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Direito Tributário Toque 3 Competência Tributária (3)

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Academic year: 2021

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Olá pessoal! Neste encontro encerraremos a abordagem direta do tema ‘competência tributária’. Devido a sua importância no Direito Tributário e sua relação direta com outros assuntos da disciplina, eventualmente recorreremos aos fundamentos explorados nestes três primeiros Toques.

Apenas para deixar registrado, quero informar que, diante da proximidade do concurso para o cargo de Auditor-Fiscal do Município de São Paulo – um dos maiores orçamentos do país! – faremos uma pausa em aulas teóricas. Nossos próximos encontros serão destinados à exploração do estilo Fundação Carlos Chagas em questões de Direito Tributário. Confira!

COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA

Classificação doutrinária

Vimos que a competência tributária é uma atribuição legislativa conferida pela Constituição aos entes políticos. A disposição das competências tributárias ao longo do texto Constitucional costuma tornar seu estudo um tanto árido.

Com vistas a facilitar a análise das competências tributárias, os doutrinadores criam classificações que têm o mérito de sistematizar a matéria e, consequentemente, otimizar seu estudo. Note que, por não se tratar de uma definição legal, analisando o entendimento dos diversos doutrinadores, encontraremos variações na terminologia e no número de classes. Essa variação não é preocupante. Principalmente, se o conceito estiver bem incorporado pelo candidato. O próprio contexto das questões de prova indicará o caminho, mesmo que sejam utilizados termos com os quais não estejamos familiarizados.

Contra eventuais surpresas é muito importante resolver várias provas de concursos anteriores, de preferência aplicadas pela banca examinadora responsável pela execução do concurso que lhe desperte interesse.

O assunto de hoje é bastante cobrado em provas. Iremos explorá-lo adotando uma estrutura com seis classes. Abaixo, apresento uma tabela simples indicando tais classes e informando sucintamente a principal característica de cada uma delas. Em seguida, trataremos de todas as classes.

Classe Característica principal

Comum no âmbito de suas atribuições administrativas, todos os entes políticos têm competência para instituir taxas e contribuições de melhoria Privativa a CF/88 atribuiu, privativamente a cada ente político, competência para instituir imposto sobre um fato gerador específico Especial competência conferida à União para instituir contribuições especiais (contribuições sociais, contribuições de intervenção no domínio econômico e

contribuições corporativas) e empréstimos compulsórios

Extraordinária na iminência ou no caso de guerra externa, a União tem competência para instituir impostos extraordinários Residual além das competências já discriminadas no texto constitucional, a União pode, atendidas algumas condições, instituir novos tributos há alguns casos específicos em que União e DF acumulam competências

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Competência Comum

A competência comum se refere ao poder atribuído a todos os entes políticos para instituir taxas e contribuições de melhoria. Isso não significa que qualquer ente poderá instituir qualquer taxa ou contribuição de melhoria.

Ao tratar da taxa e da contribuição de melhoria, o CTN aponta União, Estados, Distrito Federal e Municípios como detentores da competência para instituí-las, mas utiliza tanto no art. 77 quanto no art. 81, a expressão no âmbito de suas respectivas atribuições.

Perceba que taxas e contribuições de melhoria são tributos vinculados - para serem cobrados dependem da existência de uma ação estatal específica relativa ao contribuinte. Dessa forma, o ente político que detiver legitimamente a competência administrativa para exercer determinada ação estatal terá também competência tributária para instituir taxa ou contribuição de melhoria, relativa a essa ação específica.

Por fim, é importante consignar que a competência comum não é uma autorização constitucional para bitributação, situação em que entes diferentes cobram tributos sobre o mesmo fato gerador. Para esclarecer, tomemos como exemplo a contribuição de melhoria. Falamos acima que todos os entes políticos têm competência para instituir contribuições de melhoria, e sabemos que tal tributo tem como fato gerador a valorização imobiliária decorrente de obra pública. Ora, se a obra pública é estadual e dela decorreu valorização imobiliária, o único ente que tem competência para instituir a contribuição de melhoria relativa a essa específica valorização, é o Estado executor da obra. Assim, não estaria amparada juridicamente a atitude do Município, caso instituísse contribuição de melhoria, por entender que dessa mencionada obra pública decorreu valorização imobiliária em seu território.

Outro exemplo, mais simples: (1) a emissão de passaporte é uma atividade estatal que enseja a cobrança de taxa; (2) a União tem competência para emitir passaportes; de (1) e (2) decorre que somente a União pode cobrar taxa pela emissão de passaporte.

Competência Privativa

A competência privativa é o poder, atribuído pela constituição aos entes políticos, para instituir impostos.

Por definição, os impostos são tributos não vinculados, ou seja, são tributos que independem de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. E como tal, para distribuir competências tributária entre os entes, imprestável seria o critério utilizado no caso de tributos vinculados, como vimos acima, baseado na competência administrativa.

O critério utilizado pela Constituição para definir as competências tributárias, no que se refere a impostos, é a tipificação de situações materiais. Em outras palavras, a Constituição enumera os fatos geradores sobre os quais poderão ser instituídos impostos, atribuindo cada um deles a somente um ente político. Trata-se, portanto, especificamente quanto aos impostos listados, de uma proibição à bitributação.

Agindo dessa forma, o constituinte evita conflito de competências e também protege a sociedade, haja vista que a instituição de um imposto independe da existência de qualquer ação estatal, e simplesmente atribuir poder para “instituir impostos”, sem mencionar os fatos sobre os quais isso é possível, seria uma “carta branca” muito séria aos entes estatais.

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A lista de impostos federais se encontra nos incisos do art. 153 da CF/88. Tal lista, como veremos mais adiante, não é taxativa, e contém autorização para instituição de sete impostos. São impostos sobre:

• importação de produtos estrangeiros (II);

• exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE); • renda e proventos de qualquer natureza (IR);

• produtos industrializados (IPI);

• operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF);

• propriedade territorial rural (ITR);

• grandes fortunas, nos termos de lei complementar (IGF).

A lista de impostos estaduais, taxativa, encontra-se nos incisos do art. 155 da CF/88. São impostos sobre:

• transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD);

• operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS);

• propriedade de veículos automotores (IPVA).

A lista de impostos municipais, também taxativa, encontra-se nos incisos do art. 156 da CF/88. São impostos sobre:

• propriedade predial e territorial urbana (IPTU);

• transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI);

• serviços de qualquer natureza, não compreendidos no fato gerador do ICMS, definidos em lei complementar (ISS).

Competência Especial

Além dos impostos da competência privativa, a União detém competência para instituir Contribuições Especiais (art. 149 da CF/88) e Empréstimos Compulsórios (art. 148 da CF/88). Sob a denominação de Contribuições Especiais reunimos as contribuições sociais, as contribuições de intervenção no domínio econômico e as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas.

Sobre as contribuições sociais cabe asseverar que, além das contribuições para financiamento da Seguridade Social, disciplinadas no art. 195 da CF/88, este grupo envolve outras exações, tais como o FGTS (art. 7º, III da CF/88) e o Salário-Educação (art. 212, § 5º da CF/88). Uma diferenciação básica a ser feita é que, sendo destinada ao financiamento da Seguridade Social, a contribuição deve respeitar as disposições do art. 195 da CF/88, além daquelas previstas no art. 149. Sendo outra a destinação da contribuição social, seu regime jurídico é o do art. 149. Uma exceção à exclusividade da União, no que se refere à instituição de contribuições sociais, é a competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para instituírem contribuição para o custeio do regime previdenciário de seus servidores, gravada no §1º do art. 149 da CF/88. Note que não está previsto, neste § 1º, o financiamento do sistema de assistência social, como estava previsto na redação anterior, dada pela EC nº 33, de 2001. Na nova redação deste § 1º, dada pela EC nº 41, de 2003, a assistência social foi omitida. Confira!

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Aqui cabe um esclarecimento. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios somente poderão cobrar contribuições sociais de seus servidores se instituírem regime previdenciário próprio para seus servidores. No ente em que não existir tal regime, os servidores públicos ocupantes de cargo efetivo serão segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social, e suas contribuições serão devidas à União (vide art. 12 da Lei nº 8.213, de 1991).

Outra exceção ao regime de competências para instituir contribuições, é o poder conferido aos Municípios e ao Distrito Federal para instituírem contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública, previsto no art. 149-A da CF/88.

Ainda no âmbito da competência especial, a União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios:

• para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência - nestes casos, dispensada de observar o princípio da anterioridade e o princípio da noventena, expressos no art. 150, inciso III, respectivamente alíneas "b" e “c” da CF/88;

• no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional – nesta hipótese, devendo observar tanto o princípio da anterioridade quanto o princípio da noventena.

Com relação ao empréstimo compulsório, note que basta a iminência de guerra para que seja autorizada sua instituição.

Outra observação importante é que, embora pareça um contra-senso, a União, por força do princípio da anterioridade, não pode cobrar empréstimo compulsório motivado por investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, no mesmo exercício financeiro em que publicar lei o instituindo.

Competência Extraordinária

Na iminência ou no caso de guerra externa, a União poderá instituir impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação (art. 154, inciso II da CF/88).

Algumas observações importantes. A redação deste dispositivo constitucional parece um pouco confusa. Obviamente, para instituir um imposto é imperativo que se tenha competência para isso, ao contrário do que parece estar indicando o texto constitucional, numa leitura mais desatenta.

O constituinte, ao utilizar a expressão ‘compreendidos ou não em sua competência tributária’, pretendeu estabelecer um poder amplo à União para, nas situações indicadas, instituir impostos extraordinários cujos fatos geradores podem ser tanto os já abrangidos no âmbito de sua competência tributária (os listados no art. 153), quanto os listados no âmbito da competência de Estados e Municípios (arts. 155 e 156). Pode até instituir impostos extraordinários com outros fatos geradores que nem mesmo tenham sido previstos no texto constitucional. É assim que deve ser entendido o inciso II do art. 154.

Há neste dispositivo, portanto, uma autorização constitucional para bis in idem, situação em que um mesmo fato gerador é tributado duas vezes pelo mesmo ente político. Há também uma autorização para bitributação, uma vez que o mesmo fato gerador pode, no caso de guerra externa ou sua iminência, sofrer tributação de duas pessoas políticas diferentes.

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Diferentemente do empréstimo compulsório, basta lei ordinária para instituição de impostos extraordinários de guerra.

Assim como o empréstimo compulsório criado em razão de guerra externa ou sua iminência, a instituição de impostos extraordinários de guerra não deve observância aos princípios da anterioridade e da noventena.

Competência Residual

Esta é mais uma competência tributária somente conferida à União. Está expresso no inciso I do art. 154 da CF/88 que a União pode instituir impostos não previstos na sua competência privativa (do art. 153), desde que respeite as seguintes condições:

• os novos impostos devem ser não-cumulativos;

• os novos impostos não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição – quaisquer um dos 13 fatos geradores listados nas competências privativas, incluídos os atribuídos à União, Estados, DF ou Municípios; e

• os institua mediante lei complementar.

Eis que se explica o motivo pelo qual se pode afirmar que a competência privativa da União para instituir impostos compõe uma lista exemplificativa. Além dos sete impostos já previstos no texto constitucional, utilizando-se da competência residual, a União pode ampliar seu rol de impostos, diversamente de Estados, DF e Municípios.

A União dispõe ainda de uma outra competência residual. Trata-se da competência para instituir novas contribuições para financiar a Seguridade Social, prevista no § 4º do art. 195:

§ 4º - A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.

Da leitura desse dispositivo, podemos concluir que as novas contribuições, criadas no exercício da competência residual, devem ser não-cumulativas e devem ser instituídas por meio de lei complementar. Até esse ponto, não há nenhum problema.

Questão interessante surge na análise da outra condição prevista no inciso I do art. 154, da não-identidade entre fato gerador ou base de cálculo. O Supremo Tribunal Federal (STF) repetidas vezes já declarou “que não se aplica às contribuições sociais novas a segunda parte do inciso I do artigo 154 da Carta Magna, ou seja, que elas não devam ter fato gerador ou base de cálculos próprios dos impostos discriminados na Constituição.” (RE 258.470).

No julgamento do RE 228.321, o STF também se pronunciou no sentido de que a regra de competência residual da União, no que se refere a contribuições, não impede que as novas incidências tenham fato gerador ou base de cálculo de impostos. Mas acrescenta, e isso deve ser bem entendido, que as contribuições criadas na forma do § 4º do art. 195 da CF, não devem ter fato gerador e base de cálculo das contribuições já existentes. Portanto, a não-identidade entre fato gerador ou base de cálculo, na competência residual relativa a contribuições para a Seguridade Social, deve se dar em relação a contribuições já discriminadas no texto constitucional, e não em relação a impostos já existentes.

Por fim, cabe mencionar que a CPMF não foi criada sob as regras da competência residual. A autorização constitucional para sua instituição foi inserida no texto constitucional por meio da EC nº 12, de 1996, que incluiu o art. 74 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

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Competência Cumulativa

O art. 147 da CF/88 dispõe sobre o que se convencionou atribuir o nome de competência cumulativa. Isso porque, segundo este dispositivo, em certas circunstâncias um ente recebe competências tributárias que normalmente não lhe seriam atribuídas, acumulando-as com as suas competências normais.

É o caso, em Território Federal, da competência conferida à União, para instituir os impostos estaduais. Ainda, se o Território não for dividido em Municípios, os impostos municipais também são de competência da União.

Outra hipótese de competência cumulativa listada no art. 147 da CF/88 ocorre no Distrito Federal, que além dos impostos estaduais (art. 155), também é competente para instituir os impostos municipais.

O mais importante neste Toque 3

; No âmbito de suas atribuições administrativas, todos os entes políticos têm competência para instituir taxas e contribuições de melhoria (Competência Comum); ; A competência comum não é uma autorização constitucional para bitributação;

; O ente político que detiver legitimamente a competência para exercer determinada ação estatal terá também competência tributária para instituir taxa ou contribuição de melhoria, relativa a essa ação específica;

; ACF/88 atribuiu, privativamente a cada ente político, competência para instituir imposto sobre um fato gerador específico (Competência Privativa);

; É conhecida como especial a competência conferida à União para instituir contribuições especiais (contribuições sociais, contribuições de intervenção no domínio econômico e contribuições corporativas) e empréstimos compulsórios;

; Uma exceção à exclusividade da União, no que se refere à instituição de contribuições sociais, é a competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para instituírem contribuição para o custeio do regime previdenciário de seus servidores; ; Outra exceção ao regime de competências para instituir contribuições, é o poder

conferido aos Municípios e ao Distrito Federal para instituírem contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública;

; A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência, e nestes casos está dispensada de observar o princípio da anterioridade e o princípio da noventena;

; A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. Nesta hipótese deve observar tanto o princípio da anterioridade, quanto o princípio da noventena;

; Na iminência ou no caso de guerra externa, a União tem competência para instituir impostos extraordinários (Competência Extraordinária);

; Diferentemente do empréstimo compulsório, basta lei ordinária para instituição de impostos extraordinários de guerra;

; Assim como o empréstimo compulsório criado em razão de guerra externa ou sua iminência, a instituição de impostos extraordinários de guerra não deve observância aos princípios da anterioridade e da noventena;

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; Além das competências já conferidas no texto constitucional, a União pode, atendidas algumas condições, instituir novos tributos (Competência Residual);

; Os impostos criados no exercício da competência residual devem ser instituídos por meio de lei complementar, não podem ser cumulativos, e seus fatos geradores e suas bases de cálculo não podem guardar identidade com esses elementos em qualquer dos treze impostos da competência privativa da União, dos Estados, do DF e dos Municípios (Competência Residual);

; As novas contribuições para o financiamento da Seguridade Social, criadas no exercício da competência residual, devem ser não-cumulativas, devem ser instituídas por meio de lei complementar, e não devem ter fato gerador e base de cálculo das contribuições já existentes (Competência Residual);

; Em Território Federal, a competência para instituir os impostos estaduais é da União (Competência Cumulativa);

; Se o Território Federal não for dividido em Municípios, os impostos municipais também são de competência da União (Competência Cumulativa);

; Além dos impostos estaduais (art. 155), o Distrito Federal também é competente para instituir os impostos municipais (Competência Cumulativa).

Como esses temas aparecem em questões de prova

Vamos a algumas questões sobre o assunto visto neste Toque 3.

1. (ESAF/ Auditor-Fiscal da Previdência Social - 2002) Em relação ao tema competência tributária, é correto afirmar que:

a) a Constituição atribui à União competência residual para instituir impostos, contribuições para a seguridade social e taxas.

b) a instituição de empréstimos compulsórios requer lei complementar da União, dos Estados ou do Distrito Federal, conforme competência que a Constituição confere a cada um desses entes da Federação.

c) para instituir impostos com fundamento na competência residual, é imprescindível, além da competência tributária, veiculação da matéria por lei complementar e observância dos princípios constitucionais da não-cumulatividade e da identidade plena com outros impostos discriminados na Constituição, no que se refere a fato gerador e base de cálculo.

d) somente a União tem competência residual para instituir impostos.

e) os Estados, o Distrito Federal e os Municípios têm competência para instituir impostos, taxas, contribuição de melhoria e contribuição de intervenção no domínio econômico, que a Constituição lhes reserva.

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2. (ESAF/ Auditor-Fiscal da Receita Federal – 2002.1) Observe os quadros abaixo e procure relacionar cada uma das alíneas do primeiro quadro com as do segundo. Atente para a possibilidade de haver mais de uma vinculação possível, isto é, mais de uma alínea pode estar vinculada a um mesmo ente tributante ou vice-versa.

(1º quadro)

Estas competências...

v) instituir taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;

w) dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre as pessoas políticas; x) estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;

y) legislar sobre impostos municipais;

z) instituir contribuições de seguridade social, mas apenas para seus servidores, destinadas ao custeio, em benefício destes, de sistemas de previdência e assistência social.

(2º quadro)

... a Constituição atribuiu aos seguintes entes: 1 - à União.

2 - aos Municípios e ao Distrito Federal ou, excepcionalmente, à União. 3 - aos Municípios, aos Estados, ao Distrito Federal e à União.

4 - ao Distrito Federal e aos Estados.

5 - aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. É (são) errada(s) a(s) seguinte(s) vinculação(ções): a) v1, v2 e v4

b) w1 c) x1 d) z5 e) y3

3. (ESAF/ Auditor-Fiscal da Receita Federal – 2002.1) Se no cabeçalho dos quadros da questão anterior estivesse o advérbio “exclusivamente” (“Estas competências a Constituição atribuiu exclusivamente aos seguintes entes”), estaria certa a seguinte vinculação:

a) v2 b) w3 c) x1 d) y5 e) z3

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4. (FCC/ Agente Fiscal da Rendas do Estado de São Paulo – 2006) A Constituição Federal atribui à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios competências tributárias privativas, vedando que um ente político invada a competência do outro, exceto, em relação: (A) à União que, no exercício de sua competência residual, poderá invadir as competências tributárias dos entes políticos, para instituir impostos cumulativos, com fato gerador e base de cálculo já relacionados na Constituição Federal.

(B) aos Estados-membros, que podem conceder moratória de caráter geral, em relação aos tributos municipais.

(C) à União que, na iminência ou no caso de guerra externa, poderá instituir impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária.

(D) à União, que pode instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

(E) aos Estados-membros, que podem conceder parcelamento, isenções e anistia de tributos municipais.

Soluções

Na primeira questão, a alternativa A errou ao incluir taxa no rol de tributos da competência residual da União.

A alternativa B está errada ao afirmar que Estados e Distrito Federal têm competência para instituir empréstimo compulsório.

A alternativa C também está errada. Ela afirma que na competência residual, é imprescindível a identidade plena com outros impostos discriminados na Constituição, no que se refere a fato gerador e base de cálculo. É justamente o contrário. Não pode haver tal identidade.

A alternativa está certa, somente a União tem competência residual para instituir impostos, e assim é a resposta da questão.

A alternativa B está errada ao afirmar que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios têm competência para instituir contribuição de intervenção no domínio econômico, tributo da competência especial da União, apenas e sem exceção.

Responderemos de um vez as questões 2 e 3.

Estabeleceremos todas as vinculações possíveis, para só depois checarmos as alternativas. A alínea V faz vinculação com todas os números, de 1 a 5. As taxas estão compreendidas na competência comum, ou seja, todos os entes têm competência para instituí-las.

Concordo que a vinculação V2 ficou meio prejudicada com o termo “excepcionalmente” associado à União. Mas veremos que existe uma vinculação ainda pior.

A única vinculação possível para a alínea W é com o número 1, assim como para a alínea X. Relembre o art. 146 da CF/88.

Somente podem legislar sobre impostos municipais os Municípios, o Distrito Federal e, excepcionalmente, a União (em Territórios não divididos em Municípios). Portanto, a única vinculação possível para a alínea Y é com o número 2.

Sabemos que Estados, Distrito Federal e Municípios podem instituir contribuições de seguridade social, mas apenas para seus servidores, destinadas ao custeio, em benefício destes, de sistemas de previdência e assistência social (redação antiga do § 1º do art. 149 da CF/88 – vide texto). Isso conduz a duas vinculações possíveis Z4 e Z5.

Analisando as alternativas veremos que Y3 é impossível, e portanto, a alternativa E atende ao enunciado.

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A diferença da questão 3 em relação à questão 2, é que na 3 a vinculação tem que ser exata e completa, abrangendo no quadro 2 todas os entes detentores da competência indicada no quadro 1.

A alternativa A está incompleta porque a vinculação V2 deixa de fora os Estados. A alternativa B está errada porque apresenta uma vinculação impossível (W3).

A alternativa D está errada porque apresenta uma vinculação impossível (Y5). Os Estados não podem legislar sobre impostos municipais.

A alternativa E está errada porque apresenta uma vinculação impossível (Z3). Para que Z3 estivesse correta, seria necessário excluir a União do número 3.

A alternativa C está certa porque somente a União é competente para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Assim, C é a resposta.

Na questão 4, a alternativa A está completamente errada.

A alternativa B traz assunto afeto ao tema Suspensão do crédito tributário. Está errada. Para conferir, verifique a alínea “b” do inciso I do art. 152 do CTN.

A alternativa C está certa, sendo a resposta da questão.

A alternativa D está errada. Confira no inciso III do art. 151 da CF/88.

A alternativa E está errada. Lembre que competência tributária é o poder atribuído para instituir e legislar sobre determinado tributo. Ora, se o tributo é de competência municipal, não pode o Estado invadir tal competência.

Portanto, a alternativa C responde a questão. Assim, este é nosso gabarito de hoje:

1 – D 2 – E 3 – C 4 – C

Até nosso próximo encontro, para tratarmos de questões de Direito Tributário formuladas pela Fundação Carlos Chagas!

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