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Repositório Institucional UFC: Vida dedicada ao trabalho e à militância por uma sociedade justa

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Academic year: 2018

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(1)

Vida dedicada ao trabalho e à

militância por uma sociedade justa

Entrevista com a vereadora Luizianne Lins, dia 19/12/96 Texto de Abertura:

Ju lia n a R o s a s S a lo m ã o P r o d u ç ã o , r e d a ç ã o , e d iç ã o e t e x t o final:

F e rn a n d a T e le s, K ik o B a r r o s e T a rc ia n o R ic a rto P a r tic ip a ç ã o : A d ria n o M u n iz .A le th é a M . L e itã o , C h a g a s C u n h a , F e rn a n d a T e le s. Jo a n a D u tra , Ju lia n a S a lo m ã o , K ik o B a rr o s .P a o la F o n s e ca , P a tríc ia A rru d a . R a m iro L o u tz , T a rc ia n o R ic a rto , V a ld é lio M u n iz . F o to : F ra n c is c o B a n d eira .

a ta 1 9 6 8 , u m a n o e te r n iz a d o n a

y

h is tó r ia d o p a ís . N a s r u a s , u m a g e r a ç ã o r e a liz a p a s s e a ta s , c o m a a lm a in c e n d ia d a d e p a ix ã o r e v o lu c io n á r ia . N o c lim a f e r v o r o s o d o s a n o s r e b e l d e s e is q u e n a s c e L u iz ia n n e d e O liv e ir a L in s . A g a r o tin h a , o r g u lh o d o s p a is , a le g r a a f a m ília e m m e io a o s c o n ­ tu r b a d o s m o m e n to s d e n o s s a h is tó r i a . A c r ia n ç a , n a s c id a e m b e r ç o d e d it a d u r a m i li ta r , e s t a v a d e s t in a d a a v i v e r c o m u m a in q u ie ta ç ã o s e m e lh a n te a d a j u v e n ­ tu d e d e 6 8 . O a n o q u e n ã o te r m i n o u r e ­ g is tr a v a o in íc io d e s u a h is tó r ia .

L u iz ia n n e c r e s c e u n a p e r i f e r i a , e n ­ tr e tid a c o m a s b r in c a d e ir a s d e c r ia n ç a . A b ic ic le ta n o v a q u e d iv id ia c o m o ir m ã o fo i s e u p r e s e n te m a i s m a r c a n te . G u io u s e u s p r im e ir o s m o m e n to s q u e s t io n a d o r e s d ia n te d e u m a r e a lid a d e p e r m e a d a p o r d if e r e n ç a s o c ia is . A g a r o ta d a d e s e u b a ir ­ r o , a d m i r a d a c o m u m b r i n q u e d o n ã o m u ito c o m u m n a s r e d o n d e z a s , a g lo m e ­ r a v a - s e a o s e u re d o r . T o d o s q u e r ia m d e s ­ f r u ta r d e u m p e q u e n o p a s s e io n a b ic ic le ta . I n tr ig a d a c o m a s itu a ç ã o , L u iz ia n n e s e r e s e r v o u n a q u e le m o m e n to a e m p r e s ta r s u a c a lo i a o s c o le g u in h a s . A in q u ie ta ç ã o , e n tr e ta n to , p e r s is tir ia n o s a n o s v in d o u r o s .

A a d o le s c e n te L u iz ia n n e f a z i a d e tu d o u m p o u c o . V e rs á til, o c u p a v a - s e c o m a s m a is d iv e r s if ic a d a s a tiv id a d e s . L o g o d e s c o b r iu o m o v im e n to e s tu d a n til, n o q u a l s e r ia m u ito b e m a c o lh id a n o s s e u s a n o s d e

"Gente épra Brilhar "Agente é da história " .

“A gente ” é noção de coletivo."Tudo ao mesmo tempo de uma vez só " é Luizianne Lins.

f o r m a ç ã o a c a d ê m ic a . A s le itu r a s a fiz e r a m c o n h e c e r M a rx . A id e n tif ic a ç ã o fo i im e d ia ta . O s id e a is s e fo r ta le c e ra m . T a n ta fo i a in f lu ê n c ia d o s c o n c e ito s a p r e e n d i d o s q u e L u i z i a n n e s e a u t o d e n o m i n a m a r x is ta e s o té r ic a . A te s te m u n h a d e J e o v á , q u e a n te s p r e g a v a a B íb lia d e c a s a e m c a s a , a c re d ita n a e n e r g ia q u e c a d a u m le v a d e n tr o d e si.

A f r e n te d e s e u s c o le g a s , p r e s id iu o C e n tr o A c a d ê m ic o T r is tã o d e A th a y d e n a lu ta p o r u m a m a io r q u a lid a d e d e e n s in o . N a d ir e tó r ia d o D C E ( D ir e tó r io C e n tr a l d o s E s tu d a n te s ) , L u iz ia n n e fe z b a r u lh o , in c o m o d o u m u i ta g e n te . V is a d a p e la p o ­ líc ia , fo i p e r s e g u id a n o s p r o t e s to s e m q u e e m p u n h a p a la v r a s d e o r d e m . N a d a f e z c a la r s u a v o z . N e m m e s m o a s a m e a ç a s c o n tr a s u a v id a .

L u iz ia n n e é a g u e rr id a . F ir m e e m s u a o p in iõ e s , n ã o te m e e m lu ta r p o r a q u ilo e m q u e s e a c re d ita . S e u e s p írito r e v o lu c io n á r io c r ê n a s p o s s ib ilid a d e d e m u ­ d a n ç a s. “ E s p e r o q u e n ã o fiq u e s ó n o p la n o d a u to p ia e q u e u m d ia a g e n te e n c o n tr e u m a s o c ie d a d e o n d e r e a lm e n te a s p e s s o a s s e ja m p le n a s e m to d o s o s p o n ­ to s d e v is ta ” . D iz -s e e x tr e m a m e n te ra c io n a l. A s p a ­ la v ra s, p o ré m , sã o d ita s c o m in te n s a p a ix ã o . A s m ã o s , q u e m u ito g e s tic u la m , d ã o m a is fo rç a a o s e u d is c u rso . S u a ju v e n tu d e c o m b a tiv a é e x e m p lo d e a d m ira ç ã o . T e m n o s e s tu d a n te s s e u s m a io r e s a p o ia d o re s.

P a r a a c a le n ta r o e s p írito e c u ltiv a r a a lm a d e g u e rr e ira b a s ta c o lo c a r e m s u a s m ã o s u m a c á m e ra . A im a g e m é o u tr a d e s u a p a ix õ e s . O s c u r s o s d e fo ­ to g r a fia e d e v íd e o , c o n c ilio u c o m a m ilitâ n c ia p o ­ lítica . V íd e o m a k e r p r e m ia d a , te m e m s e u c u r r íc u lo q u a tro c u r ta s - m e tr a g e n s f in a liz a d a s . A e x p e riê n c ia g ra tific a n te c o m o f o to g r a f a a f e z r e t o m a r ,já fo r m a d a , à s sa la s d o c u r s o d e C o m u n ic a ç ã o S o c ia l. É p r o f e s s o r a s u b s titu ta d a á r e a d e a u d io v is u a l. U m a n o v a f u n ç ã o e x e rc id a c o m a f in c o e d e te r m in a ç ã o .

A tr a je tó r ia d e v id a d e L u iz ia n n e é m a r c a d a p o r d e s a f io s . A c r e d it a q u e t u d o v a le a p e n a q u a n d o a a lm a n ã o é p e q u e n a . S e u n o v o p a s s o a c a b a d e s e r d a d o . A o s 2 8 a n o s , fo i e le ita v e r e a d o r a p e lo P T . S u a h is tó r ia n o p a r tid o in ic io u e m 8 9 . E s tu d a n te , p a r ­ tic ip a n te a tiv a d o m o v im e n to e s tu d a n til, L u iz ia n n e v e s tiu a c a m is a p e tis ta c o m o r g u lh o . S e m p r e s o u b e c o n c ilia r tr a b a lh o , m ilitâ n c ia e la z e r . A c a n d id a tu r a v ito r io s a a C â m a r a d o s V e r e a d o r e s fo i o r e c o n h e ­ c im e n to d e s u a d e d ic a ç ã o a s c a u s a d a s m in o r ia s . M in o r ia s q u e a a ju d a r a m a s e e le g e r c o m o a p r im e ir a v e r e a d o r a d o P T d e n o s s a c id a d e e a m a is b e m v o ta d a d o p a r tid o . O g r a n d e d e s a f io lh e d e ix a a p r e ­ e n s iv a . T u d o é m u ito n o v o .

(2)

Entrevista

Luizianne Lins

Entrevista

-

Luizanne. às véspe­

ras de você assumir uma das cadeiras

da Câmara Municipal de Fortaleza,

como está seu processo de avaliação

e preparação pra assumir essa rea­

lidade nova que vem ai pela frente?

Lu iz ia n n e - A c o is a q u e eu te n h o m ais falado ho je e m d ia é so bre isso. Eu d ig o q u e en trei e m c ris e m il v e z e s já , p o rq u e a fo rm a d e lid a r c o m as co is as, d e c o n s tru ir a p o lític a , eu sei q u e vai ser c o m p le ta m e n te d ife re n te d o q u e é hoje. E u a c h o q u e a s p e sso a s tra b a ­ lh am n is so d e u m a fo rm a b a sta n te d ife re n te d o q u e e u ta lv e z te n h a m e aco stu m ad o n o m o v im e n to estud an til e tal. E n tã o , isso e stá m e a ssu sta n d o um p o u c o , p o rq u e é co m o se e u d e s­ c o n h e c e sse a in d a a s fo rm as q u e as p e sso a s e s ta b e le c e m a d isp u ta , n é ? E na m inha av aliaçã o n ã o é das m elhores. E ntão , isso te m m c a ssu sta d o m u ito . A té m e sm o e ss a h is tó ria d e v o c ê está avaliando o papel de parlam entar. V ocê ag o ra te m q u e o c u p a r um e sp a ç o . T u - do q u e v o c ê fa z o u d e ix a d e fa z e r a c a b a se n d o re le v a n te d e a lg u m a form a. E n tã o , isso está m e d eix an ­ do m eio na expcctati va. Sei q u e vai ser um g ra n d e d e sa fio , v a i s e r um g ran d e d e sa fio .N à o s ó p o r q u e s e r p a rla m e n ta r d e v e s e r u m d e sa fio pra to d o m u n d o q u e assu m e , m a s tam b ém u m d e sa fio d o s m e u s li­ m ites, d a s m in h a s po ss ib ilid ad es. Isso aí é u m a c o is a q u e tá m e d e ix a n d o m u ito a p re e n siv a . E s­ tou n u m a e x p ectati va m u ito g ra n ­ d e p ra a ss u m ir e te n ta r fa z e r da m e lh o r fo rm a p o ssív e l isso.

Entrevista - Que tipo de propos­

tas concretas você tem em mente?

L u iz ia n n e - E ssa s p ro p o s ta s v ão vir, em p rim e iro lu g a r, d a s te m á tic a s qu e a g en te elegeu, c o m a s qua is a g e n te fez a c a m p a n h a e ta m b é m q u e n ó s v am os p ro s se g u ir c o m o u m a p e rm a ­ n en te e la b o ração d e p o lítica s p ú b licas liga da s a e ssa s área s. Q u e são as cin co p ro p o sta s: e d u c a ç ã o ; c u ltu ra ; a q u e s­ tão d a sex u alid ad e; a q u e stã o d a o p re s­ são c o n tra a s m u lh e re s — q u e stã o da m u lh e r d e u m a fo rm a g e ra l — e a q u e stã o d a ju v e n tu d e . E n tã o , faze ndo um a a v a lia ç ã o d e c a d a um a d e ssa s te m á tic a s a g e n te vai p o d e r d is c u tir p o lític a s p ú b lic a s. E u p o d ia , m a is ou m en o s, c ita r um a e m c a d a área . P o r ex em p lo , n a áre a d a e d u c a ç ã o , a g en te p e n sa e m d e m o c ra tiz a r o m á x im o e cad a v e z m a is a u m e n ta r o n ú m e ro de cria n ç a s n a s e sc o la s, te n d o e m v is ta a grand e d e fa sa g e m d e esco las q u e F o r­ taleza te m . F a z e ru m a d e n ú n c ia siste - m ática e p ro p o rin c lu siv e q u e a P refei­ tura v en h a faz er u m ce n so edu cacio nal pra g e n te te r n o ç ã o d e q u a n ta s c ria n ­ ça s e stã o fo ra d a e sc o la e m n ív e l m u ­ nicipal. U m a o u tra c o isa lig a d a à e d u ­

c a ç ã o é a g e n te tra b a lh a r n a p e rsp e c - tiv a a té de s e p e n s a r na e sc o la d e s e g u n d o g ra u p r o f ís s io n a liz a n te m an tid a p e la p ró p ria P re fe itu ra . A lém d e c u rs o s co m o o s q u e te m aq u i (re fe ­ rin d o -se ao p ro je to “ No y oV e stib u ­

la r” m a n tid o p e lo C e n tro A c a d ê m ic o do c u rso d e H istó ria d a U F C e dirig id o a o s a lu n o s d a s e sc o la s p ú b lic a s), q u e p o d e m se r o b je to s d e in ic ia tiv a d a p ró p ria P re fe itu ra . E ntão, v o c ê p o d e ­ ria te r p ro je to s d e ssa n a tu re z a q u e p u ­ d e ss e m e sta r se n d o o fe rta d o s p e la esc o la p ública . C o m re la ç ã o à c u ltu ra , a g e n te p en sa p rim e iro n um a lei m u n i­ c ip a l q u e in c e n tiv e a c u ltu ra . Isso aí é um a c o isa q u e é im p o rtan te , a g e n te v ê c o m o v a i fa z e r isso p e g a n d o o q u e há d e b o m n a s o u tra s le is e tira n d o o q u e h á d e ru im , te n ta n d o fa z e r da m e lh o r fo rm a p o ssív e l u m a lei q u e in c e n tiv e a C u ltu ra e m n ív e l m u n ic ip a l q u e a g e n te n ã o tem . U m a se g u n d a c o isa , p o r e x e m p lo , é p e n s a r q u e a s e sc o la s p ú b lic a s m u n ic ip a is, q u e ficam o c io

-“ S ei q u e v a i se r u m

g ra n d e d esa fio . N ã o só

p o rq u e se r p a rla m e n ta r

d e v e se r u m d esa fio p ra

to d o m u n d o q u e a ssu m e ,

m a s ta m b é m u m d e sa fio

d o s m eu s lim ite s.”

sa s n o s fin a is d e se m a n a , p o ss a m te r a p o ssib ilid a d e d e o fe rta rc u rso lig ad o a arte: fo to g ra fia , p in tu ra , d e se n h o ... P ra q u e g ra n d e p a rte d a ju v e n tu d e — p rin c ip a lm e n te n o s b a irro s d a p e rife ­ r i a — te n h a a p o s s ib ilid a d e d e s e p r o - fis s io n a liz a rn a s á re a s o n d e e la ach a q u e te n h a ap tid ã o , o u te m v o n ta d e ou q u e re m ap ren der. P orq ue n o rm alm en ­ te e ss e s a rtista s s e p e rd e m , n é ? M u i­ tas v e z e s, eles ap ren d em so z in h o s e s e p e rd e m p o rq u e n ã o tê m o p o rtu n id a ­ d e. M u ito c e d o , tê m q u e e n tra r no m e rc a d o de tra b a lh o e acab am s e p e r­ d e n d o . E n tã o , isso é u m a c o isa m u ito im p o rta n te p ra g e n te e stim u la r a c u l­ tu ra. V o c ê e stim u la r a c u ltu ra p e la b ase. F azer c o m q u e a s p esso as e x c lu ­ íd a s s o c ia lm e n te , n ã o se ja m ta m b é m e x c lu íd a s c u ltu ra lm e n te . P elo m e n o s v o c ê trag a a e ssa s p e sso a s u m a p o ss i­ b ilid a d e de e n tra r e m c o n ta to c o m a c u ltu ra , a té p o rq u e a g e n te c o m p re e n ­ d e q u e a c u ltu ra n ã o é só e v en to s. E la ta m b é m p a ssa p o r o u tra s c o is a s. E la p a s s a p e la p ró p ria q u e stã o d a id e n ti­ d a d e d a s p e ss o a s c o n sig o m esm as. V o c ê c o m p re e n d e v o c ê m e sm a , se u s se n tim e n to s, a su a re la ç ã o co m a vida.

A su a re la ç ã o tam bém c o m o a p ro fu n ­ d a m e n to d a su a sen sib ilid a d e . E n tã o , is so são c o is as m u ito im p o rtan te s q u e m u ita s v e z e s o p o d e r p ú b lic o d e sc o n ­ sid e ra . C o m re la ç ã o à q u e stã o d a s m u lh e re s, te m u m a in fin id a d e de p ro ­ p o sta s . E u p o d ia d e sta c a r a q u i a q u e s ­ tão d a d en úncia sistem ática e um aco m ­ p a n h a m e n to , um a fisc a liz a ç ã o d a s p o lític a s lig a d a s a q u e stã o da m u lh e r. A q u e stã o da v io lê n c ia , p o r e x em p lo , é e x tre m a m e n te g ra v e e m F o rta le z a , o n d e a g e n te sa b e q u e a D e le g a c ia d a s M u lh e re s n ã o fu n c io n a s a tisfa to ria ­ m e n te e d e ix a m u ita a d e se ja r c o m re la ç ã o ao tra ta m e n to d a d o às m u lh e ­ re s. T a m b é m se p e n sa n u m a u n id a d e d e saú de ligada exclusivam ente à q u es- tã o d a m u lh e r, ten d o e m v ista q u e m u lh er te m esp ec ificid ad es, in clu siv e e m re la ç ã o a q u e stã o d o s d ire ito s re p ro d u tiv o s , o fato d e re p ro d u z ir, d e p ro criar, d a m u lh er bio lo g icam en te te r d ife re n ç a s d o h o m em , n é ? A g e n te a c h a q u e o p o d e rp ú b l ico tam b ém te m q u e s e r re sp o n sá v e l p o r isso . N a á re a d a ju v e n tu d e , a g e n te p e n sa m e c a n ism o s q u e p u d e se m v ir a d e m o c ra tiz a r ou a té a a ju d a r o s jo v e n s a e n trar no m e rc a d o d e trabalho. Prim eiro, co m eçaria co m e sses c u rso sp ro fisssio n a liz a n te s, d e p o is a g e n te p o d e ria in c lu siv e e sta b e le c e r e stá g io s o u a lg u m a c o is a q u e o jo v e m tiv e sse a lg u m a p c rs p e c tiv a , te n d o e m v ista q u e n ó s v iv e m o s n u m a c id a d e c o m p ro b le m a s se riíssim o s d e v io lê n ­ c ia urb an a, qu estão d a s gangs. Isto é um a ju v e n tu d e e x c lu íd a q u e tá to ta lm e n te se m p e rsp e c tiv a . Is so faz c o m q u e cad a vez m ais a tend ên c ia s e ja a u m e n ta r, ten d o e m v is ta q u e o s p ró p rio s jo v e n s e stão q u e re n d o tra ­ b a lh a r e n ã o tê m o p o rtu n id a d e . E s e v o c ê te m p e ss o a s q u e j á tra b a lh a ra m e e stã o d e se m p re g a d a s, d a d o a s itu a ­ çã o g rav íssim a ec o n ó m ica q u e a g e n te se e n c o n tra — o m a io r d esem p reg o d a h is tó ria d e ss e P a ís — im a g in a o s j o ­ v e n s q u e a g o ra estão te n ta n d o e n tra r n o m e rc a d o d e trab alh o , m u ita s v ezes se m n en h u m tipo de ex p eriência e co m p e s o d e se re m d isc rim in a d o s p o rq u e sã o jo v e n s . Isso é u m a c o isa q u e a g e n ­ te v a i d a r u m a a te n ç ã o tam b ém e s p e ­ c ia l. U m a o u tra c o isa d iz re sp e ito à s e x u a lid a d e . A d isc u ssã o d a se x u a li­ d a d e n ã o é só um a d is c u ssã o d a g e n te lu ta r c o n tra a h o m o fo b ia , esse ó d io ao s h o m o sse x u a is ou p e sso a s q u e tê m orientação diferenciada d am aioria, né? M a s a g en te tam bém c o m p reen d e q u e o p o d e rp ú b lic o tem q u e fa z e r d is c u s­ sõ e s a lé m da q u e stã o e c o n ó m ic a e d a q u e stã o m e sm o d o c o tid ia n o d a s p e s ­ so a s n o n ív e l m a is c o n c re to . E u a c h o q u e é im p o rta n te q u e a se x u a lid a d e se ja v ista co m o u m a e sp é c ie d e e x ­ p re ssã o n a tu ra l d o s se re s h u m a n o s. E

N a s ele iç õ e s d e 9 6 . L u iz ia n n e s u r p r e e n ­ d e u . Foi a m ais b e m v o ta d a d e n tro d o seu p a rtid o e a p rim e ira m u ­ lh e r e le ita v e re a d o ra p e lo PT a q u i e m F orta ­ le za .

E m 9 2 , n u m a b rin c a ­ d e ir a d e s a g r a d á v e l, u m jo rn a lis ta d a c id a d e c o g ito u a c a n d id a tu ra d a 'L o ir in h a '. H o u v e a té a su g e stã o d e u m s lo g a n . "V o u p ra Câ­ m a ra c o m L u izia n n e '.

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Lu iz ia n n e d e O live ira Uns é fo rta leze nse , n as­ c id a a 18 d e n o v e m b ro d e 1 9 6 8 so b o s ig n o d e e s co rp iã o e d a d ita d u ­ ra m ilita r. T e m três ir­ m ã o s: Sérgio, Sa m u el e S an d ro.

L u iz ia n n e e s tu d o u a té a s e g u n d a sé rie p rim á ­ r ia n o E d u c a n d á r io G íg ia T o le d o . D e p o is p a sso u p a ra o C o lé g io 7 d e S ete m bro , o n d e c o n c lu iu os e s tu d o s se cu n d a rista s.

50

p o r is s o e la n ã o p o d e s e r tratad a c o m o a c o n te c e , o n d e v o cê tem crim es im p u ­ n e s c o m r e la ç ã o a o s h o m o sse x u a is . C rim e s in c lu siv e c o m traç o s d e b a rb a - rid a d e , q u e é e x a ta m e n te o q u e se c h a m a d e h o m o fo b ia . T am b ém p ro ­ g ra m a s q u e v is em a e sclarecer a p o p u ­ la ç ã o s o b r e as d o e n ç a s se x u a lm e n te tra n sm issív e is . E u se m p re d ig o q u e p a re c e q u e a g e n te s ó te m p o ssib ilid a ­ d e d e p e g a r A ID S n o C arn av al,p o rq u e a s c a m p a n h a s d e p re s e rv a tiv o s n o r­ m a lm e n te se c o n c e n tra m no C arn aval. P a re c e q u e as p e ss o a s s ó tra n sa m no C a rn a v a l, (riso s )

Entrevista -

Você acha que tem

condição realmente de essas propos­

tas se concretizarem? Eu estou per­

guntado isso porque não depende só

de você, a Câmara é formada por um

grupo, e todas as decisões giram em

tom o desse grupo. Como é que ê isso?

L u iz ia n n e - É a p rim e ira c o isa q u e v o c ê s e d e p a ra q u a n d o ta lv e z q u e ira a lg u m a c o isa q u e a m aio ria não q u e r. M a s eu a c h o q u e a m aio ria m es- m o é o p o v o , é a p o p u la ç ã o . A cho q u e a g e n te te m q u e e n co n trar m e­ c a n is m o s d e m o s tra r à po p u la çã o , c o n v e n c e r a s p e sso a s q u e elas têm q u e d a r d in â m ic a à C âm ara M u n i­ c ip a l e n ã o a C â m a ra M u n icip al d a r d in â m ic a à v id a d ela s.

Entrevista - Interrompendo

sua resposta, mas não deu pra re­

sistir. Isso não é meio utópico,

diante da rotina que a gente quan­

do vai lá na Câmara e fica obser­

vando os procedimentos, as audi­

ências e as postergações das pro­

postas? Isso não é discurso de cam­

panha política?

L u iz ia n n e - N ão . U tó p ic o ? ! C e r­ ta m e n te . A ssim , m e c o n sid e ro um a p e s s o a u tó p ic a . E u a c h o q u e a uto p ia é o q u e m o v e , é o d esejo . E se m p re a g e n te c o n se g u e e sta r pro d u zin d o m ais e a v a n ç a r n a s d isc u ssõ e s, q u a n d o c a r­ re g a e ss a u to p ia q u e a s c o is a s p o d em m e lh o ra r. M a s u m a c o isa P a o la , q u e é u m a c o is a c o n c re ta , p o r ex em p lo , q u e a c o n te c e u a g o ra é q u e foi ap ro v a­ d o o P ro je to d e In ic ia tiv a P o p u la r. É q u e a g o ra 5 % d a p o p u la ç ã o , d a c id ad e o u d e d e te rm in a d o b a irro , o n d e te n h a d ete rm in a d o p ro jeto d e lei pra lá, pod e, a tra v é s d e um p ro je to q u e s e cham a de In ic ia tiv a P o p u la r, d a r en tra d a n a C â­ m a ra M u n icip al in de pe nd ente d e qual - q u e r v e re a d o r. A in d a te m p rio rid a d e s o b re o s v e re a d o re s e te m tam bé m um p ra z o p ra s e r v o ta d o . E m 6 0 d ia s tem q u e s e r a p re c ia d o , p o rq u e se não entra n a p a u ta a s e r v o ta d a p e lo p le n ário .

Entrevista -

Isso aí seria um dos

mecanismos que vocêfalou, de parti­

cipação popular?

L u iz ia n n e - É u m d o s m e c a n is ­ m os. E u acred ito q u e u m d o s m e c a n is­ m o s q u e a g e n te vai s e u tiliz a r é e sse aí. P o rq u e , se te m p e ss o a s q u e re n d o , no c a s o d o p a p e l d o v e re a d o r, d a v e ­ re a d o ra , é e x a ta m e n te d e s e p o d e r s e r o p o rta -v o z d is so . M as, a lé m d is so , tam bém te m o fato d e v o c ê fo rm ar um a o p in iã o p ú b lic a . P o rq u e a c re d ito na lu ta p o lític a . E u a c re d ito q u e , m u ita s v e z e s, v o c ê te m q u e ir p r o c o n fro n to , p o rq u e se n ã o a s c o is a s n ã o a c o n te ­ cem . E n tã o eu a c h o q u e is so ta m b é m v a i te r q u e aco n te c e r: p ro c e s s o de m o b ilização p ra q u e os v e re a d o re s ou as v e re a d o ra s p o ssa m c o m p re e n d e r o q u e a p o p u la ç ã o q u e r, e q u e e la s n ã o p o d e m re s trin g ira d e c isã o d a q u ilo o u d a q u ilo ou tro a eles m esm o s. N o rm a l­ m e n te , o s p o lític o s e stã o m u ito p r e o ­ c u p a d o s co m su a im a g e m , p o rq u e q u e re m s e r v o ta d o s, q u e re m c o n tin u ­ a r no p o d e r. E n tã o , q u a n d o v o c ê n o ta que algum as coisas co m eçam a d e sg a s- ta r a im ag em d o s p o lític o s, e le s r e ­ c u a m . E assim q u e e u a c h o q u e a d e ­ m o c ra c ia tam b ém d e v e fu n cio n ar. E u

“O P a rla m e n to é u m a

p a rte d a lu ta, e n ão é a

ú n ic a fo rm a d e lu ta.

E n tã o , essa p a rte d a

in stitu cio n alid ad e d ev e

ser c o lo c a d a ta m b é m c o m

o u tras c o isa s.”

ac ho q u e a s p esso as tê m q u e sa b e r q u e q u e m m a n d a , q u e m d e v e re a lm e n te m a n d a r e d irig ir o d e stin o d o P o d e r L eg islativ o ou d o P o d e r E x e c u tiv o é a m aio ria da po p u laçã o . P o r isso , q u e eu esto u falan d o siste m aticam en te d e sd e q u e so u b e , a n te s m e s m o n o p ro c e s so d e c a m p a n h a j á fa la v a , a g o ra te n h o fa la d o m a is a in d a, q u e a g e n te vai c o lo c a r a q u e stã o d o o rç a m e n to p a rti­ cip ativ o . E u j á e sto u ven d o , in c lu siv e , re to m o d is so . M u ita g e n te te m c o lo ­ ca do sistem aticam en te o rç am en to p ar- tic ip a tiv o n a c id a d e . N ã o a d ia n ta o p re fe ito d iz e rq u e o o rç a m e n to foi fe i­ to d e fo rm a d e m o c rá tic a , foi fe ito s e ­ m in á rio n ão sei a o n d e . S e q u e r fa z e r re a lm e n te p a rtic ip a tiv o te m q u e c h a ­ m a r a p o p u la ç ã o p ra d iz e r q u e p rio ri- d a d e e la q u e r. E ntão eu tenho dito m uito is to e já te n h o visto um ce rto re to m o em relação a isso aí, d e alg um as p esso as tam bém estarem com prand o essa idéia. E e u acho que isso é u m a coisa m uito im ­ portante. E ntão, e u a c h o q u c a g e n te vai, tatea nd o m as vai, p o rq u e se a g en te ac re d ita r q u e as co isa n ão vão m u d a r aí que e la s n ão m u d am n u nca , né?

Entrevista-Luizianne. você falou

que os políticos se preocupam muito

com sua imagem. E a vereadora

Luizianne?

L u iz ia n n e - A té a c h o q u e so u um p o u c o v a id o s a (riso s). M a s n ã o sou m u ito n ã o ...

Entrevista

- Não é de se envaide­

cer...

L u iz ia n n e - Q u a n d o eu fa lo n a im a g e m isso ta m b é m en tra. In clusiv e, u m a c o is a q u e e u fa lo m u i to é : c o m o é e ssa re la ç ã o d o s q u e e stã o n o p o d e r c o m o p o d e r e d o s q u e n ã o e s tã o n o p o d e r c o m o p o d e r. Isso é u m a c o isa q u e te m m e d e ix a d o m u ito c u rio sa , te n h o o b se rv a d o m u ito isto . C o is a p ra m im q u e m e le v a a fa z e r p ro fu n d a s re fle x õ e s so b re a v id a, s o b r e a v id a m e s m o , n é ? P o rq u e e ss a h is tó ria do p o d e r p ra m im — g o sto m u ito d e d iz e r is so , q u e é u m a c o is a q u e tá c a d a ve z m a is c la ra p ra m im — é u m a co isa m u ito p a ss a g e ira , m u ito e fe m e ra . Po­ d e r n ã o é in d iv id u a l. E u n o to q u e as p e ss o a s a ssu m e m d e te rm in a d a s p o si­

(4)

Entrevista

Luizianne Lins

in su p o rtá v el: v io lê n c ia no trâ n sito : a q u e stã o m esm o d a v io lê n c ia u rb a n a , um a c o isa im p re ssio n a n te ; a m isé ria tão assu sta d o ra..

Entrevista - Luizianne, quando

você fala dos problemas de Fortaleza,

você cita a violência urbana ou entào

fala do saneamento. São problemas

ma is concretos, digamos assim, em

que se teria mais facilidade de levar

propostaspra Câmara, né? Aí quan­

do você fala de lutar contra a homo-

fobia.fico imaginando de que forma

isso poderia ser levado pra Câmara,

jâ que lá as coisa funcionam de uma

forma realmente burocrática, ou seja.

discussões, projetos de lei... De que

forma vocêpretende efetivar essa sua

luta dentro da Câmara?

L u iz ia n n e - B om , e u a c h o q u e o Parlam en to tem alg u m as fu n çõ es b e m d efinida s. A ch o qu e ele te m q u e serv ir c o m o um fisc a liz a d o r d o E x e c u tiv o , tem q u e fu n c io n a r na e la b o ra ç ã o d e le is e tam b ém te m q u e fu n c io ­ nar estabe lece ndo a c o m u n icação c o m a p o p u la ç à o .V a ise ra p rim e i- ra p arte de co m un icaç ão q u e voc ê vai n o ticiar, vo cê vai to m a r p ú b li­ c o d e te rm in a d a s c o is a s q u e a té e n tã o p a ssa v a m e m b ra n c o . P o r e x em p lo , e sto u m e re fe rin d o es- p e c ific a m e n te à e ssa q u e stã o d a ho m o fo b ia . V o cê dá um a am p lia ­ ç ã o m u ito m aior. A p ró p ria p re ­ feitu ra , n o caso e m q u estão , ad o te m eca n ism o s, p o re x e m p lo , d e p u - n iç ã o a o s re sp o n sáv eis p o r c rim e d e h o m o fo b ia , o n d e o p o d e r p ú b lic o pa sse a te r um a responsabilidade m aio r s o b re o s aco n te c im e n to s. E aí, o u tra s c o is a s, p o re x e m p lo , q u e a ju d a m isso é a e d u c a ç ã o sexual n as esco las. V o cê p o d e a tra v é s d a C â m a ra M u n ic ip a l p ro p o r q u e a s esc o la s m u n ic ip a is c o ­ m e c e m d e sd e já d is c u tin d o s o b re a e d u c a ç ã o sex u al. P o rq u e um d o s p ro ­ b le m a s — essa c o isa d e fo rm a d a e m relação à sexu alidade— é de vido a g en ­ te n ão te r n en h u m p rep aro , p o rq u e u m único p rep aro q u e a gen te tem é d e um a c u ltu ra já d efo rm ad a so b re se x u a lid a - de, q u e tá sen d o re p ro d u z id a e a g e n te vai in co rp o ra n d o . Ai a c a b a q u e a s o ­ c ie d a d e co m e ç a a p ro d u z ir e ssas m a ­ z e la s, e ssa s ferid as q u e n ã o vem d o na d a, elas vê m a p a rtir d e u m a sé rie d e co is as. E n tão eu a ch o q u e o p o d e r p ú ­ b lico tem c o m o interferir. E u a ch o q u e a h o m o fo b ia foi só um ex em p lo . M as, p o r e x e m p lo , e ssa q u e stã o , a in d a s o ­ b re a sex u a lid a d e , lig a d a à A ID S . O s p o sto s d e sa ú d e p o d e ria m e sta r d istri­ bu in do preserva tivo s de fo rm a reg u lar o u siste m ática pra d e te rm in a d o s se to ­ res d a p o p u la ç ã o q u e n ã o tê m c o m o c o m p ra r. N ão ad ia n ta d iz e r q u e p ra n ã o p e g a r A ID S te m q u e u sa r p re s e r­ v ativ o , te m q u e u sa r c a m isin h a , s e a

c a m isin h a é c a ra . N e m to d o m u n d o te m c o n d iç ã o d e c o m p r a r c a m isin h a .

Entrevista - Nesse seu projeto de

publicização que vai ocorrer na Câ­

mara. que dificuldades você acha que

pode enfrentar?

L u iz ia n n e - V ic h e ! E u a c h o q u e to d a s as d ific u ld a d e s d o m u n d o v ão a p arecer. L o g ic a m e n te , e u n ã o p o sso d iz e r q u e na C â m a ra só tem g e n te m au c a rá te r. E x iste m p e ss o a s sé ria s em o u tro s p a rtid o s. E n tã o tê m p e sso a s q u e a gen te p re c isa b u scar, co n v ersar. P e sso a s q u e tê m u m a re la ç ã o c o m o p o d e rd ifc re n c ia d a , c o m o L eg islativ o to ta lm e n te d ife re n c ia d a . P e sso a s q u e e stão d is p o sta s re a lm e n te a fa z e r um a c id a d e m elh o r, a ju d a r a c o n stru ir um a c id a d e m elh o r. E n tã o , as d ific u ld a d e s v ã o se d a re m d iv e rso s n ív eis: d esd e as p e sso a s q u e v ão se in c o m o d a r c o m o q u e está se n d o a n u n c ia d o — isso aí é a té m u ito ó b v io — , a té m e s m o h á a

p o ss ib ilid a d e d e to d o os m e u s p ro je ­ to s n ã o se re m a p ro v a d o s n a C â m a ra M u n ic ip a l, e m v irtu d e d a s p e sso a s n ã o co n co rd arem , n ã o a c e ita re m . E n ­ tã o eu ac ho q u e d ific u ld a d e s v ã o ser in ú m era s. M a s ta m b é m n ã o é p o r isso q u e n ó s não v am o s o c u p a r d a m e lh o r fo rm a p o ss ív el o P a rla m e n to . A n o ssa c o m p reen são d e o c u p a r o P arlam en to é a seg uinte: n ó s n ã o p o d e m o s só estar n o P a rla m e n to . A c a b a se n d o o erro d o s p a rla m e n ta re s d e e sq u e rd a q u e se e le g e m , a c h a r q u e o P a rla m e n to se e sg o ta n e le m e s m o e p ro n to . N ão! T em q u e v e r c o m o é q u e vai sin to n izar a s lu ta s so c ia is, o s m o v im e n to s s o c i­ a is , as lu tas p o lític a s q u e e stã o a c o n ­ te c e n d o fo ra d a C â m a ra M u n ic ip a l. P o rq u e o p o d e r p o lític o n ã o e stá na C â m a ra M u n icip al, está n a so cied ad e, n a s o rg a n iz a ç õ e s d a so c ie d a d e c iv il, n a s c o m u n id a d e s, n o s b a irro s , n a s fa v e la s, n a s re s id ê n c ia s. E n fim , são v á ria s o u tra s fo rm a s d e o rg a n iz a ç ã o . E ntào , eu acho q u e a s d ific u ld ad es vão s e r m u ita s, m a s a c h o q u e a s p o s s ib i­ lid a d e s ta m b é m . A in d a b e m q u e as possibilidades ca m in h am à s v e z e s ju n ­ ta s co m a s d ific u ld a d e s, n é ? V o c ê às v ezes vê ali um a b rig a, m ais além você co m e ç a a d e sc o b rir n o v a s fo rm as.

Entrevista -

Você não tem medo de

resistência de seus colegas vereado­

res com relação a isso? Porque vai

envolver todos eles no projeto de

publicização. Não teme essa resistên­

cia que possa surgir ?

L u iz ia n n e - N ão . C o m o eu lhe dis se, ac ho q u e ex is te m p esso as sérias lá. E u a ch o q u e, n a v erd ad e, o co m p ro ­ m isso m a io r vai s e r c o m a p o p u la ç ã o . A c h o q u e a p o p u la ç ã o , m u ito e m b o ra c o m d ificuld ad e, vai te r cap acid ad e d e ju lg a r. Ju lg a r a tra v é s d o v o to s e essas p e ss o a s sã o re a lm e n te p e ss o a s q u e m erece m estar lá rep resen tand o o povo d e F ortale za.

Entrevista - Luizianne, além da

dificuldade que você vai terna Câma­

ra Municipal, o teu mandato tem uma

característica bem peculiar que é a

questão de ter sido um mandato.já na

sua essência, coletivo. Ele já começa

na construção do nome da Luizianne.

na construção das propostas da

campanha “GenteÉPràBrilhar",

uma questão coletiva. Isso em

nível de campanha, de certo modo.

já fo i superado. Como é isso em

nível de mandato? Como é fazer

um mandato coletivo?

Luizianne

- B o m , é b a sta n te trabalh oso , p o rq u e a dem o cracia é re a lm e n te d ifíc il. V o c ê re sp e ita r a s d ife re n ç a s é v o c ê re a lm e n te re s p e ita r a s d ife re n ç a s. N ã o a d i­ a n ta se r d e m o c rá tic o só e n q u an to lh e fa v o re c e , m as d e p o is em o u ­ tro s m o m e n to s n ã o se r. É um p ro c e s so m u ito ric o e lh e e n sin a m u i­ to, sab e? E ntão, desd e o co m eç o , com o v o c ê m e sm a d iz , Jo a n a , fo i le v a d o de fo rm a coleti va. E um g ru p o de p esso as lig ad as ao PT o u p esso as q u e n ão eram d o PT . P e sso a s q u e a b ra ç a ra m a c a m ­ p a n h a e q u e a té h o je e stã o d e c id in d o o s ru m o s d o m an d ato . O m a n d a to vai te r um a sé rie d e in s tru m e n to s d e d e ­ m o c ra tiz a ç ã o . V ão s e r p le n á ria s, e n ­ c o n tro s a b e rto s p ra q u e as p e sso a s p ro p o n h a m . O n o sso p la n e ja m e n to v a i s e r p ra q u e m q u is e r p a rtic ip a r. A g e n te v a i c o n v id a r p ro fissio n a is lig a ­ d o s a d iv e rsa s á re a s p a ra fo rm a r g ru ­ p o s d e tra b a lh o q u e p o ss a m in te rfe rir d ire ta m e n te n e s s e m a n d a to . E nfim , c o m p re e n d e r q u e e sse in stru m e n to d o s m a n d a to s c o le tiv o s — d a s p e ss o ­ as e s ta re m p a rtic ip a n d o , te n d o p o d e r d e o p in a r— é re a lm e n te u m a m eta. É c o m o s e cu n ã o a c re d ita sse q u e ex is ta p o ss ib ilid a d e d e c o n s tru ir u m a p o lí­ tic a d ife re n te d isso d aí. E u a c h o q u e te m q u e se r ra d ic a l na c o n stru ç ã o d a dem ocracia.

Entrevista - Quando a gente fala

em mandato coletivo, agente pressu­

põe que são várias pessoas e existe

uma série de diferenças. Como existe

r

“(...) E u m a c o isa m u ito

im p o rtan te p ra g en te

estim u la r a c u ltu ra . (...)

F a z e r co m q u e as p e sso a s

ex c lu íd as s o c ia lm e n te ,

não ta m b é m se ja m

ex clu íd as c u ltu ra lm e n te .”

A vid a a g ita d a n ã o é e x clu s iv id a d e d a ve re a ­ d o r a . A a d o le s c e n te L u iz ia n n e e ra elétrica. Fez b a lé, e s tu d o u in ­ g lê s . j o g o u f u t e b o l, b a s q u e te ...

Para ser p re s id e n ta d o DC E p e la ch a p a Cora­ ções e M entes. Luizian ­ n e d is p u to u c o m o u tra s três. P a ra Je lam en te à g e stã o , a ss u m iu u m a d as d ire tó ria s d a UIME.

(5)

D u r a n t e d o i s a n o s, Lu i z i a n n e f oi Se c r e t á- r i a d e J u v e n t u d e d o PT. N a é p oc a, d e ssa e n t r e ­ vist a. el a er a C o o r d e ­ n a d o r a Est ad u al d e M u ­ l h e r e s d o se u p ar t i d o .

At é o s 2 0 anos. Lu i zi an ­ n e m o r o u n u m sít i o a o l a d o d a c asa d o s a v ó s n a M a r a p o n g a . "Lá e r a e st r ad a d e p i çar r a, t i­ n h a m u i t o m at o. p a r e ­ ci a q u e e u m o r a v a n o i nt er i or . "

52

p o r e x e m p lo n o P T. V o cê te m v á r ia s c o r r e n te s q u e d iv e r g e m e n tr e s i c o m r e la ç ã o a a lg u m a s co is a s . V o cê n ã o a c h a q u e a s d iv e r g ê n c ia s p o d e m in v ia b iliz a r a lg u m a c o is a n e s s e m a n ­ d a to c o le tiv o ?

L u i z i a n n e - D en tro d o p ró p rio P T q u e v o c ê d iz?

E n tr e v is ta - N ã o , d e n tr o d o s e u m a n d a to , d o p r ó p r io g r u p o

L u iz ia n n e - N ã o , s e m d ú v id a . V ai te r se m p re um m o m e n to o n d e v o c ê v ai p a ra r e v ai te r q u e d e b a te r a s d ife re n ç a s. V ai se c ria r u m c o n se n s o , o u e n tã o o g ru p o esco lh er u m ca m in h o a se g u ir. V o c ê p o d e te r d iv e rg ê n c ia , m a s v o cê p re c is a te r u n id a d e d e a ç ã o p a ra q u e as c o is a s fu n c io n e m . E n tã o isso q u e é im p o rta n te . É im p o rta n te e sta b e le c e r u m c o n se n s o d e q u e v o c ê p re c isa d e u n id a d e e m d e te rm in a d a s c o is a s, m u ito e m b o ra n e m to d o m u n ­ d o te n h a a m e s m a o p in iã o . É v o c ê e q u ilib ra r e s s e p ro c e s so d e d ife re n ­ ç a s , ao m e sm o te m p o q u e e ss a s d ife re n ç a s n ã o p a ra lise m as c o i­ sa s, elas tra nsfo rm em e m aç ão , em a ç ã o con creta.

E n tr e v is ta • E u q u e r ia s a b e r q u a l é a s u a p o s tu r a c o m r e la ç ã o a a lia n ç a s fe ita s co m s e to r e s rnais c o n s e r v a d o r e s . S e v o c ê a c h a q u e e s s a s a lia n ç a s s ã o p o s s ív e is s e visem o b e m co letiv o . E c o m o o P T e n c a r a e s s a a lia n ç a s ?

L u iz ia n n e - O n o ss o p a rtid o é m u ito rico p o rq u e e le é u m p a r­ tid o e x tre m a m e n te d e m o c rá tic o d o p o n to d e v is ta in te rn o . A g e n te p o d e d iz e r q u e e x is te m d is c u ssõ e s, a s p e s s o a s têm v ário s p e n s a m e n to s , d e v á rio s g ru p o s p o lític o s d e n tro d o p a rtid o . E isso aí p ra n ó s é u m a c o is a sa lu ta r. M a s d e n tro d o p a rtid o ta m ­ b é m e sses g ru p o s se d iv id e m e m re la ­ ç ã o à c o m p re e n sã o d a e stra té g ia , d a tá tic a d e c o n stru ç ã o p a rtid á ria . T em g ru p o s n o P T q u e a c h a m q u e o P T p ra g o v e rn a r p re c isa d e a lian ça d e cen tro - e sq u e rd a . P re c isa e stá c o m a lg u n s p a rtid o s q u e e le s a v a lia m q u e s ã o fu n d a m e n ta is p a ra o p a rtid o p o d e r se su s te n ta r n o g o v e rn o . T em o u tro s s e ­ to re s q u e a ch am q u e n ã o . E ssa s a lia n ­ ç a s n ã o d e v e m s e r feita s, o u a in d a d e v em s e r feitas so m e n te q u an d o v oc ê tem p o ssib ilid a d e real d e faz er alian ça p a ra im p le m e n ta r o se u p ro je to .

E n tr e v is ta - M a s c o m o v o c ê s e p o s ic io n a ?

L u iz ia n n e - E u n ã o vi a in d a , e m n e n h u m m o m en to , a o p o rtu n id a d e d e a lia n ç a s c o m o P S D B e o P M D B . O P S D B e o P M D B n a m in h a a v aliação , h o je , sã o p a rtid o s q u e n ã o estão co n s­ tr u in d o p ro je to n e m s e q u e r p a re c id o c o m o p ro je to d e m o c rá tic o e p o p u la r

q u e o PT q u e r c o n s tru irp ra so cie d ad e. E m a is ain da , hoje, este p artid o (PSD B ) e stá a fre n te d e u m p ro je to d e g lo b a li­ za çã o . Pro j eto q u e e s tá s e d e se n h a n d o em nível m u nd ial, q u eestá glo balizando m esm o é a m isé ria. E n tã o , e s s e p a rti­ d o , a tra v é s d o p re s id e n te F e rn a n d o H e n riq u e C a rd o so , e s tá s e n d o o p o r ­ ta -v o z d e s s a a v a s s a la d o ra o n d a d e n e o lib e ra lim so q u e e stá a s s o la n d o o País. E n tã o , c o m o é q u e aq u i n o C ea rá , p o r e x e m p lo , n ó s v a m o s n o s c o lig a r co m o P S D B p ra fo rta le ce r u m p ro je to q u e e m n ív e l n ac io n a l n ó s te m o s g ra n ­ d e s d iv e rg ê n c ia s ? E e m n ív e l e sta d u a l ta m b ém . A lg u m a s p e sso a s d e fe n d e m a lian ça c o m o P S D B d iz e n d o : “ N ã o , a g e n te tem q u e tá , p ra p o d e r s u s te n ta r o g o v e rn o ” . E n tã o e sta ria fo rta le c e n ­ d o u m p a rtid o q u e e stá n a d ire ita m e s m o , p o rq u e é u m p a rtid o q u e e stá tra ç a n d o a p o lític a q u e tá e n ã o v ai c o n trib u ir p a ra o P T re s o lv e r, o u im ­ p le m e n ta r a s su a s re a is m e ta s : E n tã o , eu a c h o q u e a alia n ça é a p a rtir daí.

Faz-se a lia n ç a , o im p o rta n te é a a lia n ç a p o rq u e n e n h u m p a rtid o d e té m a v e r­ d a d e s o z in h o . O P T n ã o d e té m a v e r­ d ad e só , o u q u a lq u e r o u tro p a rtid o n ã o d etém . V o c ê te m q u e fa z e r a s a lia n ç a s q u e c o n trib u e m p ra te r e x a ta m e n te e ssa p lu ra lid a d e , e s s a d ife re n ç a . M as e ssa a lia n ç a n ã o p o d e s e r u m e n tra v e p ra q u e a s c o is a s p o s s a m a c o n te c e r.

E n tr e v is ta - V o cê a d m ite e s s a p o s s ib ilid a d e d e u n iã o ?

L u iz ia n n e - C la ro , p o r q u e n ã o ? N ão e sto u fa z e n d o a lia n ç a p r a a b rir m ã o d o s m e u s p rin c íp io s. E sto u fa ­ ze n d o a lian ça tá tic a p ra v o ta r d e te rm i­ n a d a c o is a o u q u a lq u e r o u tra c o is a d e ssa n a tu re z a . M a s s ã o c o is a s j u s t i ­ fica d a s d e n tro d e ss a d in â m ic a p o líti­ ca. A C â m a ra M u n ic ip a l é e s p a ç o le ­ g islativ o , q u e r d izer, é co m p leta m en te d ife re n te e sse tra ç o c o m o E x e c u tiv o , a d in â m ic a d o P o d e r E x e c u tiv o .

E n tr e v is ta - E u q u e r ia f a l a r u m p o u c o d a s u a ca m p a n h a , in d e p e n d e n ­ te d e q u e m v o to u e m vo cê. P r a q u e m er a a q u e la c a m p a n h a ? Q u e m e r a q u e v o c ê q u e r ia s e n s ib iliz a r c o m a c a m ­ p a n h a " G e n te é p r a B r ilh a r ”?

“A d isc u ssã o d a

s e x u a lid a d e n ã o é só (...)

lu ta r c o n tra a h o m o fo b ia ,

e sse ó d io c o n tra o s

h o m o sse x u a is o u p e s s o a s

q u e tê m o rie n ta ç ã o

d ife re n c ia d a d a m a io ria .”

L u i z i a n n e - É , is so tra z u m p o u ­ co d a m in h a p ró p ria traje tó ria d e vida. O p u b lic o -a lv o d a c a m p a n h a se ria o s jo v e n s , a ju v e n tu d e , n é ? A té p o rq u e eu fui s e c re tá ri a d a ju v e n tu d e n o PT, d u ra n te d o is a n o s . E , d u ra n te m u ito te m p o , m ilite i n o m o v im e n to d e j u ­ v e n tu d e e s tu d a n til. A e stu d a n ta d a s e m p re fo i u m s e to r q u e tra v o u um a lu ta c m d e fe s a d a ed u ca çã o . A c h o q u e a g e n te ta m b é m te n to u fa lo u co m as m u lh e re s , p e lo fa to d e s e r a p rim e ira v e z q u e o P T e le g e u m a v e re a d o ra em F o rta le z a . T a m b é m q u e ría m o s fa la r c o m a s m in o ria s , o s h o m o sse x u a is , os b is s e x u a is , o u s e ja , a s m in o ria s qu e p u d e s s e m s e r re p re s e n ta d a s n a c am ­ p a n h a . E n tã o , “ G e n te é Pra B rilh a r” é e x a ta m e n te isto . A s p e sso a s n ã o estão aí p r a s e re m s u b m e tid a s a q u a lq u e r fo rm a d e o p re s s ã o , se ja e c o n ó m ic a , s o c ia l, p o lític a , m o ra l. M a s a s p e s s o ­ a s tê m o d ir e ito à fe lic id a d e , a sua p le n itu d e . O “ B rilh a r” e ra n e ss e s e n ­ tid o . E n tã o , a c a m p a n h a te n to u falar,

a c h o q u e a c a b o u c o n q u is ta n d o , a c h o q u e e la a c a b o u a tin g in d o os o b je tiv o s, c o n se g u iu falar. E u lem ­ b r o q u e n o m e u p rim e iro p ro g ra - m a d e te le v is ã o eu d isse : “N ó s e s - ta m o s n e s s a c a m p a n h a p ra fala r d a lib e rd a d e ” . P ra n ó s a lib erd ad e te m u m a d im e n s ã o m u ito g ra n d e , e la te m v á rio s a sp e c to s. E n tã o a g e n te ta v a p r a fa la r d e u m a lib e r­ d a d e d e u m a fo rm a g eral. E u ac h o q u e c o n s e g u iu a tin g ir o o b je tiv o , p o r q u e o p e rfil d a s p e s s o a s q u e v o ta r a m ... e ra m p e s s o a s q u e b u s­ c a v a m m a is d a vid a. N ã o só n a m i­ n h a, é ló g ic o , n a c a m p a n h a d o PT tem isso . E u v ia a s p e s s o a s m u ito a p a ix o ­ n a d a s , n é ? E n tã o , a s s im , fa lo u p ra e s ­ sa s p e s s o a s q u e a in d a ac re d ita m num a so c ie d a d e d ife re n te , a c re d ita m q u e se p o d e c o n s tru ir u m a so c ie d a d e ju s ta .

E n tr e v is ta - L u iz ia n n e. d e p o is q u e a p e s s o a é e le ita , to d o m u n d o v o to u n e la . T o d o m u n d o p a s s a a s s im : "Ah, v o te i e m t i e t a l ”. P o r is s o s e d iz q u e a L u iz ia n n e L in s j â te m p e r to d e 1 0 m il vo to s d e ta n ta g e n te q u e d e p o is d a ele i­ ç ã o d is s e q u e v o to u n ela . M a s q u a n ti­ ta tiv a m e n te v o c ê te m id é ia d e q u e s e to r s a iu a v e r e a d o r a L u iz ia n n e L in s? E n tr e v is ta - F o r a m e s s a s p e s s o a s q u e v o c ê tá fa l a n d o p r a q u e m f o i vo l­ ta d o a c a m p a n h a q u e vo ta ra m e m ti?

(6)

E n tr e v is ta L u iz ia n n e L in s

q u e tu te m ?” . E u n à o sa b ia , n ã o tin h a a m e n o r n o çã o e n e m q u e ria p a ra r p ra p e n sa r n isso . P o rq u e eu sei q u e essa h istó ria, e sse p ro c e s s o m e s m o , no im a g in ário d a s p e s s o a s , é u m a c o is a m eio ... A p e sa r d e v o c ê te r to d a s as in d ic a ç õ e s d o m u n d o , n a d a g a ra n te q u e o re su lta d o v a i s e r a q u e le . E n trei na U n iv e rsid a d e , en tre i n a E m lu rb (E m p resa M u n ic ip a l d e L im p e z a e U rbanização). F o i o m e u p rim eiro em ­ p re go d e ca rteira assin ad a. Fui con cur- sad a. A g e n te tra b a lh o u , n u m a ép oc a, de fo rm a m u ito firm e c o n tra a p ri v ati- z a ç â o d a e m p re sa , d a E m lu rb , n é? E isso foi m u ito b o m p o rq u e a g e n te tr a ­ ba lh o u co m m u ita g e n te e e ssas p e sso ­ as sabem ex atam en te o q ue é q u e a g e n ­ te ta v a q u e re n d o , q u a n d o re s o lv e u se c an d id a ta r. E , n ã o só is so , e ss a s p e s ­ so a s c o tiz a ra m e a E m lu rb tem 2 .3 0 0 fu n c io n á rio s. E n tã o , a c h o q u e u m a p a rte d e ssa m o ç a d a a p o io u a c a m p a ­ nha. A ch o ta m b ém q u e o s e s tu ­ dantes. A ch o q u e m u ito s e stu d a n ­ tes aq ui da u n iv e rsid a d e d e ra m a su a c o n trib u iç ã o e p a s s a ra m a d i­ a n te p ra su a s fa m ília s. A c h o isso aí im p o rta n te . P ro fe s s o re s d a U F C ta m b é m re fo rç a ra m a lu ta. O s p ro fe sso re s q u e a g e n te te v e ju n to n a g reve (referi n d o -s e à g re ­

ve de p ro fe sso re s d a U F C q u e ac o n te c eu n o p rim e iro se m e stre d e 1996) ta m b é m fo ra m im p o r­ tantes. E u en co n tra v a m u ita g e n te c o n te m p o râ n e a d a c p o c a q u e eu fíz o m o v im en to estu d a n til. G en ­ te q u e esta v a no C e n tro A c a d ê m i­ co , o u a lg u m a c o is a assim . E sse ta m ­ bé m foi um s e to r q u e eu a c h o q ue v otou . A ch o q u e ta m b ém m u ita s p e s ­ so a s q u e têm e ss a c o m p re e n sã o d a se x u a lid a d e v o ta ra m . In c lu siv e , p e s ­ so a s d a s m a is d iv e rsa s n atu rezas. P es­ so as qu e sã o ho m o sse x u ais o u q u e n ão sã o. O q u e eles fa la m : “ O s e to r do s gay s, lésb icas e sim p a tiz a n te s” , q u e é o G LS. A cho tam bé m q u e , a lé m disso, além desses v o to s aí, te v e m u ito v oto s de referên cia, alg u m as p esso as q u e fa ­ laram p a ra a s o u tra s, q u e falara m p ara as o u tras, falaram p a ra as o u tras. E assim aca m p an h aco n se g u iu ch cg arlá .

E n tr e v is ta - E u q u er ia s a b e r co m o v o c ê e n ca ro u a p a r te p e s a d a d a coisa. P o rq u e, a ss im , p ia d a s e m p r e a c o n te ­ ce. A s p e s s o a s en c a r a m v o c ê o u c o m o u m a b o n itin h a o u e n tã o c o m o s a iu n o jo r n a l "a B a r b ie G L S " . O u e n tã o co m o : "Ah, s e v o c ê é g a y e f o i a g r e ­ d id o lig u e o D is k - L u iz ia n n e L in s ". C o m o é q u e v o c ê e n c a r o u o d e s v ir tu ­ a m e n to d e s u a m e n s a g e m ?

L u iz ia n n e - N a v e rd a d e , sin c era - m e n te , s in c e ra m e n te , e u n à o m e im ­ po rto m u ito c o m is s o n ã o , sa b e . S in ­ ce ra m e n te eu n ã o m e im p o rto . A p ri­ m eira c o is a q u e e u q u e ria d iz e r— q u e

eu d e ix e i b e m c ia ra a n te s d e s e r re a l­ m en te c a n d id a ta , q u a n d o a g e n te tav a d is c u tin d o — é q u e e u n ã o q u eria a brir m ão d e n a d a , a b so lu ta m e n te n a d a das m in ha s açõ es, d a s m in h a s cren ças, dos m eu s p rin c íp io s. E g ra ç a s a D eu s eu m e sin to assim pri v ile g ia d a ,p o r e x em ­ p lo , d e te r te rm in a d o e ssa c a m p a n h a se m fa z e r d e te rm in a d a s c o n c e ssõ e s. Is so p ra m im fo i, ta lv e z , p e ss o a lm e n ­ te fa la n d o , a m a io r v itó ria , d e p o d e r lid a r co m u m a s é rie d e p re c o n c e ito s q u e h a v ia e q u e n ã o fo ra m su fic ie n te s p ra a c a b a r, p ra o fu s c a r o b rilh o da cam p an ha.

E n tr e v is ta - Ai a s is so te a tin g iu d e a lg u m a m a n e ir a... ?

L u iz ia n n e -N ã o , e u a c h o q u e is s o aí, P ao la, é u m a c o is a q u e q u an d o v o cê tá na c am p a n h a tu d o é m u ito pú b lico , né? M a s a g e n te já s e n te is s o n o p ro c e s - so d o d ia-a -d ia . P o r ex em p lo , c u soube

“(...) A s p e s s o a s tê m

q u e d a r d in â m ic a à

C âm ara M u n icip al,

e n ão a C â m a ra

M u n ic ip a l d a r d in â m ic a

á v id a d e la s .”

n otícia q u c um p rofessor... ch ego u um a m en in a p ra m im d iz e n d o q u e u m p ro ­ fesso r lá no (C o lé g io ) C h ristu s, acho q u e foi n o C h ristu s, foi n u m c o lég io desses aí p articu la res, co m entand o que tin h a sid o e le ita u m a m e n in az in h a do PT e q u e só v o to u n e la v ead o e sapatão. N a hora, e u ri, disse: “ C inco m il tre ze n ­ tos e trin ta e se is ve ad os e sa p a tõ e s” (ri­ sos). A s p e s s o a s v ã o e n c o n tra r fo r­ m a s e fo rm a s p ra p o d e r n ã o a c re d ita r q u e n ó s c o n se g u im o s c h e g a r lá. E ntão v ai s e r tu d o is s o m is tu ra d o , sa b e ? A g o ra a s s im é u m a c o is a q u e n à o m e a ss u sta . A s p e s s o a s tê m n e c e s s id a d e d e ro tu la r. A g o ra , se m p re eu ac re d ito m u ito o s e g u in te : e x is te m p e s s o a s q u e n ã o q u e re m isso , q u e sã o d ife re n ­ te s. A g e n te te m q u e c o n ta r c o m as p e s s o a s q u e q u e re m m u d a r, q u e re m v e r a s c o is a s d ife re n te s . E n tã o eu a c h o q u e to d a s a s te n ta tiv a s q u e p o ­ d e m te r fe ito p ra q u e a c a m p a n h a fo s­ se g u e tiz a d a , fo s s e ro tu la d a , n ã o p e ­ gou. E n tão eu n ã o p re c iso e sta r d iz e n ­ d o m a is n a d a p ra n in g u é m . A re s p o s ­ ta e s tá n a n o s s a c a n d id a tu ra te r sid o a m a is v o ta d a d o P T . In c lu siv e , p a ra seto res d o P T , is s o ta m b é m foi u m a fo rm a d e fa la r c o m d e te rm in a d a s p e s ­ so as , n ã o p re c isa e s ta r re s p o n d e n d o ...

E n tr e v is ta - D e s e im p o r , n é ? E n tr e v is ta - L u iz ia n n e , v o c ê d is s e q u e e s t a v a d e c i d i d a q u a n d o s e c a n d id a to u , a n ã o f a z e r c o n c e s s õ e s , a b r ir m ã o d e s u a s cr en ça s . M a s o fa to d e v o c ê s e r u m a m u lh e r , s e r jo v e m e d e fe n d e r u m a b a n d e ir a c o m o e s s a p o lê m ic a d a s e x u a lid a d e , n ã o lh e f e z

te r a lg u m r e c e io ?

L u iz i a n n e - T o d o s o s re c e io s d o m u n d o (riso s). O fato d e a g e n te q u e re r s e r firm e, n à o q u e r d iz e r q u e , n a v id a, a g e n te n ã o e n tre e m c o n ta to c o m to d a s e s s a s c o n tra d iç õ e s . E e la s , às v e z e s, v ê m c o m p e s o m u ito fo rte em c im a d a g e n te . E to d o m u n d o se n te isso q u a n d o v a i u m p o u c o c o n tra a “ m a ré ” q u e a c la s s e d o m in a n te n o s im põ e: m o d e lo d e se x u a lid a d e, m o d e ­ lo d e b e le z a , m o d e lo s , e m o d e lo s , c m o delos... T o d a v id a q u e a g en te vai d e e n c o n tro a is s o , sofire isso d a í. É u m a c o is a n o rm a l. O p ro b le m a é v o cê se m ­

p r e e s ta r a v a lia n d o , p o rq u e é o p re ç o q u e v o c ê p a g a . V o c ê p a g a u m p re ç o . E u s e m p re te n h o d ito isso : “ V o c ê p a g a u m p re ç o p o r tu d o n a v id a , p o r to d o s o s c a m i­ n h o s q u e v o c ê e sco lh e ” . V o c ê tem q u e e s ta r s e m p re a v a lia n d o se e s ta r v a le n d o a p e n a p a g a r e s s e p re ç o , n é ? O p re ç o q u e m u ita s v e z e s é o d a e x p o s iç ã o . À s v e z e s, é o p re ç o m e s m o d e v o c ê s e n tir o p re c o n c e ito . Isso é u m a c o is a q u e lh e d e ix a c h e io d e c o n tra d iç õ e s . E n tro e m c ris e m il v e z e s, le v a n to a c a b e ç a e v o u p ra fre n te d e n o v o . É a q u e la c o is a q u e a R ita L e e diz: “C h o ra a té se c a r a á g u a d e to d a m ág o a, d e p o is e u p a rto p ra o u tra ” . N à o v o u d iz e r ta m b é m q u e n ã o v o u su c u m b ir um dia . E u n ã o q u e ria isso , n à o é o q u e eu d e se jo , m a s p o d e a c o n te c e r q u e eu e ste ja d ia n te d is s o e q u e , e m o c io n a l­ m en te, a fin a l d e c o n ta s as p e sso a s tê m q u e s e r le v a d a s e m c o n ta n o se u to d o , n a su a e m o ç ã o , n o se u se n tim e n to , n a su a se n sib ilid a d e . E e n q u a n to e u tiv e r se g u ra n d o a o n d a eu v o u ... E q u e ro te r m u ita g e n te b o a p o r p e rto p ra p o d e r s e g u ra r e ss a lu ta . N ã o s ó e ss a , m a s to d a s a s o u tra s q u e v ã o v ir ju n to .

E n tr e v is ta - L u iz ia n n e , es ta q u e s ­ tã o d a s e x u a lid a d e e r a u m d ife r e n c ia l n a s u a ca m p a n h a , p e lo m e n o s é a s s im q u e e u v ejo . E x is tir ia a lg u m m o tiv o e s p e c ia l p r a v o c ê te r c o lo c a d o is s o co m o p r io r id a d e ? P o r q u e a g e n te s a b e q u e n e g r o ta m b é m é m in o r ia , ín d io ta m b ém é m in o r ia ... E n fim , es s a q u e s ­ tã o d o s h o m o s s e x u a is e d a s e x u a lid a ­ d e te m a lg u m m o tiv o e s p e c ia l p o r ir á s d is s o ?

L u iz ia n n e - T e m . P ra m im , eu c o m p re e n d i q u e h o je ... In c lu s iv e e u p a rtic ip e i d e u m d e b a te e falei so b re isso . Já d iz ia o p o e ta : “Q u e o a m o r é o im p o rta n te ; o se x o , u m a c id e n te ;

Fo i a i n d a n a i n f ân ci a q u e as p r i m ei r as i n d a ­ g a ç õ e s so b r e as d i f e­ r e n ç as so ci ai s c o m e ç a ­ r a m a encucar a Loiri- n h a . 'O q u e m e f r e av a c o m r e i a ç ã o à m i l i t ânci a e r a a r e l i gi ão. "

Par a g a n h a r d i nh e i r o , a p r i m e i r a c o i sa q u e L u i z i a n n e f ez n a v i d a f oi d a r au l a p ar t i cul ar d e m at e m át i ca. N a é p o ­ ca, e l a t i n h a u n s 17 an o s.

(7)

De p o i s q u e e n t r o u n o Cu r so d e Co m p u t a ç ã o d a U ECe . e m 8 8 , Lu i zi an n e f ez c o n c u r so p ar a Fi scal d e U m p e z a U r b a n a d a Em l u r b . é

f u n c i o n á r i a p ú b l i c a m u n i c i p al d e sd e e ssa é p o c a.

Em 88, Lu i z i a n n e c o ­ m e ç o u a f azer p e sq u i ­ sa p e l o Dat a Fo l h a. D e 8 9 at é o i níci o d e 96, f oi v i c e - c o o r d e n a d o r a d o i n st i t u t o d e p e sq u i sa a q u i n o Ce ar á

5 4

p o d e s e r ig u a l, p o d e s e r d ife re n te ” . (F e rn a n d o P e ss o a , p o e ta p o rtu g u ê s, 18 8 8 -1 9 3 5). E u a c h o q u e co m p ree n d i is so . E is s o p ra m im s e to m o u u m a c o is a m u ito fo rte . E u c o m p re e n d o u m a p e rs p e c tiv a re v o lu c io n á ria d a q u e s tã o d a se x u a lid a d e , d e d is c u ssã o so b re e la e açã o so b re ela. A se xu alid a­ d e é u m a c o is a in e re n te a to d o m u n d o. N ó s te m o s m u ita d ific u ld a d e d e v iv e r c o m e la o u d e v iv e r d a m e lh o r fo rm a p o s s ív e l e la . A s p e s s o a s n o rm a lm e n ­ te n ã o fa la m so b re se x o o u q u a n d o fa la m s o b r e s e x o é s e m p re n u m te o r e x tre m a m e n te p re c o n c e itu o s o . A s p e ss o a s tê m d ific u ld a d e d e fa lar so b re isso. Isso fa z c o m q u e a g e n te viva u m a g ra n d e m is é ria s e x u a l, e u u so m u ito e sse term o , u m a g ra n d e m iséria sexual. E s s a m isé ria se x u a l p ro d u z d e fo rm a ­ ç õ e s se x u a is m u ito g ra v e s n a so c ied a­ d e . A g e n te v ê aí o ín d ic e d e v io lê n c ia c o n tra as m u lh ere s, d e ab u so de m en o ­ re s , d e c ria n ç a s q u e e s tã o se n d o e stu ­ p ra d a s , q u e e s tã o s e n d o m o rta s, v io ­ le n ta d a s e ta l. E n tã o , is so tam b ém é fru to d e u m a s o c ie d a d e d o e n te , u m a so cied a d e q u e te m a se x u a lid a d e m ise­ rá v el. A c h o ta m b é m q u e isso é u m a c o is a q u e to d o m u n d o te m in d e ­ p e n d e n te d e q u a lq u er coisa. Q uem c o m p re e n d e u is so m u ito b e m foi a p u b lic id a d e . A p u b lic id a d e q u e fa z a n o s s a fa lsa sa tisfa ç ã o . N o r­ m alm en te, o s ap elo s d e tud o q u an ­ to é p ro d u to q u e s e v e n d e , é o a p e lo s e x u a l. N ã o é a to a , p o r e x em p lo , q u e p ro g ra m a s q u e v u l­ g a riz a m o u q u e b a rb a riz a m essa q u e s tã o d a s e x u a lid a d e , s ã o p ro ­ g ram as d e ex trem a au diênc ia. Po r­ q u e a s e x u a lid a d e n ã o é re so lv id a n a c a b e ç a d a s p e s s o a s , p o rq u e as p e s s o a s tê m m u ita d if ic u ld a d e de c o n v iv e r c o m ela. A h o m o fo b ia é u m a p ro v a d is s o . E n tã o , a s e x u a lid a d e é u m a c o m p re e n s ã o m e s m a m in h a d e q u e ela tem a v e r c o m a au to -estim a das p e s s o a s , te m a v e r d a s p e s s o a s g o s ta ­ rem d o je ito d e si, d o je ito q u e sã o, se m e sta re m d e n tro d e d e te rm in a d o s ró tu ­ los, d e d e te rm in a d a s fó rm u la s, d e d e ­ te rm in a d o p a d rã o d e b e le z a . E u a c h o q u e a s e x u a lid a d e e stá lig a d a ta m b ém a isso . A c h o q u e o p o d e rp ú b lic o ta m ­ b ém tem a resp o n sa b ilid ad e so b re isso. Incl u siv e, e sc re v i a g o ra u m artig o p ro jo r n a l q u e e u c o lo c o o seg u in te : e ssa q u estã o d a se x u a lid a d e h um an a, d esse p o te n c ia l re v o lu c io n á rio q u e eu a ch o q u e a s e x u a lid a d e te m , é a p ró p ria q u e stã o d a p le n itu d e d a s p e ss o a s, d e ­ la s s e se n tire m m a is p le n a s , m ais d e b e m c o m a v id a , s e se n tire m m a is fe­ liz e s m esm o . S e n tire m -se felizes p o r­ q u e n ã o p re c is a m s e e s c o n d e r d e n in ­ g u é m . A s p e s s o a s e s tã o v iv e n d o , as p e s s o a s e s tã o a m a n d o , se m isso s e r u m e s c â n d a lo , se m is s o s e r u m a a n o ­ m a lia ,s e m isso ser u m p e cad o , né? E n­

tã o e u a c h o q u e a se x u a lid a d e é u m a c o is a q u e h o je e s tá e x tre m a m e n te r e ­ la c io n a d a , o u d e v e ria e sta r, c o m a d is c u ssã o p o lític a . E a c h o q u e o p o d e r p ú b lic o te m c o m o a ju d a r n ã o fa z e r e ssa d iv is ã o e n tre o p ú b lic o e o p riv a ­ do. A í a g e n te e s q u e c e q u e e ss e p riv a ­ d o n ã o é tã o p riv a d o a ss im . C a d a v e z m ais n ó s d e c id im o s m e n o s s o b re n ó s m e s m o s. C a d a v e z m a is o s m e io s d e c o m u n ic a ç ã o d e m a s s a a c a b a m d e s ­ p e rta n d o u m a s é rie d e n e c e s s id a d e s q u e s ã o m u ita s v e z e s re fo rç a d a s p o r eles m esm o s. E u a c h o q u e a s e x u a lid a ­ d e é u m a c o is a q u e p re c is a s e r fa la d a , s e r d ita , sa b e ? E u se i q u e is s o v ai s e r m u ito d ifíc il p o rq u e a s p e ss o a s, c o m o têm d ific u ld a d e d e fa la r, tam b é m tê m d if ic u ld a d e d e o u v ir. M a s é u m a c o is a q u e p ra m im p re c is a s e r fa la d a e d ita . E n o q u e d e p e n d e r d e m im , v a i s e r fala d a e d ita .

E n tr e v is ta - D e q u a lq u e r m a n e i­ ra, m e s m o u m d o s p ila r e s d a c a m p a ­ n h a s e n d o u m a s s u n to tã o d e lic a d o , e la f o i u m s u c e s s o . N ã o s ó p e la q u e s ­ tã o d a v o ta ç ã o , m a s p e l a q u e s tã o d e q u e fic o u n a b o c a d o p o v o o " G e n te é

“(...) S e m p re a g e n te

c o n s e g u e estar

p ro d u z in d o m ais e

a v a n ç a r m a is n as

d isc u ssõ e s, q u an d o

c a rre g a e s s a u to p ia q u e as

co isa s p o d e m m e lh o ra r.”

P r a B r ilh a r ". Q u e m f e z a c a m p a n h a d a L u iz ia n n e ? Q u e m e r a o " m a r k e -te ir o " q u e e s ta v a p o r trá s, q u e d e s c o ­ b r iu e s s a jo g a d a to d a d e lig a r a tu a im a g e m u m a b r u x a . u m a b r u x a lilá s q u e b r ilh a ?

L u iz i a n n e - T o d o m u n d o q u e e s ­ ta v a n a s re u n iõ e s c o n trib u ía . E u a c h o q u e a c a m p a n h a foi u m su c e s so ta m ­ b é m p o rq u e as p e s s o a s q u e e sta v a m lá fiz e ra m m u ito s u c e s s o ta m b é m . P o r­ q u e a s p e s s o a s tin h a m su a s a p tid õ e s, tin h a m a s c o is a s q u e g o sta v a m d e fa z e r. E la s n ã o e s ta v a m se n d o re m u ­ n e ra d a s , e ra u m tra b a lh o v o lu n tá rio . E n tã o , c a d a u m fa z ia d a m e lh o r fo rm a p o s s ív e l o q u e g o s ta v a d e faze r. E e ra re c o n h ec id o p o r isso . N ão era só a L u i­ z ia n n e n o m o m e n to d a c a m p a n h a q u e b rilh a v a , to d o m u n d o q u e e s ta v a ali b rilh a v a , p o rq u e c a d a u m tin h a se u b rilh o p ró p rio . E ssa c a m p a n h a foi to ­ d a c o n s tru íd a a s s im . N a é p o c a do “s lo g a n ” , n ó s c h e g a m o s a c o g ita r d ez tip os d e “s lo g a n ” . In clu siv e, a p e s a r d e no D C E n ó s já te rm o s u sa d o n a ú ltim a

c a lo u ra d a — q u e foi u m a d a s m a io re s c alo u ra d a s, n o s últim o s a n o s, q u e essa C o n ch a A cú stic a esta v a lo ta d a — sim ­ p le s m e n te a p e s a r d a g e n te j á te r u sa ­ d o , eu d e fe n d i o u tro “ slo g a n ” . E perdi n a v o ta ç ã o e fui c o n v e n c id a d e q u e e ss e e ra m e lh o r d e tra b a lh a r. E u ten to c o n s tru ir m u ito isso : às v e z e s, se você tem u m a ce rta d ificu ld ad e, v o cê p re ci­ s a a p re n d e r m u ito a te r h u m ild a d e pra p o d e r re s p e ita r a d e c is ã o d a m a io ria . E n tã o , a p a rtir d o m o m e n to q u e foi d ec id id o a q u ele “ slog an”, to d a a m inha cab eç a co m eço u a trabalhar, a funcionar e a p e n s a r n a s p e ç a s p u b lic itá ria s j un- ta m e n te c o m a s o u tra s p e ss o a s.

E n tr e v is ta- V o cê se m p re te ve u m a a tiv id a d e d e m ilitâ n c ia . P o r o n d e vo cê p a s s o u . v o c ê te v e e s s a lig a ç ã o co m a s m u lh eres. V ocê cito u o ca so d a E m lurb. E e m 1 9 8 9 v o c ê s e f i l i o u a o PT. E u q u e r ia te p e r g u n ta r p o r q u e o P T ?

L u iz ia n n e - P o rq u e e u a c h o q u e, h o je , o P T é o q u e e stá m a is p ró x im o d a m in h a c o m p re e n s ã o d e o rg a n iz a ­ ç ã o p a rtid á ria , o n d e v o cê tem p o ss ib i­ lid a d e d e te r a lib e rd a d e d e p e n sa m e n ­ to , d e c o m p re e n s ã o , a d e m o c ra c ia do

P a rtid o . O fa to d o P a rtid o ta m ­ b é m a b ra ç a r a lu ta d a s m in o ria s. H o je , p ra m im , é a lte rn a tiv a real d e p o d e r d o s tra b a lh a d o re s. N ão e sto u d e sm e re c e n d o n e n h u m p a r­ tid o d e e sq u e rd a . A c h o q u e to d o s o s p a rtid o s d e e sq u e rd a s ã o p a r­ tid o s sé rio s q u e q u erem u m a soci­ e d a d e n o v a . S ão lo u v á v e is, são fu n d a m e n ta is n e s s e p ro c e s s o . M a s n a m in h a a v a lia ç ã o , o PT é, p rim e iro , o m a io r p a rtid o d o p aís d o p o n to d e v is ta d e p ro g ra m a , do p o n to d e v is ta d e firm e z a. É um p a rtid o q u e te m u m a id e o lo g ia . V o cê te m c rité rio s, tem p rin c íp io s qu e te m q u e a b ra ç a r. O P T p ra m im , h o je, re p re s e n ta , c o m to d a s a s su a s c o n tra ­ d iç õ e s , a in d a u m e sp a ço q u e d e v e se r d is p u ta d o p ra fa z e r co m q u e o p artid o c a d a v e z m a is s e c o n stru a , fa z e n d o p a rte d a d in â m ic a d a v id a d a m a io ria d a s p e s s o a s q u e n ã o só m a is s ã o os tra b a lh a d o re s. O P artid o d o s T ra b a ­ lh a d o re s te m q u e se r o p a rtid o das tr a b a lh a d o ra s ta m b é m , d o s d e se m ­ p re g a d o s , d a s d e se m p re g a d a s. Po r­ q u e a m a s s a d e d e se m p re g a d o s, hoj e, é tão g ra n d e q u e v o cê tem q u e im aginar e ss a s p e s s o a s n u m a e stru tu ra p ro d u ­ tiv a , n o s tra b a lh o s in fo rm a is. E ssa s p e s s o a s q u e e s tã o d e s e m p re g a d a s a i. P re c isa s e r p e n s a d o p o lític a s p ra in ­ te rfe rir ta m b é m n a v id a d e s s a s p e sso ­ as. E u a c h o q u e o P T c o n se g u e a g lu tin a r isso . E a a lte rn a tiv a q u e a g e n te tem . E foi p o r aí q u e e u a c a b e i. R eso lv i en trar n o P T , e m 8 9 , lo g o q u a n d o eu entrei aq u i n o C u rso d e C o m u n ic aç ão Social.

Referências

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