24/03/2021
Número: 0709084-77.2021.8.07.0001
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL Órgão julgador: 24ª Vara Cível de Brasília Última distribuição : 22/03/2021
Valor da causa: R$ 1.100,00
Assuntos: Obrigação de Fazer / Não Fazer Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios PJe - Processo Judicial Eletrônico
Partes Advogados
RICARDO ALEXANDRE WISNIEVSKI (REQUERENTE)
RICARDO ALEXANDRE WISNIEVSKI (ADVOGADO) GEAP AUTOGESTÃO EM SAÚDE (REQUERIDO)
Documentos Id. Data da Assinatura Documento Tipo 86970014 23/03/2021 17:28 Decisão Decisão
Poder Judiciário da União
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
24VARCVBSB
24ª Vara Cível de Brasília
Número do processo: 0709084-77.2021.8.07.0001
Classe judicial: CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE DECISÃO (10980) REQUERENTE: RICARDO ALEXANDRE WISNIEVSKI
REQUERIDO: GEAP AUTOGESTÃO EM SAÚDE
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Vistos, etc.
RICARDO ALEXANDRE WISNIEVSKI opôs EMBARGOS DE DECLARAÇÃO alegando que houve omissão na sentença.
Afirma que se trata de ação de obrigação de fazer e que não foram apreciados os pedidos formulados, sendo indevida a extinção do processo sem julgamento de mérito.
Decido.
O recurso foi interposto no prazo e forma legais.
Quanto ao mérito, diz o art. 1022 do Código de Processo Civil:
“Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material.”
Com razão a parte Autora.
Em que pese o cadastramento equivocado da classe judicial pelo Embargante, verifico que se trata de ação de obrigação de fazer distribuída por dependência aos autos de n. 0705264-50.2021.8.07.0001.
Dessa forma, nota-se claramente que a sentença proferida deixou de se manifestar sobre os pedidos formulados pela parte Autora.
Assim, em razão de premissa equivocada, acolho os presentes embargos de declaração para cassar a sentença de ID n. 86830562.
Por conseguinte, dou prosseguimento ao feito. Cuida-se de Procedimento Comum. Retifique-se a classe
Trata-se de Ação de Obrigação de Fazer cumulada com Tutela de Urgência ajuizada por RICARDO ALEXANDRE WISNIEVSKI em face de GEAP AUTOGESTÃO EM SAÚDE.
Em síntese, sustenta a parte Autora que entre os dias 13 e 19 de março de 2021, foram realizas eleições para escolha de representantes para os conselhos de administração e fiscal da parte Requerida.
Nesse sentido, afirma que obteve decisão judicial favorável nos autos do AI nº 0705721-85.2021.8.07.0000, determinando a “...inscrição do agravante na condição de candidato a vaga no Conselho de Administração
da agravada, permitindo que sua participação seja deferida com todos os direitos concedidos aos demais candidatos, até decisão definitiva do colegiado.”.
Alega que a Ré acatou a ordem judicial e o inscreveu como candidato a cargo de membro do Conselho de Administração. Todavia, aduz que não lhe foi garantido o direito de recurso contra a eleição como aos demais candidatos, vez que nas tentativas de interposição o sistema informava “eleitor não encontrado”. Requer, em sede de antecipação dos efeitos da tutela de urgência, a suspensão da homologação do resultado do pleito, com a consequente reabertura do prazo destinado à apresentação de recurso, por parte do autor. É o relatório. Decido.
Com efeito, o art. 300 do CPC dispõe que a "tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo".
Todos esses adjetivos a qualificar os requisitos se justificam na medida em que a tutela de urgência vulnera dois princípios processuais constitucionais importantes, quais sejam o direito ao contraditório e a ampla defesa.
De fato, a concessão da tutela de urgência é feita antes da instrução, e no mais das vezes antes até da citação, de forma que não houve manifestação daquele que vai sofrer seus efeitos, nem oportunidade de se contrapor aos fatos alegados.
Assim, a prova do direito deve ser robusta sem admitir qualquer dúvida acerca da viabilidade da ação, considerados os elementos já constantes do processo, visto que ainda não há contestação.
Da mesma forma deve ser evidente o risco de dano irreparável ou de difícil reparação.
No caso, verifico que a decisão proferida nos autos do AI nº 0705721-85.2021.8.07.0000 garantiu ao Autor o direito a inscrição de candidato a vaga no Conselho de Administração da Ré, permitindo que sua
participação fosse realizada com todos os direitos concedidos aos demais candidatos, até decisão definitiva do colegiado.
Verifico, portanto, que os fatos aduzidos pela parte autora são verossímeis, porque os documentos juntados nos ID’s n. 86800465 a n. 86800467 demonstram que não lhe foi oportunizado o direito de recurso contra a eleição assim como aos demais candidatos.
Assim, a probabilidade do direito vindicado na inicial está evidenciada pelo documento de ID n. 86800467, cujo teor atesta contrariedade ao decidido nos autos do AI n. 0705721-85.2021.8.07.0000.
O perigo de demora, por sua vez, repousa no fato de que a homologação do resultado da eleição para cargo é ato seguinte ao julgamento dos recursos interpostos, cujo direito foi tolhido do Autor.
A reversibilidade da medida é notória, pois se limita a suspender o processo de eleição até que seja garantido ao Autor o direito a interposição de recurso, podendo ser retomado em seguida.
µ
prosseguimento do processo de eleição para vaga no Conselho de Administração, imediatamente, até que seja garantido ao Autor o direito a interposição de recurso contra o resultado da eleição, sob pena de multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais), até o limite de R$ 100.000,00 (cem mil reais).
Presentes, em princípio, os pressupostos processuais e as condições da ação, recebo, em juízo preliminar, a inicial nos termos do art. 319 do CPC.
Preconiza o art. 334 do CPC que, recebida a inicial, e não sendo o caso de improcedência liminar do pedido, a próxima diligência é a designação de audiência de conciliação.
Outrossim, a experiência nesses dois anos de vigência do novo código, aliada à pretérita experiência com o Procedimento Sumário previsto no CPC/1973, que adotava a mesma disposição, mostram que há severo prejuízo à duração razoável do processo, além de impor ônus desproporcional às partes.
Com efeito, as pautas estão a cada dia se alongando mais, são frequentes as audiências perdidas em razão da não citação da parte, que impõe ao Autor a necessidade de comparecer para uma solenidade que não se realizará, sob pena de multa, além do índice de acordos ser baixíssimo.
Esses problemas ensejam uma reflexão acerca de tal procedimento, para aumentar a celeridade processual, reduzir o ônus às partes, sem prejuízo do princípio processual de privilégio da conciliação.
Observa-se que o novo CPC admite, por princípio, que os procedimentos possam ser alterados para atender às especificidades do processo, conforme se vê de a possibilidade das partes acertarem entre si, ou com o Juízo, calendários processuais, especificação de pontos controvertidos e ônus probatórios. Ou seja, privilegia-se um processo maduro, com litigantes capazes de resolver as questões disponíveis, tanto na esfera material como processual, pela negociação e consenso, limitando-se o Juízo a conhecer da lide efetiva, e não de questões subjacentes.
Mostra-se assim contrária ao espírito do código a obrigatoriedade da conciliação nesta fase do processo, quando a mesma seria muito mais produtiva se estabelecida após a citação válida.
Lado outro, o art. 277 do CPC é claro e explícito que não se pronunciará nulidade se o ato, de outro modo praticado, alcançar sua finalidade.
Ademais, as partes podem arguir eventual nulidade acerca da modificação da ordem da audiência de conciliação na primeira oportunidade de falar nos autos, conforme estabelece o art. 278 do CPC. Posto isso, fica postergada a realização da audiência de conciliação para depois da apresentação da
contestação, em data a ser designada e intimadas as partes, sob as mesmas condições e penalidade previstas no art. 334 do CPC, salvo aos prazos eis que o feito já estará contestado.
Por fim, reitere-se a possibilidade de não realização da audiência de conciliação se ambas as partes manifestarem, expressamente, seu desinteresse na composição consensual.
Cite-se para apresentar defesa, em 15 (quinze) dias úteis, contados da juntada aos autos do mandado de citação, sob pena de declaração da revelia e serem presumidos verdadeiros os fatos narrados na inicial, nos termos do art. 344 do CPC.
I.
FLAVIO AUGUSTO MARTINS LEITE