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I
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Órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa
Órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa
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O OUTUBROUTUBRO 2007 2007EDIÇÃO
EDIÇÃO
EXTRA
EXTRA
À direita, Getúlio Vargas no
À direita, Getúlio Vargas no
traço de Guevara; abaixo,
traço de Guevara; abaixo,
Niemeyer, por Mariano.
Niemeyer, por Mariano.
Roberto Benigni, no
Roberto Benigni, no
destaque, deu a Baptistão
destaque, deu a Baptistão
o Prêmio da Caricautura
o Prêmio da Caricautura
no World Press Cartoon
no World Press Cartoon
de Sintra, Portugal. de Sintra, Portugal. O Médico e O Médico e o Monstro, o Monstro, de Carlos de Carlos Estêvão. Estêvão. Embaixo, Embaixo, Henfil Henfil desenhado desenhado por Laerte. por Laerte. Dois personagens Dois personagens marcantes da marcantes da carica
caricatura tura brasileira:brasileira:
o Corvo Lacerda, o Corvo Lacerda, de Lan, e Juca de Lan, e Juca Pa Pato (to (à direita),à direita), de Belmonte. de Belmonte. Uma das Uma das musas de musas de Jaguar. Jaguar. À esquerda, a graça da À esquerda, a graça da melindrosa de J.Carlos; ao melindrosa de J.Carlos; ao
lado, os zeróis de Ziraldo
lado, os zeróis de Ziraldo
e à direita, Jânio Quadros,
e à direita, Jânio Quadros,
retratado por Nassara.
Editorial
Editorial
Editorial
Editorial
ESTA EDIÇÃO ESPECIAL DO JORNAL DA
ESTA EDIÇÃO ESPECIAL DO JORNAL DA
ABI celebra uma das mais fecundas vertentes
ABI celebra uma das mais fecundas vertentes
do jornalismo brasileiro, a criação
do jornalismo brasileiro, a criação
de charges e caricaturas,
de charges e caricaturas, renden-
renden-do homenagem aos autores que há
do homenagem aos autores que há
quase dois séculos, desde o
quase dois séculos, desde o
pio-neirismo de Araújo Porto-Alegre,
neirismo de Araújo Porto-Alegre,
têm inundado a vida nacional com
têm inundado a vida nacional com
a sua arte, a sua irreverência e o
a sua arte, a sua irreverência e o
seu senso de oportunidade em
seu senso de oportunidade em
re-lação ao que de relevante e digno
lação ao que de relevante e digno
de registro marcou a vida política
de registro marcou a vida política
e os costumes do País.
e os costumes do País.
Um forte traço – sem trocadilho
Um forte traço – sem trocadilho
– dessa prodigiosa criação é a
– dessa prodigiosa criação é a
consciência com que os
consciência com que os
chargis-tas e caricaturischargis-tas se debruçam
tas e caricaturistas se debruçam
sobre a vida no País e no mundo,
sobre a vida no País e no mundo,
aliando um agudo sentido crítico ao alto
aliando um agudo sentido crítico ao alto
ní-vel estético de suas criações, à qualidade
vel estético de suas criações, à qualidade
téc-nica e à criatividade admirável que imprimem
nica e à criatividade admirável que imprimem
aos seus trabalhos. Isto importa em dizer com
aos seus trabalhos. Isto importa em dizer com
clareza: não há chargista ou caricaturista
clareza: não há chargista ou caricaturista
ali-enado, indiferente às mazelas e injustiças da
enado, indiferente às mazelas e injustiças da
vida social. Por isso esses artistas
vida social. Por isso esses artistas
gran-jearam popularidade e o
jearam popularidade e o
res-peito e a admiração dos seus
peito e a admiração dos seus
contemporâneos.
contemporâneos.
É com orgulho que a ABI
É com orgulho que a ABI
ex-põe e proclama esse conceito,
põe e proclama esse conceito,
porque exaltar esses artistas,
porque exaltar esses artistas,
esses criadores, é também
esses criadores, é também
enaltecer o papel que a
enaltecer o papel que a
impren-sa tem desempenhado entre nós
sa tem desempenhado entre nós
desde o aparecimento da primeira
desde o aparecimento da primeira
publicação reconhecida como marco da
publicação reconhecida como marco da
im-prensa no País, o
prensa no País, o
Correio BrazilienseCorreio Braziliensede Hi-
de
Hi-pólito da Costa, editado em Londres a partir
pólito da Costa, editado em Londres a partir
de 1808 até 1822, após a Independência, a
de 1808 até 1822, após a Independência, a
grande aspiração que inspirou o seu
grande aspiração que inspirou o seu
nascimen-to. Com todas as insuficiências que tenha
to. Com todas as insuficiências que tenha
apre-sentado, a imprensa, mais do que qualquer
sentado, a imprensa, mais do que qualquer
outro sistema do País, incluído o de educação
outro sistema do País, incluído o de educação
formal, foi a plasmadora dos avanços que,
formal, foi a plasmadora dos avanços que,
como nação, temos alcançado em
como nação, temos alcançado em
progresso material e espiritual.
progresso material e espiritual.
Nessa missão desempenhada
Nessa missão desempenhada
pela imprensa foi fundamental
pela imprensa foi fundamental
a colaboração oferecida por
a colaboração oferecida por char-
char-gistas e caricaturistas que
gistas e caricaturistas que
ocupa-ram suas páginas. Eles revelaocupa-ram
ram suas páginas. Eles revelaram
um vigor crítico que alcançou
um vigor crítico que alcançou
di-mensão especial a partir do
mensão especial a partir do
tra-balho de Ângelo Agostini, no
balho de Ângelo Agostini, no
século XIX; da arte e da
século XIX; da arte e da
sensibi-lidade de J. Carlos e seus
lidade de J. Carlos e seus
contem-porâneos, nas primeiras décadas
porâneos, nas primeiras décadas
e na primeira metade do século
e na primeira metade do século
XX; de quantos lhes sucederam
XX; de quantos lhes sucederam
nas décadas seguintes, quando a
nas décadas seguintes, quando a
imprensa ultrapassou a fase artesanal e
imprensa ultrapassou a fase artesanal e
ga-nhou perfil empresarial, até aos dias
nhou perfil empresarial, até aos dias
presen-tes. Ao celebrar esses criadores, esta edição
tes. Ao celebrar esses criadores, esta edição
faz justiça aos responsáveis por criações que
faz justiça aos responsáveis por criações que
integram o que de melhor se fez e se faz entre
integram o que de melhor se fez e se faz entre
nós com arte e consciência.
nós com arte e consciência.
Jornal
Jornal
da
da
AB
AB
I
I
Associação Brasileira de Imprensa
Associação Brasileira de Imprensa
DIRET
DIRETORIA – ORIA – MANDATMANDATO 20O 2007/07/20102010
Presidente:
Presidente:Maurício AzêdoMaurício Azêdo
Vice-Presidente:
Vice-Presidente:Audálio DantasAudálio Dantas
Diretor Administrativo:
Diretor Administrativo:EsEstanislau Alves de Olitanislau Alves de Oliveiraveira
Diretor Econômico-Financeiro:
Diretor Econômico-Financeiro:Domingos MeirellesDomingos Meirelles
Diretor de Cultura e Lazer:
Diretor de Cultura e Lazer:Jesus ChediakJesus Chediak
Diretor
Diretor de Assistêncde Assistência Social:ia Social:Paulo Jerônimo dPaulo Jerônimo de Sousa (Pajê)e Sousa (Pajê)
Diretor de
Diretor de JJornalismo:ornalismo:Benício MedeirosBenício Medeiros
CONSELHO CON
CONSELHO CONSULSULTIVOTIVO
Chico Caruso, Ferreira Gullar, José Aparecido de Oliveira (in memorian),
Chico Caruso, Ferreira Gullar, José Aparecido de Oliveira (in memorian),
Miro
Miro TTeixeira, Teixeira, Teixeira Heizer, Ziraldo e eixeira Heizer, Ziraldo e Zuenir Ventura.Zuenir Ventura.
CONSELHO FISCAL
CONSELHO FISCAL
Luiz Carlos de Oliveira Chesther, Presidente; Argemiro
Luiz Carlos de Oliveira Chesther, Presidente; Argemiro Lopes doLopes do
Nascimento, Secretário; Arthur
Nascimento, Secretário; Arthur Auto Nery Cabral, Geraldo Pereira dosAuto Nery Cabral, Geraldo Pereira dos
Sa
Santos, Jorge Santos, Jorge Saldanha e ldanha e Manolo Manolo Epelbaum.Epelbaum.
CONSELHO DELIBERATIVO (2007-2008)
CONSELHO DELIBERATIVO (2007-2008)
Presidente: Fernando Barbosa Lima
Presidente: Fernando Barbosa Lima
1º Secretário: Lênin Novaes
1º Secretário: Lênin Novaes
2º Secretário: Zilmar
2º Secretário: Zilmar Borges BasBorges Basílioílio
Conselheiros efetivos (2005-2008)
Conselheiros efetivos (2005-2008)
Alberto Din
Alberto Dines, Aes, Amicucci Gallo, Ana Maria Costábile,micucci Gallo, Ana Maria Costábile,
Araquém Mo
Araquém Moura Rouliex, Arthur José Poerner, Audálio Dantas,ura Rouliex, Arthur José Poerner, Audálio Dantas,
Carlos Arthur Pitomb
Carlos Arthur Pitombeira, Conrado Pereira (eira, Conrado Pereira (in memoriam in memoriam ),),
Ely Moreira, Fernando Barbosa Lima, Joseti Marques, Mário Barata (
Ely Moreira, Fernando Barbosa Lima, Joseti Marques, Mário Barata (in in
memorian
memorian ), Maurício Azêdo, Milt), Maurício Azêdo, Milton Coelho da Graça e Ron Coelho da Graça e Ricardo Kotscho.icardo Kotscho.
Conselheiros efetivos (2006-2009)
Conselheiros efetivos (2006-2009)
Antônio
Antônio Roberto Salgado da Cunha, Arnaldo César Ricci JRoberto Salgado da Cunha, Arnaldo César Ricci Jacob,acob,
Arthur Cantalice, Aziz Ahmed,
Arthur Cantalice, Aziz Ahmed, CecíCecília Costa, Domilia Costa, Domingos Augusto Xistongos Augusto Xisto
da Cunha, Domin
da Cunha, Domingos Meirelles, Fernando Seggos Meirelles, Fernando Segismundismundo, Glória Suelyo, Glória Suely
Alvarez Ca
Alvarez Campos, Helompos, Heloneida Studart, neida Studart, JJorge Miorge Miranda Jordão,randa Jordão,
Lênin Novaes de Araújo, Márcia Guimarães, Nacif Elias Hidd Sobrinho
Lênin Novaes de Araújo, Márcia Guimarães, Nacif Elias Hidd Sobrinho
e Pery de Araújo Cotta.
e Pery de Araújo Cotta.
Conselheiros efetivos (2007-2010)
Conselheiros efetivos (2007-2010)
Artur da Távola, Carlos Rodrigues, Estanislau Alves de Oliveira, Fernando
Artur da Távola, Carlos Rodrigues, Estanislau Alves de Oliveira, Fernando
Foch, Flávio Tavares, F
Foch, Flávio Tavares, Fritz ritz Utzeri, Jesus ChediUtzeri, Jesus Chediak, José Gomes Talarico, Joséak, José Gomes Talarico, José
Rezende Neto, Marcelo Tognozzi, Mário Augusto Jakobskind, Orpheu
Rezende Neto, Marcelo Tognozzi, Mário Augusto Jakobskind, Orpheu
Salles, Paulo Jerônimo de Sousa, Sérgio Cabral e Terezinha Santos.
Salles, Paulo Jerônimo de Sousa, Sérgio Cabral e Terezinha Santos.
Cons
Conselheiros suplentes elheiros suplentes (2005(2005-200-2008)8)
Anísio Félix dos S
Anísio Félix dos Santos (iantos (in memn memoriam)oriam), E, Edgard Catoira, Fdgard Catoira, Franciscorancisco
Paula Freitas, Geraldo Lopes (in memoriam), Itamar Guerreiro,
Paula Freitas, Geraldo Lopes (in memoriam), Itamar Guerreiro,
Jarbas Domingos Vaz, José Amaral Argolo, José Pereira da Silva,
Jarbas Domingos Vaz, José Amaral Argolo, José Pereira da Silva,
Lêda Acquarone, Manolo Epelbaum, Maria do
Lêda Acquarone, Manolo Epelbaum, Maria do Perpétuo Socorro Vitarelli,Perpétuo Socorro Vitarelli,
Pedro do Coutto, Sidney Rezende, Sílvio Paixão e Wilson S. J. Magalhães.
Pedro do Coutto, Sidney Rezende, Sílvio Paixão e Wilson S. J. Magalhães.
Cons
Conselheiros suplentes elheiros suplentes (2006(2006-200-2009)9)
Antônio
Antônio Avellar, Antônio Calegari, AAvellar, Antônio Calegari, Antônintônio Carlos Austregéso Carlos Austregésiloilo
de Athayde, Antôni
de Athayde, Antônio Henriqo Henrique Lago, Caue Lago, Carlos Eduard Rzezarlos Eduard Rzezak Ulupk Ulup,,
Es
Estanislau Alves de tanislau Alves de Oliveira, HildOliveira, Hildeberto Lopes Alelueberto Lopes Aleluia, Jorge Fia, Jorge Freitas,reitas,
Luiz Ca
Luiz Carlos Bittencourlos Bittencourt, Marco Aurélio Barrandon rt, Marco Aurélio Barrandon Guimarães,Guimarães,
Marcus Miranda, Mauro dos Santos Viana, Oséas de Carvalho,
Marcus Miranda, Mauro dos Santos Viana, Oséas de Carvalho,
Rogério Marques Gomes e
Rogério Marques Gomes e YYeda Octaviano de eda Octaviano de Souza.Souza.
Cons
Conselheiros suplentes elheiros suplentes (2007(2007-201-2010)0)
Adalberto Diniz, André Moreau Louzeiro, Arcírio Gouvêa Neto, Benício
Adalberto Diniz, André Moreau Louzeiro, Arcírio Gouvêa Neto, Benício
Medeiros, Germando
Medeiros, Germando de Oliveira Gonçalves, Ilma Martde Oliveira Gonçalves, Ilma Martins da Silva, Jins da Silva, Joséosé
Silvestre Gorgulho, Luarlindo
Silvestre Gorgulho, Luarlindo Ernesto, Luiz SErnesto, Luiz Sérgio Caldieri, Marceu érgio Caldieri, Marceu Vieira,Vieira,
Maurício Cândido
Maurício Cândido FeFerreira, Yacy Nunes e Zilmar rreira, Yacy Nunes e Zilmar Borges Basílio.Borges Basílio.
COMISSÃO DE SINDICÂNCIA
COMISSÃO DE SINDICÂNCIA
Ely Moreira, Presidente; Carlos di Paola, Jarbas Domingos Vaz,
Ely Moreira, Presidente; Carlos di Paola, Jarbas Domingos Vaz,
Maria Ignez Duque Estrada Bastos e Maurílio Cândido Ferreira.
Maria Ignez Duque Estrada Bastos e Maurílio Cândido Ferreira.
COMISSÃO DE ÉTICA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
COMISSÃO DE ÉTICA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Alberto
Alberto Dines, Artur José Poerner, Cícero SaDines, Artur José Poerner, Cícero Sandronindroni, Ivan Alves Filho, Ivan Alves Filho
e Paulo Totti.
e Paulo Totti.
COMISSÃO DE LIBERDADE DE IM
COMISSÃO DE LIBERDADE DE IMPREPRENSA E DIREITOS HUMANOSNSA E DIREITOS HUMANOS
Audálio Dantas, Presidente; Arthur
Audálio Dantas, Presidente; Arthur Cantalice, SCantalice, Secretário; Arcírio Gouvêaecretário; Arcírio Gouvêa
Neto, Daniel d
Neto, Daniel de Case Castro, Germando tro, Germando Oliveira Gonçalves,Oliveira Gonçalves,
Gilberto
Gilberto Magalhães, LMagalhães, Lucy Mary Carneiro, Maria Cecília Ribas Carneiro,ucy Mary Carneiro, Maria Cecília Ribas Carneiro,
Mário Augusto Jakobskind, Martha Arruda de Paiva, Orpheu Santos
Mário Augusto Jakobskind, Martha Arruda de Paiva, Orpheu Santos
Salles, Wilson de Carvalho, Wilson S. J. Magalhães e Yaci Nunes.
Salles, Wilson de Carvalho, Wilson S. J. Magalhães e Yaci Nunes.
Esta edição foi finalizada e impressa na segunda quinzena de dezembro de 2007, quando começou a circular nacionalmente.
Esta edição foi finalizada e impressa na segunda quinzena de dezembro de 2007, quando começou a circular nacionalmente.
Rua Araújo Porto Alegre, 71, 7º and
Rua Araújo Porto Alegre, 71, 7º andarar
T
Telefone: (21) 2220-3222/elefone: (21) 2220-3222/2282-1292 2282-1292 Cep: Cep: 20.030-01220.030-012
Rio de J
Rio de Janeiro - RJ(janeiro - RJ([email protected])[email protected])
Editores:
Editores:FraFrancisco Ucha, Maurício ncisco Ucha, Maurício Azêdo e Otacílio Azêdo e Otacílio D’AsD’Assunção.sunção.
Textos:
Textos:Carlos Amorim, Isabel Lustosa, Luís PCarlos Amorim, Isabel Lustosa, Luís Pimentimentel, Nani,el, Nani,
Octávio Aragão, Tárik de
Octávio Aragão, Tárik de SouzaSouza
Projeto gráfico, diagramação
Projeto gráfico, diagramação
e
eeditoração eletrônica:editoração eletrônica:Francisco UchaFrancisco Ucha
Apoio à produção editorial:
Apoio à produção editorial:Ana Paula Aguiar,Ana Paula Aguiar,
Fernando Luiz Baptista Martins, Guilherme Povill
Fernando Luiz Baptista Martins, Guilherme Povill Vianna.Vianna.
Diretor
Diretor responsresponsável:ável:Maurício AzêdoMaurício Azêdo
Impressão:
Impressão:Taiga Gráfica Editora LtdaTaiga Gráfica Editora Ltda
Avenida Dr. Albert
Avenida Dr. Alberto Jao Jackson Byington, 1808 Osasco, SPckson Byington, 1808 Osasco, SP
(11) 3693-8027
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As reportagens e artigos assinados não refletem
As reportagens e artigos assinados não refletem
necessariamente a opinião do
necessariamente a opinião doJornal da ABIJornal da ABI..
ARTE & CONSCIÊNCIA
ARTE & CONSCIÊNCIA
À direita, charge de Angeli para a
À direita, charge de Angeli para a FFolha olha dede
S.Paulo
S.Paulo; abaixo, o humor d; abaixo, o humor de Luse Luscar no car no PasquimPasquim; ;
embaixo, caricatura de Fernando Henrique , por
embaixo, caricatura de Fernando Henrique , por
P
Paulo aulo CarusCaruso, publicada o, publicada no Bar Brasil da no Bar Brasil da revista revista
IstoÉ
3
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Jornal da ABI
Jornal da ABI
Jornal da ABI
Jornal da ABIJornal da ABIJornal da ABI
Jornal da ABI
Jornal da ABI
Jornal da ABI 322
Jornal da ABI 322Outubro de 2007Outubro de 2007
A CARICATURA BRASILEIRA
A CARICATURA BRASILEIRA
170 ANOS ZOMBANDO
170 ANOS ZOMBANDO
DOS PODEROSOS
DOS PODEROSOS
A
A
CAMPAINHA
CAMPAINHA
E
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O
O
CUJO
CUJO
Em setembro de 1837, Diogo Antônio Feijó renunciava ao seu desacreditado mandato como primeiro
Em setembro de 1837, Diogo Antônio Feijó renunciava ao seu desacreditado mandato como primeiro
Regente Uno do Império. Eram tempos difíceis e o País estava mergulhado numa crise com um Imperador
Regente Uno do Império. Eram tempos difíceis e o País estava mergulhado numa crise com um Imperador
ainda criança e sinais de revolta que se espalhavam pelas províncias. Mas, apenas três meses depois de sua
ainda criança e sinais de revolta que se espalhavam pelas províncias. Mas, apenas três meses depois de sua
renúncia, uma novidade chegaria ao Império para espelhar as mazelas políticas do País. Em dezembro, o
renúncia, uma novidade chegaria ao Império para espelhar as mazelas políticas do País. Em dezembro, o
Jornal do Commercio
Jornal do Commercio
do Rio de Janeiro – que acabara de completar 10 anos de existência em outubro –
do Rio de Janeiro – que acabara de completar 10 anos de existência em outubro –
inovaria ao publicar pela primeira vez no Brasil “uma Nova Invenção Artística, gravada sobre magnífico papel,
inovaria ao publicar pela primeira vez no Brasil “uma Nova Invenção Artística, gravada sobre magnífico papel,
represe
represe
ntando uma admi
ntando uma admi
rável ce
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na brasileira”
na brasileira”
, conforme foi
, conforme foi
publicado em exultante editorial
publicado em exultante editorial
daquela ediç
daquela ediç
ão.
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A novidade era o desenho de Araújo Porto-Alegre que satirizava um destacado político da época (
A novidade era o desenho de Araújo Porto-Alegre que satirizava um destacado político da época (
imagem
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acima
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). “A bela invenção das caricaturas” finalmente chegava aos leitores dos jornais brasileiros e sua fama só
). “A bela invenção das caricaturas” finalmente chegava aos leitores dos jornais brasileiros e sua fama só
fez crescer, desde então. Esta Edição Especial do
fez crescer, desde então. Esta Edição Especial do
Jornal da ABI
Jornal da ABI
comemora os 170 anos de caricaturas e charges
comemora os 170 anos de caricaturas e charges
no Brasil. Selecionamos trabalhos de alguns dos mais destacados artistas que desenharam a História do Brasil.
Gaúcho de Rio Pardo, Manuel de Araújo Porto-Alegre nasceu em 1806 e veio aos dezoito anos para o Rio, onde cursou a Escola Militar. Fasci-nado pelos desenhos de Debret, de quem foi aluno, e de outros artistas da época, interessou-se pela pintura e já no início da década de 1830 suas obras eram conhecidas na Corte.
Em 1837 produziu o que é reco-nhecido como a primeira caricatura brasileira: A campainha e o cujo, lito-grafia com o desenho de um notável da Corte recebendo suborno. Como as caricaturas ainda não haviam che-gado aos periódicos, elas eram vendi-das de maneira avulsa nas ruas da então capital do Império.
A chegada desses desenhos à im-prensa só aconteceu sete anos mais tarde, graças ao próprio Araújo Por-to-Alegre, também pioneiro na his-tória da caricatura da imprensa bra-sileira: foi ele que lançou a Lanterna Mágica,”periódico plástico-filosófi-co”, cujos 23 números circularam entre 1844 e 1845. Não foi o
primei-O PIprimei-ONEIRISMprimei-O DE
ARAÚJO PORTO-ALEGRE
HENRIQUE FLEUISS, A SEMANA ILLUSTRADA
E O ADVENTO DA CARICATURA POLÍTICA
POROCTAVIOARAGÃO
Quando o alemão Henrique Fleuiss inaugu-rou, no Rio de Janeiro, a revista Semana Ilustra- da (1860/1876), provavelmente não fazia idéia de que estava iniciando um estilo de publicação até então inexistente no Brasil. Fleuiss criou não apenas o formato que todas as revistas seme-lhantes seguiriam como também inovou ao in-troduzir um personagem central que comenta-va as notícias na capa da revista: o Dr. Semana. Sempre acompanhado por um menino negro com quem contracenava, o Dr Semana logo
caiu no gosto popular.
Outro grande ponto a favor da Semana Illustradafoi a constante publicação de cari-caturas de personalidades em suas páginas, geralmente inseridas num contexto crítico ou ridículo. Apesar de não ser o primeiro a efetivamente publicar esse tipo de trabalho no Brasil, Henrique Fleuiss o fez com uma regularidade ímpar, num veículo de bom alcance e com periodicidade inconteste. Informado a respeito dos últimos sucessos europeus em termos de ilustrações, no afã de
al-O
QUEDEVERIAFAZERAHUMANIDADE
ro dos vários periódicos que lançou, mas foi o primeiro ilustrado com ca-ricaturas.
Além de ser o pioneiro da carica-tura no Brasil, que em 2008 comple-ta 171 anos de existência, Araújo foi muito mais: poeta, arquiteto, urba-nista, teatrólogo, professor de dese-nho, crítico e historiador de arte, ve-reador, diplomata e patrono da cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Le-trás. Acabou virando nome de rua, por coincidência a mesma onde fica a sede da ABI. Uma de suas filhas veio a tornar-se esposa do consagrado pin-tor Pedro Américo, que também era caricaturista ( veja desenho ao lado) e em 1874 recebeu do Imperador D. Pe-dro II o título de Barão de Santo Ân-gelo. Faleceu em Lisboa, em 29 de de-zembro de 1879, no último degrau de sua carreira diplomática.
Embora não fosse excelente – é considerado apenas um caricaturista mediano –, foi ele quem abriu cami-nho na imprensa brasileira para uma arte que dura até hoje.
cançar popularidade, Fleuiss não hesitava em adaptar e até copiar caricaturas estrangeiras, para horror de seus colegas. Ângelo Agostini deu-se ao trabalho de desenhar uma página dupla – As Apoquentações do Dr Semana – satirizando a fal-ta de originalidade do colega, publicando-a na Vida Fluminense. Agostini subtitulou a saga do Dr Semana, como Desenho Para Crianças, Por Angelo (Que Não Copiou de Nenhum Jornal
Alle-mão) fazendo alusão direta ao gosto de Fleuiss pelas criações de Willhelm Busch, autor dos per-sonagens Max und Moritz (Juca e Chico).
Outro grande atrapalho para a continuidade daSemana Illustrada e de publicações subseqüen-tes, como a Ilustração Brasileira (1876-1878) e a Nova Semana Ilustrada, em 1881 , foi sua incon-testável admiração pela figura do Imperador Pe-dro II, a quem defendia sob qualquer circunstân-cia. Com a queda da apreciação do Imperador no gosto popular, Fleuiss entrou em ostracismo, jamais retomando a popularidade dos primeiros números da Semana Illustrada, mas não sem an-tes ter aberto uma senda por onde passariam to-dos os outros grandes ilustradores, chargistas e protocartunistas brasileiros do fim do século XIX.
Um dos mais importantes pintores brasileiros, autor do famoso quadro Independência ou Morte , que mostra o momento em que, às margens do Rio Ipiranga, D. Pedro I proclama a independência do Brasil, também foi um exímio caricaturista. O paraibano PEDROAMÉRICOpublicou seus desenhos na revista A Comédia Social , que ele dirigiu
entre 1870 e 71. A ilustração acima saiu na edição de 29 de setembro e mostra os três protagonistas dos acontecimentos que culminaram com a Guerra Franco-Prussiana de 1870 – Bismarck, Guilherme I e Napoleão III –, e uma frase que não deixa dúvidas ao que deveria acontecer com os promotores da guerra.
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Jornal da ABI Jornal da ABIJornal da ABI Jornal da ABI
Jornal da ABI 322 Outubro de 2007
Os primeiros anos de vida daquele que é considerado como o primeiro qua-drinista do Brasil são difíceis de situar, pois os fatos conhecidos são os mais básicos possíveis. Segundo Herman Lima, “esse meridional do Piemonte, nascido em Farcelle – Itália – , a 8 de abril de 1843, neto materno de uma senhora parisiense, tendo passado a infância e a adolescência em Paris, onde estudou pintura, aportara ao Brasil, com a famí-lia, em 1859”.
Antônio Pedro Marques de Almeida, padrasto de Agostini, foi o responsável pela iniciação do enteado nas artes grá-ficas e no jornalismo. Como proprietá-rio da revista A Vida Fluminense, Almei-da abrigou em sua publicação a série ilus-trada que poderia ser chamada de histó-ria em quadrinhos: As Aventuras de Nhô Quim, Ou Impressões de Uma Viagem à Corte, de Agostini.
Originariamente residindo no Rio de Janeiro, Agostini logo mudou-se para São Paulo, onde, em 1864, inauguraria aquele que é considerado o primeiro dos jornais ilustrados da cidade: O Diabo Coxo (1864-65), baseado nas publicações européias de cunho artístico, tais como, a Le Charivari francesa e a Semana
Illus-POROCTAVIOARAGÃO
ÂNGELO AGOSTINI, ABOLICIONISMO E
CRÍTICA SOCIAL NA VIRADA DO SÉCULO
trada, de Henrique Fleuiss. Essas revis-tas foram celeiro e campo de trabalho de uma geração de artistas ansiosos por experimentar todas as técnicas gráficas e narrativas visuais que viam em publi-cações alemãs, francesas e holandesas.
Segundo o Correio Paulistano de 9 de outubro de 1864, “o Diabo Côxo aparece em forma de jornal e promete não cair (pelo seu primeiro número) na enchar-cada vereda dos pasquins. Ainda bem, já é um progresso para a nossa terra pos-suir uma folha do gosto da Semana Illus-trada, uma folha dedicada à caricatura, ao gracejo digno e comedido”.
Se Ângelo Agostini gostou da com-paração à publicação de Henrique Fleuiss, não se sabe. Mas, sem sombra de dúvida, havia um abismo de inten-ções a separar as duas revistas. O que Fleuiss tinha de doce ironia, Agostini tinha de agressivo e ferino.
Com apenas oito páginas e medin-do 18 centímetros de largura por 26 centímetros de altura, consistia de quatro páginas de textos e quatro de desenhos inaugurando o formato que todas as outras publicações de Ângelo Agostini seguiriam até o D. Quixote, de 1895.
Nada nem ninguém escapava da visão crítica de Agostini ou de
Em apenas um ano de existência, o semanário tratou de assuntos dos mais variados, desde a Guerra do Paraguai até acontecimentos prosaicos do dia-a-dia paulistanos sempre com o humor áci-do, o que fez do jornal alvo de seus ad-versários políticos, que depredaram a redação diversas vezes.
Perseguido por inúmeros inimigos que o ameaçavam com processos de in-júria e até de ameaças físicas, Ân-gelo Agostini fechou as por-tas do Cabrião em 29 de se-tembro de 1867, já ilustrado por outro artista, após sofrer uma vergonhosa invasão na redação do periódico. Diante da violência de seus detratores, o artista mudou-se de São Paulo para nunca mais voltar, e retor-nou para o Rio de Janeiro. Mas isso não significava que sua guer-ra pessoal contguer-ra a intolerância es-tava terminada.
Graças às suas boas relações no meio, menos de um mês depois de sua mudança, o artista volta a apa-recer com suas caricaturas na pági-nas de O Arlequim, em 26 de outubro de 1867. Logo depois seus trabalhos seriam publicados no Mosquito e, em seguida, na Vida Fluminense. De 1867 seus colaboradores. Com o fim do Diabo
Côxo em 31 de dezembro de 1865, o du-blê de jornalista e ilustrador partiu para a confecção do Cabrião, lançado em 30 de setembro de 1866, periódico humorís-tico impresso na Tipografia Imparcial, de Joaquim Roberto de Azevedo Marques, fundador do Correio Paulistano.
RAFAEL BORDALO
PINHEIRO, O NÊMESIS
De origem portuguesa, esse talento-so ilustrador boêmio foi protagonista de um famoso duelo com Ângelo Agosti-ni nas páginas das revistas Psit! (de sua propriedade) e Revista Illustrada (de Ângelo Agostini). Originalmente bons amigos, a animosidade logo cresceu entre esses exímios ilustradores a pon-to de promoverem um verdadeiro com-a 1876, Agostini prepcom-arou-se pcom-arcom-a com- aque-la que seria sua publicação mais famosa e que marcaria o auge de sua carreira, a Revista Illustrada, e o panorama sócio-cultural que se desfraldava na cidade do Rio de Janeiro não poderia ser mais pro-pício para os desenhos ferinos do mestre. No início de 1871, as críticas a Dom Pedro deixaram de ser exceção e passa-ram a regra. Prenúncio de um triste fim para aquele que já foi retratado ao lado da Rainha Vitória da Inglaterra como um dos Soberanos do Mundo. Ironica-mente, tanto Ângelo Agostini quanto
o imperador, seu alvo preferido, exila-ram-se na Europa logo depois do fim do Império. O primeiro, mais uma vez pres-sionado por ameaças, viajou para Paris, em 1888; e o segundo optou por se tor-nar um itinerante na Europa, um cida-dão Pedro de Alcântara ,vivendo às cus-tas dos amigos, ansioso para deixar para trás as responsabilidades e os críticos.
Logo após a virada do século, em 1903, já de volta ao Brasil, o veterano artista trabalhou para a Gazeta de Notí-cias; no ano de 1905, transferiu-se para O Malhopara cuidar de uma página de notícias internacionais – que muitas vezes era ilustrada em quadrinhos – e, logo em seguida, em 11 de outubro de 1905, testemunhou o lançamento de O Tico-tico pela mesma empresa.
Em 22 de janeiro de 1910, foi visto caminhando pelas ruas do Rio, passan-do em frente ao jornal O Paiz e inpassan-do em direção ao Jornal do Commércio, para uma reunião de antigos abolicionistas, de luto pelo passamento de Joaquim Nabuco, em Washington.
No dia seguinte, com a neta Laura Al-vim nos braços, Ângelo Agostini faleceu.
Num campo onde 99% são ho-mens, mulheres sempre chamam a atenção. Nair de Teffé (1886-1981) foi a primeira-dama da caricatura brasi-leira. Nem tanto pela qualidade – con-siderada por alguns discutível – mas por ter sido a primeira mulher carica-turista brasileira e também... a primei-ra-dama da República. Nair foi casa-da com o Marechal Hermes casa-da Fonse-ca, que governou o País entre 1910 e 1914. Hermes, que ficou viúvo logo que assumiu a presidência, logo co-nheceu e se casou com Nair de Teffé, 30 anos mais jovem do que ele. Foi quando ela interrompeu a carreira de caricaturista iniciada em 1909 na re-vista Fon-Fon, e que continuou em pe-riódicos como Careta e O Malho e até em revistas francesas, onde usava o pseudônimo Rian (Nair ao contrário). Ela sempre será mais lembrada como a primeira-dama que revolucio-nou o Palácio do Catete: foi lá que que-brou as regras convidando Chiquinha
bate impresso que durou, com interreg-nos, de 22 de setembro de 1877 a 21 de dezembro de 1878, com a aparente de-sistência de Bordalo, que fechou a revis-ta O Besouro quatro meses depois.
A carreira de Bordalo, porém, não começara com suas publicações brasilei-ras (O Mosquito, O Besouro e Psit!). Ele só chegou ao Brasil em 1875, mas em Portugal desenhou e escreveu sé-ries ilustradas que o fariam ser considerado como um dos maio-res expoentes da caricatura e arte seqüencial daquele país.
No trabalho de Bordalo, a viru-lência e a exceviru-lência gráfica cami-nham de mãos dadas, como pode-mos comprovar numa página do Besouro, na qual, respondendo a uma piada de Ângelo Agostini, o artista desenha o colega em rou-pas de engraxate no canto da man-cha gráfica, como que sendo ex-pulso da página por um enorme besouro, símbolo da publicação ( ao lado). Como resposta, Agosti-ni costumava recortar desenhos do rival e reimprimí-los alterados ou com intervenções de próprio punho nas páginas da Revista Illustrada. Tais recursos metalin-güísticos foram amplamente uti-lizados nos anos seguintes, mas ainda eram relativamente raros na época em que Bordalo e Agostini
duelavam. (Octavio Aragão) atacavam com virulência em seus desenhos. Neste, Bordalo expulsa Agostini da faixa de impressão.A prin cípio amigos, Bordalo Pinheiro e Ângelo Agostini tornara m-se inimi gos ferozes, que se
A PRIMEIRA-DAMA
DA CARICATURA
Gonzaga para tocar o Cor-ta-Jacanum sarau em 1914 – fato que rendeu um es-cândalo, pois a oposição (leia-se Rui Barbosa) não perdoou o atrevimento de quebrar o protocolo da residência oficial do primeiro
manda-tário da República, onde “se de-veria dar o exemplo das manei-ras mais distintas e dos costu-mes mais reservados”. Numa época em que os salões da elite só tocavam valsas, maxixe era um escândalo.
Deprimida com a perseguição ao Ma-rechal, que ficou seis meses preso em decorrência de seu envolvimento no
episódio dos 18 do Forte, em 1922, e veio a falecer doente alguns meses depois de ser solto, em 1923, Nair não encontrou forças para voltar plena-mente à caricatura, apesar de ter pu-blicado ainda mais alguns trabalhos a partir de 1926. Ela viveu até os 95 anos. Faleceu em 1981.
O poeta Afonso Celso retratado pelo traço de Nair d e Teffé, ou Rian.
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Raul Paranhos Pederneiras foi um brasileiro maior. Dizem que não existiu, em sua época, alguém mais popular na Capital Federal do que ele. Era o mais velho da tríade composta por ele, K.Lix-to Cordeiro e J. Carlos, considerados os maiores caricaturistas da primeira me-tade do Século 20 que enfeitaram as pá-ginas das principais revistas humorísti-cas da época e circularam com elegân-cia pelas ruas do Rio de Janeiro.
Intelectual de prestígio, nasceu no Rio de Janeiro no ano da graça de 1874. Multitarefa, foi pintor, escultor, compo-sitor e poeta; no teatro, foi figurinista e cenógrafo, autor de diversas revistas teatrais e fundador da Sociedade Brasi-leira de Autores Teatrais–Sbat; profes-sor, lecionou Anatomia e Fisiologia Ar-tística na Escola Nacional de Belas-Ar-tes e Direito Interacional na Faculdade de Direito da antiga Universidade do Brasil (UNB).
Mas Raul é mais conhecido por sua extensa atividade jornalística. Em mais de meio século de atuação, passou por publicações importantes como O Paiz, Correio da Manhã, O Globo, Jornal do Brasil e Revista da Semana. Ele foi um dos primeiros sócios da ABI e ocupou a presidência da Casa em duas ocasiões. Vice na gestão de Belisário de Souza, assumiu a presidência quando este
re-RAUL, O PRESIDENTE CARICATURISTA
nunciou, quatro meses antes do térmi-no de seu segundo mandato, em 1916; concorreu e foi eleito Presidente para o mandato de 1916-1917 e voltou depois para uma nova gestão, de 1920 a 1926, passando a seguir o cargo para Barbosa Lima Sobrinho (cuja primeira gestão foi de 1926 a 1927).
A caricatura lhe trouxe ainda mais notoriedade. Seu primeiro desenho foi publicado em 1898 em O Mercúrio, que por ser totalmente colorido era uma revolução para a época. Depois sua fama só fez aumentar com a publicação de seus trabalhos em periódicos como O Tagarela, D. Quixote, Fon-Fon e O Malho. E não só esses. Ele emprestava seu traço a qualquer publicação humorística nova que surgisse.
Entre suas criações de mais sucesso estavam as Cenas da Vida Carioca – sá-tiras aos usos e costumes da classe mé-dia de então – e os Onomatogramas – re-presentações gráficas de nomes. Estes conquistaram aplausos até no exterior. Querido por todos, principalmente pela classe média, seu principal público, tratava de tudo com tanta elegância que jamais ganhou um desafeto por causa de suas charges políticas. Só pegava pe-sado contra a emancipação feminina – em muitas de suas caricaturas batia na tecla da falta de aptidão da mulher para
outras atividades que não as domésticas. Quanto aos ambientes que freqüen-tava, trocava a alta burguesia pela boe-mia carioca, junto de figuras importan-tes da época, como Lima Barreto, Olavo Bilac e, é claro, seu inseparável compa-nheiro de traço K.Lixto Cordeiro.
Raul encerrou a carreira em 1948, com a saúde debilitada. Morreu em 1953, aos 78 anos, deixando saudades.
Uma foto hi stórica com refinado elenco de jorn alistas das primeiras décadas do século passado. No centro da p rimeira fila, Raul Pederneiras, Presidente da ABI em 1916 -17 e 1920 -26.
Ao lado de J. Carlos, Raul Pedernei ras e K.Lixto compunha m a grande trindade do desenho e d a charge no começo do século XX. Aqui Raul e K.Lixto são retratados com humor qu e ressalta suas diferenças.
Auto-retrato d e Raul Pederneiras
Ele foi o caricaturista mais impor-tante de seu tempo. Sua obra tem sido resgatada graças aos esforços de pesqui-sadores obstinados, como o também caricaturista Cássio Loredano, mas há muito que pesquisar, pois sua produção de desenhos chega à casa dos seis dígi-tos, em seus quase 50 anos de carreira.
José Carlos de Britto e Cunha nasceu no bairro de Botafogo no Rio de Janei-ro, então Capital Federal, em 18 de ju-nho de 1884. Ainda bem jovem, foi apa-drinhado por Raul Pedeneiras e K. Lixto Cordeiro, que lhe abriram seu primeiro espaço na imprensa, em 1902, em O Tagarela. A partir daí não parou mais e superou todos os seus colegas, tanto em popularidade como em perfeição do tra-ço. Participou de todas as publicações importantes da época, como O Cruzei-ro, Fon-Fon, Paratodos, O Malho e Care-ta, e fez até mesmo histórias em quadri-nhos: em O Tico-Tico, criou Lamparina, Jujuba, Carrapicho e Goiabada (assina-do como Nicoláo).
Em 1922, assumiu a direção de arte de O Malho e O Tico-Tico, quando a
J. CARLOS, O PAI DE TODOS
empresa passou por uma reforma. Poucos anos depois, construiu a casa na qual moraria por quase 25 anos, numa rua no Jardim Botânico que hoje leva o seu nome.
Sua obra é uma crôni-ca visual da épocrôni-ca. Ele criou os tipos da melin-drosa e do almofadinha, que se tornaram recor-rentes em seus dese-nhos. Mais importante,
criou um estilo inconfundível, reconhe-cido imediatamente por qualquer um. Daí as encomendas incessantes de todas as publicações.
Suas capas são belíssimas e de design avançado para a época. Criava logoti-pos para as revistas, que se confundi-am com os desenhos e foi até publici-tário: manteve, por mais de dez anos, um estúdio de onde saíram alguns dos nossos mais belos cartazes de propagan-da, além da ilustração
de vários livros. Morreu no cum-primento do dever no dia 30 de setem-bro de 1950: estava na redação da Ca-reta, na Rua Frei Caneca, olhando as provas das capas das próximas revistas. Em outro canto, à sua espera estava o compo-sitor Braguinha, que ia lhe encomendar capas para seus discos infantis. De repente, J. Carlos teve um acidente vascular-ce-rebral-avc. Levado
ao hospital, não recobrou mais a consciência, falecendo dois dias depois, num sábado, 2 de outu-bro de 1950, véspera das elei-ções presidenciais. Por isso sua morte não teve tanta repercus-são imediata, pois o noticiário estava totalmente ocupado com a iminente eleição de Getúlio Var-gas e, como se temia que houves-se um quebra-quebra generaliza-do, seu enterro foi marcado para o mesmo dia.
Os amigos Raul, K. Lixto e Al-varus estavam presentes no enterro, mas o povo custou um pouco a perceber sua per-da, pois durante três sema-nas ainda foram publicadas capas suas na revista – as mes-mas que ele estava aprovan-do na Redação no dia 30. Sua última capa foi publicada no dia 21 de outubro na Careta núme-ro 2.208 e marcou o fim de uma época.
Sob este desenho de Getúlio Vargas, lê-se o seguinte texto: LÁ NO PALÁCIO DAS ÁGUIAS Para que a rame far pado, se é possível arranjar tudo com as hab ituai s cascas?
A caricatura de Raul Pederneiras ( à direita ) foi usada num selo comemorativo do Centenário de Nascimento do ex-presidente da ABI, em 1974. Acima, Lindolfo Collor. À esquerda um a de suas marcas registradas: a graça com que desenhava as mulh eres, suas meli ndrosas.
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J.Carlos fez traba lhos para as principais revistas da época: Fon Fon, Paratodos, Careta
e O Cruzeiro, revista que lançou e popularizou grandes nomes do traço brasileiro.
O artista costumava retratar, com fina ironia, problemas que pessoas comuns enfrentavam, como esta fila
Durante pelo menos 20 anos, nas dé-cadas de 1930 e 1940, um dos persona-gens mais populares no dia-a-dia dos paulistanos não era de carne e osso. Era uma figura de páginas impressas, mor-daz, gentil e defensor dos fracos. Era o
Ele fazia parte dos 3 Amigos da época: ao lado de Raul Peder-neiras e J. Carlos, K.Lixto foi o terceiro caricaturista mais im-portante da primeira metade do Século XX, com uma prolífica obra (calcula-se que tenha feito cerca de 150 mil desenhos). Sua carreira foi paralela aos outros dois, e a trinca era presença cons-tante em todas as publicações de humor da época.
O genial K. Lixto Cordeiro nasceu Calixto (com C) em 1877, em Niterói, RJ, mas logo que começou a publicar trocou o C e o A do seu nome por um K com ponto para compor o pseudô-nimo. Sua carreira também começou em 1898 no Mercúrio, al-guns dias depois da estréia de Raul. Seu primeiro desenho mos-trava um bêbado com um copo na mão, de pernas bambas, com a legenda: “Dizem que um copo de vinho dá força e conforto... e... mas eu já bebi uns 15, e nem me posso ter de pé”. Alguns anos depois, K. Lixto já dividia a direção artística de O Malho e Fon-Foncom Raul. Em agosto de 1908 lançou a revista O Degas, que apesar de ter durado menos de um ano é considerada uma das graficamente mais belas do gênero, no Brasil. E foi lá que K.Lixto fez alguns de seus melhores desenhos.
Também ajudou a fundar as revistas O Avança, O Tagarela e a própria O Malho. K.Lixto atuou ainda em dezenas de ou-tras revistas, entre elas Kosmos, O Cruzeiro, Careta e O Século. Além das caricaturas, K. Lixto também foi professor de de-senho, pintor, cartazista, poeta, teatrólogo, escritor e até pro-pagandista: ele é o criador dos clássicos anúncios de Bromil, Lugolina e Saúde da Mulher e dos slogans “seu dia chegará”, “insista, não desista” e “até que enfim” da Loteria Federal, onde trabalhou durante vinte anos.
K.LIXTO, ARTISTA COMPLETO
JUCA PATO, A CRIAÇÃO
IMORTAL DE BELMONTE
Juca Pato, criação imortal do jornalista, cartunista, chargista e caricaturista Bel-monte (Benedito Bastos Barreto, 1896-1947). Belmonte publicou seu primei-ro desenho em 1914, aos 17 anos, na re-vista Rio Branco e começou uma
promis-sora carreira colaborando para diversas publicações. Foi nas páginas da Folha da Noite (hoje Folha de S. Paulo), para a qual havia sido contratado como ilustrador, que criou sua imortal obra.
Juca Pato era careca, segundo o seu autor, de “tanto levar na cabeça”, e ado-tava o lema conformista “podia ser pior”, que virou bordão na cidade de São Paulo e atravessou fronteiras. Belmon-te também escrevia reportagens e ilus-trava livros. Durante a Segunda Guerra Mundial publicou charges que
corre-ram o mundo e teria despertado a ira do ministro da propaganda nazista. Dian-te de um desenho seu, ridicularizando os alemães, Goebbels teria desabafado: “Esse artista deve ter sido pago pelos ali-ados ingleses e norte-americanos”.
Juca Pato hoje é nome de prêmio li-terário, conferido anualmente pela União Brasileira de Escritores ao inte-lectual do ano. Já foi conferido, entre outros, a Érico Veríssimo, Cassiano Ri-cardo, Alceu Amoroso Lima e Jorge Amado.
Juca Pato segue Getúlio Vargas depois que o Brasil declara guerra à Alemanha de Hitler.
Truman e Stalin brin cam com fogo em charge publicada em setembro de 1946 Autocaricatura de
K.Lixto invisível. À direita, primeira página de D.Quixote
com desenho de sua autoria.
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Nascido em 27 de dezembro de 1904, no então Distrito Federal, Álvaro Cotrim pu-blicou seu primeiro boneco no pequeno jornal clandestino A Bola, de quatro pági-nas, em 1923. A partir de 1925 começou a publicar profissionalmente em A Pátria. De-pois, não parou mais: A Noite, A Manhã, A Platéia, Diário de Notícias, O Radical, A Maçã, Shimmy e muitos outros
jornais e revistas do Brasil e do ex-terior tiveram o privilégio de con-tar com o traço refinado e o humor sutil de Alvarus.
Influenciado pelo paraguaio Guevara, o me-xicano Figueroa e os argentinos Valdivia e Alva-rez, ele ajudou a arejar a caricatura brasileira, nessa época ainda presa à sua irmã francesa. Apesar de cul-tor declarado de Daumier e Charles Leandré, Alva-rus se inspirava no grande J.Carlos: “Sou e sempre fui seu admirador impenitente” – declarou certa vez. Estudioso e autor de numerosas crônicas, ensai-os e palestras sobre o trabalho densai-os cartunistas, pensai-os- pos-suía provavelmente uma das mais completas bibli-otecas especializadas sobre o tema no mundo. In-clui-se aí também uma riquíssima coleção de ori-ginais de Daumier, Charles Leandré, Willete, Ga-varni, Sem e J. Carlos, entre outros.
Em novembro de 1978, em entrevista ao Jornal do Brasil, afirmou que não havia na história da ca-ricatura no Brasil o registro da prisão de nenhum artista da pena, “mesmo dos mais violentos, por per-petrar o retrato de algum membro do governo”. Isto na época em que o Pasquim estava sendo processa-do por alegadas ofensas à dignidade processa-do Presidente da República e de vários ministros de Estado, carica-turados na edição 486, de 20 de outubro daquele ano. O pedido de processo era do então Chefe da Casa
Definido por Humberto de Campos como “o único paraguaio que venceu o Brasil”, o cartunista Andrés Guevara deixou sua marca no Brasil desde 1923, primeira vez em que aqui aportou, aos dezenove anos. Colaborou, entre outros periódicos, em A Maçã e O Paiz, mas sua oportunidade chegou quando Mário Rodrigues lançou o jornal A Manhã no ano de 1925. Foi por essa época que co-nheceu seu melhor parceiro, Aparicio Torelly, o Barão de Itararé, que mais tar-de lançaria uma sátira a esse jor-nal suprimindo um til e trans-formando A Manhã em A Manha. Guevara criou a
ca-ricatura do Barão de Itararé antes mesmo que o persona-gem fosse inventado – tor-nando-se o primeiro caso de a caricatura vir antes do ca-ricaturado – e mais tarde Torelly adaptou seu pró-prio aspecto físico à
carica-ALVARUS E SEUS BONECOS DE HUMOR SUTIL
GUEVARA, UM PARAGUAIO
BRASILEIRO
tura, quando assumiu o personagem. Guevara passou por quase todas as publicações importantes da época e fez um vasto grupo de amigos brasileiros, até à Revolução de 1930, quando foi para a Argentina. Mas voltou em 1943, para assumir a função de diretor de arte da Folha Carioca, e seu trabalho é conside-rado um marco na história do design bra-sileiro. Sua obra durante o período da guerra é memorável. Mas Guevara fez mais do que isso: influenciou toda uma geração de caricaturistas brasileiros. Alternando-se entre ilustrador e diretor de arte, também partici-pou do projeto da Última Hora, de Samuel Wainer. Depois reto-mou a parceria com o Barão, cui-dando da parte gráfica dos Al-manhaques da Manha, já na década de 50.
Guevara faleceu em agosto de 1964, aos 60 anos, em Buenos Aires.
Civil, o General Golbery do Couto e Silva: “Quando a turma do Pasquim foi mandada para a cadeia em 1969”, recordou, “lá esta-vam o admirável Ziraldo e o não menor Fortu-na. Mas não foram presos por serem cari-caturistas e sim porque faziam parte do corpo redacional do semanário. Esse processo abre um precedente na Histó-ria do País, pois não havia até agora nenhum exemplo semelhante no pas-sado”, afirmou Alvarus.
Alvarus publicou álbuns de suas ca-ricaturas produzidas em mais de 50 anos de jornalismo, como Hoje tem Es- petáculo e Alvarus e seus bonecos. Mas não esqueceu outros artistas, e escreveu Pedro Américo e a Carica-tura e J.Carlos – época, vida e obra. Este não chegou a ver publicado; viu apenas sua
boneca antes de ser impresso. Em 1979, passou Al-varus a ser responsável pela última página do Jornal da ABI ,
abrilhantan-do esse espaço até 1985, quando as Parcas, como diziam seus contem-porâneos, cha-maram-no para conversar. Cer-tamente uma conversa bem humorada so-bre caricatura,
tema de que as ditas senhoras não entendem bu-lhufas e que Alvarus dava um show à parte. (Car-los Amorim)
Alvarus fez caricaturas de outros desenhistas, como J.Carlos ( acima ) e Mendez ( à esquerda ). No meio d o texto, o ex-presidente d a ABI, jornal ista Herbert Mo ses. Abaixo, Guevara retra tou Uma tarde inesquecível n o Jóquei Clube: aparecem, em cima, da esquerda para a direita: Salgado Filho; Gerona, Vice-Presidente do Uruguai ; Getúlio Vargas; Osvaldo Aranha e Herbert Moses; embaixo, Roberto Seabra; Peixoto de Castro; Nélson Seabra e Carlos Palh ares. No desenho menor, no meio do texto, o ditador Mussolini.
Antônio Gabriel Nássara nasceu no Rio de Janeiro em 1 de novembro de 1910. Carioca de Vila Isabel, foi amigo de infância de Noel Rosa. Aos 18 anos foi trabalhar na redação do jornal A Crí-tica, dirigido por Mário Rodrigues, pai de um clã de vários jornalistas, entre os quais Mário Filho, que dá nome ao Es-tádio do Maracanã, e Nélson Rodrigues. Nássara passou também pelos periódi-cos Carioca, O Globo, Vamos Ler e Mun- do Ilustrado, entre outros, mas foi na década de 40, quando seu trabalho pas-sou a ser publicado na revista O Cruzei-ro, que se notabilizou nacionalmente.
Nássara produziu igualmente exten-sa obra como compositor.Seu maior su-cesso foi a marcha Alá-lá-ô, de 1941, em parceria com Haroldo Lobo. Também é autor de Formosa, com Jota Rui; Periqui-tinho Verde, com Sá Róris, lançada por Dircinha Batista no Carnaval de 1938; Florisbela, com Eratóstenes Frazão; do antológico Mundo de Zinco, com Wilson Batista; Meu Consolo É Você, com Rober-to Martins; Retiro da Saudade, com Noel Rosa. Ele é tido também como o autor do primeiro jingle comercial do Brasil, ao criar um anúncio de uma padaria quando trabalhava no Programa Casé, na Rádio Philips, em 1932.
Mário Mendez nasceu em Baturité, Ceará, a zero hora do dia 25 de dezem-bro de 1907. Apreciador dos desenhos de J. Carlos e outros notáveis da época, começou a fazer seus prórios desenhos. Autodidata, aos 17 veio para o Rio de
Janeiro e aos vinte já estava fazendo ilustrações de carnaval para o jornal A Manhã, as quais fizeram grande suces-so. Também colaborava em A Batalha, A Esquerda, Vanguarda e
O Ra- dical e era estimulado por papas como Raul Peder-neiras.
Em 1936, depois de estrear na revista O Cruzeiro, seus dese-nhos chamaram a atenção de Belmonte, um dos grandes artis-tas da época, e isto lhe rendeu um convite para trabalhar junto com o mestre na Folha da Manhã, em São Paulo. Dois anos depois, Mendez voltou
O TRAÇO PROVOCANTE DE MENDEZ
NÁSSARA, ENTRE
O LÁPIS E A LIRA
Nássara manteve uma carreira regu-lar até à década de 50 nos jornais Última Hora e Flan, ambos pertencentes a Sa-muel Wainer. Depois disso fez apenas ilustrações esparsas, até que, em 1974, ao conceder uma entrevista ao Pasquim, foi convidado por Jaguar a se tornar colaborador efetivo do jornal. Essa se-gunda fase de sua carreira durou prati-camente até o fim de sua vida. Morreu celebrado como brasileiro maior em 11 de novembro de 1996.
ao Rio para trabalhar no jornal A Noite. O traço de Mendez incomodava a quem era retratado: Dalva de Oliveira chorou durante uma semana quando viu sua caricatura na revista Carioca. Orlando Silva ficou furioso por ter sido caricaturado com cabeça de carneiro. Mas também havia quem gostasse: o PTB se apropriou de um desenho seu para a campanha
pela eleição de Getúlio Vargas em outubro de 1950.
O sempre sorridente Mendez se aposentou da caricatura e nos anos 60 já não publicava mais com regularidade. Tro-cou o desenho pela música e pela pintura, mas continuava
sen-do lembrasen-do. Foi o grande ho-menageado pelo Salão de Humor de Piracicaba em 1996. Mendez teve uma longa vida: fale-ceu aos 90 anos, em dezembro de 1997.
Abaixo, Procópio Ferreira no traço de Mendez. No meio do texto, Eça de Quei roz.
O G
ETÚLIODE
T
HEO
Getúlio Vargas era figurinha fácil entre os caricaturistas. Mas, foi no traço inconfundível de Theo, que ele ganhou contornos de persona-gem de tiras cômicas. Não raro, o desenhista inseria Getúlio – que era seu alvo preferido – em pequenas historietas que satirizavam determi-nado momento político.
Nascido em 1901, Djalma Pires Ferreira, o Theo, era baiano e che-gou com 21 anos ao Rio, onde pas-sou a colaborar em O Malho, Care- ta e O Globo . Neste jornal, era au-tor de uma charge diária sob o títu-lo de A bola do dia , seção que se tornou muito popular na época.
Acima,Nássara mostra o encontro d o Barão de Itararé e Sérgio Porto num a mesa de bar, no céu. Acima à esquerda, Noel Rosa; logo a baixo, Di Cavalcanti em visita à Lapa; a o lado, Jânio
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A
NOS
D
OURADOS
Numa época em que os salões de bar-bearia viviam cheios, os fregueses espe-ravam pacientemente a sua vez, mas não tinham do que se queixar, pois ha-via pilhas e pilhas de exemplares velhos deO Cruzeiro para folhear. E a seção mais lida era O Amigo da Onça, a “imortal criação de Péricles”, que surgiu em 1943, durante uma reforma na revista, e de lá nunca mais saiu. Péricles ganhou fama nacional mas não é exatamente o cria-dor do personagem. O Amigo da Onça foi decalcado de um personagem argen-tino, El Inimigo del Hombre. A encomen-da partiu do diretor encomen-da revista, Leão Gondim, que queria uma atração regu-lar para a publicação, mas com uma cara mais carioca. A expressão “amigo da onça” surgiu numa piada muito popu-lar na época ( ver boxe) que reproduzia o diálogo entre dois caçadores e virou o nome do personagem, que sempre aprontava alguma sacanagem com al-guém. Após a morte de Péricles, no fim de 1961, o personagem foi retomado pelo colega e amigo Carlos Estêvão; após a morte deste, teve diversos continua-dores. Mas certamente a fase de Carlos Estêvão foi a melhor de todas.
O genial Carlos Estêvão já tinha uma seção fixa com seu nome na qual foca-lizava cenas do cotidiano, notadamen-te as relações entre homens e mulheres. Estêvão também criou outro persona-gem: o Dr. Macarra, incialmente Dr. Ma-carrão, que seguia a linha de outro per-sonagem argentino , El Otro Yo del Doc-tor Merengue. Mas a sua criação mais ge-nial era As aparências enganam, onde era mostrada uma cena em silhueta que apa-rentava ser uma cena horrível, mas quan-do se mostrava o desenho completo era uma situação completamente inocente. Só o Amigo da Onça e a seção de Estê-vão já garantiam o sucesso de O Cruzei-ro, mas humor era o que não faltava. Millôr Fernandes, na época em que ain-da assinava Vão Gogo, mantinha uma seção fixa chamada O Pif-Paf . Demitido da revista após a publicação de um arti-go que desagradou a Igreja, Millôr ten-tou levar seu Pif-Paf adiante como uma publicação independente. Foi também emO Cruzeiro que se popularizou
Ziral-do, e também nessa revista que surgiu pela primeira vez o Pererê, personagem que ganhou uma revista em quadrinhos em 1960. E os apreciadores de desenhos de mulheres bonitas não tinham do que se queixar, pois podiam apreciar as deli-ciosas, porém recatadas, Garotas do Al-ceu, criadas em 1938 por Alceu Penna e publicadas durante quase três décadas.
O Amigo da Onça era o grande suces-so, e não só nas barbearias: suas piadas volta e meia apareciam penduradas nas paredes de oficinas mecânicas e outros estabelecimentos populares e não havia quem não folheasse a revista para acom-panhar a presepada da semana.
O desaparecimen-to do Amigo da Onça veio junto com a deca-dência de O Cruzeiro e também pela falta de alguém para substi-tuir Carlos Estêvão à altura. Com a morte de Estêvão em 1972, inúmeros artistas assu-miram a tarefa, mas nenhum se sobressaiu; em seu triste final, a revista nem era mais figurinha fácil em bar-bearias, que por sua vez ficavam às moscas com a moda dos cabe-los compridos.
Todo o clima dos bastidores da redação de O Cruzeiro nos anos áureos foi bri-lhantemente trans-posto para o teatro na peçaO Amigo da Onça, de Chico Caruso, em 1988. Uma outra ten-tativa de ressuscitar o personagem sob for-ma de tiras diárias para jornais, na déca-da de 90, também não deu certo.
AS ESTRELAS DE O CRUZEIRO
PÉRICLES
Péricles Maranhão nasceu em Recife, em 1924. Veio bem jovem para o Rio, onde foi apresentado a Chateau-briand, nos Diários Associ-ados. Primeiro criou o en-graçadíssimo Oliveira Tra-palhão, publicado em O Guri, e em 1943 ganhou fama nacional ao criar o Amigo da Onça, persona-gem que acabou virando marca registrada da revista O Cruzeiro e lhe deu fama instantânea. Péricles, entre-tanto, detestava a sua cria-ção, embora tenha desenha-do o personagem por 17 anos. Ele se ressentia do fato de a criatura ser mais valo-rizada que o criador. Péricles tinha uma personalidade instável e atormentada e acabou suicidando-se na vi-rada do ano novo de 1961 para 1962. Ele abriu o gás em seu apartamento; teve o cuidado de colocar um car-taz na porta onde se lia “não risquem fósforos”.
A PIADA ORIGINAL QUE INSPIROU O AMIGO DA ONÇA
Dois caçadores dividem uma barraca. Um deles pergunta:
– E se aparecesse uma onça agora? – Eu dava um tiro nela.
– E se você estivesse sem arma? – Eu usava o facão.
– E se você estivesse sem facão? – Eu subia numa árvore. – E se não tivesse árvore? – Eu corria.
– E se você estivesse paralisado de medo? – Afinal.... você é meu amigo
ou amigo da onça?
A primeiraap arição de O Amigo da Onça aconteceu em O Cruzeiro em 23 de outubro de 1943
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ADAIL
Adail José de Paula nasceu em 1930, em São Paulo. Iniciou sua carreira com apenas 17 anos, como cartunista no Jornal Humo-rístico e nos semanários O Gover-nador, de circulação nacional, e A Marmita. Em 1955 mudou-se para o Rio, e dois anos depois es-tava no Diário de Notícias , onde permaneceu por 20 anos. Traba-lhou ainda no Jornal do Sports e em Ultima Hora – publicações onde criou e desenvolveu a engra-çadíssima tira diária Aristeu, o Juiz. Seu humor popular tam-bém abrilhantou as páginas da revista O Cruzeiro. Colaborou ainda em diversas publicações, como Correio da Manhã e O Dia. Adail é também compositor.
APPE
Appe nasceu em Sena Madureira, no Acre, em 1920, com o nome de batismo Anilde Pedrosa – nome que ele odiava, por causa dos trocadilhos com “anil” que os colegas faziam na escola. Por isso, dizia que se chamava Amilde, nome emprestado de um irmão que morrera cedo. Mas gostava mesmo era de ser chamado pelo pseudônimo que adotou quando se profissionalizou.
Após fazer uma exposição na Ama-zônia em 1945, usou a receita para com-prar uma passagem para o Rio de Janei-ro, onde se estabeleceu, começando a trabalhar pelo Diário da Noite. Mas foi a partir de 1953 que conquistou fama nacional ao entrar para a redação de O Cruzeiro, fazendo caricaturas políticas. Na década de 70 criou a seção Blow-Appe (trocadilho com o filme de Antonioni, famoso na época), que manteve praticamen-te até o fechamento da revista, em 1975. Viveu um curto período na França (de 1978 a 80), depois retor-nou ao Brasil, estabelecendo-se em Teresópolis, RJ. Em 2004, por pro-blemas de saúde, trocou o frio da serra pelo clima mais ameno de São Pedro da Aldeia, onde ficou até mor-rer, em 4 de agosto de 2006. Appe era ca-sado com Dona Neusa, que tinha sido a primeira esposa de Carlos Estêvão. Quando estes se divorciaram, Appe con-fessou que sempre fora apaixonado secre-tamente por ela e pediu a sua mão. O casal ficou junto até o fim da vida.
CARLOS ESTEVÃO
Carlos Estêvão nasceu em Recife, em 16 de setembro de 1921. Em 1946, radicou-se no Rio de Janeiro e logo estava traba-lhando no Diário da Noite, jornal
per-tencente aos Diários Asso-ciados. Logo migrou para O Cruzeiro, na qual permane-ceu como colaborador até o fim da vida. Em O Cru- zeiro mantinha uma
co-laboração permanente – uma seção assinada com seu nome, onde reve-zava suas criações como As Aparências Enganam , Ser
Mu-lher, Perguntas Inocentes e Acredite Que-rendo, entre outras. Também desenhava interinamente o Amigo da Onça quando Péricles atrasava. Com a morte deste em 1961, a direção da revista o tornou o dese-nhista oficial da série (5), que fez mais su-cesso ainda sob suas mãos.
Embora fizesse também excelentes caricaturas e até charges políticas, Car-los Estêvão é mais lembrado por suas colunas em O Cruzeiro, de cunho mais popular e enfocando costumes. Entre os personagens que criou está o Dr. Macar-ra, que chegou até a ter revista própria publicada pela editora O Cruzeiro em 1962. Morreu prematuramente aos 50 anos, em 1972, na cidade de Belo Hori-zonte, para onde se mudara em 1960. Foi casado duas vezes, primeiro por quinze anos com Neusa e depois com Helena, com a qual viveria os últimos onze anos de sua vida.
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Jânio Quadros dança com Lacerda General Figuei redo
e Delfim Neto. Á esquerda, Millor Fernandes. Castelo Branco e seus amigos, Magalhães Pinto e Adhemar de Barros. À direita , outro desenho de Magalhães Pinto. Desenhos de Appe
em O Cruzeiro
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Jornal da ABI Jornal da ABIJornal da ABI Jornal da ABI
Jornal da ABI 322 Outubro de 2007
Carlos Estêvão, o criador do Dr. Ma-carra, durante quase 30 anos assinou duas páginas de legítimo humor brasi-leiro naquela que foi a mais importan-te revista do País nas décadas de 40 a 60: a O Cruzeiro. Estêvão, que chegou ao Rio em 1941, com vinte anos, vindo de Per-nambuco, encontrou abrigo aqui, por indicação de Augusto Rodrigues, pri-meiro no Diário da Noite, depois em O Jornal e finalmente na O Cruzeiro.
Seu traço logo libertou-se da influ-ência de Rodrigues para ganhar vôo pró-prio. À caricatura política preferiu a de costumes e foi para esta o avesso de J.Carlos, cuja sombra se erguera sobera-na por toda a primeira metade desse sé-culo. Se em J. Carlos predominava o humor delicado, quase ingênuo, aliado ao desenho limpissimo, que num úni-co movimento definia toda a figura, em Carlos Estêvão era o jogo de sombras, o desenho carregado, do nanquim em tra-ço grosso sobre o papel. Gostava das sombras e jogava com elas na textuali-dade de seu trabalho. Uma das suas mais notáveis criações foi a série As aparên-cias enganam, onde cenas em silhuetas sugerem situações terríveis que são logo desmentidas no quadro seguinte.
Carlos Estêvão foi o avesso de J.Carlos também na forma como o seu humor apreendia e tratava a realidade. Em J. Carlos, o povo era visto de fora através do olhar do homem distinto e civiliza-do, que não se confundia jamais com ele. Carlos Estêvão, ao contrário, encontra nas relações entre o homem e a mulher comuns o seu elemento. O homem que chama a mulher de patroa, nega, benzi-nho, etc. que algumas vezes é o bruto, o dominador e noutras é o dominado, o traído. Seus desenhos caíram no gosto
PORISABELLUSTOSA
O TRAÇO POPULAR DE CARLOS ESTÊVÃO
Isabel Lustosa é historiadora e pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa.
popular e eram freqüentemente fixados nas paredes das barbearias em cenas como aquela em que uma secretária diz ao chefe pelo interfone diante do su-jeito furioso que distingue, através da porta de vidro, uma silhueta de mulher aos beijos com o tal chefe: Já falei que o senhor está ocupado!... Mas ele insiste di- zendo que é o marido da sua
ocupação!
Estêvão é o que se cha-maria hoje “política-mente incorreto”. Ele se compraz em repro-duzir todas aquelas situ-ações clássicas do anedotário machista brasileiro. Pode-se di-zer a seu favor, no entanto, que a forma como o seu quadro “Ser Mulher” apre-sentava o papel feminino na relação conjugal era tão radicalmente caricatu-ral que talvez funcionasse como uma crítica ao machismo então reinante.
Sem dúvida, o seu personagem favo-rito foi o Dr. Macarra, tipo de mandrião sempre a con-tar vantagens em situações que lembram o já citado quadro As aparências enga-nam. Em geral, seu tema são as memórias do Dr.
Macar-ra, versão livre narrada por ele mesmo a uma interlocutora embeveci-da. Um exemplo é a série Dr. Macarra em Cuba. Num dos quadros ele se gaba de que em Cuba servia de exemplo à ju-ventude. No quadro seguinte, em flash back, ele está caido numa calçada, com-pletamente bebado, enquanto uma mãe o mostra ao filho: Myra, hijo, los hom-bres que beben tequilla acaban así, cahi- dos en las calles. Dr. Macarra chegou a ter em 1962 uma revista própria, que, como toda revista do gênero no Brasil, teve vida curta: foram lançados apenas nove números.
Quando a O Cruzeiro resolveu criar a versão brasileira do L’amigo del hombre, que fazia grande sucesso na Argentina, e que aqui ganhou o nome de O Amigo da Onça, Nássara e Augusto Rodrigues não toparam, achavam que não ia colar. Enganaram-se e quem se deu bem foi o tímido Péricles (tão delicado, tão gentil que, ao suicidar-se com gás, deixou ape-nas um bilhete: “favor não risquem fós-foros”). O sucesso do Amigo da Onça continuou, após a morte precoce de Pé-ricles, com Carlos Estêvão, que foi o res-ponsável pela página até o melancólico desaparecimento de O Cruzeiro.
Como figura do humor nacional, Carlos Estêvão deve ser lembrado ainda porque, depois dele, a caricatura de cos-tumes praticamente desapareceu das
grandes revis-tas e jornais
brasilei-ros, suplantada pela caricatura política. Teve uma sobrevida nas páginas deO Pas- quim, com Ziraldo, Jaguar e Henfil. Res-surgiu nos últimos anos através da bem inspirada Radical Chique e seu corres-pondente masculino, o Gatão de Meia Idade, de Miguel Paiva, e nas geniais tiri-nhas que Angeli e Laerte, de São Paulo, mandam para alguns jornais do País. A concepção gráfica do primeiro, aliada ao texto agressivo, muito o aproxima de Estêvão. Angeli pertence à geração de de-senhistas e ilustradores que sofreu níti-da influência de Robert Crumb. E, de certa forma, Carlos Estêvão, guardadas as diferenças de tempo e de lugar, compar-tilha com o americano Crumb algumas peculiaridades: o traço grosso; o gosto pe-las sombras; a representação agressiva das relações interpessoais, notadamente as entre homens e mulheres.
Enquanto isso, seus originais perma-necem adormecidos lá em Belo Hori-zonte, depositados nos arquivos do jor-nal Estado de Minas. Lá onde, ao que parece, foi parar toda a memória de O Cruzeiro, dos Diários Associados e, com ela, boa parte da memória do Brasil.
Maysa à esquerda e Dorival Caymmi à direita.
A seção Ser Mulher, publicada em O Cruzeiro e a
revista do Dr. Macarra A versão de Carlos Estêvão para O Amigo da Onça. À direita, Pelé.