Agravo de Instrumento

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Agravo de Instrumento

Fonte: Didier e Leonardo da Cunha, Márcio André Lopes

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o agravo retido foi extinto do novo CPC. Assim como o novo código estabeleceu as hipóteses em que as decisões serão agraváveis, considerando-se as não agraváveis como recorríveis na apelação ou contrarrazões.

Vale ressaltar que esse regime é restrito à fase de conhecimento, não se aplicando a fase de liquidação, execução de título extrajudicial, no inventário e cumprimento de sentença. Nestes casos, toda e qualquer decisão interlocutória é passível de impugnação por agravo de instrumento (Art. 1015, parágrafo único).

Importante: de acordo com o enunciado 69, da I jornada da CJF, cabe agravo

de instrumento contra todas as decisões interlocutórias proferidas nos processos de falência e recuperação, tendo em vista que são processos de execução universal.

O Art. 1015 tem natureza taxativa. Assim, somente as hipóteses nele previstas podem ser consideradas como aptas a serem atacadas pelo agravo de instrumento. Somente a lei pode estabelecer tais hipóteses, sendo vedada a criação de outras hipóteses por convenção processual (Art. 190).

Embora o referido artigo seja taxativo, é admitido uma interpretação

extensiva do mesmo. Isso ocorre com a finalidade de se evitar o uso anômalo

do Mandado de Segurança em face das decisões judiciais, evitando-se o congestionamento deste tipo de ação.

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Hipóteses: 1ª) tutela provisória: é admissível em face da decisão que concede, revoga, indefere ou modifica, seja tutela provisória de urgência ou evidência. Importante mencionar que a decisão que postergar a análise da tutela provisória ou condicioná-la a qualquer exigência também pode ser impugnada por agravo de instrumento (En. 70, CJF).

2ª) decisão de mérito: é cabível também nas hipóteses de decisões interlocutórias parciais de mérito, que são aptas a formar coisa julgada. Assim como nas hipóteses em que são aplicadas multas processuais, como litigância de má-fé, podem ser objeto de agravo de instrumento, já que são decisões de mérito.

Importante: via de regra, a decisão que indefere a produção de provas não é impugnável por agravo de instrumento, salvo: a) que verse sobre exibição de documento ou coisa e b) decisão de produção antecipada da prova em que formulada a produção de mais de uma prova e lhe é negada apenas uma delas.

3ª) Decisão que rejeita a alegação de convenção de arbitragem: isso ocorre porque se trata de uma decisão sobre competência jurisdicional e por esse motivo existe decisão do STJ no sentido de abranger essa alínea para aceitar agravo de instrumento para decisões que versem sobre competência (REsp 1.679.909).

Importante: cabe agravo de instrumento contra decisão que reconhece a competência do juízo arbitral e se recusa a extinguir o processo judicial sem resolução de mérito (EN. 435, FPPC).

4ª) Decisão que resolve o incidente de desconsideração da personalidade

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desconsideração é resolvida na sentença, caberá apelação (enunciado 390, FPPC) e caso seja pelo relator, será impugnável por agravo interno.

5º) Gratuidade da justiça: é cabível o agravo de instrumento contra a decisão que indefere o pedido de gratuidade da justiça, tendo efeito suspensivo automático (Art. 101, parágrafo primeiro).

Concedeu o benefício Irrecorrível, podendo a outra parte

pedir a revogação do benefício

Negou o benefício Agravo de instrumento

Decisão interlocutória que revoga o benefício

Agravo de instrumento

Decisão interlocutória que não revoga o benefício

Apelação

Importante: cabe agravo de instrumento contra decisão que, apreciando pedido de concessão integral da gratuidade da justiça, defere a redução percentual ou o parcelamento de despesas processuais (enunciado 612, FPPC).

6º) Decisão sobre exibição ou posse de documento ou coisa (Art. 1015,

VI).

7º) Decisão que exclui litisconsorte: por não extinguir o processo, é considerada interlocutória e portanto, impugnável por agravo de instrumento. Se não for impugnada desde logo, estará sujeita à preclusão, não podendo ser recorrido nem mesmo na apelação.

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8º) Decisão que rejeita o pedido de limitação do litisconsórcio: somente é agravável a decisão que rejeita o requerimento de limitação do litisconsórcio ativo. A decisão que acolhe não é agravável.

9º) Decisão que admite ou inadmite intervenção de terceiros: autoexplicativo, sendo o caso de agravo de instrumento para todas as hipóteses de intervenção de terceiros, salvo amicus curiae, que é decisão irrecorrível (Art. 138, CPC).

10º) Decisão que concede, modifica ou revoga o efeito suspensivo aos

embargos à execução: importante também mencionar que a decisão que não

confere efeito suspensivo aos embargos também é agravável, nos termos do enunciado 71 do CJF e acampando pelo recente informativo 617, STJ.

11º) Decisão sobre a redistribuição do ônus da prova: de acordo com a doutrina majoritária, é agravável tanto a decisão que rejeita a inversão do ônus da prova quanto a que defere (enunciado 72, CJF).

12º) Decisões interlocutórias na ação popular: conforme Didier e Leonardo da Cunha, a solução mais correta é considerar que todas as decisões interlocutórias proferidas na ação popular podem ser impugnadas por agravo de instrumento.

Qual o prazo para interpor: 15 dias úteis, devendo ser interposto em petição

escrita dirigida ao próprio tribunal que irá julgá-lo.

O agravo de instrumento é recurso de fundamentação livre, podendo o recorrente alegar qualquer espécie de crítica à decisão. Tem de pedir uma

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nova decisão (error in procedendo), seja para anular a decisão impugnada ou pedir sua reforma (error in iudicando).

Para propor o agravo de instrumento, o recorrente deve juntar as peças obrigatórias, quais sejam: a) petição inicial; b) contestação; c) petição que ensejou a petição agrava; d) decisão agravada; e) certidão de intimação e f) procurações outorgadas aos advogados das partes.

De acordo com o STJ (REsp 1.184.975/ES), a ordem da juntada das peças é indiferente, bastando que estejam presentes na interposição do agravo. Vale ressaltar também que as peças podem ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, não sendo necessário que sejam levadas ao oficial público.

Importante: o agravo de instrumento não possui efeito suspensivo

automático, sendo necessário que seja postulado pelo recorrente.

É possível aplicar a teoria da causa madura ao agravo de instrumento:

Sim! Desde que previstos os pressupostos para sua incidência, conforme já admitido pela doutrina majoritária e também pela jurisprudência, conforme informativo 590, STJ.

É possível que as peças do agravo sejam entregues em formato DVD:

esse foi o entendimento do STJ no RESP 1.608.298-SP.

Em relação à profundidade recursal, o agravo de instrumento devolve ao tribunal toda a matéria necessária para resolver o capítulo impugnado. De acordo com os autores: “(...) É possível que o Tribunal, em agravo de instrumento, extinga o processo principal, desde que o recurso tenha sido admitido”.

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Sobre o ponto da certidão de intimação, o STJ tem entendimento de que a ausência da certidão de intimação não é óbice ao conhecimento do agravo de instrumento se, por outros meios inequívocos, for possível aferir a tempestividade do recurso (informativo 541, STJ).

Caso o recorrente não apresente alguma das peças obrigatórias, a doutrina entende que deve ser aplicado o Art. 932, parágrafo único, que determina sua intimação para sanar o vício ou complementar a documentação exigível.

Atenção: esse prazo não pode ser utilizado para complementar as razões

recursais, mas tão somente aspectos formais.

Ainda sobre o tema, existe relevante julgado do STJ no sentido de que o termo de abertura de vista e remessa à procuradoria substitui, para efeito de demonstração da tempestividade do agravo por ela interposto, a apresentação de certidão de intimação da decisão agravada (informativo 577, STJ).

Contra a decisão que defere ou indefere o pedido de tutela provisória recursal é cabível o recurso de agravo interno, nos termos do Art. 1.021, CPC. Sobre esse ponto, vale ressaltar que ao relator é vedado limitar-se a reproduzir a decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno (copiar e colar), nos termos do informativo 592, STJ.

Legislação correlata:

Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:

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II - mérito do processo;

III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem;

IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica;

V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;

VI - exibição ou posse de documento ou coisa;

VII - exclusão de litisconsorte;

VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;

IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;

X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;

XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o;

XII - (VETADO);

XIII - outros casos expressamente referidos em lei.

Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário.

Art. 1.016. O agravo de instrumento será dirigido diretamente

ao tribunal competente, por meio de petição com os

seguintes requisitos:

I - os nomes das partes;

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III - as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido;

IV - o nome e o endereço completo dos advogados

constantes do processo.

Art. 1.017. A petição de agravo de instrumento será instruída:

I - obrigatoriamente, com cópias da petição inicial, da contestação, da petição que ensejou a decisão agravada, da própria decisão agravada, da certidão da respectiva intimação ou outro documento oficial que comprove a tempestividade e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado;

II - com declaração de inexistência de qualquer dos documentos referidos no inciso I, feita pelo advogado do agravante, sob pena de sua responsabilidade pessoal;

III - facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis.

§ 1o Acompanhará a petição o comprovante do pagamento das respectivas custas e do porte de retorno, quando devidos, conforme tabela publicada pelos tribunais.

§ 2o No prazo do recurso, o agravo será interposto por:

I - protocolo realizado diretamente no tribunal competente para julgá-lo;

II - protocolo realizado na própria comarca, seção ou subseção judiciárias;

III - postagem, sob registro, com aviso de recebimento;

IV - transmissão de dados tipo fac-símile, nos termos da lei;

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§ 3o Na falta da cópia de qualquer peça ou no caso de algum outro vício que comprometa a admissibilidade do agravo de instrumento, deve o relator aplicar o disposto no art. 932, parágrafo único.

§ 4o Se o recurso for interposto por sistema de transmissão de dados tipo fac-símile ou similar, as peças devem ser juntadas no momento de protocolo da petição original.

§ 5o Sendo eletrônicos os autos do processo, dispensam-se as peças referidas nos incisos I e II do caput, facultando-se ao agravante anexar outros documentos que entender úteis para a compreensão da controvérsia.

Art. 1.018. O agravante poderá requerer a juntada, aos autos do processo, de cópia da petição do agravo de instrumento, do comprovante de sua interposição e da relação dos documentos que instruíram o recurso.

§ 1o Se o juiz comunicar que reformou inteiramente a decisão, o relator considerará prejudicado o agravo de instrumento.

§ 2o Não sendo eletrônicos os autos, o agravante tomará a providência prevista no caput, no prazo de 3 (três) dias a contar da interposição do agravo de instrumento.

§ 3o O descumprimento da exigência de que trata o § 2o, desde que arguido e provado pelo agravado, importa inadmissibilidade do agravo de instrumento.

Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no tribunal e distribuído imediatamente, se não for o caso de aplicação do art. 932, incisos III e IV, o relator, no prazo de 5 (cinco) dias:

I - poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão;

II - ordenará a intimação do agravado pessoalmente, por carta com aviso de recebimento, quando não tiver procurador constituído, ou pelo Diário da Justiça ou por carta com aviso de

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recebimento dirigida ao seu advogado, para que responda no prazo de 15 (quinze) dias, facultando-lhe juntar a documentação que entender necessária ao julgamento do recurso;

III - determinará a intimação do Ministério Público, preferencialmente por meio eletrônico, quando for o caso de sua intervenção, para que se manifeste no prazo de 15 (quinze) dias.

Art. 1.020. O relator solicitará dia para julgamento em prazo

não superior a 1 (um) mês da intimação do agravado. Questões comentadas:

Juiz Federal – TRF5: Contra pronunciamento de magistrado que, em primeiro grau, decida pela impugnação ao cumprimento de sentença, caberá recurso de apelação, se o processo for extinto, ou de agravo de instrumento, se o

processo prosseguir.

Correto! Vejamos o que diz o enunciado 93, CJF: “Da decisão que julga a

impugnação ao cumprimento de sentença cabe apelação, se extinguir o processo, ou agravo de instrumento, se não o fizer”.

PGM FOR: A certidão de concessão de vistas dos autos ao ente público é elemento suficiente para a demonstração da tempestividade do agravo de instrumento e se equipara à certidão de intimação da decisão agravada para essa finalidade. Correto! Questão baseada no informativo colacionado

acima.

Júlio ajuizou ação indenizatória contra Manoel, tendo formalizado pedido único de indenização por danos morais no valor de cem mil reais. Na fase de produção de provas, o juiz indeferiu o pedido de prova pericial feito por Júlio. Ao final da fase de conhecimento, o magistrado julgou integralmente

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procedente o pedido de indenização. Não cabe agravo de instrumento

contra decisão que indefere a produção de provas.

Enunciados doutrinários relevantes:

Enunciado 29, FPPC: É agravável o pronunciamento judicial que postergar a análise do pedido de tutela provisória ou condicionar sua apreciação ao pagamento de custas ou a qualquer outra exigência.

Enunciado 103, FPPC: A decisão parcial proferida no curso do processo com fundamento no art. 487, I, sujeita-se a recurso de agravo de instrumento.

Enunciado 142, FPPC: Da decisão monocrática do relator que concede ou nega o efeito suspensivo ao agravo de instrumento ou que concede, nega, modifica ou revoga, no todo ou em parte, a tutela jurisdicional nos casos de competência originária ou recursal, cabe o recurso de agravo interno nos termos do art. 1.021 do CPC.

Enunciado 154, FPPC: É cabível agravo de instrumento contra ato decisório que indefere parcialmente a petição inicial ou a reconvenção.

Enunciado 177, FPPC: A decisão interlocutória que julga procedente o pedido para condenar o réu a prestar contas, por ser de mérito, é recorrível por agravo de instrumento.

Enunciado 351, FPPC: O regime da recorribilidade das interlocutórias do CPC

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Enunciado 435, FPPC: Cabe agravo de instrumento contra a decisão do juiz que, diante do reconhecimento de competência pelo juízo arbitral, se recusar a extinguir o processo judicial sem resolução de mérito.

Enunciado 557, FPPC: O agravo de instrumento previsto no art. 1.037, §13, I, também é cabível contra a decisão prevista no art. 982, inc. I.

Enunciado 560, FPPC: As decisões de que tratam os arts. 22, 23 e 24 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), quando enquadradas nas hipóteses do inciso I, do art. 1.015, podem desafiar agravo de instrumento.

Enunciado 592: Aplica-se o inciso V do art. 932 ao agravo de instrumento.

Enunciado 596, FPPC: Será assegurado às partes o direito de sustentar oralmente no julgamento de agravo de instrumento que verse sobre tutela provisória e que esteja pendente de julgamento por ocasião da entrada em vigor do CPC de 2015, ainda que o recurso tenha sido interposto na vigência do CPC de 1973.

Enunciado 611, FPPC: Na hipótese de decisão parcial com fundamento no art. 485 ou no art. 487, as questões exclusivamente a ela relacionadas e resolvidas anteriormente, quando não recorríveis de imediato, devem ser impugnadas em preliminar do agravo de instrumento ou nas contrarrazões.

Enunciado 612, FPPC: Cabe agravo de instrumento contra decisão interlocutória que, apreciando pedido de concessão integral da gratuidade da Justiça, defere a redução percentual ou o parcelamento de despesas processuais.

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++ENUNCIADO 8, CJF – Não cabe majoração de honorários advocatícios em

agravo de instrumento, salvo se interposto contra decisão interlocutória

que tenha fixado honorários na origem, respeitados os limites estabelecidos

no art. 85, §§ 2º, 3º e 8º, do CPC.

+ENUNCIADO 61, CJF – Deve ser franqueado às partes sustentar oralmente

as suas razões, na forma e pelo prazo previsto no art. 937, caput, do CPC (15 minutos), no agravo de instrumento que impugne decisão de resolução parcial de mérito (art. 356, § 5º, do CPC).

++ENUNCIADO 71, CJF – É cabível o recurso de agravo de instrumento contra

a decisão que indefere o pedido de atribuição de efeito suspensivo a Embargos à Execução, nos termos do art. 1.015, X, do CPC.

+ENUNCIADO 72, CJF – É admissível a interposição de agravo de instrumento

tanto para a decisão interlocutória que rejeita a inversão do ônus da prova, como para a que a defere.

++ENUNCIADO 73, CJF – Para efeito de não conhecimento do agravo de

instrumento por força da regra prevista no § 3º do art. 1.018 do CPC, deve o juiz, previamente, atender ao art. 932, parágrafo único, e art. 1.017, § 3º, do CPC, intimando o agravante para sanar o vício ou complementar a documentação exigível.

ENUNCIADO 93, CJF – Da decisão que julga a impugnação ao cumprimento

de sentença cabe apelação, se extinguir o processo, ou agravo de instrumento, se não o fizer.

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