Unidade 3
Livro Didático Digital
Ana Luiza Figueiredo Quirino Teixeira
Oficina de Textos
em Espanhol
Gerente Editorial
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA Autora
ANA LUIZA FIGUEIRÊDO QUIRINO TEIXEIRA
A AUTORA
Ana Luiza Figueirêdo Quirino Teixeira
Olá. Meu nome é Ana Luiza Figueirêdo Quirino Teixeira. Sou formada em Direito, no entanto, trabalho como professora de língua estrangeira há mais de 15 anos. Na época do meu mestrado morei no México e me apaixonei pelo espanhol, e ao retornar, estudei e fiz vários cursos para ensinar o idioma e cativar mais e mais brasileiros, tarefa que não é nada complicada quando a missão é conquistar usando esse idioma tão perfeito. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões.
Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:
INTRODUÇÃO:
para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade de se apresentar um novo conceito;
NOTA:
quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você;
EXPLICANDO MELHOR:
algo precisa ser melhor explicado ou detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias;
SAIBA MAIS:
textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento;
REFLITA:
se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre;
ACESSE:
se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens;
ATIVIDADES:
quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada;
TESTANDO:
quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas;
SUMÁRIO
Gêneros Textuais Acadêmicos ... 12
A Importância do Contato com o Gênero Acadêmico na Graduação ... 12
As Particularidades do Gênero Acadêmico. ...16
Os Gêneros Acadêmicos ...22
O Gênero Acadêmico Oral ...22
Seminário ...25
Debate ...25
Exposição Oral...26
O Gênero Acadêmico Escrito ...27
Trabalho de Conclusão ...28
Fichamento ...29
Resumo... 30
Resenha... 30
Gêneros Textuais ... 32
Uma Discussão sobre Gêneros Textuais ...32
Compreendendo os Gêneros Textuais ... 36
Os Vários Gêneros Textuais. ... 41
Os Gêneros Textuais Orais. ... 41
Esfera de Relações do Dia a dia: Conversa ...44
Esfera do Entretenimento e Literária: Música ...44
Esfera Escolar: Exposição Oral ...44
Esfera Jornalística: Notícia ...44
Esfera Jurídica: Sustentação Oral de Acusação ...45
Gêneros Textuais Escritos ...45
Esfera de Relações do Dia a dia: Correio Eletrônico. ... 48
Esfera do Entretenimento e Literária: Poema... 48
Esfera Escolar: Resenha ... 48
Esfera Jornalística: Notícia ... 48
Esfera Jurídica: Petição Inicial ... 49
Esfera Comercial e Industrial: Contrato ... 49
LIVRO DIDÁTICO DIGITAL
UNIDADE
03
INTRODUÇÃO
Olá, nas duas primeiras unidades, pudemos conhecer mais intimamente as estratégias de ensino do espanhol como língua estrangeira, as abordagens e características de sua produção oral e escrita, as particularidades de sua compreensão através do estudo de várias teorias e considerando, principalmente, as diretrizes oficiais para o ensino de espanhol como língua estrangeira. Também abordamos as estratégias de ensino de espanhol em sua habilidade de produção escrita, mas especificamente no gênero narrativo, observando os detalhes, seus elementos e composição e a forma que o diferencia da narrativa oral. Nesta unidade, vamos abordar os gêneros acadêmicos e textuais, entendendo sua construção, regras e formalidades, e sua aplicação no estudo de espanhol como língua estrangeira. Vamos juntos!
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos:
1. Distinguir o conceito de gênero acadêmico;
2. Comparar os gêneros textuais acadêmicos mais utilizados e suas particularidades;
3. Identificar o conceito de gêneros textuais;
4. Relacionar os gêneros textuais mais utilizados e suas particularidades.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento?
Ao trabalho!
Gêneros Textuais Acadêmicos
INTRODUÇÃO:
Como já abordado nas unidades anteriores, a escrita é a forma registrada de apresentação de ideias, fazendo uso de mecanismos de coesão e coerência para propiciar uma compreensão próxima do objetivado pelo autor, e a oralidade, faz uso de outras ferramentas para auxiliar na construção desse sentido. No mundo acadêmico, essa produção se reveste de uma formalidade extra, uma vez que exige do autor domínio de técnicas e vocabulários mais específicos, e essa exigência não muda ao analisar o gênero em uma língua estrangeira. Vamos conhecer.
A Importância do Contato com o Gênero Acadêmico na Graduação
A formação dos futuros profissionais é uma tarefa desempenhada pelas universidades e centros de formação profissional, espalhados por todo o país: presencial ou à distância, o contato professor aluno é parte da engrenagem padronizada, que forma um profissional.
Neste universo, inúmeras são as padronizações que buscam, de forma equilibrada, estabelecer padrões de qualidade, com o único objetivo de criar uma situação equânime entre profissionais de uma mesma categoria que se graduem em distintas instituições.
Nesta esteira, os órgãos que regulam a educação no país estabelecem padrões de ementas, carga horária, exigências no que tange à currículo dos professores, formas de seleção e ingresso, estímulos de todas as maneiras para que sejam minimizadas as discrepâncias naturais entre instituições e, porque não dizer, localidades.
No entanto, determinados comportamentos não são taxados como regra por parte desses órgãos: a atuação do professor e sua relação com a formação do acadêmico é uma dessas liberalidades, e ela tem efeitos diretos no futuro profissional do formando.
Figura 1 : O contato com a produção científica é um meio de aproximação com o mundo acadêmico.
Fonte: @freepik.
Como não há meios de forçar a atuação do formador neste sentido, o incentivo à pesquisa surge como ferramenta de estímulo ao professor, que normalmente se vê recompensado por sua produção científica conjunta e, inevitavelmente, envolve os alunos nestas produções, resultando em uma troca benéfica entre os membros acadêmicos.
Ao passo que não se exige cumprimento de metas por parte do professor no que tange à pesquisa e extensão, esses mesmos órgãos, em seus documentos que regulamentam as licenciaturas no Brasil, apontam para a importância da prática da pesquisa e, notadamente, no que se refere à formação de professores, essa prática serve não só como elemento definidor de qualidade do profissional formado, mas também auxilia na busca por compreender alguns fenômenos presentes na relação de ensino.
Sobre essa temática, Souza e Basseto (2014, p. 84) nos afirmam que:
A prática da pesquisa faz parte de um cenário complexo da vida de um graduando em um curso de licenciatura e depende, entre outras questões, da sua inserção na comunidade acadêmica, de forma a conhecer os discursos e práticas que circulam por meio dos gêneros textuais nessa comunidade.
Neste sentido, percebe-se que para um bom desempenho acadêmico, aí estando incluída a pesquisa como ferramenta indispensável ao crescimento pessoal do aluno, é de extrema valia que este aluno domine as estruturas textuais, orais e escritas, que permitirão o seu ingresso a esse âmbito do mundo acadêmico, de forma que seja possível não apenas atuar, como criar sua própria marca, incentivando, quem sabe, um futuro teórico de temáticas de destaque, que desde a sua formação foi lapidado no sentido de produzir academicamente.
SAIBA MAIS:
A importância da formação de futuros professores e pesquisadores vai muito além das atividades executadas em sala de aula, quer seja presencial ou virtual. Compreender essa importância é vital para que os futuros educadores e formadores dimensionem a sua atuação nessa dinâmica tão importante. Ficou curioso sobre essa temática? No artigo” A inclusão de projetos, de práticas didáticas e de transposição didática na formação docente.” A autora Cleide Inês Wittke, aborda a formação dos futuros professores e, no que tange ao ensino propriamente dito, da necessidade de “redimensionar o objeto de estudo/ensino e também o modo de abordá-lo.” Venha aprofundar-se um pouco mais nesse link: https://bit.ly/2I6fG4w
A esses gêneros textuais se denominam gêneros acadêmicos e o seu domínio por parte do aluno, permite não apenas a produção em pesquisa científica, mas, principalmente, o municia de ferramentas capazes de trabalhar a reflexão crítica e a análise neutra de situações, como meio de busca à verdade hipotética tão almejada.
Quando esse contexto é inserido no âmbito da formação de professores, nos cursos de licenciatura, o peso desse estímulo se converte em uma quase exigência, uma vez que, nas palavras de Ausubel (1978, p.
43):
O ensino envolve a manipulação de variáveis (fatores) que influenciam a aprendizagem, a classificação racional dessas variáveis possui um valor considerável para esclarecer a natureza e as condições que afetam o processo de aprendizagem.
Ou seja, quando estamos frente ao processo de formação de um futuro educador, mais do que formar um profissional, é necessário incutir- lhe os valores da relação de ensino, e esse papel é cumprido de forma magistral pela iniciação científica, onde o aluno percebe a inexistência da dicotomia aluno-professor, e passa a se considerar parte do todo, ora como aluno, em sua graduação, ora como professor, em sua atuação profissional.
Compreendida a importância do raciocínio e da pesquisa científica na graduação, inevitavelmente, concluímos que o domínio das regras e formas de produção textual de gêneros acadêmicos é parte do processo de integração do aluno a esse mundo da academia. Por este motivo, abordaremos na sessão seguinte as particularidades do gênero acadêmico.
As Particularidades do Gênero Acadêmico.
Ao abordar o gênero acadêmico, é imprescindível esclarecer que ele se apresenta como um tipo de gênero textual, e no que tange a sua função social, se apresenta como ferramenta comunicativa específica do ambiente da academia, e, portanto, possui íntima relação com a formalidade típica desse ambiente.
Figura 2: A academia é um ambiente dotado de regras tanto no que diz respeito aos comportamentos a serem adotados, quanto no que tange à forma de exteriorização do
discurso.
Fonte: @freepik.
Ou seja, os discursos que se constroem na esfera acadêmica deve guardar total conexão com a forma, a técnica e o vocabulário ali aplicados, no entanto, a sua função social e comunicativa exercem papel de grande influência no crescimento pessoal do aluno e, para corroborar este pensamento, trazemos a afirmação de Oliveira (2009, p. 7) que afirma que
“é através dos diferentes discursos, que estão presentes nas instâncias sociais, que nos identificamos e somos aceitos ou rechaçados pelos diferentes grupos que compõem a sociedade.”
Dentro do estrato social que representa a academia, o bom uso dos gêneros textuais servirá não apenas para a expressão de ideias e teorias, mas, principalmente, como meio de ingresso na comunidade que o falante convive, servindo como ferramenta de interação.
Obviamente que o gênero textual casual, ou não acadêmico, também tem seu espaço, e não há que se falar em formalismo exacerbado na academia em tempo integral, cabendo ao falante a identificação dos momentos específicos de uso de cada classe discursiva, a fim de que não destoe do grupo por falta de identidade referencial.
Neste sentido, cumpre-nos destacar as particularidades do gênero acadêmico para que seja possível, no próximo capítulo, preocupar-nos com a sua individualização.
A primeira grande característica diz respeito ao público receptor do gênero acadêmico: esses destinatários da mensagem, ao buscar produções, quer sejam orais ou escritas, o fazem com suas expectativas bem estabelecidas, ou seja, a temática, necessariamente, precisa adequar-se ao que anseia o receptor.
Sobre esta característica, vejamos o que nos aporta Medeiros e Dantas, embasados em grandes teóricos do estudo da linguística (2010, p.5):
A prática de leitura acadêmica pressupõe um interesse específico, definido antes do momento de contato com o texto a ser lido – o leitor acadêmico em geral procura algo específico, um conteúdo de seu interesse que costuma ser o principal agente motivador na busca pelo texto. Suas expectativas diante do texto são, portanto, bem definidas.
Em geral, espera-se que o texto se atenha diretamente ao tema proposto, que este tema esteja claramente definido, que o texto apresente e mantenha uma estrutura mais rígida do que a de outros textos em geral, uma estrutura na qual a introdução, o desenvolvimento e a conclusão sejam partes bem marcadas
Perceba que, segundo afirmam os autores, a especificidade é algo marcante no meio produtivo acadêmico, fazendo com que o público alvo destinatário do discurso seja facilmente mensurável.
Por outro lado, não há que se falar, quando a temática são os gêneros acadêmicos, sobre discursos livres, e esta motivação é base para outras particularidades do discurso acadêmico: a fundamentação teórica e a forma.
A fundamentação teórica, ou o estado da arte, apresenta-se como a base, o alicerce do gênero acadêmico, principalmente quando há produção baseada em discussões e análises. É parte indisponível da produção e tem como função primordial a força de conferir peso ao texto produzido e, principalmente, garantir a isenção exigida ao pesquisador ou acadêmico.
Essa necessidade é estudada por Bathkin, em seus muitos escritos sobre os gêneros textuais, e atenta especificamente, para os graus de envolvimento do autor no ato de sua produção de discurso.
Sobre o tema, vejamos o que nos apresenta Bessa (2016, p. 2), ao analisar a teoria de Bathkin aplicada aos gêneros textuais:
Nesse sentido, é fundamentalmente importante retermos a afirmação bakhtiniana segundo a qual há gêneros do discurso mais propícios à manifestação de um estilo individual do falante. É o caso de termos em mente que, diferentemente do que ocorre na construção de um romance, em gêneros do discurso mais padronizados tais como memorando e regimento, as “brechas” para a manifestação de uma
“personalidade individual” do falante existem; todavia, são mais restritas e/ou quase inexistentes.
Assim entendendo, queremos sustentar que, nas reflexões bakhtinianas, o grau de manifestação da “personalidade individual” do falante está, em certa medida, prevista/
determinada pelo gênero, de modo que ela pode ser mais ou menos intensa, mais ou menos fortemente marcada, conforme o gênero do discurso seja mais ou menos padronizado, o
que está diretamente ligado, portanto, às determinações da esfera de produção, circulação e recepção do gênero. Logo, é preciso enfatizar, por mais que isso possa parecer óbvio e redundante, que o olhar sobre o estilo supõe não perder de vista a esfera da comunicação discursiva em que os sujeitos falantes interagem e os gêneros que lhes são inerentes.
Ainda que o autor não haja feito referência ao gênero acadêmico, naturalmente se conclui que se trata de um gênero padronizado, e, nesta esteira, tem na fundamentação teórica um traço marcante de sua forma.
Esse regulamento formal no que tange à essência do discurso, é facilmente identificável pela presença mais ou menos intensa das citações.
Ao trazer a ideia de outros autores para fundamentar sua construção textual, o autor pode dar o viés de sua forma de produzir, deixando claro o estilo específico do gênero acadêmico e o estilo pessoal do autor.
Sobre a temática, nos socorremos mais uma vez de Bessa (2016, p.
1) que afirma:
Porém, como inseparável do estilo do gênero está também o estilo individual do produtor (concebido como o autor criador do artigo científico/enunciador do ato de citar), é preciso considerar que a manifestação do componente da individualidade pode nos ajudar a melhor compreender, por exemplo, o fato de o produtor “optar” por citar ou não citar em determinado segmento textual do artigo, como na conclusão, ou por privilegiar citar com profusão ou não na seção de fundamentação teórica, assim como citar de forma literal ou reformulando o dizer, aspectos esses nem sempre observados em estudos sobre o fenômeno da citação em textos científicos escritos, e que tentaremos perseguir neste trabalho.
Fica claro, em suas palavras ora transcritas, que buscar o auxílio de outras teorias é uma opção do autor, tanto no que tange a quantidade, quanto na forma. É dele a opção de concentrar citações em uma determinada seção, ou salteá-las ao longo do texto.
No entanto, uma coisa é certa: na produção científica, não há que se falar em texto livre, pois a ciência é uma dinâmica e como tal, evolui constantemente, portanto seria inconcebível apresentar discussões teóricas ou empíricas sem apresentar ao leitor o estado em que a temática se encontra, ainda que seja para embasar as evoluções ou involuções detectadas pelo pesquisador em sua obra.
SAIBA MAIS:
Em sua vida acadêmica, inúmeras vezes você se verá obrigado a utilizar uma regra da ABNT, quer seja para produzir um resumo, ou um fichamento, quer para escrever o seu Trabalho de Conclusão de Curso, essas regras sempre estarão presentes. Em outros ambientes da vida cotidiana ou profissional, também encontrará manuais técnicos com regras e regulamentos de produção de bens e serviços assinados sob esta sigla. Mas, o que é a ABNT?
Trata-se da abreviação da Associação Brasileira de Normas Técnicas, e sua função é “prover a sociedade brasileira de conhecimento sistematizado, por meio de documentos normativos, que permita a produção, a comercialização e o uso de bens e serviços de forma competitiva e sustentável nos mercados interno e externo, contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico, proteção do meio ambiente e defesa do consumidor.”. Ficou curioso para conhecer mais sobre essa organização sem fins lucrativos?
Acesse o site: http://www.abnt.org.br/ e navegue por suas abas que apresentam essas e muitas outras informações!
A par da importância da fundamentação, temos a forma como ponto indiscutível das particularidades do gênero acadêmico, no que tange a expressão escrita. Esse destaque é importante por compreender que, oralmente, trata-se de uma etiqueta acadêmica, que rege desde o modo de se portar do orador, passando pelo vocabulário, até o cumprimento dos requisitos de fundamentação e argumentação exigidos.
De outra maneira, no discurso escrito, é possível que se identifiquem as regras de produção aplicáveis em cada tipo textual que se considere como parte deste gênero, tendo diversos regulamentos, a exemplo das regras da ABNT aplicáveis no território nacional, que estabelecem o padrão a ser seguido em toda a formatação do texto, elencando, inclusive, as partes componentes do tipo para que seja considerado um artigo, um resumo, um fichamento, entre tantos outros.
RESUMINDO:
Neste capítulo pudemos conhecer um pouco mais conceitualmente o gênero acadêmico, sua importância para o processo de interação, e porque não dizer de inclusão, na vida acadêmica. Conhecer os gêneros acadêmicos e saber identificar o momento exato para a sua aplicação é parte do crescimento do aluno no processo de construção dessa identidade, que lhe seguirá durante toda a sua vida acadêmica e profissional. Neste contexto, após estabelecer e quantificar a importância do domínio dos gêneros acadêmicos, pudemos conhecer um pouco de suas particularidades, que são a fundamentação e a forma. Dotados de uma função social que busca, entre outras coisas, difundir o conhecimento científico, os gêneros acadêmicos são regrados por normas específicas, que definem sua formatação estética e de conteúdo, e dependem do suporte teórico de outros discursos para que lhe seja conferido o status de produção acadêmica.
Os Gêneros Acadêmicos
INTRODUÇÃO:
Seguindo adiante em nosso estudo sobre produção oral e escrita acadêmica, perceberemos que existem determinados formatos de produção oral e textual cuja aplicação e função possuem uma correlação com o ambiente da produção acadêmica e científica. Conhecer esses tipos e, suas funcionalidades e regulamentos e, principalmente, entender quando devem ser utilizados, oferece ao acadêmico e/ou pesquisador a possibilidade não apenas de se inserir no ambiente, como também cumprir a sua função de retorno à sociedade dos investimentos em pesquisa, ensino e extensão. Vamos conhecer!
O Gênero Acadêmico Oral
Conforme dito anteriormente, a oralidade é a ferramenta comunicativa mais instintiva que os seres vivos possuem. Em todos os âmbitos da vida em sociedade, a comunicação surge como ferramenta de integração e interação entre os membros de uma determinada sociedade ou grupo, e a primeira ferramenta utilizada para o estabelecimento dessa conexão é a oralidade.
No meio acadêmico, como dito anteriormente, é possível a identificação de espaços e ambientes muito bem definidos, muitas vezes ocorrendo essa divisão de forma temporal e não espacial. Por exemplo:
na data marcada para uma defesa de dissertação de mestrado, a casualidade regerá os discursos e gêneros até o momento marcado para o início da defesa. Uma vez iniciada, o ritual pré-estabelecido, determinará o rito a ser seguido por todos que ali estejam, as formalidades sociais e, principalmente, o gênero a ser utilizado.
Nesse sentido, é importante primeiramente compreender o que é um gênero oral, e diferenciá-lo de uma atividade, a fim de que se possa captar o real sentido do conceito que ora trabalhamos e, assim, seja
possível aprofundar nas características dos vários tipos existentes, a fim de individualizá-los.
Figura 3 : O Gênero oral é um dos grandes desafios da vida do acadêmico.
Fonte: @freepik.
Analisando o ambiente acadêmico, é interessante o já citado convívio de situações formais e informais de forma harmônica, ao contrário de outros ambientes, a exemplo dos tribunais, onde a formalidade domina os procedimentos e, inclusive, o discursos e gêneros, na academia é necessário compreender o momento que se desenvolve a fim de orientar a produção textual para o atendimento das necessidades e expectativas.
Dessa forma, busquemos o conceito de gênero para, em seguida, partir para o aprofundamento nos tipos.
Para o nosso estudo adotaremos a perspectiva e conceituação de autores que seguem a teoria bathkiniana, por ser a mais aceita e difundida entre todas, e nos socorreremos das palavras de Travaglia (2013, p. 3) que assim conceitua gênero oral:
Consideramos o gênero, na perspectiva bakhtiniana, como um tipo de enunciado relativamente estável, ou seja, com determinadas regularidades em termos de conteúdo temático, construção composicional, forma de realização linguística
(estilo), criado em uma esfera de atividade humana ou por uma comunidade discursiva (no dizer de Swales-1990), para realizar uma ação social por meio da linguagem. Assumimos ainda o gênero como um pré-acordo de um grupo social sobre o modo de realizar algo linguística e discursivamente por meio de textos.
Observe que, conceitualmente, o gênero possui regras no que diz respeito ao conteúdo, a forma de composição e ao estilo, além de ser funcional, ou seja, atender às necessidades da comunidade à qual se destina e cujo objetivo é o cumprimento de uma função social específica.
Entendido o que seja gênero, recordemos um pouco mais para compreender o que seria o gênero oral: trata-se, pois, do gênero elaborado e produzido com o suporte da fala, sem a necessidade de que haja uma correspondência com uma versão escrita.
Como exemplo claro desse conceito, Travaglia (2013, p. 4) acrescenta que “a conferência ou a comunicação científica em eventos acadêmico- científicos podem ter uma versão escrita, mas foram produzidas para serem realizadas oralmente” e, em contraponto “um artigo científico sobre o mesmo tópico de uma conferência não foi produzido para ser realizado oralmente, mas para existir na forma escrita. Assim, mesmo que seja lido em voz alta não será um gênero oral.”
Portanto, podemos identificar que, conceitualmente, são considerados gêneros orais aqueles que sejam elaborados com a finalidade de usar como suporte exclusivo o aparelho fonador, ainda que tenha sido escrito, mas que seja objetivamente direcionado à fala, como exemplo das peças de teatro, que são escritas, mas que objetivam o suporte oral, com todos os elementos extra e para-linguísticos.
VOCÊ SABIA?
O discurso oral mais longo registrado na história da humanidade é do francês Lluis Colet, que falou nada menos que 124 horas, o que equivale a 5 dias e quatro horas, initerruptamente. Para bater este recorde, o francês, que é guia do Museu de Artes e Tradições Catalãs em Perpignan, no sul da França, falou sobre cultura catalã e sobre o pintor Salvador Dalí, sem dormir e se alimentando de quatro pratos rápidos durante a façanha. (Fonte: Revista Superinteressante, disponível em https://bit.ly/3p9lqvB
Concluída essa exploração conceitual sobre gêneros orais, vamos conhecer os principais gêneros orais acadêmicos.
Seminário
Gênero oral bastante difundido no meio acadêmico, o seminário muitas vezes é responsável pela estreia do estudante nesta seara, que, tradicionalmente, torna-se íntima dos estudantes a partir da graduação.
Nesta modalidade discursiva, os acadêmicos buscam construir análises, críticas e argumentações sobre um determinado tema, apoiando- se em texto escrito de outra autoria.
Conforme dito anteriormente, por tratar-se de gênero oral, esse discurso, ainda que escrito em formato de roteiro, servirá única e exclusivamente a uma sustentação oral, na qual os alunos devem fazer referência à(s) temática(s) identificadas no texto base, sujeitos a todos os elementos extralinguísticos e paralinguísticos possíveis, à exemplo da interação com a audiência ou a inquirição por parte do professor/
orientador do seminário. (SEVERINO, 2008)
Debate
Dentre os três gêneros escolhidos para ilustrar nosso estudo, o debate seria o único essencialmente argumentativo, e, inevitavelmente, interativo. Neste contexto, os elementos para e extralinguísticos se
apresentam como elementos vitais para a consecução da finalidade deste gênero oral.
No meio acadêmico, o debate necessita do suporte teórico e empírico para que sua base argumentativa tenha sustentação, ou seja, não pode ser considerado debate o simples lançamento de ideias próprias sem fundamentação, haja vista o objetivo de produção científica inerente aos gêneros acadêmicos.
Como característica típica deste gênero, temos a figura do mediador, que atua como ponto de equilíbrio entre os debatedores, e que deve manter-se imparcial durante todo o desenvolvimento da ação.
Exposição Oral
A exposição oral, ainda que por muitos seja considerada sinônimo de seminário, trata-se de um discurso coeso e coerente, proferido por um especialista em determinada temática.
Essa característica da especialidade do orador, traduz a função principal de divulgação científica exercida pela exposição oral. Temos exposição oral quando há uma palestra em um congresso, uma defesa de trabalho de conclusão de curso, um pronunciamento técnico sobre um tema de domínio do pronunciante, enfim, sempre que haja um discurso proferido por quem possua expertise no tema apresentado, estamos frente a uma exposição oral.
O Gênero Acadêmico Escrito
No meio acadêmico, a escrita é o gênero mais valorizado, por corresponder à forma de registro dos achados científicos. No que pese ao seu real valor de registro, os gêneros escritos cumprem a função de difusão das descobertas científicas e, na grande maioria das vezes, cumprem a função de retorno comunitário exercido pela comunidade acadêmica.
Figura 4: Os trabalhos acadêmicos são um gênero escrito indispensável nas conclusões de etapas de níveis de graduação e pós-graduação.
Fonte: @freepik.
Dotado de um regulamento próprio, o gênero acadêmico escrito é dotado de uma formalidade tanto no que diz respeito ao conteúdo, quanto no que tange a formatação, devendo, para ser considerado como tal, estar adstrito aos limites então impostos.
Esse formalismo, embora pareça exacerbado à primeira vista, trata- se um requisito de padronização, que objetiva a manutenção de um patamar equilibrado e busca criar uma identidade típica de cada gênero, já no primeiro contato por parte do leitor.
No Brasil, a regulamentação dos gêneros escritos acadêmicos é padronizada pelas normas técnicas da ABNT, no entanto, cada meio de publicação científica é autônomo para estabelecer suas próprias regras, que geralmente não fogem muito às determinadas pela associação, variando apenas detalhes como fonte, tamanho e quantidade de laudas.
A praxe no meio acadêmico é que as regras postas, sejam requisitos eliminatórios de apresentação dos escritos, a fim de produzir uma publicação homogênea.
Uma característica comum aos gêneros escritos é o uso de outra língua no ato da indexação, em um resumo, com o objetivo de permitir que plataformas e ferramentas de buscas internacionais incluam os produtos textuais em suas bases de dados e, assim, haja um atravessamento de fronteiras na busca pela evolução científica.
Assim, sem maiores delongas, conheçamos os principais gêneros acadêmicos escritos, considerando a sua difusão no meio científico e acadêmico.
Trabalho de Conclusão
A vida acadêmica é feita de etapas, que devem ser galgadas e vencidas, como pré-requisito para o atingimento da seguinte: para ir ao ensino médio, é necessário concluir o fundamental, para ingressar na Universidade é necessário haver sido aprovado no ensino médio, e assim por diante.
Nas fases iniciais, entenda-se, até o ensino médio, a avaliação e aprovação do aluno é realizada por metodologias avaliativas que variam de instituição a instituição, no entanto geralmente é formada por exercícios avaliados com notas, em duas ou três etapas, a fim de que ao final do ano letivo tenha sido atingida uma determinada média mínima para aprovação.
Ao concluir o ensino médio e ingressar na Universidade, a vida acadêmica sofre uma mudança no que tange ao incentivo de produção científica, isso implica na manutenção das notas como critério de avaliação das disciplinas, mas o ciclo completo só é concluído com a apresentação de um trabalho escrito, sob as regras da redação científica, é o que denominamos trabalho de conclusão de curso.
Neste gênero escrito, o acadêmico iniciará sua vida científica e buscará responder uma inquietação ou questionamento, cuja afinidade com a graduação escolhida sirva de guia para a resposta. Seguindo regras de metodologia científica, ele terá de 3 a 4 anos de estudos teóricos que servirão de base para as discussões que serão levadas ao estudo científico que permitirá a nota final e o recebimento do grau.
Conforme haja um crescimento na vida acadêmica, os trabalhos vão representando cada vez mais a especialidade do acadêmico, então na graduação e na especialização temos um Trabalho de Conclusão de Curso – o TCC, que é latu sensu, e que pode ser do tipo monografia, artigo científico ou artigo acadêmico, e no Mestrado e Doutorado temos a Dissertação e a Tese, sucessivamente, que já representam trabalhos de conclusão do tipo strictu sensu, que denotam a reconhecida e cada vez mais afunilada especialidade do acadêmico.
Como dito anteriormente, seguem as regras da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, no que tange a formatação, e quanto ao conteúdo, segue as regras a Instituição de Ensino Superior a qual estão vinculados.
Fichamento
Fichamento é um registro, realizado em fichas, que busca auxiliar na catalogação teórica durante a vida acadêmica. Fazendo uso desse gênero escrito, o acadêmico procederá a leitura de texto e ao realizar o fichamento identificará a obra, fixando os dados, a linha temática, realizará uma crítica escrita sobre a mesma e, ao final, apontará citações relevantes a serem utilizadas em outros futuros gêneros acadêmicos, a exemplo dos trabalhos de conclusão.
Apesar de ser um gênero escrito, é fruto de uma técnica de estudo e é bastante utilizado pelos professores para fomentar nos alunos a prática da leitura e análise de textos importantes para o desenvolvimento de sua vida acadêmica, estimulando a prática de leituras e, posteriormente, facilitando o cumprimento de etapas formais no processo de graduação.
Resumo
O resumo é uma das formas de gênero textual escrito mais realizadas durante a vida acadêmica, principalmente, para o aluno que participe de eventos científicos e que já iniciam a vida de publicações científicas.
No resumo, como o próprio nome já diz, é apresentado um compilado de informações relativas a um texto ou tema, que pode ser autoral, no caso do Resumo Científico, ou de terceiros, no caso do Resumo Acadêmico.
O objetivo do resumo é, justamente, atrair a atenção do público leitor para o trabalho científico ao qual se refere e, por essa razão, é bem comum a sua apresentação e publicação em congressos e eventos científicos e/ou acadêmicos, onde a circulação de integrantes do público alvo é favorável à divulgação destes trabalhos.
Pode ser apresentado no formato resumo, com defesa oral ou não, ou ainda no formato pôster, onde as informações ficam todas disponíveis ao leitor em grandes impressos.
Resenha
A resenha é utilizada para se falar acerca de outros textos científicos, de maneira formal. Pode ser uma resenha crítica, onde existe um viés pessoal apresentando um julgamento ou crítica da obra por parte do autor. Neste tipo, é necessário que o autor possui conhecimento sobre a temática, que lhe permita fazer juízo de valor sobre a mesma. Outro tipo existente é a resenha descritiva, que se preocupará em apresentar, de forma sintetizada, os aspectos mais relevantes da obra, de forma neutra e imparcial.
RESUMINDO:
Chegando ao fim de mais um capítulo, pudemos aprofundar nossos conhecimentos sobre os gêneros acadêmicos.
Na primeira seção nos dedicamos a estudar os gêneros acadêmicos orais. Conhecer de forma mais especial esse tipo de produção oral é de suma importância, haja vista as particularidades da oralidade que são por ela comungadas.
Neste sentido, abordamos as possibilidades de convivência simultânea com os gêneros textuais mais coloquiais, e ressaltamos a importância do orador em saber adequar seu discurso oral ao momento ou ritual acadêmico específico.
Por fim, nos detivemos em ilustrar através da exposição de alguns gêneros orais mais utilizados na academia.
Pudemos conhecer um pouco de suas particularidades e em seguida ilustrar nosso estudo apresentando os gêneros mais comumente utilizados pela comunidade acadêmica.
Conhecer esses e outros gêneros acadêmicos, através do estudo da metodologia científica, possui uma importância tão relevante que é objeto de disciplinas específicas nas grades curriculares, mas, como toda produção escrita, depende também da dedicação e do treinamento por parte dos acadêmicos, a fim de trabalharem suas habilidades de produção escrita.
Gêneros Textuais
INTRODUÇÃO:
Saber como se expressar e se comunicar em cada momento da vida é vital para conseguir se inserir na sociedade e nas comunidades onde circulamos. Neste sentido, a cada ambiente e situação aplicam-se formas de se expressar, quer seja de forma oral, quer seja de forma escrita; formas essas que são regulamentadas e individualizadas pelo que se denomina gêneros textuais. Neste capítulo, vamos conhecer os conceitos, identidades e, de forma mais aprofundada, os gêneros mais utilizados para ilustrar nosso conhecimento. Vamos lá?
Uma Discussão sobre Gêneros Textuais
A discussão acerca dos gêneros textuais é tão antiga quanto a própria comunicação. Silva (2008) é categórico ao afirmar que os grandes filósofos, desde à época do surgimento da democracia na Grécia, já se preocupavam em conceber a noção do gênero textual.
Época, também, da gênese da oratória, os grandes oradores gregos ao produzir seus discursos, registravam de forma agrupada segundo características que estes guardavam em comum, de forma a possibilitar a facilidade no acesso posteriormente.
Essa separação, qualificada, era o início da definição dos gêneros textuais, ao agrupar produções escritas ou transcritas com base em pontos de semelhança, os gregos sistematizaram a classificação por gênero, um sistema que hoje é infinitas vezes mais amplo do que aquele início, quando havia a separação em três ou quatro categorias.
Atualmente, com toda a evolução vivenciada pela própria sociedade, é incalculável a quantidade de gêneros textuais existentes.
Com as inovações tecnológicas, inúmeros foram criados, outros tantos remodelados, fora os clássicos, mantidos em razão de sua importância
para o registro discursivo da humanidade como um todo. A comunicação sofreu um impacto evolutivo assustador nos últimos anos, o que repercutiu de forma direta sobre os estudos de gênero textual, como veremos neste tópico.
Figura 5 : Na Grécia Antiga os grandes filósofos já classificavam os discursos de acordo com suas similitudes. Era a gênese dos gêneros textuais.
Fonte: @freepik.
Essa imensurável quantidade de gêneros, é objeto de estudo da linguística, e dentre tantos teóricos e estudiosos da temática, um indivíduo em particular apresenta-se como expoente e, através de seus conceitos, orienta vários outros estudos: Mikhail Bathkin, um russo, filósofo por formação, mas um estudioso da linguagem e de seu papel na sociedade.
Para Bathkin (1997), a linguagem possui um papel fundamental na sociedade, e funciona não apenas como ferramenta de inserção de indivíduos na comunidade, como pudemos observar ao estudar os gêneros acadêmicos, mas, principalmente, possui um protagonismo no que tange à formação sociopolítica dos seus membros.
Neste contexto, ele defende a linguagem como sendo naturalmente dialógica, entendimento que apresenta o processo de comunicação como interativo em regra pois sempre envolverá um locutor e um interlocutor, ainda que não haja ocorrência imediata.
Na esteira dos seus estudos de linguagem, ao adentrarmos nos estudos sobre os gêneros textuais, já encontramos uma conexão entre a função da linguagem e a incontável gama de discursos existentes. Citando Bathkin, Pedrosa (2011, pág. 34), afirma que:
Todas as atividades humanas estão relacionadas à utilização da língua e que, portanto, não é de admirar que tenhamos tanta diversidade nesse uso e uma consequente variedade de gêneros que se afiguram incalculáveis. Essas atividades não são acidentais nem desordenadas, tendo em vista que os enunciados produzidos refletem as condições particulares e os objetivos de cada uma dessas esferas, não somente por seu conteúdo, seu estilo verbal, isto é, pela seleção operada nos recursos da língua (recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais), mas também, e principalmente, por sua construção composicional. Essa formulação veicula um aspecto central da teoria do gênero do discurso segundo a visão bakhtiniana, a de que os gêneros possuem três dimensões constitutivas:
a. Conteúdo temático ou aspecto temático – objetos, sentidos, conteúdos, gerados numa esfera discursiva com suas realidades socioculturais;
b. Estilo ou aspecto expressivo – seleção lexical, frasal, gramatical, formas de dizer que têm sua compreensão determinada pelo gênero;
c. Construção composicional ou aspecto formal do texto – procedimentos, relações, organização, participações que se referem à estruturação e acabamento do texto, levando em conta os participantes.
Analisando o que nos traz a autora, é possível perceber que as três dimensões do gênero textual possibilitam a classificação de todo e qualquer discurso para otimizar o seu agrupamento e podem ser traduzidas mais simplificadamente como: o tema, a estrutura e o estilo.
Se passarmos à abordagem de outro teórico, já veremos o estudo do gênero textual sob outras três dimensões distintas, conforme a teoria de Charaudeau (2004), para quem o estudo do gênero perpassa a dimensão da ancoragem social, a das atividades de linguagem e a das características formais.
SAIBA MAIS:
Ao realizar a pesquisa sobre a temática gêneros textuais, o autor que mais se destaca é, sem dúvidas, Mikhail Bathkin, cuja teoria prevalece na grande maioria dos estudos e trabalhos da linguística. Conhecer um pouco sobre a visão de Patrick Charaudeau, nos auxilia na formação de um pensamento crítico e ajuda a visualizar os conceitos de uma forma mais neutra, considerando um segundo ponto de vista. Se você ficou curioso, visite o site do autor, onde estão disponíveis alguns artigos em português, à exemplo desse que disponibilizamos: https://bit.ly/32e6KRF
O que se pode concluir, acerca da análise das teorias e estudos sobre gênero, é que a discussão nunca será limitada, nem tampouco harmônica. Como ocorre de forma indiscutível, a evolução teórica é a responsável pela revolução dos conceitos, mas deixa claro que o antigo não é suplantado pelo novo, apenas acrescido no que tange ao conteúdo.
A discussão, então, nos encaminha para uma análise conceitual realizada com a mente aberta, tão ampla quanto as infinitas possibilidades de discurso, entendendo que, mais que algo imposto, o gênero textual é parte inseparável do ser humano, que é responsável por evoluí-la e ao mesmo tempo preservá-la, fazendo uso de suas ferramentas para seguir no processo de inclusão e revolução social, tão presentes em nosso cotidiano.
Compreendendo os Gêneros Textuais
Ao buscar entender o que são os gêneros textuais, a primeira necessidade que se apresenta é a de individualizá-lo conceitualmente.
Retomando o entendimento de Bathkin (1997), para quem a linguagem é um processo dialógico, que sempre envolve locutor e interlocutor, podemos concluir que toda tentativa de comunicação envolve uma produção de um discurso, quer seja oral, ou escrito.
Figura 6 : Os gêneros textuais sofreram um incremento considerável com a inovação digital nos meios de comunicação.
Fonte: @freepik.
Assim sendo, retomemos o que foi abordado nas unidades anteriores, quando ao conceituar discurso concluímos que se trata do ato de enviar uma mensagem, a um receptor, determinável ou não; segundo o contexto da época e de acordo com uma determinada forma. Portanto, a comunicação está diretamente ligada à necessidade de formular e enviar mensagens formatadas segundo regras e contextos pré-estabelecidos.
Neste sentido, considerando que a comunicação é realizada através de uma sucessão de vários discursos, é possível compreender, com o auxílio de Hila (2006, p. 2) que:
O discurso, quando produzido, manifesta-se por meio de textos, concretizados gêneros textuais, que, ao contrário das conhecidas modalidades retóricas (narração, descrição, dissertação), são infinitos, estando em contínua e permanente (re)construção.
Portanto, os gêneros textuais são as formas de manifestação do discurso, a concretização da mensagem, adaptada ao emissor, receptor, canal, contexto e forma, que podem ser classificadas conforme o tema, a estrutura e o estilo.
Considerados os âmbitos e momentos da vida onde se faz necessário o uso da linguagem, é possível dimensionar a infinidade de gêneros existentes, uma vez que a comunicação é parte de quase todas as ações cotidianas.
DEFINIÇÃO:
Os gêneros textuais são as formas de manifestação do discurso, a concretização da mensagem, adaptada ao emissor, receptor, canal, contexto e forma, que podem ser classificadas conforme o tema, a estrutura e o estilo.
Um outro aspecto importante dos gêneros textuais, além do que já foi abordado neste capítulo, é o efeito gerado pelos mesmos no sujeito do discurso, assim como possibilita a inserção e a interação entre membros de uma comunidade ou grupo, também propicia ao sujeito o desenvolvimento de competências individuais relativa ao gênero utilizado.
Assim que, um sujeito que faz uso repetido do gênero reportagem, produzindo várias em situações distintas, desenvolve uma capacidade de produção escrita nesse gênero e, quando comparado a outro sujeito que nunca praticou e vai fazer por primeira vez, percebe-se a grande facilidade que adquiriu com a prática daquele gênero.
Dentro do estudo dos gêneros textuais, alguns conceitos correlatos causam confusão na hora de identificá-los, e um deles é o conceito de atividade. Essa associação decorre do fato de que o gênero textual na ação comunicativa, sempre estará cumprindo uma função social.
EXPLICANDO MELHOR:
Quando o sujeito tem a necessidade de informar que está vendendo determinados produtos com preço diferenciado, ele faz uso do gênero textual “anúncio publicitário”. Neste exemplo, a atividade é a ação de convencer o comprador a comprar determinado produto. E o gênero textual “anúncio publicitário” é uma das ferramentas que ele pode fazer uso para alcançar o seu objetivo.
Nada impede que ele realize essa atividade através de outras ferramentas, mas, indiscutivelmente, será bem difícil que o faça sem utilizar um gênero textual no processo.
Sendo assim, busquemos nas palavras de Travaglia (2013, p. 2) a diferenciação conceitual entre gênero textual e atividade:
Consideramos o gênero, na perspectiva bakhtiniana, como um tipo de enunciado relativamente estável, ou seja, com determinadas regularidades em termos de conteúdo temático, construção composicional, forma de realização linguística (estilo), criado em uma esfera de atividade humana ou por uma comunidade discursiva (no dizer de Swales-1990), para realizar uma ação social por meio da linguagem. Assumimos ainda o gênero como um pré-acordo de um grupo social sobre o modo de realizar algo linguística e discursivamente por meio de textos (...) Os gêneros são instrumentos cuja apropriação leva os sujeitos a desenvolverem capacidades e competências individuais correspondentes aos gêneros. Tais capacidades e competências são capacidades e competências linguísticas e discursivas de construção e de escolha do gênero apropriado
para a ação em dada situação social localizada. Já as atividades são ações mediadas por objetivos específicos, socialmente elaborados por gerações precedentes e disponíveis para serem realizadas, usando determinados instrumentos para este fim construídos.
O primeiro ponto que se destaca no gênero é a regularidade do enunciado, pois, conforme nos afirma o autor, existe um formato pré- estabelecido no que tange ao tema, a estrutura e ao estilo, que são exatamente as dimensões apresentadas por Bakhtin.
Outro ponto de destaque é o pacto social prévio ao modelo do gênero, que é o fundamento para a parametrização ou padronização dos gêneros textuais, assim como um consenso social no que tange aos seus objetivos. Como exemplo dessa estabilidade, podemos citar a não aplicabilidade de uma mensagem de texto para comunicação com a autoridade judiciária, que só recebe qualquer manifestação dentro dos gêneros elencados como aptos à atuação na esfera judicial.
Destaque-se que a evolução atinge também os gêneros mais formais, e atualmente vemos petições de advogados não mais impressas e assinadas, mas aceitas em formato digital, encaminhada via protocolo eletrônico, no entanto entende-se como uma evolução do enunciado referente ao gênero petição, não podendo ser cumprida sua função porque qualquer outro gênero textual distinto.
Retomando a diferenciação entre atividade e gênero, podemos observar, de forma ilustrativa, que na atividade aula, o professor e os alunos fazem uso de inúmeros gêneros textuais: exposição oral, exposição escrita na lousa, debate, conversa, piada, advertência, leitura de textos, produção de relatório e tantos outros gêneros que podem estar presentes em uma sala de aula. Portanto, os gêneros se apresentam como a ferramenta que permitirá ao professor, realizar a troca de conhecimentos com seus alunos.
RESUMINDO:
Neste capítulo pudemos conhecer de forma mais específica o conceito de gênero textual. Após termos estudado o gênero acadêmico, observa-se que aquele é uma espécie de gênero textual, assim denominada em razão do ambiente onde se produz. Inicialmente, abordamos o debate teórico sobre as concepções de alguns expoentes do estudo da linguística, e como eles enxergam e conceituam os gêneros textuais. Neste contexto, o destaque para Mikhail Bathkin reflete a sua preponderância em todos os estudos e publicações cientificas sobre o tema: é dele o conceito mais difundido de gêneros textuais, que serve como base para inúmeras outras teorias acerca da temática. Ainda sobre a teoria bathkiniana, podemos conhecer as três dimensões do gênero textual, que são os elementos que qualificam o discurso e o encaixam em determinada categoria de gênero.
Como contraponto, apresentamos um pouco das ideias de Patrick Charaudeau, outro teórico estudioso da linguagem, que de forma contraposta, refuta e engrandece a discussão acerca do tema gênero textual.Na segunda seção, foi realizada uma retomada dos conceitos de linguagem e discurso, a fim de fundamentar a compreensão do conceito de gênero textual na prática, sendo apresentado o conceito correlato de atividade e estabelecido o paralelo de diferenciação entre esses dois conceitos que muitas vezes se confundem em sua função. Estabelecido o paralelo entre ambos, ressaltou-se a estabilidade do enunciado como sendo uma característica determinante do gênero textual, baseada nos três pilares estabelecidos na teoria de Bakthin: o tema, a estrutura e o estilo. Com essa abordagem, foram fornecidos os elementos conceituais básicos para que possamos, no próximo capítulo, destacar e analisar alguns gêneros mais usuais, aprofundando o estudo de suas características e, como dito, compreendendo o seu enunciado e aplicabilidade.
Os Vários Gêneros Textuais.
INTRODUÇÃO:
Após conhecer as particularidades do gênero textual, suas especificidades e elementos, vamos aprofundar nosso estudo conhecendo mais detalhadamente alguns gêneros mais conhecidos e utilizados, principalmente, e 7m sala de aula de ensino de língua estrangeira, já que a abordagem dos capítulos anteriores se limitou aos gêneros acadêmicos.
Vamos juntos?.
Os Gêneros Textuais Orais.
Nos capítulos anteriores pudemos observar que a fala é o mais antigo meio de comunicação dos seres humanos e o uso do aparelho fonador é uma habilidade compartilhada com outros seres vivos, como meio de comunicação.
Figura 7 : O gênero textual oral é o mais antigo meio de comunicação da humanidade.
Fonte: @freepik.
A articulação da fala, através do uso e emprego de expressões e palavras, é adquirido conforme há o crescimento e o desenvolvimento do ser humano, exemplo disso é o fato de que os bebês, ao nascerem, só possuem como código oral o choro, utilizado em momentos de desconforto a fim de enviar ao receptor uma mensagem alertando que algo não está bem.
Com o passar dos dias e meses, surgem os gritinhos, as risadas e o código vai sendo ampliado até então a esperada primeira palavrinha, e nessa toada, segue a evolução do orador.
Os gêneros textuais orais, contam com o apoio dos elementos extra e paralinguísticos para sua confecção, o que lhes confere um caráter de mutabilidade: nem sempre o que é planejado previamente corresponde ao que, efetivamente, será produzido oralmente.
No entanto, como estudamos no capítulo anterior, o enunciado do gênero textual é estável, e, ainda que esteja sujeito uma certa mutabilidade no seu conteúdo, a sua temática, estrutura e estilo devem ser mantidas, para que possa ser enquadrada como um determinado gênero textual.
EXPLICANDO MELHOR:
Em virtude da imensurável quantidade de gêneros orais existentes no nosso cotidiano, TRAVAGLIA (2013, pág. 5 e 6) nos apresenta uma categorização, como meio de apresentar, didaticamente, uma listagem de gêneros conforme a esfera humana onde eles são produzidos.
Obviamente, é um rol exemplificativo, não pretende limitar e listar todos os gêneros, servindo apenas como meio de visualização da amplitude de gêneros existentes. Veja a tabela a seguir:
Quadro 1 : Amplitude de gêneros
Esfera de Produção do
Gênero Oral Exemplo
Esfera das relações do dia a dia
fofoca, conversa, recados, repreensão, conselho, discussão, briga
Esferas do entretenimento e literária
filme, narração esportiva radiofônica/
televisionada (de jogos, corridas etc.), telenovela, adivinhação, música
Esferas escolar e acadêmica
avisos/comunicado, palestra/
conferência, exposição oral, arguição e defesa de dissertação ou tese
Esfera religiosa homília, sermão, celebração da palavra, pregação
Esfera militar comandos, instrução de comando Esfera médica consulta (a anamnese seria parte da
consulta), sessão de terapia
Esfera jornalística notícia, reportagem, comentário, entrevista
Esfera jurídica depoimento, defesa, acusação Esfera policial interrogatório, denúncia, depoimento
Esfera comercial e industrial
leilão (a fala do leiloeiro), atendimento de call center, transações de compra e venda
Esfera dos transportes navegação de vôo, cancelamento de vôo, informes/avisos orais
Esfera de magia leitura de mão, praga, leitura de cartas, simpatia
Esferas diversas
depoimento / relatos de experiência de vida, pedido (social = casamento e outras, comercial, etc.), agradecimentos, profissão de fé, dramatização.
Fonte: Adaptado de Travaglia (2013)
Após a realização dessa introdução, buscaremos abordar de forma individualizada um gênero oral de algumas esferas, caracterizando o seu enunciado através da temática, estrutura e estilo (BATHKIN, 1992).
Esfera de Relações do Dia a dia: Conversa
O gênero oral conversa é considerado gênero primário, em razão da espontaneidade envolvida no processo de interação comunicativa. No que tange as dimensões do gênero: tematicamente é voltada para assuntos de interesse cotidianos, estruturalmente é produzida na presença do interlocutor, com reação imediata deste, e possui estilo informal.
Esfera do Entretenimento e Literária: Música
O gênero oral música é considerado gênero secundário, em razão do formalismo típico dos elementos de arte. No que tange as dimensões do gênero: tematicamente é voltada para assuntos de interesse cotidianos, estruturalmente é elaborada de forma prévia, podendo haver mudanças quando representada ao vivo, resultado de interação com a plateia e no que refere ao estilo, pode ser informal ou formal, a exemplo de hinos.
Esfera Escolar: Exposição Oral
O gênero oral exposição oral é considerado secundário. No que tange as dimensões do gênero: a temática é direcionada ao assunto ministrado, estruturalmente é elaborado um roteiro de forma prévia, no entanto a exposição submete-se à intervenção dos receptores e o estilo é formal.
Esfera Jornalística: Notícia
O gênero oral notícia é secundário. No que se refere as dimensões do gênero: a temática é vinculada a assuntos da atualidade, estruturalmente é elaborada previamente com uso de discurso indireto e possui estilo formal.
Esfera Jurídica: Sustentação Oral de Acusação
O gênero sustentação oral é secundário, revestido de todo o formalismo típico do ambiente judicial. No que tange às dimensões do gênero: possui temática jurídica. Estruturalmente efetiva-se sob o formato de narração em terceira pessoa, com inserções de fundamentos legais e o estilo é formal.
Esfera Comercial e Industrial: Negociações
O gênero negociação é primário e possui as seguintes características no que tange às dimensões do gênero: temática negocial, relacionada a mercado, finanças e produção. Estruturalmente é produzida na presença do interlocutor, com reação imediata deste, e possui estilo informal.
Gêneros Textuais Escritos
Encerrando o nosso estudo sobre os gêneros textuais, abordaremos agora os gêneros escritos. Tão múltiplos quanto os gêneros orais, são dotados de uma particularidade que é a função de registro do discurso, não que os gêneros orais não possam ser registrados, afinal, com o avanço das tecnologias pessoais, atualmente tudo é passível de ser registrado, no entanto, como o objetivo do gênero escrito é registrar, existe um cuidado a mais no intuito de cumprimento dessa função acessória do gênero.
O avanço das tecnologias de comunicação ampliou consideravelmente o rol de gêneros escritos, e influenciou a formatação de muitos outros preexistentes, fazendo com que a linguagem escrita se adaptasse de forma magistral aos novos tempos.
Essa evolução também criou gêneros híbridos, segundo a definição de ISOLA (2006, pág. 67):
Ao lado dos gêneros que são, de certa forma, prototípicos, familiares do cotidiano, a que as pessoas recorrem para atingir objetivos, têm surgido novos gêneros a partir de transformações dos existentes. A mensagem eletrônica – o “email” – vem sendo citada por vários estudiosos como um gênero com
identidade própria que emergiu de uma forma híbrida de carta, telegrama, telefonema, vinculada às condições de produção tecnológicas e a uma comunidade discursiva que a utiliza para alcançar seus propósitos dialógicos.
Essa mesma definição aplica-se, por exemplo, às mensagens instantâneas, que se configuram como um híbrido resultante da mistura de uma conversa com texto escrito, um novo gênero que possui características e elementos próprios, atestando a evolução da comunicação concomitante com a preservação de gêneros clássicos convivendo em harmonia.
SAIBA MAIS:
Os gêneros textuais híbridos são uma realidade fruto da evolução da humanidade, repercutindo na linguagem. Esse tema, além de muito atual, é parte do cotidiano de todos nós e, portanto, é natural que sintamos uma curiosidade adicional sobre ele.
Pensando nisso, selecionamos alguns dos materiais bem interessantes sobre essa temática que, com certeza agregarão bastante ao estudo sobre os gêneros textuais.
No primeiro artigo, Discursos textuais e gêneros híbridos: desafios para o revisor de textos., a autora Eliene Vieira Santana aborda a repercussão dos gêneros híbridos na atuação dos revisores textuais.
Através de uma ótica mais técnica do tema, estabelece um paralelo claro sobre os gêneros tradicionais e esses inovadores, assim como apresenta alternativas para atuação dos profissionais da área. Acesso no link: https://
bit.ly/3exezXN
No segundo link, nós temos uma matéria do Diário de Pernambuco, na qual a hibridez do gênero textual “crônica”, não se apresenta em razão da inovação tecnológica, mas sim da fusão entre um texto informativo e um texto literário, gerando um híbrido sob outra perspectiva. Com certeza
essa leitura enriquecerá o seu estudo sobre essa temática correlata.
Acesso no link:https://glo.bo/36nV9kD
Neste contexto, resgatemos o contexto histórico da invenção da escrita e a sua função de registro de ideias, ao analisar de forma mais aprofundada, podemos afirmar, apoiados nas ideias de BATHKIN (2000) que os gêneros do discurso são criados pela humanidade e para humanidade, como forma de atender as necessidades comunicativas que surgiram ao longo de sua história, e, partindo dessa premissa, conclui- se que os gêneros escritos, além de comunicar, tem como objetivo o resguardo de ideias, o registro de teorias, que garantem ao autor um legado.
Nessa perspectiva, assim como se constata com os gêneros orais, são inúmeros os gêneros textuais escritos que foram criados ao longo da evolução da linguagem, e todos seguem a composição com base na teoria das dimensões de Bathkin, citada no capítulo anterior quando da abordagem dos gêneros orais: temática, estrutura e estilo.
Assim como ocorre na separação didática dos gêneros orais, montada sob esferas, na obra de Travaglia (2013), facilmente poderíamos elencar exemplos de gêneros escritos para cada uma delas. No entanto, deixaremos esse exercício para você, como um incentivo investigativo neste universo tão vasto que nos propicia a linguagem.
Nesse contexto, abordemos de forma individualizada alguns gêneros textuais escritos, de forma a conhecer com maiores detalhes a sua formatação e aplicabilidade prática, sendo esta última a grande razão de ser destas ferramentas linguísticas.
Esfera de Relações do Dia a dia: Correio Eletrônico.
Este gênero escrito, é um dos híbridos citados em nossos estudos. Baseado em sua flexibilidade de uso, atualmente o e-mail poderia ser classificado como um híbrido de primário e secundário. No entanto, didaticamente, considerando que ele se enquadra como uma carta eletrônica, se classifica como primário. A temática é cotidiana, a estruturalmente se assemelha a outros gêneros escritos da mesma esfera, e possui uma estrutura formada por vocativo-texto-despedida, e o estilo é informal.
Esfera do Entretenimento e Literária: Poema
Relacionado com gênero literário, o poema é um gênero secundário.
A temática é livre, mas possui uma estrutura bem definida, dividida em versos, estrofes e estribilhos, métrica e rima. Pode ter estilo formal ou informal.
Esfera Escolar: Resenha
Gênero secundário, com temática relacionada ao que busca descrever, a resenha possui uma estrutura composta por apresentação, análise e opinião, e o estilo é formal.
Esfera Jornalística: Notícia
O gênero oral notícia é secundário. No que se refere as dimensões do gênero: a temática é vinculada a assuntos da atualidade, estruturalmente
assemelha-se a uma narrativa com uso de discurso indireto e possui estilo formal.
Esfera Jurídica: Petição Inicial
Gênero escrito secundário, com temática jurídica, possui uma estrutura rígida e regulada por lei, onde o não atendimento dos requisitos enseja a sua não aceitação e o estilo é formal.
Esfera Comercial e Industrial: Contrato
Gênero escrito secundário, com temática jurídica/comercial, possui uma estrutura rígida e regulada por lei, onde o não atendimento dos requisitos enseja a sua não aceitação e o estilo é formal.
RESUMINDO:
Neste capítulo, nos aprofundamos no estudo dos gêneros textuais, compreendendo como eles cumprem uma função social, razão pela qual são criados pela e para a sociedade, adequando-se as necessidades de comunicação do cenário em que foram desenvolvidos.
Nos dois tópicos, abordamos de forma prática a composição dimensional da teoria bakhtiana, visualizando como ela se aplica a gêneros selecionados para essa abordagem individualizada, assim como foi trazido ao estudo a divisão didática em esferas de contexto humano, para possibilitar uma segmentação do vasto leque de gêneros existentes em nossa linguagem. No primeiro tópico, nos dedicamos a conhecer os gêneros orais, suas particularidades e elementos, e exemplificamos alguns dos mais usuais, como forma de apresentar a teoria aplicada na prática.
No segundo tópico, além de apresentar os gêneros escritos, conhecemos também os híbridos, fruto da evolução da linguagem, passando a seguir para a analise de exemplos como ocorreu com os gêneros orais.