GENESIS OF ORE DEPOSITS (IAGOD)
SYMPOSIUM DE ST. ANDREWS, 1967POR
DÉCIO THADEU
Em Setembro de 1963 efectuou-se, em Praga, para come-morar o 70.0 aniversário da publicação do tratado The Genesis of
Ore Deposits de Frantisek Posepny, un s'y11lposium dedicado a problemas relativos à origem dos jazigos minerais pós-magmá-ticos.
Este symposium, organizado pelo Serviço Geológico da Che-coslováquia e a Faculdade de Ciências Naturais da Universidade de Charles, registou notável sucesso, devendo destacar-se a pro-moção de largo intercâmbio entre cientistas do mundo ocidental e do oriental, separados por tantos factores, entre os quais as dificuldades linguísticas· ocupam lugar preponderante.
O mesmo s)'mposÍltm demonstrou a conveniência de 5e man-terem os contactos, então iniciados, e daí resultou a nomeação de uma Comissão Provisória sobre a Génese dos Jazigos Minerais que, por ocasião da XXII Sessão do Congresso Geológico Internacional, em Nova Deli, se transformou na International Association on the Genesis of Ore Deposits (IAGOD), que se filiou na Inte1'na-tional Union of Geological Sciences (IUGS).
A primeira direcção daquela associação ficou constituída do seguinte modo:
Presidente: Dr. SLOBODAN RAKIC (Jugoslávia) Vice-Presidentes: Prof. C. F. PARK (E.U.A.)
Prof. V .
.I.
SMIRNOV (U.R.S.S.) Secretário: Dr.J.
KUTINA (Checoslováquia)228
Ainda durante a reunião de Praga, os representantes da Jugos-lávia ofereceram-se para organizar um segundo encontro, que deveria ter-se efectuado em Setembro do ano findo, em Belgrado, dedicado ao estudo da «origem, evolução e controle dos fluidos mineralizadores» .
Tal encontro teve de ser cancelado, por diversos motivos, no princípio do referido ano e o Conselho da IAGOD, depois de várias tentativas para transferir a r·eferida reunião para outro país, no que encontrou grandes dificuldades devido ao tempo extremamente escasso que era dado para a respectiva organiza-ção; dirigiu um apelo ao Prof. C. F. DAVIDSON, conselheiro da IAGOD para a Europa, para que acedesse a organizar uma reu-nião na Escócia· em substituição da que tivera de ser cancelada na Jugoslávia.
Tendo aquele Professor acedido a este pedido, efectuou-se o segundo sympoJium na Universidade de St. Andrews, na Escó-cia, de 8 a 17 de Setembro de 1967_
E deste symposium que nos ocuparemos, fundamentalmente, na presente notícia, mas, antes de procurarmos dar ideia geral dos seus trabalhos, julgamos conveniente acrescentar mais alguma coisa sobre a IAGOD, visto tratar-se de uma associação que inicia as suas actividades e, portanto, ainda relativamente desconhecida no nosso meio.
Os estatutos foram elaborados de modo a corresponderem às condições exigidas para a filiação na .IUGS e serão submetidos a aprovação definitiva, em Agosto deste ano, na reunião do Con-selho a realizar durante a XXIII Sessão do Congresso Geológico Internacional, em Praga.
Naqueles estatutos prevê-se que qualquer pessoa que se ocupe de jazigos minerais ou de ciências com eles relacionados, quer em exercício profissional, quer no ensino ou na investigação, por um período mínimo de 3 anos, possa ser admitida como membro da IAGOD. O pedido de admissão deverá, no entanto, ser patro-cinado por dois membros da Society .of Economic Geologists (SEG), da Society for Geolog'y Applied to Mineral Deposits (SGA) , ou das Comissões Nacionais para o Estudo dos Jazigos Minerais ou suas equivalentes. Quaisquer outros pedidos de pessoas que se
jul-guem qualificadas deverá ser objecto de parecer da Comissão de Admissão.
Prevê-se, ainda, o estabelecimento de uma cotização anual que permita fazer face às despesas de secretaria e à distribuição de uma folha noticiosa (newsletter) internacional.
As cotizações propostas são as seguintes: Membros individuais .
Comissões Nacionais .
Sociedades geológicas, Serviços Geológicos e outras instltUl-ções representadas nas
Comis-US$3.00
US$10.00 (nominal)
sões nacionais. US$1O.00
Empresas mineiras no mundo ocidental e Organizações mi-neiras estatais nos países
socia-listas. US$100.00
O Conselho da IAGOD, na reunião de Praga, terá ainda de se ocupar da renovação da Direcção e da realização de futuros
symposia.
Entretanto, o Conselho, em St. Andrews, teve que proceder à eleição de novo presidente, pelo facto de o presidente em exer-cício ter pedido a exoneração, recaindo a escolha sobre o Prof. C.
F. DAVIDSON (Grã-Bretanha) e, como este ocupava o lugar de conselheiro para a Europa, tornou-se necessário eleger outro, tendo sido eleito o Dr. GUNNAR KAUTSKY (Suécia).
Quanto à realização de futuros symposia, o Prof. TSUNEHIKO
TAKEUCHI, em nome do Comité Nacional para Mineralogia do Conselho de Ciências do Japão, comunicou o convite para que o próximo syln/,ositl1n se realizasse no Japão, em 1970. Este con-vite foi aceite em princípio, ficando a aprovação definitiva depen-dente da apresentação do respectivo programa a efectuar na reu-nião do Conselho da IAGOD, em Praga, este ano.
O s,Y1n.posittm realizado na Universidade de St. Andrews, sob
230
tem po de que este dispôs, revelou organização perfeita e as dis-cussões atingiram, frequentemente, grande interesse.
O único óbice residiu no facto de o número de inscrições ter sido limitado acerca de 80, por a residência universitária, posta à disposição, não comportar maior número de participantes e não haver possibilidade de obter número apreciável de alojamentos em hotéis. Apesar desta dificuldade, a organização do symposium
ainda conseguiu albergar cerca de 114 participantes provenientes de 24 países: Austrália, Bélgica, Canadá, Checoslováquia, Dina-marca, Espanha, E. U. A., Finlândia, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Jamaica, Japão, Jugoslávia, Noruega, Países Baixos, Portugal, República da Arábia Saudita, República Democrática Alemã, República Federal Alemã, Suécia, União Indiana e U.R.S.S .. Deve salientar-se que o número de participantes ingleses foi fixado em 14, igual ao da delegação estrangeira mais numerosa ... , a dos E. U. A.
Carecendo a Escócia de jazigos minerais metálicos, as excur-sões realizadas tiveram em mira o exa'me de aspectos geológicos com interesse para aqueles.
Assim, uma das excursões, nos Scotish Highlands, permitiu observar vesúgios de uma mineralização de galena-barita-blenda--pirite-calcopirite, com rara pechblenda e casolite, localizada na zona de falhas de Tyndrum, que apresenta a particularidade de a galena acusar idades compreendidas entre 220 e 770 Ma, enquanto a pechblenda parece ser de idade triásica (230 Ma). Nesta mesma excursão pôde observar-se a célebre caldeira de subsidência de Glen Coe, estrutura vulcânica en anel, do Devó-nico inferior, situada nos GramPian Highlands, ocupada essen-ciahnente por riolitos e andesitos.
Uma outra teve por objectivo o exame de diastremas vulcâ-nicos nas formações carboníferas da costa de Fife, a sul de St. Andews; despertaram particular interesse numerosas e impor-tantes chaminés de explosão, cortadas por filões de monchiquito e de basalto monchiquítico.
Noutra excursão teve-se oportunidade de observar as grandes explorações de granitos, de diversos tipos e idades, da região de A:berdeen. Uma última excursão faciEtou o exame das importantes
explorações de andesitos devónicos da reglao de Perth, cortados por dois filões de dolerito quartzífero, de idade permocarbónica, que atravessam a Escócia desde ArgyU até Fife.
O programa do symposium reteve os três temas propostos para a reunião na Jugoslávia:
----, Origem dos metais nos jazigos hidrotermais, profundidade de formação e extensão vertical da deposição dos minérios. - Aspectos normais dos di feDentes tipos de alteração da rocha encaixante, nos jazigos hidrotermais, no decorrer do processo de mineralização.
- Fenómenos de substituição nos jazigos hidrotermais à luz dos novos pontos de vista físico-químicos e geoquímicos. A estes temas fundamentais, o organizador do sympositt1JZ de St. Andrews acrescentou a título secundário:
- Contribuição dos estudos paleomagnéticos para a compreen-são genética dos jazigos minerais.
- Jazigos minerais relacionados Wm exalações vulcânicas. - Mineralizações sulfúreas em carbonatitos e kimberlitos. - Origem do ouro, extremamente dividido, dos jazigos
aurí-feros estratiformes.
As comunicações, entregues para a reunião na Jugoslávia, refe-rentes aos dois primeiros temas foram objecto de análises prepa-radas pelo Prof. V. I. SMIRNOV (Origem do material das minera-lizações), pelo Prof. ZDENEK POUBA (Profundidade de formação e extensão vertiral da deposição dos minérios) e pelo Dr. R. W. BOYLE (Aspectos normais na aheração da rocha encaixante relacionados com os processos da mineralização hidrotermal).
As comunicações referentes ao terceiro tema não foram objecto de apreciação crítica mas o Prof. H. D. HOLLAND apresentou uma an:Hise geral da questão (Fenómenos de subst~tuição nos jazigos hidrotermais) .
A apresentação destes trabalhos, de síntese e crítica, em St. Andrews, suscitou grande interesse que se traduziu por ani-mada discussão, mesmo muito viva para o elaborado pelo Dr. R. W. BOYLE.
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o
trabalho do Prof. SMIRNOV será brevemente publicado na conhecida revistú. Economic Geology, os do Prof. POUBA e do Dr. BOYLE serão incluídos num volume especial, conjuntamente com uma selecção das comunicações apresentadas para a reunião de Belgrado, de cuja edição se encarregou o Prof. POUBA e o Dr. MIROSLAV STEMPROK (Praga).Não haverá qualquer publicação especial com as comunica-ções apresentadas no symposium de St. Andrews; aquelas serão submetidas, para publicação, a diversas revistas da especialidade de reconhecida idoneidade. A revista inglesa Applied Earth Science
(Institution of Mining & Metallurgy) publicou, no entanto, no
volume 76, número de Novembro do ano findo, os sumários dos referidos trabalhos.
Algumas das comunicações apresentadas e, sobretudo, as dis-cussões que provocaram, permitiram verificar que a divisão entre os que persistem em atribuir importância primordial ao magmatismo, nos processos conducentes à formação dos jazigos epigenéticos, e os que reduzem dràsticamente ') papel daquele se tem acen-tuado profundamente. Paralelamente e não de modo independente das causas daquela divisão, toma cada vez mais vulto .a oposição entre «epigenéticos» e «singenéticos» pelo que diz respeito à génese dos jazigos es'tratiformes, ao mesmo tempo que se observa inte-resse renovado pela velha teoria da secreção lateral.
Parece ser .l escola russa que se mostra mais conservadora,
não obstante V. I. SMIRNOV (Origem do material das
minerali-zações) apresentar um ponto de vista genérico mais pragmático.
Assim, este cientista admite três proveniências distintas para os minérios: de origem juvenil, relacionada com o magma basáltico subcrustal; originados por assimilação, relacionada com magma gmnítico palingenético de origem crustal; e originados por fil-tração, na dependência de águas subterrâneas não magmáticas.
A primeira daria Lugar a jazigos de ferro, manganés, vaná-dio, titânio, crómio, platinóides, cobre e zinco, caracterizados pela estreita dependência espacial das rochas magmáticas que lhes teriam dado origem e pela composição similar qualquer que seja a província metalogénica; seriam jazigos formados durante a fase inicial da evolução geossinclinal. A segunda originaria jazigos de
estanho, volfrâmio, berílio, lítio, nióbio e tântalo, do tipo essen-cialmente pós-magmático, formados durante a fase intermédia e final da evolução geossinclinal; a dependência espacial das rochas magmáticas-mães seria menos apertada que no caso anterior e, por outro lado, variaria algo de província para província meta-logénica. A última daria origem a jazigos, sem qualquer relação aparente com rochas magmáticas, durante a fase tardia da evo-lução geossinclinal ou mesmo durante o estádio de plataforma; os elementos concentrados seriam removidos das rochas subjacentes ou circundantes pela percolação das águas subterrâneas; seri.am exemplo deste tipo de origem os jazigos estratiformes de chumbo, de características teletermais.
Os jazigos de origem basáltica subcrustal caracterizariam as fossas eugeossinclinais marginadas por falhas profundas, os de ori-gem crustal as zonas geossinclinais centrais soerguidas, enquanto parte dos últimos derivariam de sedimentos acumulados sobre plataformas sem contribuição de material magmático.
Este ponto de vista, radicalmente distinto da doutrina, predo-minante até cerca de 10 a 15 anos atrás, que procurava atribuir origem única a todos os jazigos endógenos e explicar a diver-sidade pelas condições físicas em que se elaborara o respectivo processo formativo, tem a grande vantagem de procurar relacionar os jazigos endógé'nos com as diversas fases da evolução geológica da crusta terrestre e apresentar, assim, os jazigos minerais como consequência directa daquela.
A doutrina, que está na base da concepção apresentada por
SMIRNOV, é hoje universalmente aceite; as dificuldades surgem
quando se entra na discussão dos diferentes grupos genéticos, muito particularmente do último que já pusera em causa as teorias clás-Slcas.
Assim, pelo que diz respeito aos jazigos estratiformes de carácter teletermaI devem salientar-se as comunicações de
MAR-GARETHA BRONGERSMA-SANDERS (Sobre as relações topográficas
entre as mineralizações estratiformes e os evaporitos), de C. F.
DAVIDSON (Afinidades entre evaporitos e minérios: causal ou
casual? ), de R. E. FOLINSBEE et alia (Canadá: um jazigo de
chumbo e zinco originado a partir de «brines» encerrados em sedimentos?), de W. E. HALL (Génese do districto
fluorítico-234
-zincífero do Illinois do sul à luz do estudo das inclusões fluídas e de isótopos leves estáveis) e de A. V. HEYL (Alguns aspectos da
génese dos jazigos estratiformes de zinco, chumbo, barita e fluorite de lVlississipi V alley) , todos concordantes em atribuir à lixiviação de sedimentos pelas águas subterrâneas, em alguns casos à con-centração dos metais em «brines», a origem das mineralizações es.tudadas.
As possíveis relações entre jazigos do tipo teletermal e as águas salinas do tipo «brine» , encerradas nas séries sedimentares, têm sido estudadas nos últimos anos e este es'tudo recebeu grande impulso com o descobrimento de «brines» com elevado teor de chumbo, na província petrolífera de Cheleken (U.R.S.S.). As comu-nicações, acima citadas, traduzem o interesse presentemente
atri-buído à investigação daquelas relações.
Como exemplo de trabalho que procura relacionar a formação de jazigos teletermais com a actividade magmática deve destacar-se o apresentado por
J.
D. RIDGE (Jazigos de zinco do nordeste do T ennessee: estudo genético) e como exemplo de trabalho que procura a origem do material constituinte dos jazigos hidroter-mais, na mobilização dos elementos dispersos nas rochas promo-vida pelo metamorfismo ou pela lixiviação das águas subterrâneas, deve citar-se a comunicação de R. W. BOYLE (Origem doselemen-tos metálicos e das gangas dos jazigos hidrotermais).
As discussões mais interessantes e animadas concentraram-se sobre os problemas levantados pelos jazigos teletermais (particular-mente sobre as possibilidades de se atribuir os respectivos miné-rios, quer a lixiviação dos sedimentos circunvizinhos, quer a con-centração original em águas salinas, do tipo «brine») mas foram, sem dúvida, aquelas duas últimas comunicações que suscitaram a mais viva controvérsia.
Outras comunicações merecem ser destacadas pela contribuÍ-ção que podem oferecer para o estudo de problemas metalogénicos portugueses.
Assim, sobre os carbonatitos africanos foram apresentados trabalhos por KURT von GEHLEN (Isótopos de enxofre do carbo-natito com sulfuretos de Palabora, Africa do Sul), G. SPRINGER
e D. SCHACHNER-KoRN (Análises de mackinawite e valleriite de
b01'a, Af1'ica do Sul) e realizada uma conferência, de carácter geral, por
J.
B. DAWSON (Pano1'ama fotográfico dos ca1'bonatitosafricanos ).
Relacionada com este tema, foi organizada uma exposição de amostras de carbonatitos e kimberlitos africanos, entre as quais despertaram particular curiosidade as amostras de lavas carbonatí-ticas sódicas das erupções de 1960 e 1961 do vulcão Oldoinyo Lengai (Tanzania).
A existência destas lavas, constituídas essencialmente por carbonato de sódio, sugerem a relacionação com o vulcanismo carbo-natítico das numerosas nascentes de águas termais do campo car-bonatítico do rio Vúzi (Tete, Moçambique) que originam depó-sitos salíferos constituídos, pràticamente, só por carbonato de sódio.
Os jazigos estano-volframí-ticos foram objecto de duas comlÍ-nicações, bastante interessa<ntes, de V. F. BARABANOV
(Mineralo-gia e génese dos filões qua1'tzo-1Jolframíticos da Transbaikalia) e
V. L. BARSUKOV (01'igem do estanho dos jazigos estaníferos). Citam-se, em último lugar, duas co:nunicações sobre a crono-logia das mineralizações pós-magmáticas da Europa central, de L. BAUMANN e H.
J.
ROSLER (Sobre o escalonamento no tempodos processos endógenos de f01'mação de jazigos minerais na Europa central) e de
J.
H. BERNARD (Sobre as relações temporais eespa-ciais entre os plutões granitóides variscos e os jazigos hidroter-mais do Maciç;o da Boémia). Estes dois trabalhos, dadas as ana-logias entre os maciços hercínicos da Europa central e de Portugal, apresentam o grande interesse de virem provar, com base em estudos minuciosos e utilizando técnicas muito evoluídas, o esca-lonamento, no tempo, daquelas mineralizações, ultrapassando lar-gamente o domínio da orogenia hercínica (ao contrário das ideias prevalecentes até muito recentemente) e penetrando no da orogenia alpina, à semelhança do que se tem vindo a defender, desde 1951, para as mineralizações correspondentes do Maciço Hespérico, em Por,tugal.
Um e outro autor concluem pela existência de fases de mine-ralização hercínica e pós-hercínica, alpina. Para o primeiro, as mineralizações mais antigas estarão relacionadas com as
intru-sões gmníticas hercínicas, enquanto as pós-hercínicas com um magmatismo simático híbrido. Para o último, as mineralizações hercínicas precoces (associação quartzo e sulfuretos auríferos) e as hercínicas tardias (associação quartzo, moscovite, estanho e vol-frâmio, e associação chumbo e zinco, com mais ou menos arsénio e cobre, ricas de sulfuretos de ferro) estariam relacionadas com os plutões granitóides hercínicos; as mineralizações pós-hercínicas (associação chumbo e zinco, com mais ou menos prata e cobre, pobres de sulfureto de ferro, a associação quartzo e antimónio, e a associação com uraninite) não revelariam qualquer relação espacial com aqueles plutões e, por outro !,ado, estariam depen-dentes de importantes sistemas de fracturas, do tipo disjuntivo.
A simples inumeração esquemática das conclusões alcançadas pelos referidos metalogenistas, para as mineralizações pós-magmá-ticasda Europa central, é bastante para realçar o interesse que representam estes trabalhos para o estudo da .:netalogenia por-tuguesa.
Antes de se terminar esta nota, em que se pretendeu chamar a atenção para o papel que a IAGOD vem exercendo no campo dos estudos metalogénicos, não se quer deixar de considerar, aqui, a homenagem devida ao Prof. C. F. DAVIDSON.
A este se ficou a dever não só a organização do symposium
de St. Andrews mas, ainda, U'ma acção persistente e eficiente no desenvolvimento de relações entre os metalogenistas de todo o mundo. Da sua eleição para presidente da IAGOD muito havia a esperar, mormente no estabelecimento de contactos entre os metalogenistas do Leste e do Oeste, para o que se encontrava particularmente indicado, quer pelas suas qualidades de carácter franco e afável, quer pelo conhecimento da língua russa.
Infelizmente, um ataque cardíaco, a que não foi estranho o excesso de trabalho motivado pela reunião de St. Andrews,
viti-mou-o em 1 de Novembro último, privando a IAGOD da sua
orientação valiosa e os amigos de uma convivência sempre bené-vola e proveitosa.