TÍTULO: AVALIAÇÃO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES ENCAMINHADOS PARA O SETOR DE FISIOTERAPIA NA CIDADE DE ARAXÁ/MG
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: FISIOTERAPIA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO DO PLANALTO DE ARAXÁ INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): POLLIANNA MARIA MARQUES AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): ANDERSON SANTOS CARVALHO ORIENTADOR(ES):
1. RESUMO
A fisioterapia atualmente vem ampliando seu horizonte de atuação devido a uma necessidade de ações que tenham impacto efetivo na saúde. O objetivo geral do estudo foi descrever o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos no setor de fisioterapia em entidades publicas e privadas, já os objetivos específicos do estudo foram realizar um levantamento de dados sobre o perfil dos pacientes atendidos nos setores de fisioterapia em relação a sexo, idade, bairro, profissão e patologia; Verificar quais as patologias mais incidentes encaminhadas para o setor de fisioterapia. Foram analisados prontuários e fichas de pacientes que utilizaram serviço fisioterapêutico de Unidade Básica de Saúde municipal, uma clínica particular e de uma clínica escola de Instituição de Ensino Superior (IES) durante o período de março de 2013 a fevereiro de 2014, totalizando 236 prontuários. Foram analisados dados contidos nos prontuários para gênero, idade, bairro profissão e patologia. Resultados: Houve uma procura de fisioterapia maior por mulheres, sendo que a maior prevalência da faixa etária foi a de pacientes com idade entre 50 e 59 anos. Os pacientes do centro da cidade procuraram a fisioterapia em maior número que pacientes que residem em outros bairros. O grupo mais acometido por algum agravo de saúde foi o dos aposentados entre esses agravos de saúde o que apareceu com taxas maiores foi à lombalgia. Baseado nos resultados encontrados nesse estudo chegou-se a conclusão que as doenças como lombalgia e fraturas estão entre as mais incidentes, causando, assim, a necessidade de intervenção fisioterapeutica, mas os resultados também sugerem uma maior necessidade da atuação do fisioterapeuta na promoção e proteção à saúde, e não somente na reabilitação dos pacientes.
Palavras Chaves: Perfil epidemiológico, fisioterapia, Araxá.
2. INTRODUÇÃO
A política de saúde antes da reforma sanitária baseava-se na assistência médica centrada no atendimento individual, priorizando a cura da doença e não a causa, estas ações curativas alem de pouco eficazes tinham custos elevados e baixos impacto na qualidade de vida.
À medida que foram acontecendo reformas no setor de saúde, o acesso a serviços de saúde passou a ser um grande desafio, a solução para esse desfio foi a transformação do modelo de saúde. Desde então a área da saúde vem sofrendo mudanças para a melhora do serviço de saúde disponibilizada para a população brasileira.
A Fisioterapia, como profissão da área da saúde, vive desde então mudanças no perfil de formação e atuação, ampliando o seu horizonte de ação, anteriormente reduzido ao caráter reabilitatório para uma visão mais integral do ser humano (CECCIM; FEUERWERKER, 2004). Este novo modelo de atenção em saúde inclui cinco níveis de prevenção: promoção da saúde, proteção específica, diagnóstico precoce, tratamento imediato e reabilitação (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003). Em adendo, o Sistema Único de Saúde (SUS) aponta para a necessidade de ações de saúde que não se restrinjam apenas às enfermidades, mas que sejam continuadas e apresentem impacto para melhorar efetivamente a saúde das populações (Berrtolozzi; Fracolli, 2003).
O fisioterapeuta possui um importante papel no campo da reabilitação física, pois ele intensifica a recuperação física, contribui para a máxima melhora da funcionalidade, para a analgesia e em ações preventivas proporcionando uma melhor qualidade de vida (OLIVEIRA; BRAGA, 2010). Porem para que o fisioterapeuta consiga desempenhar esse papel corretamente, é necessário que ele conheça as condições epidemiológicas da população na área de abrangência, pois a epidemiologia busca compreender o processo saúde/doença, sua utilização na fisioterapia visa avaliar a ocorrência de certos tipos de doenças originadas nas atividades laborais e de vida diária.
À medida que a fisioterapia vai ficando mais conhecida pela população,as áreas de atuação vão se ampliando,vai crescendo a demanda por serviços fisioterapeuticos, entretanto, a procura por tratamento não acompanha a demanda necessária, a prevalência do uso de serviços de fisioterapia na população brasileira é relativamente menor quando comparada a países desenvolvidos e em outros países que estão em desenvolvimento (SIQUEIRA, FACCHINI E HALLAL, 2005) A Fisioterapia é uma profissão relativamente nova na área da saúde, o que pode justificar sua pouca utilização (BIM; PELLOSO; PREVIDELLI, 2011). Essa constatação indica a necessidade de novas pesquisas que descrevam a prevalência do uso de serviços de fisioterapia no Brasil.
Nessas condições, quando se tem conhecimentos dos dados epidemiológicos, há mais possibilidades de desenvolver ações assertivas, bem como, incentivar o fisioterapeuta para que amplie suas ações para além do campo curativo.
Neste sentido, o presente estudo apresenta os resultados de uma pesquisa epidemiológica desenvolvida em 03 clinicas de Fisioterapia da cidade de Araxá/MG. O objetivo principal desse estudo foi realizar um levantamento de dados sobre o perfil dos pacientes atendidos nos setores de fisioterapia em relação a sexo, idade, profissão e patologia, verificando quais as patologias mais incidentes.
3. OBJETIVOS
O estudo teve como objetivo geral, descrever por amostragem, o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos no setor de fisioterapia da cidade de Araxá/MG.
Os objetivos específicos do estudo foram realizar um levantamento de dados sobre o perfil dos pacientes atendidos no setor de fisioterapia em relação a gênero, idade, bairro, profissão e patologia; verificar as patologias mais incidentes encaminhadas para o setor de fisioterapia.
4. JUSTIFICATIVA
Este estudo baseou-se na premissa que dados epidemiológicos orientam e facilitam as decisões de saúde publica. Conhecer o perfil epidemiológico dos pacientes, assim como as patologias mais incidentes, torna possível melhorar o conhecimento em relação à demanda dos serviços necessários.
5. METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO
Trata-se de uma pesquisa quantitativa, de caráter descritivo por amostragem de interesse, sendo desenvolvido através de análise retrospectiva dos prontuários de pacientes que começaram o tratamento no período de março de 2013 a fevereiro de 2014
Os dados foram coletados de fichas e prontuários de três entidades que prestam serviço fisioterapêutico, sendo elas: Unidade Básica de Saúde Uni leste
(pública), a Clínica de Fisioterapia Fisiocenter (particular), e a Clínica de Fisioterapia do UNIARAXÁ, todas na cidade de Araxá/MG, Os prontuários envolviam as variáveis: Gênero, Idade, Bairro, Profissão e Patologia. Foram disponibilizados 618 prontuários no total, sendo que apenas 236(38,2%) foram incluídos no estudo. Os 382(61,8%) prontuários restantes não se encaixavam nos critérios de inclusão deste estudo, que foram dados de prontuários incompletos e que não se enquadraram nos critérios de inclusão. Cada paciente foi denominado por um numero inteiro natural, iniciando-se pelo 01 (um).
Para a facilitação da análise, nas variáveis profissões, bairro e patologias foram demonstrados os índices com maior freqüência, os índices com pouca freqüência foram agrupados como outros (as).
Todos os dados levantados foram transcritos para um caderno e posteriormente repassados para o programa Microsoft Office Excel para análise dos dados e a elaboração dos gráficos, sendo que os resultados foram interpretados quanto aos valores brutos.
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Do total de 236 prontuários analisados, a amostra foi composta por 94 indivíduos do gênero masculino (39,8%), e 142 pertenciam à pacientes do gênero feminino (60,2%). Vários estudos constatam que os homens em geral padecem mais de condições agravantes de em relação às mulheres, e também morrem mais precocemente que elas pelas principais causas de morte. (FIGUEIREDO 2005; GOMES 2007), mas apesar desses números serem significativos nos perfis de morbimortalidade, observa-se que os homens não costumam procurar por serviços de saúde, em contrapartida o numero de mulheres buscando atendimento vem crescendo cada vez mais. Essa afirmação corrobora com o resultado desse estudo, onde houve prevalência do gênero feminino (60,2%). Segundo o estudo de (GOMES, 2007) esta contradição pode estar relacionada ao principio que ao senso comum os homens são mais vulneráveis, dificultando a ação preventiva e curativa.
Gráfico 01: Resultado da amostra por gênero
Foi verificado que o grupo que mais procurou os serviços de fisioterapia foram os aposentados (52 pacientes aposentados), em segundo lugar apareceu o grupo “do lar” (25 pacientes), sendo seguida pela profissão de estudante (17 pacientes). Foram encontradas profissões como Vendedoras (a), bancário e outras no total de 142 pacientes. A maior prevalência de aposentados pode estar relacionada aos serviços do PSF que priorizam as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde. O atendimento não é prestado somente na Unidade básica de Saúde (UBS), mas também nos domicílios, abrangendo assim uma quantidade maior de aposentados.
Gráfico 02: Relação das Profissões dos Pacientes
A distribuição dos pacientes por bairros se deu da seguinte maneira: 46 pacientes residem no Centro, 35 pacientes residem no bairro Santo Antônio, 10 pacientes no bairro Vila Estância e os outros 142 pacientes incluídos no estudo
0 50 100 150 Homens Mulheres 94 142 Gênero 0 50 100 150
Aposentado Do Lar Estudante Outros 52
25 17
142 Profissão
residem em outros bairros de Araxá. Observa-se que uma quantidade maior de moradores do centro procurou a fisioterapia, este fato pode estar associado à situação financeira, pois baixos salários e a ideologia de ascensão social pressionam o profissional a assumir dois ou mais empregos sacrificando seu descanso, lazer, vida familiar e saúde (TRELHA; GUTIERREZ; MATSUO). Por este motivo morador dos bairros periféricos como Santo Antonio, Vila Estância, Urciano Lemos entre outros, costumam procurar serviços de saúde apenas quando a dor chega a um nível insuportável.
Gráfico 03: Distribuição dos pacientes por bairros
Na variável idade foi encontrados a maior índice de pacientes entre 50 a 59 anos (49 indivíduos da amostra), vindo em seguida os pacientes com idade entre 30 e 39 anos (42 pacientes), os pacientes que estavam com idade entre 60 e 69 aparecem em terceiro lugar (37 pacientes), sendo seguidos pelos pacientes com 40 a 49 anos (36 pacientes). Logo após aparecem os pacientes com idade entre 20 a 29 anos (25 pacientes), os pacientes com 70 a 79 anos ficam em quinto lugar (21 pacientes). Os próximos foram os pacientes com idade entre 10 a 19 anos e em último lugar desta classificação ficaram os pacientes com idade entre 80 a 89 anos (10 indivíduos). Pode-se observar que o maior percentual de atendidos foram pacientes que ainda possuem jornada de trabalho regular, o que também pode ser associado à afirmação de (TRELHA; GUTIERREZ; MATSUO, 2004), pois na busca de uma situação financeira melhor, muitas pessoas deixam a saúde em último plano.
0 20 40 60 80 100 120 140 160
Centro Santo AntonioVila Estancea Outros 46
35
10
145 Bairro
Já grande número de idosos presentes na amostra corroboram com estudos anteriores. Alguns destes estudos apontam como causa das grandes taxas de idosos nos tratamentos fisioterapêuticos, o fato dos idosos serem mais afetados por doenças crônico-degenerativas (MENEGAZZO; PEREIRA; VILLALBA, 2010).
Gráfico 04: Faixa Etária da amostra
A última variável analisada foi a da patologia. Do total de 236 indivíduos, 34 apresentaram diagnóstico confirmado de lombalgia. A segunda patologia que mais acometeu a amostra foi a artrose, 24 pacientes com artrose diagnosticada. Outros 21 pacientes foram diagnosticados com algum tipo de fratura, sendo esta a terceira patologia mais freqüente na amostra. A tendinite apareceu em 16 indivíduos, ficando assim em quarto lugar. A quinta doença mais incidente nos diagnósticos foi a cervicalgia com 15 pacientes acometidos. Outras patologias (Síndrome do Túnel do Carpo, lombociatalgia, síndrome miofascial, paralisia facial e gota) aparecem em 204 pacientes. Esses resultados contradizem pesquisas anteriores, que mostram uma maior prevalência de artrose, e fraturas (SANTOS 2007; MENEGAZZO, PEREIRA e VILLALBA, 2010). 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 De 10 a 19 De20 a29 De 30 a 39 De 40 a 49 De 50 a 59 De 60 a 69 De 70 a 79 De 80 a 89 16 25 42 36 49 37 21 10 Idade
Gráfico 05: Diagnósticos encontrados
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Baseado nos resultados encontrados nesse estudo chegou-se a conclusão que as doenças como lombalgia, fraturas dentre outras, apresentaram-se em maior número, causando assim, a necessidade de intervenção fisioterapêutica.
Os resultados também sugerem uma maior necessidade da atuação do fisioterapeuta na promoção e proteção a saúde, e não somente na reabilitação dos pacientes. Desta forma, possivelmente, estes números seriam reduzidos.
Estes resultados também passam a contribuir para um banco de informações importantes para o planejamento das ações em saúde no município de Araxá.
Por fim, também concluímos que é extremamente importante realizar estudos epidemiológicos. Assim, é possível conhecer a demanda social, o que possibilita melhor planejamento das ações e conseqüente maior eficácia nos serviços prestados à população.
8. FONTES CONSULTADAS
BERRTOLOZZI, M. R.; FRACOLLI, L. A. Vigilância à saúde: alerta continuado em saúde coletiva. Rev.Saúde das Populações 2004; 28 (1): 14-20.
BIM, C. R.; PELLOSO, S. M.; PREVIDELLI, I. T. S. Inquérito domiciliar sobre uso da Fisioterapia por mulheres em Guarapuava-Paraná-Brasil. Rev.Ciência e Saúde Coletiva. 2011: 16(9): 3837-3844 0 50 100 150 200 250 34 21 24 16 15 204 Patologia
CECCIM, R. B.; FEUERWERKER, L. C. M. Mudança na graduação das profissões de saúde sob o eixo da integralidade. Caderno de Saúde Pública 2004; 20(5): 1400-1410
FACCHINI, L. A.; PICCINI R. X.; TOMASI E.; THUMÉ E.; SILVEIRA D. S. S.; SIQUEIRA, F. V.; et al. Desempenho do PSF no Sul e Nordeste do Brasil: avaliação institucional e epidemiológica da atenção básica à saúde. Rev.Ciência e Saúde Coletiva. 2006; 11(3): 669-81
MENEGAZZO, I. R.; PEREIRA, M. R.; VILLALBA, J. P. Levantamento epidemiológico de doenças relacionadas à fisioterapia em uma unidade Básica de Saúde do município de Campinas. Rev.J Health Sci Inst. 2010;28(4):348-51
OLIVEIRA, A. C.; BRAGA, D. L. C. Perfil epidemiológico dos pacientes atendidos na clínica de ortopedia da Universidade Paulista. Rev.J Health Sci Inst. 2010 jun/set; 28(4): 356-8
ROUQUAYROL, M. Z.; GOLDBAUM, M. Epidemiologia, História Natural e Prevenção das Doenças. In: Rouquayrol MZ (Org.) 6. ed. Epidemiologia & Saúde. Rio de Janeiro: MEDSI; 2003
SANTOS, F. A. S.; NETO, J. S. L.; RAMOS, J. C. L.; SOARES, F. O. Perfil epidemiológico dos atendidos pela fisioterapia no Programa Saúde e Reabilitação na Família em Camaragibe, PE. Rev. Fisioterapia e Pesquisa 2007 mar/set;14(3):50-4
SIQUEIRA, F.V.; FACCHINI, L.A.; HALLAL, P. C. Epidemiologia da utilização de fisioterapia em adultos e idosos. Rev. Saúde Publica 2005;39(4):663-8
TRELHA, C .S.; GUTIERREZ, P. R.; MATSUO, M. Prevalência de sintomas músculo-esquelético em fisioterapeutas da cidade de Londrina. Rev. Fisioter Univ. São Paulo. 2004 jan/jun;1(1):15-23.