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Material de Apoio. Destes benefícios, os que terminam com "ão" são devidos aos dependentes, todos os demais são devidos aos segurados.

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Academic year: 2021

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Material de Apoio Benefícios Previdenciários

Benefício X Prestação:

Prestação é um gênero que derivam duas espécies:

- benefícios: obrigação de pagar. Todos os benefícios têm caráter remuneratório. - serviços: obrigação de fazer. Ex.: Serviço social e reabilitação profissional. Benefícios

São 10 os benefícios previdenciários (4 aposentadorias, 3 auxílios, 2 salários e 1 pensão): a) Aposentadoria por invalidez

b) Aposentadoria por idade c) Aposentadoria por especial

d) Aposentadoria por tempo de contribuição e) Auxílio doença

f) Auxílio acidente g) Auxílio reclusão h) Salário maternidade i) Salário família j) Pensão por morte

Destes benefícios, os que terminam com "ão" são devidos aos dependentes, todos os demais são devidos aos segurados.

Beneficiários

Os segurados mantêm vínculo direto com a previdência. Os dependentes mantêm vínculo com os segurados.

A pensão por morte e o auxílio reclusão só são devidos se houver vínculo entre segurado e previdência. O salário família, embora seja pago em razão da família, é devido ao segurado (titular).

Os serviços são devidos aos segurados e aos dependentes. Benefícios em espécie

A. Aposentadoria por invalidez:

É previsto no art. 42 da Lei 8.213/91. É devido ao segurado. O risco protegido é a invalidez. Requisitos legais:

- qualidade de segurado; - carência de 12 meses.

Somente o segurado da previdência social pode receber a aposentadoria por invalidez. São segurados: a) segurados obrigatórios: aquelas pessoas que exercem atividade remunerada (lícita). A partir do exercício da atividade cria-se um vínculo (filiação) entre segurado e previdência. Espécies de segurados obrigatórios:

- segurado empregado

- segurado empregado doméstico - trabalhador avulso

- contribuinte individual - segurado especial

b) segurados facultativos: não exercem atividade remunerada. Sua filiação é voluntária. O segurado obrigatório não pode se filiar à previdência na condição de facultativo.

Ao falarmos em segurado, temos a idéia de contribuição. Contudo, como exceção, temos o período de graça, em que a pessoa é considerada segurada só que não pagam contribuição (art. 15, Lei. 8.213/91). Os casos mais importantes de período de graça são:

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- pessoa que exerceu atividade remunerada: 12 meses - segurado facultativo: 6 meses

- pessoa que pagou mais de 120 contribuições: 12 meses + 12 meses - pessoa que está desempregada: 12 meses

Há exceções quanto a carência de 12 meses exigida para a aposentadoria por invalidez, como os acidentes e as doenças previstas em portaria.

O fato gerador específico da prestação é a invalidez, que significa incapacidade total e permanente para qualquer atividade. Na invalidez, a incapacidade é insusceptível de recuperação. Não pode exercer nenhuma atividade, sendo a principal diferença do auxílio doença (só está incapaz para a atividade ou trabalho habitual por mais de 15 dias consecutivos).

INVALIDEZ = INCAPACIDADE TOTAL + PERMANENTE + QUALQUER ATIVIDADE

No caso de um segurado se filiar à previdência social com uma doença pré-existente, a priore obsta a aposentadoria por invalidez, contudo se a pessoa ficar incapaz apenas posteriormente pode se aposentar por invalidez. Em tese não há problema de se filiar doente, o que não pode acontecer é que a pessoa se filie já incapaz, ou seja, a incapacidade pré-existente obsta a filiação.

O cálculo do benefício é feito assim:

- Renda Mensal Inicial (RMI) = 100 % do salário de benefício

* para calcularmos a aposentadoria por invalidez não se multiplica pelo fator previdenciário. Os dois únicos benefícios que sofrem sua incidência é a aposentadoria por idade (facultativa) e por tempo de contribuição.

Benefício de grande invalidez é aquela que ocorre nos casos em que se acresce 25% da aposentadoria por invalidez normal (total de 125%), exigindo uma assistência permanente de terceira pessoa. Este acréscimo pode extrapolar o teto da previdência social (única exceção). Este adicional não passando para a pensão por morte. Ex.: X recebe aposentadoria por invalidez, só que há uma progressão da doença e ela passa a necessitar do auxílio de uma terceira pessoa. Quando X vier a falecer, sua dependente terá direito a pensão por morte, contudo sem o adicional de 25%, sendo então de 100% (e não 125%).

B. Auxílio doença

No auxilio doença a incapacidade é para a atividade ou trabalho habitual por mais de 15 dias consecutivos, no restante tem os mesmo requisitos da aposentadoria por invalidez:

- qualidade de segurado - carência

A incapacidade é temporária e para a atividade ou trabalho. A pessoa pode ter mais de uma atividade habitual.

INCAPACIDADE + TEMPORÁRIA + PARA A ATIVIDADE/TRABALHO + 15 DIAS RMI = 91% do salário de benefício*

* outra diferença da aposentadoria por invalidez.

A data de início do benefício terá uma data que irá variar de acordo com a espécie de segurado:

- segurado empregado: a partir do 16° dia do afastamento da atividade. Nos primeiros 15 dias é pago pelo empregador.

- demais segurados*: data do início da incapacidade. * inclusive o empregado doméstico.

Se o segurado demora mais de 30 dias para efetuar o requerimento administrativo do auxílio doença (contados dos termos iniciais acima), a data de início do benefício passa a ser a data do requerimento administrativo.

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Normalmente a aposentadoria por invalidez ocorrerá após o auxílio doença. A data de início da aposentadoria por invalidez será o dia imediatamente após o dia do fim do auxílio doença. Contudo pode acontecer de se provar, desde o início, que a incapacidade é total e permanente para qualquer atividade, nestes casos, o termo inicial da aposentadoria por invalidez será igual ao do auxílio doença.

O exame médico é feito a cargo da previdência social (não é pago pelo segurado), por perito oficial. Durante o gozo do auxílio doença o empregado é licenciado. O contrato de trabalho não se extingue. C. Auxílio acidente:

É um dos mais pedidos em prova. Seus titulares são (quem tem direito): - segurado empregado;

- trabalhador avulso; - segurado especial.

O Dec. 3098/99 trás uma disposição muito criticada pela jurisprudência, que é a exigência do titular estar trabalhando, ou seja, o desempregado não tem direito a auxílio acidente, mesmo que esteja no período de graça. A jurisprudência defende a ilegalidade do dispositivo do Dec. 3098/99 dizendo que a lei não faz tal exigência.

O auxílio acidente não reclama carência (outra peculiaridade). Nada que estiver relacionado a acidente não pede carência, mesmo quando se trata de auxílio doença ou aposentadoria por invalidez.

O fato gerador remoto do auxílio acidente é um acidente, podendo ser acidente de trabalho ou o extra-laboral.

O fato gerador próximo do auxílio acidente é a incapacidade parcial e permanente para a atividade habitual. A lei chama esta incapacidade parcial e permanente de redução da capacidade do trabalhador. A pessoa pode exercer a atividade, mas sofre um déficit, não a exercendo da mesma forma.

INCAPACIDADE PARCIAL + PERMANENTE + ATIVIDADE HABITUAL

Por acidente devemos entender seqüelas definitivas que impliquem a redução da capacidade. Ex.: digitador que perde 1 dedo.

RMI = 50% do salário de benefício*

* podendo este valor ser inferior ao salário mínimo, pois sua natureza é de benefício indenizatório, visando indenizar a redução da capacidade do segurado, não tendo caráter substitutivo (benefício que tem a finalidade de substituir a remuneração do trabalhador).

É inconstitucional o valor inferior ao salário mínimo?

R: Não, pois a vedação constitucional diz respeito apenas aos benefícios que substituem a renda (benefícios substitutivos). O auxílio acidente e o salário família não são benefícios de natureza substitutiva, podendo ser inferior ao salário mínimo.

A pessoa continua recebendo sua remuneração pelo trabalho, sendo o auxílio doença acumulado a tal valor.

O auxílio acidente também exige exame pericial a cargo da previdência (INSS).

A data de início do auxílio acidente será após o cessamento do auxílio doença (pois ficou incapaz), após a consolidação das seqüelas, que leva à redução da capacidade.

* Hoje todos os benefícios da previdência são continuados, ou seja, pagos mês a mês (diferem de benefícios instantâneos).

* A jurisprudência diverge se o auxílio acidente pode ser acumulado com a aposentadoria, pois antes da modificação legislativa era possível tal acumulação, pois antes o auxílio acidente era vitalício. Atualmente, com a modificação legislativa, o auxílio acidente e a aposentadoria não podem ser cumulados.

D. Pensão por morte:

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- qualidade de segurado - qualidade de dependente

- óbito (fato gerador do benefício)

A morte do segurado não precisa ser real (provada com certidão de óbito), podendo ser morte presumida (ausência ou catástrofe).

A morte por ausência possui 2 requisitos para o recebimento de pensão por morte: - 6 meses de ausência

- decisão judicial declarando a ausência (justiça federal)

A morte presumida por catástrofe possui para o recebimento de pensão por morte apenas o requisito de se provar que houve a catástrofe (não tem prazo e não precisa de declaração judicial).

A RMI vai variar segundo duas hipóteses:

1° caso: aposentado: RMI = 100% da aposentadoria

2° caso: trabalhador: RMI = 100% do valor do benefício de aposentadoria por invalidez

Quando a Lei 8.213/91 surgiu, estabeleceu percentuais diferentes, ou seja, RMI = 80%, podendo ser elevada a 100% a depender do número de dependentes. Depois veio a Lei 9.032/95, que elevou o RMI = 100%. Quem recebeu o benefício entre a Lei 9.213/91 e Lei 9.032/95, terá seu percentual revisado para 100%?

R: Não é possível a revisão do benefício para quem recebia o percentual de 80%, sob o fundamento do princípio do tempus regit actum, devendo prevalecer a regra da época da ocorrência do fato gerador e pelo princípio da preexistência de custeio, pois não se pode aumentar o benefício de segurados que tinham renda X, sem falar de onde sairá o dinheiro para custeio (STF).

A pensão por morte e o auxílio reclusão não tem carência.

Quando há o óbito do segurado, quem faz a inscrição é o dependente. Cabe ao dependente e não ao segurado fazer a filiação da pensão por morte. Antigamente o segurado designava o dependente que iria receber. E. Auxílio reclusão: Requisitos: - qualidade segurado - qualidade de dependente - baixa renda

- não recebimento de remuneração da empresa; auxílio doença ou aposentadoria. - prisão (fato gerador do benefício)

A prisão pode ser reclusão ou detenção. O regime prisional tem que ser fechado ou semi-aberto, o regime aberto não gera direito ao benefício.

A doutrina majoritária e a jurisprudência entendem que a prisão preventiva gera direito ao benefício. Fábio Zambite entende que a prisão civil não gera direito ao benefício (não há precedente na jurisprudência).

O auxílio reclusão é um benefício continuado (como os demais benefícios) precisa da comprovação da prisão pelo dependente de 3 em 3 meses, sob pena de suspensão do benefício (exigência legal).

É exigido que o segurado seja baixa renda (foi imposto pela EC 20/98), significando que o último salário de contribuição do segurado deve ser igual ou inferior a R$ 676,27 (valor que muda periodicamente através de portaria).

Segundo a CR, o auxílio reclusão é devido aos "dependentes do segurado de baixa renda", ou seja, exige que a baixa renda seja do segurado. Contudo a jurisprudência entende que quem deve ser baixa renda é o dependente, pois que vai receber o benefício é o dependente, não tendo lógica que o se exija que o segurado tenha baixa renda.

RMI = 100% da aposentadoria por invalidez que teria direito à data da prisão.

O segurado não pode receber remuneração da empresa; auxílio doença ou aposentadoria (a lei fala ainda do abono de permanência em serviço, que não existe mais).

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A Lei 10.666/03 trouxe uma novidade normativa, dizendo que o segurado, enquanto estiver preso, pode trabalhar como contribuinte individual e/ou contribuir como segurado facultativo, sendo este prazo contado para tempo para aposentadoria.

Isso gera o cancelamento do auxílio reclusão?

R: Não cancela, o benefício é mantido, segundo disposição da lei 10.666/03. Contudo se ele recebe remuneração da empresa o auxílio reclusão não é devido.

Se o preso está trabalhando como contribuinte individual e se acidenta fincado incapaz, o que ocorre? R: Em tese o preso teria direito a um auxílio doença, mas o segurado não pode receber auxílio doença para receber auxílio reclusão, ou seja, não pode receber ambos os benefícios. Se o valor do auxílio doença for superior e os dependentes manifestarem sua aceitação, o benefício pode começar a ser pago, cessando-se o auxílio reclusão. Os dependentes precisam aceitar, pois o auxílio doença é benefício do segurado - quem recebe é o preso (o auxílio reclusão é do dependente).

E se o segurado preso foge?

R: O benefício cessa, pois cessa o fato gerador. O benefício é suspenso (não é extinto). E se o segurado foragido é recapturado?

R: O benefício PODE ser reativado, dependendo do período de graça* da pessoa que estava presa: - Se a pessoa é recapturada dentro do período de graça de 12 meses ele é reativado.

- Se é recapturado após os 12 meses, o benefício não é reativado. E se o segurado foragido trabalha enquanto foragido e é recapturado?

R: Neste caso o benefício será reativado, pouco importando se dentro dos 12 meses da fuga, pois como ele volta a trabalhar, volta a ser segurado obrigatório.

* período de graça é o perídio em que a pessoa não paga contribuição e é segurada. Difere de carência, que é o prazo mínimo para fazer jus ao benefício.

O Dec. 3098, art.167 diz que: "salvo no caso de direto adquirido, não é admitido o recebimento conjunto dos seguintes requisitos":

- aposentadoria com qualquer outro benefício (salvo salário família) - salário maternidade com auxílio doença

- mais de uma pensão do cônjuge* - mais de um auxílio acidente

* É possível acumular duas pensões, desde que não sejam derivadas de cônjuge/companheiro diferentes. Ex.1: esposa recebe pensão por morte do marido. Depois que inicia o recebimento, casa-se novamente (o novo casamento não extingue a pensão por morte do ex-marido). O segundo marido morre. Ela não recebe as duas pensões, devendo optar pela mais vantajosa.

Ex.2: O filho da pensionista falece e esta consegue provar sua dependência, seu marido morre. Ela pode acumular ambas as pensões.

* Um dos requisitos da pensão é a qualidade de segurado, salvo:

Ex.: Pessoa trabalhou durante 35 anos, com 70 anos de idade, pagando sua última contribuição em 31 de janeiro de 2000, falece em 2007. Os dependentes deste segurado têm direito a pensão por causa do direito adquirido. Pouco importa que tenha perdido a qualidade de segurado.

Bibliografia:

Curso de Direito Previdenciário - Fábio Zambitte Ibrahim - Ed. Impetos Direito Previdenciário - Marcelo Leonardo Tavares - Ed. Lumen Iuris Direito Previdenciário Brasileiro - Feijó Coimbra - Ed. LTR

Referências

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