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Livro-reportagem: Vidas Sequestradas 1

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Academic year: 2021

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Livro-reportagem: “Vidas Sequestradas”1

Fernando Talysson Sousa CAMPOS2 Sammara Jericó Alves FEITOSA3

Centro de Ensino Unificado de Teresina, Piauí, PI

RESUMO

O livro-reportagem Vidas Sequestradas tem como objetivo precípuo relatar as consequências do isolamento compulsório do enfermo de Lepra no Piauí e da separação obrigatória de seus filhos, a partir dos depoimentos de ex-pacientes de Lepra submetidos ao Leprosário Colônia do Carpina, e dos filhos de ex-pacientes internados no Educandário Padre Damião. Para tanto, lançou-se mão de pesquisa de natureza qualitativa, cuja coleta de dados deu-se através de entrevista não dirigida. Dentre as principais consequências relatadas, os entrevistados afirmam que a separação familiar oriunda do isolamento compulsório do ente leproso provocou ruptura dos laços familiares, ausência de referencial materno e paterno, desestruturação familiar, desgaste das relações afetivas entre os membros de suas famílias, transtornos emocionais irreparáveis, segregação econômica, social e cultural.

PALAVRAS-CHAVE: lepra; isolamento compulsório; Piauí. 1 INTRODUÇÃO

Durante sete décadas, entre 1910 e 1980, o Estado brasileiro adotou como medidas profiláticas de combate à Lepra o isolamento compulsório dos doentes e o afastamento obrigatório de seus filhos.

Para que houvesse a consecução de tais medidas e, consequentemente, o controle e a fiscalização da Lepra, o governo lançou mão de uma infraestrutura sanitária semelhante à adotada na Europa ao longo do século XIX, e que tinha como principal fundamento o tripé dispensários/leprosários/preventórios.

De acordo com tal infraestrutura, cabia aos dispensários realizar o diagnóstico da doença e encaminhar os doentes às instituições asilares. Tais instituições, denominadas leprosários, ficavam com a incumbência de garantir que os enfermos permanecessem isolados sem que tivessem qualquer contato com a sociedade. Já os preventórios tinham como objetivos cuidar dos filhos dos leprosos e mantê-los afastados de seus pais.

Internados nos leprosários, aos enfermos de Lepra era vedado o convívio com seus filhos. E estes últimos, em detrimento do isolamento do pai ou da mãe ou até mesmo de

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Trabalho submetido ao XXI Prêmio Expocom 2014, na Categoria Jornalismo, modalidade livro-reportagem. 2

Graduado em Comunicação Social Habilitação em Jornalismo pelo Centro de Ensino Unificado de Teresina, email: [email protected].

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ambos, sem terem para onde ir, visto que os familiares os repudiavam devido aos estereótipos sociais da doença, eram destinados à internação obrigatória em preventórios (também chamados de educandários) estabelecidos pelo governo.

No estado do Piauí a situação não foi diferente, visto que assim como em outros estados da federação o governo também teve que adotar medidas de infraestrutura – conforme determinação oriunda do governo federal – que permitissem a fiscalização tanto do ente leproso como de sua prole.

Neste sentido, adotou como instituições oficiais de combate à enfermidade o leprosário Colônia do Carpina, para o qual eram enviados todos os leprosos presentes no território piauiense, e o Educandário Padre Damião, instituição responsável por abrigar os filhos dos leprosos submetidos ao leprosário. Ambas foram instaladas no município de Parnaíba (PI), localizado a 339 km de distância da capital, Teresina.

É válido ressaltar, por oportuno, que o isolamento compulsório dos doentes de Lepra e a internação obrigatória de seus filhos trouxeram consequências que, por serem pouco conhecidas, ainda despertam interesses acadêmico-científicos. Afinal, foram medidas complexas que provocaram determinado grau de lesividade na vida e nas relações interpessoais dos indivíduos a elas subjugados.

2 OBJETIVO

O presente livro-reportagem tem como objetivo precípuo relatar, a partir dos depoimentos de ex-pacientes de Lepra submetidos ao leprosário Colônia do Carpina e de filhos de ex-pacientes internados no Educandário Padre Damião, que consequências são estas, como lidam com elas, de quais maneiras afetaram suas vidas e como se deu o dia-dia destas pessoas enquanto permaneceram isoladas nestas respectivas instituições distantes dos filhos, dos pais e de outros familiares.

Para tanto, realizou-se um estudo bibliográfico aprofundado acerca dos fundamentos médico-hospitalares, políticos, históricos, econômicos, sociais e culturais que deram ensejo tanto à política isolacionista empreendida contra os portadores de Lepra no Brasil e no Piauí, como à política de separação obrigatória de seus filhos.

Por conseguinte, prosseguiu-se ao mapeamento das instituições piauienses responsáveis por isolar e abrigar os ex-pacientes de Lepra e suas proles. Ademais, fez-se também a identificação das famílias afetadas pelo isolamento compulsório, para que só assim fosse

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possível ir a campo coletar os dados necessários para a consecução da última etapa desta pesquisa, qual seja: a produção de um livro-reportagem.

3 JUSTIFICATIVA

O livro-reportagem é uma forma de ampliação, de extensão da informação, do fato, uma vez que se lança mão dos acontecimentos em sua amplitude, explorando suas raízes, identificando suas implicações e desdobramentos. No livro-reportagem não se fica limitado a uma estrutura já pré-estabelecida – lead e pirâmide invertida – pelo contrário, tem-se liberdade criativa.

Portanto, em uma sociedade cada vez mais marcada pela segmentação e pelo recorte, apresentar um fato com todos os seus pormenores é algo extremamente produtivo, visto que propicia ao leitor uma contextualização da informação tanto no tempo como no espaço.

Mais do que escolha pessoal, mais do que escolha técnica, o livro-reportagem compreende uma escolha social. Isto porque é o único capaz de perpassar as fronteiras do imediatismo, oferecendo compreensão mais apurada, ampla e analítica da sociedade contemporânea.

Acredita-se ainda, que este livro-reportagem é marcado pelo seu caráter histórico-documental, podendo vir a funcionar como instrumento de pesquisa para os que desejam conhecer as consequências provenientes do isolamento compulsório dos ex-pacientes de Lepra no Piauí e da internação obrigatória de seus filhos.

Por fim, a escolha do tema é uma tentativa de contribuir para a edificação de um futuro no qual os mais variados sujeitos sociais possam ser coautores de um mundo de paz, de entendimento mútuo, de respeito ao próximo, de ampliação dos horizontes, de aceitação do diferente e de transformação das mentalidades.

4 MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS

O presente instrumento parte inicialmente de um levantamento bibliográfico acerca da referida temática, tendo visto que fora feito “um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema” (MARCONI; LAKATOS, 2010, p.142).

Munida de embasamento teórico suficiente acerca dos trabalhados realizados sobre o tema em questão, a referida pesquisa partiu para a sua segunda fase: a coleta de dados.

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Tal coleta fora realizada através de entrevista não dirigida, uma vez que “há liberdade total por parte do entrevistado, que poderá expressar suas opiniões e sentimentos”. Cabendo ao entrevistador lançar mão de mecanismos que possibilitem obter informações, sem que para tanto precise obrigar o entrevistado a responder (MARCONI; LAKATOS, 2010, p.180).

Nesse percurso de descobertas, as perguntas permitem explorar um assunto ou aprofundá-lo, descrever processos e fluxos, compreender o passado, analisar, discutir e fazer prospectivas. Possibilitam ainda identificar problemas, microinterações, padrões e detalhes, obter juízos de valor e interpretações caracterizar a riqueza de um tema e explicar fenômenos de abrangência limitada (BARROS; DUARTE, 2005, p.63)

É valido ressaltar, por oportuno, que a pesquisa ora em análise tem natureza qualitativa, tendo em vista estar focada em aspectos particulares, subjetivos dos entrevistados.

A pesquisa qualitativa responde questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com um universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (MINAYO, 2002, p.21-22).

Quer-se, desta forma, entender os impactos do isolamento compulsório no âmago dos isolados, na relação deles para com os seus familiares, como tal doença repercutiu em suas relações interpessoais e de que maneira analisam as condições que lhes foram impostas.

No que tange à coleta de dados, as entrevistas realizadas nesta fase da pesquisa foram feitas no município de Parnaíba, localizado na região norte do Piauí, entre os dias 26 de julho e 30 de agosto de 2013.

Ao todo foram entrevistadas oficialmente 14 (quatorze) pessoas, sendo 10 (dez) ex-internos do Educandário Padre Damião, dois (02) filhos de ex-ex-internos do referido Educandário e um (01) ex-paciente de Lepra internado no leprosário Colônia do Carpina. Extraoficialmente, mais seis (06) pessoas foram entrevistadas, porém, a pedido das mesmas, suas identidades não serão reveladas.

A escolha dos entrevistados fora estabelecida conforme lista cadastral elaborada pelo Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN).

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Cabe destacar aqui que após a realização de cada entrevista, os entrevistados assinaram autorização de uso de imagem, voz, nome e dados biográficos, que foram lidas em voz alta, a fim de que houvesse o pleno esclarecimento do conteúdo nelas estabelecido. Aos que não puderam assinar, pediu-se autorização oral gravada em gravador digital de voz – marca Coby CXR-190. Por sinal, tal instrumento também foi utilizado na gravação das entrevistas.

Além dos depoimentos, lançou-se mão de fotografias de autoria do próprio pesquisador e de fotografias disponíveis no arquivo pessoal das pessoas entrevistadas. Faz-se necessário relatar a consulta de documentos públicos disponíveis no Arquivo Público do Piauí, localizado na Rua Coelho Rodrigues, Bairro Centro, nº 1016, na cidade de Teresina.

Após a coleta de dados e deu-se início a última fase da pesquisa: a elaboração de um livro-reportagem que tem como objetivo precípuo documentar os relatos obtidos.

5 DESCRIÇÃO DO PRODUTO OU PROCESSO

Com uma linguagem de fácil assimilação, marcada pela clareza, concisão, e pela ausência de linearidade, o livro Vidas Sequestradas propõe-se a revisitar o passado – por isso fora impresso em preto e branco – a partir das memórias que os ex-pacientes de Lepra, levados ao leprosário Colônia do Carpina, e os filhos de ex-pacientes, destinados ao Educandário Padre Damião, guardam do tempo em que no Piauí a doença era tratada via isolamento do enfermo. Desta maneira, sua narrativa é toda desenvolvida em torno dos depoimentos destes indivíduos.

Ademais, lançou-se mão também do fotojornalismo, uma vez que segundo Souza (2000, p.12), tal prática visa “informar, contextualizar, oferecer conhecimento, formar, esclarecer, ou marcar pontos de vista (“opinar”) através da fotografia de acontecimento e da cobertura de assuntos de interesse jornalístico”.

Cabe citar ainda que o livro-reportagem Vidas Sequestradas foi dividido em quatro capítulos, conforme disposição a seguir:

a) CAPÍTULO I – A separação

Neste capítulo, que tem como ilustração inicial duas mãos afastadas, simbolizando a distância, e entre elas a música Pedaço de Mim, de autoria do compositor Chico Buarque de Holanda, tem-se por objetivo mostrar como se deu o processo de separação familiar de pais enfermos e filhos são. Este capítulo visa apresentar um panorama do que será o

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livro-de emotividalivro-de nela contido. Na música, o cantor-poeta, através da função conativa da linguagem, fala da dor da saudade provocada pela perda e pela distância de um ente querido.

b) CAPÍTULO II – O leprosário Colônia do Carpina

Ilustrado inicialmente com a fotografia da atual fachada do Hospital Colônia do Carpina, após reforma, este capítulo está focado no leprosário, nas pessoas que por ele passaram e nas pessoas que nele ainda habitam. Dentre as fotografias deste capítulo, estão presentes fotos de autoria do pesquisador, fotos provenientes de consulta a documentos públicos e imagens de arquivo pessoal dos entrevistados. É válido ressaltar que os presentes instrumentos só foram utilizados devido às concessões de direito de imagem cedidas pelos fotografados e entrevistados.

c) CAPÍTULO III – O preventório Padre Damião

Voltado essencialmente para o preventório Padre Damião, tem-se neste capítulo a visão dos ex-moradores do lugar acerca da vida institucional a qual foram submetidos durante os anos de reclusão na referida instituição.

d) CAPÍTULO IV – Na luta por justiça

Destinou-se este capítulo para as conclusões e para a atual situação dos indivíduos submetidos tanto ao leprosário Colônia do Carpina como ao preventório Padre Damião.

5.2 Projeto gráfico

FORMATO 15cm X 21cm

CAPA – PAPEL Papel couchê

MIOLO – PAPEL AP-24

FONTE – TÍTULO – CAPA Arial Black 112 pt

FONTE – SUBTÍTULO – CAPA Arial Black 31 pt

FONTE – ORELHA – CAPA Arial 10 pt

FONTE – MIOLO Times New Romam 12 pt

FONTE – TÍTULO DO CAPÍTULO Arial 18 pt

FONTE – LEGENDAS Futura Md Bt 8 pt

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QUANTIDADE DE CAPÍTULOS 04

QUANTIDADE TOTAL DE PÁGINAS 136

TIPO DE IMPRESSÃO Impressão a laser

CORES Preto e branco

5.3 Público-alvo a ser atingido

Estudantes, pesquisadores, historiadores, juristas, jornalistas, profissionais da área da saúde, sociólogos, todos que desejam conhecer as consequências do isolamento compulsório para os de ex-pacientes de Lepra no Piauí e filhos de ex-pacientes separados de seus pais em virtude da doença.

6 CONSIDERAÇÕES

Concebido sob os ensinamentos de teóricos como Felipe Pena, Eduardo Belo e Edvaldo Pereira Lima, o livro-reportagem Vidas Sequestradas enquanto produto jornalístico cumpre seu papel de informar de maneira analítica, clara e propositiva fatos do passado que guardam relação direta com o presente. Além de privilegiar fontes oficiosas em detrimento de fontes oficiais, haja vista sua classificação, qual seja: reportagem história e livro-reportagem depoimento.

Com uma linguagem simples, dinâmica, reflexiva, que alterna conteúdo jornalístico e doses esparsas de literatura, Vidas Sequestradas penetra fundo no universo sombrio das vítimas da política isolacionista adotada no Brasil contra os portadores de Lepra e suas famílias ao longo do século XX.

Ademais, Vidas Sequestradas propõe-se ainda a dar voz, rosto, vez, nome e identidade a homens e mulheres que ainda hoje lutam por justiça e buscam junto ao Estado algum tipo de reparação pelos sofrimentos decorrentes da separação familiar a eles imposta.

no que diz respeito às consequências relatadas pelos ex-pacientes de Lepra levados ao leprosário Colônia do Carpina e pelos filhos de ex-pacientes destinados ao preventório Padre Damião, é possível destacar a ruptura dos laços familiares, a ausência de referencial materno e paterno, a desestruturação familiar e o desgaste das relações afetivas entre os membros de suas famílias. Além, é claro, dos transtornos emocionais e psicológicos irreparáveis, a segregação econômica, social e cultura que ainda permeia suas vidas, traumas psicológicos e perdas consideráveis de memória.

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Tais consequências estão diretamente relacionadas ao tratamento dispensado a estes indivíduos enquanto estiveram sob a guarda das respectivas instituições. Porém, não se pode deixar de lado a influência da sociedade no que diz respeito ao segregacionismo dos ditos leprosos e seus filhos.

Os relatos descritos pelos personagens de Vidas Sequestradas dão a entender que por durante mais de meio século, o Piauí abrigou um campo de concentração de extermínio de leprosos – localizado na região norte do estado – que muito se assemelhou às estruturas totalitárias desenvolvidas pelos governos ditatoriais que se multiplicaram pelo mundo nas primeiras quatro décadas do século XX. Além da segregação econômica, social e cultural e os traumas psicológicos, a mais nefasta das conseqüências alegadas pelos entrevistados tange à segregação familiar oriunda do isolamento compulsório. Segundo eles, ao serem internados nos leprosários, os ex-pacientes de Lepra tinham seus laços familiares desfeitos. O mesmo acontecia com os filhos moradores do preventório, ao chegarem a tal instituição pouco mantinham contato com os pais e em decorrência deste fato cresciam sem qualquer referencial paterno e materno.

Por fim, este trabalho visa propiciar, através dos depoimentos relatados, uma reflexão histórica e humanitária acerca das consequências da política do isolamento compulsório do doente de lepra e da política de separação obrigatória de seus filhos no âmago de suas relações interpessoais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARROS, Antonio; DUARTE, Jorge. Métodos e técnicas de pesquisa e comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos da metodologia

científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MINAYO, M. C. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2002. SOUZA, João Pedro. Uma história crítica do fotojornalismo ocidental. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2000.

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