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Estratégia de educação corporativa para o setor elétrico do e-learning

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Academic year: 2021

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ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO CORPORATIVA PARA O SETOR ELÉTRICO UTILIZANDO O E-LEARNING

FLORIANÓPOLIS, SC 2004

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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS

ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO CORPORATIVA PARA O SETOR ELÉTRICO UTILIZANDO O E-LEARNING

RINALDO IRINEU DE SOUZA

Dissertação apresentada ao Curso de Pós--Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas do Centro Tecnológico da Universi-dade Federal de Santa Catarina, como requi-sito parcial à obtenção do grau de Mestre em Engenharia de Produção.

Orientador: Prof. Dr. Alejandro Martins Rodriguez

Florianópolis, SC 2004

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ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO CORPORATIVA PARA O SETOR ELÉTRICO UTILIZANDO O E-LEARNING

Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da

Universidade Federal de Santa Catarina.

Florianópolis, 19 /10 / 2004.

Edson Pacheco Paladini, Dr. Coordenador do Programa

BANCA EXAMINADORA

Alejandro Martins Rodriguez, Dr. Universidade Federal de Santa Catarina

Orientador

Neri dos Santos, Dr. Universidade Federal de Santa Catarina

Gregório Jean Varvakis Rados, Ph.D. Universidade Federal de Santa Catarina

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incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (Artigo 205 da Constituição Federal)

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Aos meus pais, Irineu e Zorilde, que proporcionaram com esforço minha educação inicial na escola e na vida, mostrando que o verdadeiro aprendizado está na união da teoria com a prática cotidiana.

À minha amada, Nara, que partilhou, letra por letra, com idéias críticas para um trabalho coerente.

Aos presentes mais preciosos que a vida me concedeu, meus dois filhos, Igor e Luan, que mostram diariamente que sempre podemos recomeçar a vida.

Aos professores que auxiliaram no aprimoramento dos meus conhecimentos sobre educação corporativa no aprendizado presencial e virtual, provocando mudanças na minha maneira de aprender e ensinar.

Ao Orientador, Dr. Alejandro Martins Rodriguez, que ao longo do trabalho apresentou caminhos, mas deixou que eu os percorresse a minha maneira.

Aos agentes de treinamento da Celesc, que provaram ser os grandes mediadores entre a DVCP (CeFA) e demais áreas da empresa, por sua colaboração, viabilizando a aplicação de parte do instrumento de pesquisa.

Agradecimento especial aos colegas de trabalho da Celesc que se dispuseram a contribuir para a pesquisa, fornecendo dados valiosos para a construção da estratégia proposta.

A todos os demais profissionais que, direta ou indiretamente, contribuíram para a conclusão de mais esta etapa tão importante da minha vida profissional.

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vi SOUZA, Rinaldo Irineu de. Estratégia de educação corporativa para o setor elétrico utilizando o e-learning.150 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Florianópolis.

O setor elétrico brasileiro tem passado por mudanças estruturais, especialmente a partir dos anos noventa, advindas das políticas governamentais como o racionamento de energia elétrica, da privatização, da terceirização e do conjunto de características da sociedade do conhecimento. Tais transformações têm afetado as estratégias de educação da área de capacitação e desenvolvimento das empresas do setor elétrico. O presente trabalho tem o intuito de propor novas estratégias de educação corporativa para essas organizações, especificamente para a Centrais Elétricas de Santa Catarina – Celesc, utilizada como objeto de estudo. A partir das informações adquiridas no levantamento com uma parcela dos empregados desta empresa, lotados nas Agências Regionais do estado catarinense, foram obtidos dados relevantes para a pesquisa, como: identificação do trabalhador quanto a posto de trabalho, escolaridade, grupo ocupacional, avaliação da quantidade e qualidade da capacitação oferecida, obstáculos para participação de cursos, acesso ao computador, Internet/Intranet, e-mail, preferência por modalidade de ensino (e-learning, presencial e misto) e áreas de conhecimento de seu interesse. Com base na pesquisa bibliográfica e nesses dados, foi proposta uma nova estratégia de capacitação profissional utilizando o e-learning e enfatizando a geração e difusão de conhecimento. A proposta contempla os seguintes aspectos: as novas metodologias de e-learning; arquitetura do aprendizado; infra-estrutura de capacitação; cultura do aprendizado, propriedade do gerenciamento e gerenciamento da mudança; caso comercial sólido; reinvenção da empresa de treinamento; objetos do conhecimento; avaliação dos cursos e os resultados esperados.

Palavras-chave: Setor elétrico, estratégia de educação corporativa, novas tecnologias da informação, e-learning.

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vii SOUZA, Rinaldo Irineu de. Using e-learning as a corporate education strategy in the electric sector.150 f. Dissertation (Master Degree in Production Engineering) – Postgraduation Program (Production Engineering), UFSC, Florianópolis.

The Brazilian electric sector has undergone structural changes, especially from the nineties on, which aroused from public policies such as the rationing of electric energy, the privatization process, outsourcing, the new model for the sector and from the set of the features of the information society. Such transformations have been affecting education strategies in the areas of training and development in electricity companies. The present work propose new corporate education strategies for those organizations, in this case specifically, for Centrais Elétricas de Santa Catarina – Celesc (Electric Centrals of Santa Catarina). Starting from information that was gathered by means of a research carried out among part of the employees of this company, working in Regional Agencies of the State of Santa Catarina, important data were obtained, such as: the worker identification to his function, education level, and occupational group; evaluation of the training offered by the company concerning its quantity and quality; obstacles for participation in courses; access to computers, Internet/Intranet, and e-mail; preference for teaching methods (conventional, e-learning, or mixed) and interest for specific areas of knowledge. Based on the literature and on the data a new strategy for professional training, which uses e-learning and emphasizes knowledge generation and diffusion is proposed. The proposal comprises the following aspects: new methodologies for e-learning; learning architecture; training infrastructure; learning culture; management property and change management; solid commercial case; reinvention of the training company; knowledge objects; evaluation of courses and expected results.

Key-words: electric sector, corporative education strategies, new information technologies, e-learning.

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viii

LISTA DE QUADROS ... xii

LISTA DE FIGURAS ... xiii

LISTA DE TABELAS ...xiv

LISTA DE SIGLAS ...xv 1 INTRODUÇÃO...01 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO ...01 1.2 JUSTIFICATIVA DO TRABALHO ...03 1.3 PROBLEMÁTICA ...05 1.4 OBJETIVOS...07 1.4.1 Objetivo geral ...07 1.4.2 Objetivos específicos ...07 1.5 METODOLOGIA...07 1.6 ESTRUTURA DA PESQUISA...08

2 O SETOR ELÉTRICO E A EDUCAÇÃO CORPORATIVA ...10

2.1 O SURGIMENTO DA ENERGIA ELÉTRICA E DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL ...10

2.2 O DESENVOLVIMENTO DO SETOR ELÉTRICO ...12

2.3 ESTADO DEMOCRÁTICO VERSUS SETOR ELÉTRICO...15

2.4 INSTITUIÇÕES QUE FOMENTAM O SETOR E SUAS ATIVIDADES DE CAPACITAÇÃO ...19

2.4.1 ANEEL...19

2.4.2 Ministério do Trabalho ...22

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ix

2.5.1 Departamento de tecnologia da informação – DPIN ...31

2.5.2 A educação corporativa na Celesc ...34

2.6 O SETOR ELÉTRICO FORMADO POR ORGANIZAÇÕES EM APRENDIZAGEM ..40

2.7 CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO ...43

3 EAD – DA CORRESPONDÊNCIA ESCRITA À ESTRATÉGIA ELETRÔNICA...45

3.1 EDUCAÇÃO NO TRABALHO E EAD – CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS...45

3.2 DA ESCRITA AO VIRTUAL – VIABILIZANDO A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ...50

3.3 INTERNET E A GLOBALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO ...54

3.4 ESTRATÉGIAS DE E-LEARNING ...56

3.5 MODELOS DE ENSINO A DISTÂNCIA ...59

3.6 LOGÍSTICA DO E-LEARNING ...64

3.6.1 Internet ...64

3.6.2 Ferramenta instrucional de navegação ...65

3.6.3 Ferramenta instrucional de interação ...65

3.6.4 Ferramenta de aprendizagem...66 3.6.5 Tutoria ...67 3.6.6 Portal do conhecimento...67 3.6.7 Formação do professor...68 3.7 OBJETOS DO CONHECIMENTO...68 3.8 GESTÃO DO CONHECIMENTO...71

3.9 COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM...73

3.10 CRITÉRIOS PARA A AVALIAÇÃO DO EAD/E-LEARNING ...74

3.11 CUSTOS DO EAD/E-LEARNING ...78

3.12 INSTITUIÇÕES DE ENSINO ...80

3.12.1 Open University...80

3.12.2 Universidade Aberta de Portugal ...81

3.12.3 Massachusetts Institute of Technology – Cambridge, Massachussetts...82

3.12.4 Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Laboratório de Ensino a distância – LED...83

3.12.5 Universidade Anhembi Morumbi ...84

(10)

x

4 LEVANTAMENTO REALIZADO COM OS EMPREGADOS DA CELESC...90

4.1 QUESTÕES DO INSTRUMENTO DE PESQUISA ...91

4.1.1 Parte I – Identificação ...91

4.1.2 Parte II – Diagnóstico...91

4.1.3 Parte III – Perspectivas de Ensino a distância ...92

4.2 DESCRIÇÃO DA PESQUISA...93

4.3 ANÁLISE DOS DADOS DO INSTRUMENTO DE PESQUISA...94

4.3.1 Parte I – Identificação ...94

4.3.2 Parte II – Diagnóstico...99

4.3.3 Parte III - Perspectivas de Ensino a distância ...102

4.4 CONSIDERAÇÕES SOBRE O LEVANTAMENTO...109

5 PROPOSTA DE ESTRATÉGIA DE EDUCAÇÃO CORPORATIVA UTILIZANDO O E-LEARNING...114

5.1 AS NOVAS METODOLOGIAS DE E-LEARNING...114

5.2 ARQUITETURA DO APRENDIZADO ...115

5.3 INFRA-ESTRUTURA DA CAPACITAÇÃO – LOGÍSTICA...116

5.3.1 Ferramentas instrucionais de navegação ...117

5.3.2 Ferramentas instrucionais de interação ...117

5.3.3 Ferramentas de aprendizagem ...117

5.3.4 Formação dos instrutores...119

5.4 CULTURA DO APRENDIZADO, PROPRIEDADE DO GERENCIAMENTO E GERENCIAMENTO DA MUDANÇA...119

5.5 COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM...120

5.6 CASO COMERCIAL SÓLIDO ...121

5.7 REINVENÇÃO DA EMPRESA DE TREINAMENTO ...122

5.8 OBJETOS DE CONHECIMENTO ...123

5.9 AVALIAÇÃO DOS CURSOS ...124

5.10 RESULTADOS ESPERADOS ...125

5.11 CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO ...126

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xi REFERÊNCIAS...138 ANEXOS ...145

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xii

Quadro 2.1 – Número de empregados da Celesc...27

Quadro 2.2 – Caracterização dos consumidores da Celesc. ...28

Quadro 2.3 – Número de computadores na Celesc por Agência Regional...33

Quadro 2.4 – Número geral de treinandos, carga horária, homem x hora e promoções de cursos realizados anualmente pela DVCP (CeFA). ...38

Quadro 3.1 – Mudança de paradigma do treinamento para o da aprendizagem ...47

Quadro 3.2 – Suportes tecnológicos para o EAD ...56

(13)

xiii

Figura 2.1 – Instituições envolvidas em torno de uma concessionária de energia elétrica...19

Figura 2.2 – A nova estrutura da Celesc ...30

Figura 3.1 – Elementos da estratégia corporativa de e-learning ...59

Figura 3.2 – Novo paradigma para a aprendizagem...62

Figura 3.3 – Elementos da base estratégica de Mark Rosenberg ...63

Figura 3.4 – Elementos de objetos de conhecimento...69

Figura 3.5 – Estrutura de objetos do conhecimento de Clark...70

Figura 3.6 – Modelo de avaliação para cursos a distância ...76

Figura 3.7 – Exemplo de cursos em larga escala ...80

Figura 4.1 – Demonstrativo da escolaridade do grupo pesquisado. ...96

Figura 4.2 – Grupos ocupacionais dos pesquisados...98

Figura 4.3 – Preferência da modalidade de ensino ...107

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xiv

Tabela 4.1 – Número de empregados pesquisados por agência ...95

Tabela 4.2 – Escolaridade e quantidade de pesquisados por grupo ocupacional ...96

Tabela 4.3 – Cargos dos empregados nos grupos ocupacionais dos pesquisados...98

Tabela 4.4 – Questão: “Você considera que a quantidade de cursos de capacitação oferecidos pela empresa é:”...99

Tabela 4.5 – Questão: “A qualidade dos cursos de capacitação oferecidos pela empresa é:”100 Tabela 4.6 – Questão: “Que obstáculos o/a impedem de participar de mais cursos de capacitação na DVCP (CeFA)?” ...101

Tabela 4.7 – Questão: “Já participou de algum curso utilizando a modalidade de ensino a distância?” ...102

Tabela 4.8 – Questão: “Tem acesso ao computador?” ...103

Tabela 4.9 – Questão: “Onde usa o computador?” ...104

Tabela 4.10 – Questão: “Possui senha?” ...105

Tabela 4.11 – Senhas por grupos ocupacionais ...105

Tabela 4.12 – Senhas por Agências Regionais ...106

Tabela 4.13 – Questão: ”Na hipótese de serem oferecidos cursos utilizando as duas modali-dades, qual será sua opção?” ...107

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xv ABRADEE – Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica

ACARESC – Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Santa Catarina

ACARPESC – Associação Catarinense de Crédito e Assistência Pesqueira de Santa Catarina AEUDF – Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal

AMFORP – American and Foreign Power Company ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica

ASMAE – Associação do Mercado Atacadista de Energia Elétrica

ASMIC – Association pour l’Organizacion des Missions de Coopération Técnique ASTEF – Association pour l’Organization des Stages en France

AT – Agentes de Treinamento

BIG – Banco de Informações Gerenciais

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CATI – Centro de Aprendizagem e Treinamento de Ilhota

CBEE – Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial CCPE – Planejamento da Expansão dos Sistemas Elétricos

CCFB – Centro Coordenador Franco-Brasileiro de Formação para a Indústria de Energia Elétrica

CEB – Companhia Energética de Brasília

CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica/RS CeFA – Centro de Formação e Aperfeiçoamento

CEFET-SC – Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina CELEG – Coordenação de Estudos Legislativos

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xvi CEMAR – Companhia Energética do Maranhão

CEMAT – Centrais Elétricas Matogrossenses CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais CEPISA – Companhia Energética do Piauí

CERON – Centrais Elétricas de Rondônia CESP – Companhia Energética de São Paulo

CFLCL – Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina CGCE – Câmara de Gestão da Crise de Energia

CGTEE – Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica CHESF – Companhia Hidroelétrica do São Francisco

CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CND – Conselho Nacional de Desestatização

CNPE – Conselho Nacional de Política Energética

COELBA – Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia COELCE – Companhia Energética do Ceará

COPEL – Companhia Paranaense de Energia

COSERN – Companhia Energética do Rio Grande do Norte CPD – Centro de Processamento de Dados

CPFL – Companhia Paulista de Força e Luz

CTEEP – Companhia Transmissora de Energia Elétrica Paulista DEF – Diretoria Econômico-Financeira

DPIN – Departamento de Tecnologia da Informação

DGD – Diretoria de Gestão e Desenvolvimento Organizacional DNAE – Departamento Nacional de Águas e Energia

DNAEE – Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica

DNPM – Divisão de Águas do Departamento Nacional de Produção Mineral DPCP – Departamento de Capacitação de Pessoal

DTE – Diretoria Técnica

DVCP – Divisão de Capacitação e Desenvolvimento Profissional EDF – Eletricité de France

ELETROBRÁS – Centrais Elétricas Brasileiras S.A

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xvii EMPASC – Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária

ENERGIPE – Empresa Energética de Sergipe

ENERSUL – Empresa Energética de Mato Grosso do Sul

EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A. ESCELSA – Espírito Santo Centrais Elétricas

FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador FT – força de trabalho

FUNDACENTRO – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho GCOI – Grupo Coordenador para Operação Interligada

GEADE – Especial de Administração para Desenvolvimento de Executivos GERASUL – Centrais Geradoras do Sul do Brasil

HHT – homens hora treinamento

ILUMINA – Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

LNT – Levantamento de Necessidade de Treinamento MAE – Mercado Atacadista de Energia

MME – Ministério das Minas e Energia NR – Norma Regulamentadora

ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico PDI – Programa de Demissão Incentivada

PEPE – Programa de Estímulo à Privatização Estadual PIPMO – Programa Intensivo de Formação de Mão-de-Obra PND – Programa Nacional de Desestatização

PROCEL – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica PRODEGE – Programa de Desenvolvimento Gerencial

PRODASC – Companhia de Processamento de Dados de Santa Catarina PRODESPO – Programa de Desenvolvimento do Pessoal da Operação RGG – Reserva Global de Garantia

RGR – Reserva Global de Reversão

SAELPA – Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba SCORM – Sharable Content Object Reference Model SEP – Sistema Elétrico de Potência

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xviii SENAT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte

SESI – Serviço Social da Indústria SEST – Serviço Social do Transporte

SOTELCA – Sociedade Termoelétrica Capivari S.A. T&D – Treinamento e Desenvolvimento

TE – Total de empregados

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1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

A energia elétrica é de fundamental importância para o desenvolvimento socioeconômico, possibilitando mais qualidade de vida aos cidadãos. A descoberta e a utilização desta energia desencadeia a história das empresas do setor elétrico brasileiro, as quais estão atualmente passando por profundas mudanças. Uma das ferramentas mais poderosas de transformação das organizações é a educação corporativa (BOOG, 1994, p. 3), que pode dar uma valiosa contribuição nesse processo. Para se adequar a esta nova conjuntura utilizando a área de capacitação e desenvolvimento, as empresas precisam redefinir estratégias educacionais mais modernas, que possibilitem utilizar as novas tecnologias da informação e os recentes métodos pedagógicos de ensino a distância.

A partir da última década, o setor elétrico brasileiro está sendo afetado por fatores como: o novo modelo de gestão, a globalização, o racionamento de energia, a desestatização (privatização), a terceirização dos serviços e a crescente dependência da tecnologia. Esses aspectos influenciam as organizações; as mais inovadoras buscam incentivar a criatividade, o conhecimento e a capacidade de aprendizado nos vários níveis da empresa (TERRA, 1999). As futuras corporações de sucesso serão aquelas que descobrirem como cultivar o comprometimento e a capacidade de aprender dos seus profissionais (SENGE, 1998, p. 37-8). O desafio para o setor é como promover estas atividades de capacitação nesta nova conjuntura.

Outros fatores também influenciam as empresas de eletricidade, como os citados por Haddad e Draxler (2002, p. 4). Os autores destacam que os países, as instituições e os indivíduos passam por transformações baseadas em quatro desafios: o crescimento do conhecimento; o consentimento mundial de sociedades livres, com qualidade de vida; a

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pressão global por mais educação; as mudanças nos padrões de competição comercial com a inovação tecnológica. O que se verifica hoje é que está havendo uma mudança da sociedade industrial para a do conhecimento, na qual, conforme Nonaka (1997, p. 27), a única fonte garantida de vantagem competitiva é o conhecimento. Estes fatores têm relação com as mudanças do setor elétrico que está adquirindo características mais competitivas, necessitando aprimorar suas estratégias de educação para auxiliar seus profissionais na busca de conhecimento, adquirindo competências para adaptar-se ao novo modelo de gestão e a sociedade do conhecimento.

A presente pesquisa traça, inicialmente, uma trajetória histórica do surgimento da geração e distribuição comercial da eletricidade no mundo e, principalmente, no Brasil, a partir do século XIX. São apresentadas, concomitantemente ao desenvolvimento das empresas de eletricidade, as influências sobre o setor elétrico da política, da economia e dos setores produtivos da sociedade brasileira. Empresas estratégicas do setor elétrico como por exemplo ANEEL, Eletrobrás e especialmente a Celesc foram apresentadas a partir da sua participação nas atividades de educação corporativa.

A Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. – Celesc – é uma das poucas empresas do setor que possui uma área específica para desenvolver atividades de educação profissional e foi utilizada como objeto de estudo nesta pesquisa. São apresentados seus equipamentos tecnológicos, a partir do Departamento de Informática, passíveis de serem utilizados como recurso pedagógico e o histórico dos 35 anos da educação corporativa da área de Capacitação e Desenvolvimento Profissional (DVCP). Conforme Cappelli (2003, p. 41), vivemos em um mundo tecnologicamente avançado e de espaço para novas demandas de gerentes e trabalhadores, resultando na necessidade de capacitação para esses profissionais.

Para que a educação profissional contribua de forma eficaz no processo de mudança, novos paradigmas têm de ser aceitos como, por exemplo, a utilização do e-learning, uma instância do ensino a distância (EAD). Assim, foi realizado um pequeno histórico do EAD, das tecnologias utilizadas como recurso pedagógico, uma retrospectiva da tecnologia do e-learning que propicia ao profissional que o aprendizado lhe seja disponibilizado no local de trabalho, a qualquer hora, de forma rápida, eficiente e com conteúdos mais atualizados. Possibilita também que os profissionais sejam capacitados em equipes existentes na estrutura organizacional e que se utilizem as tecnologias da rede de computador e demais recursos eletrônicos no processo de ensino-aprendizagem. Com os avanços nas telecomunicações e na tecnologia computacional, surgiram novas ofertas de educação para qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer hora (SCOLLIN E TELLO, 1999, p. 11).

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As organizações utilizam a tecnologia do e-learning, conforme Rosenberg (2002, p. 27-8), para diminuir custos, aumentar a oferta de ensino personalizado, apresentar conteúdo de forma mais confiável, disponibilizar aprendizado 24 horas por dia, permitir melhor aproveitamento do tempo, propiciar universalidade, criar comunidades, escalabilidade, aproveitar o investimento na Web e, por fim, oferecer serviços com cada vez mais valor. Para este autor, a Web é a biblioteca mundial, o motor da economia do conhecimento e, portanto, um veículo natural para o aprendizado. Nesse sentido, são apresentados elementos constitutivos do e-learning e outros aspectos importantes das estratégias virtuais de ensino--aprendizagem para o uso dessa tecnologia recomendada na bibliografia.

Conhecer melhor as características tecnológicas da uma organização e o acesso dos profissionais a essas ferramentas é fundamental para o planejamento de uma estratégia educacional que pretende utilizar o e-learning num setor específico. Foi então pesquisada uma parcela dos trabalhadores da Celesc, através de um levantamento. Para tanto, foi elaborado um instrumento de pesquisa que possibilitou a identificação do público alvo, a opinião sobre os cursos oferecidos pela Celesc, o conhecimento da rede de computadores e demais ferramentas com potencial para utilização no e-learning.

A partir da análise dessas informações e da revisão de literatura foi montada uma proposta de educação corporativa para a Celesc. A proposta é apresentada numa adaptação da base estratégica de Rosenberg (2002, p. 29-30), com o intuito de solucionar dificuldades como a diminuição de profissionais da Celesc, a burocracia para participação de capacitação, a dificuldade de se afastar do local de trabalho e a escassez de recursos financeiros destinados a educação profissional.

1.2 JUSTIFICATIVA DO TRABALHO

Com o novo modelo do setor elétrico, as regras de geração, transmissão, distribuição e comercialização da energia elétrica estão mudando para tornar as empresas mais competitivas. Aquela que oferecer energia elétrica a um menor custo e com melhor prestação de serviços ganhará mais mercado. As mais competitivas serão aquelas que tiverem eletricitários com competência para adquirir conhecimento e desenvolver habilidades para fazer suas atividades com eficiência, para isso, é necessário aprimorar a estratégia de educação corporativa. Para aperfeiçoar o processo de ensino da Celesc é necessário conhecer melhor suas características e novos métodos pedagógicos que preencham as lacunas do novo modelo do setor e da sociedade do conhecimento.

(22)

Nesta nova realidade Niskier (2000, p. 26) afirma que a qualificação profissional torna-se urgente devido ao desenvolvimento tecnológico exigir recursos humanos capazes de incorporar as mudanças com rapidez e gerar inovação. Para Garvin (2000, p. 51), a melhoria contínua exige comprometimento com o aprendizado. A Celesc possui conhecimentos organizacionais próprios que precisam ser armazenados e disponibilizadas para todos, de forma planejada, rápida e mais econômica. Muitas informações importantes não são adquiridas pelos profissionais por falta de oportunidade para adquiri-las, de habilidade para encontrá-las ou mesmo por imperícia em manusear as novas tecnologias da informação.

O conhecimento na sociedade moderna tem sido cada vez mais valorizado, segundo Drucker (2001, p. 155), ele é poderoso, pois controla o acesso às oportunidades e ao progresso. Para Lévy (2000, p. 19) a prosperidade das nações, das regiões, das empresas e dos indivíduos depende de sua capacidade de navegar no espaço do saber. Mas, como é possível disponibilizar conhecimento num momento em que a Celesc está diminuindo o número de empregados, dificultando a saída do local de trabalho para participar de capacitação e reduzindo recursos financeiros para educação e despesas com viagens?

Uma das maneiras encontrada pelas organizações para auxiliar na melhoria do processo educacional é a utilização das novas tecnologias da informação especialmente a rede de computador no processo pedagógico, pois de acordo com Liu e Reed (1994, p. 419), “a tecnologia da hipermídia tem potencial para acomodar aprendizes com diferentes necessidades através de seu rico ambiente.” A utilização do e-learning pode ser então, um recurso tecnológico viável para a educação corporativa das empresas de eletricidade, porque a maioria possui intranet/internet para comunicação interna e para conexão com a Web. Essa tecnologia possibilita atingir um número ilimitado de alunos dispersos geograficamente (como é o caso dos trabalhadores da Celesc), os quais, por sua vez, podem programar seu tempo de estudo de forma mais proveitosa, para aprender interagindo e colaborando por meio da rede de computador.

Uma estratégia moderna de educação profissional deve estar de acordo com os negócios da empresa e apresentar novos paradigmas pedagógicos para o planejamento da produção e disseminação do conhecimento, utilizando as tecnologias da informação. O desafio é como colocar em prática esta idéia para que facilite aos empregados da Celesc a obtenção de informações e experiências que desenvolva competências para o profissional executar seus serviços de maneira nais eficaz.

Segundo Rodriguez (2002, p. 452) “a educação deve ser uma estratégia da empresa e não uma estratégia a ser alinhada à estratégia da empresa.” Nesse sentido, a proposta pretende

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considerar elementos que possibilitem novos modos de ensinar e aprender e o início de uma nova concepção pedagógica de educação corporativa, mais comprometida com as estratégias da organização.

A utilização do EAD nos novos paradigmas da educação requer um conhecimento prévio da instituição e dos seus profissionais, que irão aprender utilizando as novas tecnologias da informação como recurso pedagógica. A pesquisa torna-se, então, importante para formular uma estratégia de educação corporativa baseada em informações condizentes com a realidade dos profissionais, da educação e das tecnologias disponíveis na Celesc.

Considerando que o contexto vivenciado pelas empresas do setor elétrico é o mesmo em todo o país, uma proposta de educação corporativa para a Celesc poderá ser expandida para as demais empresas do setor, pois as estratégias de educação a distância podem ser similares.

Além disso, as empresas de eletricidade têm características semelhantes, por produzir e comercializar energia elétrica, além de ter que atender consumidores numa área geográfica extensa, conforme o tamanho do território brasileiro. Estas empresas necessitam de tecnologia de ponta para executar seus serviços e promover a comunicação entre os trabalhadores, clientes e demais instituições.

Desse modo, acredita-se que a pesquisa é uma das alternativas para definir a melhor forma de planejar novos processos educativos não só para a Celesc, mas para todas as empresas desse setor, possibilitando utilizar, de forma eficaz, as novas tecnologias da informação disponíveis para aprender e ensinar através da interação/colaboração entre os profissionais.

1.3 PROBLEMÁTICA

Os modelos tradicionais de programas de treinamento para os profissionais do setor elétrico não correspondem às necessidades atuais. Para Haddad e Draxler (2002, p. 12), os altos custos de passagens e o afastamento do local de trabalho não atendem a nova realidade dos tempos modernos. Para os autores, a rede de computador tem grande potencial para disseminar conhecimento e promover um aprendizado eficiente. Entretanto, se as estratégias educacionais não forem adequadas e os pré-requisitos para a utilização das tecnologias não forem considerados, o potencial das ferramentas pode não se otimizar.

A desestatização do setor elétrico levou estas empresas ao aumento da terceirização dos seus serviços. Este fato, aliado às novas regras do setor estabelecidas pela Agência

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Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, têm dificultado a realização da capacitação dos trabalhadores das empresas de eletricidade.

A Centrais Elétricas de Santa Catarina – Celesc, nos últimos treze anos teve uma diminuição de aproximadamente cinquenta por cento do seu número de empregados e de acordo com as regras do novo modelo do setor elétrico este número deve baixar. Como conseqüência, surge a dificuldade de liberar os empregados para capacitação, além da escassez de recursos financeiros.

Torna-se, então, necessário destacar novos paradigmas pedagógicos que considerem os aspectos citados e a possibilidade do uso das novas tecnologias existentes nas empresas de eletricidade, que possibilitem levar informações através de um ambiente virtual propício para a capacitação e o desenvolvimento no local de trabalho. Para Lévy (1999, p. 157), trabalhar está relacionado com a educação, “quer dizer, cada vez mais, aprender, transmitir saberes e produzir conhecimento.” Uma das formas de harmonizar as duas atividades é propor maneiras de executar o trabalho e o aprendizado com os novos métodos pedagógicos que possibilitem adquirir conhecimento no local de trabalho a qualquer momento.

As mudanças pelas quais tem passado o setor elétrico impuseram às empresas o desafio de executar as atividades de educação corporativa com menos recursos financeiros, ofertar ensino de forma mais democrática, diminuir as ausências do local de trabalho, com conteúdos mais atualizados e maior interação dos elementos envolvidos.

Como estas tarefas não se efetuam em pouco tempo, é urgente a necessidade de propor alternativas de educação profissional que possibilitem a valorização do capital humano, pois, de acordo com Chiavenato (1999, p. 294), as pessoas são o principal patrimônio e o diferencial competitivo das organizações.

Considerando os elementos acima, aponta-se o seguinte problema de pesquisa: de acordo com as restrições impostas pela conjuntura, uma proposta de educação corporativa utilizando o e-learning atende às necessidades de capacitação dos empregados da Celesc?

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1.4 OBJETIVOS

1.4.1 Objetivo Geral

Investigar a viabilidade de adotar o e-learning como estratégia de educação corporativa para a Celesc.

1.4.2 Objetivos específicos

a) Conhecer o histórico do setor elétrico brasileiro;

b) Investigar a educação corporativa de algumas empresas do setor elétrico, especialmente da Centrais Elétricas de Santa Catarina – Celesc;

c) Mapear, junto a área de Tecnologia da Informação da Celesc, os equipamentos e condições tecnológicas disponíveis para utilização em cursos de capacitação a distância;

d) Proceder a uma revisão de literatura sobre EAD/e-learning;

e) Elaborar um instrumento de pesquisa que possibilite conhecer o perfil e as necessidades de capacitação dos empregados da Celesc;

f) Apresentar uma proposta de educação corporativa para o setor elétrico utilizando o e-learning.

1.5 METODOLOGIA

Para Gil (2002, p. 17), a pesquisa pode ser definida “como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos.” Nesse sentido, foi realizada uma revisão de literatura e um levantamento de informações com os empregados da Celesc, empresa utilizada como objeto de estudo neste trabalho, a fim de propor uma alternativa que atenda às necessidades de capacitação profissional desta empresa.

Com base nos objetivos, a pesquisa pode ser classificada como exploratória-descritiva. Exploratória por proporcionar maior familiaridade com o assunto para torná-lo mais explícito, além de aprimorar as idéias ao longo do trabalho; descritiva, pelo fato de descrever características de um público alvo determinado, os empregados da Celesc. Conforme Gil

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(2002, p. 42), “as pesquisas descritivas são, juntamente com as exploratórias, as que habitualmente realizam os pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática.”

A revisão de literatura realizada sobre o setor elétrico e o ensino a distância utilizou livros, publicações periódicas e impressos diversos das seguintes bibliotecas: Biblioteca Central e do Centro de Educação – CED – da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC; Biblioteca Pública de Florianópolis; Biblioteca da Eletrosul; Bibliotecas da Celesc – Administração Central e da Divisão de Capacitação e Desenvolvimento Profissional – DVCP ( CeFA).

Com base nos procedimentos técnicos utilizados, caracteriza-se a pesquisa como levantamento, por solicitar, segundo Gil (2002, p. 50), “informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado, para em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados”. Para esse autor, as principais vantagens deste tipo de pesquisa são o conhecimento direto da realidade, a economia e a rapidez e a quantificação dos dados que podem ser agrupados em tabelas ou quadros.

Para o levantamento das informações foi elaborado um instrumento de pesquisa (Anexo 1), aplicado aos empregados das Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. – Celesc. Este foi dividido em três partes: Identificação, Diagnóstico e Perspectivas de Ensino a Distância. Os formulários foram impressos e distribuídos nas dezessete Agências Regionais da Celesc localizadas nas diversas regiões do Estado, ficando o corpus de análise constituído por 640 documentos, correspondentes a 17% do total de empregados da referida empresa.

A amostragem do levantamento foi do tipo estratificada, por subgrupo dos empregados da Celesc, ou seja, a partir dos quatro grupos ocupacionais existentes na empresa, Manual Operacional, Administrativo, Técnico e Acadêmico.

1.6 ESTRUTURA DA PESQUISA

A pesquisa está estruturada em seis capítulos, partindo da revisão de literatura que contém um histórico do setor elétrico e passando pelos conceitos e caracterização do ensino a distância. A apresentação e análise dos dados do levantamento antecederam e balizaram a proposta de estratégia de educação corporativa..

No primeiro capítulo, é dada uma visão geral do trabalho, através da contextualização, da apresentação dos objetivos gerais e específicos, da exposição da justificativa e importância do trabalho, da definição da metodologia utilizada na pesquisa e da estrutura do trabalho.

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O segundo capítulo traz um histórico do setor elétrico, em paralelo com o desenvolvimento sócio-político-econômico do Brasil, destacando o desenvolvimento do setor e as influências do Estado democrático. Discorre também sobre algumas empresas que integram o setor, como a ANEEL, a Eletrobrás e a Celesc. São descritas dessas empresas as políticas de educação profissional, com informações mais detalhadas das Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. – Celesc. Sobre esta última empresa, são destacadas as características do Departamento de Tecnologia da Informação e o histórico da sua Divisão de Capacitação e Desenvolvimento Profissional – DVCP (CeFA).

O terceiro capítulo apresenta a fundamentação teórica do ensino a distância, seus conceitos e características e sua evolução com a utilização dos novos equipamentos tecnológicos. A correspondência, o rádio, a televisão, o videocassete e o computador são expostos na condição de ferramentas pedagógicas utilizadas pelo EAD. São descritos também alguns aspectos das estratégias do e-learning, tais como: modelos de ensino a distância, logística, comunidades virtuais de aprendizagem, gestão do conhecimento, custos, critérios para avaliação e algumas instituições de ensino superior que utilizam EAD.

O quarto capítulo é constituído do levantamento, realizado com empregados da Celesc, nos meses de maio a julho de 2003. Foi elaborado um Instrumento de Pesquisa que visava a conhecer a identidade do profissional, fazer um diagnóstico sobre sua participação em cursos promovidos pela empresa e verificar a perspectiva do empregado quanto à utilização das novas tecnologias e do EAD no aprendizado profissional.

A proposta de estratégia de educação corporativa utilizando o e-learning é apresentada no quinto capítulo, adaptando a base estratégica de Rosenberg (2002, p. 29-30) à realidade diagnosticada no instrumento de pesquisa. Também são considerados elementos das propostas de outros autores para a implantação de estratégias de e-learning, conforme revisão bibliográfica.

No sexto capítulo, são apresentadas as conclusões, as dificuldades encontradas e, considerando que esta pesquisa não tem a pretensão de esgotar o assunto, são apontadas algumas possibilidades de investigação para trabalhos futuros, sugeridas em decorrência do estudo feito.

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A energia elétrica é de fundamental importância para o progresso da sociedade. Uma infinidade dos bens de consumo produzidos atualmente utiliza esta energia. Quando se conhece a história do surgimento e do desenvolvimento desta energia, comprova-se sua importância na construção de um país.

Assim, são destacados fatos históricos relevantes do surgimento do setor elétrico brasileiro, as instituições que organizaram e impulsionaram o setor, as relações do setor com o Estado democrático e com os grupos políticos/econômicos, as principais transformações no setor e a função de algumas instituições estratégicas. A ANEEL, o Ministério do Trabalho, a Eletrobrás e a Celesc são as organizações apresentadas, tendo como foco principal suas atividades de educação corporativa, realizadas ao longo dos anos.

Como a Celesc será objeto de estudo na pesquisa, ela teve seus dados mais detalhados. Apresenta-se o histórico do seu surgimento, algumas características do seu Departamento da Tecnologia da Informação e suas atividades relativas ao ensino profissional, realizadas pela Divisão de Capacitação e Desenvolvimento Profissional – DVCP.

2.1 O SURGIMENTO DA ENERGIA ELÉTRICA E A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL

O advento da grande indústria, na passagem para o século XIX, deu início à produção em grande escala, fazendo surgir o trabalhador livre, de atividade assalariada. Essa conseqüência do processo de industrialização teve início na Inglaterra e expandiu-se para o resto da Europa (MANFREDI, 2002, p. 41). Paralelamente a esse fato, a humanidade vivenciou grandes mudanças científicas, no período compreendido entre 1820 e 1870, com a descoberta do eletromagnetismo e a definição de uma teoria que explicava a eletricidade, resultante dos trabalhos de Hans Cristian Öersted, André Marie Ampère, Michael Faraday e

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James Clerk Maxwel, entre outros (SANTOS E REIS, 2002, p. 15). O desenvolvimento das teorias relativas à eletricidade e a sua relação com o magnetismo configurou-se como um avanço da área da física estratégico para o futuro da indústria. No ano de 1879, Thomas Edison inventou a lâmpada incandescente e instalou, em 1882, a iluminação pública em Nova York. Simultaneamente a isso, foram implantados os primeiros sistemas de transmissão de energia elétrica em alta tensão, possibilitando disseminar esta energia para as indústrias e os demais consumidores (SANTOS E REIS, 2002, p. 17). Manfredi (2002, p. 53) destaca que, nesse contexto, o trabalhador assalariado estava inserido e contava somente com um “processo de aprendizagem informal, que abrangia o domínio dos métodos, técnicas e rotinas das tarefas dos diferentes ofícios [e] constituiu, durante séculos, a única escola de que homens e mulheres, jovens e adultos de classes populares dispunham.”

No Brasil, o primeiro episódio envolvendo a eletricidade comercial foi a inauguração da iluminação elétrica da Estação Central da Estrada de Ferro D. Pedro II, atual Central do Brasil, no Rio de Janeiro, no ano de 1879, conforme Sampaio (2001, p. 62). A autora afirma que “com a energia elétrica, que trouxe muitos benefícios à população, possibilita-se a intensificação no trabalho. Em 1881, graças à iluminação de um trecho do jardim Campo da Aclamação, atualmente Praça da República, na cidade do Rio de Janeiro, os trabalhos de calçamento são realizados à noite”. A primeira geradora de energia elétrica no País foi implantada no último quartel do século XIX, em Diamantina (MG). Tratava-se de uma pequena usina instalada no Ribeirão do Inferno, em 1883, com o objetivo industrial de extração de diamantes. Em 1889, foi inaugurada a primeira usina hidrelétrica comercial do Brasil e da América do Sul, denominada Marmelos, localizada no rio Paraibuna, em Juiz de Fora (MG) (SANTOS E REIS, 2002, p. 18).

Em relação ao treinamento e desenvolvimento das pessoas que trabalhavam nos primeiros anos da implantação e funcionamento do setor elétrico brasileiro, muito pouco se sabe. Segundo Manfredi (2002, p. 65), quando se busca a história da educação profissional daquela época, “..., no Brasil, deparamos com duas ordens de dificuldades: a tradição historiográfica de pesquisa (...) [e] os estudos acerca da educação escolar, que têm privilegiado pesquisas sobre o ensino superior e ensino médio, em detrimento do ensino profissional.” Se mesmo dados mais gerais não são disponíveis, tanto menos os dados específicos ao setor elétrico.

Por outro lado, desde o início do século XIX, houve iniciativas como a das empresas ferroviárias, que mantinham escolas para formação profissional dos seus operários para executar suas funções. Esse ensino dispensou o longo e incerto padrão de aprendizado

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herdado do artesanato (CUNHA, 2000, p. 24). Conforme Scremin (2002, p. 20), no período de 1809 a 1816, ocorreu a primeira ação governamental de educação profissional no Brasil, com a criação do Colégio das Fábricas. Para esta autora, a história da educação profissional em nosso país mostra um caráter assistencialista, voltado para jovens e adultos das classes menos favorecidas.

2.2 O DESENVOLVIMENTO DO SETOR ELÉTRICO

As primeiras hidrelétricas construídas no sul do País, conforme Santos (2002, p. 22), são “as usinas de Piraí, em Joinville (1909), e a de Maroim, localizada próxima a Florianópolis (1910), ambas em Santa Catarina; a de Serra do Prata, que alimentava Paranaguá (1910), e a de Pitangui, próxima a Ponta Grossa, (1911), no Paraná; e a de Passo Fundo, instalada no noroeste do Rio Grande do Sul (1912)”.

Cachapuz (2002, p. 12) ressalta que o setor elétrico brasileiro formou-se com base no capital privado; a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica foram organizadas em sistemas isolados, tendo como principal objetivo atender à demanda de energia elétrica dos grandes centros urbanos, onde também estão localizadas as indústrias. Os sistemas elétricos de maior porte foram instalados entre os primeiros pólos industriais do País, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo “a partir da década de 1900 pelas concessionárias da holding canadense Brazilian Traction, Light and Power mais conhecida como Light (...) com capacidade instalada em 1960, equivalente a 41% do total nacional...” (CACHAPUZ, 2002, p. 12). A segunda empresa com maior parque gerador, de acordo com o mesmo autor, era o conjunto das concessionárias do grupo norte-americano American and Foreign Power Company – AMFORP, que detinha neste mesmo período 10,8% do total (CACHAPUZ, 2002, p. 14).

Conforme esses dados, o setor elétrico brasileiro estava nas mãos do setor privado, sem a existência de regulamentação em relação a concessão, exploração, produção e comercialização. A primeira tentativa de regulamentar o setor dá-se com o presidente Nilo Peçanha, em 1909, com a solicitação da aprovação do Código de Águas pelo Congresso, projeto que fica parado por mais de 20 anos (SAMPAIO, 2001, p. 68).

Para Cachapuz (2002, p. 14), a intervenção do Estado no setor elétrico começa a tomar forma a partir da revolução de 1930. O governo brasileiro, na pessoa do Presidente Getúlio Vargas, interveio no setor, promulgando o Código de Águas, que assegurava o monopólio do poder de concessão do aproveitamento dos recursos naturais, da exploração industrial, do

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controle mais rigoroso nas empresas do setor elétrico, na redefinição das atividades dos poderes público e privado, além da relação das empresas nacionais e estrangeiras (CENTRO DA MEMÓRIA DA ELETRICIDADE NO BRASIL, 2001, p. 53). Na constituição de 1937, foi determinado um papel inédito para o Estado, sindicatos e empresas: a formação profissional dos trabalhadores (CUNHA, 2000, p. 28).

Em 1939, é criado o Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (CNAEE), com o objetivo de organizar o setor, através da regulamentação e da fiscalização, para o desenvolvimento do setor elétrico (SAMPAIO, 2001, p. 68). Esse órgão torna-se agente principal do setor até a criação do Ministério das Minas e Energia (MME) e da Eletrobrás. Com a expansão da indústria nacional, através de políticas implantadas na Era Vargas, surge o Sistema S, formado pelas empresas do Sesi, Senai, Sesc, Senac, Senat, entre outras. O Sistema S é reconhecido como uma rede paraestatal de educação profissional, organizada e gerenciada pelos órgãos sindicais (MANFREDI, 2002, p. 179).

A crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial dificultaram o desenvolvimento e a importação de equipamentos para o setor elétrico, agravando ainda mais a falta de energia. No início do governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), surge o debate para elaborar a Constituição. No que se refere aos interesses do setor elétrico e da indústria, formam-se duas fortes correntes que se opõem, a desenvolvimentista e a do liberalismo econômico:

A corrente desenvolvimentista, pautada pela defesa da intervenção maciça do Estado na economia nos setores de infra-estrutura e nas atividades nas quais se acreditava que o capital privado não dispusesse de condições para atuar; e a corrente do liberalismo econômico, contrária ao incentivo do Estado à indústria nacional e favorável à entrada de capitais estrangeiros. (CENTRO DE MEMÓRIA DA ELETRICIDADE NO BRASIL, 2001, p. 77)

O debate relativo às políticas neoliberais e de privatização do setor elétrico, bem como o apoio à indústria nacional e o fortalecimento do Estado no desenvolvimento social vêm ocorrendo desde esse período. Nessa conjuntura, o governo federal solicita a elaboração de um Plano Nacional de Eletrificação em 1947, para interligar os sistemas e amenizar a falta de energia elétrica de certas regiões. Dentre as metas desse Plano, constava a interligação de sistemas regionais, sem privilegiar a produção de grandes centrais geradoras (CACHAPUZ, 2002, p. 15). Os governos dos Estados mais importantes, atentos à problemática, engajaram--se, através de empresas públicas que fizeram estudos do potencial hidrelétrico, na construção de usinas e na constituição de empresas estatais do setor elétrico. O aumento da participação do Estado no setor deu-se principalmente no segundo governo de Vargas,

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(...) quando ele encaminha para o Congresso Nacional quatro projetos de lei diferentes, mas inter-relacionados. O primeiro instituía o Fundo Federal de Eletrificação (FFE) e o Imposto Único sobre Energia Elétrica (IUEE), sendo aprovado em agosto de 1954 (...) O segundo estabelecia critérios de rateio do imposto único entre a União, os estados e os municípios, sendo transformado em lei em novembro de 1956, já no governo Juscelino Kubitschek. O terceiro propunha o Plano Nacional de Eletrificação e jamais ultrapassou a fase inicial de discussão no Congresso Nacional. O quarto previa a criação da Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás), como empresa pública de âmbito nacional, encarregada da execução dos empreendimentos do Plano Nacional de Eletrificação, sob responsabilidade do governo federal (CACHAPUZ, 2002, p. 18-19).

O projeto de criação da Eletrobrás ficou em debate por sete anos no Congresso, devido à influência e oposição de concessionárias estrangeiras (SAMPAIO, 2001, p. 71). Nesse período, ocorre a constituição de um grande número de empresas estatais de economia mista. Entre elas, é criada, em dezembro de 1955, a empresa Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. – Celesc (BRITO, 2002, p. 167).

No governo de Juscelino Kubitschek, houve uma expansão do setor produtivo, com a criação, em 1957, da Central Hidrelétrica de Furnas S.A., da Sociedade Termoelétrica de Capivari – SOTELCA e da Companhia Hidroelétrica do Vale da Paraíba – CHEVAP. Essa expansão favoreceu a idéia da criação do Ministério das Minas e Energia – MME (CACHAPUZ, 2002, p. 19-20).

No início dos anos 60, ainda persistiam as dificuldades das empresas do setor elétrico, que não supriam as demandas. A tendência de grande número de concessionárias municipais e privadas era serem absorvidas pelas empresas estaduais, prestes a serem constituídas com a implantação da interligação dos sistemas de transmissão (SAMPAIO, 2001, p. 72). O governo criou o Ministério das Minas e Energia – MME, em abril de 1961, e o presidente Jânio Quadros assinou, finalmente, em 25 de abril de 1961, a lei nº 3.890-A, autorizando o governo federal a constituir a Eletrobrás. “A empresa foi oficialmente instalada em 11 de junho de 1962, já no governo de João Goulart, passando a administrar o Fundo Federal de Eletrificação e a carteira de aplicações efetuada pelo BNDE junto às concessionárias.” (CACHAPUZ, 2002, p. 21). Ela foi constituída num período de recessão no País, com a inflação corroendo os salários, e os baixos investimentos privados expondo a crise econômica. Num cenário político-econômico conturbado, ocorre o golpe de Estado, quando o primeiro governo militar do general Humberto Castelo Branco promoveu “a política do ‘realismo tarifário’, adotada em 1964, a qual contribuiu decisivamente para a recomposição da capacidade de investimento do

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setor.” (CACHAPUZ, 2002, p. 22) Foi um período de expansão em vários setores: pólos eletroquímicos, agropecuários, agrominerais, produção de petróleo, construção de hidrelétricas. Havia, portanto, necessidade de formação de mão-de-obra. Assim, foi revitalizado o Programa Intensivo de Formação de Mão-de-Obra – PIPMO – criado pelo governo João Goulart para treinamento acelerado, de conteúdo reduzido, considerando os aspectos prático e operacional (MANFREDI, 2002, p. 104). Para viabilizar esses projetos, o governo militar obteve financiamentos internacionais, possibilitando a educação profissional e a ampliação da produção geradora. Nesse contexto, o Estado passa a ter, em 1965, a produção majoritária de Energia Elétrica, devido à aquisição de empresas do grupo AMFORP. Nesse período, o governo transformou a antiga Divisão de Águas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), no Departamento Nacional de Águas e Energia (DNAE) que, três anos mais tarde, recebeu a denominação de Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE), com o objetivo de normatizar e fiscalizar o setor elétrico (CACHAPUZ, 2002, p. 23-4).

No governo Costa e Silva, foi sancionado o Decreto 60.824, de junho de 1967, que estabeleceu um número limitado de empresas de eletricidade. Mesmo com esse Decreto, o processo de encampamento das pequenas empresas elétricas ainda demoraria quase sete anos para ser concluído (CACHAPUZ, 2002, p. 25). O País vivia uma contradição: de um lado a opressão de uma ditadura militar e de outro “o milagre econômico”, que perdurou até 1973, com a crise do petróleo.

Na década de setenta, as empresas públicas detinham 80% da capacidade geradora de energia elétrica. O crescimento médio anual do total gerado (incluindo a geração privada, de capital estrangeiro), entre 1961 e 1970, foi de 9,1%. Iniciava-se um período de mudanças importantes para o setor elétrico e, principalmente, para a Eletrobrás, com a consolidação das suas atividades e consagração como empresa referência no setor. Ocorreram algumas medidas para o fortalecimento financeiro (Reserva Global de Reversão – RGR e Reserva Global de Garantia – RGG) e a viabilização de obras gigantescas como as hidrelétricas de Itaipu e Tucuruí. No final dessa década, com a compra da Light pela Eletrobrás, concluía-se o processo de nacionalização do setor elétrico (CACHAPUZ, 2002, p. 64-78).

2.3 ESTADO DEMOCRÁTICO VERSUS SETOR ELÉTRICO

A década de 80 iniciou com transformações político-econômicas devido ao anseio popular por democracia. O símbolo dessa democracia foi representado pelo Movimento pelas

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Diretas, pela anistia e pela possibilidade de maior participação política dos trabalhadores nos rumos do País. Por outro lado, o Brasil sofria os efeitos da crise internacional pelo segundo choque do petróleo e criava-se um quadro de crise econômica, que combinava com a queda do produto interno bruto (PIB) e uma inflação de 93% no ano de 1981 (CACHAPUZ, 2002, p. 161). Este quadro refletiu-se nas empresas do setor elétrico e “a redemocratização do País, a partir da metade da década de 80 traz outro componente à crise do setor: a interferência política na administração das empresas estatais, levando à politização interna das organizações, agravando o quadro” (BORENSTEIN et al., 1999, p. 15). Concomitante a esta crise, estava em ação o Plano 2000, definido em dois estágios de expansão, correspondentes aos períodos 1983-1990 e 1991-2000. Mas a realidade econômica fez “as bases de financiamento do plano ficarem inteiramente comprometidas pelo esgotamento da política de crescente endividamento externo do setor de energia elétrica e pela utilização sistemática das tarifas como instrumento de combate à inflação” (CACHAPUZ, 2002, p. 210).

Na mesma década, foi feita a interligação dos sistemas Sul-Sudeste e Norte-Nordeste, o que não solucionou as dificuldades físicas das redes elétricas, e detectaram-se problemas fora dos padrões normais. Ocorreu também a transição política para a Nova República, após 21 anos de governo militar. Segundo Cachapuz (2002, p. 242), nesta conjuntura de ascensão democrática, foi promulgada a Constituição de 1988, e o presidente José Sarney aprovou o Plano 2010, que previa o planejamento em longo prazo do setor de energia elétrica e os Planos Decenais de Expansão (atualização anual dos planos). Para o autor, o Plano 2010

apresentou um conjunto de recomendações de caráter geral para implementação e atualização de suas diretrizes no tocante a temas prioritários, como: a abordagem integrada dos estudos energéticos; (...) a capacitação industrial; a pesquisa e desenvolvimento; (...) o treinamento e a capacitação de recursos humanos; a revisão do modelo institucional do setor... (CACHAPUZ, 2002, p. 289-290).

Neste período, observou-se uma maior preocupação em incluir nos planejamentos estratégicos do setor elétrico a pesquisa, o desenvolvimento, o treinamento e a capacitação dos trabalhadores.

No ano de 1989, ocorreu a tão reivindicada eleição direta para Presidente. Numa disputa acirrada, venceu o desconhecido governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo. Este iniciou um plano de estabilização econômica através do confisco monetário generalizado e fracassou, ocasionando atraso sistemático do pagamento suprido pelas empresas estatais de energia às federais e à Itaipu Binacional, “...assistindo-se então à quase completa

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desarticulação financeira do setor” (CACHAPUZ, 2002, p. 315). Nesse contexto de insegurança econômica e política, Fernando Collor de Melo decidiu desencadear a privatização do setor. Isso ocorreu concomitante ao seu processo de impeachment.

Em 1995, Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República, prometendo estabilização da economia, através do Plano Real e de uma política neoliberal que colocou em prática a privatização do setor elétrico. Com o sucesso do controle inflacionário, o governo conseguiu maioria no Congresso e aprovou medidas que visavam ao fim do monopólio estatal em vários setores da produção de energia. Segundo o CENTRO DA MEMÓRIA DA ELETRICIDADE NO BRASIL (2001), dentre as várias medidas adotadas que afetaram o setor elétrico estão:

• Ampliação ao Programa Nacional de Desestatização (PND); • Criação do Conselho Nacional de Desestatização (CND);

• No ano de 1998, instituição do Mercado Atacadista de Energia (MAE);

• No mesmo ano, instituição do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, a fim de coordenar e controlar a operação deste sistema, assumindo as funções do Grupo Coordenador para Operação Interligada – GCOI;

• Em outubro de 2000, formação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com o objetivo de atuar no desenvolvimento de fontes alternativas renováveis de energia;

• Com a política neoliberal de privatização, surgimento de um grande número de empresas do setor elétrico, devido a cisões, fusões, incorporação, redução de capital e constituição de subsidiárias integrais;

• Apoio às privatizações pelo Programa de Estímulo à Privatização Estadual – PEPE, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, que utiliza recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT;

• Em fevereiro de 2000, lançamento do Programa Emergencial de Termelétrica, prevendo a construção de 49 usinas a gás natural até 2005;

• No início de 2001, lançamento do Plano de Racionalização de Energia, o qual previa várias medidas para solucionar a carência do setor;

• Estabelecimento pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE) das diretrizes de tarifação especial, fornecimento de energia elétrica e medidas de redução de consumo.

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Nesta nova organização do setor elétrico brasileiro, foram criadas quatro instituições com funções fundamentais, conforme ANEEL (2000, p. 4-5):

a) Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) – possui as funções de: coordenar e controlar as instalações de geração e transmissão de energia elétrica; b) Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia Elétrica

(ASMAE) – responsável pela operação do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE);

c) Comitê Coordenador do Planejamento da Expansão dos Sistemas Elétricos (CCPE) – faz os estudos de planejamento da expansão dos sistemas;

d) Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) – órgão regulador do setor elétrico.

Esta nova conjuntura determinou uma política de desestatização para o setor elétrico, provocando a privatização principalmente das geradoras e distribuidoras de energia, o que acentuou o processo de terceirização dos serviços. Com a falta de energia elétrica, advinda da descontinuidade das obras de geração e transmissão, por motivos políticos e econômicos, a ANEEL incentiva a busca de novas alternativas de fontes de energia (ANEEL, 2002), haja vista que os estudos realizados nos planos anteriores previam um esgotamento do potencial hidroelétrico do País (CACHAPUZ, 2002, p. 331).

Para compreensão das influências dos vários grupos sociais nas concessionárias de energia elétrica neste novo cenário, são apresentadas, na Figura 2.1, as instituições envolvidas em torno de uma concessionária de energia elétrica:

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Figura 2.1 – Instituições envolvidas em torno de uma concessionária de energia elétrica CONCESSIONÁRIA Grupos ecológicos Consumidores ANEEL neel Empreiteiros concorrentes Associações de Classe Fornecedores Acionistas

Grupos políticos Tribunal de Contas

Governo

Sindicatos

Fonte: BORENSTEIN E CAMARGO (1997)

A Fig. 2.1 demonstra a complexidade das relações de uma empresa concessionária de energia elétrica com outras instituições e grupos. Os autores destacam, neste exemplo, algumas “forças” externas e internas que influenciam o cotidiano dessas organizações. Para Morgan (1996, p. 158), “as organizações são compostas por coalizões e a construção da coalizão é uma importante dimensão de quase toda a vida organizacional.” Essa realidade alerta para que a mudança de qualquer natureza deva considerar todas estas influências destacadas, para que, no planejamento, sejam consideradas estas “forças”, se possível, como aliadas no processo. Algumas instituições necessitam ter uma atenção especial nesta coalizão, devido a sua importância estratégica no setor elétrico, como apresentado a seguir.

2.4 INSTITUIÇÕES QUE FOMENTAM O SETOR E SUAS ATIVIDADES DE CAPACITAÇÃO

Nesta etapa do trabalho, são destacadas instituições do setor elétrico brasileiro – ANEEL, Ministério do Trabalho, Eletrobrás e Celesc –, com suas respectivas funções e as atividades desenvolvidas na capacitação dos seus profissionais.

2.4.1 ANEEL

Devido à nova política de privatização do setor elétrico, adotada pelo governo Fernando Henrique Cardoso nos anos 90, foi extinto o Departamento Nacional de Águas e

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Energia Elétrica – DNAEE. Em seu lugar, foi criada, pela Lei 9.427, de dezembro de 1996, a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Essa agência tem o objetivo de coordenar as concessões, licitações e fiscalização da geração e transmissão de energia elétrica no País (CENTRO DA MEMÓRIA DA ELETRICIDADE DO BRASIL, 2001).

Conforme ANEEL (2000, p. 5), ela possui as seguintes atribuições:

• Regular e fiscalizar a geração, transmissão, distribuição e comercialização da energia elétrica, defendendo o direito do consumidor;

• Mediar os conflitos de interesses entre os agentes do setor elétrico e entre estes e os consumidores;

• Conceder, permitir e autorizar instalações e serviços de energia; • Garantir tarifas justas, zelar pela qualidade dos serviços, exigir

investimentos, estimular a competição entre os operadores e assegurar a universalização dos serviços.

No que se refere à fiscalização do treinamento, consta do mesmo documento que a ANEEL

procura observar se pode haver um conjunto de treinamentos aparentemente bom, porém com desempenho deficiente de equipes na execução das respectivas atividades. Esta comparação pode, eventual-mente, permitir avaliar se o treinamento está sendo aplicado ou priorizado para as áreas mais necessitadas da empresa (ANEEL, 2000, p. 31).

Esta referência mostra o reconhecimento da existência e necessidade da capacitação, entretanto não estabelece prerrogativas mais claras para a fiscalização a ser efetuada pela Agência. Assim, surgem algumas questões: Qual a referência para se ter “um conjunto de treinamentos aparentemente bom”? Qual a carga horária mínima necessária? Que rol de disciplinas é imprescindível para “as áreas mais necessitadas da empresa”? Qual a real freqüência indispensável de treinamento para os empregados? Com que freqüência a ANEEL realizará a fiscalização?

Estas respostas são fundamentais para garantir a capacitação/segurança dos trabalha-dores do setor elétrico, pois, de acordo com o engenheiro eletricista Joaquim Gomes Pereira, na reportagem “Perigo no circuito” (REVISTA PROTEÇÃO, 2002, p. 37), o setor está matando quatro vezes mais que as outras atividades no Brasil. Conforme o documento da Superintendência de Fiscalização da ANEEL (ANEEL, 2000, p. 32) as taxas de treinamento

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em torno de 2% são consideradas satisfatórias. Abaixo disso, é necessária uma fiscalização mais rigorosa. As empresas são avaliadas através de entrevistas, nas quais se buscam dados a respeito dos recursos orçamentários, convênios e centros de treinamento disponíveis na empresa, considerando:

• taxa de treinamento para toda a empresa;

• taxa para as áreas de transmissão de energia elétrica (operação e manutenção);

• se nos programas de treinamento as prioridades se dirigem às funções e áreas vitais;

• habilitação, certificação periódica e de reciclagem para operadores e despachantes;

• formação e capacitação específica; • desenvolvimento;

• outros relevantes (ANEEL, 2002, p. 32).

Em consulta por e-mail à ANEEL (www.aneel.gov.br), solicitando informações sobre o acompanhamento das atividades dos treinamentos realizados pelas empresas do setor elétrico, a resposta obtida foi: “(...) não sendo, portanto, o órgão adequado para fornecer tais informações. Orientamos a procurar tais informações junto às concessionárias” (Anexo 2). Resta a dúvida se a ANEEL fiscaliza mas não pode fornecer as informações, ou não possui os dados da capacitação dos profissionais do setor.

A solicitação das informações sobre treinamento e desenvolvimento foi feita porque a Eletrobrás organizava as informações encaminhadas pelas concessionárias de energia sobre as suas atividades anuais de capacitação, formando o Relatório Estatístico dos Sistemas de Informações Gerenciais de Treinamento e Desenvolvimento (ver item 2.4.3). Após as privatizações, não se tem informação se outro órgão continua fazendo esta atividade. Provavelmente não, conforme resposta da ANEEL descrita anteriormente.

A ANEEL possui uma Norma de Organização nº 002 (ANEEL 2003), revisada pela Portaria nº 22, de 25 de fevereiro de 2003, que “dispõe sobre a caracterização, critérios e procedimentos para a estruturação e a participação de servidores da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, em ações de Treinamento e Desenvolvimento – T&D”. Essa norma, entretanto, não se estende aos demais trabalhadores do setor que não fazem parte do quadro da ANEEL.

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2.4.2 Ministério do Trabalho

O Ministério do Trabalho é responsável pela atualização da NR10, documento referente a capacitação e desenvolvimento dos profissionais que trabalham com instalações e serviços em eletricidade. Através da Portaria nº 6, de 28 de março de 2002, o Ministério do Trabalho e Emprego – Secretaria de Inspeção do Trabalho (BRASIL, 2002) – propõe alteração da Norma Regulamentadora nº 10 – NR 10. Essa Norma passou a estabelecer novas “diretrizes básicas que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança e saúde, de forma a garantir a segurança dos trabalhadores que direta ou indiretamente interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade.” (BRASIL, 2002, p. 1) Ela abrange as fases de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica, para garantir a saúde e segurança dos trabalhadores.

No que se refere à segurança em instalações elétricas energizadas, a Norma estabelece, no item 10.6.1.1, que “os profissionais mencionados [trabalhadores que direta ou indiretamente interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade] devem receber treinamento de segurança para trabalhos com instalações elétricas energizadas, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo II desta NR” (BRASIL, 2002, p. 4). O Anexo II descreve a programação de dois cursos: Básico – Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade – e Complementar – Segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP). Os dois cursos possuem uma carga horária mínima de 40 horas, sendo que o Curso Básico possui programação mínima com 14 conteúdos e o Curso Complementar oferece 19 conteúdos. Observa-se que grande parte dos conteúdos são técnicos, exceto Segurança do Trabalho e Primeiros Socorros. Este último consta somente no curso Básico.

Esta normativa trata, no item 10.8, da habilitação, qualificação, capacitação e outras exigências para autorização de estes profissionais exercerem atividades em instalações e serviços em eletricidade. A obrigatoriedade do treinamento e desenvolvimento vem conscientizar empresas e trabalhadores da importância de aprimorar a habilidade para a segurança com as atividades relacionadas com a energia elétrica.

Referências

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