• ABORDAGENS DESCRITIVAS E TIPOLOGICAS DE L1NGUAS INDIGENAS Dia 29-Local: Colegiado -14:00-18:00
Coordenador(a): MarWa de Nazare de Oliveira Ferreira
A EXPRESS.AO DA PESSOA EM APARAI (CARIBEl Eliane Camargo (USP)
Falado por menos de 250 pessoas, 0aparai euma lingua caribe bastante citada na literatura linguistica, devido aos trabalhos de Edward &Sally Koehn. Ele carece, entretanto, de urn estudo descritivo que revele, entre outros, suas significa<;oes,seus paradigmas, suas estrategias sintaticas de predica<;ao, Como contribui<;ao a este estudo, proponho uma apresenta<;ao da expressao da pessoa em suas diferentes fun<;oessintaticas, quando associada a nomes eaverbos, levando em conta seus ajustamentos morfofonologicos.
Linguade morfologia afixal,a pessoa em apalai em fun<;aoactancial e indicia!.Dispoe,noentanto, de pronomes tonicos que apresentam uma forma simples euma forma enfatica, marcada por urn assertivo. Quanto a indicializa<;ao, ela e apresentada em duas series de pessoa: uma que marca os verbos ativos e a outra que marca os verbos inativos. Classifica<;aoverbal que caracteriza somente as pessoas dodiscurso (EU/TUj. A 3a. pessoa marca 0 sistema sintatico ergativo/absolutivo. Noque tange a pessoa no plural, cabe dizer que 0 apalai -como outras linguas caribes -dispoe de formas sagitais para 0plural inclusivo, marcado pelodual (1+2)e pelotrial (1+2+3). Esta complexa categoria dapessoa apresenta ainda realiza<;oes morfofonolo-gicas que, emcertos casos, revelam formas antigas dolexema indicializado.
Urn dos objetivosdesta breve descri<;aodamorfossintaxe aparai. indicializada ou pronominal, e ode contribuir com uma discussao maior quetrate da questao tipologicanoambito dasrela<;oes actanciais nas linguas caribes. Estas questoes englobam, entre outros, as classes verbais, os sistemas sintaticos cindidos.
A GRAFIA UNIFORMIZADA: UMA CONQUISTA DOS POVOS TIMBlRA Rosane deSaAmado (USP)
Ap6sdez anos dereuni6es, discuss6es acirradas emuitas conversas, em dezembro ultimo, na
oficinarealizada no PirnxwyjHimpejxy(Centro deFormac;aodeProfessoresTimbira)em Carolina,
Maranhao, promovida peloCentro de Trabalho Indigenista (CTIl,os representantes de cinco
povos Timbira - Canela-Apanjekra, Canela-Ramkokamekra, Gaviao-Pykopje, Krah6, Krinkati -conseguiram chegar a urn consenso e estabelecer uma grafia uniformizada para 0 Timbira
padrao. Alguns dos povos, como os Gaviao-Pykopje, Krinkati e os Canela-Ramkokamekra. ja contavam com grafias elaboradas pOI'missionarios, mas quenao condiziam com seus sistemas
fonol6gicos; outros usavam grafias adaptadas a seus dialetos, que nao atendiam as suas
necessidades. Osencontros para discussao de uma grafia uniformizada vinham sendo assesso
-rados desde 1994 pelalinguista Flavia deCastro Alvese contou, nesse ultimo encontro, tambem com meu auxilio. Este trabalho visa relatar as acontecimentos dessa oficina,principalmente as
discuss6es entre as representantes de cad a povo, e apresentar seus resultados: a grafia
uniformizada emcomparac;ao com as sons decadadialetoTimbira e a lista de palavras (cerca
de 350) elaborada pelos participantes como parte da documentac;ao que eles apresentaram
posteriormente a suas comunidades.
A POSSE NOMINAL EM LiNGUAS ARAWAK DO SUL E ARAWAK CENTRAL: UMA ABORDAGEM DESCRITIV A.
Angel H.Corbera Mori (UNICAMPj
Urn trac;o tipico das linguas arawak eo usa dos afuws pronominais {nV-i)para marcar a primeira pessoa possuidora e {pV-}para a segunda pessoa possuidora como pOI'exemplo em Inhapari (Parker, 1995): no-manaha 'meu corpo', no-juwi 'minha cabec;a';pi-nama 'tua boca', p-oju 'teu olho'. Essa caracteristicaja tinha side observada pOI'Steinen (1940)em seu cantata com povos arawak do Xingu.Segundo ele,"os Nu-Aruak sedividemem duas sub-tribus: osNueas Aruak. "Nu" e 0 preflXo dominante dessas tribos, e a preflXo caracteristico pronominal da primeira
pessoa..." (op. cit.: 197).
Outra caracteristica das linguas arawak relaciona-se comaforma dese estabelecer aposse dos
nomes que semantica e formal mente sac definidos como inalienaveis. Nessa categoria ficamas denominac;6es de partes do corpo, os termos de parentesco, partes de plantas, 'casa', 'arco', 'comida' e outros nomes que comumente tern dono. agramatica das linguas arawak, esses
nomes fiexionam-se com preflXosqueindicam a pessoa possuidora. Contudo, se esses nomes,
pOI'alguma razao, nao se relacionarem com urn possuidor, entao devem receber a marca de 'absoluto' (Payne, 1987, 1991), como ocorre em Waura (ArawakCentral): tsewe-i 'dente', vs.
ni-tsewe 'meu dente', wana-i 'brac;o',vs. nu-wana 'meu brac;o'.POI'outro lado, os alienaveis
precisam demarcadores deposseque ocorremcomo SUflXOSdonome, parexemplo emAsheninka
do Apurucayali (Arawak doSuI):mapi 'pedra', no-mapi-ni 'minha pedra', p6-mapi-ni 'tua pedra'. Sobre abase dessas observac;6es, esta comunicac;aomostra algumas caracteristicas tipol6gicas
de marcac;ao deposse em dois conjuntos delinguas arawak: asdo Sui ou Meridional e aquelas
ASPECTOS TlPOL6GICOS DA POSSE NOMINAL EM TAPAJUNA: DESCRI<;Ao PRELIMINAR. Marilia deNazare deOliveira Ferreira (UFPAj
A lingua Tapajuna pertence ao Tronco Macro-Je e efalada por uma comunidade demenos de
cern falantes. quevivem entre os Metuktire. no Mato Grosso. 0 objetivo desta comunicaGao e
apresentar dados eanalises preliminares com respeito aposse nominal em Tapajuna. que. como
outras linguas geneticamente relacionadas. diferencia nomes semantica eformalmente.
CONSIDERA<;OES SOBRE APOSSE NOMINAL EM WAPICHANA Manoel Gomes dos Santos (UFRRj UNICAMP)
o
proposito principal deste trabalho e apresentar uma analise preliminar da construGaopossessiva (ou genitival da lingua indigena Wapichana que. confonne Rodrigues (1986: 69),
pertence afamilia Arawak e e falada pelo grupo etnico de mesmo nome.A investigaGao toma por
base a tipologia deposse alienavel e inalienavel nos termos de Nichols(1988), utilizando tambem
informaGoes ja comprovadas em linguas da mesma familia. como aquelas obtidas acerca da
lingua Arawak das Guianas ou Lokono (Patte.2000), acerca dalingua Tariana (Aikhenvald. 1994)
e acerca da lingua Apurina (Facundes. 2000).
Os resultados da analise indicam que alingua Wapichana. como ocorre com as linguas Arawak
em geral. exibe a distinGao entre nomes de posse alienavel e nomes de posse inalienavel e pode
ser considerada como pertencente ao padrao nueleo-marcado. uma vezque a marca de posse e
localizada no nueleo (nome possuido) da construGao possessiva e nao no modificador ou
dependente (possuidor). Assim. nomes alienaveis quando possuidos levam normalmente 0
marcador de posse -n; enquanto os inalienaveis (como aqueles termos referentes a partes do
corpo e a relaGoes de parentesco) ocorrem sem esse marcador.
MORFOLOGIA DAS CONSTRU<;OES POSSESSIVAS DA LiNGUA IKPENG (KARiB): UM ESTUDO SOBRE A MARCA<;Ao DA POSSE NUMA LiNGUA HEAD-MARKING
Frantome Bezerra Pacheco (USP)
o
trabalho tern por objetivoapresentar urnestudo sobre asconstruGoespossessivas em lkpeng.conhecida tambem como "Txikao" (Karib), tomando como referencial de analise a Tipologia
Linguistica. Segundo Croft(1990 e1995), essa abordagem secaracteriza por investigar
fenome-nos das linguas naturais tomando por base generalizaGoesformuladas apartir da comparaGao
inter-linguistica. envolvendo. preferencialmente. linguas dediferentes familias. localizadas em diversas regioes do planeta (paramais detalhes. cf.Comrie. 1989; Dryer. 1989; Nichols. 1992). A analise das construGoes possesseivas se concentrara nos seguintes aspectos: a)caracteristicas
morfologicas da marcaGaodeposse. tomando comoreferencia 0tipodemarcaGao e0elemento
marcado. nueleo ou dependente (ef.Nichols. 1992); b)questoes referentes aodeslocamento do
dependente (possuidor) para uma posiGao superior aquela em que se encontra 0nueleo nominal
possuido (ascensao dopossuidor); e c)anatureza semantica emorfossintatica dos elementos
que compoem a construGao estudada. Procuraremos mostrar que i)a construGao e do tipo "head-marking" (com marcaGaono nueleo):ii)0nominal possuido podeperder apropIiedade de
ser possuido (marcada pelo sufIxo -ngo ou -0);iii)0possuidor na func;:aode sujeito pode conlrolar
onominal possuido em construc;:oes transitivas. sendo tal relac;:aomarcada pelo morfema ti-.
prefIxado ao elemento possuido; iv)0possuidor. quando represenlado por urnnominal. bloqueia oemprego do prefIxode terceira pessoa. fenomeno encontrado em algumas linguas Karib (ef. Gildea. 1998). Com isso.pretende-se apresentar uma descric;:aoque contribua nao apenas para as pesquisas sobre amarcac;:ao daposse. realizadas apartir da Tipologia Linguistica. mas para
urn melhor conhecimento das construc;:oes possessivas nas linguas daFamilia Karib.
PROPRIEDADES DONOTACIONAIS DO PREFIXO REIACIONAL DE NAo CONTIGiiIDADE U-jH-}
NA LiNGUA TENETEHAR
Fabio Boriftm Duarte (UFJFj
Nessetrabalho. investigam-se as func;:oesgramaticais exercidas peloprefIxo relacional de
nao-contiguidade {i--h-}.0qualse opoe aoprefIxorelacional de contiguidade {o-- r-}.Noambito
dos estudos das Linguas Tupi-Guarani. considera-se que esses preflXosindicam a relac;:ao
gramatical que se estabelece entre 0nucleo deurnsintagma (nominal, posposicional ou verbal)
e0 seu complemento. Por exemplo. usa-se 0preflXo{o- - r-} para aqueles contextos em que 0
objetode primeira ou segunda pessoa vem imedialamente adjacente ao nucleo dopredicado. Por sua vez.0preflXo relacional {i- - h-}ocorre naqueles contextos em que0complemento nao vem adjacente ao nucleo. seja porque foiomitido da sentenc;:a.seja porque foi movido para outra
posic;:ao.Por isso. urn dos pressupostos basico. assumido noambito dos estudos sobre linguas
Tupi-Guarani. eo deque 0preflXo{i- - h-}denota. em geral. nao adjacencia docomplemento.
Contudo. alinguaTenetehar permite adicionalmente certos contextos sintaUcos em que. embora
ocomplemento venha adjacente aonucleo na ordem linear. 0preflXorelacional utilizado e0de nao-contiguidade {i-- h-}.
Nessa linha deinvestigac;:ao.esse trabalho terncomo objetivo principal buscar uma explicac;ao darazao pelaqual e possivel aocorrencia desse preflXonesses contextos. contradizendo. assim.
o pressuposto basico de que0preflXode
nao-contiguidade {i--h-} sempre denota anao adjacencia do complemento em relac;ao aonucleo.
Para responder a essa indagac;ao. exploraremos duas hip6teses. a saber: (i)a adjacencia do
complemento. na ordem linear. e apenas aparente;(ii)o complemento esta numa posic;ao de especifIcador deuma categoria funcional FP. possivelmente responsavel pela natureza t6pica ou
focaldo complementojargumento.
SUFIXOS FLEXIONAIS REFERENCIAIS EM SARARE (KATITAULHU): UMA COMPARA<;:Ao COM AS DEMAIS LiNGUAS PERTENCENTES AO SUBGRUPO NAMBIKWARA DO SUL
Cristina Borella
Alingua Sarare (katitaulhu) fazparte da familia Nambikwara, familia esta constituida por dois complexos dialetais e uma lingua: Complexo dialetal Nambikwara do SuI. Complexo dialetal
Nambikwara do Norte e Sabane. 0 Sarare (katitaulhu) pertence ao que se nomeou. na literatura
Aslinguas Nambikwara do SuI apresentam dois suBxos nominais. a saber -a e -suoKroeker
(2001)eLowe(1999) consideram. para oulras linguas perlencenles ao subgrupo Nambikwara
do SuI.0 SUflXO -su comomarca de indeBnido que se oporia a-a. marca de deBnido.0Saran':,
diferentemente de outras linguas Nambikwara estudadas ate 0momento. apresenta uma marca
formal de posse inalienavel. As constrw;6es de posse. de urn modo geraI. saD considerada na
literatura lingufstica (Heine:1997) como semanlicamente [+ definidas]. Em Sarare. 0 nome
inalienavel ocorre frequentemente com 0 sufixo Dexional-su.Assim. se considerarmos, como Kroker e Lowe, -su como marca de indefinido; conslrw;6es como "la-a-ne-ki-su"; (I-posse inalienavel-cabec;a-dassificador-referencial)- 'minha cabec;a' promoveriam urn significado
se-mantico inusilado, onde cabec;a deve ser referenciada por urn possuidor, e, ao mesmo tempo.
tambem ser semanlicamente indeBnida. Alingua Sarare, alem de apresentar 0 SUflXOS acima
mencionados, ainda apresenta 0 SUflXO -sa, este nao relatado nos trabalhos dos autores
supracitados. Nosso objetivo nessa comunicac;ao edemonstrar que osSUflXOS -su, -a e -sa, em Sarare, naodenotam 0valorsemantico dedeflnido eindeflnido. mas 0valorde referencial.Assim,
a ocorrencia de urn SUflXO em detrimento do outro esta estreitamente ligada a relevancia