O Cinema e a Invenção Da Vida Moderna

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O cinema e a invenção da vida moderna

O cinema e a invenção da vida moderna

O

O cincinemema a e e a a invinvençenção ão da da vida modervida moderna na (Le(Leo o ChaCharnerney y e e VaVanesnessa sa SchSchwarwartz tz – – 2002003)3) Resenhas Resenhas s ori!ens do cinema s ori!ens do cinema Lucia Nagib Lucia Nagib

"O Cinema e a Invenção da

"O Cinema e a Invenção da Vida Moderna", reunindo 13 ensaios de origem americana em quaseVida Moderna", reunindo 13 ensaios de origem americana em quase

600 !ginas, abre a coeção Cinema, #ea$ro e Modernidade, dirigida or Ismai %avier& O ivro

600 !ginas, abre a coeção Cinema, #ea$ro e Modernidade, dirigida or Ismai %avier& O ivro

merece a$enção '! ea c(ancea de %avier, a maior au$oridade em $eoria do cinema no

merece a$enção '! ea c(ancea de %avier, a maior au$oridade em $eoria do cinema no

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)rasasii& & "* "* ++eeriri-n-ncicia a do do CiCinenemama", ", anan$o$ooogigia a ororgaganini.a.ada da oor r eee, e, e e "O "O /i/iscscurursoso

Cinema$ogr!ico", de sua au$oria, ermanecem (! quase duas dcadas reer-ncias b!sicas na

Cinema$ogr!ico", de sua au$oria, ermanecem (! quase duas dcadas reer-ncias b!sicas na

!rea ara os brasieiros&

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/es$a ve., orm, o ei$or recisar! vencer agumas surresas iniciais an$es de areciar o

/es$a ve., orm, o ei$or recisar! vencer agumas surresas iniciais an$es de areciar o

verdadeiro vaor da obra& Leo C(arne2 e Vanessa c(4ar$. são, mesmo ara os "eer$s",

verdadeiro vaor da obra& Leo C(arne2 e Vanessa c(4ar$. são, mesmo ara os "eer$s",

ius$res descon(ecidos& /uas es$reas de rimeira grande.a, #om 5unning e Miriam ansen,

ius$res descon(ecidos& /uas es$reas de rimeira grande.a, #om 5unning e Miriam ansen,

com7em a modura (onor8ica, abrindo e ec(ando o voume, e (! ainda aguns nomes

com7em a modura (onor8ica, abrindo e ec(ando o voume, e (! ainda aguns nomes

amiiares, como 9ona$(an Crar2 e )en inger, mas v!rios au$ores encon$ram:se no in8cio da

amiiares, como 9ona$(an Crar2 e )en inger, mas v!rios au$ores encon$ram:se no in8cio da

carreira acad-mica& ;, or$an$o, no m8nimo ousada a oção de $radu.ir es$e voume ara

carreira acad-mica& ;, or$an$o, no m8nimo ousada a oção de $radu.ir es$e voume ara

abrir uma coeção $e<rica no )rasi&

abrir uma coeção $e<rica no )rasi&

; de admirar o $raba(o em equie ree$ido no ivro, cer$amen$e ru$o da uncionaidade das

; de admirar o $raba(o em equie ree$ido no ivro, cer$amen$e ru$o da uncionaidade das

universidades e ag-ncias de omen$o americanas, que roorcionam ao esquisador o acesso

universidades e ag-ncias de omen$o americanas, que roorcionam ao esquisador o acesso

a $oda sor$e de documen$ação rara& Os ensaios arecem =e os agradecimen$os de roda

a $oda sor$e de documen$ação rara& Os ensaios arecem =e os agradecimen$os de roda

co

connirirmamam> m> $e$er r sisido do iidodos s e e cocomemen$n$adados os rerecicirrococamamenen$e$e, , coconnererinindodo::(e(es s umumaa

comemen$aridade e uma organicidade que, sem ecuir a discord?ncia, cercam o robema

comemen$aridade e uma organicidade que, sem ecuir a discord?ncia, cercam o robema

or $odos os

or $odos os adosados& & 5raça5raças a s a issoisso, gan(a , gan(a orçorça a a roos$a inusi$aa roos$a inusi$ada de da de um ivro que, um ivro que, emboraembora

con$en(a "cinema" no $8$uo, quase não ae de imes& Cinema, aqui,  um concei$o mais

con$en(a "cinema" no $8$uo, quase não ae de imes& Cinema, aqui,  um concei$o mais

amo, cu'a origem remon$a a um er8odo an$erior a seu r<rio surgimen$o, iden$iicando:se

amo, cu'a origem remon$a a um er8odo an$erior a seu r<rio surgimen$o, iden$iicando:se

com os a$ribu$os gerais da modernidade&

com os a$ribu$os gerais da modernidade&

 narrativa no cinema

 narrativa no cinema

O ivro romove um recuo ainda maior que aquee emreendido or No@ )urc( e ou$ros

O ivro romove um recuo ainda maior que aquee emreendido or No@ )urc( e ou$ros

$e<ricos da narra$oogia, como *ndr 5audreau$, Arançois 9os$ e o r<rio 5unning, que

$e<ricos da narra$oogia, como *ndr 5audreau$, Arançois 9os$ e o r<rio 5unning, que

es$udaram a ormação da narra$iva no cinema dos rimeiros $emos, ou se'a, na virada do

es$udaram a ormação da narra$iva no cinema dos rimeiros $emos, ou se'a, na virada do

scuo 1B ara o 0& *qui, a reer-ncia  uma sociedade em vias de indus$riai.ação e

scuo 1B ara o 0& *qui, a reer-ncia  uma sociedade em vias de indus$riai.ação e

urbani.

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o$ogramas em movimen$o, o cinema seria o r<rio movimen$o socia na ar$icuar ar$icuação de $emo e esaço da modernidade&

+e es$aria no $r!ego urbano, no $r?nsi$o dos $rens, nos asseios do consumidor eas ruas comerciais& Ou na eoração do coro (umano ea o$ograia, nas ius$raç7es sensacionais$as dos 'ornais, nos car$a.es ubici$!rios, nos ca$!ogos de o'as, nas vi$rines, enim, em imagens que se ragmen$am e recom7em como na mon$agem cinema$ogr!ica, rovocando a$enção e dis$ração do o(ar, es$e, como no cinema, su'ei$o D con$inuidade narra$iva e D descon$inuidade da sensação momen$?nea&

#oma:se, or$an$o, dis$?ncia da $eoria cinema$ogr!ica "s$ric$o sensu", u$raassando:se $ambm os es$udos cu$urais E como observa Ismai %avier em seu re!cio :, '! que a an!ise es$$ica  rocedimen$o essencia& +s$amos, an$es de $udo, no ?mbi$o da (is$<ria& "is$orici.ar", como $ambm aon$a %avier,  o comando unanimemen$e obedecido, na con$ramão da cr8$ica rancesa de cinema, em gera avessa Ds an!ises de con$e$o& *i!s, v!rios ensaios desancam os ranceses em seu r<rio $erri$<rio, descobrindo ea esquisa (is$<rica uma Faris quase descon(ecida& *s reer-ncias,  verdade, são <bviasG o Ha$er )en'amin dos ensaios sobre )audeaire e as assagens de Faris o 5eorg imme de "* Me$r<oe e a Vida Men$a" o Jracauer cr8$ico da cu$ura de massa& Form o resu$ado surreende eo inedi$ismo da documen$ação&

O ensaio de #om 5unning que abre a rimeira ar$e, "Coros e ensação",  um dos oucos a c(egar ao cinema em si& 5unning $oma )en'amin como on$o de ar$ida ara deinir a modernidade como o coaso das eeri-ncias de esaço e $emo an$eriores a ea, rovocado eo imac$o da veocidade& O cinema desenvove:se em reação dire$a com o movimen$o $ecno<gico e indus$ria, da8 a $end-ncia, nos rimeiros $emos, de imar $rens ou ins$aar nees a c?mera ara ca$urar esse movimen$o&

O coro (umano conigura:se como avo da circuação, e a imagem o$ogr!ica $ransorma:se em erramen$a ara ras$rear a iden$idade do novo indiv8duo e (e imu$ar resonsabiidade, como a$es$a seu uso na inves$igação oicia& * documen$ação evan$ada  das mais ins$igan$es, em ar$icuar a srie de o$os oiciais rerodu.idas no ivro como uma escie de on$e en$re o romance oicia do scuo 1B e o cinema&

Nos $e$os que se seguem, o cinema abandona o cen$ro da discussão& * in$ura $orna:se o camo ara o es$udo da a$enção moderna no ascinan$e ensaio de 9ona$(an Crar2& #omando or base o quadro "Na +s$ua", de Mane$, Crar2 não aenas medi$a sobre o asec$o isio<gico e sico<gico do o(ar va.io dos ersonagens, mas descobre nee a recariedade do su'ei$o

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moderno& + amia o racioc8nio ara incuir a moda e a in$rodução reguar da novidade =a mercadoria> como mecanismos ara man$er a a$enção&

Aec(ando es$a rimeira ar$e do voume, )en inger anaisa o sensacionaismo ouar a ar$ir de uma conceção neuro<gica da modernidade e$ra8da de 5eorg imme& egundo sua visão, a modernidade no im do scuo 1B era ercebida como um bombardeio de es$8muos, ese(ados nas manc(e$es, ius$raç7es e car$uns da imrensa nos quais o bonde, o au$om<ve e a circuação gera da me$r<oe aarecem como geradores de ca$!s$roes&

* segunda ar$e do ivro vo$a:se ara a ubicidade e o consumo& +s$imuan$e ea novidade da abordagem , aqui, o $e$o de +riKa aaor$ sobre o desenvovimen$o comercia do Hes$ +nd ondrino, com des$aque ara a o'a de dear$amen$os eridges& aaor$ narra como o americano arr2 5ordon eridge inovou o concei$o de comras no coração da +uroa, redeinindo a osição da mu(er no ambien$e urbano& * es$ra$gia oi $ransormar sua o'a num ese$!cuo, cu'o aco eram as vi$rines cons$an$emen$e modiicadas& No mesmo es8ri$o, *eandra Jeer discorre sobre os ca$!ogos da ears, que, na .ona rura americana, uncionavam como subs$i$u$os da "?nerie" urbana e sua resença nas es$an$es concorria com a da )8bia&

Na $erceira ar$e, dedicada D eemeridade e ao ins$an$e, o des$aque  o $e$o de Leo C(arne2& +m sua visão da modernidade, C(arne2 ar$icua com originaidade a idia ben'aminiana de desin$egração da aura ea eeri-ncia do c(oque com o concei$o de o$ogenia de 9ean +s$ein, que concebia o ime como uma cadeia de momen$os ou "$rancos de a$enção"& For essa via, c(ega ao "cinema de a$raç7es", $eoria desenvovida or 5unning a ar$ir de +isens$ein e que C(arne2 iga D cu$ura moderna do ins$an$e&

Na $ima ar$e, sobre ese$!cuos e esec$adores, Vanessa c(4ar$., se não $em o ego in$erre$a$ivo de seu arceiro, imressiona ea reveação do ae do necro$rio de Faris no im do scuo 1B, que ree$ia um "gos$o bico ea reaidade" a seguir $ranserido ara o cinema& )aseada em surreenden$e documen$ação, c(4ar$. descreve o necro$rio como um $ea$ro que eun(a cad!veres não iden$iicados a$r!s de uma vi$rine do$ada de cor$inas, a$raindo grandes mu$id7es& * ama divugação na m8dia do "a$ du 'our" =ou o cad!ver do momen$o> come$ava o car!$er ese$acuar do oca&

Aec(a o voume o ensaio bri(an$e e o-mico de Miriam ansen, que arece ee$ivamen$e $er sido escri$o a ar$ir da ei$ura dos demais, ois romove uma reeaboração cr8$ica dees& /ierindo dos ou$ros au$ores, ansen con$es$a a conceção de uma "modernidade (egemnica", igada ao scuo 1B e D visão ben'aminiana da Faris de )audeaire& +m seu ugar, ro7e um concei$o de dieren$es modernidades, e$ra8do da obra de iegried Jracauer que, segundo ea, $in(a um ensamen$o vo$ado ara o con$emor?neo e, or$an$o, ara o scuo 0& Frounda con(ecedora de Jracauer, ansen acredi$a que sua obra oerece "uma rousão

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de observaç7es e ree7es sobre cinema e cu$ura de massa que não encon$ramos em )en'amin"&

em anuar os argumen$os dos ben'aminianos convic$os, essa visão enriquece o voume com uma nova ersec$iva, eimindo:o de um dogma$ismo anacrnico numa era que '! se $em c(amado de "<s:$e<rica"&

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Con'un$o imressionan$e de dados e de correaç7es ineseradas, O cinema e a invenção da vida moderna  um ivro singuar na carac$eri.ação do momen$o ormador de uma nova eeri-ncia es$$ica e do $io de sociedade que (e deu ense'o& Com7e um ae origina da virada do scuo, $omando a eeri-ncia do cinema como aradigma, on$o de condensação das novas ormas de organi.ação do o(ar correa$as Ds $ransormaç7es que deiniram o que denominamos modernidade&

*o ado da o$ograia e ou$ras $cnicas, a emerg-ncia da nova ar$e  observada em sua coneão com um eque enorme de r!$icas sociais, com des$aque ara o co$idiano das cidades, a eansão do consumismo, os ca$!ogos de venda, as eosiç7es, o 'ornaismo, a ubicidade on$os em que se consoidou a nova resença da imagem e do mundo como ese$!cuo&

/iaoga:se aqui com Ha$er )en'amin e 5eorg imme, en$re ou$ros au$ores que anaisaram as mudanças na sensibiidade e na ar$e geradas eas $cnicas modernas& * base maior, no en$an$o, vem da esquisa em (is$<ria socia e dos es$udos de cu$ura, nes$e ivro ar$icuados com o saber esec8ico gerado ea nova (is$<ria do cinema, em esecia eo es$udo do rimeiro cinema em suas ainidades com as conceç7es da mon$agem r<rias D vanguarda de 1B0&

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O cinema e a invenção da vida moderna s "entes cinemato!r#$icas da modernidade

+m "Vida, o ime", ubicado (! ouco mais de dois anos, o (is$oriador Nea 5aber rovocou o-mica ao descrever, vaendo:se de casos como a mor$e da rincesa /iana, a rogressiva $ransormação do co$idiano em ese$!cuo& 5aber anaisa os mecanismos que $eriam nos $ransormado em (8bridos ro$agonis$asQesec$adores de um s(o4 que nunca sai do ar& +s$e que o au$or iden$iicou como "aradigma da a$uaidade" cons$i$ui o mais recen$e ca8$uo das

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grandes mudanças ocorridas no in$ers$8cio dos scuos %I% e %%, quando, 'un$o aos assos rimevos da c(amada modernidade, surgia o cinema&

O abru$o desenvovimen$o $ecno<gico e o crescimen$o das cidades a'udariam a ormar uma nova sub'e$ividade e a sedimen$ar a sociedade de consumo& #e<ricos como 5eorg imme e Ha$er )en'amim dedicaram boa ar$e de seus es$udos ao enmeno E e as reer-ncias ao $raba(o de ambos resandecem nos 13 ensaios que com7em "O cinema e a invenção da vida moderna" =Cosac R Nai2>, coe$?nea organi.ada or Leo C(arne2 e Vanessa & c(4ar$.& *o abordar $emas aaren$emen$e d8sares como um quadro de Mane$, os car$a.es ubici$!rios ou a au-ncia aos museus de cera e ao necro$rio de Faris, os ar$igos rodu.idos or acad-micos americanos $-m como eo a remissa de que a cu$ura moderna oi cinema$ogr!ica an$es mesmo da ouari.ação do cinema& +m meio D $urbu-ncia do $r!ego, ao baru(o, Ds vi$rines, aos anncios, gerava:se uma nova in$ensidade de es$8muos& O observador c!ssico dava ugar ao "su'ei$o a$en$o ins$!ve", come$en$e $an$o ara se aresen$ar como consumidor quan$o como agen$e na s8n$ese diversiicada de "eei$os de reaidade"&

No aã de sa$isa.er essa nova sub'e$ividade, as ormas de a.er começaram a se direcionar ara a reresen$ação de ins$an$es isoados das dis$raç7es e do e-mero& O cineas$a 9ean +s$ein, ci$ado no ivro, u$ii.a o $ermo "o$ogenia" ara designar o ra.er indescri$8ve que $omava o esec$ador e signiicaria, assim como a cor ara a in$ura e o voume ara a escu$ura, o eemen$o esec8ico do cinema& O ime resu$aria da coagem de uma cadeia de momen$os caa. de recriar o movimen$o, somen$e oss8ve de se conceber sob a <$ica de quem assis$e&

Mas o cinema igura como aenas uma da srie de invenç7es que incororaram os eemen$os: c(ave do o(ar moderno& Os ensaios con$emam ou$ras carac$er8s$icas que se insinuavamG o recon(ecimen$o da vida di!ria como ob'e$o v!ido ara a inves$igação, a ca$ura das descon$inuidades da erceção eos sen$idos, os $ais "c(oques" da vida moderna aon$ados or )en'amim, que evavam os indiv8duos a undir necessidade ma$eria com sa$isação s8quica do dese'o& +sse asc8nio eo co$idiano, '! observ!ve na i$era$ura, no 'ornaismo e na o$ograia, a.ia:se resen$e $ambm nos cur$a:me$ragens do c(amado "cinema de a$raç7es"&

O sucesso das rimeiras ro'eç7es, que sucederam eeri-ncias como a do Kine$osc<io de ;dison, serve como on$e ara ou$ro $<ico dissecado no ivroG o comrcio& *m de um es$udo sobre o emba$e das emresas americanas con$ra o oderio da rancesa Fa$( na dis$ribuição de imes, (! um in$eressan$e eame da disseminação dos ca$!ogos de venda or corresond-ncia, demons$rando como $ais ubicaç7es es$imuaram uma escie de "?nerie rura"& * reresen$ação dos rodu$os oerecidos or redes como a ears e a oebucK c(egava

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aos ares de indiv8duos isoados das me$r<oes, a$reando:os D nova sociedade e es$imuando o o(ar am da r<ria comunidade&

*inda no camo dos neg<cios, são anaisadas as mudanças ee$ivadas no Hes$ +nd ondrino a ar$ir dos esorços de emres!rios no sen$ido de $ransormar o consumo em ra.er eg8$imo e convocar as mu(eres a ingressar no ambien$e das o'as de dear$amen$os& +riKa aaor$ ressa$a a veicuação ea m8dia de counas sobre moda cu'o cun(o era eminen$emen$e comercia, vincuando:as D $en$a$iva de aagar a dis$inção en$re ubicidade e inormação& Na inves$igação dos ios discursivos si$uados na con$ramão das oas D modernidade, o oco reciso de Marcus Ver(agen cen$ra:se sobre os car$a.es de 9us C(re$, que anunciavam os "music:(as" da Faris do ina do scuo& *dmiradas eo bico, as eças $ornaram:se avo de cr8$icas nos$!gicas& +m revis$a da oca, o escri$or Maurice #ame2r cassiicava:as como "nica ar$e dessa era de agi$ação e riso, vio-ncia, decad-ncia, ee$ricidade e esquecimen$o", ormuando, como an$8$ese, um eogio Ds cons$ruç7es em edra do assado&

Cr8$icas como a do escri$or ranc-s mos$ravam sua ace rinciamen$e a$ravs da imrensa& *o esquadrin(ar os car$uns ubicados nos 'ornais, )en inger revea as cons$an$es inves$idas dos desen(is$as con$ra o "caos do $r?nsi$o", em con$raar$ida D $ranqSiidade dos $emos idos& +ssa abordagem, con$udo, eressava:se ao mesmo $emo como reeo e sin$omaG da ena dos cr8$icos sobressa8a um $om sensacionais$a que acabava aina or subin(ar o $raço moderno or ece-ncia& O a$o se ree$e no eemo dos museus do ocore, cu'a $oograia  anaisada or MarK andberg& * desei$o de $en$ar "reservar" a eeri-ncia cu$ura origina erdida, aos$ava:se em uma es$$ica de eibição an$enada com o ese$!cuo moderno& Faradoos eos$os eos ar$igos do ivro e que (o'e, no quadro eos$o or 5aber sob a gide do $ão desgas$ado $ermo "<s:modernidade", $ave. erdurem&

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O%ra retrata o moderno nas te"as do cinema #iago Ma$a Mac(ado

+nvovido ea densidade e veocidade crescen$es do $r?nsi$o urbano, numa srie de c(oques e cois7es, desorien$ado ea inação de anncios, ainis e vi$rines da cada ve. mais ren$ica a$ividade comercia, erdido em meio D babrdia de uma mu$idão cada ve. maior, o cidadão das =ca<$icas> me$r<oes do começo do scuo era a cobaia de uma eeri-ncia neuro<gica sem receden$es na (is$<ria&

"O r!ido agruamen$o de imagens em mudança, a descon$inuidade acen$uada ao acance de um simes o(ar e a imrevisibiidade de imress7es ime$uosasG essas são as condiç7es sico<gicas criadas ea me$r<oe", di.ia, em 1B03, 5eorg imme, em "* Me$r<oe e a Vida

(7)

Men$a"&

/os "cu$ura s$udies" do ivro "O Cinema e a Invenção da Vida Moderna", os me(ores não são $an$o os que ar$em de uma conceção socioeconmica da modernidade, mas aquees que ar$em de seu desdobramen$o em uma conceção neuro<gica da modernidade&

+m seu ar$igo "Modernidade, ieres$8muo e o In8cio do ensacionaismo Fouar", )en inger evidencia a dubiedade do ae eercido ea imrensa ius$rada D oca& *s ius$raç7es da imrensa sensacionais$a denunciavam os erigos do co$idiano moderno ao mesmo $emo em que con$ribu8am, com suas imagens aarman$es e gro$escas, ara o "enmeno de (ieres$8muo" da modernidade&

inger iia o rimeiro cinema =o agora c(amado "cinema de a$raç7es"> a essa nova es$$ica de eci$ação e es$imuação sensoriais decorren$e da vida moderna& +ra o que di.ia Ha$er )en'amimG "O cinema corresonde a mudanças roundas no aare(o erce$ivo, mudanças que são eerimen$adas, em escaa individua, eo (omem na rua, no $r!ego da cidade grande e, em escaa (is$<rica, or quaquer cidadão dos dias de (o'e =&&&>& *quio que de$ermina o ri$mo de rodução de uma es$eira roan$e  a base do ri$mo de receção do cinema"&

In$rinsecamen$e ragmen$!ria e e-mera =descon$8nua>, a eeri-ncia moderna da visão de )en'amim encon$rava a sua s8n$ese no "c(oque" =como embra Leo C(arne2 em "Num Ins$an$eG O Cinema e a Aiosoia na Modernidade">& O "c(oque"  o resen$e sens<rio =o nico oss8ve>, a sensação uga. de es$ar resen$e no resen$e& O "c(oque"  o ins$an$e =em que o assado e o u$uro coidem>, e o cinema  a sua ar$e&

/a8 ser o "c(oque" a on$e en$re o rimeiro cinema e a "avan$:garde" dos anos 0G a "es$$ica do esan$o" e a "cu$ura do ins$an$e" do "cinema de a$raç7es" desdobram:se, com o vanguardismo, no concei$o eisens$einiano de "mon$agem de a$raç7es" e na noção de "o$ogenia" de +s$ein&

Fara 9ean +s$ein, como nos embra C(arne2, a ess-ncia do cinema não residia na narra$ividade, mas em momen$os evanescen$es de sensaç7es or$es que cer$as imagens roiciariam, escies de "$rancos de a$enção"& O cinema de +s$ein si$ua:se nessa $-nue ron$eira en$re a$enção e dis$ração que 9ona$(an Crar2 aon$a na eeri-ncia moderna&#en$ando surreender num quadro de Mane$ ="Na +s$ua"> o con$inuum en$re a$enção e desa$enção ineren$e D vida moderna, Crar2 ressa$a que oi 'us$amen$e no momen$o em que enraqueciam dras$icamen$e as es$ru$uras es$!veis de erceção que a <gica din?mica do cai$a $en$ou imor um regime disciinar de a $enção&

/a mesma orma, #om 5unning demons$ra em seu ar$igo como oi necess!rio ao sis$ema ega con$roar e reguar o "$r!ego de imagens" =esse ouro simb<ico da modernidade> ara dar im

(8)

D "an$asmagoria da iden$idade" gerada or uma modernidade descon$8nua& O cai$a assaria a $ransormar em ago revis8ve e, or$an$o, ren$!ve a ren$ica circuação de imagens que criara&

; o nascimen$o da sociedade de ese$!cuo& #omando os ese$!cuos r:cinema$ogr!icos da Faris do im do scuo 1B =os anoramas, os museus de cera e a$ mesmo o necro$rio bico> como "coro!rios visuais da imrensa ouar", Vanessa c(4ar$. rova que os rimeiros esec$adores de cinema '! es$avam acos$umados ao eei$o:reaidade dos ese$!cuos modernos e a uma reaidade que se $ornava cada ve. mais ese$acuar& Fara $ransormar esse bico numa massa de consumidores iis, a =en$ão inciien$e> inds$ria de cinema $ender! cada ve. mais a camuar =em orma de narra$iva> essa descon$inuidade ineren$e D ar$e cinema$ogr!ica& er! reciso eserar os imes =modernos> do <s:guerra ara que o cinema redescubra, em meio Ds ru8nas, a sua ess-ncia descon$8nua& http://estudosdecomunicacao.blogspot.com/2007/10/o-cinema-e-inveno-da-vida-moderna.html

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References