• Nenhum resultado encontrado

2011 RODRIGUES - A INVIABILIDADE DO PEDIDO DE RECONSIDERACAO NO PROCESSO CIVIL E SUA POSSIVEL CONSONANCIA COM OS PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "2011 RODRIGUES - A INVIABILIDADE DO PEDIDO DE RECONSIDERACAO NO PROCESSO CIVIL E SUA POSSIVEL CONSONANCIA COM OS PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS"

Copied!
73
0
0

Texto

(1)

CAMPUS DE CACOAL

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DO CURSO DE DIREITO

LEANDRO JUNIOR RODRIGUES

A (IN) VIABILIDADE DO PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO NO

PROCESSO CIVIL E SUA POSSÍVEL CONSONÂNCIA COM OS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

Trabalho de Conclusão de Curso Monografia

CACOAL-RO 2011

(2)

E SUA POSSÍVEL CONSONÂNCIA COM OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

POR:

LEANDRO JUNIOR RODRIGUES

Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado à Universidade Federal de Rondônia – UNIR, Campus de Cacoal, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito, desenvolvido sob a orientação do Professor Mestre Silvério dos Santos Oliveira.

Cacoal - RO 2011

(3)

Catalogação na publicação: Leonel Gandi dos Santos – CRB11/753 R696a A (in)viabilidade do pedido de reconsideração no

processo cível e sua possível consonância com os princípios constitucionais legais/ Leandro Junior Rodrigues – Cacoal/RO: UNIR, 2011.

f. 71.

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação). Universidade Federal de Rondônia – Campus de Cacoal.

Orientador: Prof. . Ms. Silvério dos Santos Oliveira. 1. Direito Civil. 2 Jurisprudência. 3. Doutrina. 4. Constituição. 5. Preclusão - Recursos I. Oliveira, Silverio dos Santos. II. Universidade Federal de Rondônia – UNIR. III. Título.

(4)

A monografia intitulada “A (IN) VIABILIDADE DO PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO NO PROCESSO CIVIL E SUA POSSÍVEL CONSONÂNCIA COM OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS”, elaborada pelo acadêmico Leandro Junior Rodrigues, foi avaliada e julgada aprovada pela banca examinadora formada por:

___________________________________________________________________ Prof.. MSc. Silverio dos Santos Oliveira – Orientador / UNIR

___________________________________________________________________ Profª. MSc. Simone Maria Gonçalves de Oliveira – Membro / UNIR

___________________________________________________________________ Profª. Msc. Elimei Paleário do Amaral Camargo – Membro / UNIR

Cacoal - RO 2011

(5)

Perone, primeiros e perenes mestres, por me ensinarem o valor inestimável da educação e dos estudos.

À minha querida namorada Ethel pela paciência e incentivo a minha trajetória nesta Universidade.

Aos meus irmãos Wenderson e Vanderléia, sobrinhos e demais familiares, minha gratidão pelo incentivo, carinho e cumplicidade.

(6)

me darem oportunidade, saúde e determinação. Ao professor e orientador, Mestre Silvério, por seu auxílio na minha atividade acadêmica e, de forma especial, na realização desta Monografia.

À todos os meus professores desde o primário até os do Curso de Direito da Universidade Federal de Rondônia, Campus Cacoal, que me auxiliaram no fascinante e cansativo universo do estudo e aprendizagem.

(7)

justiça, mas para julgar segundo as leis”.

Platão. In “Apologia de Sócrates”. Texto integral. (edição bilíngue, Tradução Sueli Maria de Regino. Martin Maclaret).

(8)

RODRIGUES, Leandro Junior. A (in) Viabilidade do Pedido de Reconsideração no Processo Civil e sua Possível Consonância com os Princípios Constitucionais e Legais. 71 fls.. Trabalho de Conclusão de Curso: Universidade Federal de Rondônia-UNIR-Campus de Cacoal-2011.

No Presente Trabalho desenvolveu uma análise sobre a aplicação do Pedido de Reconsideração no Processo Civil. Na realização deste estudo foi empregado o método dedutivo que parte de uma abordagem do geral para o particular, chegando assim a conclusão. Os Recursos bem como o Pedido de Reconsideração têm por objetivos a reforma, a anulação, o aclaramento ou até mesmo a integração de uma decisão. O Pedido de Reconsideração vem sendo utilizado corriqueiramente no cotidiano forense, mesmo sem ter previsão legal. Para a doutrina e a jurisprudência dominante o referido pedido tem natureza jurídica de sucedâneo recursal e é um instituto totalmente inviável por não ter previsão legal, entre outros pontos. Entretanto, alguns doutrinadores entendem que o Pedido de Reconsideração pode ser viável para impugnar certas decisões judiciais, dando ao jurisdicionado maior celeridade processual e por estar em perfeita consonância com princípios como o da economia e celeridade processuais. Embora, a regra seja de não conhecimento do Pedido de Reconsideração, parte da jurisprudência já vem revisando suas decisões/despachos mediante pedidos desta natureza, principalmente quando não houve a preclusão. Os operadores do direito da Comarca de Rolim de Moura/RO são totalmente divergente a respeito do referido instituto, ora conhece, ora não conhece e ora nem mesmo analisa o referido pedido. Verifica-se portanto que, em regra, o Pedido de Reconsideração é um meio inviável de impugnação das decisões judiciais, pois sua viabilidade restringe a um número mínimo de decisões que pode ser atacada com o referido pedido.

(9)

Rodrigues, Leandro Junior. (In)The Feasibility of Request for Reconsideration in Civil Procedure and their possible consistent with the constitutional and legal principles. 71 pgs .. Completion of Course Work: Federal University of Rondonia UNIR-Campus Cacoal-2011.

In this study it was developed an analysis on the implementation of the Request for Reconsideration in Civil Procedure. In this study it was employed a method that started of a deductive approach from general to particular, thus reaching the conclusion. The Resources and the Request for Reconsideration have goals for retirement, cancellation, or even clearing the integration of a decision. The Request for Reconsideration has been routinely used in forensic routine, even without legal provision. For the doctrine dominant jurisprudence the claim is legal of successor appellate and it is an Institute and its totally impractical for not having legal provision, among others. However, some scholars believe that the Request for Reconsideration may be feasible to challenge certain judicial decisions, giving jurisdiction over greater promptness and being perfectly in line with principles such as procedural economy and speed. Although the rule is not known by the request for reconsideration, part of the case law is already reviewing its decisions / orders upon request of this nature, especially when there was no preclusion. The operators of the Comarca in the District of Rolim de Moura / RO are totally divergent with respect to that institution, either know, or do not know and sometimes even looks at this request. It therefore appears that, in general, the Request for Reconsideration is a impractical means of challenging the judicial decision, because its viability is restricted to a minimum number of decisions that can be attacked with this request.

(10)

INTRODUÇÃO...10

1 AS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DOS RECURSOS CÍVEIS...12

1.1 CONCEITO...12 1.2 FUNDAMENTOS ...13 1.3 ORIGEM...13 1.4 BASE CONSTITUCIONAL...14 1.5 BASE LEGAL...14 1.6 IMPETRAÇÃO...15 1.7 REQUISITOS...15

1.8 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE E JUÍZO DE MÉRITO DOS RECURSOS...19

1.9 EFEITOS...19

1.10 EXTINÇÃO ...22

2 O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO, SUA NATUREZA JURÍDICA, (IN) VIABILIDADE, E POSSÍVEIS CONSONÂNCIAS COM OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS...23 2.1 O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO...23 2.1.1 Origem...23 2.1.2 Conceito e Conteúdo...24 2.1.3 Cabimento...25 2.1.4 Prazo...26 2.1.5 Legitimidade...28 2.1.6 Competência...29 2.1.7 Efeitos...30 2.1.8 Bases Legais...30 2.1.9 Juízo de Retratação...31 2.2 NATUREZA JURÍDICA...32 2.2.1 De Recurso...32 2.2.2 De Sucedâneo Recursal ...33 2.2.3 De Instituto Atípico...34

2.3 A (IN) VIABILIDADE DO INSTITUTO...35

2.3.1 A eficácia do Instituto...35

2.3.2 A Ineficácia do Instituto...36

2.4 POSSÍVEL CONSONÂNCIA DO INSTITUTO COM OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS...37

(11)

2.4.3 Princípio do Contraditório...40

2.4.4 Princípio do Duplo Grau de Jurisdição...41

2.4.5 Princípio da Economia Processual...42

2.4.6 Princípio da Fungibilidade...42 2.4.7 Princípio da Isonomia...43 2.4.8 Princípio da Taxatividade...44 2.4.9 Princípio da Unirrecorribilidade...45 3 O INSTITUTO DA PRECLUSÃO...46 3.1 ORIGEM...46 3.2 CONCEITO...47 3.3 MODALIDADES...48

3.3.1 Preclusão para as Partes...48

3.3.1.1 Temporal ...48

3.3.1.2 Consumativa...49

3.3.1.3 Lógica...50

3.3.2 Preclusão para o Juiz...51

3.4 O ALCANCE DOS ARTIGOS 471 E 473 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. .53 3.5 MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA...55

4 A JURISPRUDÊNCIA E A VISÃO DOS OPERADORES DE DIREITO DA COMARCA DE ROLIM DE MOURA ACERCA DO PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO...57

CONSIDERAÇÕES FINAIS...65

REFERÊNCIAS...67

OBRAS CONSULTADAS...70

(12)

INTRODUÇÃO

A Constituição Federal, bem como o Código de Processo Civil, com escopo de dar efetividade ao princípio do duplo grau de jurisdição, expressamente deram previsão aos recursos. Mas por outro lado, como o alcance dos princípios e do direito não são ilimitados, foram criados outros princípios com o fim de frear um número excessivo deste modo de impugnação de decisões.

Nesta esteira, insere o princípio da taxatividade, pelo qual somente são recursos os expressamente previstos em Lei. Logo a Constituição Federal em seu art. 22, I, elucida que somente pode criar recursos mediante Lei Federal. Portanto somente são recursos, os previstos no CPC e na Legislação especial federal.

Porém os operadores de direito, com o objetivo de dar maior celeridade, economia e efetividade ao processo, veem utilizando na pratica forense o Pedido de Reconsideração, instituto que não tem previsão legal.

A doutrina e a jurisprudência de forma majoritária, em regra, não veem conhecendo do Pedido de Reconsideração pelo fato de não ter previsão legal e ainda por contrariar o princípio do contraditório.

Entretanto, para uma minoria doutrinária, em algumas matérias, entende-se que é possível a revisão de uma decisão, mediante o pedido de reconsideração. Na mesma esteira, a jurisprudência vem acolhendo alguns pedidos de reconsideração, principalmente quando não houve a preclusão.

Destarte, o objetivo do referido trabalho é analisar a eficácia do Pedido de Reconsideração, e sua consonâncias e dissonâncias com princípios constitucionais e legais inerente ao instituto.

(13)

Posto isto, analisar-se-á o pedido de reconsideração, sua natureza jurídica, viabilidade/inviabilidade, possível consonância com princípios constitucionais e legais. Também fará um estudo sucinto acerca das características básicas dos recursos, do instituto da preclusão e ainda uma pesquisa para verificar o entendimento e a visão dos operadores do direito da Comarca de Rolim de Moura/RO, acerca do referido pedido.

Para realização do estudo empregou-se o método dedutivo, sendo desenvolvida uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e via internet, e ainda uma pesquisa de campo com o intuito de analisar a visão dos operadores do direito de Rolim de Moura/RO acerca do referido pedido.

É forçoso reconhecer que o objetivo não é esgotar a análise do instituto e de todas as peculiaridades que o cerca, mais sim contribuir para o aprendizado e aperfeiçoamento dos operadores do direito.

(14)

1 AS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DOS RECURSOS CÍVEIS

A maneira mais comum de se impugnar uma decisão judicial é através do Recurso. É por meio dele que se obtém uma nova apreciação de matéria já analisada por um órgão julgador.

O recurso é um dos meios que se obtém para dar efetividade ao princípio do duplo grau de jurisdição e ainda uma das maneiras que se exprime a dialética processual.

O sistema processual pátrio tem um amplo alcance. Porém para o presente estudo se faz necessário a análise de somente algumas características básicas dos recursos cíveis, tais como conceito, fundamento, origem, base constitucional e legal, impetração, requisitos, juízo de admissibilidade e de mérito, efeitos e extinção, que a seguir, passarão a ser analisados.

1.1 CONCEITO

Para Theodoro Junior (2010, p. 565) a palavra recurso é usualmente empregada para denominar “todo meio empregado pela parte litigante a fim de defender seu direito”. Para o mesmo doutrinador (2010, p. 565), definindo o recurso, descreve que é,

[...] o meio ou remédio impugnativo apto para provocar, dentro da relação processual ainda em curso, o reexame da decisão judicial, pela mesma autoridade judiciária, ou por outra hierarquicamente superior, visando a obter-lhe a reforma, invalidação, esclarecimento ou integração.

No mesmo sentido, afirma Facci (2003, não paginado) que o “Recurso é o direito que possuem as partes litigantes de provocar a renovação do exercício da prestação jurisdicional, no mesmo processo”. Para o referido autor (2003, não paginado):

Definição insuperável de recurso nos fornece JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA, conceituando-o 'como o remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro do mesmo processo, a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração de decisão judicial que se impugna'.

(15)

sucumbente para se obter uma nova apreciação de uma decisão judicial visando sua reforma total ou parcial.

1.2 FUNDAMENTOS

Para Theodoro Júnior (2010, p. 566), “O fundamento do recurso está em duas razões, quais sejam a reação do homem que não se sujeita a um único julgamento e a possibilidade de erro ou má-fé do julgador”. Nesse sentido, descreve Facci (2003, não paginado):

Podemos dividir os fundamentos dos recursos em duas categorias: jurídicos e psicológicos. Como fundamento jurídico para a interposição dos recursos, dentre outros, podemos indicar, primeiramente, a possibilidade de erro, ignorância ou má-fé do juiz ao julgar. A razão de ser deste fundamento é clara: o Juiz é um humano, sujeito a falibilidades, portanto. Apontamos ainda, como fundamento jurídico dos recursos o fato deste propiciarem a uniformização de interpretação da legislação, por parte dos Tribunais. Os fundamentos de caráter psicológico para a utilização dos recursos seriam a tendência humana de inconformidade com a prolação de apenas uma única decisão assim como a possibilidade de reformar-se um ato jurisdicional decisório prolatado por meio de um julgamento injusto.

Partindo de tais indagações pode-se dizer que os fundamentos dos recursos são a necessidade psicológica do sucumbente, a falibilidade humana e o combate ao arbitro.

1.3 ORIGEM

O Dicionário Jurídico Piragibe, (2007, p. 1014-1015) assim o define:

Recurso- /Do latim RECURSUS, US=curso retrógrado, de RECURRERE (latim arcaico)= correr para traz; composta de RE (prefixo de repetição) + CURRERE=correr em socorro/. A matéria recurso está ligada ao princípio do “duplo grau de jurisdição”. Antigamente e ainda hoje em alguns Estados, a justiça era uma emanação do poder real. O rei assegurava a distribuição da justiça. Surgiu, então, a possibilidade de a parte, inconformada com a decisão de quem julgasse o feito, recorrer ao rei que era órgão supremo do Estado. Assim surgiu a ideia de recurso, que encontrou grande resistência através dos tempos. Depois da Revolução francesa de 1789 o princípio ficou consagrado universalmente.

(16)

Na mesma linha Capez (2010) enfatiza que a palavra Recurso deriva do latim

recursus, que significa retrocesso, um caminho para trás, caminho para voltar, pois é

formado da partícula iterativa re, que significa volta e renovação e do substantivo

cursus, de origem latina que significa um novo curso, uma repetição do movimento.

1.4 BASE CONSTITUCIONAL

A base jurídica dos recursos encontra-se explicitamente no texto constitucional de 1988. Nesse sentido observa Capez (2010, p. 232):

A existência dos recursos tem sua base jurídica no próprio Texto Constitucional, quando ele organiza o Poder Judiciário em graus diferentes de jurisdição (Título IV, ‘Organização dos Poderes’, Capítulo III, ‘Do Poder Judiciário’, art. 92, 93, III, e 125, § 3º do CPC)(sic) e quando estabelece atribuição primordialmente recursal para os tribunais (arts. 102, II e III, 105, II e III, e 108, II, do CPP)(sic).

Conforme se observa, o nosso ordenamento jurídico deu aos recursos status constitucional, quando estabelece competências recursais aos órgãos jurisdicionais, tais como aos Tribunais de Justiça, Tribunais Superiores e também a Corte Suprema.

1.5 BASE LEGAL

A existência dos recursos cíveis tem base jurídica constitucional e também legal. A base jurídica legal é encontrada explicitamente no Código de Processo Civil (arts. 496 a 565) e ainda em vários outras legislações extravagantes tais como a Lei 6.830 de 22-09-1980 (Lei de execução Fiscal), Lei 9.099 de 26-09-1995 (Lei do Juizado Especial no âmbito Estadual), Lei 10.259 de 12-07-2001(Lei dos Juizados Especial Federal), a Lei 12.016 de 07-08-2009 (Lei do mandado de Segurança), a Lei nº 8.038 de 28-05-1990 entre outras Leis Especiais, desde que sejam Federais (BRASIL, 2011).

(17)

1.6 IMPETRAÇÃO

A impetração dos recursos cíveis ao contrário dos recursos penais só pode ser por petição que deverá ser assinada por um advogado devidamente inscrito no quadro da OAB. Tal exigência tem fundamento até mesmo nos processos que tramitam nos Juizados Especiais.Neste sentido afirma Theodoro Júnior (2009, p.571-572):

[...] O recurso há de ser proposto sob a forma preconizada em lei. Se, por exemplo, se exige que o recurso seja formulado por petição, não é admissível sua interposição por termos nos autos, ou mediante simples cota no processo.

Seguindo a mesma linha temos a jurisprudência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) no agravo nº 11.964, que teve como relator. Helvécio Rosemburg, conforme Jurisprudência Mineira, 47/245.

Acompanhamento o mesmo raciocínio, Nery Junior e Nery (2006, p. 706) descrevem que:

Devem todos eles ser interpostos por petição perante o juízo a quo, acompanhada das razões do inconformismo e do pedido de nova decisão (v.g. CPC 514, 524, 525 E 541), sem o que o recurso não pode ser conhecido.

Faz necessário lembrar também que dependendo do tipo de recurso, a petição de interposição poderá ser endereçada ao juízo a quo ou ad quem. Com exceção do Agravo de Instrumento que é interposto no próprio Tribunal, os demais recursos previstos no art. 496 do CPC são interposto no próprio juízo recorrido.

1.7 REQUISITOS

Em se tratando dos requisitos recursais Theodoro Júnior (2010, p. 574) descreve que “subordina se a admissibilidade do recurso a determinados requisitos ou pressupostos”.

(18)

subjetivos dizem respeito às pessoas legitimadas a recorrer. Já os objetivos são aqueles relacionados à condição inerente ao próprio recurso, ou a própria existência do direito de recorrer, quais sejam, a recorribilidade, a tempestividade, a singularidade, a adequação, o preparo, a motivação e a forma (THEODORO JÚNIOR, 2010).

Nery Junior e Nery (2006) entendem que são requisitos dos recursos o cabimento, a legitimidade, o interesse em recorrer, a tempestividade, a regularidade formal, a inexistência de fatos impeditivos e suspensivos e o preparo.

Seguindo a linha de pensamento de Theodoro Junior (2010) a melhor doutrina processualista enfatiza que os requisitos processuais são divididos em objetivos e subjetivos, sendo que os pressupostos objetivos são cabimento, adequação, tempestividade, regularidade e inexistência de fato impeditivas ou extintivas. Já os pressupostos subjetivos são interesse jurídico e legitimidade para recorrer.

Quanto ao requisito cabimento, Nery Junior e Nery (2006, p. 705) enfatizam que “será preenchido se o recorrente interpuser qualquer dos recursos previstos no CPC”.

Deverá então ser interposto algum recurso previsto em lei e que tenha relação entre a decisão a ser impugnada e a adequação do meio utilizado para isso (aquela decisão deve ser impugnável por recurso e o recurso interposto deve ser o correto – a lei indica qual o recurso a ser utilizado) (ALVES; BONÍCIO, 2010).

Para Nery Junior e Nery (2006, p. 705) o requisito interesse recursal “consubstancia-se na necessidade que tem o recorrente de obter a anulação ou a reforma da decisão que lhe for desfavorável”.

Partindo de tal pressuposto verifica se que é necessário que haja sucumbência, ou seja, a não obtenção, pelo recorrente, de tudo o que poderia ter obtido no processo. Por uma questão de lógica, só tem interesse quem teve desacolhido, no processo, alguma pretensão, desejando, com o recurso, obter um provimento jurisdicional mais favorável.

Em se tratando do requisito legitimidade, este tem como base legal no processo civil o art. 499 do CPC que assim descreve:

Art. 499. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo

(19)

§ 1º - Cumpre ao terceiro demonstrar o nexo de interdependência entre o

seu interesse de intervir e a relação jurídica submetida à apreciação judicial.

§ 2º - O Ministério Público tem legitimidade para recorrer assim no processo

em que é parte, como naqueles em que oficiou como fiscal da lei. O MP

pode recorrer quando atuar como parte ou fiscal da lei.(BRASIL, 2011).

Tem, portanto legitimidade para recorrer no sistema processual do Código de Processo Civil (CPC), as partes, o Ministério Público e o terceiro juridicamente interessado. No mesmo sentido, Theodoro Júnior (2009, p. 562) descreve que:

A lei confere legitimidade para interpor recurso à parte do processo em que a decisão foi proferida, ao representante do Ministério Público, quando atua no feito (ou nele pode atuar) e ao terceiro prejudicado, por efeito reflexo do decisório (art. 499).

Enfrentando o requisito inexistência de fato extintivo ou impeditivo, descrevem Nery Junior e Nery (2006, p. 706):

Os fatos extintivos do poder de recorrer são a renúncia ao recurso e aquiescência a decisão. Os impeditivos do mesmo poder são a desistência do recurso ou da ação, o reconhecimento jurídico do pedido e a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação.

Para a doutrina processualista e em especial Theodoro Júnior (2010), fatos extintivos consubstanciam na desistência e na deserção. A desistência decorre da expressa manifestação da vontade do recorrente, no sentido de não prosseguir com o recurso interposto. Já a deserção consubstancia no ato de abandonar o recurso. Podendo decorrer da falta de pagamento do preparo. Já os fatos impeditivos são aqueles que impedem a interposição do recurso ou seu recebimento, e, portanto, surgem antes de o recurso ser interposto.

Quanto à tempestividade, Nery Junior e Nery (2006, p. 706), descrevem que “os recursos devem ser interpostos no prazo que a lei assinar para tanto, a fim que não se perpetuem as demandas judiciais indefinidamente”.

Na mesma linha, Theodoro Júnior (2009, p. 565) enfatiza que “esgotado o prazo estipulado pela lei, torna-se precluso o direito de recorrer. Trata-se de prazo peremptório, insuscetível, por isso, de dilação convencional pelas partes (art. 182)”.

Partindo de tais pressupostos, pode-se dizer que o recurso deve ser interposto no prazo previsto em lei. E analisando o art. 182 e 183 do CPC verifica-se que os prazos para recorrer são próprios e peremptórios, não admitindo modificação

(20)

pelas partes.

Em se tratando do requisito regularidade formal, Nery Junior e Nery (2006, p. 706), enfatizam que “Devem todos eles ser interpostos por petição perante o juízo a quo, acompanhada das razões do inconformismo e do pedido de nova decisão (v.g. CPC 514, 524, 525 E 541), sem o que o recurso não pode ser conhecido”.

Verifica-se, portanto que o recurso deve preencher as formalidades legais, para ser recebido. Ele deve, em regra, ser interpostos por escrito (salvo algumas exceções como o agravo retido nas decisões proferidas em audiência – art. 523, §3º, do CPC, ou os embargos de declaração nos juizados especiais – art. 49, da Lei 9.099/95); terá também que conter fundamentação do inconformismo com as devidas justificativas, e deve ser interposto com todas as peças exigidas e com a documentação para sua instrução ( ALVES; BONÍCIO, 2010).

Quanto ao preparo, Nery Júnior e Nery (2006, p. 706) descrevem que “Consiste no pagamento prévio, que pode ser feito pelo recorrente, das custas relativas ao processamento do recurso, bem como do porte da remessa e do retorno dos autos ao tribunal ad quem”.Nesse sentido, descreve Theodoro Junior (2010, p. 580):

Consiste o preparo no pagamento, na época certa, das despesas processuais correspondes ao processamento do recurso interposto, que compreenderão além das custas (quando exigíveis) os gastos de porte de remessa e de retorno se se fizer necessário o deslocamento dos autos (art. 511, caput).

A doutrina e a jurisprudência são unanime no sentido de enfatizar que a falta de preparo acarreta sanção, denominada deserção, que impede o processamento do recurso.

Já o requisito Adequação parte do pressuposto de que cada decisão, a lei prevê um recurso possível.

Para Theodoro Júnior (2010, p.579) “há um recurso próprio para cada tipo de decisão. Diz-se, por isso, que o recurso é cabível, próprio ou adequado quando corresponda à previsão legal para a espécie da decisão impugnada”.

Não havendo esta adequação o recurso não poderá ser recebido por não preencher um dos requisitos recursais.

(21)

1.8 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE E JUÍZO DE MÉRITO DOS RECURSOS

Na praxe forense num primeiro momento, o juiz ou tribunal examina se estão preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso e, se positivo esse juízo, poderá o órgão ad quem julgar o mérito do recurso. A este fenômeno dá-se os nomes de Juízo de admissibilidade e juízo de mérito dos recursos.

Juízo de admissibilidade é provisório no juízo recorrido e é definitivo no juízo

ad quem, ou seja, poderá ser admitido o recurso no juízo a quo e não conhecido no

juízo ad quem, é por este motivo que na prática forense, em caso de dúvida a jurisprudência é unânime em determinar que os autos devam subir ao órgão superior.

A competência do juízo de admissibilidade é do tribunal ad quem e o conteúdo da admissibilidade é o exame dos requisitos de admissibilidade do recurso (NERY JÚNIOR; NERY, 2006).

Quanto ao juízo de admissibilidade é verificado em dois momentos (salvo algumas exceções como no agravo de instrumento ou embargos de declaração); quando da interposição do recurso, no juízo de origem (a quo) e no órgão julgador do recurso (ad quem). Ambos poderão fazer o juízo de prelibação ou de admissibilidade, em momentos distintos..(ALVES; BONÍCIO, 2010).

Quanto ao mérito do recurso, assim descreve Moreira (2007, p. 121):

O juízo de mérito é a análise do conteúdo da impugnação da decisão recorrida [...] O mérito do recurso não é, necessariamente o mérito da ação. No recurso, o mérito estará restrito à matéria levada à impugnação (tantum devolutum quanto appellatum); e será impugnado somente àquilo que se sucumbiu (sob pena de falta de interesse).

Portanto o mérito do recurso refere-se a matéria devolvida ao órgão ad

quem para apreciação e julgamento.

1.9 EFEITOS

Os efeitos são as consequências que advirão da interposição dos recursos. São cinco os efeitos dos recursos cíveis, quais sejam o devolutivo, o suspensivo, o expansivo, o translativo e o substitutivo (NERY JÚNIOR; NERY,

(22)

2006).

Em sentido contrário, para Theodoro Júnior (2010, p. 582) “Os recursos podem ter em princípio dois efeitos básicos: o devolutivo e o suspensivo”.

Seguindo a linha de Theodoro Júnior (2010), Facci (2003, não paginado) descreve que “Interposto o recurso, este poderá ensejar a produção dos seguintes efeitos: impedir o trânsito em julgado do decisório recorrido; devolver ao órgão ad quem o exame da matéria impugnada; e suspender os efeitos do ato impugnado”.

Passando a analisar os efeitos dos recursos e começando pelo Devolutivo, Theodoro Júnior (2009, p.572) descreve que “este reabre-se a oportunidade de reapreciar e novamente julgar questão já decidida”.

Para Nelson Nery e Nery (2006, p. 707) “O recurso interposto devolve ao tribunal ad quem a matéria efetivamente impugnada”.

Partindo de tais pressupostos pode se dizer que o referido efeito consiste em transferir para a instância superior o conhecimento de determinada questão. É a transferência do julgamento ao órgão ad quem (normalmente órgão hierarquicamente superior).

Em se tratando de efeito suspensivo, para Theodoro Junior (2009, p.572) este “impede-se ao decisório impugnado produzir seus naturais efeitos enquanto não solucionado o recurso interposto”.

Na mesma linha, Nelson Nery e Nery (2006, p. 707) descrevem que “consiste em qualidade que adia a produção de efeitos da decisão, assim que impugnável, perdurando até que transite em julgado a decisão ou o próprio recurso dela interposto”.

Verifica-se então que o efeito em comento funciona como condição suspensiva da eficácia da decisão, ou seja, que adia a produção de efeito da decisão.

Quanto ao efeito expansivo, Nery Júnior e Nery (2006, p. 707) descrevem que ocorre o efeito suspensivo “quando o julgamento do recurso ensejar decisão mais abrangente do que o reexame da matéria impugnada”.

O referido efeito enseja o abrangimento de pessoas diversas de quem recorreu. A base legal do efeito expansivo está inserida nos artigo e 475-O, II, e 509, ambos do CPC, vejamos:

(23)

Art. 475-O. A execução provisória da sentença far-se-á, no que couber, do mesmo modo que a definitiva, observada as seguintes normas: […]

II – fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidados eventuais prejuízos nos mesmos autos, por arbitramento(BRASIL, 2011).

Art. 509 - O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses.

Parágrafo único - Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros, quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns(BRASIL,2011).

Em se tratando do efeito translativo, Nery Junior e Nery (2006, p.707) descrevem:

Ocorre o efeito translativo quando o sistema autoriza o tribunal a julgar fora do que consta das razões ou contra-razões do recurso, ocasião em que não pode falar em julgamento ultra, extra ou infra petita. Isto ocorre normalmente com questões de ordem pública, que deve ser conhecida de ofício pelo juiz e cujo respeito não se opera a preclusão.

Lembre-se que as matérias que são de ordem pública, podem ser apreciadas de ofício pelo órgão julgador, ainda que não impugnada pelas partes.

Quanto ao efeito substitutivo, Theodoro Junior (2010, p.582) entende que “consiste ele na força do julgamento de qualquer recurso de substituir para todos os efeitos, a decisão recorrida, nos limites da impugnação”.

O referido efeito tem como base legal o art. 512 do CPC que preceitua que “ o julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso”(BRASIL,2011).

Na mesma linha de Theodoro Junior (2009), Nery Júnior e Nery (2006, p. 708) “somente haverá efeito substitutivo, se o recurso for conhecido, pois do contrário o tribunal não se pronunciará sobre o acerto ou desacerto da decisão”.

Partindo de tais premissas, verifica-se que o julgamento do recurso substitui a decisão impugnada e, por conseguinte somente haverá o efeito substitutivo se o recurso foi conhecido e provido, pois somente desta maneira que haveria a substituição da decisão/sentença, tendo em vista que se permanecer a decisão do juízo a quo, não terá o que substituir, permanecendo a sentença/decisão nos devidos termos iniciais..

(24)

1.10 EXTINÇÃO

Os recursos podem ser extintos antes de seu julgamento. São fatos extintivos dos recursos à deserção a desistência e a renúncia.

A deserção corresponde à falta de preparo ou pagamento das despesas. Theodoro Junior (2010, p. 580), descreve que “a falta de preparo gera a deserção, que importa trancamento do recurso, presumindo a lei que o recorrente tenha desistido do respectivo julgamento”.

A possibilidade de desistência do recurso tem como base legal o artigo 501 do Código de Processo Civil, descrevendo que “O Recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso” (BRASIL, 2011).

A desistência do recurso é ato unilateral que produz efeito imediatamente, até mesmo antes de ser homologado pelo magistrado (NERI JUNIOR; NERY, 2006).

Para Theodoro Junior (2009, p. 573), “dá-se a desistência quando, já interposto recurso, a parte manifesta a vontade de que não seja ele submetido a julgamento”.

Já a possibilidade de renúncia do recurso tem como base legal o artigo 502 do Código de Processo Civil, que preceitua que “a renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte” (BRASIL, 2011).

A renúncia tem a mesma natureza da desistência, sendo um ato unilateral que produz efeito imediatamente, até mesmo antes da homologação (NERY JÚNIOR; NERY, 2006).

Na mesma linha, Theodoro Junior (2009, p.573) descreve que “Ocorre à renúncia quando a parte vencida abre mão previamente do seu direito de recorrer”.

(25)

2 O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO, SUA NATUREZA JURÍDICA, (IN) VIABILIDADE, E POSSÍVEIS CONSONÂNCIAS COM OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS.

O pedido de reconsideração vem sendo utilizado na prática forense apesar de não ter uma previsão explicita em Lei. A doutrina não é unanime quando se trata da natureza jurídica do referido instituto e nem mesmo se tal pedido pode ou não ser viável, por ter pontos positivos e negativos.

Em se tratando da possível consonância do Pedido de Reconsideração com Princípios Constitucionais e legais inerentes ao instituto, existem pontos harmônicos e dissonantes entre o pedido de reconsideração e os referidos princípios.

Faz-se necessário analisar a visão da doutrina e da jurisprudência a respeito do pedido de reconsideração, englobando a natureza jurídica, os princípios constitucionais e legais inerentes ao instituto e sua eficácia/ineficácia.

2.1 O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO

O Pedido de Reconsideração já teve previsão legal em alguns ordenamentos Jurídicos (Alemanha, Cuba e Argentina) e chegou até mesmo no Brasil a ser incorporado em alguns Códigos Estaduais (Do Rio Grande do Sul, art. 528). Era parecido com a figura do Recurso. O CPC de 1973 silenciou a respeito e até o presente momento não houve uma reforma visando dar previsão a tal instituto( NERY JÚNIOR, 2004).

Mesmo sem ser previsto em Lei, o Pedido de Reconsideração é utilizado na pratica forense. Mais a doutrina e a jurisprudência divergem sobre a possibilidade de cabimento e conhecimento do referido pedido.

2.1.1 Origem

Em se tratando da origem do Pedido de Reconsideração, Nery Júnior (2004, p. 89-90) descreve que “tem suas origens nas Ordenações Filipinas, mais

(26)

especificamente em seu Livro III, Título 65, n.º 2, evoluindo através do tempo, chegando a ser incorporado em alguns códigos estaduais – v.g., Código de Processo Civil do Rio Grande do Sul (art. 528)”.

Segundo o mesmo autor (apud LEMOS, 2011, não paginado) nas ordenações Filipinas encontrava-se assim previsto:

[…] podel-o-ha fazer a todo tempo se achar per Direito, que não foi justamente dada;com tanto que a revogue antes da sentença deffinitiva, e ella seja tal interloentoria, que segundo direito, possa ser revogada, como acima temos dito.

Quanto à previsão legal no Código do Rio grande do Sul, mais especificamente no dispositivo nº 528 da Lei 65-RS, de 16.01.1908, Assis (2007, p. 864) prescreve que tinha a seguinte redação: “Art. 528. A sentença interlocutória simples pode ser revogada antes de executada, ou a requerimento da parte ou ex officio, por justa causa superveniente, até a sentença definitiva”.

Nota-se, portanto, que o instituto em comento já esteve positivado na legislação pátria, mas nunca de forma sistematizada, restando, nos dias atuais, previsto de maneira indireta em diversos artigos de nosso código, v. g., art. 527, parágrafo único, dispositivos que reconhecem, inegavelmente, a sua existência (LEMOS, 2011).

2.1.2 Conceito e Conteúdo

Para Lemos (2011, não paginado) “O termo ‘reconsiderar’, etimologicamente, possui os sentidos de ‘1. retomar o exame de (questão); tornar a considerar; 2. pensar melhor; repensar; 3. anular decisão já tomada; desdizer-se’.

Assis (apud LEMOS, não paginado), define o pedido de reconsideração como sendo “O requerimento apresentado pela parte ao órgão judiciário que proferiu o ato decisório para reformá-lo, retratá-lo ou revogá-lo”.

Enfrentando o conteúdo do pedido de reconsideração, Lemos (2011, não paginado) assim descreve:

Vislumbra a modificação de um decisum, pelo próprio juízo prolator, imediatamente, não importando as razões utilizadas para tanto. O fato proeminente do instituto em análise é o pedido de nova reflexão, para o

(27)

mesmo juiz, sobre assunto que já houve manifestação judicial, sendo irrelevante, via de regra, se existe ou não linha argumentativa contemporânea, ou novas provas aptas à alteração da decisão.

Pode se dizer então que o pedido de reconsideração é um pedido feito pela parte sucumbente com o intuito de uma nova analise da questão visando a modificação da decisão a ser reconsiderada.

2.1.3 Cabimento

Em se tratando do cabimento do pedido de reconsideração, a doutrina caminha no sentido de admitir o cabimento da reconsideração somente em se tratando de matérias de ordem pública ou de direitos indisponíveis, sobre as quais o juiz poderia manifestar-se a qualquer momento, não se operando quanto a estas a preclusão. Neste sentido, Benevides (2004, não paginado) descreve:

O verdadeiro pedido de reconsideração só poderá ser utilizado, quando se tratar de matéria de ordem pública, ou tratando-se de direito indisponível, vez que as referidas matérias na precluem, sob pena de criarmos uma nova espécie recursal no nosso ordenamento jurídico.

Na mesma linha Pessoa (2006, não paginado) ensina:

Os pedidos de reconsideração podem ser entendidos como expedientes informais de impugnação de decisões judiciais, que podem ser opostos às decisões sobre as quais não se opera preclusão. somente podem ser objeto de reconsideração aquelas decisões a respeito das quais não se operou a preclusão pro judicato. nas hipóteses em que ocorre a preclusão pro judicato, incabível é a oposição do pedido de reconsideração.

Seguindo a linha de entendimento de Benevides(2004) e Pessoa (2006), Lemos (2011, não paginado) entende que “O pedido de reconsideração só teria cabimento contra decisões não preclusas para as partes e para o juiz”.

Quanto aos tipos de decisão que pode ser atacado pelo pedido de reconsideração, a doutrina é quase unânime quando se trata de despacho e de decisão interlocutória, porém quando ao cabimento para atacar sentenças, são varias as divergências.

(28)

reexame de decisão interlocutória ou de despacho de mero expediente. Indo um pouco além, Lemos (2011, não paginado) descreve:

Pode-se concluir que os únicos atos passíveis de pedido de reconsideração são as decisões interlocutórias (art. 162, §2º do CPC) e os despachos (art. 162, §3º do CPC). As sentenças, tendo em vista o teor do art. 471, caput, do CPC, não são passíveis de reconsideração, com exceção dos casos disposto em lei, em face da autorização legal estipulada, como, e.g., nos artigos 285-A, §1º e 296 do CPC, onde a parte prejudicada poderá solicitar a reconsideração do decisum que julgou liminarmente os pedidos da ação ou decretou o indeferimento exordial.

Na mesma linha, Negrão (apud FERREIRA, 2004, não paginado) ensina que "Só cabe reconsideração de despacho ou de decisão interlocutória. Sentença não admite reconsideração, salvo na hipótese do art. 296 - caput".

Em se tratando de cabimento do pedido de reconsideração nos tribunais Lemos (2011, não paginado) enfatiza:

Ainda, na mesma linha de raciocínio exposta, plenamente cabível pedido de reconsideração contra julgamento monocrático a que se refere o art. 557, §1º do CPC. Ao contrário, não incide o instituto contra acórdãos (art. 163 da Lex Instrumentalis) proferidos pelos Tribunais, assim como pelas decisões oriundas das Turmas Recursais, já que latente o transbordamento dos limites do pedido de reconsideração. Nesse sentido manifesta-se a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, respectivamente:

Diante do exposto verifica-se que para a doutrina dominante, os atos passíveis de pedido de reconsideração são as decisões interlocutórias, os despachos, não importando se prolatadas por Juízes, Pretores, Desembargadores ou Ministros, as decisões monocráticas proferidas em sede recursal e as sentenças passíveis de reconsideração por expressa determinação legal. Restando vedado contra decisões colegiadas.

2.1.4 Prazo

Em se tratando do prazo para a interposição do pedido de reconsideração a doutrina não é unanime, mais prevalece o entendimento segundo o qual pode ser interposto o referido pedido até o momento anterior em que a decisão torna-se preclusa. Neste sentido, Lemos (2011, não paginado) descreve:

(29)

Do breve estudo realizado sobre o tema da preclusão, tem-se que a parte poderá pedir a reconsideração de uma decisão singular até o momento anterior em que ela se torne preclusa. Com efeito, enquanto não preclusa a questão para a parte, esta resta possibilitada da apresentação do pedido de reconsideração.

Em sentido contrário: OLIANI (2007, p. 167) ensina que “(o pedido de reconsideração) não se sujeita a prazo e, em virtude de não estarem disciplinados no Código de Processo Civil, não há requisitos de forma a serem observados”.

Quanto a possibilidade da interposição do pedido de Reconsideração interromper ou suspender o prazo para a interposição do recurso adequado, a jurisprudência e a doutrina são unanimes no sentido de prescrever que nem interrompe e nem suspende o referido prazo.

Neste sentido Nery Junior e Nery (2006, p. 705) ensinam que “Não há previsão para o pedido de reconsideração, que se interposto não suspende e nem interrompe o prazo para a interposição do recurso adequado, e nem é cabível a correição parcial”.

Na mesma linha Ferreira (2004, não paginado) prescreve:

Ab initio, frisemos que é dominante o entendimento jurisprudencial e doutrinário de que a interposição do pedido de reconsideração não suspende nem muito menos interrompe a fluência do prazo para o recurso formalmente previsto, apto a atacar a decisão objeto do pedido.

Seguindo Nery Junior e Nery (2006) e Ferreira (2004), Lemos (2011, não paginado) enfatiza que “O pedido de reconsideração não suspende e nem interrompe a interposição do meio legal de impugnação da decisão, devendo ser utilizado com cautela pelas partes”.

A jurisprudência também é firme do sentido de entender que o pedido de reconsideração não interrompe o prazo recursal, que é contado da primeira decisão, o que implica a relevância de se estudar sua pertinência antes da sua formulação.

Neste sentido temos o entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (RSTJ 95/271, RTFR 134/13, RT 595/201, JTA 97/251, TRJE 156/244, RTJ 123/470), pelo qual O pedido de reconsideração não interrompe nem suspende o prazo para a interposição do recurso cabível

(30)

Tribunal de justiça do Distrito Federal(TJDF) que entende que o recurso deve ser interposto do despacho que causou o suposto gravame, pois o pedido de reconsideração da decisão impugnada não suspende e nem interrompe o prazo para recorrer. O prazo para interposição do recurso se inicia a partir da primeira decisão prolatada e não daquela que indefere o pedido de reconsideração.

O entendimento acima tem os seguintes precedentes do mesmo Tribunal:

Acórdão nº 440414 - Ana Maria Duarte Amarante Brito (6º Turma Cível - 18/08/2010)

Acórdão nº 467627 - Ângelo Canducci Passareli (5º Turma Cível - 01/12/2010)

Acórdão nº 355920 - Antoninho Lopes (4º Turma Cível - 15/04/2009)

Acórdão nº 472968 - Arnoldo Camanho de Assis (4º Turma Cível - 09/12/2010)

Acórdão nº 283697 - Dácio Vieira (5º Turma Cível - 17/05/2006)

Acórdão nº 469111 - Flávio Renato Jaquet Rostirola (1º Turma Cível - 09/12/2010)

Acórdão nº 406305 - Humberto Adjuto Ulhôa (3º Câmara Cível - 08/02/2010) Acórdão nº 460858 - Jair Oliveira Soares(6º Turma Cível - 03/11/2010) Acórdão nº 427212 - João de Assis Mariosi (3 º Turma Cível - 02/06/2010) Acórdão nº 514839 - João Egmont L. Lopes (5 º Turma Cível - 22/06/2011) Acórdão nº 461396 - José Cruz Macedo (4º Turma Cível - 27/10/2010) Acórdão nº 511337 - Lécio Resende da Silva (1º Turma Cível - 08/06/2011) Acórdão nº 416680 - Lecir Manoel da Luz (5º Turma Cível - 08/04/2010) Acórdão nº 494788 - Mário-Zam Belmiro Rosa (3º Turma Cível - 30/03/2011) Acórdão nº 352046 - Otávio Augusto Barbosa (6º Turma Cível - 15/04/2009) Acórdão nº 515436 - Romeu Gonzaga Neiva (5º Turma Cível - 08/06/2011) Acórdão nº 225377 - Sandra De Santis Mendes F. Mello (6º Turma Cível - 22/08/2005)

Acórdão nº 370351 - Sérgio Bittencourt (4º Turma Cível - 12/08/2009)

Conforme se verifica, quando se trata do prazo para interposição do pedido de reconsideração a doutrina não é unanime, porém quanto a possibilidade de o pedido de reconsideração suspender ou interromper o prazo para oposição do recurso adequado, neste caso tanto doutrina quanto a jurisprudência são unanimes em dizer que não há suspensão nem interrupção do prazo.

2.1.5 Legitimidade

Para ter legitimidade para interpor o pedido de reconsideração é necessário que haja sucumbência e, por conseguinte interesse em ver reformada a decisão.

Neste sentido, Lemos (2011, não paginado) assim descreve:

(31)

das partes, desde que haja sucumbência na decisão, o que caracterizaria o interesse de sua reforma, podendo, inclusive, ser requerido por um terceiro e pelo Ministério Público, não importando sua forma de participação no processo (parte ou custos legis).

Em consonância com os preceitos do CPC (art. 499), não se torna obrigatório, portanto, que o pedido de reconsideração seja formulado pela parte que teve sua solicitação inatendida pela primeira vez. O pedido de reconsideração é cabível por aquele que, restando prejudicado pelo deferimento/indeferimento de alguma solicitação, vê-se prejudicado no curso processual (LEMOS, 2011).

2.1.6 Competência

Em se tratando da competência para apreciar o pedido de reconsideração, a doutrina é unanime no sentido de que cabe ao próprio juízo que proferiu a decisão que se pretende ser reconsiderada e o pedido pode ser feito por simples petição ou por recurso de agravo.

Neste sentido Nery Junior (apud BENEVIDES, 2004, não paginado) prescreve:

No caso de não haver preclusão pelo fato de a matéria objeto da decisão ser de ordem publica ou de direito indisponível, a decisão poderá ser revista pelo mesmo juiz ou tribunal superior, ex officio ou a requerimento da parte. Este requerimento poderá ser feito por petitio simplex ou por intermédio de recurso de agravo, se apresentado no primeiro grau de jurisdição. A petitio simplex poderá receber o nome de pedido de reconsideração.

Em sentido quase idêntico, Nery Júnior (2004, p. 94) afirma que “O juízo competente para apreciação do pedido de reconsideração é o juiz que proferiu a decisão que se pretende ver reconsiderada”.

É necessário Frisa-se que se trata do juízo, e não, especificamente, do mesmo juiz que prolatou a decisão, pois pode haver substituição automática ou transferência do magistrado e mesmo assim ainda é competente o juízo em que foi proferida a referida decisão.

(32)

A doutrina e a jurisprudência não divergem no sentido de que inexiste qualquer efeito inerente aos recursos no pedido de reconsideração. Neste sentido, Lemos (2011, não paginado) prescreve:

Em face da ausência de previsão legal, a doutrina é pacifica em relação à inexistência de efeito suspensivo no pedido de reconsideração, não suspendendo nem interrompendo os prazos de interposição dos recursos cabíveis contra a decisão a ser reconsiderada.

O posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) não diverge do posicionamento de Lemos, vejamos:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO RECURSAL. INOCORRÊNCIA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (REsp 984.724/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/05/2008, DJe 02/06/2008)

Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Juízo negativo de admissibilidade do recurso extraordinário. Recurso adequado. Agravo de instrumento. 4. Pedido de reconsideração. Recurso impróprio. Não suspensão do prazo recursal. 5. Agravo de instrumento. Interposição após o julgamento da reconsideração. Intempestividade. Precedentes. 6. Agravo regimental a que se nega provimento. (AI-AgR 654382 / RS - RIO GRANDE DO SUL, AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Julgamento: 04/12/2007, Órgão Julgador: Segunda Turma, DJ 01/02/2008)

Conforme se verifica, inexiste algum efeito recursal no pedido de reconsideração (devolutivo, obstativo, substitutivo e translativo). Isso se dá, tendo em vista a ausência normativa sobre o assunto.

2.1.8 Bases Legais

Tratando das bases legais do pedido de reconsideração, Lemos (2011, não paginado) descreve:

Nota-se, portanto, que o instituto em comento já esteve positivado em nossa legislação, mas nunca de forma sistematizada, restando, nos dias atuais, previsto de maneira indireta em diversos artigos de nosso código, v. g., art. 527, parágrafo único, dispositivos que reconhecem, inegavelmente, a sua existência.

(33)

previsão do pedido de reconsideração nos artigos 285-A, 296 e 523, § 2º, todos do CPC.

Parte da doutrina e de forma minoritária também entende que há previsão legal do referido instituto no art. 526, §único, CPC.

Negando a existência de base legal para o pedido de reconsideração, Benevides (2004, não paginado) ensina que “é fato corriqueiro no meio forense, a utilização do instituto da reconsideração de maneira indiscriminada, apesar de inexistir previsão no nosso código de ritos sobre o assunto”.

2.1.9 Juízo de Retratação

As bases legais do pedido de retratação estão prescritas nos artigos 285-A e 296, ambos do CPC.

Quanto ao art. 285-A, não há que se estranhar a regra do seu §1º, pois este afirma que se tratando de matéria de direito, o magistrado passa a ter o prazo de 5 (cinco) dias para manter ou não a sentença, permitindo-lhe, portanto, retratar-se da sentença de mérito e permitir o prosseguimento comum do processo. Vejamos:

Art. 285-A. Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos, poderá ser dispensada a citação e proferida sentença, reproduzindo-se o teor da anteriormente prolatada.

§ 1o Se o autor apelar, é facultado ao juiz decidir, no prazo de 5 (cinco) dias, não manter a sentença e determinar o prosseguimento da ação

§ 2o Caso seja mantida a sentença, será ordenada a citação do réu para responder ao recurso(BRASIL, 2011).

Comentando o artigo acima, Nery Júnior e Nery (2006, p. 483) enfatizam que “Havendo recurso do autor contra o pronunciamento do Juiz (apelação ou agravo), admite se o juízo de retratação pelo qual o Juiz poderá voltar atrás e modificar sua decisão”.

Quanto ao art. 296 do CPC, na hipótese do indeferimento de petição inicial, o magistrado pode rever sua decisão no prazo de 48 (quarenta e oito) horas. É o que estatui o referido artigo:

(34)

facultado ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, reformar sua decisão.

Parágrafo único. Não sendo reformada a decisão, os autos serão imediatamente encaminhados ao tribunal competente(BRASIL, 2011).

Nery Junior e Nery (2006, p. 490) descrevem que “A norma prevê competência diferida ao juiz de primeiro grau para reformar sua própria sentença: a competência definitiva para julgar a apelação é do tribunal, mais fica diferida ao Juiz em razão da economia processual”.

2.2 NATUREZA JURÍDICA

Em se tratando da natureza jurídica do pedido de reconsideração, a doutrina e a jurisprudência são quase unanimes em enfatizarem que é de sucedâneo recursal. É bom enfatizar também que a doutrina minoritária e parte mínima da jurisprudência entendem que tem natureza de instituto autônomo. Porém fazendo uma análise das características básicas dos recursos, observa-se que em alguns requisitos, há no pedido de reconsideração uma patente natureza de recurso.

2.2.1 De Recurso

A doutrina, em especial Assis e Lemos (2007; 2011), ensinam que o pedido de reconsideração tem como objetivo a modificação de uma decisão, inclusive pelo próprio Juízo prolator, não importando as razões para tanto, busca-se, portanto, dentro da mesma relação jurídica processual, a anulação, a reforma, o aclaramento ou até mesmo integração da decisão.

Neste ponto, é patente a natureza recursal do pedido de reconsideração. Por outro lado, a doutrina, em especial Nery Júnior (2004) e a jurisprudência dominante, entendem que todo e qualquer recurso interposto com base no CPC e outras leis processuais, deve obedecer aos princípios fundamentais que informam a teoria geral dos recursos, quais sejam; duplo grau de jurisdição, taxatividade, singularidade, fungibilidade e proibição da reformatio in pejus.

Reforçando a negação de natureza recursal do pedido de reconsideração, a doutrina majoritária entende que para ser recurso cível, tem que ter previsão legal no

(35)

Código de Processo Civil ou em legislação processual Federal. E no Sistema Processual Cível Pátrio não existe tal previsão, assim sendo, o pedido de reconsideração não tem natureza de recurso.

2.2.2 De Sucedâneo Recursal

Enfrentando o tema em comento, Didier (2009, p. 27) assim descreve:

Sucedâneo recursal é todo meio de impugnação de decisão judicial que nem é recurso nem é ação de impugnação. Trata-se de categoria que engloba todas as outras formas de impugnação da decisão. São exemplos: pedido de reconsideração, pedido de suspensão da segurança (Lei Federal n.8.437/1992, art. 4º; Lei Federal n. 4.348/1964, art. 4º), a remessa necessária (CPC, art. 475) e a correição parcial.

No mesmo sentido Assis (2007, p. 838) afirma que “o verdadeiro sucedâneo recursal é o mecanismo que, alheio ao quadro oficial de recurso, impugna o provimento judicial sem criar processo autônomo”.

Para Facci (2003, não paginado) “usa-se o termo sucedâneos recursais para qualificar os remédios impugnativos diversos dos recursos, taxativamente previstos pela lei processual”.

Em se tratando da natureza jurídica do pedido de reconsideração, a doutrina majoritária entende que é de sucedâneo Recursal. Neste sentido afirma Lemos (2011, não paginado):

O pedido de reconsideração, como visto, não é recurso, ostentando natureza de sucedâneo recursal. Com efeito, não se submete à incidência do princípio da singularidade, podendo ser ajuizado em conjunto com outro meio de impugnação.

Para o autor acima (2011, não paginado) “O pedido de reconsideração é um sucedâneo recursal, que prescinde de forma e requisitos para sua análise”. Complementando seu posicionamento, o referido autor, (2011, não paginado) descreve:

Inobstante sua expressa previsão legal, o pedido de reconsideração nunca obteve no Brasil natureza jurídica de recurso, ao contrário de outros países latino-americanos, e.g., Argentina e Cuba, e europeus, v.g., Alemanha, mas apenas o caráter de sucedâneo recursal. A

(36)

legislação nunca o tratou como meio legal de impugnação de decisões, apesar de possuir esse desiderato processual, não obtendo, também, o efeito de impedir o trânsito em julgado do decisum a ser reconsiderado.

No mesmo sentido, são os entendimentos de Nery Junior (2004) e Assis (2007), pois para estes autores o pedido de reconsideração sustenta natureza de sucedâneo recursal.

2.2.3 De Instituto Atípico

Conceituando os institutos atípicos de impugnação das decisões judiciais, Facci, (2003, não paginado) descreve:

Atípico é todo instrumento que se destina a impugnar decisões judiciais, diverso dos recursos e das ações autônomas, são múltiplas as figuras em espécie deste meio impugnativo. Assim, sem qualquer pretensão em esgotar a matéria, podemos apontar, exemplificativamente, como espécies de meio de impugnação atípico: a correição parcial e o pedido de reconsideração.

Para o mesmo autor (2003) a classificação do pedido de reconsideração como meio de impugnação atípico se dá em virtude de não encontrar-se seu embasamento em lei federal. E ainda por não se enquadrar nas modalidades de ação autônoma e nem de recurso.

Exemplificando as espécies de ações autônomas e, por conseguinte os institutos autônomos, Facci (2003, não paginado) prescreve:

Há quem identifique como espécies de ações autônomas de impugnação a correição parcial, o pedido de reconsideração, o agravo regimental, o mandado de injunção, a remessa obrigatória, dentre outras. Entendemos que os dois primeiros possuem natureza de meios impugnativos atípicos, como veremos adiante, pois não se enquadram nas modalidades de ação autônoma e nem de recurso.

Conforme se observa, para os autores que considera o pedido de reconsideração como um instituto atípico parte do pressuposto que não tem embasamento em Lei federal e também não enquadrar nas modalidades típicas de impugnação(Recurso e ações autônomas)

(37)

Em se tratando da viabilidade/inviabilidade do pedido de reconsideração, a doutrina e a jurisprudência não são unanimes, pois para alguns é um instituto viável, por acarretar celeridade e economia processuais. Para outros é totalmente inviável, principalmente por não ter previsão legal e por ter natureza jurídica de sucedâneo recursal, pois a jurisprudência não vem acatando os sucedâneos como forma idônea de atacar as decisões judiciais, conforme Súmula 267 do STF. Já para a maior parte da doutrina, coloca-se um meio termo, argumentando que em sendo utilizada com cautela e nos casos em que é aceitável seu cabimento, será viável, porém sendo interposto em situação em que é incabível, será totalmente ineficaz, podendo causar prejuízo à própria parte que interpôs e/ou a todo o jurisdicionado.

2.3.1 A eficácia do Instituto

O referido instituto pode ser um poderoso mecanismo de defesa do interesse dos sujeitos do processo em virtude de que pode atacar decisões em que houve erro

in procendo, pode ser um meio que pode resultar em celeridade e economia

processual, em suma, mostra-se muito útil como meio de resolução para problemas ocorridos no processo. Neste sentido Lemos (2011, não paginado) ensina:

Ao fim, nota-se que o pedido de reconsideração, em um poder judiciário cada vez mais assoberbado pelo acúmulo de demandas, é um instrumento útil para resolução de qualquer problema existente ao bom andamento processual, já que, de maneira célere e eficaz, possibilita a correção de erros que somente após longo e burocrático trâmite recursal seriam modificados.

No mesmo sentido, Ferreira (2004, não paginado) afirma:

Nesse particular é que desponta a viabilidade do pedido de reconsideração, justamente para preencher as lacunas deixadas pelas características dos agravos mencionados que dificultam a prestação jurisdicional. Adicione-se a isso situações em que mesmo após a sua manifestação em sede de juízo de retratação ainda seja possível ao juiz rever a sua decisão, e teremos um campo fértil para a aplicação da reconsideração, mormente em uma realidade em que troca-se corriqueiramente de titulares de varas, mudando-se, por força disso, o entendimento prevalecente naquele foro quanto a algumas questões.

(38)

reconsideração, possibilitando em certas situações que a parte exima-se de ter que manejar mais um recurso propriamente dito, e possibilitando ao juiz rever o que decidiu, corrigindo o erro cometido”.

Defendendo a eficácia do pedido de reconsideração, Pessoa (2006, não paginado) descreve:

[…] o pedido de reconsideração no processo civil, instituto que cada vem mais vem sendo usado no dia-a-dia da prática forense, por possibilitar a revisão de posicionamentos judiciais, independentemente de recurso à instância superior, sem depender de prévio depósito de custas e preparo. […] Na praxe forense, contudo, trata-se de instituto comumente utilizado, quer porque não depende do pagamento de custas ou de preparo, quer porque pode acabar sendo analisado por outro juiz, nos casos em que o Juiz titular esteja afastado de suas atividades, ou atuando em conjunto com um substituto.

Na linha de argumento do pedido de reconsideração como meio eficaz em decorrência da celeridade e economia, temos o ensinamento de Facci (2003, não paginado) que assim enfatiza:

Outra espécie de meio impugnativo atípico que apontamos é o chamado pedido de reconsideração, entendido este como um expediente utilizado pelas partes para se impugnar um ato jurisdicional qualquer, não se exigindo para a sua utilização qualquer regra cogente de ordem pública relativa à interposição dos recursos. Com isso se quer dizer que para a utilização do pedido de reconsideração se dispensará prazo, preparo, fundamentação do inconformismo e formação do instrumento, significando economia de tempo e dinheiro.

Conforme se observa, para a doutrina que considera o pedido de reconsideração como um meio eficaz para impugnar as decisões judiciais partem do pressuposto de que o referido pedido resulta em celeridade e economia processuais.

2.3.2 A Ineficácia do Instituto

O ponto mais relevante utilizado pela doutrina e a jurisprudência para embasar a ineficácia do pedido de reconsideração é sua falta de previsão legal. Por este motivo, muitos operadores do direito enfatizam que se fosse considerar um pedido de reconsideração, estaria criando um novo recurso no processo e pior, sem previsão legal. Outro ponto que se indaga, é que a interposição do pedido de

(39)

reconsideração não suspende e nem interrompe o prazo para a oposição do recurso adequado e, portanto poderá acarretar a perda do prazo para o devido recurso. E por último, que havendo a preclusão pro judicato o Juiz não poderá mais mudar sua decisão, sendo, portanto um pedido inócuo.

Neste sentido, tratando da ineficácia do referido instituto, Benevides (2004, não paginado) descreve:

Considerando que todo o processo civil também carrega sua conotação política, é preciso que seja dito que o que queremos na realidade é uma prestação jurisdicional efetiva como o mínimo de recursos possíveis. Admitir mais um sucedâneo recursal é um retrocesso, pois estaremos prolongando a marcha processual, em nome da economia processual tanto propalada por decisões que na maioria das vezes não primam por cientificidade, abrindo-se à possibilidade de se criar um recurso não previsto no nosso ordenamento jurídico.

Na mesma linha dos ensinamentos de Benevides (2004), a doutrina entende que se fosse conhecido o pedido de reconsideração iria causar mais morosidade no jurisdicionado, pois a parte sucumbente teria mais um meio para protelar a eficácia de uma decisão.

Outro ponto relevante é que o pedido de reconsideração não suspende e nem interrompe o prazo para a interposição de recurso adequado e com a interposição do referido pedido, a parte iria perder o prazo para a interposição do recurso adequado.

Por fim temos a preclusão pro judicato como outro ponto utilizado pela doutrina para justificar a ineficácia do referido Instituto. Tal indagação parte do pressuposto de que o juiz após proferir uma decisão, não pode mais modificar a mesma, salvo expressa previsão legal, que não é o caso quando se trata do pedido de reconsideração. Portanto tal instituto é um meio inócuo.

2.4 POSSÍVEL CONSONÂNCIA DO INSTITUTO COM OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

Analisando o escopo sociopolítico do pedido de reconsideração e a suas consonâncias e dissonâncias com os princípios constitucionais e legais atribui-se relevância a certos princípios gerais e específicos que está intimamente ligado ao

(40)

referido instituto.

Apesar das distinções entre os princípios constitucionais e legais, estes estão intimamente ligados, mesmo que de forma indireta, pois os princípios constitucionais aparecem no nosso ordenamento jurídico também de forma legal, ou seja, alguns princípios estão inseridos tanto na Constituição Federal (CF) quando na legislação infra legal ou somente na Lei, apesar de a tendência do direito contemporâneo é a de fazer com que os princípios integrem expressamente o texto constitucional.

Para verificar a possível eficácia do pedido de reconsideração, se faz necessário um estudo acerca de alguns princípios que implicitamente possui uma relação com o referido instituto, ora de forma consonante, ora de forma dissonante.

2.4.1 Princípio da Eventualidade

Pelo princípio da Eventualidade ou da Preclusão, o processo é dividido em fases ou momentos, cada fase prepara a seguinte, uma vez passada à posterior, não mais é dado retornar à anterior.

Neste sentido, Theodoro Júnior (2010, p. 40) descreve que “cada faculdade processual deve ser exercida dentro da fase adequada, sob pena de perder a oportunidade de praticar o ato respectivo”. Acrescentando o alcance do referido princípio, o mesmo autor (2010, p. 40) descreve:

Consiste na perda da faculdade de praticar um ato processual, quer porque já foi exercida a faculdade processual, no momento adequado, quer porque a parte deixou escoar a fase processual própria, sem fazer uso de seu direito.

Tal princípio parte do pressuposto de que o direito não socorre os dormentes, pois não sendo praticado o ato no momento correto, perde-se a faculdade de praticá-lo. Está perda aparece com a natureza de uma sanção imposta a parte que foi inerte na possibilidade de realização de um ato processual .

Referências

Documentos relacionados

Para aprofundar a compreensão de como as mulheres empreendedoras do município de Coxixola-PB adquirem sucesso em seus negócios, aplicou-se uma metodologia de

Este trabalho buscou, através de pesquisa de campo, estudar o efeito de diferentes alternativas de adubações de cobertura, quanto ao tipo de adubo e época de

Apesar do glicerol ter, também, efeito tóxico sobre a célula, ele tem sido o crioprotetor mais utilizado em protocolos de congelação do sêmen suíno (TONIOLLI

utilizada, pois no trabalho de Diacenco (2010) foi utilizada a Teoria da Deformação Cisalhante de Alta Order (HSDT) e, neste trabalho utilizou-se a Teoria da

Desta forma, conforme Winnicott (2000), o bebê é sensível a estas projeções inicias através da linguagem não verbal expressa nas condutas de suas mães: a forma de a

Quanto às suas desvantagens, com este modelo, não é possível o aluno rever perguntas ou imagens sendo o tempo de visualização e de resposta fixo e limitado;

Os principais objectivos definidos foram a observação e realização dos procedimentos nas diferentes vertentes de atividade do cirurgião, aplicação correta da terminologia cirúrgica,

Finally,  we  can  conclude  several  findings  from  our  research.  First,  productivity  is  the  most  important  determinant  for  internationalization  that