GRANDE DO SUL
KAMILA QUARESMA LEDUR
ALIENAÇÃO PARENTAL: UM CONFLITO FAMILIAR DESNECESSÁRIO
Três Passos (RS) 2020
ALIENAÇÃO PARENTAL: UM CONFLITO FAMILIAR DESNECESSÁRIO
Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Conclusão de Curso - TCC. UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
DCJS- Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.
Orientadora: Janaína Machado Sturza
Três Passos (RS) 2020
namorado, pelo incentivo, apoio e confiança em mim depositados perante todo meu caminho até aqui.
Dedico este trabalho em primeiro lugar a Deus, que meu deu saúde e principalmente forças para superar todos os momentos difíceis a que eu me deparei ao longo da minha graduação, sem ele não seria possível chegar aqui.
Ao meu pai Julio, e minha mãe Joceli, por serem essenciais na minha vida, por terem me proporcionado todo o estudo, que frente a todos problemas de saúde enfrentados no decorrer da graduação, nunca deixaram eu desistir um dia se quer, me incentivando e ensinando a me tornar uma guerreira, assim como eles.
Ao meu irmão Eduardo, e aos meus amados sobrinhos Murilo e Bernardo, os quais sempre acreditaram no meu potencial e me deram forças e motivação para escolher meu tema.
Ao meu namorado Thalis, por toda paciência, carinho e compreensão que teve comigo, por ter sido um dos meus melhores colegas durante a faculdade, o qual sempre me objetivou a dar toda minha determinação nas aulas.
A minha ilustríssima orientadora Janaína Sturza, por ter me aceito e me guiado com toda sua dedicação e carinho perante este trabalho.
Aos meus grandes amigos da faculdade, os quais compartilharam comigo a rotina e que permitiram que essa caminhada fosse mais alegre.
Aos meus professores e a universidade por todo o ensinamento e oportunidades dada ao longo da minha trajetória.
passos deixamos de dar, interessa saber o quanto teremos coragem de realizar”
O presente trabalho de conclusão de curso tem como objetivo analisar, por meio de fontes doutrinárias e legais, um tema muito delicado e discutido no âmbito do Direito de Família, o uso dos filhos como instrumento de vingança dos pais A alienação parental trata-se de um conflito familiar em que se tem como maior interessado a criança ou adolescente, sendo a maioria dos problemas relacionadas as questões emocionais e não ao cunho jurídico. Através de livros, pesquisas, revistas, legislações pertinentes ao tema, analisa-se as formas pelas quais são praticadas a Alienação Parental e também quando é caracterizada. Elenca e conceitua quem é o alienador e quem é o alienado. Aborda as consequências trazidas pelo ato na vida do menor, as maneiras de abuso psicológico e os traumas que perduram na trajetória de vida da criança. Ainda, por se tratar de um tema de suma importância, o mesmo foi reconhecido pela OMS na classificação mundial de doenças, uma vez que envolve um problema psíquico. Tratando de um problema mundial, ressalta-se como o problema vem sendo enfrentando em meio a pandemia do COVID-19. Por fim, através de pesquisas bibliográficas, o terceiro capítulo do trabalho apresentará sobre a guarda compartilhada como um meio para amenizar a questão enfrentada, bem como, algumas das consequências para o alienador. Destaca-se sobre a prevenção para evitar futuras desavenças, bem como solucioná-las, visando sempre a proteção da criança e do adolescente, de acordo com a Lei nº 12.318/10.
Palavras-Chave: Direito de Família - Conflitos – Alienação parental – Abuso psicológico – Traumas – OMS – COVID19 – Guarda Compartilhada
The purpose of this course conclusion paper is to analyze, through doctrinal and legal sources, a very delicate and discussed subject within the scope of Family Law, the use of children as an instrument of parental revenge Parental alienation is about a family conflict in which the child or adolescent is most interested, with most problems related to emotional issues and not to the legal nature. Through books, research, magazines, legislation pertinent to the theme, we analyze the ways in which Parental Alienation is practiced and also when it is characterized. It lists and conceptualizes who is the alienator and who is the alienated. It addresses the consequences brought by the act in the child's life, the ways of psychological abuse and the traumas that persist in the child's life trajectory. Still, because it is a topic of paramount importance, it was recognized by the WHO in the global classification of diseases, since it involves a psychological problem. Furthermore, dealing with a worldwide problem, it is highlighted how the problem has been facing in the midst of the COVID-19 pandemic. Finally, through bibliographic research, the third chapter of the work will present shared custody as a means to alleviate the issue faced, as well as some of the consequences for the alienator. It stands out on prevention to avoid future disagreements, as well as solving them, always aiming at the protection of children and adolescents, according to Law No. 12,318 / 10.
Key words: Family Law Conflicts Parental alienation Psychological abuse -Traumas - WHO - COVID19 - Shared custody
OMS Organização Mundial de Saúde
SAP Síndrome da Alienação Parental
Status quo No estado das coisas
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas
CF Constituição Federal
LDO Lei das Diretrizes Orçamentárias
CID Classificação Internacional de Doenças
CID-11 Classificação Internacional de Doenças - Pai e filho
QE 52.0 Classificação Internacional de Doenças - Criança e o cuidador
INTRODUÇÃO...11
1. A ALIENAÇÃO PARENTAL E SUA ORIGEM...13
1.1 A origem e a definição da Alienação Parental...13
1.2 Conflito familiar: A causa da Alienação Parental………..….……....……….…...…16
1.3 Como se caracteriza a Alienação Parental……….…..…..…………19
1.3.1 Alienador e alienado……..…..…….…..….………….………..………23
2. AS CONSEQUÊNCIAS DA ALIENAÇÃO PARENTAL NA VIDA DO MENOR...26
2.1 Abuso psicológico……….…..….…….……….………...26
2.2 Trauma no desenvolvimento do menor…...……...…..….………..….………..29
2.3 OMS – Síndrome da Alienação Parental na classificação mundial de doenças…………..…...………..…..…..…...….……….………...….….32
2.4 Alienação Parental frente a Pandemia do COVID-19 (Coronavírus)……..……....35
3. A GUARDA COMPARTILHADA E AS CONSEQUÊNCIAS PARA O ALIENADOR…………..……….…...…..….…...….……….………...38
3.1 Aplicação da lei da guarda compartilhada como meio preventivo…….……….…38
3.2 Consequências jurídicas…....………..……..……….…..42
CONCLUSÃO...45
INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta um estudo acerca da evolução da sociedade, a qual acarretou mudanças no âmbito familiar, passando da forma tradicional para novos modelos de arranjos familiares. Ressalta que o poder familiar deve ser exercido de maneira igualitária entre os genitores, respeitando os princípios do Direito de Família, sobretudo o do melhor interesse da criança e do adolescente, cumprindo sempre o dever de educação do filho, proporcionando-lhe um crescimento saudável, com liberdade e sem afetar seu psicológico, independente da situação.
Observa-se à crescente demanda no judiciário sobre o tema, sendo necessário a cautela ao analisar os casos, considerando os efeitos psicológicos e emocionais negativos que podem provocar nas relações entre pais e filhos. Além de que, sua caracterização se dá na prática de toda e qualquer interferência psicológica do menor realizada ou induzida por um dos genitores, avós ou por aquele que tenha a guarda ou vigilância da criança.
Para a realização deste trabalho foram efetuadas pesquisas bibliográficas e por meio eletrônico, analisando também casos, a fim de enriquecer a coleta de informações e permitir um aprofundamento no estudo da alienação parental, revelar a importância do diálogo na construção da convivência saudável que o menor deve ter e apontar novas perspectivas para a problemática, a fim de evitar novos casos e até mesmo de amenizar a determinada demanda no judiciário.
Inicialmente, no primeiro capítulo, realiza-se uma abordagem da origem da Alienação Parental, conceituando-a, trazendo reflexões de profissionais de amplo conhecimento. Explana que o termo foi desenvolvimento por um psiquiatra
norte-americano, conhecido como Richard Gardner. Também, retrata sobre a crescente demanda no judiciário bem como traz a legislação que define a própria Alineação Parental. Também, aborda a questão do conflito familiar, uma das principais causas da Alienação Parental. Por fim, conceitua o alienador e o alienado, explicando um pouco do papel que cada um realiza.
No segundo capítulo analisa-se, de maneira mais pontual, as consequências da alienação parental na vida do menor. É abordada as formas de abuso psicológico e emocional sofrida pelo mesmo. Ainda, são observados os traumas que acarretam na vida do menor e deixam uma infância marcada pela dor. Anota-se, a partir de uma reflexão mais abrangente, demonstra-se que a alienação parental por ser um tema de suma importância, deixa de ser apenas uma ‘’doença jurídica’’ e passa a ser reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Aborda-se a questão da alienação parental em meio a pandemia que se vive, atualmente.
No terceiro e último capítulo, desenvolve-se aspectos referentes à guarda compartilhada como a possibilidade de amenizar as demandas perante o judiciário. Demonstra-se que essa modalidade de guarda surgiu com o intuito de proteger a criança e/ou adolescente, visando igualar o tratamento de ambos genitores no poder familiar. Verifica-se, também, que serve como um mecanismo fundamental para inibir a alienação parental, uma vez que possibilita uma convivência saudável com ambos os pais, oportunizando a participação das atividades rotineiras do filho. Por fim, analisa-se as consequências jurídicas pertinentes àquele que prática a alienação parental.
A partir desse estudo a intenção é verificar a alienação parental, como se caracteriza, o quanto o conflito familiar possui influência nas consequências da vida do menor, bem como, as consequências para alienador. Ainda, estuda-se sobre os traumas que a alienação parental causa e quais as formas de amenizar a questão.
1. A ALIENAÇÃO PARENTAL E SUA ORIGEM
No presente capítulo será abordado o conflito do âmbito familiar como um agente de mudanças das sociedades e junto retratará sua evolução histórica.
1.1 A origem e a definição da alienação parental
A alienação parental teve origem em 1985 nos Estados Unidos por um psiquiatra norte-americano, chamado Dr. Richard Gardner. Sendo definida como a situação em que um pai ou uma mãe treina seu filho para romper os laços afetivos com a outra parte, criando nele, fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao seu outro genitor.
O Dr Richard definiu dois termos típicos em relação ao tema, a própria alienação parental, mais abrangente, e a síndrome da alienação parental, mais específica. Embora haja questionamentos sobre o posicionamento do psiquiatra, para ele, esta síndrome refere-se à conduta do filho e o quanto afetou tal manipulação, enquanto a alienação parental, tão somente, diria respeito à conduta do genitor que desencadeia o processo de afastamento.
Conforme Richard (Gardner, 1985), em seu artigo referente à psiquiatria infantil:
A Síndrome de Alienação Parental (SAP) é um distúrbio da infância que aparece quase exclusivamente no contexto de disputas de custódia de crianças. Sua manifestação preliminar é a campanha denegritória contra um dos genitores, uma campanha feita pela própria criança e que não tenha nenhuma justificação. Resulta da combinação das instruções de um genitor (o que faz a “lavagem cerebral, programação, doutrinação”) e contribuições da própria criança para caluniar o genitor-alvo. Quando o abuso e/ou a negligência parentais verdadeiros estão presentes, a animosidade da criança pode ser justificada, e assim a explicação de Síndrome de Alienação Parental para a hostilidade da criança não é aplicável.
Retrata também os danos psicológicos e a maneira como ocorre o comportamento dos pais na alienação parental:
É importante notar que a doutrinação de uma criança através da SAP é uma forma de abuso – abuso emocional - porque pode razoavelmente conduzir ao enfraquecimento progressivo da ligação psicológica entre a criança e um
genitor amoroso. Em muitos casos pode conduzir à destruição total dessa ligação, com alienação por toda a vida. Em alguns casos, então, pode ser mesmo pior do que outras formas de abuso - por exemplo: abusos físicos, abusos sexuais e negligência. Um genitor que demonstre tal comportamento repreensível tem uma disfuncionalidade parental séria, contudo suas alegações são a de que é um genitor exemplar. Tipicamente, têm tanta persistência no seu intento de destruir o vínculo entre a criança e o genitor alienado, que se torna cego às consequências psicológicas formidáveis provocadas na criança, decorrentes de suas instruções de SAP – não apenas no presente, em que estão operando essa doutrinação, mas também no futuro.(GARDNER, 2002, P.01)
Dessa forma, vemos o processo de manipulação, onde muitas vezes são utilizadas chantagens emocionais e materiais, para que a criança se afaste de seu outro genitor. O conflito é inerente ao ser humano, pois as divergências fazem parte do cotidiano, das diferenças entre os indivíduos. Posições antagônicas permitem um estudo sob várias óticas em relação ao mesmo objeto do conflito, permitindo que se evolua e reavalie o status quo.
Ressalta-se que este tipo de manipulação afeta o psicológico da criança ou adolescente, influenciando e atrapalhando no desenvolvimento do mesmo. Ainda que, fere o direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudicando a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar.
A alienação parental trata de um conflito familiar em que se tem como maior interessado a criança ou adolescente, sendo a maioria dos problemas relacionadas as questões emocionais e não ao cunho jurídico. Ela analisa a família como um pilar de sustentação, tanto afetivo como social, além das consequências refletidas nos filhos devido ao conflito dos genitores.
No Brasil, observa-se à crescente demanda no judiciário sobre o tema, sendo necessário a cautela ao analisar os casos, considerando os efeitos psicológicos e emocionais negativos que podem provocar nas relações entre pais e filhos. Além de que, sua caracterização se dá na prática de toda e qualquer interferência psicológica do menor realizada ou induzida por um dos genitores, avós ou por aquele que tenha a guarda ou vigilância da criança.
Tento em vista o alto número de divórcios em nossa sociedade atual, vem a tona a preocupação com os filhos, frutos de uma união que já não existe mais. Desta união dissolvida resta apenas a briga judicial pela guarda das crianças, a qual em muitos casos vem acompanhada da alienação parental, onde ocorre a manipulação do menor em sua relação afetiva com um de seus genitores.
O referido tema é regulamentado pela Lei 12.318, de 26 de agosto de 2010, onde caracteriza ato de alienação parental em seu artigo 2º:
Art. 2o Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.
Parágrafo único. São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros:
I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;
II - dificultar o exercício da autoridade parental;
III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;
IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;
VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. (BRASIL.2010)
Ao interpretar o artigo supracitado, podemos observar que tais atos definem a existência da alienação parental. Como já citado anteriormente, tal ato acaba ferindo o direito fundamental da criança e do adolescente de ter uma convivência familiar saudável. O artigo 3º da referida lei trata sobre esse ato que é constituído como abuso moral contra o menor:
Art. 3o A prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda. (BRASIL, 2010)
Assim, conforme elencado, nota-se que o alienador busca sempre atingir o sentimento do menor alienado, manipulando-o de alguma forma, com intuito de prejudicar o outro genitor. Consequentemente, tal atitude, por ser realizada de maneira constante na cabeça inocente de uma criança, acaba se tornando um cenário verdadeiro. Ou seja, a mentira alimentada de manipulações, passa a tornar uma verdadeira história para que o alienado se afaste do outro genitor, destruindo o vínculo afetivo entre eles.
A separação entre casais faz muitas vezes que haja uma disputa pelos filhos, tornando-os como objeto de desejo. Assim, atingindo de alguma forma o outro genitor, buscando uma “vitória” em colocar o menor em conflito com o mesmo, para mostrar-se superior e com maior poder sobre o filho, tornando seu próprio filho como objeto de conquista, um “troféu”.
1.2 – Conflito familiar: A causa da Alienação Parental
O início da alienação parental coincide, normalmente, com o fim de uma união. O ciclo que chegou ao fim traz consigo uma nova, e muitas vezes, conturbada fase. Na maioria dos casos de separação atuais, o fim do relacionamento é sucedido por magoas e ressentimentos em relação ao agora ex-companheiro.
O maior problema não é a separação do casal em si, mas sim, se dessa união tiver resultado um filho, que agora é fruto de um amor que não existe mais. Mesmo não havendo mais vínculo matrimonial, há um vínculo familiar para a vida toda. Neste momento, onde os pais não estão mais juntos, sobra para os filhos carregarem o peso de um divórcio. As crianças são os principais afetados pelo conflito familiar que logo se torna a alienação parental.
Segundo um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1984 e 2016, houve 7 milhões de dissoluções matrimoniais registradas, isso são 580 divórcios por dia. Segundo o mesmo IBGE, 54,87 % dos casais atualmente possuem filhos, com esses números em mãos podemos perceber que neste mesmo período, 3.840.900 crianças cresceram com pais separados.
De uma separação podem resultar muitas coisas, porém, nem sempre são boas. O conflito familiar, que tem início antes da separação, se mantém após ela. Este conflito é fator fundante da alienação parental que vai se agravando conforme aumenta o distanciamento dos filhos de seus genitores, e coincidentemente conforme vão aumentando as torturas e chantagens.
Assim, é válido conceituar a palavra conflito, a fim de que seja compreendido mais profundamente. Conforme lecionam José Luis Bolzan de Morais e Fabiana Marion Spengler (2008, p. 45, grifo dos autores)
Nascido do antigo latim, a palavra conflito tem como raiz etimológica a idéia do choque, ou a ação de chocar, de contrapor idéias, palavras, ideologias, valores ou armas. [...] Consiste em um enfrentamento entre dois seres ou grupos da mesma espécie que manifestam, uns a respeito dos outros, uma intenção hostil, geralmente com relação a um direito. Para manter esse direito, afirmá-lo ou restabelecê-lo, muitas vezes lançam mão da violência, o que pode trazer como resultado o aniquilamento de um dos conflitantes.
O conflito no âmbito familiar, antes de serem conflitos de direito, são essencialmente afetivos e psicológicos. Muitas vezes as famílias criam um constante conflito diante das obrigações de ser pai ou mãe, e isso tem influência direta na vida das crianças. Consequentemente, se torna resultado de uma situação de desequilíbrio.
Melhor dizendo, no conflito familiar, por ser uma discórdia resultante muitas vezes de personalidades diferentes e mal-entendidos, os pais se tornam adversários, e possuem como objetivo submeter a parte contrária usando o menor e utilizando chantagens, violência ou simples ameaça, de forma física ou psicológica dando origem a alienação parental.
Esse meio de alienação do menor por parte de um dos genitores em detrimento ao outro acaba gerando na criança uma formação reativa, cultivando o ódio ao invés do amor. Por se tornar um ato frequente, a alienação passa a se tornar praticamente um hábito por quem a faz. Para entender um pouco mais sobre esse hábito maléfico, devemos antes, entender e aprofundar o significado de hábito.
Segundo Charles Duhigg, em sua obra ‘’ O poder do hábito’’(2012) um hábito se cria quando algo se torna automático e rotineiro, onde que em determinado
momento você para de pensar e simplesmente o faz, como por exemplo, escovar os dentes pela manhã. Quando algo se torna um hábito, nosso cérebro ‘’poupa’’ esforços, pois os hábitos permitem que nossa mente desacelere, pois eles são automáticos e já frequentes no dia a dia.
A alienação parental com o passar do tempo, passa a se tornar um hábito, quem a exerce, em algum momento deixa de pensar o porque de praticá-la, simplesmente a faz. Por se tornar parte da rotina, que nada mais é que um conglomerado de hábitos repetitivos, a alienação parental passa a ser exercida quase que sem nenhum esforço neurológico, se tornando assim, de difícil controle, ou combate. Quem pratica, está por fazê-la de maneira automática, em muitas vezes, sem se dar conta do que está fazendo.
Ressalta-se que esses hábitos que geram os conflitos familiares, dificilmente tornam os divórcios de uma maneira pacífica, consequentemente o conflito continua após a separação, ocorrendo o divórcio litigioso, transformando em um transtorno ainda maior. Assim, as consequências se tornam graves, tornando o problema não só do casal, mas sim aos filhos advindos dessa união.
Elenca-se que deste conflito cria-se a alienação, o distúrbio da alienação parental, momento onde um genitor ‘’mata’’ a imagem afetiva de um pai/mãe para seu próprio filho. Ou seja, o menor passa a ter um genitor morto-vivo, tornando nos pensamentos de um menor inocente que ele não tem mais aquele outro genitor presente, nem que este outro genitor quer fazer-se presente, tornando a vida do menor ainda mais complicada e estragando cada vez mais o desenvolvimento da saúde mental.
Observa-se na mesma linha de raciocínio, o conceito pai morto-vivo se refere a um genitor que teve sua imagem denegrida pelo outro a ponto de perder o contato com o filho da mesma forma como se tivesse falecido. Criando um distúrbio de realidade difícil de reverter, afetando cada vez mais a saúde da criança e adolescente, a vítima de todo esse conturbado conflito.
Dessa maneira, os menores envolvidos nessas situações de rompimento dos vínculos conjugais de seus pais, entram em conflitos nos quais são marcados por um rastro de rancor e vingança, onde os genitores procuram a Justiça fazendo com que as crianças e adolescentes que encontram-se nesses conflitos se tornem os instrumentos de agressividade utilizados na esfera judicial.
Assim, quando houver o conflito familiar e todo o processo de separação e/ou dissolução, e os mesmos não forem solucionados de uma forma tranquila e madura, acarretará em traumas para a vida do menor. Pois, aqui inicia-se e cria-se a alienação, momento pelo qual poderá provocar distúrbios emocionais que dificultarão o desenvolvimento emocional da criança.
Desta mistura de sentimentos em meio ao conflito, muitos casais não sabem administrar a nova situação e acabam esquecendo as necessidades e relação afetiva de uma criança, optam por manter um confronto, transformando o conflito em uma verdadeira guerra, onde a arma mais usada e disputada é o próprio filho.
1.3 – Como se caracteriza a Alienação Parental
Anteriormente, podemos analisar o conceito e a origem da Alienação. Em um estudo mais afundo e específico, podemos notar os fatores que levam a caracterização da alienação parental. Aqui, de antemão, é válido lembrar que a própria legislação traz formas exemplificativas da alienação parental, em seu artigo 2º, Parágrafo único:
§único: São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros:
I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;
II - dificultar o exercício da autoridade parental;
III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;
IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;
VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. (BRASIL, 2010)
Não fugindo do conceito estudado de alienação, a sua caracterização é semelhante, uma vez que se da quando o adulto exerce ou tenta exercer influência sobre a criança ou adolescente de modo que esta, tenha por finalidade desqualificar o genitor ou a genitora, impedir de alguma forma o exercício da autoridade na condição paterna ou materna, frente ao menor.
Ainda que, começa criar empecilhos para dificultar a convivência com o outro genitor, consequentemente excluindo de atividades rotineiras, de eventos sociais, omitindo até mesmo questões referentes ao estado de saúde. Também, uma mudança de endereço sem prévio aviso ao outro pai ou mãe, ou ainda a qualquer outro adulto que tenha a criança ou adolescente sobre sua guarda, cuidados, vigilância ou que tenha autoridade sobre a mesma.
A psicóloga Andreia Calçada, em sua obra Perdas Irreparáveis (2014) relata sobre o tema e exemplifica que a alienação se dá quando um genitor faz e altera a percepção da criança sob o outro genitor, alterando essa percepção para fazê-lo o odiar.
São inúmeras as formas de caracterização da alienação. Seguindo a ordem os incisos do artigo 2º da Lei 12.318/10, anteriormente citados, podemos debater que em seu inciso primeiro, onde temos a campanha de desqualificação da conduta do genitor, se caracteriza no momento em que há uma influência negativa de um genitor sobre o outro, fazendo o menor inocente acreditar que tais condutas do outro pai ou mãe é errada, ainda mais, quando tal conduta se mistura com mentiras contadas pelo mesmo.
Já o inciso terceiro trata sobre a prática do ato que dificulte o exercício de autoridade parental, momento em que tem sua caracterização quando um dos genitores complica e dificulta em alguma atividade decisória ou até mesmo de supervisionamento de atividade do menor, tirando o desempenho de autoridade de um dos pais. Ressalta-se que é papel de ambos os pais decidirem juntos as questões que dizem respeito ao maior interesse na criação e formação do filho, bem como, seus atos rotineiros, questões escolares, viagens e entre outros.
Quanto as visitas e demais contato do genitor com o menor, o inciso III da referida lei traz que também se caracteriza no momento em que um dos pais tenta dificultar contato da criança ou adolescente com o outro genitor, ou seja, no momento em que algum tenta criar uma barreira entre o outro filho, tentando de certa forma bloquear o contato e vínculo de pai para filho, já se caracteriza alienação.
O inciso IV, não menos importante, também elenca sobre o que relato anteriormente no inciso III, que é a questão de dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar, momento que se caracteriza na criação de um obstáculo na convivência regulamentada, o qual constitui um certo afrontamento de alguma determinação judicial sobre a regulamentação das visitas ou por livre vontade das partes.
Já o próximo inciso da respeitada lei, V, elenca outra forma da caracterização da alienação, que é no momento que ocorrem omissões de informações pessoais relevantes sobre o menor ao outro genitor, sendo elas inclusive escolares, médicas e até mesmo uma mudança de endereço. Ressalta-se que essas omissões acabam auxiliando no afastamento da criança ou adolescente com o seu pai/mãe pois, ao não ter conhecimento do que se passa com o filho, não se presta o devido auxílio e também supervisionamento nos cuidados da parte do outro genitor.
O inciso VI, caracteriza a falsa denúncia contra genitor, familiares e avós, justamente para dificultar a convivência do menor com esta parte da família. Esse inciso, pode-se considerar uma das formas mais graves da caracterização da alienação parental, pois afronta os direitos maternos e/ou paternos. É nesses fatores, que os genitores chegam em situações extremas de conflito, dando início as falsas acusações com o outro genitor, sendo elas maus tratos, abandono, torturas psicológicas e a falsa denúncia de abuso sexual.
Nessa sequência de falsas acusações, o menor inocentemente, começa a criar a história do alienador na cabeça e passa a concretiza lá como verdadeira, criando uma imagem do genitor alienado como uma pessoa má, passando ter medo e sentimentos ruins. Momento em que o alienador consegue o afastamento do filho com o alienado, como já mencionado anteriormente no outro capítulo, o alienado
mata a imagem do pai/mãe da criança, passando a criança a ter um pai morto-vivo perante todas essas falsas acusações.
Ressalta-se que a prática dessas falsas acusações elencadas no inciso VI, constitui crime pelo fato da falsidade, seja ela uma calúnia, difamação, injúria e denunciação caluniosa. Nesse momento há necessidade de decisões com medidas urgentes para a proteção do menor, pois mesmo sendo falsas as acusações é a vida do menor que está em risco. Independente de verdadeira ou falsa, essa acusação gravíssima afeta muito o menor, pelo fato de uma história tão delicada no pensamento de uma criança, é destrutivo e acarreta em sérias consequências no desenvolvimento da criança.
Por último, o inciso VII caracteriza a mudança de domicílio para local distante, sem justificativa, visando dificultar a convivência do menor com o outro genitor e familiares deste. Esse fator acontece muito após a separação de casais, onde uma das partes ainda não superou tal acontecimento, e começa usar a criança ou adolescente como objeto para afetar a parte contrária e familiares.
É um momento muito delicado, pois a vida do menor já está em adaptação de uma nova convivência familiar, uma rotina distante de um dos genitores. Assim, com uma mudança de domicílio sem tal necessidade, acaba tornando essa adaptação da criança muito maior e difícil de aceitar, pois troca a cidade, ciclo de amigos e escola. Mais uma vez, a criança se torna vítima de tamanho egoísmo do alienador.
É de conhecimento, que após a separação, muitos casais demoram para regularizar a situação perante a justiça, justamente pelo fato de uma das partes não superar a atual situação, com esperança de voltar uma relação que hoje não existe mais. Essa parte se torna a alienadora, pois a única ‘’saída’’ dela é usar os menores para afetar a outra parte.
Válido elencar o artigo 8º da referida lei, onde demonstra que a mudança de domicílio sem a autorização do outro genitor ou mediante determinação judicial, terá desconsideração em sua determinação de competência relacionada às ações fundadas em direito de convivência familiar.
Art. 8º A alteração de domicílio da criança ou adolescente é irrelevante para a determinação da competência relacionada às ações fundadas em direito de convivência familiar, salvo se decorrente de consenso entre os genitores ou de decisão judicial.(BRASIL,2010)
Acontece que, frente a nova realidade, realizados acordos verbais sem intervenção da justiça, a parte alienadora que opta pela mudança para um local distante, visando o afastamento dos menores do genitor alienado e demais familiares, consegue realizar tal mudança do dia para noite, pois alega muitas vezes que irá se mudar para uma situação de vida melhor e a outra parte fica indefesa, pois até entrar com processo para regulamentar tal situação, a mudança já ocorreu.
Nesses casos, a parte alienadora inicia-se chantagens com o outro genitor e da continuidade às chantagens já iniciadas com o menor, justamente por conseguir esse certo distanciamento entre os mesmos. Começa a tomar decisões da vida da criança sem intervenção do outro genitor, não deixando ninguém mais interferir, prejudicando a relação entre os mesmos e ferindo os direitos fundamentais do menor em ter uma convivência saudável e afetiva com seu genitor e demais familiares.
1.3.1 Alienador e alienado
Antes de caracterizar e entender melhor o papel do alienador e do alienado, ressalta-se a importância do poder familiar, onde na verdade não se trata de um poder, mas sim de um dever e obrigação com os filhos pelo qual ambos genitores devem exercer de maneira igualitária, conforme estabelecido em nossa Constituição Federal, em seu artigo 226, §5º:
Art.226, § 5º: Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. (BRASIL, 1988)
Isto posto, podemos notar que o poder familiar possui sua definição como um composto de direitos e deveres, os quais são atribuídos aos genitores em relação aos seus filhos, para os mesmos terem um desenvolvimento cognitivo e social em meio a um relacionamento afetivo saudável, independente do casal estar em uma união ou não.
A execução deste poder familiar é de competência de ambos genitores. Ocorre que, conforme já relatado, em meio a Alienação Parental esses deveres e direitos são violados, justamente pelo fato de os pais não saberem separar seus conflitos conjugais das relações parentais, momento o qual alienam o menor, causando-lhe sofrimento e muitos prejuízos em seu desenvolvimento.
A Alienação Parental é um ato que pode ser realizado pelo genitor, genitora, avós, tios e demais familiares que convivem com a criança e/ou adolescente. Assim, temos que o denominado alienador é aquele ou aquela a quem impeça ou dificulte qualquer contato do filho com o outro genitor ou familiar, justamente com o intuito de estragar qualquer vínculo afetivo existente entre eles.
Na maioria dos casos presentes em nosso judiciário, o alienador é aquele o qual assumiu a guarda do menor após a separação, seja a guarda fática ou a definitiva. Ressalta-se que o alienador pode ser qualquer parente ou adulto que tenha autoridade sobre a criança. O alienador visa a criança como um objeto usado para conseguir atingir a outra parte. Assim, podemos analisar a definição de Freitas (2010, p.19):
Todavia, a prática da alienação parental não se restrinja somente ao genitor detentor da posse do menor, tal ato é mais comumente praticado por este, tendo em vista tratar-se de um transtorno psicológico que se caracteriza pelo conjunto sintomático por meio do qual um genitor, denominado cônjuge alienador, tem o objetivo de romper, destruir o vínculo do filho com o outro genitor.
Notamos que o alienador possui sempre o mesmo intuito, que o de é realizar o afastamento do filho com o outro genitor, utilizando de chantagens emocionais, passando a implantar muitas vezes falsas memórias, distorcendo realidades e colocando cada vez mais os pensamentos do menor indefeso contra o outro genitor ou demais familiares. CARVALHO (2018), relata sobre:
A principal característica do guardião alienador é a lavagem cerebral do menor, para que atinja uma hostilidade quanto ao pai visitante e passe a acreditar que foi desprezado e abandonado, compartilhando ódios e ressentimentos com o alienador, tornando-se o seu cúmplice.
O alienador vai criando na memória do próprio filho uma imagem totalmente distorcida do outro genitor, criando uma imagem negativa, fazendo com que seja de
certa forma banido da vida do outro genitor. Isso afeta o desenvolvimento da formação e estruturação psíquica do filho, trazendo marcas inapagáveis. CARVALHO (2018) explana:
O guardião passa a manipular o filho com uso de táticas verbais e não verbais, distorcendo a realidade para que passe a acreditar que foi abandonado pelo outro genitor, acabando por perceber um dos pais totalmente bom e perfeito (o alienador) e o outro totalmente mau.
Assim, podemos notar que o alienador possui como suas características orientações e chantagens com o menor, visando sempre a destruição do vínculo afetivo da criança e ou adolescente com o outro genitor, com intuito do filho deixar de visar a outra parte da família como um membro importante e até mesmo como parte do seu vínculo amoroso.
Alguns dos comportamentos mais comuns do alienador são como tal desqualificação do outro genitor na presença do filho, dificultação ou impedimento do outro genitor ao acesso de informações referentes ao contexto escolar e até mesmo saúde da criança e ou adolescente. Ainda, dentre algumas implicâncias referentes ao outro genitor, podemos exemplificar o fato do impedimento do menor transitar com roupas ou brinquedos que o outro pai/mãe tenha presenteado ou até mesmo de o fato de levar de uma casa para outra.
Já o alienado, podemos dizer que é o papel desenvolvido pelo filho e se estende ao outro genitor, incluindo até mesmo os familiares deste. Notamos que o alienado é aquele que sofre as chantagens pelo genitor e o que tem a sua imagem denegrida devido a alienação parental que sofre. Podemos dizer e ver que são aqueles os quais são as vítimas da história.
2. AS CONSEQUÊNCIAS DA ALIENAÇÃO PARENTAL NA VIDA DO MENOR
Neste capítulo tratar-se das consequências trazidas no desenvolvimento da vida criança e/ou adolescentes, as formas de abuso psicológico sofridas e os traumas que podem acarretar e deixar uma infância marcada pela dor
2.1 Abuso psicológico
A alienação parental, conforme mencionado em sua Lei nº 12.318/2010, é uma forma de interferência na formação psicológica do menor, promovida ou induzida por um dos genitores ou avós ou aqueles que possuem autoridade, guarda ou vigilância da criança e/ou adolescente para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.
De certa forma, a alienação parental é uma maneira de abuso psicológico ou emocional. Esta forma de abuso psicológico pode ser o tipo mais comum de abuso infantil, se tornando o mais difícil de lidar. Essas condutas praticadas durante a infância, provoca atrasos no desenvolvimento das funções cerebrais, com diversos problemas para o menor desenvolver suas funções cognitivas, tais como a memória, atenção, linguagem, percepção e demais funções executivas, afetando inclusive o desenvolvimento da inteligência.
Esses tipos de abusos psicológicos sofridos, geram consequências negativas, tais como mau comportamento na escola, podendo inclusive influenciar nas notas escolares, rebeldia, desprezo de suas obrigações, demonstração de medo perante adultos, timidez excessiva, crises de ansiedade, depressão, síndrome do pânico, insônia, vícios e entre outros fatores que prejudicam a vida do menor.
O abuso psicológico possui um alto risco de dano ao bem-estar do menor, fazendo com que a criança se sinta como um objeto de disputa, um ser inútil, indefeso e desprezado. Além disso, este abuso também caracteriza uma forma de violência. A educadora Esther Pillar Grossi (2005, p.53) elenca sobre um conceito de violência aplicado ao desenvolvimento neurológico.
Baseio-me na definição de violência da própria Unesco. Ela é definida como “toda ação que impede o desenvolvimento.” Entretanto, esta definição fica mais adequada se for transformada em “violência é toda ação que impede a aprendizagem.
Como já relatado, esse tipo de abuso possui grande influência no processo de aprendizagem da criança e/ou adolescente. Um menor que sofreu um processo de alienação por parte de um de seus familiares, visto aqui como uma forma de violência psicológica, terá maiores dificuldades na formação de seu conhecimento, será mais propensa a rebeldia, birra, timidez e ansiedade. Todas essas consequências se dão por conta do abuso psicológico ao qual a criança foi submetida (exposta).
Conforme elencado anteriormente, o genitor caracterizado como alienador, promove a exclusão do filho da convivência com a outra parte genitora e demais familiares da mesma, realizando acusações, e realizando falsas percepções para a criança sobre o outro genitor, pondo inclusive falsas memórias nos pensamentos inocentes da criança.
Dessa maneira, se caracteriza uma das formas de abuso, pelas quais o menor começa ter a ligação psicológica com o outro genitor afetada e abatida, passando a de certa forma não querer aceitá-lo mais ou ter contatos frequentes . Ou seja, a criança e/ou adolescente, em razão de todas manipulações sofridas, se torna o refém do genitor alienador, se tornando notável o seu sofrimento perante tal situação. Maria Berenice Dias (2007) relata sobre:
A criança é induzida a afastar-se de quem ama e de quem também a ama. Isso gera contradição de sentimentos e destruição do vínculo entre ambos. Restanto orfão do genitor alienado, acaba se identificando com o genitor patológico, passando a aceitar como verdadeiro tudo o que lhe é informado.
O menor perante todo este abuso e torturas psicológicas, começa a criar contradições nos seus sentimentos, não sabendo mais diferenciar o certo do errado e a verdade da mentira. Dessa maneira, a criança com sua ‘’autodefesa’’ e frente a um turbilhão de informações do alienador afasta-se do genitor alienado, acabando aos poucos com o vínculo entre ambos.
O psiquiatra norte-americano Richard Gardner (2002) afirma que a aprendizagem de uma criança e/ou adolescente por meio da Síndrome da alienação
parental se caracteriza como uma forma de abuso emocional e de certa forma psicológico sofrido pelo menor, uma vez que tal abuso leva ao enfraquecimento da relação afetiva com o outro genitor.
É importante notar que a doutrinação de uma criança através da SAP é uma forma de abuso – abuso emocional - porque pode razoavelmente conduzir ao enfraquecimento progressivo da ligação psicológica entre a criança e um genitor amoroso. Em muitos casos pode conduzir à destruição total dessa ligação, com alienação por toda a vida.
Ressalta-se que a própria prática da alienação parental constitui como uma forma de abuso moral contra a criança ou adolescente, além do que fere o direito fundamental do menor de uma convivência familiar saudável, uma vez que o abuso moral influencia e prejudica a relação afetiva com o genitor alienado. O artigo 3º da lei da Alienação Parental trata sobre:
Art. 3º A prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda.(BRASIL.2010)
Ainda, na pior das formas, está a falsa acusação do abuso sexual, momento o qual o genitor alienador acusa falsamente o outro genitor alienado ou então algum familiar deste, da prática de abuso sexual, justamente com a finalidade da criança sentir medo e sentimento de raiva do outro genitor e dessa parte da família. É o que relata Maria Berenice Dias (2007):
Neste jogo de manipulação, todas as armas são utilizadas, inclusive a assertiva de ter havido abuso sexual. O filho é convencido da existência de determinados fatos e levado a repetir o que lhe é afirmado como tendo realmente acontecido.
Neste tipo de abuso, o genitor alienador inventa histórias detalhadas para o menor, alimentadas com chantagens e muitas vezes com ameaças, fazendo as falsas memórias de abuso sexual se tornarem verdades absolutas, uma vez que uma mentira contada por diversas vezes, passa a se torna realidade, principalmente, para uma mente inocente.
O menor manipulado emocionalmente, passa a ter sentimentos negativos, como o medo e a insegurança perante o outro genitor, que antes das ‘’ verdades
falsas’’ era bem quisto pela criança. Também, pode inclusive gerar reações agressivas e o rompimento do vínculo afetivo, causando-lhe traumas para a vida toda.
Além do que, a falsa acusação do abuso, não fica somente nos pensamentos do menor. Em muitos casos, essas falsas acusações são levadas ao judiciário, momento o qual a criança ou adolescente precisa passar por várias etapas, tais como depoimentos e ao exame de corpo e delito. Estes fatores podem resultar em grandes traumas e deixar graves sequelas emocionais para o desenvolvimento do menor.
2.2 Trauma no desenvolvimento do menor
A alienação parental possui grande interferência na formação psíquica do menor que sofre tal ato, uma vez que o mesmo está em sua fase de desenvoltura e desenvolvimento físico e mental, causando lhe prejuízos no seu crescimento. A criança e ou adolescente vítima da alienação passa a viver em uma nova realidade perturbadora e prejudicial ao seu desenvolvimento, levando traumas para a sua vida inteira.
A Doutora em Psicologia Escolar, Vera Barros de Oliveira (2002, p.13), relata sobre como se constrói o desenvolvimento da inteligência, aborda a maneira que o sistema nervoso forma seu acervo de experiências conscientes e inconscientes e retrata como a influência da memória pesa no aspecto cognitivo e afetivo:
O desenvolvimento da inteligência constrói-se a partir da expansão ativa do campo da consciência em relação à realidade vivida.
O sistema nervoso central forma seu acervo de experiências conscientes e inconscientes ao longo da vida. Essas experiências constituem nossa memória individual. Todas as informações arquivadas foram classificadas como significativas para o organismo e têm sempre o duplo aspecto cognitivo e afetivo.
Sendo assim, como a criança está inserida em uma nova realidade conturbada e anormal, ela sofre as consequências neurológicas desse conflito desenvolvendo-se de uma maneira diferente, tendo reflexos negativos tanto na formação da inteligência como nas relações afetivas e cognitivas, levando consequências para toda a sua vida.
Isto demonstra como é importante o desenvolvimento neurológico saudável da criança. As experiências pelas quais ela passar, deixarão resquícios em seu sistema nervoso central, que se perpetuarão por toda vida, refletindo não só nas relações de laços fortes (família e amigos próximos) como nas de laços fracos também (amigos distantes, colegas, conhecidos em comum).
Para a criança em sua fase de desenvoltura, aprender e conciliar a espontaneidade do momento à crescente organização dos traumas e chantagens sofridos na Alienação Parental, seja no passado bem como no presente, vem ser um dos grandes desafios para o desenvolvimento de sua inteligência e formação de sua personalidade.
Ainda que, além de afetar o desenvolvimento do menor, podem surgir sentimentos como o de abandono, temor, vergonha, descriminalização, humilhação e ridicularização. Isso ocorre justamente pelo fato de ocorrer as chantagens, insultos e torturas psicológicas sofridas pela criança, o qual ressalto mais uma vez que é a vítima maior da história. João Mouta (2008) relata sobre alguns dos danos causados ao menor:
Os efeitos da síndrome são similares aos de perdas importantes – morte de pais, familiares próximos, amigos, etc. A criança que padece da síndrome da alienação parental passa a revelar sintomas diversos: ora apresenta-se como portadora de doenças psicossomáticas, ora se mostra ansiosa, deprimida, nervosa e, principalmente, agressiva. Os relatos acerca das consequências da síndrome da alienação parental abrangem ainda depressão crônica, transtornos de identidade, comportamento hostil, desorganização mental e, às vezes, suicídio. Por essas razões, instilar a alienação parental na criança é considerado como comportamento abusivo com gravidade igual á dos abusos de natureza sexual ou física.
Nota-se que sem um tratamento para esse caso delicado, o trauma perdurará até a fase adulta, causando prejuízo no desenvolvimento do menor, conforme já visto anteriormente, uma vez que a criança passa a ter sentimento de ódio e repúdio contra o outro genitor, destruindo qualquer tipo de vínculo afetivo entre os mesmos, os quais deveriam ter um relacionamento saudável.
Dando ênfase mais uma vez a questão da falsa acusação do abuso sexual, o que acarreta um trauma enorme no desenvolvimento e vida da criança, é importante
observarmos que o menor ao crer que realmente sofreu tal abuso, ele passa a sofrer como se realmente tivesse sido vítima do abuso sexual. Isso ocorre muitas vezes pelo fato de ainda não possuir um discernimento em diferenciar a realidade da mentira.
A partir desta crença e perante as medidas que o familiar alienado tomar para zelar o direito da criança e/ou adolescente a um desenvolvimento saudável, a investigação sobre tal acusação tomará partida, momento pelo qual o menor passará por perícias e depoimentos, uma situação que traz um sério trauma na vida do menor, uma vez que terá que se expor e contar tal experiência.
Atualmente, existem formas para amenizar certo trauma para criança, o que se parece uma coisa inviável. Porém, o denominado depoimento sem dano ou depoimento especial, regido pela Lei 13.431/2007, o qual ocorre perante psicólogos e assistentes sociais, visa uma maneira mais confortável do menor depor, sentindo mais seguro, protegido.
Ressalta-se que, é de conhecimento que o abuso realmente ocorre em alguns casos, por isso a necessidade de uma investigação a fundo para verificar se realmente houve ou não abuso. Verificada tal suposição, é fundamental sempre preservar pelos direitos da criança, visando sempre a sua saúde mental, para evitar traumas mais gravosos na vida dela.
Todos sabemos que como é fundamental o papel de ambos genitores para o desenvolvimento saudável da criança, e também como já vimos, para o desenvolvimento psíquico. No entanto, na Alienação Parental isso não ocorre, uma vez que um dos genitores tenta de qualquer maneira afastar o outro genitor de perto do filho, gerando trauma para o menor. Segundo Priscila Maria Pereira (2006):
[...]Essa alienação pode perdurar anos seguintes, com gravíssimas consequências de ordem comportamental e psíquica, e geralmente só é superada quando o filho consegue alcançar certa independência do genitor guardião, o que lhe entrever a irrazoabilidade do distanciamento do genitor.
A situação da Alienação Parental gera sofrimento tanto na criança e/ou adolescente como no genitor alienado, uma vez que o sentimento de amor fraternal
vira repúdio. Tais atitudes provocados pelo alienador, além de trazer tamanho sofrimento, acabam por prejudicar o desenvolvimento do menor. Ainda que, podem no futuro distanciar o filho do próprio alienador, uma vez que esse passa a ter o devido discernimento da situação em que lhe traumatizou na infância.
2.3. OMS - Síndrome da Alienação Parental na classificação mundial de doenças.
Antes de tocarmos ao tema do trabalho, é válido tomarmos conhecimento do que é a OMS. A Organização Mundial da Saúde é uma agência especializada das Nações Unidas direcionada para questões da saúde. A OMS foi fundada no dia 07 de abril de 1948, com o propósito de atender questões relacionadas a área da saúde global, tendo como seu principal objetivo a garantia de um grau mais elevado de saúde para todos.
É o que consta na constituição da OMS em seu artigo 1º onde expõe que o objetivo da Organização Mundial da Saúde (doravante denominada Organização) deve ser a conquista por todos os povos do mais alto nível possível de saúde. Ou seja, não visa apenas evitar enfermidades mas sim um estado completo de um bem-estar físico, mental e social para todos.
Podemos elencar que em 1948 a OMS assumiu a responsabilidade pela Classificação Internacional de Doenças (CID), a qual se tornou o padrão internacional para fins clínicos e também epidemiológicos. Esta classificação tem como um de seus objetivos principais facilitar a comunicação e identificação de doenças, uma vez que contamos com uma diversidade cultural e linguística muito extensa.
Ressalta-se que o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos expressa que todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a saúde e bem-estar:
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
Nota-se que um dos primeiros pontos elencados no artigo é o direito à saúde, embora ele enfatize que todos possuem direitos sociais e econômicos. Estes direitos são intrínsecos ao próprio ser, são garantias fundamentais da existência, tratando todos como humanos, mas sempre colocando em estado de equidade, visto que para uns o acesso à saúde é simples, para outros é raro, sendo a saúde apresentada como um valor coletivo.
Em sua carta constitutiva, a OMS, tem como objetivo desenvolver ao máximo possível o nível de saúde de todos os povos. Ainda, define saúde como ‘’um estado de completo bem-estar físico, mental e social não consistido somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. Tendo isto como objetivo, a organização investe em pesquisas de novas doenças, tratamentos e prevenção de enfermidades.
Para lincarmos a OMS ao presente trabalhado, voltamos ao dia 18 de junho de 2018, data em que a organização publicou a 11° edição da CID - Classificação Internacional de Doenças, e nela, incluiu a Síndrome de Alienação Parental como uma doença. Um marco importante para toda a sociedade, pois sendo reconhecida como uma doença, a alienação abre os olhos de toda a comunidade, que em dado momento não deu a atenção devida a alienação parental.
Neste aspecto, visamos demonstrar que a alienação é um tema de suma importância, recorrente e cotidiano em nossa sociedade. Com este reconhecimento internacional e sendo compreendida pelos integrantes da cúpula da OMS como de fato uma doença, uma vez que afeta e prejudica as pessoas que dela sofrem, vemos que não se trata apenas de mais um caso de separação mal resolvida.
Conforme já visto, a Alienação Parental é um assunto muito grave, visto que é regulamentada pela Lei nº 12.318/2010 e possui sua definição como a interferência na formação psicológica do menor promovida por um dos genitores ou familiar. Ainda, a mesma lei relata que a prática do ato fere o direito da criança e adolescente da convivência familiar saudável, constituindo abuso moral contra o menor. É o que expressa seus artigos:
Art. 2º Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos
genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.
Art. 3º A prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda. (BRASIL, 2010)
Ainda, ao elencarmos o fato de ser um abuso psicológico e também possuir influência no desenvolvimento do menor, a Lei 13.431/2017 possui um sistema de garantia de direitos da criança e/ou adolescente vítima ou testemunha de tais violências. É o que ressalta o artigo 2º da referida lei, onde é mencionada a preservação da saúde física e mental do menor.
Art. 2º A criança e o adolescente gozam dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhes asseguradas a proteção integral e as oportunidades e facilidades para viver sem violência e preservar sua saúde física e mental e seu desenvolvimento moral, intelectual e social, e gozam de direitos específicos à sua condição de vítima ou testemunha. (BRASIL,2017)
Assim, ressalta-se mais uma vez que a Alienação Parental possui uma grande influência em um desenvolvimento negativo do menor. Pelas mesmas razões, o ato egoísta perante a criança e/ou adolescente passou a ser reconhecido oficialmente e internacionalmente, uma vez que é associado a uma doença psiquiátrica.
A Alienação Parental foi indexada dentro do CID-11, como subcategoria de um ‘’problema de relacionamento entre pai e filho”, não sendo mais relacionada apenas como uma doença jurídica. É fundamental elencarmos que o CID é um manual tanto de doenças como de condições, sendo elas inclusive sociais, as quais possuem influência no estado de saúde do ser humano.
Salienta-se que não há um código específico para a Alienação Parental, porém, na prática se houver necessidade de um diagnóstico, será retratado como QE52.0, o qual se trata de problemas relacionados com a criança e o cuidador. Com esta inclusão, consequentemente facilitará e andaram de maneira mais rápida os encaminhamentos aos tratamentos adequados ao menor.
2.4 Alienação Parental frente a Pandemia do COVID19 (Coronavírus)
Diante do cenário mundial atual, ressalta-se o tema do Coronavírus. Em meio a pandemia do Covid-19, veio aos holofotes uma Organização que a tempos não se ouvia ou não se davam créditos, muito menos investimentos. A OMS, Organização Mundial da Saúde, fundada em 7 de abril de 1948, é subordinada à ONU – Organização das Nações Unidas, e desde o início do ano de 2020 é um dos órgãos de maior relevância e importância no mundo.
Vivencia-se um marco histórico, em tempos de pandemia o mundo todo está em caos. É momento de solidarizar-se e ajudar-se frente a um acontecimento tão inesperado, causador de tamanhas mudanças advindas de sofrimento e desespero. É um fator novo e conturbado, onde se tornou necessário o isolamento social e ao mesmo tempo onde se torna uma obrigação adaptarmos a diversos fatores, tais como a crise econômica.
Porém, em meio a todos esses novos fatores, onde deveria existir a humanização e também solidariedade, infelizmente, há alguns que se aproveitam frente a tal situação, visando o momento frágil como uma oportunidade para se dar bem em cima de problemas já causados. É o exemplo que ocorre com alguns casos de Alienação Parental.
A Alienação Parental, é praticamente o isolamento de um dos genitores da vida do filho. Assim, vivenciando realmente tempos de isolamento, o genitor alienador se aproveita da situação para conseguir de vez retirar completamente o genitor alienado da vida da criança, alegando que perante a epidemia é um risco se fazer presente para o menor.
É de conhecimento que a Alineação Parental é um tema muito delicado, porém ao misturar os dois assuntos, isso resulta em uma questão muito mais sensível. Assim, se torna necessário a verificação desse tal afastamento por razão da pandemia, analisando a fundo se essa questão realmente não está sendo usada como desculpa para afastar ainda mais o genitor do pai.
Salienta-se que também é de suma importância a saúde do menor, ainda mais frente ao caos que está matando diversas pessoas, independente da idade, seja crianças até idosos. Todavia, alertamos em nosso trabalho a questão do aproveitamento da epidemia para o fim do vínculo afetivo da criança e/ou adolescente com o genitor e demais familiares.
Válido ressaltar, que perante esta nova questão que surge não só na Alienação Parental, mas na vida do mundo inteiro, está sendo utilizado a tecnologia para socializar e até mesmo trabalhar a distância. Por isso, é de grande valor que os pais separados optem por esse meio para não prejudicar a convivência saudável e também para estar por dentro da vida do filho.
Em regra, as visitas regulamentadas antes da pandemia em que vivemos, devem ser mantidas, é claro que respeitando todas recomendações sanitárias devidas. Se for o caso de o genitor se recusar entregar o filho, o outro deve imediatamente procurar seus direitos perante a Justiça, justamente para evitar os atos da Alienação.
Por se tratar de um tempo novo, a pandemia vem sendo uma incógnita na vida de todos nós. Essa questão conforme vimos afeta muito a área do Direito de Família, uma vez que essa situação social vem tendo muita influência na convivência entre os integrantes da família, tendo uma grande influência no nosso tema.
Ressalta-se que em muitos casos a convivência presencial com um dos genitores foram suspensas, devendo as mesmas ser substituídas pelo meio eletrônico, conforme elencamos anteriormente. Todavia, é importante analisar e dar atenção ao caso, e ver a necessidade da suspensão e também a hipótese do uso da questão para afastamento da criança e genitor, podendo a criança ficar metade do tempo com cada genitor.
Mesmo em meio à pandemia, se torna de extrema importância a busca ao Judiciário pelos direitos fundamentais das crianças e/ou adolescentes, impedindo possíveis atitudes da Alienação Parental, as quais veremos no próximo capítulo, que
acarretam em consequências negativas para a vida do menor, tais como a interferência no desenvolvimento emocional, afetivo e psicológico.
3. A GUARDA COMPARTILHADA E AS CONSEQUÊNCIAS PARA O ALIENADOR
No presente capítulo, apresentar-se uma possível solução para esse conflito, onde se aplicada de maneira adequada, a guarda compartilhada é uma das melhores saídas para evitar e solucionar a síndrome da alienação parental, junto garantindo a criança um crescimento e desenvolvimento psicológico longe de manipulações e traumas. Ainda, será abordado as consequências aplicada para o genitor alienador.
3.1 - Aplicação da lei de guarda compartilhada como meio preventivo
Conforme visado nos capítulos anteriores, o fim de uma relação conjugal mal resolvida, traz consigo diversas complicações para os ex-cônjuges, e também, para os frutos deste amor do passado: os filhos. Por se tratar de um problema social, cabe ao estado intervir no conflito e buscar uma solução pacifica e que não cause danos relevantes a nenhuma das partes envolvidas.
Sabe-se que é difícil que nenhuma das partes não se sinta prejudicada ao final de um conflito. Mas a maneira que foi encontrada para tentar evitar que os filhos fiquem sem ver um de seus pais, e para que não sofram nenhum tipo de pressão psicológica como a alienação parental, foi a Guarda Compartilhada. Definida para que ambos os pais possam participar da criação de seu filho e acompanhar seu crescimento, a lei foi redigida a fim de que ambos os pais tenham igualdade de direitos e obrigações perante seus filhos.
A guarda compartilhada, surgiu com o intuito de proteger a criança e de dar aos pais um tratamento igualitário no poder familiar. Preservar a integridade da criança, e dar a ela o direito de poder conviver com seus genitores é parte integra da guarda compartilhada, buscando também, da mesma forma, proteger o direito dos pais de terem convívio com seus filhos, conseguindo dois proveitos simultâneos.
Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser: (Redação dada pela Lei nº 11.698, de 2008).
I – requerida, por consenso, pelo pai e pela mãe, ou por qualquer deles, em ação autônoma de separação, de divórcio, de dissolução de união estável ou em medida cautelar;
II – decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do filho, ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. (BRASIL, 2002)
Este artigo supracitado, está redigido conforme a Lei da guarda compartilhada, nº 13.058/2014. Podemos dizer que a guarda compartilhada é um dos tipos mais completos de guarda. Conforme visto, ela poderá ser requerida por consenso dos pais, ou ainda, caso não houver acordo entre os genitores, será determinada pelo juiz.
Ao decorrer do trabalho, podemos notar que é de suma importância a interferência de ambos genitores nas decisões referentes a vida do menor, seja nas questões de saúde, nas escolares e socioafetivas. A guarda compartilhada permite esse acesso a ambos os pais, uma vez que se torna rotineiro a convivência com o filho e o acesso a informações sobre ele. É o que relata Silvio Rodrigues (2003):
Nota-se que a decisão sobre qual dos pais apresenta melhor condição para exercer a guarda dos filhos pode envolver uma investigação demorada, que, parece-me, não está no propósito do legislador, pois o problema reclama solução rápida, O juiz deve concluir com relativa celeridade a quem compete a guarda dos menores. Sua decisão, contudo, é suscetível de recurso.
Ao ponto de vista jurídico, notamos que a separação depende apenas da vontade de uma única parte do casal, uma vez que existe a separação e o divórcio litigiosos. Na questão abordada, quando envolve filho menor, sabe-se que a questão é mais delicada. A questão é que a separação é dos pais e não dos pais com os filhos.
Nota-se que a guarda não é um ponto tão fácil para solucionar, pois havendo esse sinal de litígio entre os genitores que não sabem separar a questão citada anteriormente, o magistrado deverá observar os quesitos de qual dos pais apresentariam melhores condições para o desenvolvimento saudável da criança e/ou adolescente.
Válido ressaltar que, após definida a guarda para um dos pais, o outro genitor não perderá o seu poder familiar sob a criança. Porém, este deverá prestar com os