Importância de qualidade da casca do ovo em
matriz pesada
Introdução
O Brasil é um dos países que mais avançou em tecnologia avícola nas últimas décadas; avanços na nutrição, manejo e genética favoreceram o crescimento da avicultura.
Entre todas as classes dentro da avicultura, as matrizes pesadas destacam-se, por serem as responsáveis em produzir os pintos de corte. Devem-se ter cuidados principalmente com a nutrição dessas reprodutoras pesadas, além de atender as suas próprias exigências para um bom desempenho produtivo, é necessária também que atenda as necessidades dos embriões e dos pintos neonatos, originados de seus ovos. Porém, problemas relacionados à perda de ovos por quebras em virtude de casca ruim têm atingido a maioria dos produtores, já que a casca é influenciada por vários fatores, entre eles a idade e a nutrição. A nutrição correta é essencial para permitir que aves expressem todo seu potencial genético de produtividade e, para tanto, uma exigência é que as aves tenham uma exigência adicional de saúde. Ao avançar o período de postura, o peso do ovo aumenta, a casca torna-se mais fina e piora a qualidade interna. Ocorre também uma alta incidência de ovos sem casca com o avançar da idade.
Levando em consideração esses aspectos, objetivou-se estabelecer aspectos relacionados à qualidade de casca de ovos de matrizes pesadas.
Importância da qualidade da casca do ovo em matriz pesada
Na produção industrial de ovos para incubação, buscam-se práticas para concentrar a postura nos ninhos, evitar a postura na cama e, conseqüentemente, a presença de ovos sujos. Tanto o manejo dos ninhos na pré-postura como a utilização de um número adequado de coletas diárias, contribui na obtenção de ovos limpos e com menor grau de contaminação. Além disso, o peso do ovo e a qualidade da casca (gravidade específica) são fatores importantes na produção do ovo fértil. Considera-se que maior gravidade específica resulta em melhor qualidade de casca e,conseqüentemente, em ovos mais apropriados para incubação. Salienta-se, no entanto, a importância da relação entre peso do ovo e gravidade específica, em que o peso do ovo aumenta e a gravidade específica diminui com a idade das reprodutoras.
A qualidade física do ovo, que afeta a eficiência da incubação, está relacionada com o tamanho, forma, cor, limpeza, integridade e ausência de malformação na casca. Essas características são influenciadas pelo genótipo, manejo geral, sanidade, condições climáticas e pela idade da matriz. O tamanho e a forma do ovo, aliados à porosidade da casca, afetam a perda de água durante a incubação, influenciando os requerimentos de temperatura e umidade, principalmente durante a última semana de incubação (Deeming, 1996).
Um fator determinante para qualidade do ovo é descrita pela qualidade casca do ovo. Ela é considerada a embalagem do ovo. A casca deve esta sempre limpa, integra e ainda sem deformações, pois cascas resistentes protegem a parte interna. Grandes deformações no formato do ovo prejudicam o visual e ainda podem causar problemas sanitários ao animal. Outro grande problema relacionado com ovos é as trincas na casca, conforme figura 1.
A casca possui inúmeras funções, bem como promover troca gasosas entre o interior do ovo e o meio ambiente, através dos poros; evita que ocorra perda da umidade em excesso e conseqüentemente desidratação do ovo (essa função é reforçada pela cutícula); representa uma barreira física contra bactérias, fungos e outros agentes externos; protege as partes internas do ovo; representa importante fonte de cálcio durante o desenvolvimento do embrião.
As perdas no Reino Unido (Anderson e Carter, (1976), Estados Unidos (Roland, 1977) e Canadá (Wasylishen, 1976) devidas à qualidade da casca se assemelham àquelas verificadas no Brasil (Campos et al., 1981).
Figura 1. Cascas de ovos trincadas
A qualidade da casca do pode estar alterada em relação à forma (deformados, entrangulamento mediano, corrugados ou enrugados e achatados de lado etc.); cor (perda de cor, amarelados, pintas amareladas e manchadas); odor (mofo e contaminação); espessura (mole ou sem casca, casca fina, peroses e porosidade nos extremos); textura (superfície lisa, concreções, deposição de cálcio deficiente); e trincados (fissuras e quebrados).
1. Composição da casca
A casca tem, em média, 5,6g de matéria inorgânica, sendo que a maior parte é carbonato de cálcio (98%). O restante da matéria orgânica é composto por carbonato de magnésio e fosfato tricálcico. A matéria orgânica, bastante reduzida, apresenta-se na forma de proteínas e água.
1.1 Metabolismo do cálcio
O cálcio é um dos maiores constituintes plasmáticos mais eficientemente regulados nas aves. Os principais hormônios reguladores dos níveis de cálcio são: o paratormônio (PTH), a calcitonina (CT) e 1,25-dihidroxivitamina (D3). Nas aves, o metabolismo relacionado com o cálcio têm características únicas relacionadas à postura de ovos com casca totalmente calcificada. A quantidade de cálcio na casca do ovo é próxima de 10% do total de estoque de cálcio no corpo da ave (Macari e Mendes, 2005). Os autores preconizam que existem poucos relatos sobre os níveis de PTH nas aves, provavelmente em decorrências do fato de serem extremamente baixos no plasma desses animais; e que esse hormônio somente encontra-se elevado durante o período de deposição de cálcio na casca do ovo (duas horas antes da ovulação), o qual cai novamente.
1.2 Calcitonina e glândulas ultimo branquial
As aves possuem um par assimétrico de glândulas localizadas posteriormente às paratireóides e caudorsal á base da artéria braquiocefálica. Essa glândula é rica em calcitonina (CT), um hormônio peptídico que contém 32 aminoácidos, que pode variar entre as espécies conferindo diversidade na bioatividade. A secreção de CT é regulada primariamente pelo aumento no plasma dos níveis de cálcio, levando a um aumento da secreção nas células especializadas. Altos níveis circulantes de CT estão presentes em espécies de animais não mamíferos, incluindo as aves. Esses níveis são mais elevados em machos do que em poedeiras, exceto por um curto período antes do inicio da
postura. Nessas espécies, esteróides gonadais, como andrógenos, possuem uma grande influência nos níveis de CT (Kenny, 1986 citado por Macari e Mendes, 2002). Em galinhas, os níveis de CT são positivamente correlacionados com os níveis de Ca2+ da dieta, assim como os níveis circulantes, enquanto em embriões os níveis são extremamente baixos até o momento da eclosão.
1.3 Vitamina D
Nas aves, a glândula uropigeana secreta a provitamina D3 que nas penas,
é convertida a vitamina D3. A ave que está no período de postura requer uma
grande quantidade de cálcio para a formação da casca do ovo, o qual é obtido pelo grande potencial de absorção intestinal. O metabólito ativo é a vitamina D3 (1,25-(OH)2D3) é o controlador maior desse processo. Nas aves, assim
como nos mamíferos, os rins sintetizam e secretam a 1,25-(OH)2D3. Vários
fatores podem exercer controle sobre essa síntese, tais como PTH, 1,25-(OH)2D3 e prolactina.
Assim, 1,25-(OH)2D3 regula a absorção intestinal de Ca 2+
pela indução da transição de RNA e a síntese de proteínas específicas, como a calbindina D.
2. Fatores nutricionais que afetam a qualidade da casca
A qualidade da casca é a principal preocupação das indústrias de postura, devido aos prejuízos econômicos associados à incidência de má qualidade. Os ovos trincados e/ou quebrados representam uma perda que varia de 1,2 a 2,4% do total de ovos produzidos em uma granja de matriz pesada (Macari e Mendes, 2002). Porém, os prejuízos provocados pela má qualidade da casca não podem ser avaliados, simplesmente, pela porcentagem de ovos trincados e/ou quebrados. A qualidade da casca está relacionada também, com condutância e contaminação dos ovos. Portanto a qualidade da casca constitui um importante fator no rendimento de incubação e na qualidade dos pintos.
A casca representa de 9 a 10% do peso do ovo fresco. É constituída por 90% dos minerais dos quais 98% são cálcio em forma de carbonato de cálcio. Fósforo e magnésio estão presentes em pequenas quantidades e também encontram traços de sódio, potássio, zinco, manganês, ferro e cobre.
As necessidades de cálcio para matrizes pesadas devem ser relacionadas com outros nutrientes, especialmente fósforo e vitamina D3; tamanho da partícula da fonte de cálcio. O cálcio em excesso pode interferir no metabolismo do fósforo, zinco, manganês e ferro.
O cálcio para a formação da casca provém exclusivamente da dieta. Um ovo de tamanho médio tem aproximadamente 2,5g de cálcio. O cálcio é transportado pelo sangue sob duas formas: cálcio iônico e cálcio ligado à
vitelogenina (fosfolipoproteína). Nas aves fora de postura o nível de cálcio plasmático é de 10 mg/100ml, e no período de postura sua concentração chega a 30 mg/100ml. O metabolismo do cálcio envolve os seguintes hormônios: estrógeno, paratormônio, calcitonina e 1,25(OH)2D3. O estrógeno promove a deposição do cálcio na região medular do osso, o paratormônio é responsável pela reabsorção do cálcio medular, sendo que calcitonina provoca a inibição desta reabsorção e a 1,25(OH)2D3 estimula a absorção de cálcio nos intestinos. A definição das exigências de cálcio para matriz pesada depende de fatores, tais como: índice de produtividade, interrelação do cálcio com outros nutrientes, especialmente fósforo e vitamina D3, tamanho da partícula da fonte de cálcio e disponibilidade do cálcio na fonte. Apesar dos vários fatores que interferem nas exigências de cálcio para matriz pesada, a recomendação de 3% na dieta tem sido adequada para a produção de ovos e a qualidade de casca.
O fósforo que é depositado no período final de formação do ovo está presente na casca em pequena quantidade (± 22mg). Esta pequena quantidade não está homogeneamente distribuída, pois se concentra mais nas camadas externas. Ao contrário do cálcio, o nível de fósforo no plasma sangüíneo, não tem um mecanismo de regulação eficiente e varia muito com o nível de fósforo oferecido na dieta. A qualidade da casca pode ser prejudicada tanto pelo baixo como pelo alto nível de fósforo na dieta. De acordo com a literatura, níveis de 0,5 a 0,7% de fósforo total na dieta são adequados para produção e boa qualidade da casca do ovo. Em termos de fósforo disponível, considera-se que a ingestão de 400mg/ave/dia é suficiente para manter normal a qualidade da casca do ovo.
Alguns microelementos participam da síntese da matriz orgânica da casca, que em sua composição é semelhante à matriz do osso.
O manganês faz parte da molécula de mucopolissacarídeos que é um dos componentes da matriz orgânica da casca. Uma deficiência de manganês compromete a formação da camada mamilar da casca e aumentando a incidência de áreas translúcidas. O nível de suplementação deste mineral em rações para reprodutoras é de 100mg/kg de ração podendo atingir até 150mg/kg. O zinco é um componente da anidrase carbônica; portanto, um elemento importante no processo de formação da casca do ovo. Podem ser utilizados os níveis de 100 a 120mg/Kg de ração.
Durante o processo de formação da casca, as aves sofrem uma acidose metabólica em decorrência da elevada produção de bicarbonato. Essa acidose é principalmente compensada por uma alcalose de origem respiratória. O equilíbrio ácido-básico não influencia diretamente a qualidade da casca, mas pode alterar o nível de fósforo no sangue que, por sua vez, altera o
metabolismo do cálcio e a qualidade da casca do ovo. Altos níveis de cloro são prejudiciais à qualidade da casca, por induzirem uma acidose, reduzindo o bicarbonato plamático.
A membrana externa a casca constitui sua base orgânica, que é formada de proteínas e mucopolissacarídeos. Sobre essas bases orgânicas formam-se os núcleos de calcificação, constituindo a camada mamilar. Sobre essa camada, mais carbonato de cálcio
Dos ovos produzidos por um lote de aves, aqueles que se destacam a observação como livres de defeitos, serão considerados como ovos adequados para a incubação, isto quer dizer ovos de boa qualidade. Este processo diário se baseia em modelos ou padrões pré-estabelecidos de seleção. Pode-se definir como ovos de boa qualidade ou adequados para a incubação, aqueles que têm boa aparência, forma ovóide, boa textura da casca, bom tamanho e uma cor mais ou menos marrom e limpa.
Os ovos de boa qualidade geralmente rendem uma alta eclodibilidade. Depois da postura a qualidade dos ovos pode ser mantida ou piorada, dificilmente melhorada. Os ovos férteis selecionados para incubar devem ser mantidos sempre secos e limpos, livres de material fecal que ao manchar a casca a contamina, com graves prejuízos para o ovo, embrião e futuro pinto. Mantém-se a qualidade do ovo quando a postura se leva a cabo nos ninhos limpos, a coleta é freqüente, se evita o contato com meios sujos e contaminados (esteiras transportadoras, mãos, mesas, bandejas, etc.) e se faz uma correta desinfecção. Existe uma relação direta entre o manejo das reprodutoras e a qualidade dos ovos produzidos. O manejo integra os conceitos da sanidade preventiva, biossegurança, alimentação, programas de luz e o controle ambiental; como também as práticas de manejo aplicadas diariamente a estas aves.
Na nutrição de matrizes pesadas, o fator que merece grande destaque está relacionado à quantidade de minerais presentes nas dietas. Pois, o efeito destes nutrientes reflete rapidamente na produção dessas aves.
Os ovos trincados e/ou quebrados constituem uma importante fonte de desperdício na produção de ovos para incubação. A extensão desta perda varia de 1,2 a 2,4% do total de ovos produzidos em uma granja de matriz pesada. Apesar disto, os prejuízos provocados pela má qualidade da casca não podem ser avaliados simplesmente através dos registros dos percentuais de ovos trincados e/ou quebrados. A qualidade da casca está relacionada com as trocas gasosas, desidratação e grau de contaminação dos ovos, e todos estes aspectos estão envolvidos nos processos de armazenamento e incubação. Portanto, a qualidade da casca constitui um importante fator no rendimento de incubação e na qualidade dos pintos.
Tabela 1. Efeito da qualidade da casca e mortalidade dos pintos nos primeiros 14 dias
de idade.
Condição do ovo Bactérias total Coliformes % Mortalidade Às 2 semanas Ovo de ninho limpo 600 123 0.9 Ligeiramente sujo 20 000 904 2.3
Sujos 80 000 1307 4.1
É fácil provocar alterações negativas na qualidade da casca através da manipulação dos elementos que participam direta ou indiretamente no seu processo de formação. No entanto, quando a casca está dentro dos limites normais, tentar melhorar sua qualidade através da nutrição é realmente uma tarefa difícil, apesar de uma vasta literatura sobre este assunto.
Quadro 1.Relação causa e efeito dos problemas relacionados a qualidade da casca.
Como podemos observar existem vários fatores que afetam a qualidade da casca do ovo, comprometendo a qualidade.
3. Determinação da qualidade da casca
A casca constitui a proteção externa do ovo, não tendo nenhum valor especial, possui de 7000 a 17000 poros de 13 a 6 micras de diâmetro que conferem uma permeabilidade essencial para a troca de gases no período de incubação.
3.1 Espessura: é determinada após a quebra no meio do ovo (região equatorial), seca em estufa à 65°C pôr um período de 48 horas, utilizando-se de um instrumento de medidas chamado paquímetro, deve-se fazer 3 medidas e através da media aritmética tem-se a espessura da casca, que quanto mais grossa melhor será a sua qualidade.
3.2 Gravidade específica: a densidade da gema mais o albúmen em ovos frescos é muito próxima à densidade da água, utilizando-se de um densímetro pode-se fazer diferentes soluções salinas com densidades variando de 1,050 a 1,100 toma-se então o ovo e mergulha-se na solução de menor para a de maior densidade, na solução em que o ovo flutuar será a gravidade determinada, desta forma quanto maior a gravidade especifica melhor será a qualidade da casca. Com o passar do tempo o ovo vai perdendo água e dióxido de carbono, através da casca. Dentro do ovo existe entre a membrana da clara e a casca a câmara de ar. Quanto mais fresco o ovo, menor ela é, pois quase nenhuma água saiu do seu interior. E a clara perde água através da casca, encolhendo-a, deixando mais espaço para a câmara de ar expandir, diminuindo então a densidade do ovo. Então a densidade total do ovo fresco é maior do que a do ovo mais velho, pois estes últimos contem maior volume ocupado por gás que baixa consideravelmente a densidade total.
3.3 Peso da casca (%): após a quebra do ovo, seca-se a casca em estufa à 65°C pôr um período de 48 horas, retira-se da estufa e aguarda-se 30 minutos até esfriar e adquirir a umidade ambiente para então ser pesada, dividindo-se o peso da casca seca pelo peso do ovo inteiro e multiplicando-se pôr 100 tem-se a percentagem de casca que, quanto maior, melhor tem-será a sua qualidade.
O ovo incubado proporciona todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do embrião. Como já se tem mencionado, o mau manejo das reprodutoras e dos ovos afeta a qualidade destes últimos. A casca contém milhares de poros, de diâmetro variável e distribuído em toda a superfície do ovo. As bactérias podem penetrar através de muitos desses poros. A
espessura da casca determina a longitude dos poros, é por isso que os ovos com casca grossa são mais resistentes à penetração bacteriana que aqueles com poros curtos, porque estas são mais delgadas (finas).
Normalmente, a incidência de ovos contaminados aumenta a medida que o lote envelhece, isto é devido principalmente ao normal aumento do tamanho do ovo e por conseqüente piora da qualidade (afinamento) da casca. De todos os fatores possíveis que afetam a qualidade do ovo e por extensão a do pinto recém nascido, destaca-se a contaminação bacteriana. Os ovos podem aparentar limpos e ter na parte externa da casca uma alta quantidade de microorganismos, sobretudo se o ovo foi posto e permaneceu no piso (cama). Com a utilização dos ninhos mecânicos ou automáticos modernos, aqueles lotes mal manejados produzem muitos ovos no piso, que se contaminam e logo criam problemas durante a criação dos frangos, como o que foi descrito anteriormente.
O ovo possui uma série de barreiras naturais que ajudam a reduzir a contaminação bacteriana. As barreiras naturais à contaminação do interior do ovo são:
• A cutícula • A casca
• As duas membranas da casca, a interna e a externa. • Os mecanismos químicos de defesa da albumina.
A cutícula é uma capa de proteína depositada na superfície exterior da casca que ao fechar os poros, ajuda a prevenir a penetração das bactérias para o interior do ovo. A ausência parcial ou total da cutícula aumenta a permeabilidade do ovo a uma invasão bacteriana. A entrada de fungos para o interior do ovo é muito mais difícil, devido serem de maior tamanho; eles entram no ovo pelas rachaduras ou perfurações da casca.
Dentre os fatores que propiciam a perda da cutícula entre outros estão: os hereditários, mecânicos (lavado e lixado), armazenamento prolongado, superfícies cobertas de material fecal e o aumento na temperatura de armazenamento dos ovos. Todas as barreiras descritas incluindo às das membranas internas da casca são barreiras físicas, sem nenhuma atividade química bactericida específica. A albumina do ovo possui ao menos duas substâncias de ação inibitória às bactérias. Como característica física, tanto o material da albumina como o da chalaza são viscosos ou densos por natureza, durante o armazenamento prolongado a albumina e a chalaza, que mantém a gema no meio do ovo, se tornam mais aquosos e frágeis respectivamente, a chalaza frágil permite o deslocamento da gema para um dos lados, facilitando assim a contaminação do exterior.
Tabela 2. Qualidade da casca e a penetração bacteriana.
Gravidade específica dos ovos
Qualidade de casca % Penetração da casca > 30 min > 60 min > 24 hs 1.070 Má 34 41 54 1.080 Média 18 25 27 1.090 Boa 11 16 21
Fonte: Sauter, E.F., and C.F. Petersen, 1979.
4. A utilização de uma ração de pré-postura
Na década de 70, a recomendação era fazer a troca de ração de recria (1% de cálcio) para ração de postura (3% de cálcio) quando o lote atingisse 5% de postura. Posteriormente esta prática foi totalmente condenada em função da elevada incidência de osteoporose em galinhas no início de postura, especialmente em poedeiras criadas nas gaiolas. Isto ocorre porque os folículos ovarianos se desenvolvem em “ninhadas”, e uma vez iniciada a postura, a ave põe uma série de ovos em dias consecutivos. Assim, quando um lote atinge 5% de postura, significa que 5% das aves já estão no pico de postura. Se estas não receberem cálcio suficiente, a reserva de cálcio depositada na região medular do osso (que é suficiente para a formação da casca de dois a três ovos) será toda consumida. Com isto, a galinha entra em estado de deficiência de cálcio, o que induz o aumento da produção de paratormônio, provocando a mobilização de cálcio da cortical do osso, levando a fragilidade óssea, dificultando a locomoção, diminuindo a ingestão de alimentos e a produção. No caso de aves em gaiolas, que não têm como fazer a reciclagem do cálcio, esta condição leva à inanição e morte. Quando as galinhas estão no chão, o grau de deficiência é menor, mas suficiente para comprometer a postura e a qualidade da casca e conseqüentemente a eclosão.
5. Relação da qualidade da casca e horário de fornecimento
de ração
Cave (1981) e Bootwalla et al. (1983) colocam em dúvida se o esquema de alimentação única pela manhã atende à demanda por nutrientes, especialmente no momento da formação da casca do ovo. Cave (1981), trabalhando com matrizes pesadas, constatou que a alimentação duas ou três vezes ao dia permitiu melhora no peso e na produção de ovos e maior eficiência na utilização do alimento. Farmer & Roland Sr (1983) e Bootwalla et al. (1989) relataram que os diferentes horários de alimentação influenciaram o ciclo de formação do ovo e os níveis de cálcio e fósforo do
sangue no momento da calcificação e que o horário de maior necessidade de cálcio, para a formação da casca do ovo, ocorreu no período noturno. No entanto, Brake (1988) observou que tanto a produção quanto o peso do ovo não foram influenciados pelo horário da alimentação.
De acordo com Summers (1987) e Rutz (1992), o catabolismo do excesso de proteína em ácido úrico produz mais calor corporal, ocasionando estresse adicional ao das elevadas temperaturas. Aves alimentadas às 6h apresentaram maior incremento calórico cinco horas após a refeição que aquelas alimentadas às 14h (Wilson et al., 1989). Incremento calórico promove alta ofegação e perda de CO2, podendo tornar o problema ainda mais grave para as reprodutoras em virtude da temperatura ambiental. Como recursos para perda de calor ou redução da temperatura corporal surgem problemas na produção de ovos decorrentes da falta do CO2 na principal reação de formação do carbonato de cálcio, necessário para a calcificação da casca do ovo.
6. Idade da ave e qualidade de casca
Apesar de não ser um fator nutricional, todos os artifícios usados para reduzir os efeitos da idade sobre a qualidade da casca estão direta ou indiretamente relacionados com a nutrição. A redução na qualidade da casca do ovo com a progressão da idade da ave é evidente e pode ser facilmente constatada em condições de campo. O tamanho do ovo aumenta com a idade da ave mais rapidamente do que o peso da casca e, conseqüentemente ocorre uma diminuição na espessura da casca e na porcentagem de casca em relação ao peso do ovo. Embora estas observações indiquem que a qualidade da casca do ovo da galinha velha pode ser melhorada controlando o tamanho do ovo, a correlação entre o peso do ovo e a resistência da casca é muito baixa. Teoricamente, o tamanho do ovo poderia ser diminuído através da redução dos níveis de acido linoléico e/ou de metionina na ração, porém antes de provocar uma redução expressiva no peso do ovo, esta prática provoca uma queda na postura.
Os ovos postos por galinhas velhas têm a membrana externa (base orgânica da calcificação) com uma composição em aminoácidos distinta daqueles ovos produzidos por aves jovens. Esta desigual composição pode ser responsável por uma estrutura distinta e justificar as diferenças na qualidade das cascas. Além disso, tem sido demonstrado que as aves velhas, assim como aquelas que produzem ovos com casca de má qualidade, têm uma menor atividade da enzima anidrase carbônica, o que levaria a uma menor calcificação da casca do ovo.
A quantidade de cálcio depositada nos ovos permanece mais ou menos constante durante todo o ciclo de postura. Todavia, do início ao final do ciclo de postura, o ovo chega a aumentar até 40% do seu tamanho e por isto haverá menos cálcio por superfície de casca, o que resulta na redução da resistência da casca. Esta teoria pode ser contestada porque quando se compara ovos de mesmo tamanho, produzidos por galinhas jovens e velhas, aqueles originados de aves velhas têm uma menor resistência de casca. Mas, também se observa que os ovos quebrados, produzidos por galinhas velhas, pesam mais do que os ovos intactos produzidos por galinhas do mesmo lote. Por outro lado, tem sido demonstrado que a taxa de retenção do cálcio varia de acordo com a idade. Assim aves jovens têm uma taxa de retenção de aproximadamente de 60%, enquanto as aves mais velhas retêm apenas 40% do cálcio absorvido. As aves idosas possuem menor capacidade de absorção e de mobilização de cálcio ósseo. Com base nesta teoria é recomendado um aumento do nível cálcio e uma redução do nível de fósforo da ração no terço final do período de postura.
Em galinhas velhas, há uma redução na capacidade de hidroxilização da vitamina D nos rins, o que poderia ser a causa da baixa qualidade da casca dos ovos de tais aves. A quantidade de 2200mg de vitamina D3/kg de ração é suficiente para se obter uma boa qualidade de casca.
7. Aspectos qualitativos
Embora a literatura apresente uma diversidade de estudos relacionados à qualidade do ovo para o primeiro ciclo de postura, são escassas as informações para o segundo ciclo de produção. Uma outra séria dificuldade é a grande gama de medidas normalmente usadas para avaliar a qualidade da casca, levando, em todos os trabalhos, os pesquisadores a avaliarem todas elas, com demanda de tempo e dinheiro. Com isso, fica claro que a porcentagem de perda de ovos é a característica que melhor define o prejuízo do produtor em função da qualidade da casca. Os métodos utilizados para avaliar a qualidade da casca podem ser divididos um duas categorias: diretos e indiretos. Dentre os métodos mais comumente empregados, Baião e Cançado (1997) citam a espessura da casca (ESPC), a porcentagem da casca em relação ao peso do ovo (PERCC), e o peso da casca por unidade de superfície de área (PCSA), como métodos diretos, ao passo que o peso específico do ovo (PE) (Mountney e Vanderzant, 1957) é definido como método indireto.
7.1. Ovoscopia
É utilizada a ovoscopia para verificar a integridade da casca, pois, algumas trincas não são observadas a olho nu, necessitando a ajuda de uma aparelhagem especifica, na figura 3, pode-se observar a foto de um ovoscopio.
Figura 3. Realização da ovoscopia. 7.2. Coloração da casca
A coloração da casca do ovo é uma característica genética, determinada pela raça da ave. A cor da casca varia do branco ao marrom escuro. A cor da casca da ovo nada tem haver com a coloração. É importante ressaltar que do ponto de vista nutricional, não há diferença entre os ovos brancos e os vermelhos. Ambos são igualmente ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais e contêm por volta de 220 miligramas de colesterol.
8. Conclusões
A qualidade das cascas de ovos de matrizes pesadas é dada por uma série de fatores: genética, nutrição e manejo.
Ao adquirir um lote com uma boa genética e fornecendo uma ração de qualidade que atenda as exigências nutricionais desses animais é necessário adotar cuidados para garantir a qualidade da casca desse lote, tais como:
1. Manter o material do ninho e os ninhos limpos, evitando que as galinhas permaneçam em seu interior durante a noite.
2. Realizar a coleta freqüentemente para desinfetar e colocar os ovos no ambiente refrigerado. Quando se usam ninhos convencionais é um erro limitar a coleta a só três vezes ao dia.
3. Os ninhos mecânicos se limpam somente à seco, mediante o uso de aspiradores ou ventiladores, sobretudo aqueles instalados em aviários com piso de terra. Sugere-se recolher os ovos freqüentemente, freqüência que depende do número de ovos produzidos por dia. Por exemplo, no pico de produção será uma coleta quase constante durante a manhã e uma a vez a mais a tarde.
4. Quando se usam ninhos convencionais, além da mudança freqüente do material de ninho, alguns agregam escamas de paraformaldeído para reduzir a contaminação, isto se inicia depois das 35 semanas de idade. 5. Deve-se evitar colocar os ovos em contato com o água não tratada ou
contaminada. Da mesma maneira o manejo térmico na granja, veículo de transporte e locais de armazenagem devem impedir a condensação de água (sudação) na superfície das cascas, porque com isto se aumenta os riscos de penetração bacteriana.
6. Não utilizar lixas ou material abrasivo para limpar os ovos, esta prática vão contra as defesas naturais do ovo.
7. Trate quimicamente e desinfete os ovos imediatamente depois da coleta.
9. Referências bibliogáficas
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