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RN Econômico - Abril de 1979

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ECON0MCO

Revista mensal para homens de negócios

A N O X — N" 101 — ABRIL/79 — C r $ 35,00

Lavoisier longe

do diálogo e

da paz política

y

a

do RIM aprendem

a reivindicar

Ar temia: novo

produto na pauta

de exportações

(2)

REVENDEDORES AUTORIZADOS EM NATAL:

GRANORTE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA.

MATRIZ: Av. Salgado Filho, 2810 — Fones: 231-4586, 231-3097 e 231-4272. FILIAL: Rua Presidente Bandeira, 656 — Fones: 231-4586.

(3)

RH ECONÔMICO

Revista mensal para homens de negócios

Sumário

Diretores-Editores M a r c o s Aurélio de Sá M a r c e l o Fernandes de Oliveira Gerente Administrativo M a u r í c i o Fernandes Redatores A d e r s o n França José A r i Luciano Herbert Paulo de Souza Lima Petit das Virgens Sávio Ximenes Correspondente em Mossoró E m e r y Costa Diagramaçãoe Páginaçáo Fernando Fernandes Fotografias

João Garcia de Lucena

Fotocomposição e Montagem A n t ô n i o José D. Barbalho F o r t u n a t o Gonçalves Francisco das C. M a r t i n s Departamento de Assinaturas Célia M a r i a da Silva Consultores

Pedro Simões Neto, Alcir Veras da Silva, Alvamar Furtado, Dom A n t ô n i o Costa, Cortez Pereira, D a l t o n Melo, Dantas Guedes, D i ó g e n e s da Cunha Lima, Fernando Paiva, Genário Fonseca, Hélio A r a ú j o , Jayme Santa Rosa, Janilson de Paula Rego, João Frederico A b b o t t Galvão J r . , João W i l s o n M e n d e s M e l o , Jorge Ivan Cascudo R o d r i g u e s , Manoel Leão Filho, M a r c o A n t ô n i o Rocha, Moacyr D u a r t e , Ney Lopes de Souza, D o m N i v a l d o M o n t e , Otto de Brito G u e r r a , Paulo Gonçalves, Severino R a m o s de Brito, Túlio Fernandes F i l h o , U b i r a t a n Galvão.

RN /ECONÔMICO — Revista mensal especia-lizada em assuntos econômico-financeiros do Rio Grande do Norte, é de propriedade de RN/ECONÔMICO EMPRESA JORNALÍSTICA LTDA. CGC n° 08286320/000161 -Endereço: Rua Dr. José Gonçalves, 687 — Natal-RN - Telefone: 231-3576. Composição e impressão: EDITORA RN/ECONÔMICO LTDA. - CGC n° 08423279/0001-28 - Insc. Est. 20012932-5 — Endereço: Rua Dr. José Gonçalves, 687 - Natal-RN — Telefone: 231-1873. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, salvo quando seja citada a fonte. Preço do exemplar: Cr* 35,00. Preço da assinatura anual: Cr$ 280,00. Preço de número atrasado: Cr$ 40,00.

Reportagens

L a v o i s i e r longe do diálogo e da paz politica Professores do RN a p r e n d e n d o a reivindicar D i n h e i r o do B N H está estimulando " c â m b i o n e g r o " no mercado de imóveis B a r r a g e m do Açu: depois do projeto c o n c l u í d o e obras iniciadas, o " d i á l o g o '

E s t a d o quer concorrer com S E N A I na f o r m a ç ã o de mão-de-obra No m e r c a d o de carne, o d e s c o n t e n t a m e n t o é geral O q u e há de verdadeiro na " c o r r i d a do f e r r o " ? D A T A N O R T E d á prejuízo. O q u e o Estado tem com isto? A r t ê m i a : um novo projeto na p a u t a de exportações do RN I n i c i a d o o diálogo entre o

p r e f e i t o e os empresários de Natal J. M O T T A : um exemplo de q u e a união faz a força

L i v r o s : o mercado poderia crescer m a i s se os preços não fossem tão altos C R E A estuda novos meios de

e l i m i n a r a prática do " c a n e t i s m o "

S ecções

H o m e n s & Empresas 8 17 21 24 32 40 45 50 52 55 64 67 71 P á g i n a do Editor 7 Oeste Econômico 36 A g e n d a do Empresário 66 D i r e i t o Econômico 74 Explicação Necessária 75

A r t i g o

Pedro Simões Neto

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HOMENS & EMPRESAS

CIDADE SATÉLITE NÃO

PODE MAIS ESPERAR

Num ano de crise econômica, por decorrência natural da seca ou do inverno irregular que está prejudi-cando o desempenho da agricultura e da pecuária do Estado, e quando as arrecadações do Estado e dos mu-nicípios deverão cair, é incompre-ensível que os poderes públicos con-tinuem protelando a autorização pa-ra o início da construção da ' 'Cidade

Satélite", um conjunto residencial

com 4 mil casas que representará um investimento superior a Cr$ 2 bi-lhões e que permitirá a criação de milhares de empregos em Natal e ci-dades vizinhas durante pelo menos dois anos. OINOCOOP-RNjá dispõe dos recursos e depende apenas do bom-senso das autoridades munici-pais de Natal para iniciar a obra. Existem 12 mil candidatos inscritos para as quatro mil residências.

DISTRIBUIDORA SERIDÓ E M NOVA SEDE ESTE ANO

Até dezembro deverá ser inaugu-rada a nova sede da Distribuidora de

Automóveis Seridó S/A,

revendedo-ra Volkswagen em Natal. Contando com uma área coberta de 3 mil me-tros quadrados e mais 5 mil meme-tros de área para estacionamento inter-no, as futuras instalações da Seridó representam um investimento da or-dem de CrS 16 milhões. José Pinto

Freire, diretor da empresa, informa

que a loja e oficinas atuais da aveni-da Salgado Filho serão mantiaveni-das em funcionamento.

FÁBRICA DE CERVEJA CUSTARÁ 800 MILHÕES

Enquanto providenciou o envio de projeto à SUDENE, no valor de Cr$ 800 milhões, a Cervejaria

Nor-destina S/A cuidou logo de comprar

um grande terreno às margens da Lagoa de Extremoz, a poucos quilô-metros de Natal, pela quantia de Cr$ 8 milhões. O grupo empresarial que compõe a indústria de cerveja a ser implantada no Rio Grande do Norte a partir do próximo mês de ju-nho é o mesmo que dirige a CERPA e a CERMA, as principais cerveja-rias do Norte do País.

EFREM LIMA INAUGURA CENTRO DE FORMAÇÃO

O presidente do Instituto de

Pre-vidência do Estado, Éfrem Lima,

proporcionou ao governador

Lavoi-sier Maia a inauguração da primeira

obra do atual Governo: o Centro de

Formação Profissional do IPE,

loca-lizado na avenida Floriano Peixoto, em frente à sede do Banco de

De-senvolvimento. O Centro de Forma-ção Profissional tem como finalidade

principal proporcionar cursos para os dependentes dos servidores esta-duais. No momento, já estão em an-damento cursos de datilografia e de corte e costura.

Jussier Santos

EMPROTURN QUER APOIAR O TURISMO

O diretor-presidente da

EMPROTURN — Empresa de Pro-moção e Desenvolvimento do Turis-mo, Jussier Santos, contratou os

ser-viços do jurista Ivan Maciel de

An-drade para que ele, tomando por

ba-se a legislação do turismo dos princi-pais Estados brasileiros, elabore uma lei básica de apoio ao turismo no Rio Grande do Norte. Ao lado desta oportuna providência, Jussier já está conseguindo dar um novo rit-mo de trabalho à empresa, manten-do excelente relacionamento com o empresariado do setor turístico. Em apoio às idéias de Jussier Santos, a

Editora RN/ECONÔMICO Ltda.

fa-rá voltar à circulação a revista RN/

TURISMO, agora com tiragem de 30

mil exemplares.

SPERB JÁ OFERECE 620 EMPREGOS DIRETOS

A Sperb do Nordeste S/A —

In-dústria Têxtil já está operando no

distrito industrial de Eduardo Go-mes, a 70 por cento da sua capacida-de, produzindo 500 toneladas por mês de fios finos. No momento, a empresa já proporciona 620 empre-gos diretos, sem falar num razoá-vel número de operários da cons-trução civil que ultimam as obras fí-sicas da indústria. Dirigida por

Iri-neu Osvaldo Sperb, Roberto Querino Sperb e Egydio Zilles, a empresa

chegará, em junho próximo, à sua capacidade total de produção.

LAVANDERIA INDUSTRIAL ABERTA AO GRANDE

PUBLICO

A Servebem — Comércio,

Indús-tria e Serviço Ltda., a mesma

em-presa que distribui em Natal a

Cer-veja Cerma, investiu Cr$ 4 milhões

na instalação de uma lavanderia industrial que dentro dos próximos 30 dias estará aberta ao público natalense, oferecendo serviços de la-vagem de roupa ao nível do que já se faz nos grandes centros. Os irmãos

Milton e Nilton Minora e mais Sérgio Polari, dirigentes da Serve-bem, têm ainda alguns outros

proje-tos empresariais em vista.

CYRO CAVALCANTI AMPLIA INSTALAÇÕES DA RIBEIRA

Cyro Cavalcanti, uma das

orga-nizações comerciais mais tradicio-nais do Rio Grande do Norte no ramo de peças, máquinas e motores, é agora o distribuidor exclusivo para o Estado da linha de motores maríti-mos, estacionários e veiculares da marca MWM. Por outro lado, a em-presa está dinamizando o seu depar-tamento de perfuração e instalação de poços, empregando bombas sub-mersas hidráulicas que garantem melhor desempenho e recebem a melhor assistência técnica da região. Para atender a essa expansão das suas atividades, Cyro Cavalcanti te-ve que anexar às suas instalações do bairro da Ribeira mais 1.300 metros quadrados de área.

(5)

HOMENS & EMPRESAS

ECOCIL LANÇA MAIS U M

CONDOMÍNIO FECHADO

A Empresa de Construções Civis

Ltda. — ECOCIL — está lançando

mais um edifício em condomínio fe-chado, depois do grande êxito que representou o Edifício Riomar. Tra-ta-se, agora, de um prédio com dez andares, com apenas um aparta-mento por andar, numa das melho-res áreas melho-residencial de Natal: à rua Joaquim Fabrício, bairro de Petró-polis, no terreno que pertenceu à

Sociedade Cultural Brasil-Estados Unidos. Já se inscreveram 8

candi-datos aos 10 apartamentos, embora a ECOCIL tenha apenas publicado um pequeno aviso pelos jornais so-bre o lançamento.

RN/ECONÔMICO ADQUIRE TERRENO NA BR-101

A Editora RN/ECONÔMICO

Ltda. aplicou parte dos lucros

obti-dos no exercício de 1978 na aquisi-ção de um terreno de 15 mil metros quadrados, às margens da Rodovia BR-101, nas proximidades da fábrica da Alpargatas Confecções. É meta da empresa, dentro dos próximos dois anos, dar início à construção de novas instalações, onde serão cen-tralizadas todas as atividades do grupo RN/ECONÔMICO.

FERNANDO BEZERRA A CAMINHO DA FIERN

Já está sendo providenciado o re-gistro da chapa única que concorre-rá à eleição para a nova diretoria da

Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte.

Encabeça-da pelo engenheiro Fernando

Bezer-ra, presidente do Sindicato da In-dústria da Construção Civil, a chapa

mantém praticamente toda a atual diretoria, aparecendo como nome novo apenas o de Abelírio Rocha pa-ra secretário. Expedito Amorim, atual ministro do Tribunal Superior

do Trabalho, será eleito

represen-tante da FIERN junto à

Confedera-ção Nacional da Indústria, condiConfedera-ção

indispensável para que ele continue ocupando a tesouraria da CNI.

NATÉRCIA JÁ ESTÁ COMPRANDO MÁQUINAS

A NATÉ CIA — Companhia

Têx-til de Natal, projeto industrial em

fa-se de implantação no município de Eduardo Gomes, que se destinará à fabricação de toalhas, continua sendo gradativamente implantado. Com as suas obras físicas bastante adiantadas, o grupo que o lidera já deu início às compras de equipa-mentos, já tendo investido em má-quinas CrS 6,5 milhões somente nos últimos meses.

TARGINO NA GERÊNCIA DA FEDERAL DE SEGUROS

Ao que tudo indica, a Federal de

Seguros S/A deverá passar a ser

gerenciada no Rio Grande do Norte pelo seu atual supervisor de produ-ção, Francisco Targino Pessoa Neto, funcionário da empresa seguradora há nove anos. Targino é muito bem relacionado com os meios empresa-riais e com os poderes públicos do Estado, além de ter sido um dos maiores amigos de Augusto

Montei-ro, ex-gerente, recentemente

faleci-do, e que foi — sem dúvida — o grande responsável pela destacada posição da Federal de Seguros entre nós.

"CONTRA SOL"PRODUZIDO EM ESCALA INDUSTRIAL

Um jovem estudante de Enge-nharia Mecânica, Francisco

Medei-ros, inventou há três anos um

apare-lho de proteção contra o sol para ser usado por automóveis estacionados. Ao invento foi dado o nome de

"Contra Sol". Mas depois de

com-provar o valor da sua invenção, o jo-vem não tinha como industrializá-la. Com ajuda do CEAG-RN, que elabo-rou um projeto, e do BDRN, que lhe fez um financiamento de CrS 223 mil, Francisco Medeiros agora já consegue produzir 2 mil unidades de

"Contra Sol" por mês, que estão

sendo comercializadas não só em Natal, mas em João Pessoa, Recife, Fortaleza, e uma primeira remessa já seguiu para o Rio de Janeiro. A pequena indústria está situada em Natal, na rua Leonel Leite, e propor-ciona 8 empregos diretos.

AÇUCAREIRA GANHA AÇÃO CONTRA ESTADO

A Companhia Açucareira Vale

do Ceará Mirim obteve ganho de

causa em ação contra o Governo do Estado, em que pedia a restituição de Cr$ 2.031.683,00, corresponden-tes a ICM cobrados em excesso pela Secretaria da Fazenda. Esta impor-tância será devolvida com correção monetária.

DIVEMO VISITADA POR DIRETORES DA MERCEDES-BENZ

Por ocasião do Seminário de Ge-rência de Serviços, promovido em Natal pela DIVEMO e contando com a presença dos gerentes das conces-sionárias Mercedes-Benz de todo o Nordeste, estiveram na cidade dois diretores desta indústria automobi-lística: A. Branding — do setor de vendas, e H. J. Wilhem — do setor de serviços. Além de participarem como conferencistas do Seminário, os dirigentes da Mercedes-Benz fi-zeram demorada visita às instala-ções da DIVEMO, externando a me-lhor impressão.

GUARARAPES: GRANDE LUCRO E NOVOS PLANOS DE

EXPANSÃO

Repetindo os excelentes resulta-dos de toresulta-dos os anos, a Confecções

Guararapes S/A está publicando seu

balanço referente ao exercício de 1978, onde apresenta um lucro líqui-do de Cr$ 256 milhões. Dentro da sadia política de reinvestimento do lucro, sempre defendida e posta em prática pelo diretor-presidente

Nevaldo Rocha, a Guararapes já

traçou seu plano de expansão para 1979 e começou a executá-lo, cons-truindo duas novas unidades fabris (Natal e Fortaleza).

GLEYRE ASSUME RELAÇÕES PUBLICAS DO GOVERNO

O advogado Gleyre Belchior

Be-zerra foi convidado e aceitou

assu-mir o cargo de chefia do setor de Relações Públicas do gabinete do governador Lavoisier Maia, já se encontrando em pleno exercício da nova atividade.

(6)

Você tem uma

idéia totalmente errada

sobre economia no

transporte urbano de carga.

A verdadeira economia de um veículo comercial não se limita ao tanque de gasolina.

Para operar com lucro no tráfego intenso e congestionado dos grandes centros, um veículo, antes de tudo, não deve carregar peso morto.

A Linha Kombi apresenta a melhor relação peso/carga dentro da faixa

dos comerciais leves: transporta cerca de 1 quilo de carga útil para cada quilo de peso próprio, enquanto que os concorrentes só conseguem carregar meio quilo de carga para cada quilo de peso próprio. Isso significa que a Linha Kombi tem aproveitamento integral da sua capacidade em cada viagem.

Os detalhes de construção de todas as versões da Linha Kombi,

especialmente a posição da cabina, permitem maior aproveitamento do compartimento de carga, possibili-tando uma distribuição homogênea do peso sobre os eixos. Nenhum outro veículo da sua categoria transporta 1 tonelada de carga útil.

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Graças ao seu tamanho compacto, cada veículo Kombi permite

manobras rápidas em pátios de carga e descarga, estacionamento em pequenas vagas e facilidade de circu-lação no tráfego urbano.

Em percursos diários entre 100 e 300 km, a Linha Kombi representa a melhor opção para entregas a

domicí-io ou reposição de estoques de seus diente's.

Os modelos Kombi podem

transportar 12 fogões de 4 bocas, 24 aparelhos de TV a cores de 20", 10 máauinas de lavar para 6 kg, 8 geladeiras com freezer, 800 litros de leite, 600 frangos de 1 1/2 kg, 180 perus de 5 kg, 1.600 queijos de 1Í1 kg, 25.000 maços de cigarros, 18.000 ovos, 5.500 picolés, etc., etc...

A versatilidade da Linha Kombi oferece sempre o modelo mais adequado para cada uso e cada necessidade.

Agora, faça os cálculos. Menor preço de compra entre os veículos de sua classe. Mecânica VW. Baixo consumo e manutenção simples. Durabilidade. Menor depreciação.

Some tudo isso e você comprovará que a Linha Kombi tem o menor custo operacional no transporte urbano de carga.

®

A marca que conhece

o nosso chão.

Garanta o combustível de amanhã Respeite o« 80.

REVENDEDORES AUTORIZADOS

MARPAS S. A. A v . Tavares de Lira, 159 — Fone: 222-0140 Rua Presidente Sarmento, 592 — Alecrim

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PAGINA DO EDITOR

SERÁ A BARRAGEM

A MELHOR ALTERNATIVA

PARA O BAIXO-AÇU?

Com base nos exemplos que estão à nossa dis-posição, as grandes obras de açudagem até hoje construídas no Nordeste não ajudaram a mudar o panorama de pobreza geral no interior dos Esta-dos dessa área. Aqui mesmo no Rio Grande do Norte, onde existem vários açudes e barragens de grande porte — como o Mendubim, o Gargalhei-ras, o Itans, o Pataxó e muitos outros — não se po-de afirmar com segurança que, por conta po-deles, a vida do povc melhorou, a agricultura evoluiu, a economia teve impulso. São obras extremamente caras, quando muito de valor discutível, de utili-dade muito restrita e relativa, que jamais deram um retorno proporcional ao seu preço.

No passado, até por conta da falta de uma tec-nologia agrícola mais eficiente, é compreensível que a açudagem de grande porte tenha tido uma justificativa. E, a rigor, pensava-se mais nos açu-des como meio de prevenir inundações e de arma-zenar água para os períodos de seca, do que como instrumento para apoiar a agricultura. Afinal, an-tigamente as terras não tinham grande valor e co-brí-las com água era como uma bênção, principal-mente para os pecuaristas. Hoje as coisas evoluí-ram. Todo espaço tornou-se vital. Água já se obtém por meios mais eficientes através da explo-ração dos lençóis subterrâneos. Não foi através de açudes que se conseguiu fazer a revolução verde em algumas das regiões mais secas do mundo, co-mo a Califórnia e Israel. E para não ir tão longe, bem podemos citar um exemplo local: o projeto da M A I S A , implantado numa faixa de terra do muni-cípio de Mossoró que até alguns anos atrás era como um deserto.

Talvez por ter dinheiro sobrando, talvez por falta de imaginação ou por simples teimosia, o Departamento Nacional de Obras Contra as Se-cas (DNOCS) - órgão federal encarregado de planejar e executar uma política de combate às se-cas no Nordeste - está dando início no Rio

Gran-de do Norte a mais uma barragem gigantesca, desta vez na região do baixo-Açu, inundando de-zenas de milhares de hectares de terras da melhor qualidade, inclusive ricas em minerais. Até uma cidade inteira (São Rafael — cerca de 10 mil habi-tantes) será tragada pelas águas, sendo o seu po-vo obrigado a procurar outro habitat e a esquecer seu passado, seu lugar, suas origens. Tudo em nome de um projeto elaborado em sigilo, nos ga-binetes dos tecnocratas, que a Nação vai financiar sem ter a menor noção dos seus futuros resulta-dos, até porque nenhum projeto similar tem apre-sentado resultados muito favoráveis.

Promete-se a criação de condições para uma agricultura irrigada, através de um programa de colonização que atenderá a uma grande parte dos próprios agricultores ora atingidos pela desapro-priação de suas terras. Chega-se ao requinte de prometer que um hectare que hoje rende apenas Cr$ 500,00 por ano poderá passar a render até Cr$ 150 mil, promessa que peca por otimismo ex-cessivo, sendo portanto temerária e precipitada.

Só depois do projeto concluído, com a sua im-plantação iniciada, chega o DNOCS ao Estado pa-ra tentar explicá-lo; papa-ra tentar " d i a l o g a r " com o povo desinformado, que vive dias de incerteza. E nessa missão tardia conta até com o apoio de al-guns políticos que, por representarem o povo, de-veriam na verdade estar questionando certos as-pectos da obra, perguntando se não haveria outra alternativa menos drástica para o Vale do Açu.

De fato, sabe-se que a obra já é irreversível. Custará talvez alguns bilhões de cruzeiros. Nada mais há a fazer, pois a decisão veio de cima para baixo. Resta, agora, esperar que não tenhamos nela um novo fracasso do poder público.

Marcos Aurélio de Sá

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POLÍTICA

LAVOISIER

LONGE DO DIÁLOGO

E DA PAZ POLÍTICA

Episódios como o da Assembléia Legislativa, que pediu explicações ao

governador sobre a acusação de corrução que o jornal do Governo fez ao

deputado Vivaldo Costa; como o atrito do chefe do Executivo estadual

com o ministro da Previdência; como o movimento dos professores por

aumento salarial; ou como o problema da seca e o leilão do feijão podre da

CIDA, são assuntos que estão servindo para testar o desempenho político

e administrativo do médico Lavoisier Maia. E os entendidos em

política afirmam que nem sempre ele está se saindo bem.

Menos de dois meses depois de assumir o Governo do Estado, o mé-dico Lavoisier Maia Sobrinho já co-meçou a enfrentar severos testes de aptidão para as atividades políticas e administrativas, e nem sempre tem conseguido boas notas. Nos seus pri-meiros dias de mandato, coube à sua própria Assessoria de Imprensa criar-lhe os primeiros problemas, ao distribuir aos jornalistas natalenses uma estapafúrdia biografia do go-vernante onde ele era classificado, entre outras coisas, de "aparente-mente tranquilo". De saída, o episó-dio provocou a desconvocação de Nilson Patriota para a Secretaria de Comunicação Social (que estava para ser criada), o que teria sido exi-gido pelos familiares do próprio Lavoisier.

Mas a lição não foi suficiente: Nilson, que continuou na presidên-cia da Companhia Editora do Estado (empresa mista que edita o jornal

A REPÚBLICA), novamente criava

confusão para o governo, ao permitir

a veiculação pelo jornal oficial de uma notícia que acusava o depu-tado estadual arenista, e também médico como o governador, de prá-tica de corrução. A notícia gerou uma verdadeira crise na Assembléia Legislativa: num fugaz acesso de rebeldia, os deputados da ARENA (à exceção de um) assinaram uma nota de desagravo a Vivaldo Costa e solicitando uma explicação direta do governador para o tipo de noticiário que o órgão de imprensa do governo estava veiculando. Fugindo à responsabilidade pelo ato, Nilson provocou a exoneração do jornalista Antônio Melo, então diretor-responsável de A

REPÚ-BLICA, e irmão do vice-governador

Geraldo José de Melo. Isso provocou outro desdobramento para o proble-ma: a redação do jornal iniciou um movimento pela demissão do pre-sidente da CERN pela volta de An-tônio Melo. Este movimento fracas-sou, resultando na demissão de vá-rios jornalistas que dele

participa-ram. E Lavoisier Maia enfrentou o problema com a omissão, deixando que ele caisse no esquecimento. Nenhuma resposta foi apresentada à Assembléia pelo governador que, confiante na maioria que ali possui, preferiu dizer pela imprensa que os deputados tinham liberdade de agir como quisessem, em relação ao seu governo.

A QUESTÃO DA PREVIDÊNCIA

— Por outro lado, nessa mesma épo-ca, os deputados federais da banca-da arenista do Rio Grande do Norte, por solicitação do ministro da Previ-dência Social Jair Soares, haviam feito indicações de nomes para ocu-parem os cargos de chefia do INPS, INAMPS, IAPAS, Legião Brasileira de Assistência e Central de Medica-mentos neste Estado. Entre os no-mes levados ao ministro estavam al-guns considerados não gratos ao Palácio Potengi, como por exemplo o do ex-deputado Dalton Cunha, que foi adversário do ex-governador

(9)

POLÍTICA

O governador Lavoisier Maia prometeu o diálogo no discurso de posse e disse que a sua meta é a paz política. Ainda não se viu

nem uma coisa, nem outra, embora o clima permaneça ' 'aparentemente t r a n q ü i l o " .

Tarcísio Maia na Assembléia, depois do acordo político da família Maia com Aluízio Alves. Lavoisier Maia tomou o gesto dos deputados potiguares como de hostilidade ao seu poder, pois ao que parece esperava ser consultado previa-mente sobre tais nomeações.

Avisado na undécima hora de que os atos já estavam prontos para ser assinados pelo ministro, o gover-nador viajou imediatamente a Brasí-lia para tentar mudar os rumos do assunto, não sem antes denunciar que os deputados federais haviam promovido um "sorteio" dos cargos da Previdência Social no Rio Grande do Norte. Primeiro, essa denúncia apareceu nas páginas do jornal ofici-oso Tribuna do Norte, para em se-guida ser divulgada nacionalmente pelos principais colunistas políticos do Sul do país. Ao receber o gover-nador Lavoisier Maia e ao ouvir dele o protesto contra a indicação de no-mes para cargos federais de chefia, sem o seu conhecimento, teria o ministro Jair Soares retrucado que não devia satisfações nem aceitaria sua interferência nos assuntos da Previdência Social, assim como não

Dalton Cunha, um adversário dos Maias, poderá ser escolhido

para dirigir o INPS no Estado. Lavoisier toma isto como uma

derrota pessoal.

procuraria interferir de forma algu-ma na administração pública poti-guar. Há quem afirme, ainda, que Lavoisier tentou fazer considerações desfavoráveis ao deputado Vingt Rosado perante o ministro, e que este lhe teria dito qüe não continuas-se a falar, pois Vingt era continuas-seu amigo pessoal.

Ao que tudo indica mal sucedido

no episódio da Previdência, pois to-dos os nomes apresentato-dos pelos de-putados federais poderão ser apro-veitados pelo ministro, Lavoisier passou a mexer com outros trunfos e tem conseguido até agora, pelo me-nos, protelar as nomeações.

O MOVIMENTO DOS PRO-FESSORES — Mal saindo dessas

duas provas (com o detalhe de que o caso do jornal A REPÚBLICA ain-da não pode ser considerado encer-rado, pois foi apenas adiado), o chefe do Executivo viu-se de frente com o primeiro movimento traba-lhista reivindicatório do Rio Grande do Norte após a revolução de 1964: os professores da rede oficial de en-sino de primeiro e segundo grau, seguindo o exemplo de outros Es-tados, inciaram uma luta em busca de aumento salarial e pedindo, ain-da, enquadramento no novo Estatu-to do magistério, qüinqüênios atrasados, e mais algumas vanta-gens que a lei lhes assegura mas que o governo não vem cumprindo.

Mediante ameaça de greve, os professores logo se tornaram foco de todas as atenções políticas, ga-nhando as manchetes dos jornais e o apoio quase que generalizado da opinião pública. Afinal, todos sa-biam que os professores têm salários vergonhosamente baixos. Os princi-pais porta-vozes do governo reco-nheceram a justiça do que os profes-sores reivindicavam, mas alegavam que o Estado não estava em condi-ções de atendê-los. Foi quando en-trou em ação o deputado federal João Faustino, tido como um líder da classe, pois grande parte da sua votação em 15 de novembro de-veu-se ao apoio recebido dos setores educacionais. Procurando apaziguar os ânimos, dando razão aos profes-sores, mas também dando razão ao governo, João Faustino demons-trou muita insegurança nas suas posições, sendo imediatamente re-cusado como mediador pelos profes-sores. E mais contribuiu para com-plicar a posição do deputado um pronunciamento intempestivo do atual secretário da Fazenda do Esta-do, Otacílio Silveira, no sentido de que João Faustino não tinha

(10)

POLÍTICA

que aparecer agora como defensor dos professores se, como secretário da Educação no governo anterior, ele nada havia feito para melhorar as bases salariais do magistério.

A AMEAÇA DE GREVE —

Hou-ve um momento em que o movimen-to dos professores esteve a ponmovimen-to de-comprometer ainda mais o clima

"aparentemente tranquilo" do novo

governo. Foi quando os líderes da classe passaram a exigir aumento sob ameaça de greve.

Mas, conforme um velho e sur-rado dito popular, "não há mal

que não traga um bem " . D e repente

o flagelo da seca começou a se aba-ter sobre mais de 80 por cento do território potiguar, obrigando o governo a decretar estado de emer-gência em dezenas de municípios. A partir daí, os professores já não tinham condições de exigir e forçar o governo a dar-lhes aumento. Outra vez o secretário da fazenda aproveitou a ocasião para falar à imprensa e disse: "Se houver seca,

o Estado não dará aumento nem de zero nem de duzentos por cento''.

A frase dura soou como antipática em muitos setores, mas serviu per-feitamente de respaldo para que o governador pudesse receber uma comissão de professores e explicar a absoluta impossibilidade de aten-der, naquela hora, o seu pleito.

Foi, portanto, a seca — embora trazendo intranquilidade e possíveis prejuízos para a economia — o que salvou no primeiro momento o go-verno de um sério impasse com seus quase 15 mil professores. É verdade que não desapareceu o perigo de no-vas escaramuças, apesar da secreta-ria da Educação e Cultura já ter iniciado o enquadramento de 3.500 professores no novo Estatuto e de já ter concedido reajuste para mais outros 3 mil que ganhavam menos do que o novo salário mínimo regional. Ainda existe grande insa-tisfação no meio da classe, que ameaça entrar em greve no dia 10 de maio se o governo não conce-der um aumento de 200 por cento, em duas etapas.

O FEIJÃO MARAVILHA — O

governador Lavoisier Maia encon-trava-se em viagem a Brasília quan-do eclodiu o problema da seca. No exercício do governo, o vice-gover-nador Geraldo José de Melo foi acos-sado pelos apelos desesperados de inúmeros prefeitos do interior, que a ele recorriam em busca de aju-da para enfrentar a miséria decor-rente da estiagem prolongada. Pelo relato dos prefeitos, muitas cidades estavam ameaçadas de inva-sões pelos trabalhadores rurais desempregados e famintos. Depois de consultar pelo telefone o governa-dor, Geraldo José de Melo decretou o estado de emergência em dezenas de municípios das regiões mais castigadas pela estiagem.

Mais ou menos nessa mesma ocasião, o Diário Oficial do Estado publicava um edital de concorrência pública para alienação de 500 tonela-das de feijão macássar, por ordem da CIDA (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agropecuário), empresa mista do Governo Estadual encarregada de implantar e desen-volver projetos de colonização. Logo o Diário de Natal, em editorial, es-tranhava que, num momento em que o Estado estava enfrentando uma se-ca, precisando consequentemente dispor de elevados estoques de

gê-Cortez Pereira acusa Tarcísio Maia pelo apodrecimento de 500

toneladas de feijão das Vilas Rurais. E pergunta: " Q u e m vai

pagar o prejuízo de Cr$ 10 milhões?"

neros alimentícios para fornecer à população do interior, viesse a CIDA a proceder um leilão de produto que logo o Governo poderia necessitar de recomprar a terceiros. A matéria jor-nalística bastou para que o vice-go-vernador mandasse sustar a venda do feijão. E aí veio à tona um fato da maior gravidade: a direção da CIDA publicou uma nota oficial esclare-cendo que o feijão que estava para ser leiloado era "imprestável para o consumo humano", por se tratar de produto velho, mal armazenado e atacado pelo gorgulho. No

máxi-5 W ' M f' : S I : "MmmwkiMMi .tf *iWffl.; Bfflfe I J m ••'mm I i M I 111 - *• >f ,, „' i i w J ü t ó Á è ? • •• T * • i 't T»' i I B ^ v a iWSIBwH) -'•SfclLs

Um paradoxo: enquanto Delfim Netto luta para "encher a panela

do p o b r e " , o Governo do Rio Grande do Norte (onde tem muita gente passando fome) deixa 500 toneladas de feijão apodrecerem

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POLÍTICA

mo — dizia a nota —,no estado em que se encontrava, o cereal poderia servir de complemento para a fabri-cação de rações para animais.

CORTEZ PEREIRA — "Quem foi o reponsável pelo apodrecimento do feijão? Por que o produto não foi vendido em tempo hábil? A quanto monta o prejuízo e quem vai pagá-lo"? Foi com estas interrogações

que apareceu na imprensa o ex-governador Cortez Pereira, exata-mente o idealizador do projeto das Vilas Rurais, Colônias agrícolas responsáveis pela produção do feijão agora estragado. Ele fez as pergun-tas e ele mesmo respondeu, primei-ro acusando o governo passado de ter sido o principal culpado, por con-ta do abandono a que relegou o projeto das agro vilas. Depois afir-mou que o ux-governador Tarcísio Maia só não destruiu as Vilas Rurais porque era humanamente impos-sível arrancar um milhão e quinhen-tos mil cajueiros que foram planta-dos e que já estão frutificando, co-meçando a proporcionar rendimen-tos para centenas de famílias lá instaladas. Por último, calculou em Cr$ 10 milhões ou mais o prejuí-zo causado pelo estrago das 500 to-neladas de feijão e declarou que se um episódio como este tivesse acon-tecido ao tempo em que ele, Cortez Pereira, governou o Rio Grande do Norte, sem dúvida teria sido transformado num escândalo nacio-nal.

Diante da repercussão do assun-to, logo passou a ser denominado jocosamente em Natal como o caso

do "feijão maravilha". E coube ao deputado federal Carlos Alberto, na ânsia de aparecer como oposicio-nista, levar o problema à tribuna da Câmara, denunciando-o como

'' um crime contra o povo'' e pedindo

a atenção das autoridades federais para o caso.

A imprensa voltou a abordar o "feijão maravilha" em outras ocasi-ões, reportando declarações de colo-nos das Vjlas Rurais em que eles a c u s a v a m ' a CIDA pela perda do produto e por outros erros que impli-cam pratiimpli-camente na causa do fra-casso do projeto. Por ordem do

Palá-11 R N / E C O N O M I C O - Abril/79

cio Potengi, a diretoria da CIDA não deu fesposta às acusações e negou-se até a receber a imprensa.

Não se sabe ainda que tratamen-to o governador Lavoisier Maia dará ao problema, mas há quem aposte que ele vai procurar fazer com que o assunto caia no esqueci-mento para não comprometer o seu antecessor. Ficaria, assim, o "feijão maravilha" lançado na conta de "lucros e perdas" do continuis-mo governamental.

QUE SECA É ESTA? — A seca,

como se sabe, é um fenômeno co-mum no Rio Grande do Norte. Acontece ciclicamente. E a cada vez que acontece é sempre encarada

como um fato novo pelos governan-tes, que nunca têm planos definidos para enfrentá-la. E se o governo, que possui os recursos, não tem pla-nos, o que dizer dos pobres agricul-tores e pecuaristas do interior, eternamente endividados e com as terras penhoradas aos bancos ofi-ciais?

Tomado de surpresa, o governa-dor Lavoisier Maia encontrou na configuração da seca, em meados do mes de abril, mais um estonteante desafio à sua capacidade de mobili-zação e de liderança. É verdade que, para enfrentar o drama da fome e do desemprego nos campos nordestinos por causa da seca, o governo federal através da SUDENE sempre chega em auxílio dos Estados, garantindo recursos suficientes para a abertura das famigeradas "frentes de traba-l h o " . Mas, ocorre que a situação exigia medidas rápidas, enérgicas e objetivas para se evitar que a cala-midade se instalasse em muitas áreas do Estado onde grupos de tra-balhadores rurais, levados pela fome chegaram a saquear feiras livres e mercados.

Alertado por alguns assessores e políticos, Lavoisier Maia ficou convencido da inocuidade da im-plantação das "frentes de trabalho" nos moldes antigos, pois elas signi-ficariam apenas a garantia de que os flagelados não ficariam sem a renda mínima para poderem alimentar as suas famílias. Em compensação, to-do o dinheiro gasto na manutenção

O plano de João da Mata Toscano está sendo usado para enfrentar a seca, mas ninguém

se lembrou do seu nome. dessas frentes nenhum resultado econômico deixaria para as regiões assoladas. Assim, ele concluiu que precisava ser alterado o sistema tradicional de arrebanhar homens para os serviços de limpeza e conser-vação de estradas vicinais. Mas, como mudar de repente um método consagrado pela mediocridade dos administradores do passado? E como mudar, se não se fez nenhum planejamento prévio nesse sentido?

Lavoisier não se intimidou com o desafio. Talvez sem o saber, ele foi buscar numa pouco conhecida tese do agrônomo João da Mata Toscano, publicada numa edição do RN/ECONÔMICO do ano de 1970, a solução para erradicar as "frentes de trabalho". João da Mata defendia a necessidade de se aproveitar a mão-de-obra nos tempos de seca para a construção de obras permanentes, como açudes e benfeitorias nas propriedades ru-rais, de modo a que, num ano de inverno regular, estas propriedades apresentassem condições de produ-zir mais. E complementava a sua idéia explicando que seria muito mais lógico e útil o governo patroci-nar integralmente os custos destas obras nas propriedades particulares do que " t o r r a r " as verbas em servi-ços improvisados pelas prefeituras,

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POLÍTICA

O ministro Mário Andreazza veio observar a seca do Rio Grande do Norte.

apenas para manter ocupados os flagelados.

Para tirar um pouco do paterna-lismo contido na tese do agrônomo, Lavoisier ou alguém da sua equipe imaginou a exigência de uma contra-partida dos proprietários, a fim de que eles pudessem usar trabalhado-res pagos pelo governo em obras que beneficiariam suas terras. Ficou então estabelecido que os fa-zendeiros das regiões onde havia si-do decretasi-do o estasi-do de emergên-cia deveriam programar a execução de serviços empregando mão-de-obra dos trabalhadores rurais, e que o governo (usando recursos da SUDENE) colaboraria com os seguintes percentuais no custeio das folhas de pagamento desse pes-soal: nas propriedades de 0 a 100 hectares, 80 por cento; nas de 100 a 500 hectares, 70 por cento; e nas de mais de 500 hectares, 50 por cento. O complemento das despesas cabe-ria aos proprietários assumir.

A SUDENE E OS RECURSOS

— Houve um momento em que a si-tuação de seca se agravou a um só tempo em vários Estados. Por pres-são dos governadores, a SUDENE promoveu em Natal uma reunião para definir uma ação conjunta de socorro à população flagelada. Pe-rante os seus colegas do Ceará, Piauí e Paraíba, o governador Lavoi-sier Maia apresentou o plano elimi-nando as "frentes de trabalho" e defendendo o aproveitamento da mão-de-obra desempregada pelas próprias fazendas, conforme a idéia de João da Mata Toscano, porém com a exigência da contrapar-tida dos proprietários rurais. A SUDENE aprovou o novo modelo de trabalho para enfrentar a seca, garantindo para o Rio Grande do Norte recursos suficientes para a re-muneração de mais ou menos 50 mil trabalhadores durante seis ou sete meses, tempo previsto de duração da estiagem.

Para explicar aos impacientes prefeitos do interior o funciona-mento do novo esquema, o governa-dor com alguns auxiliares passou a percorrer todas as regiões atingidas pela seca. Foram promovidas

inú-meras reuniões em cidades do inte-rior, onde se levava ao conhecimento do povo e dos proprietários de terras a extinção das "frentes de trabalho" e o aproveitamento dos trabalhado-res em serviços nas próprias fazen-das. Em todos os lugares, a reação principalmente dos pequenos pro-prietários — foi a pior possível, pois eles alegavam a impossibili-dade de participar das despesas com as folhas de pagamento dos traba-lhadores. E, de fato, somente um número muito pequenp de fazendei-ros aderiu ao plano, apresentando projetos de melhoria em suas pro-priedades e se inscrevendo nos escritórios da EMATER-RN. Diante do insucesso inicial, Lavoisier pas-sou a lutar junto à SUDENE e ao próprio ministro do Interior, Mário Andreazza (que esteve em visita às regiões secas do Rio Grande do Norte), a cobertura de 100 por cento das despesas de mão-de-obra, o que finalmente foi conseguido.

Entretanto, quando em todas as partes do Estado os proprietários de terras aderiram ao programa, pas-sando a criar empregos para deze-nas de milhares de flagelados, eis que começam a cair chuvas abun-dantes em quase todas as regiões de modo contínuo, confirmando um inverno bom, embora tardio. Logo a SUDENE anunciou sua dis-posição de suspender o programa contra a seca e reduziu de 244 para apenas 25 milhões de cruzeiros as verbas para o Rio Grande do Nor-te, o que está gerando violentas

críticas ao órgão.

OUTROS EPISÓDIOS POLÍ-TICOS — É na área política onde o

governador Lavoisier Maia tem tido maiores problemas, por conta de sua ligação com uma facção do MDB e do seu desentendimento com uma facção da ARENA. Não está sendo fácil ser de um partido e governar com o outro, pois isto está sempre resultando em crises cons-tantes com setores independentes dos dois lados. Na ARENA, por exemplo, o senador Dinarte Mariz, os deputados federais Djalma Mari-nho e Vingt Rosado, além de vários deputados estaduais e vereadores natalenses, não se curvam às vontades do governo e externam a cada dia mais disposição para criti-car o acordo da família Maia com a Família Alves. Há também no MDB uma ala dissidente, disposta a conti-nuar fazendo uma oposição radical a Lavoisier, contando com a necessá-ria cobertura do Diário de Natal, jornal de maior tiragem do Estado.

Ao que parece, enquanto a alian-ça com Aluízio Alves parece dar a Lavoisier Maia uma base política ra-zoável em termos locais, junto ao Governo Federal ela não tem sido entendida. Prova disso é que as indi-cações de nomes para os cargos de chefia nas repartições federais no Rio Grande do Norte estão sempre sendo feitas à revelia do Palácio Po-tengi, o que tem causado profunda irritação ao governador.

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CAPITAL AUTORIZADO 150.000.000,00 CAPITAL SUBSCRITO E INTEGRALIZADO 90.374.006,00

S e n h o r e s A c i o n i s t a s :

RELATÓRIO DA DIRETORIA

C u m p r i n d o d e t e r m i n a ç ã o legal e e s t a t u t á r i a , a p r e s e n t a m o s ao e x a m e d e V. Sas. os re-s u l t a d o re-s do exercício re-social d a E m p r e re-s a , e n c e r r a d o e m 31 d e d e z e m b r o d e 1978, r e t r a t a d o re-s no B a l a n ç o P a t r i m o n i a l e n a Demonstração d e R e s u l t a d o s .

T i v e m o s a satisfação d e ver c o n f i r m a d a , no exercício d e 1978, a m e s m a dedicação d e nossos f u n c i o n á r i o s , p e r f e i t a m e n t e i n t e g r a d o s aos o b j e t i v o s d a E m p r e s a , e, a i n d a , a m a n u -t e n ç ã o de i r r e s -t r i -t o a p o i o das p r i n c i p a i s I n s -t i -t u i ç õ e s F i n a n c e i r a s do País, p e r m i -t l n d o - n o s a o b t e n ç ã o dos r e s u l t a d o s o r a apresentados.

C u m p r e - n o s esclarecer aos senhores a c i o n i s t a s q u e a nova s i s t e m á t i c a d e apuração do s e u r e s u l t a d o , p r e v i s t a no Decreto-Lel 1 . 5 9 8 / 7 7 , d e t e r m i n a n d o o cálculo dos efeitos inflacio-n á r i o s sobre o p a t r i m ô inflacio-n i o , r e s u l t o u inflacio-no r e g i s t r o d e u m p r e j u í z o e c o inflacio-n ô m i c o da o r d e m d e C r | 21.309 m i l , e m d e c o r r ê n c i a do noa$o b a i x o í n d i c e d e I m o b i l i z a ç ã o do p a t r i m ô n i o l i q u i d o

d e , a p e n a s , 0,41.

Nào o b s t a n t e , e m t e r m o s f i n a n c e i r o s , o c r é d i t o p o s i t i v o de nossas operações no e x e r -c í -c i o , s l t u o u - s e em t o r n o d e C r $ 6.081 mil.

A p e s a r d a a p a r e n t e d e s v a n t a g e m espelhada no nosso balanço, t i v e m o s nosso p a t r i m ô -n i o l i q u i d o e -n r i q u e c i d o c o m u m a valorização, em t e r m o s c o -n t á b e i s , de 1 9 , 5 % .

Nossas esperanças estarão s e m p r e v o l t a d a s p a r a u m p o r v i r m a i s p r o m i s s o r , e m q u e a e s t a b i l i d a d e e c o n ô m i c a , p o l í t i c a e f i n a n c e i r a do Pais p e r m i t a à i n i c i a t i v a p r i v a d a p r o g n o s t i car os r e s u l t a d o s d e suas a t i v i d a d e s s u j e i t a n d o s e a oscilações c o n j u n t u r a i s d e n t r o dos l i m i -tes a d m i s s í v e i s p a r a períodos r e g u l a r e s d e d e s e n v o l v i m e n t o .

N a t a l , 20 d e f e v e r e i r o d e 1979. a n i o c m o i á

BALANÇO PATRIMONIAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 1978 (NOTAS 1 e 2) QUADRO I

A T I V O P A S S I V O C - f C l ' C I R C U L A N T E 135.429.834 C I R C U L A N T E 65.931,760 D i s p o n í v e l C a i x a D e p ó s i t o s B a n c á r i o s à V i s t a C l i e n t e s D u p l i c a t a s a Receber d e c l i e n t e s D u p l i c a t a s Descontadas P r o v i s ã o p / c r é d i t o liquidação d u v i d o s a O u t r o s C r é d i t o s 10.138.728 "55,275 10.083.453 62.596.720 115.436.689 (49.378.869) (3.463.100) 13.005.629 B a n c o s e E m p r é s t i m o s (nota 7) F o r n e c e d o r e s O b r i g a ç õ e s P r e v l d e n c l á r l a s O b r i g a ç õ e s T r i b u t á r i a s A d i a n t a m e n t o s d e C l i e n t e s R e p r e s e n t a n t e s e V e n d e d o r e s — c / c o m i s s õ e s C o n t a s à Pagar C r e d o r e s por i n v e s t i m e n t o s (nota 8) 25.630.929 28.598.635 2.134.841 7.542.467 891.15« 449.861 190,182 493.689 A d i a n t a m e n t o s a terceiros A d i a n t a m e n t o s a Fornecedores A d i a n t a m e n t o s a F u n c i o n á r i o s A d i a n t a m e n t o s a R e p r e s e n t a n t e s e V e n d e d o r e s B a n c o s cl V i n c u l a d a D e p ó s i t o s C o m p u l s ó r i o s I m p o s t o s a R e c u p e r a r E s t o q u e s (nota 3) Despesas D i f e r i d a s 286.696 85.022 217.317 3.480.558 8.021.920 52.745 861.371 46.870.3B1 2.818.376 E X I G Í V E L A L O N G O P R A Z O B a n c o cl E m p r é s t i m o (nota 7) C r e d o r e s p o r I n v e s t i m e n t o s (nota 8) R E S U L T A D O D E E X E R C Í C I O F U T U R O 4 702.569 3 . 4 0 0 . 0 0 0 1.302.569 1.584.895 R E A L I Z Á V E L A L O N G O P R A Z O 613.774 Receitas D l f e r e l d a s 1.584.895 Bancos c / V i n c u l a d a (nota 4) E m p r é s t i m o s C o m p u l s ó r i o s D e p ó s i t o s e Cauções D e p ó s i t o s plInvestimentos c / I n c e n t i v o s Fiscais 46.225 285.172 41.108 441.289 P A T R I M Ô N I O L I Q U I D O ( Q u a d r o III) 108.998.420 A T I V O P E R M A N E N T E 44.972.036 C a p i t a l S u b s c r i t o e I n t e g r a l i z a d o (nota 9) 90.374.008 I n v e s t i m e n t o s 1.559.896 R e s e r v a s d e C a p i t a l 37.004.904 P a r t i c i p a ç ã o e m o u t r a s E m p r e s a s P a r t i c i p a ç ã o e m coligadas (Nota 5) P a r t i c i p a ç ã o na P r ó p r i a E m p r e s a I m o b i l i z a d o (Nota 6) 112.035 1.141.198 306.663 42.065.197 C o r r e ç ã o M o n e t á r i a d o C a p i t a l Realizado Doações e Subvenções para I n v e s t i m e n t o s

32.748.689 4.258.215 C u s t o C o r r i g i d o D e p r e c i a ç õ e s e A m o r t i z a ç õ e s A c u m u l a d a s D i f e r i d o Despesas d e Organização e A d m i n i s t r a ç ã o A m o r t i z a ç õ e s A c u m u l a d a s 57.201.255 (15.136.058) 1.346.943 3,204.089 (1.857.146) R e s e r v a s d e Lucros R e s e r v a L e g a l L u c r o s o u Prejuízos A c u m u l a d o s 1.100.538 1.100.536 (19.483.028) 181.215.644 181.215.644 G a r i b a l d i d a C u n h a M e d e i r o s D i r e t o r - P r e s i d e n t e C P F : 003.674.274-00 E d m u n d o d a C. M e d e i r o s G e n i v a l da C u D l r e t o r - S u p e r i n t e n d e n t e D i r e C P F : 003.673.544-20 C P F : 010.9 „ ' João B a t i s t a d e M é l o ha M e d e i r o s José W i l s o n F. d a Rocha D i r e t o r o r D i r e t o r C P F : 011.760.054-72 72.884-04 C P F : 005.883.344-72 Té c . C o n t . Reg. C R C - R N - 4 6 0

DEMONSTRAÇÕES DOS RESULTADOS DO EXERCÍCIO FINDO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1978

(Notas 1 e 2) C r i R E C E I T A O P E R A C I O N A L B R U T A 235.378.760 L U C R O O P E R A C I O N A L 1.492.652 V e n d a s d e P r o d u t o s I m p o s t o F a t u r a d o ( N o t a 10) D e v o l u ç õ e s e a b a t i m e n t o s 235.378.760 (22.985.854) (14.873.504) R E C E I T A O P E R A C I O N A L L I Q U I D A C U S T O S D O S P R O D U T O S V E N D I D O S E D O S S E R V I Ç O S P R E S T A D O S L U C R O B R U T O D E S P E S A S O P E R A C I O N A I S 197.519.402 (130.920.487) 66.598.915 (49.676.180) R E S U L T A D O S N Ã O O P E R A C I O N A I S I n c e n t i v o s G a n h o s e p e r d a s d e C a p i t a l L u c r o s na v e n d a d e bens do A t i v o I m o b i l i z a d o Doações e Subvenções p / i n v e s t i m e n t o s 332.820 4.541.204 47.830 (4.256.214) C o m v e n d a s A d m i n i s t r a t i v a s e g e r a i s (16.674.802) (33.001.378) O U T R A S R E C E I T A S E D E S P E S A S O P E R A C I O N A I S (15.430.083) C O R R E Ç Ã O M O N E T Á R I A (21.308.501) F i n a n c e i r a s Despesas f i n a n c e i r a s Receitas F i n a n c e i r a s O u t r a s despesas operacionais Outras^receitas operacionais D i v i d e n d o s d e o u t r o s I n v e s t i m e n t o s (16.406.050) 1.983.230 (2.452.212) 1.423.465 21.484 R E S U L T A D O D O E X E R C Í C I O A N T E S D O I M P O S T O D E R E N D A (19.483.029)

DEMONSTRAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO DAS CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

(NOTAS 1 e 2) (Expressa em mil cruzeiros)

R E t E R V A S P A R A A U M E N T O D E CAPITAL Saldo no inicio do e x e r c i d o C o r r e ç ã o m o n e t á r i a d e imobilizações técnicas C o r r e ç ã o m o n e t á r i a do c a p i t a l d e G i r o C o r r e ç ã o m o n e t á r i a do C a p i t a l C o r r e ç ã o m o n e t á r i a de reservas Isenção I m p o s t o de Renda DL 6 4 . 2 1 4 / 6 9 S u b v e n ç ã o I C M — Dec. 4 . 6 6 9 / 7 7 A p r o p r i a ç ã o do L u c r o R e s u l t a d o do exercício S a l d o e m 31.12 78 C a p i t a l S u b s c r i t o « i n t e g r a l i z a d o 68.595 5.584 12.298 32.749 715 3.181 Correção m o n e t á r i a 17.882 (5.584) (12.298) Isenção do I m p o s t o de Renda Dec. 6 4 . 2 1 4 / 6 9 707 Subvenção I C M Dec 4 . 6 6 9 / 7 7 13.181) 4.256 Reserva es-t a es-t u es-t á r i a L u c r o s a c u m u l a d o s ( D (19.483) (19.483) 32.749 293 4.264 (19.483) 106.987

(15)

DEMONSTRAÇÃO DA ORIGEM E APLICAÇÃO DOS RECURSOS

E x e r c i d o f i n d o e m 31 d e d e z e m b r o d e 197S (Notas 1 0 2) Das operações: L u c r o l i q u i d o do exercício V a l o r e s q u e não a l e t a m o C a p i l a l do G i r o : C o r r e ç ã o m o n e t á r i a l i q u i d a do ano D e p r e c i a ç õ e s e A m o r t i z a ç õ e s T O T A L D A S O P E R A Ç Õ E S Realização do C a p i t a l

R e d u ç ã o nas contas do realizável a longo prazo S u b v e n ç õ e s p / I n v e s t l m e n t o s T O T A L D A S O R I G E N S A P L I C A Ç Õ E S A q u i s i ç ã o de d i r e i t o s do a t i v o I m o b i l i z a d o , ex-c l u s i v e bens em operação A d i ç õ e s ao a t i v o d l l e r l d o : G a s t o s d e I m p l a n t a ç ã o A d i ç õ e s aos I n v e s t i m e n t o s — subscrição T r a n s f e r ê n c i a p a r a c u r t o prazo d e e m p r é s t i m o e f i n a n c i a m e n t o s a longo prazo T O T A L D A S A P L I C A Ç Õ E S A U M E N T O D O C A P I T A L C I R C U L A N T E L Í Q U I D O C O M P O S I Ç Ã O D O A U M E N T O N O C A P I T A L C I R C U L A N T E A t i v o C i r c u l a n t e Passivo C i r c u l a n t e C a p i t a l C i r c u l a n t e L i q u i d o 21.309 3.736 4.256 10.825 4.457 156 26.717 (36.210) (9.493)

NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES F I N A N C E I R A S E M 31 DE D E Z E M B R O DE 1978

N O T A 1 - L E G I S L A Ç Ã O D E S O C I E D A D E POR A Ç Õ E S N o e x e r c í c i o a n t e r i o r f o r a m f e l t e s as adaptações possíveis á Lei 6 . 4 0 4 / 7 6 . f a c i l i t a n d o a c o m p l e m e n t a ç ã o do t r a b a l h o neste e x e r c í c i o . C o m o c o m p l e m e n t o das exigências previstas no c i t a d o d i -p l o m a legai e as n o r m a s estabelecidas no D e c r e t o - L e l n ° 1 . 5 9 8 / 7 7 .

N O T A 2 - D I R E T R I Z E S C O N T Á B E I S

Os p r i n c i p a i s p r o c e d i m e n t o s contábeis adotados na preparação d a s d e m o n s t r a ç õ e s f i n a n c e i r a s anexas, estão a 3 u r g l r s u m a r i a d a s : a) A p r e s e n t a ç ã o das contas —

A t i v o s e passivos c i r c u l a n t e s d e m o n s t r a d o s , c o m o no exercício a n t e r i o r até 360 dias.

b) P r o v i s ã o p a r a d e v e d o r e s d u v i d o s o s —

C o n s t i t u í d a até o l i m i t e m á x i m o a d m i t i d o como desposa d e d u t í -v e l p e l a legislação do I m p p s t o d e Renda, c u j o m o n t a n t e é consi-d e r a consi-d o s u f i c i e n t e p a r a c o b r i r possíveis perconsi-das q u e possam consi-

decor-rer d a não realização das contas a receber d e clientes. c) D e p ó s i t o d e i n c e n t i v o s fiscais p e n d e n t e s d e liberação —

Nos t e r m o s do Decreto 6 . 3 1 1 / 7 4 a c o m p a n h i a goza até o exercí-cio d e 1978, d a redução d e 4 8 % do I m p o s t o sobre Circulação d e M e r c a d o r i a s ( I C M ) . O m o n t a n t e e q u i v a l e n t e á redução é d e p o -s i t a d o e m conta b a n c á r i a v i n c u l a d a e c o n -s i d e r a d o c o m o receita do e x e r c í c i o . O valor c o r r e s p o n d e n t e ás parcelas liberadas ô a p r o p r i a d o s lucros p a r a c o n s t i t u i ç ã o d e reserva especillca p a r a a u m e n t o d e c a p i t a l .

^ D e m o n s t r a d o s ao custo m é d i o de aquisição ou p r o d u ç ã o , q u e não e x c e d e o custo d e reposição ou o valor d e rea Ização. Ern v i r t u d e d a m u d a n ç a d e p r o c e d i m e n t o q u a n t o ao valor do I C M a g r e g a d o aos estoques, p r e v i s t o " a Instrução fJorma Iva n - 0 5 ^ d e 0 3 11 78 e Parecer N o r m a t i v o CST n ° 104, d e 21.12.78, foi f e i t a a segregação desse valor dos estoques, passando-se a con-t a b l l l z á - l o e m concon-ta p r ó p r i a .

DemcjnTtrados ~ão c u s t o de a q u i s i ç ã o acrescido das correções m o n e t á r i a s calculadas c o m base n a legislação e m v i g o r . " Demons^radtTao custo d e aquisição ou M ^ - ™ « ™ " ! " , ,

c o r r i g i d o d e acordo c o m o Decreto-Lei 1 . 5 9 8 / 7 7 . C o m base no m e s m o d i s p o s i t i v o legal foi f e i t o o a|uste das depreciações, q u e por s u a vez são procedidas pelo m é t o d o linear u t i l i z a d a s taxas q u e l e v a m e m conta as e s t i m a t i v a s d e v i d a u t l l e c o n ô m i c a dos b e n s .

0 ,Ê n g ? o b ae» dde V e s a s d e i m p l a n t a ç ã o , d e v i d a m e n t e c o r r l g i d a s . e a a m o r t i z a ç ã o f e i t a p e l o m é t o d o l i n e a r n a base d e 20 A ao ano. h) I s e n ç ã o do I m p o s t o d e Renda — Decreto 6 4 . 2 1 4 / 6 9

A E m p r e s a goza d e redução d e 5 0 % do Imposto de R e n d a , nos t e r m o s do Decreto n ° 64 2 1 4 / 6 9 . p r o r r o g a d o p e l o D e c r e t o n 1 6 2 4 / 7 8 até o exercício d e 1982. d e v e n d o , todavia c o n s t i t u i r r e s e r v a s pelo valor e q u i v a l e n t e ao d a isenção e u t i l i z á l a e m a u -m e n t o d e c a p i t a l no exercício s e g u i n t e .

I) C o r r e ç ã o m o n e t á r i a — . , , Foi f e i t a a correção m o n e t á r i a do a t i v o p e r m a n e n t e e d o p a t h -m ô n i o l i q u i d o da E -m p r e s a , co-m apuração d e saldo d e v e d o r d e C r t 21 309 m i l , e m d e c o r r ê n c i a dos seus elevados ndlces d e c a p i t a l i z a ç ã o e b a i x o g r a u d e Imobilização do c a p i t a l p r ó p r i o .

I n c l u í d a a r e l e r i d a conta d e n t r e as classificadas como d e r e s u l -t a d o , foi a p u r a d o u m prejuízo I n f l a c i o n á r i o no valor d e C r » 19.483 m i l CRI 20.460.797 3.663.580 20.493.670 622.426 1.156.218 473.690 46.870.381 E s t o q u e s no m o n t a n t e d e a p r o x i m a d a m e n t e C r » 24 milhõesi enc o n t r a m s e a p a n h a d o s enc o m o g a r a n t i a d a l i q u i d a ç ã o d e f i n a n enc i a

-mentos obtidos de Instituições financeiras.

N O T A 3 — E S T O Q U E S ( E x c l u s i v e I C M ) P r o d u t o s acabados P r o d u t o s e m elaboração M a t é r i a s - p r i m a s e o u t r o s i n s u m o s L o j a d e v a r e j o P r o d u t o s e m t r â n s i t o M a t e r i a i s Diversos N O T A 4 — B A N C O S C O N T A V I N C U L A D A — A R T . 3 4 / 1 8 Saldo p e n d e n t e d e p e n d e n d o d e esclarecimentos do B N B para re-g u l a r i z a ç ã o .

N O T A 5 — I N V E S T I M E N T O S

A p e s a r d a existência d e participação na S O R I E D E M J A R D I M S / A C O N F E C Ç Õ E S , q u e f u t u r a m e n t e se caracterizará c o m o coli-g a d a . cujo p r o j e t o encontre-se a i n d a a coli-g u a r d a n d o análise na S U D E N E , todos os I n v e s t i m e n t o s neste exercício f o r a m c o n s i d e r a dos I r r e l e v a n t e s , adotandose o c r i t é r i o u n i f o r m e d e correção m o -n e t á r i a c o m base -na variação das O R T N s .

N O T A 6 — I M O B I L I Z A D O (Custo C o r r i g i d o ) 1977 I m ó v e i s M á q u i n a s , a p a r e l h o s e e q u i p a m e n t o s M ó v e i s e u t e n s í l i o s T e r r e n o s V e í c u l o s i n s t a l a ç õ e s M a r c a s e Patentes D e p r e c i a ç õ e s a c u m u l a d a s 13.399.643 14,246.283 3.444.957 3.811.551 265.238 2.945.984 6.729 38.120.385 8.317.716 1978 18.903.806 22.378.595 5.005.894 5.192.737 320.254 5.293.495 106.472 57.201.255 15.136.058 29.802 669 42.065.197 N O T A 7 - I N S T I T U I Ç Õ E S F I N A N C E I R A S E s t ã o r e g l s t r e d o s os s e g u i n t e s f i n a n c i a m e n t o s : Saldo a t u a l Valor C o n t r a t a d o até 360 dias mais de 360 d i a s E n c a r g o s f i n a n c e i r o s B a n c o d o B r a s i l S / A 21.637.664 19 466.829 3.400.000 1 5 % e 2 6 % a. a. Bco. I t a u i n v e s t i m e n t o 5.000.000 6.144.100 ~ 2 2 , 8 8 2 % a. a. 26.637.664 25.630.929 3.400.000 N O T A 9 — C A P I T A L O c a p i t a l social d a E m p r e s a e m 31.12.78 apresenta-se d a s e g u i n t e f o r m a : Q u a n t i d a d e A ç õ e s o r d i n á r i a s n o m i n a t i v a s A ç õ e s p r e f e r e n c i a i s n o m i n a t i v a s Classe A Classe B Classe C T O T A L A u t o r i z a d a Subscrita 95-000.OOP* 47.901.329 55 000.000 42.472.679 19 0 0 0 D M i è 7 0 l ä 4 7 6.000.000 4.927.164 30.000.000 20.837.568 150.00Ö.ÖÖÖ SÔ.3N.0Õ8 i n t e g r a l l z a d a 47 901.329 16.707.947 4.927.164 20.837.568 ü.iUMé N O T A 8 - C R E D O R E S POR I N V E S T I M E N T O i n v e s t i m e n t o s e f e t u a d o s nos t e r m o s do A r t i g o 13 do Decreto 55 3 3 4 / 6 4 V e n c e m |uros d e 1 2 % ao ano e serão resgatáveis e m p r o s t a ç õ e s a n u a i s não i n f e r i o r e s a 2 0 % do p r i n c i p a l , após c i n c o a n o s c o n t a d o s d a d a t a e m q u e a juízo d * S U D E N E o e m p r e e n d i -m e n t o alcançar a laso n o r -m a l d e f u n c i o n a -m e n t o . A p r i -m e i r a etapa d o p r o j e t o foi r e c o n h e c i d a pela S U D E N E c o m o concluída e m 31 d e d e z e m b r o d e 1971. D e v e n d o ser Iniciada a amortização no exercí-cio d e 1979, foi feita a s e g u i n t e classificação:

P a r c e l a s v e n c í v e i s — até 360 dias P a r c e l a s v e n c í v e i s — mais de 360 d i a s 493.689 1.302.569 N O T A 10 — I M P O S T O F A T U R A D O IPI I C M CR» 8.563.856 PARECER DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO R e c e b e m o s , p a r a e x a m e , r e l a t ó r i o da D i r e t o r i a , Balanço P a t r i m o -n i a l e as D e m o -n s t r a ç õ e s de Resultados r e f e r e -n t e s ao exercício e n c e r r a d o e m 31.12.78 d e S O R I E D E M SI A C O N F E C Ç Õ E S . E x a m i n a m o s , i g u a l m e n t e , t o d a a d o c u m e n t a ç ã o q u e s e r v i u à ela-b o r a ç ã o d e t o d a a m a t é r i a .

E s t a m o s c o n v e n c i d o s d e q u e nâo há m i n i m o reparo a fazer, razfio p e l a q u a l somos p e l a sua aprovação pela A s s e m b l é i a G e r a l .

N a t a l , 20 d e F e v e r e i r o d e 1979. GARIBALDI DA CUNHA MEDEIROS

PRESIDENTE 003.674 274-00 JEFFERSON CORREIA DE AQUINO

CPF 010.976.284-34 EDSON DA CUNHA MEDEIROS

CPF 003.673 704-68

PARECER DOS AUDITORES

E x a m i n a m o s o balanço p a t r i m o n i a l d a S O R I E D E M SI A C O N F E C Ç Õ E S , l e v a n t a d o e m 31 d e d e z e m b r o d e 1978 e as c o r r e s p o n d e n -tes d e m o n s t r a ç õ e s d e resultados, d a m o v i m e n t a ç ã o das contas do p a t r i m ô n i o e da o r i g e m e aplicação dos recursos do exercício f i n d o nessa m e s m a d a t a . E f e t u a m o s nosso e x a m e consoante padrões r e c o n h e c i d o s d e a u d i t o r i a , i n c l u i n d o revisões parciais dos l i v r o s e d o c u m e n t o s d e c o n t a b i l i d a d e , b e m c o m o a p l i c a n d o o u t r o s proces-sos t é c n i c o s d e a u d i t o r i a na e x t e n s ã o q u e j u l g a m o s necessária se-g u n d o as c i r c u n s t â n c i a s .

S o m o s d e parecer q u e o r e f e r i d o balanço p a t r i m o n i a l e as corres-p o n d e n t e s d e m o n s t r a ç õ e s d e r e s u l t a d o s , da m o v i m e n t a ç ã o das c o n t a s do p a t r i m ô n i o l i q u i d o e d e o r i g e m e aplicação dos r e c u r s o s sâo f i d e d i g n a s d e m o n s t r a ç õ e s d a posiçáo financeia d a S O R I E -D E M S / A C O N F E C Ç Õ E S e m 31 d e d e z e m b r o d e 1978 e do resul-t a d o das operações do exercício d e c o n f o r m i d á d e c o m p r i n c í p i o s c o n t á b e i s g e r a l m e n t e a d o t a ' os e a p l i c a d o s d e m a n e i r a c o n s i s t e n t e e m r e l a ç ã o ao exercício ant r i o r . T A M I R T S P E L I N C A D A C O S T A A - j d l t o r i n d e p e n d e n t e M e m b r o I A I B - C a d a s t r o N a c i o n a l n ° 350 Insc na Comissão d e V a l o r e s M o b i l i á r i o s

(16)

A TURMA DA PESADA

f S I n A T A L U S

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(17)

T R A B A L H I S M O

PROFESSORES

00 RN

APRENDENDO A

REIVINDICAR

O movimento dos professores do Rio Grande do Norte não é político; é

reivindicatório. Eles querem melhores níveis salariais e outras vantagens

já fixadas em lei mas que o Estado não vem cumprindo. Existem milhares

de professores ganhando menos do que empregadas domésticas, o que

demonstra a que ponto chegou o descaso pela classe que tem a nobre

missão formar as futuras gerações do País. Sem conseguir diálogo com o

Governo, os professores poderão até chegar à greve.

A primeira impressão, foi de sur-presa. Depois, de simpatia e, afi-nal, de apoio da opinião pública.

A surpresa ficou por conta do movimento reivindicatório — inédito em Natal nesses últimos quinze anos — e da classe mobilizada nas reivindicações: os professores da re-de estadual re-de ensino. Contra todas as expectativas, os professores se uniram e protestaram contra a qua-lidade de seus rendimentos e contra a legislação que lhes tinha imposto o "Estatuto do Magistério", que con-sideram um documento desatuali-zado, injusto e técnicamente imper-feito. O movimento continua e, em-bora se perceba a cautela com que seus dirigentes evitam a palavra gireVév «sta deverá ser a conseqüên-cia imediata ao não atendimento de

i , * ! ' v i ÇJ . 1 : , •.. suas propostas-! s u p ' l o n i t í ' AS CAUSAS-. • o i ' s CAUSAS-. • ' • •,o ( .• t - A-qualidade das

reivindicações é legítima — assim pensam os professores. Eles preten-dem que os seus rendimentos sejam reajustados em níveis de 200 por cento sobre os padrões atuais de vencimentos e que a legislação que autorizou o "Estatuto do Magisté-rio" seja revista e atualizada.

Segundo os professores, essas reivindicações não se confundem com política; estão acima dela, por-que representam para a classe uma melhoria da qualidade de vida e, na maioria dos casos, até de sobrevi-vência. Quanto à reformulação do Estatuto da classe, este, já nasceu desatualizado, injusto e imperfei-to — segundo opinião corrente entre os professores. Vão mais além, in-formando que o Estatuto foi decor-rência de uma posição autòritáriá, cüja formulação sequer cogitou de buscar na própria classe a que §e destinava, os subsídios técnicos

ne-RN / E C O N ô M O O t o A 6 r W ? 9

cessários ao seu aperfeiçoamento. Manuel Sérgio de Souza, mem-bro da Comissão Central do movi-mento e um de seus mais destaca-dos líderes, dá um exemplo destaca-dos de-sacertos do Estatuto — o artigo 55:

"O professor que contar com mais de quinze anos de serviço no magis-tério, e tenha 50 ou mais anos de idade, terá reduzida, progressiva-mente, a carga semanal de suas horas/aula, de conformidade com a seguinte escala: de 50 d 55 anos, re-dução de 1/6; de 55 a 60 anos, redu-ção de 1/4; de 60 a 65 anos, reduredu-ção de 1/3; de 65 a 70 anos, redução de 1/2. Quando um professor ingressa no magistério — explica Manuel

Sérgio — esta com a idade média de

20 anos. Com cinqüenta anos de ida-de, limite para gozar da regalia, já estaria solicitando aposentadoria, e esta condição, — de ter o requerente cinqüenta anos de idade, é indispen'

Referências

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