O meu percurso na viagem para me tornar Professora
de Educação Física
Relatório de Estágio Profissional
Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-Lei nº344/89, de 11 de Outubro e Decreto-Lei nº79/2014 de 14 de Maio)
Orientadora: Mestre Mariana de Sena Amaral da Cunha
Marta Alexandra Oliveira Costa
Ficha de Catalogação
Costa, M.A.O. (2017). O meu percurso na viagem para me tornar Professora de
Educação Física. Relatório de Estágio Profissional. Porto: M. Costa. Relatório de
Estágio Profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA; EMPENHO; APRENDIZAGEM
AGRADECIMENTOS
Ao finalizar esta etapa na minha formação, onde deixo oficialmente de ser uma estudante para começar a minha vida profissional, gostaria de agradecer a várias pessoas sem as quais nada disto seria possível.
Em primeiro lugar quero agradecer à minha Tia, Conceição Moreira, que me ajudou imenso na correção de todo este documento. De facto, a sua ajuda foi imprescindível para eu conseguir finalizar esta etapa.
Agradecer aos meus pais e irmão por todo o apoio, por me encorajarem a seguir o curso que eu queria e por me ajudarem em todas as fases desde a licenciatura até à conclusão deste mestrado.
Agradeço também à Professora Orientadora, Mariana Cunha, pela paciência e disponibilidade demonstradas, por todas as críticas construtivas e por me ajudar a crescer como professora.
Ao Professor Cooperante, José Paulo Caseiro, pela disponibilidade, liberdade e conselhos dados ao longo do ano letivo.
A todo o grupo de Educação Física por tudo o que fizeram por mim, pela amabilidade durante todo o ano letivo e pela disponibilidade em me ajudar a crescer profissionalmente.
Um agradecimento especial ao Professor Camacho e Professor Sérgio, por me fazerem sentir parte do grupo de Desporto Escolar e por confiarem em mim para lecionar alguns dos treinos.
Agradeço aos meus colegas pertencentes ao meu núcleo de estágio, por todas as brincadeiras, reuniões, partilha de informação e conhecimentos e por estarem sempre disponíveis.
A todos os meus alunos pois sem eles nada disto teria sido possível. Ao Professor Paulo Oliveira por ter disponibilizado uma Unidade Didática da sua turma, para que eu pudesse lecionar uma turma do 2ºciclo e por todos os conselhos e ajuda durante a lecionação da mesma.
À funcionária da Biblioteca, Patrícia Martins, pela ajuda na realização das referências bibliográficas através do programa EndNote e na formatação deste documento.
E como não poderia deixar de ser, um agradecimento às pessoas que sempre estiveram presentes em todo este meu percurso porque sem elas tudo seria diferente: os meus padrinhos, Fernanda Almeida e Dário Almeida, a minha madrinha de praxe, Daniela e os amigos Cátia, Sara, Letícia, Nuno, Joana, entre outros…
ÍNDICE GERAL
AGRADECIMENTOS ... III ÍNDICE GERAL ... V ÍNDICE QUADROS ... VII ÍNDICE DE ANEXOS ... IX RESUMO... XI ABSTRACT ... XIII 1. INTRODUÇÃO ... 1 2. ENQUADRAMENTO PESSOAL ... 3 2.1. Eu e o Desporto ... 3
2.2. Expetativas em relação ao estágio ... 6
3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ... 9
3.1. Papel do estágio profissional e legitimação da Educação Física ... 9
3.2. Enquadramento Legal e Institucional ... 11
3.3. A Escola Cooperante ... 15
3.3.1. Espaço Desportivo e Materiais ... 15
3.3.2. Grupo de Educação Física ... 16
3.3.3. Núcleo de Estágio ... 17
3.3.4. A minha Turma ... 18
4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ... 19
4.1. Conceção ... 19
4.2. Planeamento ... 22
4.2.1. Nível 1: Plano anual ... 22
4.2.2. Nível 2: Unidades Didáticas ... 23
4.2.3. Nível 3: Planos de aula ... 26
4.3. Realização ... 28
4.3.1. Disciplina: ... 28
4.3.2. Organização e gestão da aula ... 29
4.3.3. Instrução ... 32
4.3.4. Feedback ... 35
4.3.5. Avaliação ... 37
4.3.6. Reflexão e Observação ... 41
5. SERÁ O EMPENHO CRUCIAL NA EVOLUÇÃO DOS ALUNOS? ... 49
5.1. Resumo ... 49
5.2. Introdução ... 50
5.3. Metodologia ... 52
5.3.1. Grupo de estudo e recolha de dados ... 52
5.3.2. Análise Estatística ... 53
5.4. Apresentação e Discussão dos Resultados ... 53
5.5. Considerações finais ... 55
5.6. Referências Bibliográficas ... 57
6. CONCLUSÃO ... 59
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 61
ÍNDICE QUADROS
Quadro 1 – Distribuição das Matérias de Ensino ao longo do ano……. 23 Quadro 2 – Número de aulas por Unidade Didática……….. 26 Quadro 3 – Comparação dos dois momentos de avaliação (diagnóstica e sumativa), de cada aluno……… 53 Quadro 4 – Comparação do empenho entre alunos………. 54
ÍNDICE DE ANEXOS
Anexo 1 – Plano de aula ……….……...… 69 Anexo 2 – Escala de Empenho………..………...… 70
RESUMO
O presente relatório foi elaborado no âmbito do Estágio Profissional, encontrando-se incluído no segundo ano do plano de estudos do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Este documento contém um relato das atividades desenvolvidas ao longo do ano letivo, havendo um confronto entre a prática e a teoria. Esta unidade curricular incorpora duas componentes: a prática de ensino supervisionada, realizada numa escola cooperante, sob orientação de um professor cooperante e o relatório de estágio, elaborado sob a orientação de um professor da faculdade. O relatório de estágio encontra-se dividido em cinco partes: (1) Introdução – breve contextualização do presente documento; (2) Enquadramento Pessoal – O meu percurso de vida e as razões que me levaram a escolher integrar este mestrado assim como as expectativas inicias; (3) Enquadramento da Prática Profissional – legal e institucional - bem como uma breve caraterização da escola cooperante e núcleo de estágio; (4) Realização da Prática Profissional – Relato da minha experiência ao longo do estágio profissional dividida em três áreas de desempenho: Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, Área 2 – Participação na Escola e Relações com a Comunidade e Área 3 – Desenvolvimento Profissional. Neste capítulo emergem vários temas que me foram cruciais ao longo do ano assim como o estudo de investigação intitulado “Será o empenho crucial na evolução dos alunos?” no qual averiguei que os alunos que mais se empenharam apresentaram evoluções significativas; (5) Conclusão – Resumo sobre o ano letivo, a minha evolução como professora e expetativas para o futuro.
PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA; EMPENHO; APRENDIZAGEM
ABSTRACT
This report is based on everything I experienced throughout the Professional Internship, included in the second year of the Master's Program in Teaching Physical Education in Elementary and Secondary Education of the Faculty of Sport of the University of Porto. This document contains an account of the activities developed over the school year, confronting theory with practice. This curricular unit incorporates two components: the supervised teaching practice, carried out at a cooperating school, under the guidance of a cooperating teacher and the internship report, elaborated with the guidance of a faculty member. The traineeship report is divided into five parts: (1) Introduction - brief contextualization of this document; (2) Personal Framing - My life course and the reasons that led me to choose to integrate this master's degree as well as my initial expectations; (3) Professional Practice Framework - Legal and institutional - as well as a brief characterization of the cooperating school and internship nucleus; (4) Professional Practice - account of my experience throughout the professional stage divided into three areas of performance: Area 1 - Organization and Management of Teaching and Learning, Area 2 - Participation in School and Community Relationships and Area 3 - Professional development. In this chapter, a number of themes emerged that became crucial to me throughout the year, as well as the research paper entitled " Is the students’ commitment indispensable for their evolution?" In which I found that the most committed students showed significant developments; (5) Conclusion - Summary of the school year activities, my evolution as a teacher and expectations for the future.
KEYWORDS: PROFESSIONAL INTERNSHIP, PHYSICAL EDUCATION; EFFORT, LEARNIN
1. INTRODUÇÃO
O presente documento foi elaborado no âmbito da unidade curricular Estágio Profissional do 2ºano do 2ºciclo de estudos, incluída no segundo ano do plano de estudos do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensino Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
Esta unidade curricular incorpora duas componentes: a prática de ensino supervisionada e realizada numa escola cooperante situada no concelho de São João da Madeira, distrito de Aveiro, com um núcleo de estágio constituído por mais dois elementos, um do sexo feminino e um do sexo masculino e o relatório de estágio sob a orientação de um professor cooperante e a orientação de um professor da faculdade.
O estágio profissional corresponde à etapa final da formação do Estudante Estagiário, no qual tive a oportunidade de lecionar duas turmas de anos de escolaridade diferentes, sendo uma turma residente e uma turma partilhada onde apenas lecionei uma modalidade. Também pude acompanhar uma equipa do desporto escolar, colaborar com o diretor da minha turma residente e familiarizar-me com todas as suas funções. Participei nas reuniões de departamento e de grupo de Educação Física assim como em todos os eventos da escola onde o grupo de Educação Física organiza e/ou participa. Todas estas vertentes ajudaram-me a entender o papel diversificado de um professor e a crescer profissionalmente. O objetivo da unidade curricular de estágio é visar a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão (Batista & Pereira, 2014).
Antes de começar o estágio, sentia-me ansiosa, pois estava à espera de um ano extremamente trabalhoso mas também sabia que todo esse trabalho iria
tornar-me uma melhor profissional e iria aprender imenso, o que realmente aconteceu.
O relatório de estágio espelha o meu ano de estágio e encontra-se dividido em cinco capítulos: (1) Introdução – breve contextualização do presente documento; (2) Enquadramento Pessoal – O meu percurso de vida e as razões que me levaram a escolher integrar este mestrado assim como as expectativas inicias; (3) Enquadramento da Prática Profissional – Enquadramento legal e institucional, bem como uma breve caraterização da escola cooperante e núcleo de estágio; (4) Realização da Prática Profissional – Relato da minha experiência ao longo do estágio profissional dividida em três áreas de desempenho: Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, Área 2 – Participação na Escola e Relações com a Comunidade e Área 3 – Desenvolvimento Profissional. Na área 1 apresento a minha conceção de ensino, os três níveis de planeamento, nomeadamente, plano anual, unidade didática e plano de aula; descrevo ainda quais os modelos de ensino utilizados, como organizei as minhas aulas e como disciplinei os meus alunos. Apresento ainda a forma de avaliação utilizada ao longo do ano. A área 2 contém todas as atividades não letivas, tais como o desporto escolar e os eventos realizados na escola. A área 3 debruça-se sobre o estudo de investigação intitulado “Será o empenho crucial na evolução dos alunos?” no qual descobri que os alunos que mais se empenharam apresentaram evoluções significativas; (5) Conclusão – Resumo do ano letivo, a minha evolução como professora e expetativas para o futuro.
2. ENQUADRAMENTO PESSOAL
2.1. Eu e o Desporto
Em relação aos meus dados pessoais, destacaria apenas o meu nascimento, no dia 17 de Março de 1994, e crescimento na cidade de São João da Madeira. Desde tenra idade fui estimulada a gostar de desporto pela minha mãe que me a deu oportunidade de escolher entre Ballet ou Karaté. Na altura optei por ballet, que após quatro anos decidi substituir por futebol, o que viria a ser a minha verdadeira paixão. Sempre gostei de jogar futebol com os meus colegas de escola e, quando o meu pai estava de férias, pedia-lhe para jogar comigo. Ele, na maioria das vezes jogava, acabando também por estimular ainda mais o meu interesse por este desporto. Passados alguns anos a jogar futebol, optei por, a conselho de pessoas próximas, mudar para o futsal, aquele que tem sido o meu desporto de eleição desde então.
Relativamente aos meus professores de Educação Física, a partir do 3ºCiclo, a minha relação com eles nunca foi fácil, porque raramente concordava com as classificações finais que me eram atribuídas, que considerava injustas. Os professores alegavam que eu não me empenhava o suficiente, o que me chocava, pois dava sempre o meu melhor em todas as aulas, até porque era a minha disciplina preferida. Contudo, fui agradavelmente surpreendida no 12º ano quando a minha professora, apesar de não ter essa obrigação, me ajudou bastante a treinar para os pré-requisitos.
A minha decisão de tirar o curso de desporto adveio da minha paixão natural pelo desporto e pelo encorajamento, por parte dos meus pais, em seguir aquilo que realmente gosto. A minha formação na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto – Ciências do Desporto - Ramo Treino Desportivo ocorreu entre os anos de 2012 e 2015. Inscrevi-me no Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário na mesma Instituição de Ensino Superior, para continuar a dar resposta ao meu gosto pelo desporto e à minha vontade de ensinar os outros. Segundo Queirós (2014, p.70), a aprendizagem da docência “é um processo construído ao longo da vida, desde a escolarização
inicial, momento em que se constituem crenças e conceções”. Assim sendo, desde muito cedo, especialmente nas aulas de Educação Física, procurei sempre ajudar os meus colegas com mais dificuldades motoras, ficando extremamente feliz ao constatar a sua evolução, porque me sentia, em parte, responsável por essa melhoria através da minha cooperação e apoio.
A minha formação inicial nesta faculdade permitiu-me estar, de certa forma, mais preparada para este mestrado que é exigente, mas enriquecedor, uma vez que foi uma etapa importante no conhecimento do conteúdo, que me permitiu experienciar várias modalidades. O primeiro ano de mestrado foi duro, mas ao mesmo tempo recompensador. Apesar do número considerável de trabalhos, na sua maioria em grupo, o que, por vezes dificultava a execução das tarefas, pelas diferentes perspetivas e diferentes níveis de empenho, todos contribuíram para uma maior aprendizagem. As didáticas específicas possibilitaram uma prática pedagógica simulada em contexto escola, contribuindo para uma maior noção da realidade e a mobilização para a prática de tudo aquilo que aprendemos. Segundo Queirós (2014, p.75), o objetivo da formação inicial é “proporcionar aos professores os conhecimentos, a formação técnica, científica e pedagógica de base, bem como formação pessoal e social adequada ao exercício da função de docente”. Durante estas práticas, há uma maior valorização quando os professores observam o nosso desempenho e, posteriormente, analisam os pontos positivos e negativos da aula. Para que a aprendizagem seja mais plena, a análise deverá não ser apenas verbal, mas também, ilustrativa com apresentação de exemplos práticos de ensino, como métodos de ensino, estratégias para uma melhor gestão de aula, entre outros aspetos (Gomes, Queirós, Borges, & Batista. 2014).
O facto de ter treinado uma equipa de futebol de petizes B - um grupo etário diferente com idades compreendidas entre os 3 e os 6 anos de idade -permitiu-me ganhar ou aprimorar competências que me têm sido essenciais ao longo do estágio como as capacidades de liderança, adaptabilidade e criatividade. Sendo a treinadora principal, competia-me liderar o treino e ter capacidade de adaptação, pois nunca sabia quantos atletas iam estar presentes. Consequentemente, tinha de criar planos flexíveis e adaptar-me às
circunstâncias. Fazendo uso da minha criatividade, tentei sempre promover uma maior evolução dos atletas, criando exercícios que mais se adequavam aos objetivos definidos para eles. Desenvolvi também uma qualidade – paciência, pois devido à sua tenra idade, manifestavam muitas vezes comportamentos desviantes.
No estágio usei todas as ferramentas que fui adquirindo tanto durante todos os anos de escolaridade e licenciatura, como no mestrado, nomeadamente, a elaboração de progressões pedagógicas e a análise de documentos que estimularam o estudo autónomo e a sua reflexão crítica, pois através da sua realização, questionamo-nos acerca dos conhecimentos adquiridos face às exigências da prática pedagógica (Gomes et al., 2014). Na verdade, todas estas tarefas ajudaram-me a evoluir como professora. Só fiquei consciente da verdadeira importância de todos os trabalhos efetuados no decurso do 1º no de Mestrado quando começou o ano de estágio. As diferentes perspetivas e pontos de vista apresentados pelos vários professores foram também essenciais, pois segundo Rodrigues e Baía (2012), a exposição a vários métodos pedagógicos promove um maior desenvolvimento dos alunos. Para além disso, procurei sempre expandir os meus conhecimentos e adaptar-me o melhor possível às circunstâncias que me foram apresentadas. Segundo Costa (2002, p. 102), no final do curso o futuro professor deve ser alguém que “ sabe pôr as suas competências em ação em qualquer situação, um “homem ou mulher em situação” capaz de refletir na e sobre a ação, de dominar qualquer situação nova, alguém que apresenta a capacidade (as potencialidades) de adaptação, eficácia, expertise, capacidade de resposta e de ajustamento ao solicitado, ao contexto e aos problemas complexos que enfrenta na sua atividade” Assim o fiz, de maneira a criar um ambiente de ensino-aprendizagem o mais rentável possível para os meus alunos, ou seja, conseguir levar os alunos a superar as suas dificuldades, procurando as soluções mais adequadas para efetivar esse processo. (Gonçalves, Albuquerque, & Aranha, 2010). Ainda segundo Batista (2014), há uma perceção, no decorrer do ano letivo, que o professor tem de possuir uma grande capacidade de adaptação e transformação de saberes.
2.2. Expetativas em relação ao estágio
Em relação ao ano de estágio, tinha muitas expetativas: esperava deparar-me com dificuldades, mas também sabia que iria ser uma experiência muito interessante que me iria dar uma maior compreensão do caminho que poderia seguir. Qual seria a minha área de maior interesse, o ensino ou o alto rendimento?
O ano de estágio não deixou nenhuma das minhas expectativas frustradas. Foi uma montanha-russa de emoções do início ao fim. Sentia-me feliz e realizada quando me apercebia do quanto os meus alunos estavam a aprender; por outro lado, sentia-me frustrada e triste quando manifestavam continuadamente um mau comportamento nas aulas. Acabei por concluir que gosto mais do alto rendimento, porque o interesse demonstrado pelos atletas é maior. No entanto, não posso dizer que não gostei da experiência e, caso seja possível, é algo que tenciono fazer no futuro, até porque oferece uma maior estabilidade económica
Sendo a escola onde lecionei nova, esperava encontrar excelentes condições tanto ao nível de espaços como ao nível dos materiais disponíveis. De facto, a escola apresentou excelentes condições, com um pavilhão de um tamanho considerável com tabelas de basquetebol em todos os espaços e balizas de futsal/andebol em dois dos espaços. Para além disto, havia a possibilitar de colocar uma rede de voleibol e badmínton em todos os espaços do pavilhão. No que diz respeito aos materiais, ficou um pouco aquém das expetativas para algumas modalidades.
Quanto aos alunos, estava um pouco receosa que eles não me respeitassem devido à minha idade e por ser uma professora-estagiária. Contudo, os comportamentos desviantes continuamente manifestados por alguns alunos afinal nada tinham a ver comigo. Cheguei a essa conclusão, nas reuniões de conselho de turma., Mesmo assim, na maior parte das aulas consegui controlar este problema, rentabilizando mais o tempo.
No que diz respeito ao núcleo de estágio, teço-lhe elogios, uma vez que o professor cooperante e a professora orientadora sempre nos apoiaram, exigiram o que deviam de nós e partilharam informações connosco que só adquire aquele que as experiencia. O professor cooperante deu-nos bastante autonomia, o que foi positivo, porque nos deu espaço para criarmos a nossa própria identidade profissional. Quando tinha alguma decisão a tomar, pedia-lhe conselhos para me orientar melhor. A professora orientadora mostrou-se sempre disponível e, após as suas observações, partilhou indicações essenciais para que melhorássemos como profissionais. Segundo Rolim (2013, p. 59), o relacionamento do professor cooperante e professora orientadora para com o estudante-estagiário deverá ser “um relacionamento de cooperação, de colaboração, de facilitador, de mediador, em que o estagiário tem oportunidade de apresentar as suas conceções, defender os seus pontos de vista e as suas crenças, refletir e justificar as suas opções, apresentar e ensaiar as suas soluções e, por último, avaliar e confirmar o êxito ou “inêxito” das suas propostas e realizações”. Quanto aos restantes elementos do meu núcleo de estágio, os meus colegas foram ao encontro das minhas expetativas: houve muita partilha de informação, e ajudamo-nos mutuamente a crescer como bons profissionais. Ainda segundo o mesmo autor (2013), quanto maior for esta colaboração entre todos os elementos do núcleo de estágio, maior será a nossa aprendizagem, ou seja, seremos melhores profissionais porque seremos mais críticos e reflexivos e, por isso, seremos mais competentes e capazes; haverá mais humildade e instrução, por isso, tornamo-nos mais cultos e informados; seremos mais ponderados e sérios, assim, haverá um maior sentido de responsabilidade e integridade; estaremos mais atentos, disponíveis e altruístas e, consequentemente, mais humanos. De acordo com Ferreira (2013), ao observarmos as aulas uns dos outros, aprendemos com os erros dos outros e com os próprios erros. Para Batista e Queirós (2013), o facto da aprendizagem efetuar-se coletivamente, favorece a partilha de ideias que conduzem a práticas pedagógicas mais favoráveis tendo em conta as exigências da prática, havendo também uma maior construção de conhecimento e novas competências.
Relativamente ao tipo de trabalho a realizar, nada aconteceu de inesperado: foi um ano muito trabalhoso, com várias tarefas diferenciadas, preparação de planos de aula e realização das respetivas reflexões, planificação das diferentes unidades didáticas, tentar encontrar a melhor forma de avaliar os alunos, preparar os modelos de estrutura de conhecimento para várias modalidades, acompanhar um diretor de turma e uma equipa de desporto escolar. Tudo isto ofereceu-me um leque muito vasto de experiencias que me permitiu estar melhor preparada para exercer a profissão com mais segurança.
Este ano letivo, neste aspeto, acabou por ser extremamente compensador, porque levou-me a percecionar o impacto que todo o meu trabalho teve na evolução dos alunos e também no desporto escolar, no qual muito me empenhei e acabei por me tornar parte do grupo.
3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
3.1. Papel do estágio profissional e legitimação da Educação Física
O estágio profissional, acompanhado diariamente por um professor experiente na área, designado como professor cooperante, é essencial para a nossa formação como professores, porque permite-nos mobilizar todos os conhecimentos adquiridos numa formação inicial anterior à prática de forma controlada. Como diz Queirós (2014, p. 78),“a prática de ensino oferece aos professores a oportunidade de imergirem na sua cultura escolar nas suas diversas componentes, desde as suas normas e valores, aos seus hábitos, costumes e práticas daquela comunidade específica”. Assim, sentimo-nos muito mais fortalecidos se nos for dada a oportunidade de lecionar.
É através do estágio profissional que o estudante estagiário conhece os contornos da profissão (Lave & Wenger, 1991). Segundo Rodrigues e Ferreira (1998), o estágio profissional é uma etapa de convergência, entre o conhecimento adquirido na formação inicial e o conhecimento adquirido na experiência profissional. De acordo com esta referência, sendo sempre útil todos os conhecimentos que apreendemos numa fase mais teórica, na parte prática aprender a lidar com situações adversas que são apresentadas no quotidiano da escola. De acordo com Batista e Queirós (2013), o processo formativo para esta profissão deve contemplar a tomada de decisão em situações imprevisíveis, pois só assim é possível preparar o professor para atuar de acordo com as exigências específicas da profissão. É a oportunidade de vivenciarmos na prática a realidade que vamos enfrentar como profissionais de educação física, permitindo-nos adquirir experiência na nossa área de atuação e identificarmos de perto as dificuldades que as escolas apresentam, relativamente à própria educação, infraestruturas, materiais, entre outros aspetos. Para Batista e Queirós (2013, p. 41), o estágio profissional “pretende dotar e capacitar o futuro professor de educação física de ferramentas que o auxiliem a desenvolver uma competência baseada na experiência refletida e com significado”. Só será possível desenvolver, verdadeiramente este tipo de competências na prática. Já
Queirós (2014) refere que é na escola e através do registo das práticas, das reflexões e do ato de avaliar que nos aperfeiçoamos e inovamos.
Também a forma como o estágio está estruturado, ou seja, termos a oportunidade de lecionarmos duas turmas de níveis de ensino diferentes (uma residente e outra partilhada), acompanharmos uma equipa de Desporto Escolar e um diretor de turma e organizarmos e realizarmos um evento, permite-nos perceber todas as funções e papéis do professor, como referem Batista e Queirós (2013, p. 47), “ser professor reveste-se de múltiplos papéis e funções, importando, como tal, que o estudante (futuro professor) aprenda, contacte e assuma de forma gradual esses inúmeros papéis e funções da profissão docente”.
Por outro lado, também percebemos através do estágio o quanto a nossa disciplina é desacreditada, e o quanto é preciso defende-la e dar a conhecer a sua importância. Esta perceção formou-se através da atitude dos alunos perante a disciplina, assim como nas reuniões de conselho de turma onde, no meu caso, quando atribuí uma classificação negativa, fui questionada sobre o motivo, o que por si só não é assim tão estranho, mas a verdade é que nenhum dos outros professores foi questionado sobre a atribuição de uma classificação negativa a um determinado aluno. Segundo Hirst e Peters (1970), desde que a disciplina de Educação Física foi introduzida na escola, que outras áreas disciplinares questionam a sua legitimidade. A este respeito, Batista e Queirós (2014) referem que a conceção de ensino remete para uma sobrevalorização do conhecimento intelectual, representando um dos maiores obstáculos à valorização da Educação Física.
É fundamental no desenvolvimento humano conhecer e dominar o próprio corpo, aprender através do movimento como forma de relação, expressão e comunicação e aprender o jogo e tudo o que lhe está inerente -o lúdico, o simbólico, a socialização, inteligência, estratégia, habilidades, regras (Pinto, 1999). Tudo isto é possível através da Educação Física. Alguns estudos demonstram que a atividade lúdica e desportiva pode influenciar positivamente o bem-estar motor e psicossocial ao longo de toda a vida (Bento, 1999). A Educação Física é também a única disciplina que trabalha o corpo (única
disciplina que visa preferencialmente a corporalidade) evitando que a escola se torne demasiado intelectualizada e criando a possibilidade do movimento (Bento, 1999). Como resultado, aumenta a autoestima e autoconfiança dos alunos, pois ensina a aceitar o próprio corpo (Batista, 2012).
A disciplina de Educação Física também é muito importante, porque desenvolve a componente antropológica, cria uma noção de desenvolvimento integral e integrado, ensina a saber lidar com o próprio corpo, desenvolve noções de superação, de partilha, de trabalho em equipa e cooperação, desenvolve a autoconfiança e a autoestima através do corpo, enriquece os cidadãos nas dimensões técnicas e motoras, éticas e estéticas, cívicas e morais (Batista, 2012). Também Bento (1999, p. 68) aponta vários benefícios da disciplina de Educação Física: “Desenvolvimento da personalidade e da capacidade de rendimento geral, da saúde e do bem-estar; aquisição dos valores do fair play, do respeito, da consideração e tolerância, assim como de atitudes de integração e convivialidade; formação de um estilo de vida que desempenhe uma função relevante no âmbito de uma estratégia de prevenção de comportamentos desviantes ligados ao consumo de drogas e às diversas formas de violência”.
3.2. Enquadramento Legal e Institucional
O Estágio Profissional na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) é uma unidade curricular do 2ºano do Mestrado de Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário,“…a sua organização incorpora o espirito do ordenamento jurídico da formação de professores do ensino básico e secundário – Decreto-Lei nº344/89, de 11 de Outubro, e as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº79/2014 de 14 de Maio -, que a prática pedagógica constitui uma componente fundamental dos cursos de formação de professores conferentes de qualificação profissional” (Regulamento da Unidade Curricular1, p 2). O estágio profissional integra duas componentes, a
1 In Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao grau de
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP: 2016/2017. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
Prática de Ensino Supervisionada e o Relatório de Estágio Profissional. Este contém quatro dimensões: a pessoal, a institucional, a de realização da prática profissional e a investigativa. A sua avaliação resulta da defesa em provas públicas onde o seu orientador integrará o júri destas (regulamento da unidade curricular 2). Em relação à Prática de Ensino Supervisionada, a forma como está
organizado está descrito mais à frente neste capítulo,
Segundo o Regulamento da Unidade Curricular3 e Batista e Pereira (2014)
o objetivo da unidade curricular de estágio é visar a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. Estas competências profissionais, associadas a um ensino da Educação Física e Desporto de qualidade, baseiam-se no Perfil Geral de Desempenho do Educador e do Professor e organizam-se em três áreas de desempenho: Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem; Participação na Escola/Agrupamento de Escolas e Relação com a comunidade; Desenvolvimento Profissional. Os parágrafos que se seguem procedem a uma breve caracterização de cada área de desempenho (Batista & Pereira, 2014):
A 1ª Área de desempenho diz respeito à conceção, planeamento, realização e avaliação do ensino. O seu objetivo é construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no Ensino da Educação Física e conduza à eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de Educação Física.
A 2ª Área de desempenho engloba todas as atividades não letivas realizadas pelo estudante estagiário, tendo em vista a integração na comunidade escolar e que, simultaneamente, contribuam para um conhecimento do meio regional e local tendo em vista um melhor conhecimento das condições locais da
2In Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao grau de
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP: 2016/2017. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
3In Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao grau de
Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP: 2016/2017. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
relação educativa e a exploração da ligação entre a escola e o meio. O objetivo desta área é contribuir para a promoção do sucesso educativo, no reforço do papel do professor de Educação Física na escola e na comunidade local, bem como da disciplina de Educação Física, através de uma intervenção contextualizada, cooperativa, responsável e inovadora.
A 3ª Área de desempenho diz respeito à atividade e vivências importantes na construção da competência profissional, numa perspetiva do seu desenvolvimento ao longo da vida profissional, promovendo o sentido de pertença e identidade profissionais, a colaboração e a abertura à inovação. O seu objetivo é perceber a necessidade do desenvolvimento profissional partindo da reflexão acerca das condições e do exercício da atividade, da experiencia, da investigação e de outros recursos de desenvolvimento profissional. Investigar a sua atividade em toda a sua abrangência.
O estágio profissional decorre num Agrupamento de Escolas cooperante. O número de estágios por Escola/Agrupamento de Escolas varia entre dois a quatro, dependendo da especificidade de cada Escola/Agrupamento de Escolas e do respetivo professor cooperante (professor de Educação Física mais experiente), conforme o estabelecido no Protocolo celebrado entre a Escola/agrupamento de Escolas e a FADEUP (Regulamento da Unidade Curricular 4).
Para conclusão desta unidade curricular, segundo Batista e Queirós (2013, p.40), o estudante estagiário deve “conduzir o processo ensino/aprendizagem de uma turma do ensino básico ou secundário”. Ainda segundo o regulamento da unidade curricular5, o estudante estagiário terá de
elaborar planos de aula e reflexões de aula parciais ou produzir um diário de bordo, observar as aulas dos colegas e de professores mais experientes, acompanhar uma equipa de desporto escolar, elaborar um evento na escola,
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acompanhar um diretor de turma, lecionar uma turma durante um ano letivo (turma residente), lecionar uma turma, de outro ciclo de ensino, por um período ou apenas uma unidade didática, participar nas reuniões dos diferentes órgãos do Agrupamento de Escolas, destinadas à programação, realização e à avaliação das atividades educativas, elaborar o Projeto de Formação Individual, realizar uma investigação, elaborar um relatório de estágio a ser defendido perante um júri em provas publicas.
Segundo o Regulamento da Unidade Curricular6, o estudante estagiário
conta com o apoio de um orientador(a) da FADEUP e um(a) professor(a) cooperante. O orientador da FADEUP tem diversas funções, sendo algumas delas apoiar a conceção e a realização do Projeto de Formação Individual do estudante estagiário, num quadro de colaboração com o Agrupamento de Escolas cooperante e o professor cooperante, numa lógica de equidade e de corresponsabilização. Também faz parte das suas funções supervisionar a prática educativa dos estudantes estagiários em todas as áreas de desempenho, de acordo com as normas orientadoras do estágio profissional assim como observar aulas, de acordo com as diretrizes das normas orientadores do estágio profissional e avaliar e aprovar o desempenho da Prática de Ensino Supervisionada.
Quanto ao professor cooperante, ainda no Regulamento da Unidade Curricular7, também tem várias funções. Eis as mais relevantes: orientar os
estagiários cooperativamente com o orientador da FADEUP e, quando necessário, com um professor colaborador da Prática de Ensino Supervisionada; apoiar e orientar os estagiários, nas atividades do projeto de formação desenvolvidas no Agrupamento de Escolas, promovendo a sua integração na comunidade; supervisionar a atividade letiva dos estudantes estagiários nas turmas às quais estão adstritos e em todas as atividades programadas; avaliar
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individualmente os estudantes estagiários, elaborando um perfil inicial de cada estudante estagiário e todos os documentos decorrentes de avaliação; colaborar na classificação do desempenho do Estagiário, nos termos da lei, solicitando a informação do professor coordenador do Departamento Curricular da Escola e elaborando o parecer relativo ao desempenho de cada Estagiário. Para Batista e Queirós (2013, p. 40), o professor cooperante tem um papel decisivo no decorrer do Estágio Profissional, “nomeadamente no acompanhamento do estudante-estagiário, estabelecendo uma ponte entre este e as instituições, escola e FADEUP”. O professor cooperante deve dar oportunidade ao estudante estagiário de ganhar autonomia de decisão, progressivamente, deixando assim o estudante estagiário ser responsável pelas próprias ações e decisões (Batista 2014).
3.3. A Escola Cooperante
No que diz respeito à escola, esta tem umas instalações muito recentes e, por essa razão, apresenta excelentes condições. Enquanto instituição, já existe há muitos anos, unindo assim a experiência às excelentes condições.
3.3.1. Espaço Desportivo e Materiais
Em relação aos materiais para a prática de Educação Física, apercebi-me que algumas modalidades são privilegiadas, como por exemplo o voleibol e o basquetebol, que têm um elevado número de bolas. Este é um dado extremamente importante, porque permite que cada aluno exercite a técnica da modalidade com uma bola. Outras modalidades careciam de materiais, tal como o futebol, não havendo a nenhuma bola de futebol disponível, apenas de futsal e estas eram de fraca qualidade, pois esvaziavam-se e desgastavam-se rapidamente. Também no atletismo, no caso da corrida com barreiras, apenas
se registavam nove barreiras disponíveis. Por outro lado, a escola possui um número substancial de materiais para a prática de treino funcional (como o bosu, plataforma instável, ketllebell, entre outros).
O pavilhão tinha boas condições com uma dimensão considerável, o que é muito positivo, já que uma das dificuldades na lecionação de Educação Física é o espaço disponível. Este continha um campo de futsal com as dimensões oficiais e ainda três campos de voleibol e três campos de Badminton, marcados dentro do espaço do campo de futsal. No horário de Educação Física da minha turma, apenas se encontrava mais uma turma no pavilhão (quer na aula de 90’, quer na aula de 45’), e, portanto, na maioria das aulas os alunos usufruíam de dois espaços no pavilhão, e acabavam por estar mais em atividade. Havia uma coordenação entre mim e o outro professor desse horário para usufruirmos desse espaço disponível. A escola tem também já definidas as matérias nucleares e alternativas (cada professor escolhe) para cada ano, guiando-se pelo programa nacional de Educação Física. De acordo com esta característica, o grupo de Educação Física definiu também quais as modalidades a lecionar em cada espaço. A falta de alguns materiais (por exemplo cestos de corfebol) impossibilitou a lecionação de algumas modalidades alternativas.
3.3.2. Grupo de Educação Física
No que diz respeito ao grupo de Educação Física, achei-o, desde o princípio, bastante acolhedor e trabalhador, tentando explorar ao máximo os pontos fortes de cada um (pediam conselhos a outros professores quando estavam a lecionar a sua modalidade de eleição). Para Lave e Wenger (1991), uma comunidade de prática é um conjunto de relações entre pessoas, atividade, e o mundo. Ainda para os mesmos autores, a comunidade de prática é uma condição intrínseca para a existência de conhecimento. Nós, como professores estagiários, participamos em comunidades práticas e beneficiamos mais desta experiencia se participarmos totalmente nestas (Lave & Wenger, 1991). As relações sociais dos professores estagiários dentro de uma comunidade mudam, tendo em conta o seu envolvimento nas atividades. Neste processo, os
professores estagiários desenvolvem a sua compreensão e habilidades (Lave & Wenger, 1991). Os mesmos autores afirmam que (1991) a participação é uma forma de aprendizagem que aumenta a compreensão dos professores iniciantes no modo como e quando os professores mais experientes colaboram entre si e o que eles apreciam, respeitam e admiram. O grupo de Educação Física, neste caso, a comunidade de prática é um espaço onde os professores partilham os seus saberes (Lave & Wenger, 1991). A aprendizagem deve ocorrer através de uma participação centrípeta no currículo de aprendizagem da comunidade ambiental, porque o lugar do conhecimento é dentro de uma comunidade de prática, e não replicando as performances de outros (Lave & Wenger, 1991). De facto, ter estado neste grupo trouxe-me muitas vantagens uma vez que todos os professores se mostraram disponíveis para nos ajudar no que precisássemos, e aprendi também bastante só por estar presente nas reuniões e poder participar nas discussões que ocorriam. Esta participação ativa possibilita “um entrosamento mais profundo nos papéis, funções e iniciativas extracurriculares da escola, induzindo a que estes se sentissem membros integrantes da comunidade escolar” (Cunha, Batista, & Graça, 2014, p. 175).
3.3.3. Núcleo de Estágio
Em relação ao núcleo de estágio, a relação sempre foi bastante produtiva: o professor cooperante deu-nos a conhecer as instalações e todos os procedimentos da escola e disponibilizou-se para nos ajudar no que fosse preciso. Os estudantes estagiários reconhecem no professor cooperante como alguém muito envolvido no nosso processo de aprendizagem, alguém que monitoriza as atividades na escola reconhecendo-nos, ao mesmo tempo como professores capazes (Cunha et al., 2014). A professora orientadora, embora mais distante, sempre se disponibilizou para nos ajudar nas tarefas mais documentais e também a tornar-nos melhores professores através de críticas construtivas aquando das observações na escola. Em relação aos meus colegas, sempre tivemos uma boa relação e ajudamo-nos mutuamente, havia
uma grande partilha de conhecimentos o que nos facilitava o cumprimento das tarefas de estágio (Cunha et al., 2014).
3.3.4. A minha Turma
No início do ano, recolhi dados sobre a minha turma (Nome, idade, desporto favorito, desporto que menos gostavam e classificações anteriores nesta disciplina), para os analisar posteriormente. Deste modo, consegui antecipar as modalidades nas quais a maioria dos alunos iria sentir mais dificuldade. Uma dessas modalidades era a ginástica, onde a maioria apontou como o desporto que menos gostava e, no caso da modalidade de futebol, concluí pelo número de atletas de futebol existente na minha turma (cerca de 50%), consequentemente muito bons nesta modalidade, e pelos restantes 50 % dos alunos, que afirmaram que não gostavam de futebol, teria de criar dois níveis muito distintos. Logo nas primeiras aulas, apercebi-me que era uma turma muito conversadora. Aliás, alguns alunos demonstraram pouco empenho ao longo de todo o ano letivo, mas, felizmente, a maioria empenhou-se e realizou as tarefas propostas, havendo assim uma grande evolução na turma a nível motor desde o início da Unidade Didática até ao fim.
4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
4.1. Conceção
Para poder conceber a minha prática de ensino, pareceu-me importante analisar os documentos relativos à escola e os programas nacionais de Educação Física. Adicionalmente, foi pertinente saber o que é ser um bom professor e todas as capacidades que lhe são inerentes. Os professores de Educação Física têm conceções diferentes do que é a disciplina e como deve ser ensinada. Não há apenas uma resposta correta. Segundo Bento (2003), o professor de Educação Física pode ter várias perspetivas: o conceito biologista, onde o objetivo das aulas é a melhoria da resistência, força e mobilidade dos alunos; a conceção funcionalista, na qual acreditam que a prática desportivo-motora em si mesma atua já formativamente; a perspetiva behaviorista, onde o foco é o aumento do rendimento técnico-desportivo dos alunos. Todas estas conceções isoladas estão erradas, por serem demasiado extremistas.
O grupo de Educação Física elaborou um resumo dos programas nacionais de Educação Física, contemplando uma síntese dos objetivos gerais e dos conteúdos a abordar em cada modalidade e nível de ensino.
Da minha análise deste documento central, concluí que, é extremamente difícil lecionar todos os conteúdos, de todas as modalidades, face ao reduzido tempo disponível. Deste modo, a meu ver, os programas de Educação Física são completamente desajustados à realidade local. São demasiado extensos e exigentes, condicionando a consolidação de conteúdos e, em última instância, a aprendizagem. Para além disso, o programa concebe que os alunos dos distintos anos de escolaridade já estejam em determinado patamar o que, na maioria das vezes, não acontece. Consequentemente, a tentativa dos professores ensinarem tudo o que está no programa resulta na inexistência de aprendizagem significativa dos conteúdos e, por este motivo, no ano seguinte os alunos terão de rever todos os conteúdos. Já o autor Arends (2008, p. 125) afirma: “demasiadas vezes, os professores principiantes dão por si a ensinar os tópicos no mínimo de tempo possível para cobrir o conteúdo previsto. Infelizmente, o
que lhes parece ser uma utilização eficaz do tempo produz muitas vezes uma diminuta, se é que alguma, aprendizagem por parte dos alunos”.
No início do ano letivo foi importante estar a par dos objetivos da escola cooperante, extraindo orientações para a realização das práticas nas aulas. Desta forma, no meu caso, extraí as seguintes orientações: a escola é um meio que deve garantir a educação para todos, deve assegurar a formação pessoal, intelectual, cultural, social, e física de todas as crianças e jovens da nossa sociedade: deve atender às dificuldades de cada um, para que todos possam desfrutar de aprendizagens plenas e enriquecedoras, para que as suas potencialidades sejam exploradas ao máximo, e para isso temos de nos focar maioritariamente em cada aluno, individualmente, e nunca trabalhar para a média. A escola procura, ainda, valorizar um estilo de vida saudável, o espírito crítico e fomentar a prática de valores, de convivência cívica, de diálogo e de respeito pelo outro e pela diferença. Todos estes aspetos contribuem para o desenvolvimento integral do aluno, o objetivo primário da escola.
Por outro lado, parece-me importante referir o que é ser professor de Educação Física e como se processa a sua formação. “A aprendizagem da profissão docente não principia com a frequência de um curso de formação inicial, nem termina com a obtenção de uma licenciatura em ensino; é algo que o professor realiza durante toda a sua vida” (Costa, 1996, p. 9). De facto, como professores, a nossa procura pelo conhecimento é infinita. Devemos procurar ser sempre melhores pois, só desta forma, conseguiremos realmente causar um impacto positivo na vida dos nossos alunos.
Acima de tudo, defendo que educamos pessoas e, desta forma, a lecionação das aulas deve ter primariamente isso em conta. Antes de começar o ano letivo, procurei pensar no modo como iria lecionar as minhas aulas e como iria conseguir causar um impacto positivo nos meus alunos. Aprendi na faculdade que só gostaremos de algo se formos capazes de o fazer, ou seja, se formos bons na sua realização. Tendo isto em conta, o meu principal foco foi causar uma evolução nos meus alunos em várias modalidades, consolidando os principais conteúdos de cada modalidade para que se sentissem capazes e, assim, sentissem prazer em praticar desporto. Desta forma, para além de
conseguir transmitir os valores inerentes ao desporto, consegui, de alguma forma, incutir gosto pelo desporto e, assim, contribuir para que tivessem um estilo de vida mais saudável. Antes do começo do ano letivo, tive também que refletir sobre os modelos de ensino que iria utilizar. O modelo de ensino mais utlizado foi a instrução direta (Rosenshine, 1983), pois o foco deste modelo é o ganho de habilidades motoras. Um outro modelo também utilizado foi o Modelo de Educação Desportiva (MED), uma vez que este modelo tem três objetivos específicos: desenvolver competências, literatura e entusiamo desportivo (Siedentop, 1998).
Segundo Costa (1996), o bom professor é aquele que manifesta um profundo conhecimento da matéria que ensina. Por outro lado, para Schön (1987), o bom professor é o que revela capacidade artística, ou seja, o tipo de competência que os professores desenvolvem e apresentam perante situações únicas, incertas e problemáticas.
Shulman (1987) afirma que a formação de professores deve incluir sete categorias de conhecimento: conhecimento pedagógico geral, que diz respeito ao conjunto de estratégias de gestão e organização da turma; conhecimento dos alunos e suas caraterísticas onde inclui os fatores cognitivos, físicos, sociais, emocionais, culturais e históricos que contribuem para a individualização de cada aluno; conhecimento do contexto educativo, ou seja, conhecer a turma, a escola como organização e os sistemas sociais e culturais; conhecimento dos fins, objetivos e valores educativos, incluindo os seus fundamentos históricos e filosóficos; conhecimento da matéria de ensino, ou seja, saber e compreender o conteúdo que vamos lecionar aos nossos alunos; conhecimento curricular, ou seja, saber o que temos de ensinar e quando; Conhecimento pedagógico dos conteúdos, onde incluí o conhecimento dos objetivos num determinado grau de ensino, o conhecimento de como os alunos assimilam o conteúdo e, também, as suas dificuldades mais comuns e, por fim, o conhecimento das estratégias apropriadas ao ensino de determinados conteúdos.
Tendo o supracitado em conta, denota-se que o professor de Educação Física deve ser dotado de várias capacidades: “o ensino em Educação Física carateriza-se pela complexidade e incerteza, e por situações que podem ser
previstas de antemão; como consequência, a atividade educativa nesta área disciplinar exige do professor tanto a capacidade de resolução de problema como capacidade de refletir sobre os fins, objetivos, e os resultados do seu trabalho” (Costa, 1996, p. 26).
Para formar bons professores, “a formação de professores pode ser entendida como o processo contínuo e sistemático de aprendizagem no sentido da inovação e aperfeiçoamento de atitudes, saberes e saberes-fazer e da reflexão sobre valores que caraterizam o exercício das funções inerentes à profissão docente” (Onofre, 1996, p. 75).
4.2. Planeamento
4.2.1. Nível 1: Plano anual
Segundo Graham (1992), o plano anual serve de guia para as aulas durante todo o ano letivo. Quando não é realizado, há uma tendência para planear o ano mais consoante a vontade e instinto de cada professor, do que através de um plano sistemático direcionado para um determinado objetivo.
Com efeito, o plano anual ajudou-me a preparar as unidades didáticas mais facilmente. Para além disso, ia adaptando consoante a evolução dos alunos e imprevistos que iam ocorrendo (por exemplo: visitas de estudo).
Para Bento (2003), a elaboração do plano anual surge de uma necessidade objetiva, este tipo de planeamento permite aos professores ter uma perspetiva clara sobre o que os seus alunos devem saber e poder, na sua disciplina, no final do ano letivo. O plano anual deve conter o quadro de objetivos o mais preciso possível; “esboçar noções acerca da via ou método geral da sua realização, noções sobre a organização correspondente do ensino, quanto à diferenciação de metas ou níveis de desenvolvimento e, consequentemente, acerca das linhas didático-metodológicas fundamentais” (Bento, 2003, p. 66).
Para realizar o plano anual foi necessário conhecer primeiro a escola, todos os materiais disponíveis, o pavilhão, a minha turma, o número de aulas disponíveis por período, analisando, também, o plano anual de atividades e a
matéria de ensino programada para aquele ano de escolaridade. A distribuição das modalidades por cada período teve em conta o espaço disponível e o número de conteúdos para cada modalidade (Quadro 1). Foi, também, durante a realização do plano anual que decidi qual a Unidade Didática onde iria utilizar o MED, visto que este modelo necessitava de muitas aulas para que fosse corretamente utilizado. Assim, o critério de escolha foi a modalidade cujo número de aulas seria o maior.
Quadro 1 – Distribuição das Matérias de Ensino ao longo do ano
Mês Unidade Didática 1º Período Setembro Badmínton Outubro Badmínton Novembro Futebol Dezembro Futebol 2ºPeríodo
Janeiro Ginástica e Atletismo (Corridas)
Fevereiro Ginástica, Atletismo (Corridas) e Voleibol
Março Voleibol
Abril Voleibol
3ºPeríodo
Abril Hóquei de Sala
Maio
Hóquei de Sala e Atletismo (Saltos e Corridas com
Obstáculos)
Junho Atletismo (Saltos e Corridas com obstáculos)
4.2.2. Nível 2: Unidades Didáticas
Para Arends (2008), uma Unidade Didática é uma quantidade de conteúdos e competências associadas e distribuídas de uma forma lógica. Este tipo de planificação associa finalidades, conteúdos, e atividades, refletindo muitas vezes a compreensão do professor sobre a modalidade e a sua forma de lecionar. Desta forma, sempre encontrava mais dificuldades em realizar as planificações a este nível nas modalidades nas quais o meu conhecimento era menor. Por essa razão sentia a necessidade de pesquisar e aprofundar o meu
conhecimento. A planificação de unidades didáticas permitia realizar uma sequência lógica dos conteúdos a abordar,” o conteúdo e a estrutura do plano de cada unidade são determinados pelos objetivos, pelas indicações acerca da matéria e pelas linhas metodológicas do programa e do plano anual. O planeamento a este nível procura garantir, sobretudo, a sequência lógico-específica e metodológica da matéria” (Bento, 2003, p 60).
Durante a elaboração desse planeamento, recorri ao modelo de estrutura do conhecimento apresentado como um veículo que liga os conteúdos de uma modalidade à metodologia de ensinar (Vickers, 1990). O modelo de estrutura do conhecimento contém oito módulos (Vickers, 1990): o primeiro módulo abrange um conhecimento declarativo, onde deve estar presente as habilidades técnicas e táticas da modalidade, a condição física e fisiologia, os conceitos psicossociais e a cultura desportiva. A realização deste módulo tornou-me mais capacitada para lecionar as modalidades, uma vez que aprofundou o meu conhecimento sobre estas. A modalidade onde senti mais dificuldade foi o hóquei de sala, porque a informação sobre esta modalidade é escassa, pelo que tive de fazer muitas pesquisas e informar-me junto de outros professores sobre alguns aspetos essenciais. Foi também neste módulo que tomei decisões sobre os conteúdos a abordar (Vickers, 1990). Assim, deparei-me com duas opções, ou optava por tentar lecionar todos os conteúdos apresentados no programa, apesar do tempo reduzido, ou lecionava apenas alguns dos conteúdos, tendo aí de escolher quais. Segundo Graham (1992) há duas formas de resolver este problema: a primeira forma, provavelmente a mais fácil, é expor aos alunos as várias habilidades motoras, conceitos e experiências que compõem a Educação Física; a segunda alternativa, a mais difícil, é ensinar apenas as habilidades que podem realmente ser apreendidas pelos alunos no pouco tempo disponível, o que significa ter de fazer escolhas difíceis sobre quais os conteúdos a excluir.
O segundo módulo refere-se a uma análise do envolvimento e das condições de aprendizagem. Neste módulo, procurei caraterizar a escola onde estive inserida, os vários espaços para a prática e os materiais que tinha à minha disponibilidade para serem utilizados durante as aulas. Posteriormente, no módulo três há uma análise aprofundada dos alunos. Aqui foi importante
caraterizar os alunos para estar a par dos seus problemas e dificuldades e agir em consonância com os mesmos. Esta análise foi feita através da avaliação diagnóstica de cada modalidade. O módulo quatro, determinação da extensão e sequência dos conteúdos, consta da unidade didática seguida de uma justificação completa desta mesma. Esta unidade didática é realizada com base nos dados obtidos nos módulos anteriores (Quadro 2). Através da pesquisa para os módulos anteriores, foi-me possível realizar as Unidades Didáticas mais facilmente graças à minha aquisição do conhecimento necessário para a sua realização. No módulo cinco, há uma definição de objetivos, o que pretendemos que os nossos alunos sejam capazes de realizar no final da Unidade Didática. Para a definição de objetivos guiei-me pelos módulos anteriores, partindo da avaliação diagnóstica e, tendo em conta o número de aulas e materiais disponíveis. Tendo estas condicionantes em consideração, defini objetivos reais para os alunos. O módulo seis – Configuração da avaliação, consiste em selecionar o tipo de avaliação a que os alunos vão estar sujeitos. As avaliações finais tinham o mesmo formato das avaliações iniciais, por isso, a evolução dos alunos foi mais evidente. Foi através da avaliação final, de cada modalidade, que consegui constatar se os alunos conseguiram atingir os objetivos definidos ou não. No módulo sete há uma seleção de atividades de aprendizagem/progressão, através das quais são criadas progressões de ensino e atividades de aprendizagem de forma a integrar as habilidades motoras, aptidão física, cultura desportiva e conceitos psicossociais, tendo em conta os objetivos definidos e o formato de avaliação escolhido. Para realizar este módulo, fiz pesquisas sobre atividades para cada conteúdo, selecionando apenas aquelas que mais se adequavam aos objetivos definidos. Para isso, contei com o conhecimento adquirido no módulo um. Por fim, no módulo oito, há uma aplicação em prática de todos os conhecimentos, através da planificação anual, unidade didática e planos de aula.
Quadro 2 – Número de aulas por Unidade Didática
Unidade Didática Número de aulas de 45 minutos Número de aulas de 90 minutos Badmínton 3 5 Futebol 6 2 Ginástica 1 6 Atletismo (Corridas) 5 1 Voleibol 5 5 Hóquei de Sala 2 4 Atletismo (Saltos e corridas com obstáculos) 5 2
4.2.3. Nível 3: Planos de aula
Segundo Arends (1997), os planos diários esquematizam o conteúdo a ser ensinado, as técnicas motivacionais a serem exploradas, os passos e atividades específicas preconizadas para os alunos e os materiais necessários. Ainda o mesmo autor afirma que compreende-se que se exija aos professores principiantes a apresentação de planos detalhados. Basta pensar no plano diário da aula como o texto de um discurso a ser proferido perante uma grande audiência, precisando os oradores que discursam pela primeira vez de seguir, palavra a palavra, um conjunto de notas detalhadas ou mesmo um texto (Arends, 1997). À medida que vão ganhando experiência ou que vão memorizando o seu discurso através de palestras repetidas, torna-se cada vez menos necessário utilizar apontamentos e podem ser cada vez mais espontâneos (Arends, 1997).
Para Metzler (2011), o plano aula deve conter objetivos de aula, algumas palavras-chave, material e espaço necessário, uma lista de situações de aprendizagem, um tempo estimado para cada atividade de aula e transições entre estas.
Considerações práticas, como assegurar que o espaço e os materiais que vamos usar estão disponíveis, são muito importantes durante o planeamento da aula.
Isto incluí saber quantos alunos vamos ter por grupo (Capel & Whitehead, 2010), organizando, desta forma, melhor o exercício.
A estrutura do meu plano de aula continha os conteúdos a lecionar e as respetivas funções didáticas (Avaliação Diagnóstica, Introdução, Exercitação, Consolidação), os objetivos da aula para cada domínio (Habilidades Motoras, Conceitos Fisiológicos, Conceitos Psicossociais e Cultura Desportiva), a hora de começo e duração da aula, o espaço que iria utilizar e o material necessário. A aula, e, consequentemente, o plano de aula têm três fases: a fase inicial, fundamental e final (anexo 1). Para cada uma destas fases, o plano de aula continha a descrição de situações de aprendizagem, os objetivos para cada atividade, o tempo necessário para a turma atingir os objetivos definidos, o esquema da situação de aprendizagem e as palavras-chave.
Todos estes componentes do plano de aula eram essenciais para que a aula decorresse da melhor forma possível e a aprendizagem dos meus alunos fosse elevada.
Em relação aos planos de aula, senti mais dificuldades nas modalidades onde o meu conhecimento era mais limitado, como o atletismo e o hóquei de sala. Fui tentando ultrapassar estas dificuldades através de pesquisa sobre estas modalidades, tanto ao nível da execução das habilidades motoras como na forma de lecionação das mesmas. Uma das minhas dificuldades neste aspeto foi realizar situações de aprendizagem que fossem desafiantes para todos os alunos e, ao mesmo tempo, concretizáveis. Para isso, precisei de pensar sobre a forma da realização das atividades da aula, os objetivos definidos para cada atividade (que, por vezes, eram diferentes consoante o nível dos alunos) e o tempo do exercício que, caso fosse reduzido, poderia ser insuficiente para os alunos conseguirem cumprir com os objetivos ou, caso fosse muito tempo, poderia tornar-se monótono.
4.3. Realização
Foi na realização da prática profissional onde tudo se tornou real. Toda a minha formação preparou-me para este momento, o momento no qual iria lecionar. Aqui emergiram vários aspetos inerentes a esta profissão; o sucesso de cada aula dependeu do sucesso de cada um destes aspetos.
4.3.1. Disciplina:
A definição mais importante de disciplina é desenvolver e manter um comportamento apropriado que é definido como um comportamento do estudante consistente com os objetivos educacionais definidos para ele (Siedentop, 1991).
Segundo Rink (1993), disciplina é aquilo que o professor faz quando, apesar do esforço para o evitar, os alunos não cooperam e escolhem comportar-se inapropriadamente.
Na minha opinião, um aluno tem um comportamento adequado quando se mantém atento e concentrado durante as instruções dos exercícios, empenha-se na realização dos mesmos e participa quando solicitado.
Para Arends (2008), há vários tipos de competências que um professor deve ter para lidar com um comportamento inadequado. A primeira, estar em cima do acontecimento, significa saber detetar imediatamente o comportamento desviante e identificar, quase sempre, o aluno culpado. A segunda, sobreposição, é aperceber-se que um aluno está a agir inadequadamente e lidar com ele sem dar nas vistas, para não interromper a aula, por exemplo “ colocar a mão no ombro de um aluno que está a conversar com o colega do lado, ao mesmo tempo que continua a dar instruções sobre como fazer um projeto” (Arends, 2008, p. 189). A terceira, responder rapidamente a comportamentos que têm de ser interrompidos, quando o comportamento desviante é demasiado grave e deverá ser resolvido imediatamente. Durante a instrução, quando um grupo de alunos mantinha conversas paralelas, aproximava-me deles, ficando em silêncio com o olhar direcionado para eles, até que os próprios colegas os chamassem à atenção. Outras vezes, eu própria chamava-os à atenção e