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Radiol Bras vol.43 número4

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Academic year: 2018

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IX

Radiol Bras. 2010 Jul/Ago;43(4):IX–XI

Marcelo Souto Nacif1

, Teresa Cristina de Castro Ramos Sarmet dos Santos2

, Justin Huang3 , Eliane Lucas4

, Christopher T. Sibley5

, Alair Augusto Sarmet Moreira Damas dos Santos6

Trabalho realizado no Serviço de Imagem do Hospital de Clínicas de Niterói (HCN), Niterói, RJ, Brasil, e no Departamento de Radiologia e Ciências de Imagem do Centro Clínico do National Institutes of Health (NIH), Bethesda, MD, EUA. 1. Médico, Doutor, Professor do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ, Brasil, Pós-graduando em Radiologia e Ciências de Imagem do Centro Clínico do National Institutes of Health (NIH), Bethesda, MD, EUA. 2. Médico Radiologista do Serviço de Imagem do Hospital de Clínicas de Niterói (HCN), Niterói, RJ, Brasil. 3. “Summer Student” do Departamento de Radiologia e Ciências de Imagem do Centro Clínico do National Institutes of Health (NIH), Bethesda, MD, EUA. 4. Médico, Chefe do Setor de Cardiologia Pediátrica do Hospital Federal de Bonsucesso, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 5. Médico, Membro do Corpo Clínico do Departamento de Radiologia e Ciências de Imagem do Centro Clínico do National Institutes of Health (NIH), Bethesda, MD, EUA. 6. Médico, Doutor, Professor Titular do Curso de Pós-graduação em Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas (IPGMCC), Coordenador do Serviço de Imagem do Hospital de Clínicas de Niterói (HCN), Niterói, RJ, Brasil. Endereço para correspondência: Dr.Marcelo Souto Nacif. Cordell Avenue 4583, 20814 Bethesda, MD, USA. E-mail: [email protected]. Web site: www.msnacif.med.br

0100-3984 © Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Qual o seu diagnóstico?

Which is your diagnosis?

Nacif MS, Santos TCCRS, Huang J, Lucas E, Sibley CT, Santos AASMD. Qual o seu diagnóstico? Radiol Bras. 2010;43(4):IX–XI.

Menino de dois anos de idade foi trazido com queixas de fadiga e pneumonia recor-rente. Radiografia de tórax mostrou con-gestão pulmonar e dilatação das câmaras esquerdas do coração. Ecocardiografia

con-firmou situs solitus e concordância

ventrí-culo-arterial e átrio-ventricular. As câmaras esquerdas mostravam-se dilatadas, com du-plo orifício mitral, sem estenose funcional. Observou-se a presença de uma banda

mus-cular intraventrimus-cular anômala dividindo o ventrículo em duas cavidades. O paciente foi encaminhado ao Serviço de Imagem do Hospital de Clínicas de Niterói para avalia-ção por ressonância magnética (RM).

Figura 2. Cine-RM. Aquisição acoplada ao eletrocar-diograma em eixo curto cobrindo toda a extensão do ventrículo esquerdo, da base ao ápice, durante a diás-tole.

Figura 1. Estudo morfológico com RM. Aquisição aco-plada ao eletrocardiograma com a técnica black-blood

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X Radiol Bras. 2010 Jul/Ago;43(4):IX–XI

Descrição das imagens

Figura 1. Estudo morfológico com RM. Aquisição acoplada ao eletrocardiograma com a técnica black-blood com sequência

ponderada em T1 com supressão de gor-dura em eixo curto cobrindo toda a exten-são do ventrículo esquerdo, da base ao ápice, em diástole média. Uma banda mus-cular anômala divide o ventrículo em duas cavidades.

Figura 2. Cine-RM. Aquisição acoplada ao eletrocardiograma em eixo curto cobrin-do toda a extensão cobrin-do ventrículo esquercobrin-do, da base ao ápice, durante a diástole.

Diagnóstico: Ventrículo esquerdo com dupla câmara.

COMENTÁRIOS

Evaginação do ventrículo esquerdo é uma doença rara, com causas heterogêneas variando de anomalias congênitas, como divertículos ou bandas musculares anôma-las, a complicações secundárias a infartos do miocárdio, como aneurismas e pseudoaneu-rismas. A diferenciação entre essas etiolo-gias constitui um desafio, mas é de grande

importância clínica, em razão do amplo es-pectro de riscos e implicações envolvi-dos(1–3).

O ventrículo esquerdo com dupla câ-mara (VEDC) é caracterizado pela divisão da câmara ventricular em duas câmaras por um tecido muscular anormal. Esta anorma-lidade é melhor diferenciada de aneurismas e pseudoaneurismas de ventrículo esquerdo pelo fato de que o ventrículo com dupla câmara apresenta movimento contrátil du-rante a sístole. No aneurisma ventricular, a formação das camadas da parede ventricu-lar é incompleta, assim ele se expande le-vemente devido ao aumento da pressão durante a sístole(4,5).

A diferença entre ventrículo direito com dupla câmara (VDDC) e VEDC é clara, uma vez que tais anomalias apresentam patofi-siologias diferentes. O VDDC é mais co-mum e frequentemente apresenta sopro e dispneia de esforço. Estudos relatam que o VDDC está associado a defeitos septais, te-tralogia de Fallot e transposição de grandes artérias. Diferentemente, o VEDC é comu-mente assintomático. O VDDC é frequen-temente causado por um espessamento

pro-gressivo do septo ventricular direito decor-rente da presença de feixes musculares anormais. Isto ocasiona um gradiente de pressão, com a formação de duas câmaras em série. Por outro lado, as câmaras no VEDC são paralelas e apresentam menor gradiente de pressão, já que ambas se con-traem sincronicamente. A etiologia do VEDC é menos conhecida, mas supõe-se que seja uma anomalia congênita e não progressiva(6,7).

Geralmente, o VEDC é um achado aci-dental durante a investigação de outras anomalias cardiovasculares. Consideran-do-se que este é um achado extremamente raro, não há dados sobre prognóstico, re-sultados e potenciais complicações, como o risco de embolia. Normalmente, acredi-ta-se que o VEDC envolva baixo risco para o paciente. O tratamento, se existir, é usual-mente orientado pela presença de outras anormalidades associadas(8,9).

RM cardíaca

A RM cardíaca é útil na avaliação de anormalidades associadas e para uma me-lhor compreensão da doença. Imagens de

Figura 3. Homem de 29 anos de idade que apresentou sinais de infarto do miocárdio. Cine-RM cardíaca (A,B,D,E) e RM com a técnica de realce tardio (C,F). A: Cine-RM em eixo curto na porção apical do ventrículo esquerdo demonstrando ambas as cavidades. B: Cine-RM em eixo curto na porção média do ven-trículo esquerdo demonstrando ambas as cavidades. C: Realce tardio, eixo curto na porção média do venven-trículo esquerdo, sem cicatriz/fibrose. D: Cine-RM, quatro câmaras em diástole demonstrando ambas as cavidades. E: Cine-RM, quatro câmaras em sístole demonstrando o espessamento da parede lateral do VE2. F: Realce tardio, quatro câmaras, sem cicatriz/fibrose. Imagens ilustrativas de um caso, gentilmente cedidas pelos doutores Ricardo Andrade Fernandes

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XI

Radiol Bras. 2010 Jul/Ago;43(4):IX–XI

RM podem demonstrar alterações na con-tratilidade ventricular, presença ou ausên-cia de fibroses, e é útil no acompanhamento de pacientes com VEDC (Figura 3).

Considerações finais

Os autores enfatizam a raridade dessa anomalia congênita em associação com duplo orifício mitral e a abordagem diag-nóstica utilizando ecocardiografia e RM.

REFERÊNCIAS

1. Gerlis LM, Partridge JB, Fiddler GI, et al. Two

chambered left ventricle. Three new varieties. Br Heart J. 1981;46:278–84.

2. Vaidiyanathan D, Prabhakar D, Selvam K, et al. Isolated congenital left ventricular diverticulum in adults. Indian Heart J. 2001;53:211–3.

3. Krasemann T, Gehrmann J, Fenge H, et al. Ven-tricular aneurysm or diverticulum? Clinical dif-ferential diagnosis. Pediatr Cardiol. 2001;22: 409–11.

4. Caron KH, Hernandez RJ, Goble M, et al. MR imaging of double chambered left ventricle. J Comput Assist Tomogr. 1991;15:140–2. 5. Harikrishnan S, Sivasankaran S, Tharakan J.

Double chambered left ventricle. Int J Cardiol. 2002;82:59–61.

6. Cil E, Saraçlar M, Ozkutlu S, et al. Double-cham-bered right ventricle: experience with 52 cases. Int J Cardiol. 1995;50:19–29.

7. Hoffman P, Wójcik AW, Róza½ski J, et al. The role of echocardiography in diagnosing double cham-bered right ventricle in adults. Heart. 2004;90: 789–93.

8. Kay PH, Rigby M, Mulholland HC. Congenital double chambered left ventricle treated by exclu-sion of accessory chamber. Br Heart J. 1983;49: 195–8.

Imagem

Figura 2. Cine-RM. Aquisição acoplada ao eletrocar- eletrocar-diograma em eixo curto cobrindo toda a extensão do ventrículo esquerdo, da base ao ápice, durante a  diás-tole.
Figura 1. Estudo morfológico com RM.

Referências

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