se pode observar na tabela 1 acima, a taxa de desemprego entre os jovens é consideravelmente mais elevada que a média da população.

Para o ano de 2013, a taxa média de desemprego na população catarinense correspondia a 3,2%, enquanto para os jovens era de 8,4%. Para os mais novos, entre 15 a 19 anos, a taxa é mais elevada, 11%. Já para os que se encontravam na faixa entre 20 a 24 anos, o desemprego atingia 6,5%.

Faixas Taxa de participação Taxa de desemprego Taxa de formalidade

Pop. em geral 63 3,2 77

Jovens total 69 8,4 75

15-19 anos 54 11,1 69

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3 Em números absolutos, o total de jovens desempregados na semana da pesquisa somava 62 mil pessoas. Isso representa 53% do montante geral de desempregados no estado de Santa Catarina.

No gráfico abaixo, pode-se acompanhar a evolução da taxa de desemprego dos jovens desde 2001. Os dados revelam o bom momento para o mercado de trabalho nos últimos anos. Nesse contexto, observa-se que nos últimos três levantamentos realizados pela PNAD/IBGE (2011, 2012 e 2013), a média do desemprego juvenil se manteve nos níveis mais baixos da série histórica (8%, 7% e 8%, respectivamente).

Gráfico 1: Evolução da taxa de desemprego juvenil (em %), SC – 2001/2013

Fonte: PNAD/IBGE; Elaboração: Setor de Informação do Mercado de Trabalho, SST/SINE/SC.

A taxa de formalidade dos postos de trabalho é um bom indicador para medir não só a força de trabalho ocupada, mas também a qualidade das condições e relações laborais. Isso porque com a formalização o trabalhador se encontra amparado por uma série de diretitos trabalhistas, tais como seguro desemprego, auxílio doença, aposentadoria e outros. Para o último levantamento da PNAD, em 2013 (ver tabela 1), a taxa de formalidade dos jovens foi de 75%, apenas dois pontos percentuais abaixo da taxa geral de formalização em Santa Catarina (a taxa de formalidade aqui representa a proporção dos ocupados que contribuem à previdência).

Conforme apresentado no gráfico 2, a taxa de formalidade no trabalho teve evolução quase que contínua desde 2002 no segmento jovem da população. A formalização dos

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4 jovens entre 20 a 24 anos se manteve sempre maior que a média dos jovens no total. Entretanto, o crescimento mais expressivo se deu na faixa entre 15 a 19 anos, que passou de 42% no início da série para 69% em 2013.

Gráfico 2: Evolução da taxa de formalidade dos jovens (em %), SC – 2001/2013

Fonte: PNAD/IBGE; Elaboração: Setor de Informação do Mercado de Trabalho, SST/SINE/SC.

Com respeito à posição na ocupação, tanto entre os jovens como na população em geral, a maior parte dos ocupados se encontra na posição de empregados. Entretanto, entre os jovens, a proporção dos que se encontram nessa condição é bem maior. Dos 679 mil jovens ocupados em 2013, 87% eram de empregados – no total da população, o percentual é de 67%. Na posição de conta própria estão 6,9% dos jovens ocupados. Como não remunerados se encontram 3,5%. Os trabalhadores domésticos somam 1,2% e 0,9% dos empregadores são jovens.

Tabela 2: Posição na ocupação dos jovens e da população em geral (em %), SC – 2013

Fonte: PNAD/IBGE; Elaboração: Informação do Mercado de Trabalho, SST/SINE/SC.

Posição na ocupação no trabalho principal Jovens (15 a 24 anos) Pop. Total

Empregados 87,3 66,3

Trabalhadores domésticos 1,2 3,9

Empregadores 0,9 5,6

Conta própria 6,9 18,6

Trabalhadores na construção para o próprio uso 0,0 0,1 Trabalhadores na produção para o próprio consumo 0,3 2,2

Não remunerados 3,5 3,1

Sem declaração 0,0 0,0

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5 MERCADO DE TRABALHO FORMAL

Esta seção do trabalho se propõe a relatar a dinâmica do mercado de trabalho formal dos jovens catarinenses, através do recorte de algumas variáveis aqui destacadas como: o estoque de empregos ocupados por jovens, conforme os setores da economia; a distribuição dos jovens conforme o gênero; o grau de escolaridade desta população e a distribuição de acordo com as grandes famílias ocupacionais. A fonte dos dados é a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Aqui focamos a participação da geração de jovens no mercado formal catarinense, que vem ocorrendo de forma ímpar nos últimos 15 anos. No ano de 2013, no universo de vagas formais de emprego geradas em Santa Catarina, 21,7% foram preenchidas por jovens.

Destaca-se que os dados estatísticos apresentam um panorama para embasar vários estudos e políticas públicas; porém, é interessante o aprofundamento da análise de quem são os jovens trabalhadores e como se comportam. Através de uma síntese das teorias sobre gerações, constata-se que pessoas nascidas num mesmo período compartilham experiências de vida históricas e sociais e essas vivências comuns poderiam afetar de forma similar seu padrão de resposta a situações e instituições, como seus valores e crenças sobre as organizações, sua ética de trabalho, as razões pelas quais trabalham, seus objetivos e aspirações na vida profissional e seu comportamento no trabalho (SMOLA e SUTTON, 2002 apud CAVAZOTTE et al, 2012: 165). Mesmo a literatura não sendo muito sistemática a respeito das datas de nascimento das gerações de trabalhadores, a geração “Y” (Yrs), ou “geração milênio”, é indicada como sendo os nascidos a partir de 1980 (ALSOP, 2008; SMOLA e SUTTON, 2002). Este grupo representa o segmento dos jovens no mercado de trabalho e um dos grandes marcos que parecem ter definido as experiências desse grupo foi o desenvolvimento da tecnologia computacional e seus desdobramentos como a expansão da Internet, dos sites de relacionamento e a difusão do uso de simulação em jogos virtuais de console e web-based (ALSOP, 2008; LOUGHLIN e BARLING, 2001; PROSERPIO e GIOIA, 2007; SMOLA e SUTTON, 2002).

Estes jovens são caracterizados como mais acostumados com mudanças, menos inclinados a priorizar a segurança no trabalho, mais ansiosos por novos desafios e mais

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6 tolerantes com os erros do que as gerações anteriores (ALSOP, 2008; MUNRO, 2009). Alguns autores sugerem que os Yrs desejam assumir responsabilidades e participar dos processos de tomada de decisão, esperam ter um rápido crescimento dentro das organizações, ao mesmo tempo em que demandam o desenvolvimento de suas competências e condições de trabalho com maior flexibilidade (ALSOP, 2008; HUNTLEY, 2006; LOUGHLIN e BARLING, 2001; MUNRO, 2009). São também descritos como membros de uma geração mais ativa socialmente do que a anterior, com preferência por atuar em empresas que sejam referência em termos de ética e responsabilidade social (ALSOP, 2008; HUNTLEY, 2006).

Apresenta-se; portanto, a seguir, o contexto dessa geração de jovens no mercado formal catarinense. O gráfico 3, apresenta o estoque de empregos ocupados pelos jovens e distribuídos por setores econômicos. O setor que mais gerou empregos foi o da indústria de transformação, com 36% das vagas, seguido pelo comércio, com 28% das vagas e o setor de serviços com 27% das vagas.

Gráfico 3 – Participação dos jovens no mercado formal de trabalho segundo os setores econômicos, SC - 2013.

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho – DITE/SST

Do total de 480.080 jovens com vínculos de emprego formais em Santa Catarina, 54,5% são homens e 45,5% são mulheres, como se observa no gráfico abaixo. Na população geral, por sua vez, 55,1% dos empregos formais foram preenchidos por homens,

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Secretaria de Estado d

Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho Email:

em 2013, enquanto 44,9% foram preenchidos por mulheres. Pode ocupação de vagas por mulheres jovens, comparando

Gráfico 4– Distribuição

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho

Grande parte da geração jovem de trabalhadores do Estado po

completo, ou seja, 52% desta população. Já 18% possuem o ensino médio incompleto e 11% o ensino fundamental. A parcela de analfabetos é pequena, em números relativos, 0,2%, por isso, no gráfico, ela aparece representada como 0%, entreta

analfabetos no montante dos referidos trabalhadores.

Gráfico 5– Distribuição

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho

Na sequência, elencamos as dez principais famílias ocupacionais preenchidas por jovens, em Santa Catarina, no ano de 2013. Estas grandes famílias correspondem a 48% do

Masculino Feminino

52% 8%

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em 2013, enquanto 44,9% foram preenchidos por mulheres. Pode-se perceber a maior ocupação de vagas por mulheres jovens, comparando-se com a população em geral.

Distribuição dos jovens por gênero na estrutura do de trabalho, SC - 2013.

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho

Grande parte da geração jovem de trabalhadores do Estado possui o ensino médio completo, ou seja, 52% desta população. Já 18% possuem o ensino médio incompleto e 11% o ensino fundamental. A parcela de analfabetos é pequena, em números relativos, 0,2%, por isso, no gráfico, ela aparece representada como 0%, entreta

analfabetos no montante dos referidos trabalhadores.

Distribuição dos jovens por escolaridade na estrutura do formal de trabalho, SC - 2013.

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho

Na sequência, elencamos as dez principais famílias ocupacionais preenchidas por jovens, em Santa Catarina, no ano de 2013. Estas grandes famílias correspondem a 48% do

Masculino Feminino 54,5 45,5 0% 1% 1% 5% 11% 18% 4% Analfabeto Até 5ª Incompleto 5ª Completo Fundamental 6ª a 9ª Fundamental Fundamental Completo SST 7 se perceber a maior ção em geral.

a estrutura do mercado formal

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho – DITE/SST

ssui o ensino médio completo, ou seja, 52% desta população. Já 18% possuem o ensino médio incompleto e 11% o ensino fundamental. A parcela de analfabetos é pequena, em números relativos, 0,2%, por isso, no gráfico, ela aparece representada como 0%, entretanto, existem jovens

a estrutura do mercado

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho – DITE/SST

Na sequência, elencamos as dez principais famílias ocupacionais preenchidas por jovens, em Santa Catarina, no ano de 2013. Estas grandes famílias correspondem a 48% do

Até 5ª Incompleto

6ª a 9ª Fundamental

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8 total de ocupações classificadas pelo Ministério do Trabalho e ocupadas por jovens. A lista é encabeçada pela família ocupacional dos vendedores e demonstradores em lojas e supermercados, que representa 12% das vagas, seguida dos escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos, com 11,4% e pelos alimentadores de linhas de produção, com 6,7%.

Tabela 3: Ranking das dez principais famílias ocupacionais preenchidas por jovens, Santa Catarina - 2013.

Vendedores e Demonstradores em lojas ou supermercados

12%

Escriturários em geral, Agentes, Assistentes e Auxiliares

Administrativos

11,4%

Alimentadores de linhas de produção

6,7%

Caixas e Bilheteiros (exceto caixa de banco)

3,6%

Almoxarifes e Armazenistas

2,9%

Operadores de máquinas para costura de peças do vestuário

2,6%

Magarefes e afins

2,4%

Garçons, Barmen, Copeiros e Sommeliers

2,3%

Recepcionistas

2,3%

10ª

Trabalhadores de Embalagem e de Etiquetagem

1,9%

Fonte: RAIS/MTE. Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho – DITE/SST

CONJUNTURA DO MERCADO DE TRABALHO EM 2014

Ao longo do ano de 2014, 59.794 postos formais de empregos foram ocupados por jovens até os 24 anos de idade. Esse saldo é maior que o número total de empregos gerados no estado, que foi de 47.821. Isso se deve ao fato de que houve muitas demissões para a população em outras faixas etárias. Ao que tudo indica, o baixo ritmo de crescimento do emprego no ano passado parece não ter afetado a inserção dos jovens no mercado de trabalho formal.

Dos empregos ocupados pelos jovens, 37% se deram no setor de Serviços. A Indústria de transformação ficou responsável por colocar 27,4% e o setor de Comércio,

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9 com 26%, fecha a lista dos três setores de atividade que responderam por quase a totalidade das vagas para jovens em 2014.

Tabela 4: Geração de empregos formais ocupados por jovens até 24 anos, SC - 2014*

Fonte: CAGED/MTE; Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho - DITE/SST. * O saldo não leva em conta as declarações de movimentação realizadas fora do prazo.

No que se refere à remuneração (valores nominais médios para o ano de 2014), o gráfico abaixo demonstra a correspondência entre o aumento de idade e salário de contratação. Para os jovens com até 17 anos, o salário de contratação equivaleu a R$ 804,44. Já aqueles com 18 a 24 anos foram contratados por um salário de 1.095,01. Como se pode observar, o salário vai aumentando de forma contínua conforme o avanço da idade. Entre as razões para essa tendência estão a qualificação e experiência da força de trabalho. Em média, os jovens até os 24 anos de idade foram contratados no mercado de trabalho formal por um salário (R$ 1.051,94) equivalente a 85% da média salarial de contratação geral em Santa Catarina.

IBGE Setor Jovens Jovens (%)

1 - Extrativa mineral 220 0,4

2 - Indústria de transformação 16.370 27,4

3 - Serviços Industr de Utilidade Pública 523 0,9

4 - Construção Civil 3.390 5,7

5 - Comércio 15.604 26,1

6 - Servicos 22.179 37,1

7 - Administração Pública 535 0,9

8 - Agropecuária, extr vegetal, caça e pesca 973 1,6

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10 Gráfico 6: Salário médio de contratação por faixas etárias (Valores nominais

em R$) – SC, 2014.

Fonte: CAGED/MTE; Elaboração: Setor de Informação e Análise do Mercado de Trabalho - DITE/SST.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A problemática em torno da inserção laboral dos jovens é tema prioritário não no âmbito brasileiro quanto internacional (OIT, 2009). De modo geral, tanto no Brasil quanto em Santa Catarina, os dados dos últimos anos apontam para melhoras significativas nas condições de trabalho, tanto no que se refere à quantidade quanto à qualidade dos empregos gerados. Ainda assim, cabe registrar a permanência de taxas mais elevadas de desemprego juvenil que a média da população em geral. Isso permite apontar, portanto, a persistência de certas dificuldades na relação dos jovens com o mercado de trabalho.

As taxas relativamente mais altas de desemprego e informalidade para os jovens reportadas em diversos estudos que abordam o contexto nacional tendem a ser interpretadas como resultantes de obstáculos ao ingresso dos jovens no setor formal do mercado de trabalho. Uma possível interpretação com implicações bem distintas é a de que o jovem não prioriza os postos formais na sua busca por empregos. No entanto dados como os expostos em Perry et al (2007) desqualificam essa interpretação ao comprovar que os jovens têm

uma maior preferência pelos postos de trabalho formal do que os adultos. Segundo os autores, apenas 25% dos homens jovens, de 19 a 24, e 23% daqueles com idade entre 15 e 18 anos têm preferência pelo emprego informal em relação ao formal; enquanto para os homens de 45 a 70 anos de idade esse percentual é de 55,3%. Para as mulheres, as diferenças relativas nas preferências entre jovens e adultas é ainda maior. A preferência

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pelo emprego informal chega a 70% nas mulheres adultas entre 45 e 70 anos de idade, contrastando com percentuais abaixo de 30% para as mulheres jovens – sendo de 28,5% e 25,5%, respectivamente, nas faixas etárias jovens mencionadas acima (IPEA, 2014).

Outra interpretação compatível com os dados de taxas de desemprego e informalidade mais altas para jovens seria baseada em altas taxas de rotatividade para os jovens, mesmo no setor formal. Nesse caso, os jovens até poderiam ter oportunidades nesse setor, mas permaneceriam por pouco tempo em seus postos de trabalho. Ou seja, não seria um problema de barreira para ingressar em postos formais, mas um problema de permanecer empregado neles. Essa interpretação encontra respaldo nos resultados de Corseuil et al. (2014). Os dados utilizados nesse estudo mostram taxas de contratação na casa de 93% para jovens e 43% para adultos no período entre 1996 e 2010. Outro exemplo que corrobora esse raciocínio, pode ser ilustrada pela dinâmica de contratação no mercado de trabalho formal em Santa Catarina. No ano passado, se considerarmos apenas o saldo positivo de empregos criados, a população jovem (até 24 anos) respondeu pela ocupação de 98% das vagas. Em 2013, quando o mercado de trabalho estadual apresentou um melhor desempenho, a proporção de jovens nas vagas criadas foi de 47%.

A partir dos dados expostos acima, seria interessante pensar em termos de ações propositivas que considerem o debate acerca das gerações, como uma contribuição para a efetividade das políticas de geração de empregos para jovens em Santa Catarina. Estudos como o de Twenge e Campbell (2008) analisaram diferenças geracionais a partir de resultados observados em inventários de personalidade e comportamento preenchidos por cerca de 1,4 milhões de universitários americanos entre 1930 e os dias atuais, neutralizando assim os efeitos do amadurecimento e da fase no ciclo de vida sobre as diferenças observadas. Embora o estudo seja internacional e, por isso, devam-se levar em consideração algumas variáveis culturais com relação à análise da realidade dos jovens trabalhadores catarinenses, pode-se tê-lo como base ao pensar-se em termos de gerações em um mundo globalizado. O referido estudo verificou entre os Yrs níveis mais elevados de autoestima, narcisismo, ansiedade e depressão, níveis mais baixos de necessidade de aprovação social, locus de controle mais externo e mulheres com traços mais agênticos (mais envolvidas socialmente) do que nas gerações anteriores. Os autores discutem que

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12 algumas das características verificadas no estudo fariam dessa geração indivíduos com elevada necessidade de satisfação, com menor propensão a assumir responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de projetos e com níveis de stress mais elevados. Tais observações sugerem que um olhar mais cuidadoso sobre esse grupo pode ser útil tanto do ponto de vista da gestão e engajamento dos Yrs nas organizações, como da perspectiva de saúde mental e bem estar no trabalho dessa nova geração.

Um dos principais desafios encontra-se na atração, motivação, desenvolvimento, engajamento e retenção dos talentos e não apenas na questão da empregabilidade. Sugere-se, dessa forma, a inovação em termos de mecanismos sociais não só na esfera das políticas públicas como também no setor privado, que além de fomentar a criação de empregos possam também estar direcionadas à atração, retenção e desenvolvimento da população jovem no mundo do trabalho.

REFERÊNCIAS

ALSOP, R. The Trophy Kids Grow Up: How the millennial generation is shaking up the workplace. EUA: Jossey-Bass, 2008.

IPEA; SECRETARIA NACIONAL DA JUVENTUDE. Boletim juventude informa. Ano 1, n. 2, Brasília: IPEA, 2014.

CAVAZOTTE, F. S. C. N.; LEMOS, A. H. C.; VIANA, M. D. A. Novas gerações no mercado de trabalho: expectativas renovadas ou antigos ideais? Cadernos EBAPE. BR, v. 10, nº 1, artigo 9, Rio de Janeiro, Mar. 2012, p. 162-180.

CORSEUIL, C. H. FOGUEL, M. N., GONZAGA, G.; RIBEIRO, E, P. (2014) A rotatividade dos jovens no mercado de trabalho formal brasileiro. In: CORSEUIL; C. H.; BOTELHO, R. U. (Org.). Desafios à trajetória profissional dos jovens brasileiros. Brasília: IPEA, 2014.

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13 GUIMARÃES, N. A.Trabalho: uma categoria chave no imaginário juvenil? In: Helena W. Abramo e Pedro P. M. Branco (orgs.). Retratos da Juventude Brasileira – Analises de uma pesquisa nacional. São Paulo: Instituto Cidadania e Editora Fundação Perseu Abramo, 2005.

HUNTLEY, R. The World according to Y: Inside the New Adult Generation. Sydney: Allen & Unwin, 2006.

LOUGHLIN, C.; BARLING, J. Young workers’ values, attitudes, and behaviours. Journal of Occupational and Organizational Psychology, v.74, n.4, p. 543-558, 2001.

MUNRO, R. C. Mentoring Needs and Expectations of Genaration-Y. Human Resources Practitioners: Preparing the Next Wave of Strategic Business Partners. Journal of Management Research, v.1, n.2, 2009.

OIT. Trabalho decente e juventude no Brasil. Brasília: Organização Internacional do Trabalho, 2009.

PERRY, G.; MALONEY, W.; ARIAS, O. ; FANJZYLBER, P.; MASON, A.; SAAVEDRA, J. (2007) Informality: exit and exclusion. Washington, D.C: World Bank, 2007.

PROSERPIO, L.; GIOIA, D. Teaching the Virtual Generation. Academy of Management Learning & Education, v.6, n. 1, p.69–80, 2007.

SMOLA, K.W.; SUTTON, C.D. Generational Differences: revisiting generational work values for the new millenium. Journal of Organizational Behavior, v.23, p.363-382, 2002.

Referências

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