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CONCORRÊNCIA BRDE Nº 2016/024 RESPOSTA A IMPUGNAÇÃO 01

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CONCORRÊNCIA BRDE Nº 2016/024 RESPOSTA A IMPUGNAÇÃO – 01

Objeto: Contratação de sociedade de advogados, regularmente constituída, para a prestação de serviços de advocacia trabalhista nos estados do RS, SC e PR.

Impugnação encaminhada por MUNHOZ ADVOGADOS ASSOCIADOS. 1. RELATÓRIO

Trata-se de peça de Impugnação ao Edital da Concorrência BRDE 2016/024, apresentada por MUNHOZ ADVOGADOS ASSOCIADOS, pela qual se objetiva a reformulação de termos do instrumento convocatório em epígrafe, relatando-se nas próximas linhas, em síntese, os fundamentos pelos quais a Impugnante requer provimento.

Sustenta a Impugnante sua inconformidade com o quesito tratado no Anexo VII do Edital – Critérios de Pontuação Técnica, no item 6, no qual o BRDE confere ao licitante (profissional da equipe) pontuação para o exercício de magistério em nível universitário nas disciplinas relacionadas ao objeto da licitação. Aduz que tal determinação não estaria de acordo com a legislação de regência e ao objeto do edital, questionando a necessidade da pontuação para o exercício de magistério se o objeto do certame está relacionado com a atividade de advocacia e não com a atividade de docência.

Afirma a sociedade MUNHOZ ADVOGADOS ASSOCIADOS que haveria “claro direcionamento do edital” e que tal quesito afetaria o princípio da competitividade insculpido no art. 3º da Lei 8.666/93. Alega ainda que é comum que profissionais do Direito optem por “uma ou outra atividade”, referindo-se aos exercícios da advocacia e da docência. Por fim, requer a Impugnante a exclusão do quesito referido acima, inscrito no item 6 do Anexo VII do

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2. ADMISSIBILIDADE

Insurge-se a Impugnante contra o Edital da Concorrência BRDE 2016/024, por intermédio de peça de Impugnação recebida no dia 27/04/2016, quarta-feira. A data para o recebimento dos envelopes e credenciamento dos licitantes, de acordo com o item 2.1 do Instrumento Convocatório, foi fixada para 06/06/2016, segunda-feira. Conforme item 5.1 do Edital, o prazo para eventuais impugnações era de 03 (três) dias úteis anteriores à data limite supracitada:

“5.1. Até 05 (cinco) dias úteis antes da data fixada para recebimento das propostas, qualquer pessoa poderá impugnar o ato convocatório desta Concorrência, ou solicitar esclarecimentos, cabendo à COPEL, com consulta à área técnica se for necessário, decidir sobre a petição em até 03 (três) dias úteis;”

Desse modo, portanto, inequívoca a tempestividade da presente Impugnação, razão pela qual resta inteiramente atendida a única condição de admissibilidade.

3. MÉRITO

Desde logo importa esclarecer que a Administração Pública, no exercício de suas funções, dispõe de poderes que visam a garantir a prevalência do interesse público sobre o particular. Nesse sentido, o poder discricionário (que não se deve, jamais, confundir com arbitrariedade), conforme lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (Curso de Direito Administrativo, 30ª ed., pág. 434), refere-se aos atos que “a Administração pratica com certa margem de liberdade de avaliação e decisão segundo critérios de conveniência e oportunidade formulados por ela mesma [...].” Inegável é que a estipulação dos termos do instrumento convocatório reveste-se, para a Administração, do poder de discricionariedade, justamente em razão de que cada contratação possui suas peculiaridades, que devem ser imbricadas com a natureza do objeto licitado. Esse é o caso.

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A opção, como quesito de pontuação, pelo exercício da atividade de magistério (ainda mais em nível universitário) tem o condão de permitir, na grande maioria das vezes, a seleção de profissionais com didática diferenciada, com um conhecimento sabidamente não superficial sobre determinado assunto (inerente ao que a atividade de professor exige, para fins de transmissão de conhecimento – e inclusive para ser contratado). Também se destacam a oratória diferenciada e o aprofundamento teórico mais incisivo, e não se pode negar que a figura do professor é muito bem vista pela sociedade e pelos demais profissionais de sua área, pois a presunção de maior conhecimento sobre determinado assunto é automática, embora possa haver, obviamente, exceções; essa visão, cabe dizer, não é infundada, pois a regra é de que a docência não apenas exige um conhecimento maior e profundo, mas também que com ela própria o profissional se desenvolva ainda mais, obtendo aprendizado e especialização que outras atividades naturalmente não conferem. O BRDE, dessarte, pretende uma futura contratada que tenha equipe técnica com experiência não apenas prática, mas também teórica, que possa oferecer diferenciadas teses, que pense diferente e não automático, que possa elaborar e não apenas copiar: não há dúvidas de que para isso tudo o magistério contribui, nisso tudo a atividade é diferenciada, agregando valor inconfundível à prestação do objeto que se pretende com essa contratação.

Num segundo ponto, é necessário esclarecer que são inúmeros os exemplos do cotidiano jurídico em que se observam professores, inclusive renomados, que atuam na advocacia (militantes até). E vice-versa, se pode ser dito. Não é “comum”, portanto, que haja opção derradeira de uma ou outra carreira, pois não há necessária exclusão.

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também não se pode dizer que a opção por esse critério (já devidamente justificada) e pela sua pontuação seria de qualquer forma desarrazoada ou desproporcional, pois ela representa apenas 5% (cinco por cento) do total de pontos que a licitante pode obter (isso considerando, ainda, o máximo de pontuação que, em tese, se pode obter nesse quesito). Para ilustrar ainda mais a licitude e a razoabilidade do critério aferido, o BRDE recentemente realizou licitação com objeto similar e na mesma modalidade desta presente Concorrência, utilizando-se do mesmo quesito de pontuação aqui impugnado, tendo havido a participação de diversas licitantes, com larga e desejável competitividade, não tendo sido recebidos quaisquer pedidos de impugnação ou esclarecimento quanto a este específico critério.

Dessa feita, resta claro que a circunstância de preferência, escolha da Administração (quesito impugnado), in casu, é pertinente e relevante para o específico objeto do contrato. Ademais, corroborando a discricionariedade que detém a Administração para o estabelecimento dos critérios de avaliação, desde que razoáveis e vinculados à finalidade da contratação, segue entendimento do Egrégio Tribunal de Contas da União:

“REPRESENTAÇÕES COM PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR. EXIGÊNCIAS PARA COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE LICITAR. PROCEDÊNCIA PARCIAL.

1. [...] as condições específicas são fixadas pelo ato convocatório, em

função das características da contratação desejada em um determinado certame, cabendo à Administração Pública, neste último caso, deliberar acerca da extensão e do conteúdo dos requisitos que serão exigidos daqueles que pretendam formular propostas. 2. A discricionariedade na fixação das condições específicas está delimitada pela natureza e extensão do objeto a ser contratado, sendo válidas as exigências dessa ordem desde que se revelem necessárias e adequadas a comprovar a existência do direito de licitar. 3. O

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princípio que refuta a restrição ao caráter competitivo não é absoluto, representando essencialmente a expressão sintetizada de uma orientação vista em caráter de generalidade, a admitir, por óbvio, excepcionalidades que sejam conduzidas por circunstâncias ensejadoras de determinada feição fora do comum.” (grifos nossos).

Proc. 016.687/2007-3 – TP – Rel. Min. Valmir Campelo – DJ 17.08.2007.

No mesmo sentido, doutrina de Marçal Justen Filho, em sua obra “Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos”, 16ª Edição, 2014:

“As condições fixadas no edital são específicas em função das características da contratação colimada em uma licitação específica. Cabe à Administração Pública, na fase interna da licitação, deliberar acerca da extensão e do conteúdo dos requisitos que serão exigidos daqueles que pretendam formular propostas. A discricionariedade na fixação das condições específicas está delimitada pela natureza e extensão do objeto a ser contratado.”

Por conseguinte, considerando os mais básicos princípios administrativos, assim como as melhores referências jurídicas, não assiste razão à Impugnante, mantendo-se inalterados os termos editalícios atacados, indeferindo a COPEL a Impugnação quanto ao alegado. 4. CONCLUSÃO

Diante de todo o exposto, esta COPEL decide pela IMPROCEDÊNCIA do pedido da peça exordial, negando provimento à Impugnação quanto às razões da Demandante sobre eventual exclusão do item 6 do Anexo VII do Edital, mantendo os seus exatos termos.

Porto Alegre, 2 de maio de 2016. Felipe Calero Medeiros Comissão Permanente de Licitações

Referências

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