Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Mestrado em Ensino de Informática
Relatório sobre a Atividade Profissional
Dénio Ávila do Álamo
Orientador: Professor Doutor Manuel Cabral Reis
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Mestrado em Ensino de Informática
Relatório sobre a Atividade Profissional
Dénio Ávila do Álamo
Orientador: Professor Doutor Manuel Cabral Reis
Composição do júri:
JOAQUIM JOSÉ JACINTO ESCOLA
MANUEL JOSÉ CABRAL DOS SANTOS REIS EMANUEL SOARES PERES CORREIA
I Este Relatório de Atividade Profissional foi elaborado com vista à obtenção do grau de Mestre em Ensino de Informática, tendo sido apresentado à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
II Aos meus pais, por tudo o que me deram ao longo da vida.
III
Agradecimentos
Tomo a liberdade de agradecer a algumas pessoas o contributo para a realização deste trabalho.
À Professora Doutora Ana Maria Bastos, pelos esclarecimentos prestados durante o início deste processo.
Ao Professor Doutor Manuel Cabral Reis, pela disponibilidade, paciência, simpatia e todo o auxílio prestado ao longo deste trajeto, através das suas, muito úteis, sugestões, críticas e esclarecimentos.
À Professora Carina Isabel Costa Gonçalves, pela revisão do texto.
À minha irmã, Sandra Cristina Ávila do Álamo, pelo auxílio prestado na correção da tradução do resumo.
À minha família e a todos quantos contribuíram para a minha formação, muito obrigado.
IV
Índice
Agradecimentos ... III Índice de figuras ... VII Índice de tabelas ... VIII Lista de acrónimos e abreviaturas ... IX Resumo ... X Abstract ... XII
Introdução ... 14
1. Apresentação da Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania ... 17
2. Ano letivo 2012/2013 ... 19
2.1. Trabalho desenvolvido ... 19
2.1.1. Microsoft PowerPoint ... 21
2.1.2. Microsoft Publisher ... 30
2.1.3. Windows Live Movie Maker ... 32
2.1.4. PAA – Plano Anual de Atividades ... 36
2.1.4.1. Atividades SeguraNet ... 36
2.1.4.2. Visionamento de filmes relacionados com a temática deficiência ... 39
2.1.4.3. Bailinho de carnaval “uma aula de futebol” ... 40
2.1.4.4. Semana da música e da poesia ... 42
2.1.5. Coordenador de Projetos TIC ... 42
2.1.6. Comissão da Avaliação do Conselho Pedagógico ... 44
2.2. Controlo ... 45
3. Ano letivo 2013/2014 ... 46
3.1. Trabalho desenvolvido ... 46
3.1.1. Microsoft PowerPoint ... 48
3.1.2. Microsoft Publisher ... 49
3.1.3. Windows Live Movie Maker ... 50
3.1.4. Microsoft Excel ... 50
3.1.5. PAA – Plano Anual de Atividades ... 57
3.1.5.1. Questionário acerca do estilo de vida e hábitos de saúde das crianças ... 57
3.1.5.2. VI Campeonato de Cálculo Mental da Ilha Terceira ... 57
3.1.5.3. Recolha e construção de recursos para a Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania ... 59
V
3.1.5.5. Dia da Escola ... 60
3.1.6. Coordenador de Projetos TIC ... 62
3.2. Controlo ... 63
4. Ano letivo 2014/2015 ... 65
4.1. Trabalho desenvolvido ... 65
4.1.1. Microsoft PowerPoint ... 67
4.1.2. Paint ... 68
4.1.3. Sistema operativo em ambiente gráfico ... 69
4.1.4. PAA – Plano Anual de Atividades ... 70
4.1.4.1. Projeto “2.º Concurso Inter-Escolas - Decoração de Natal: UMA ESTRELA, UM DESEJO”, fundação Make-A-Wish® ... 70
4.1.4.2. Concurso Postal de Natal Digital ... 70
4.1.4.3. Semana da Informática ... 71 4.1.5. Coordenador de Disciplina ... 72 4.2. Controlo ... 72 5. Ano letivo 2015/2016 ... 74 5.1. Trabalho desenvolvido ... 74 5.1.1. Microsoft PowerPoint ... 77 5.1.2. Microsoft Word ... 77 5.1.3. Microsoft Excel ... 83
5.1.4. Plano Anual de Atividades ... 83
5.2. Controlo ... 85 6. Ano letivo 2016/2017 ... 86 6.1. Trabalho desenvolvido ... 86 6.1.1. Microsoft PowerPoint ... 88 6.1.2. Microsoft Word ... 88 6.1.3. Microsoft Excel ... 89 6.1.4. Microsoft Publisher ... 89
6.1.5. Windows Live Movie Maker ... 90
6.1.6. Plano Anual de atividades ... 90
6.2. Controlo ... 92
7. Conclusão ... 93
Bibliografia ... 97
VI Legislação ... 98 Recursos online ... 98 Referenciais ... 98
VII
Índice de figuras
Figura 1 - Horário do ano letivo 2012/2013. ...20
Figura 2 - Diapositivo de explicação da construção de um diapositivo de título. ...23
Figura 3 - Diapositivo de explicação da construção de uma introdução. ...26
Figura 4 - Diapositivo de explicação da construção de uma conclusão. ...26
Figura 5 - Diapositivo de explicação da construção de uma Bibliografia ou Webgrafia. ...28
Figura 6 - Folheto das regras de criação de apresentações eletrónicas distribuído aos alunos. ...29
Figura 7 - Turmas inscritas nas atividades SeguraNet - por escola. ...37
Figura 8 - Classificação final da escola nas atividades SeguraNet. ...38
Figura 9 - Bailinho de carnaval “uma aula de futebol”. ...40
Figura 10 - Ensaio do bailinho de carnaval. ...41
Figura 11 - Canções cantadas - semana da música e da poesia. ...42
Figura 12 - Horário do ano letivo 2013/2014. ...47
Figura 13 - Certificado de colaboração no VI Campeonato de Cálculo Mental. ...58
Figura 14 - Atividade Contos de Natal com o meu acompanhamento musical na viola. ...60
Figura 15 - Atuação na sessão de comemoração do Dia da Escola. ...60
Figura 16 - Programa da sessão comemorativa do Dia da Escola com referência à minha colaboração. ...61
Figura 17 - Horário do ano letivo 2014/2015. ...66
Figura 18 - Horário do ano letivo 2015/2016. ...75
VIII
Índice de tabelas
Tabela 1 - Abordagens a desenvolver, por ano, em Cidadania. ...18 Tabela 2 - Número de alunos por ciclo de ensino – 2012/2013. ...19 Tabela 3 - Número de alunos por ciclo de ensino – 2013/2014. ...46
IX
Lista de acrónimos e abreviaturas
CRUP - Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas EBIAH – Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo
EBIFFD – Escola Básica Integrada Francisco Ferreira Drummond EPAH – Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo
EPIS - Empresários Pela Inclusão Social
ESJEA – Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade ESVN – Escola Secundária Vitorino Nemésio
GIP – Gabinete de Intervenção Pedagógica PAA – Plano Anual de Atividades
PCD – Projeto Curricular Diferenciado
PROFIJ – Programa Formativo de Inserção de Jovens RAA – Região Autónoma dos Açores
SIGRHARA - Sistema Integrado de Gestão dos Recursos Humanos da Administração Regional dos Açores
SPO - Serviço de Psicologia e Orientação
TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação UFCD – Unidade de Formação de Curta Duração URL – Uniform Resource Locator
X
Resumo
O presente relatório surge no âmbito do Mestrado em Ensino de Informática da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, sendo um dos requisitos para a conclusão do curso para efeitos de obtenção do grau Mestre.
A sua estrutura obedece a regras ensinadas e adquiridas e a algumas retiradas da bibliografia pesquisada.
Descreve detalhadamente o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos letivos como docente de informática, em particular à Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania, área implementada na Região Autónoma dos Açores no ano letivo 2010/2011.
O relato do trabalho desenvolvido em sala de aula descreve a exploração de programas do pacote Microsoft Office, assim como do sistema operativo Windows.
Pretende ser um relato fiel da forma como foram dinamizadas as aulas dos diversos conteúdos e da forma como as metodologias e estratégias adotadas foram sendo adaptadas, corrigidas ou mantidas, consoante os resultados obtidos nos diferentes grupos em que foram aplicadas.
Foi dada primazia à aplicação de metodologias mais interativas e apelativas para os alunos, em detrimento da utilização da metodologia expositiva. As estratégias utilizadas passaram pela orientação e encaminhamento dos alunos para a obtenção das respostas necessárias à aquisição dos conhecimentos pretendidos.
Para além do trabalho realizado em sala de aula, o relatório descreve o trabalho realizado durante a componente não letiva do horário escolar, nomeadamente na participação em atividades do Plano Anual de Atividades, na integração em grupos de trabalho e na titularidade de cargos, como o de Coordenador de Projetos TIC.
A matrícula neste mestrado e consequente redação deste relatório impeliu-me a relembrar alguns dos processos pelos quais havia passado ao longo dos últimos cinco anos de docência. Embora a maioria das estratégias e metodologias empregues no início deste período continuem a ser recordadas e replicadas nas minhas aulas mais recentes, a redação deste relatório relembrou-me algumas especificidades da minha ação em sala de aula que haviam surtido efeito mas que, entretanto, haviam ficado um pouco esquecidas. Por outro lado, enalteceu a necessidade que há em me adaptar e em evoluir enquanto docente, não apenas por ser professor de uma área que está em constante evolução, como é a informática, mas porque há sempre a possibilidade de se incorporar melhorias nas
XI aulas, para que os alunos se interessem ainda mais e consigam absorver mais rapidamente e com menor esforço os conteúdos explorados.
Para a continuidade da minha carreira, enquanto docente do grupo 550, tenho como objetivo continuar a aplicar as boas práticas que desenvolvi ao longo desta última década dedicada ao ensino, as quais a redação deste relatório veio reavivar e reforçar. Procurarei atualizar-me sobre novas estratégias e farei por as adaptar consoante as tipologias de turmas encontradas. Neste processo, espero conseguir vir a desenvolver uma prática docente ainda mais completa, que contribua para o meu desenvolvimento enquanto docente mas, sobretudo, para a aprendizagem dos meus alunos.
XII
Abstract
This report is part of the Master's Degree in Informatics Teaching at the University of Trás-os-Montes e Alto Douro and is one of the requirements to complete the course for the achievement of the Master's degree.
The structure obeys to rules that were taught and acquired as well as some that were taken from the researched bibliography.
It describes in detail the work developed during the last five academic years as a computer teacher, in particular at the Non-Disciplinary Curricular Area of Citizenship, an area implemented in the Autonomous Region of the Azores in the 2010/2011 school year.
The classroom work report describes the programs study of the Microsoft Office, as well as the Windows operating system.
It intends to be an accurate report of how classes were dynamized using the diversed contents and how the methodologies and strategies used were adjusted, corrected or maintained, depending on the results obtained in the different groups in which they were applied.
It was given priority to the application of more interactive and appealing methodologies to students, rather than using expository methodology. Strategies used in the classroom intended to give students the needed orientation to obtain the necessary answers to acquire the desired knowledge.
In addition to the work done in the classroom, the report describes the work done outside the teaching timetable, such as the participation in activities of the Annual Plan of Activities, as well as the integration into work groups and the appointment of positions, such as IT Projects Coordinator.
The enrollment in this master's degree and consequent drafting of this report prompted me to recall some of the processes I had undergone during the last five years of teaching. Although most of the strategies and methodologies employed at the beginning of this period continue to be remembered and replicated in my most recent classes, the writing of this report reminded me of some specificities of my classroom action that had been effective, but went a bit overlooked meanwhile. On the other hand, it enhanced the need for me to adapt and evolve as a teacher, not only for being a teacher in an area that is constantly evolving, such as Computer Science, but also because there is always the possibility of incorporating improvements in classes, so that students become more interested and able to absorb the contents explored more quickly and with less effort.
XIII For the continuity of my career, as a teacher of the 550 group, I pursue to continue to apply the good practices that I developed during this last decade dedicated to teaching, which the writing of this report has revived and reinforced. I will try to update myself on new strategies and will adapt them according to the types of classes encountered. In this process, I hope to be able to develop an even more complete teaching practice, which contributes to my development as a teacher but, above all, to the learning of my students.
14
Introdução
A realização deste documento, o Relatório sobre a Atividade Profissional, conforme o título sugere, vem descrever a atividade profissional, nos últimos cinco anos da minha carreira, como professor do grupo 550 – Informática. É parte integrante do curso de 2º ciclo no qual estou matriculado, o Mestrado em Ensino de Informática, que ingressei no presente ano, através do processo Recomendação do CRUP.
O presente relatório tem como objetivo global descrever detalhadamente a minha atividade profissional nos últimos cinco anos, demonstrando que, ao longo deste período, desenvolvi competências relevantes na área do ensino, e em particular, no ensino da informática. Para tal, tenho como objetivos fazer uma revisão da literatura, com referência a conhecimentos académicos/científicos pertinentes; descrever, de forma clara, os trabalhos realizados e os resultados obtidos; dar a conhecer o controlo da qualidade do trabalho realizado e, por fim, analisar os resultados obtidos face aos meus objetivos iniciais e às minhas expectativas.
Ao longo destes últimos cinco anos lecionei em três escolas distintas, todas localizadas no concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira. A EBIFFD – Escola Básica Integrada Francisco Ferreira Drummond, nos anos letivos 2012/2013 e 2013/2014, situada na freguesia de São Sebastião; a EBIAH – Escola Básica Integrada de Angra o Heroísmo, no ano letivo 2014/2015, situada na freguesia de São Bento; e, por último, a ESJEA – Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, nos anos letivos 2015/2016 e 2016/2017, situada na freguesia da Conceição. As duas primeiras receberam-me a contratado a termo resolutivo, tendo a última, a ESJEA, recebido a contrato a termo indeterminado.
Embora tenha sido contratado sempre para preencher uma vaga do grupo 550 – Informática (o único para o qual estou habilitado a concorrer), pertenci a diferentes departamentos consoante mudei de escola e, até mesmo, no âmbito de uma mesma escola. Na EBIFFD integrei o Departamento de Educação Física e Expressões Artísticas e Tecnológicas, assim como o Departamento de Matemática e Ciências Físicas e Naturais, nos anos letivos 2012/2013 e 2013/2014, respetivamente. Na EBIAH pertenci ao Departamento Curricular das Expressões Artísticas e Tecnológicas e na ESJEA ao Departamento de Expressões Artística e Tecnológica.
Nas duas primeiras escolas, a EBIFFD e a EBIAH, lecionei, em exclusividade, a Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania. Na EBIFFD a turmas do 7º ao 9º ano e na EBIAH a turmas do 5º e 6º ano. Na ESJEA, no ano letivo 2015/2016, para além da Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania, lecionei algumas UFCD – Unidade de Formação de Curta
15 Duração a uma turma do primeiro ano de um curso de PROFIJ – Programa Formativo de Inserção de Jovens, mais precisamente, ao Curso de Técnico/a de Informática - Instalação e Gestão de Redes – Nível IV (equivalente ao 10º ano). No ano letivo 2016/2017, para além da Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania, lecionei a disciplina de Informática e Multimédia a uma turma PCD – Projeto Curricular Diferenciado, do 9º ano. Fui, ainda, formador a várias UFCD, no âmbito da Área de Competências-Chave das TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação, do Programa Reativar. Esta formação teve a particularidade de ter sido aplicada a duas turmas de presidiários (Curso de Formação de Base de Nível Básico), nas instalações do EPAH – Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo.
A Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania funcionou em regime de par pedagógico, tendo as aulas sido sempre ministradas com o acompanhamento do(a) diretor(a) de turma. As restantes disciplinas/UFCD foram lecionadas apenas por mim.
Os meios materiais existentes e disponíveis nas escolas destinados à lecionação destas aulas/formações nem sempre foram os mais adequados ou mesmo em número suficiente. Fiz, no entanto, por aproveitá-los sempre da melhor forma, para que o processo ensino-aprendizagem não fosse comprometido. Por entre estas três escolas, tive situações distintas quanto ao equipamento informático disponibilizado para as aulas. Se na novíssima EBIFFD existia uma sala equipada com computadores portáteis recém-adquiridos e na EBIAH quatro salas com computadores de secretária, um pouco desatualizados mas em bom estado de manutenção e suficientes para as tarefas de sala de aula, já na ESJEA apenas foi possível atribuir às aulas de Cidadania duas salas de aula normais, onde se podia fazer uso de portáteis em quantidade insuficiente e antigos, armazenados num armário e que se apresentavam sem a manutenção devida, esta muito necessária, a equipamentos que já ultrapassavam o seu tempo de vida útil. Para as aulas do Curso de Técnico/a de Informática - Instalação e Gestão de Redes – Nível IV, pude contar com uma sala de informática bem equipada, a funcionar com computadores NComputing (ambientes de trabalho virtuais). Nos computadores destas três escolas, estava instalada uma das versões do sistema operativo Microsoft Windows (desde o XP ao 10 e o Server 2012 no caso do NComputing), assim como uma do pacote de software de produtividade, Microsoft Office. À exceção do EPAH (por motivos de segurança), todas as salas estavam equipadas com ligação à Internet. Para além deste equipamento, tive à minha disposição quadros de giz/brancos, projetores, smartboard, colunas, assim como diverso material de apoio, quer em papel quer em formato digital, alojados em pen, CD ou discos externos.
A metodologia utilizada para a elaboração deste relatório foi o recurso à pesquisa em livros da especialidade, à pesquisa de informação na Internet e ao aproveitamento de
16 alguma pesquisa, já por mim realizada para trabalhos, aquando do processo de Profissionalização em Serviço.
17
1. Apresentação da Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania
A Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania é uma área curricular que foi implementada pela RAA – Região Autónoma dos Açores em substituição da extinta disciplina de TIC. O Decreto Legislativo Regional N.º 21/2010/A de 24 de junho (Anexo II) introduziu esta nova área curricular no currículo regional. A sua implementação ocorreu de imediato no ano letivo seguinte, o de 2010/2011, com vista a um “… desenvolvimento harmonioso da pessoa que é o aluno, como condição para o exercício responsável de uma cidadania ativa …” (Borges et al., 2010, p. 4).
Nos ciclos em que lecionei, o 2.º e 3.º, esta área curricular foi “… assegurada por um par pedagógico, sendo um dos elementos o diretor de turma e o outro um docente de Tecnologias da Informação e Comunicação ou com conhecimentos nesta área”, de acordo com o N.º 7 do artigo 4º do Dec. Legislativo Regional N.º 21/2010/A de 24 de junho.
Para a Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania não são desenvolvidas planificações, existindo, no entanto, um documento de referência intitulado Referencial Área de Formação Pessoal e Social/Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania (Anexo III).
É pretendido que se faça a integração das TIC durante a lecionação desta área curricular, consoante se explora as dimensões consideradas prioritárias e/ou fundamentais constantes no respetivo referencial. Esta integração “… é concebida no sentido destas se tornarem ferramentas pedagógicas de suporte às aprendizagens, na medida em que devem ser auxiliares da pesquisa, do tratamento e da divulgação de informação. (…) poderão ser utilizadas de forma significativa na estruturação de produtos finais e na divulgação de atividades ou de projetos” (Borges et al., 2010, p. 12).
No âmbito do Referencial Área de Formação Pessoal e Social/Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania “… não foram, de forma sistemática, identificadas cargas horárias nem conteúdos específicos relativos às TIC, sendo necessário que o docente titular de turma (…) e o par pedagógico (…), definam a melhor forma de garantir a sua abordagem e de a articular com os conteúdos das Dimensões a desenvolver” (Borges et al., 2010, p. 13). Esta facilidade, no que concerne à carga horária a atribuir às TIC, aliada à não obrigatoriedade de aplicação da totalidade dos conteúdos sugeridos (por se tratar de um referencial e não de uma planificação), enquadrou-se na prática corrente que foram as aulas desta área curricular. Refiro-me à necessidade, que sempre existiu, de parte das aulas serem utilizadas para o tratamento de assuntos da direção de turma, assim como, para a resposta a todas as solicitações de atividades escolares que tivessem que ocorrer durante os tempos letivos dos alunos e que não se enquadravam em mais nenhuma área curricular.
18 Foram os casos do preenchimento de questionários/inquéritos em papel ou online, a projeção de filmes/documentários a pedido dos diferentes Gabinetes de Psicologia, a participação em palestras/apresentações nos auditórios das escolas, as visitas dos psicólogos escolares para o esclarecimento de dúvidas sobre o prosseguimento dos estudos e para a realização de testes psicotécnicos, visitas de estudo, participação em atividades realizadas pelos vários departamentos escolares, etc.
No que às TIC diz respeito, segue-se o quadro indicador das abordagens a desenvolver durante as aulas, constante no Referencial Área de Formação Pessoal e Social/ Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania.
CICLOS ANOS ABORDAGENS A DESENVOLVER
1º Ciclo 3º Ano 4º Ano Ambiente de trabalho Pesquisa na Web Ambiente de trabalho Pesquisa na Web Processamento de texto
Criação de uma apresentação simples 2º Ciclo 5º Ano 6º Ano Pesquisa na Web Processamento de texto Criação de um folheto/panfleto Processamento de texto
Criação de uma apresentação simples
Utilização de correio eletrónico 3º Ciclo 7º Ano 8º Ano 9º Ano Internet: Blogs Processamento de texto Criação de um folheto/panfleto
Internet: criação de páginas Web
Criação de uma apresentação animada
Utilizar uma folha de cálculo
Criação de uma apresentação animada (o recurso ao Movie Maker deve ser considerado)
Utilizar uma folha de cálculo
Tabela 1 - Abordagens a desenvolver, por ano, em Cidadania.
A avaliação à Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania é qualitativa. É composta pela nota global, assim como por outras notas respeitantes a diferentes critérios de avaliação, tais como, a utilização das TIC, a realização e conclusão das tarefas, as atitudes e valores, etc. Estes critérios de avaliação variam de escola para escola, sendo estas livres de determinar os que são a aplicar.
19
2. Ano letivo 2012/2013
2.1.
Trabalho desenvolvido
No ano letivo 2012/2013 exerci a minha atividade profissional na EBIFFD – Escola Básica Integrada Francisco Ferreira Drummond. Nesta escola fui colocado, pelo Concurso Pessoal Docente 2012/2013, como docente contratado a termo resolutivo, no grupo 550 – Informática. Como docente deste grupo de recrutamento, integrei o Departamento de Educação Física e Expressões Artísticas e Tecnológicas.
Neste ano letivo, a EBIFFD assegurou o funcionamento da Educação Pré-Escolar e do Ensino Básico nas freguesias da Feteira, Porto Judeu e Vila de São Sebastião, num total de 635 alunos (ver tabela 2).
Destes, fui professor de 152 alunos do 3º ciclo, ou seja, da totalidade dos que frequentaram este ciclo de ensino. Os alunos estavam distribuídos por 9 turmas, 3 do 7º ano (7º A, 7º B e 7º C), 4 do 8º ano (8º A, 8º B, 8º C e 8º D) e 2 do 9º ano (9º A e 9º B).
A todas as turmas lecionei a mesma área curricular, a Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania, com a carga horária e distribuição semanal que se pode observar no seguinte horário que me foi atribuído:
Nível /Modalidade de Ensino
Ano Letivo 2012/2013
Educação Pré-Escolar 99
1º Ciclo 245
2º Ciclo 139
3º Ciclo 152
TOTAL
635
20
Figura 1 - Horário do ano letivo 2012/2013.
Foram várias as atividades que se desenvolveram nestas turmas ao longo do ano letivo. Conforme referi no capítulo anterior, a apresentação da Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania, parte das aulas foram utilizadas para o tratamento dos assuntos da direção de turma. Tal foi necessário uma vez que, à semelhança do desaparecimento da disciplina de TIC, foi também eliminada do Currículo Regional a disciplina onde o diretor de turma tratava estes assuntos, a Formação Cívica. Foi, portanto, necessário quase sempre reservar parte de cada aula, dos únicos 90 minutos semanais que os alunos tinham acesso
21 a computadores em contexto de sala de aula, para esta tarefa. Existiram algumas aulas em que o diretor de turma teve a necessidade de ocupar a totalidade da aula com a resolução de problemas inerentes ao seu cargo. Na qualidade de par pedagógico e de docente desta área curricular, fiz sempre por auxiliar estes meus colegas, diretores de turma, durante esta parte da aula (dentro do que me era possível). Após a conclusão dos assuntos da direção de turma, as aulas passavam a ser destinadas à informática, sobretudo com a realização de trabalhos de pesquisa.
Após uma ou duas aulas de Cidadania em que, sendo o início do ano letivo, as aulas formam destinadas para as questões da direção de turma, tais como, informações para os encarregados de educação, orientações escolares, preenchimento das fichas biográficas, etc., deu-se, então, início à abordagem dos conteúdos previamente acordados com o meu colega par pedagógico. Para a totalidade das turmas neste ano, ficou determinado que se iria iniciar pelo programa de criação de apresentações Microsoft PowerPoint (e que seria o de maior incidência ao longo do ano), assim como um outro programa do mesmo pacote de software de produtividade, o Microsoft Publisher e, por último, o programa de edição de vídeo, Windows Live Movie Maker.
2.1.1.
Microsoft PowerPoint
Na primeira aula em que iniciei a abordagem ao programa PowerPoint, fi-lo sem identificar de imediato que tipo de programa se iria explorar. Em conversa como os alunos, fui dando vários exemplos de tarefas que se podem realizar num computador e, utilizando o método interrogativo, fui indagando sobre os programas que conheciam que poderiam ser utilizados para realizar cada uma delas. À medida que fui obtendo respostas, fui evoluindo por diferentes tipos de programas até questionar sobre o tipo de programa que se pode utilizar para criar trabalhos como o intuito de serem projetados, exemplificando com o que os seus professores faziam para lhes explicar a matéria durante as aulas. Sem dificuldades, a maioria os alunos identificou corretamente o programa em causa. De seguida, questionei sobre se conheciam outros programas de criação de apresentações, para além do PowerPoint, tendo dado exemplo de alguns e explicado o motivo pelo qual o mais conhecido ser o programa da empresa Microsoft. Seguidamente, questionei sobre quem já havia trabalhado com este programa, tendo recebido a resposta da generalidade dos alunos de que já o haviam abordado em anos anteriores em contexto de sala de aula. Após este breve levantamento dos conhecimentos dos alunos, introdução e enquadramento do programa a
22 explorar nas aulas, continuei a mesma com o recurso à projeção de uma apresentação sobre as regras a ter em conta quando se cria uma apresentação. Através dos métodos expositivo e interrogativo foram exploradas as várias regras de criação de apresentações, tais como: a estrutura que uma apresentação deve seguir; o conteúdo que deve ser incluído no diapositivo de título; os tópicos a serem focados na introdução; o conteúdo existente no desenvolvimento; a redação da conclusão; a construção da bibliografia; os princípios a ter em conta durante a criação da apresentação (legibilidade, visibilidade, organização da informação e coerência); etc. Ainda com recurso a esta apresentação, foram explicados e debatidos com os alunos, alguns conselhos e dicas a terem em conta sobre como se deveriam preparar para apresentar um trabalho criado para este efeito, de como deveriam proceder na altura da apresentação e quais os erros que deveriam evitar. Esta primeira aula com conteúdos informáticos foi preenchida na totalidade por este tipo de apresentação de ideias, mas sempre com o recurso a perguntas feitas aos alunos e pelas suas sugestões daí resultantes. Foi, portanto, uma aula teórica, que serviu como introdução e preparação para as aulas seguintes, que se pretendiam ser sobretudo práticas.
Na segunda aula e concluídas as tarefas da direção de turma para esse dia, procedeu-se à criação de grupos de trabalho com o intuito de procedeu-se iniciar a componente prática destas aulas, isto é, a criação de um trabalho de pesquisa sobre um determinado tema. A criação de grupos de trabalho foi necessária em todas as turmas em que lecionei, uma vez que a sala de informática (sala de TIC), a única existente na escola, apenas dispunha de 12 computadores portáteis. Estes grupos nunca ultrapassaram o número de dois elementos, uma vez que nenhuma das turmas em que lecionei neste ano letivo teve mais do que 20 alunos. A forma como os grupos foram criados variou de turma para turma. Nas turmas em que o meu par pedagógico já havia sido professor desses alunos no ano letivo anterior, optou-se por ser este a criá-los, de forma a não juntar elementos desestabilizadores ou que comprovadamente não iriam ser produtivos no que à realização das tarefas e consecução dos objetivos dizia respeito.
Após a criação dos grupos de trabalho, deu-se seguimento à escolha do tema a desenvolver nos trabalhos dos alunos. Também aqui seguiu-se dois caminhos distintos consoante as turmas em questão. Em algumas, foi feito, oralmente, um levantamento de temas e assuntos que os alunos gostassem de ver desenvolvidos nas aulas de Cidadania. Consoante a pertinência das sugestões apresentadas, eu e o meu colega, fizemos uma seleção das que achávamos enquadráveis à lecionação da área curricular (caso houvessem) e foi dada a possibilidade dos alunos votarem no tema que achavam mais importante, ficando, assim, decidido o tema único dos trabalhos. Noutras turmas não foi feito este levantamento de sugestões, tendo sido previamente realizada, juntamente com o meu
23 par pedagógico, uma seleção dos temas disponibilizados pelo referencial da área curricular, com os temas que se enquadravam com o conhecimento da realidade de cada turma, excluindo, ainda, temas que já haviam sido abordados em anos anteriores à minha chegada a esta escola e a estas turmas.
Grupos criados e temas escolhidos, foi dada a ordem de ligarem os equipamentos informáticos e de abrirem o programa a ser utilizado. Nas turmas onde pudesse haver alguma dificuldade em encontrar a localização para a abertura do PowerPoint, com recurso ao projetor, pedi à turma que me ajudassem a encontrar a localização do programa. Aproveitei para fazer referência à diferença entre a Lista de Acessos Rápidos do Menu Iniciar e à efetiva localização do programa na lista Todos os Programas. Os alunos deram início, então, à criação do trabalho, com a construção do diapositivo de título. À medida que iam criando este diapositivo fui questionando sobre os elementos que deviam constar no mesmo e do que se lembravam do que havíamos falado na aula anterior. Com esta parte dos trabalhos já um pouco avançada, projetei o seguinte exemplo de um diapositivo de título, para que, para além de os relembrar dos elementos que deveriam aqui constar, apresentar, através do método demostrativo, a disposição e organização dos mesmos:
24 Uma vez que o programa em si, o PowerPoint, já havia sido abordado em aulas de anos anteriores, foi decidido não sobrecarregar os alunos com aulas (ou parte delas) apenas com a exploração teórica das suas ferramentas. Optou-se por deixar os alunos avançarem na construção dos trabalhos apenas com os conhecimentos previamente adquiridos. Essa decisão foi também tomada como forma que se fazer um levantamento mais detalhado e rigoroso destes conhecimentos e quantificar a extensão ao qual os mesmos caíram em esquecimento durante o período de férias de verão em que os alunos haviam acabado de passar. Embora a intenção fosse a de realizarem os trabalhos com os conhecimentos pré adquiridos, nunca lhes foi negado o auxílio e o esclarecimento de dúvidas durante a elaboração dos trabalhos. Eu e o meu par pedagógico fomos acompanhando o desenvolvimento das pesquisas na Internet e o subsequente tratamento dessa informação, com a introdução da mesma nos trabalhos dos alunos. Esse auxílio incidiu, em grande parte, na redação das introduções e das conclusões.
Sempre que um aluno colocasse uma dúvida que achasse mais pertinente, ou que fosse uma que se estivesse a tornar repetitiva entre os vários grupos, interrompia o trabalho de toda a turma, colocando essa dúvida/questão a todos. Utilizando o método interrogativo, tentei saber se alguém conhecia a solução e, caso não houvesse, através do método demostrativo, apresentava-o na projeção, escrevendo-o no quadro ou oralmente.
Este tipo de aula e de estratégia desenvolveu-se durante algumas semanas, tantas as achadas necessárias para a normal obtenção dos conteúdos na Internet e o devido tratamento no PowerPoint. À medida que os grupos iam acabando os seus trabalhos, foi-lhes relembrado que a preparação da apresentação era uma etapa importante e que não a poderiam descurar. Que deveriam aproveitar o tempo remanescente para a leitura do trabalho, decidir quais as partes que cada elemento do grupo iria apresentar, etc.
Terminados e recolhidos os trabalhos, procedeu-se à fase de apresentação dos mesmos. Antes de se iniciarem as apresentações, fiz referência aos cuidados que deveriam ter durante a sua apresentação, relembrando o que havia sido dito na aula em que foram exploradas as regras de criação e apresentação de trabalhos deste tipo. Acrescei mais algumas dicas e estratégias que não haviam sido referidas, opção que tomei na altura como forma de não tornar essa primeira aula tão maçuda e enfadonha.
Durante a apresentação dos trabalhos de cada grupo não foram feitas observações nem por mim nem pelo meu par pedagógico. Optou-se sempre por não se interromper o seu normal desenvolvimento, por mais graves que as incorreções fossem, deixando-se essa tarefa para o fim da apresentação. A correção dos trabalhos foi realizada com o recurso às notas que fui apontando sobre o que havia a melhorar nos trabalhos. À medida que as ia
25 referindo, pedia a um aluno do grupo para situar o trabalho no diapositivo em causa, para que os elementos desse grupo, assim como toda a restante turma, pudessem acompanhar a correção com a situação em causa visível. Na maioria das vezes, ainda antes de identificar as questões a corrigir, pedia à turma, utilizando o método interrogativo, para ajudarem os colegas que haviam acabado de apresentar o trabalho, a identificarem o(s) melhoramento(s) que achavam que se deveria aplicar ao diapositivo.
Conforme referi, estes trabalhos, foram realizados sobretudo com os conhecimentos adquiridos pelos alunos nos anos letivos anteriores, tendo optado por deixá-los realizar esta primeira tarefa apenas com uma revisão aos conceitos mais abrangentes da estrutura de um trabalho desta natureza. Desta forma, acabei por aplicar conteúdos deste software, o PowerPoint, com recurso a duas condições que considero serem motivadoras de uma maior atenção por parte dos alunos e que lhes causa maior impacto: Estar-se a explorar os conteúdos da matéria num trabalho feito pelo aluno e não num qualquer texto/apresentação criada para o efeito, que é distante e não lhes diz nada, criando-se, assim, uma maior proximidade entre a matéria a dar e o trabalho e empenho aplicado pelo aluno. Por outro lado, o aluno apercebe-se dos erros e do que está incompleto, em algo concreto que ele próprio havia estado a criar ainda pouco tempo antes.
Aos poucos e apresentados os trabalhos, as configurações a explorar neste tipo de programa vão sendo abordadas com os exemplos, corretos e incorretos, fornecidos pelos próprios alunos. Esta metodologia foi utilizada por mim, uma vez que tem vindo a revelar-se adequada a este tipo de conteúdos e impulsionadora das aprendizagens dos alunos.
Apresentados estes primeiros trabalhos, reavivados os conhecimentos prévios dos alunos e aplicados outros novos, partiu-se para o início de um novo trabalho no PowerPoint. Voltou-se a aplicar a mesma forma de seleção do tema a desenvolver. Antes de iniciarem a criação dos trabalhos, fiz uma abordagem mais aprofundada à construção de duas partes fundamentais do trabalho, a Introdução e a Conclusão. Após referir a importância de se incluir estes elementos num trabalho e de os redigir de forma correta, projetei os seguintes diapositivos:
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Figura 3 - Diapositivo de explicação da construção de uma introdução.
27 Estes diapositivos vieram relembrar o que havia sido referido na apresentação teórica durante a primeira aula de matéria (o que está a negrito após os títulos Introdução e Conclusão) e veio aprofundar e pormenorizar a criação destas partes do trabalho com exemplos concretos das frases que os alunos deveriam incluir durante a redação destes elementos. Através do método expositivo (inicialmente com a projeção destes diapositivos) e, de seguida, com o método interrogativo, fui questionando, ora a turma, ora um aluno em concreto, sobre como concluir as frases com o novo tema que iriam abordar já de seguida. Uma a uma, foi-se percorrendo as frases constantes nos diapositivos, com as sugestões dos alunos e complementadas pelas minhas indicações, assim como com as do meu par pedagógico.
Ainda antes de iniciarem a criação dos trabalhos, fiz as seguintes perguntas: “Os textos que estavam nos vossos trabalhos anteriores foram todos escritos por vocês? E as imagens? Foram vocês que tiraram as fotografias e que desenharam as figuras que lá estavam?”. Com estas perguntas e com os diferentes diálogos daí resultantes nas diversas turmas, fiz os alunos refletirem sobre a questão da proteção da propriedade intelectual. Exemplifiquei com bens materiais produzidos no decorrer da atividade profissional dos pais de alguns alunos, como forma de evidenciar a importância do respeito pelos bens imateriais que eram resultado de um esforço e trabalho de quem os produzia, tão reais e laboriosos como os dos seus pais e familiares. Após esta sensibilização, questionei sobre o que deveriam fazer no trabalho quando utilizassem textos e imagens que não fossem da sua autoria, tendo, em algumas turmas recebido a resposta correta, a da criação de um diapositivo com a Bibliografia. Após esta conclusão, projetei o seguinte diapositivo:
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Figura 5 - Diapositivo de explicação da construção de uma Bibliografia ou Webgrafia.
Com base nesta projeção, através do método expositivo, expliquei que deveriam criar uma bibliografia no final do trabalho sempre que utilizassem conteúdos que não fossem da sua autoria, quer tivessem sido retirados de livros, jornais, revistas ou da Internet. Neste último caso, a Internet, fiz referência à possibilidade de substituírem o título Bibliografia pelo Webgrafia, caso apenas tivessem utilizado conteúdos provenientes desta fonte. Expliquei também que, no caso da construção de uma bibliografia com referência a livros, revistas ou jornais, a mesma é um pouco complexa, existindo um conjunto alargado de regras que não iam ser estudadas nas nossas aulas. Acrescentei que iriamos criar sobretudo Webgrafias, dado a Internet ser o recurso dominante na sala de aula, mas que seriam auxiliados na construção da referência aos recursos em papel, caso fizessem uso dos mesmos para a realização dos trabalhos. Por último, fiz referência ao facto de a Internet ser muito recente e que não existem, portanto, regras tão complexas como para o caso dos livros. Que a sua referenciação é aceite, em geral, com a identificação do link da página (URL - Uniform Resource Locator), seguido da data em que a mesma foi acedida. Foi dado, de seguida, início à criação dos trabalhos com os diversos temas escolhidos ou atribuídos a cada turma.
29 Na aula subsequente, terminadas as questões da direção de turma, projetei o seguinte resumo das regras de criação de apresentações eletrónicas:
Figura 6 - Folheto das regras de criação de apresentações eletrónicas distribuído aos alunos.
Este resumo, através do método expositivo, visava relembrar e reforçar as regras aprendidas nos anos anteriores e algumas já aplicadas no primeiro trabalho deste ano letivo. Foram elas as configurações dos títulos e dos textos, assim como da estrutura geral de uma
30 apresentação eletrónica. Após uma rápida revisão às regras e esclarecimento de dúvidas, distribuí um exemplar a cada um dos alunos de cada turma, para que pudessem ter, consigo, sempre este recurso orientador no decorrer das aulas de Cidadania. Procedeu-se, de seguida, à continuação da criação dos trabalhos.
Nas aulas seguintes, a metodologia aplicada no acompanhamento à realização do trabalho e subsequente apresentação do mesmo, foi a mesma que descrevi anteriormente para o primeiro trabalho. Optei por manter esta forma de aplicar as aulas, uma vez que mostrou-se apropriada a todas as turmas durante esta primeira parte do período, aquando da realização e apresentação do primeiro trabalho dos alunos. Pelos mesmos motivos, esta metodologia foi mantida enquanto se trabalhou com o programa de criação de apresentações Microsoft PowerPoint e sempre que se decidiu voltar a trabalhar com o mesmo.
Em geral, os conteúdos específicos referentes ao Microsoft PowerPoint foram sendo relembrados, ou aplicados pela primeira vez, consoante os conhecimentos prévios de cada turma. Em norma, utilizei casos concretos dos trabalhos dos alunos, quando estes se deparavam com dúvidas ou dificuldades. Através do método demonstrativo, expliquei-lhes individualmente ou à turma em geral através da projeção, caso a pertinência dos mesmos o justificasse. Foram, sobretudo, abordados os seguintes conteúdos: introdução, edição e formatação de texto; verificação ortográfica; inserção, eliminação e reorganização de diapositivos; inserção de imagens, ilustrações e multimédia; utilização de temas; formatação de transições entre diapositivos; aplicação de efeitos de animação; criação de hiperligações entre diapositivos e à Internet; guarda e execução de uma apresentação.
2.1.2.
Microsoft Publisher
Com o avançar do ano letivo e consoante o nível de aprendizagens atingido por cada turma ao programa de criação de apresentações Microsoft PowerPoint, foi-se introduzindo, em algumas destas turmas, um outro programa do mesmo pacote de software de produtividade, o Microsoft Publisher. Na primeira aula deste conteúdo segurei numa folha A4 e dobrei-a em três secções como se de um folheto se tratasse. Sem mencionar o programa informático com que se iria começar a trabalhar, abri esse “folheto” e, através do método interrogativo, questionei os alunos sobre se conheciam algum software apropriado à construção deste tipo de trabalho. Uma vez mais, obtive, em algumas turmas, a resposta correta, tendo de seguida confirmado o programa em causa e referido algumas das suas
31 aplicações práticas. Questionei sobre quem já havia utilizado este programa e para que tarefa o haviam recorrido. Expliquei que o iriamos utilizar nas próximas aulas para a criação de um folheto. Ainda antes de avançar para a sua exploração, expliquei que é possível criar um folheto com um outro programa que não seja este, como é o caso do processador de texto Microsoft Word que até estão mais familiarizados, mas que seria muito mais trabalhoso, uma vez que o Publisher contém ferramentas apropriadas à elaboração deste tipo de trabalho que outros programas não o têm. Acrescentei que, por exemplo no Word, teria de ser sobretudo a olho, enquanto no Publisher iriam verificar que existem modelos e, nestes, guias/zonas para cada tarefa específica. De seguida e utilizando o método demonstrativo, percorri os menus do Windows com a ajuda e sugestões dos alunos, por forma a encontrar o local para abrir o programa. Com este aberto, fiz uma breve apresentação dos vários tipos de projetos possíveis de realizar e dos modelos disponibilizados para o efeito. Demonstrei a forma de se percorrer o programa para encontrar a publicação pretendida até encontrar a que iriamos trabalhar. Com uma breve examinação dos vários modelos disponíveis, abri um deles e comecei a inserir/substituir alguns conteúdos. De seguida, fiz notar que, sendo um programa do mesmo pacote, o Office, a maioria das ferramentas disponibilizadas para trabalhar são idênticas às do PowerPoint. Acrescentei que, por esse motivo, não seriam alvo da exposição e da demonstração das mesmas pelos professores, mas que seriam exploradas e aprofundadas pelos alunos durante a realização do trabalho que se seguiria.
Para este novo programa a explorar, foquei sobretudo a dificuldade que tenho vindo a observar em anos anteriores que é a da identificação correta das diferentes zonas que compõem um folheto. Com a folha A4 que inicialmente utilizei para exemplificar um folheto, salientei a particularidade de a face da capa não ser de óbvia identificação no programa. Com a ajuda dos alunos, identifiquei, no programa, a face considerada a da capa. Foquei, também, a particularidade de, no Painel de Navegação Entre Páginas, não se tratar de diapositivos (como estavam habituados com o PowerPoint) mas de se tratarem dos dois lados de uma folha A4 que posteriormente, após dobragem, se iria transformar num folheto. De seguida foi feita a habitual seleção do tema a desenvolver no trabalho de pesquisa e a criação/manutenção dos grupos de trabalho. Ainda antes de iniciarem os trabalhos, fiz referência à importância da aplicação, também neste tipo de trabalho, dos conceitos abordados durante a criação das apresentações em PowerPoint, nomeadamente os da legibilidade, visibilidade, organização da informação e coerência. Durante o processo de pesquisa, tratamento e introdução dos conteúdos nos trabalhos, foi realizado o mesmo processo de acompanhamento, por parte dos professores, descrito anteriormente, na realização dos trabalhos em PowerPoint.
32 Com a conclusão dos trabalhos de criação dos folhetos, estes foram guardados para posterior avaliação em conjunto com o meu par pedagógico. Em algumas turmas, optou-se pela impressão dos mesmos, por forma a os entregar aos alunos e estes terem contacto com o resultado final, físico, da tarefa que haviam estado a realizar. Aplicou-se, desta forma, um reforço do conteúdo abordado com o resultado concreto do trabalho de cada aluno.
2.1.3.
Windows Live Movie Maker
Para além do Microsoft Publisher, um outro programa que se decidiu introduzir em algumas turmas, consoante a progressão das aprendizagens das mesmas, foi o Windows Live Movie Maker. Uma vez mais, em consonância com os meus colegas pares pedagógicos, foi-se decidindo e orientando os diferentes programas a abordar para cada turma. Estas decisões basearam-se nos níveis de conhecimento atingidos pelos alunos, pelas capacidades demonstradas por estes, assim como, por algumas requisições feitas por outros professores da turma que pretendiam, nas suas disciplinas, que os alunos entregassem trabalhos em determinados formatos.
A abordagem inicial ao programa Windows Live Movie Maker foi feita com a projeção de uma apresentação PowerPoint, seguida, de imediato, por um filme criado no Windows Live Movie Maker, tendo este exatamente os mesmo conteúdos. Usei esta estratégia para evidenciar a diferença entre o resultado de um trabalho realizado no programa que até então os alunos tinham estado a explorar, o Microsoft PowerPoint, e um outro que pode apresentar os mesmos conteúdos mas de uma forma mais fluida e, consequentemente, mais apelativa. Criei estes dois recursos, a apresentação e o filme, com alguns conteúdos que haviam sido abordados nas aulas anteriores, para que os alunos se sentissem relacionados com algo que haviam estado a trabalhar e, desta forma, melhor sentirem esta possível evolução na forma como podem apresentar um trabalho multimédia. Após a projeção da apresentação e do filme, com o método interrogativo, pedi aos alunos para identificarem a diferença entre os dois tipos de trabalhos, assim como os programas que estão na base da sua criação. Alguns alunos souberam identificar o programa em causa, havendo quem já o tivesse explorado em casa. De seguida e com recurso à projeção, pedi que me ajudassem a encontrar a localização do programa. Uma vez encontrado, referi que o mesmo poderá não se encontrar instalado em alguns computadores, nomeadamente os dos alunos, em suas casas. Expliquei que é uma ferramenta do Windows e que, ao contrário do
33 que acontecia com versões anteriores deste sistema operativo (como o XP), é necessário instalar com o download do pacote Live Essentials.
Com o programa aberto, através do método expositivo, identifiquei as diferentes zonas que constituem o programa. De seguida, alterei a zona de construção do filme para o modo Linha de Tempo, tendo explicado que seria a forma de trabalhar que iriamos utilizar com mais frequência. Expliquei que, antes de se poder criar alguma coisa nesse filme, seria necessário primeiro importar os diferentes objetos que dele fariam parte, quer fossem imagens, vídeos ou músicas. De seguida e usando o método demonstrativo, procedi à importação de algumas imagens e músicas. Com estas já visíveis no programa, interroguei a turma sobre como as poderia utilizar para começar a criar o filme. Com as sugestões dos alunos, introduzi algumas imagens e uma música. À medida que ia introduzindo cada tipo de objeto, procedi à exemplificação dos ajustes possíveis de aplicar, no que ao tempo de duração de cada um diz respeito. Fui chamando à atenção para as várias ferramentas de auxílio existentes junto à linha de tempo assim como as que poderiam explorar, com o clique no botão direito do rato, sobre cada um deles. De seguida, questionei a turma sobre como poderia introduzir os textos ao filme, tendo exemplificado esta introdução consoante as contribuições dos alunos sobre a forma de o realizar. Ao longo a exploração e demonstração desta ferramenta, fui chamando a atenção para as várias configurações que os alunos deveriam explorar, respeitantes a efeitos e formatações possíveis de aplicar aos textos. Após ter introduzido e aplicado algumas formatações a estes três tipos de conteúdos (imagens, música e texto), procedi à visualização do filme até então criado, através da janela de pré-visualização existente no programa.
Terminado esta parte da abordagem ao programa Windows Live Movie Maker e esclarecidas todas as dúvidas, foquei a atenção dos alunos para uma particularidade deste software: o facto de não se poder apagar ou mover as imagens, filmes e músicas da pasta onde originalmente se encontravam aquando da sua importação. Comecei por exemplificar com os trabalhos em PowerPoint que tinham estado a fazer nas aulas, em que as imagens inseridas passavam a constar no próprio trabalho, enquanto no Windows Live Movie Maker o mesmo não acontecia. De seguida, ainda com recurso à projeção, chamei a atenção para uma das imagens que constava na área de importação, assim como na zona de construção do filme. Perguntei aos alunos se se lembravam onde a mesma se encontrava quando a fomos importar. Com as respostas que obtive, encontrei a pasta e eliminei a imagem. Após esta eliminação, projetei novamente o programa Windows Live Movie Maker, onde os alunos puderam observar que tinha surgido um X vermelho nos lugares onde antes surgia a imagem, tanto na zona da importação como na da construção do filme. Nesse momento, em que os alunos viram nessa demostração uma situação que nunca haviam observado noutros
34 programas, aproveitei para reforçar a importância de não apagarem ou alterarem de lugar as imagens, filmes e músicas que estivessem a utilizar para a criação dos trabalhos. Exemplifiquei, ainda, com casos de alunos que tinha tido noutros anos, em que, após várias aulas a desenvolver trabalhos, tinham-nos perdido porque haviam decidido fazer uma limpeza às suas pastas. Após esta chamada de atenção, questionei a turma sobre como se poderia resolver esta situação caso cometessem este erro. Em algumas turmas souberam dizer que se podia recuperar o que se apagou indo à reciclagem. Com a reciclagem aberta, perguntei sobre como proceder para se recuperar os ficheiros eliminados e que ali iam parar. Com as indicações dos alunos, procedi à restauração da imagem e, uma vez mais, apresentei o Windows Live Movie Maker para que pudessem verificar que a imagem voltava a aparecer nos locais onde antes se encontrava o X vermelho.
Neste ano letivo, houve um aluno que perguntou se a solução para esta questão não passaria por gravar o trabalho. Sugeriu que, se o mesmo fosse gravado, a imagem poderia não desaparecer. Esta hipótese de dúvida levantada por este aluno nunca me havia ocorrido e, a partir desse ano, passou a ser parte das etapas de explicação e demonstração que realizo sempre que abordo o Windows Live Movie Maker. Levantada esta questão, através do método demonstrativo, procedi à gravação do trabalho que estava a projetar e repeti os passos de eliminação da imagem e de verificação do problema em causa, para que os alunos ficassem com esta questão esclarecida. Após estes procedimentos, voltei novamente para a pasta onde se encontrava a imagem e perguntei à turma se haveria algum problema em alterar o nome da imagem. Com as diferentes respostas que obtive, procedi ao esclarecimento desta questão, tendo alterado o nome da imagem. De volta ao programa Windows Live Movie Maker, os alunos aperceberam-se que a situação repete-se. Após ter alterado o nome da imagem para o nome original e de ter projetado novamente o programa para que pudessem observar que esta voltava a ser apresentada, repeti o mesmo procedimento, mas desta vez com a alteração da sua localização para uma outra pasta. Com a explicação e demostração destas três situações, conclui esta parte da matéria com uma comparação. Aproximei-me do SmartBoard e, com as mãos junto à imagem que constava na zona de importação do Windows Live Movie Maker, fiz um movimento, como que a abrir uma janela e disse-lhes que deveriam interpretar aquela imagem, não como a imagem em si, mas como uma janela onde, dela, se visualiza a imagem na pasta onde se encontra.
Após estes procedimentos terem ficado completamente esclarecidos, informei que haveria uma solução para tratar esta questão, para que se pudesse apagar ou mudar de lugar os ficheiros utilizados para a criação do filme, a conclusão do filme. Consoante a fluidez com que consegui tratar estes conteúdos em cada turma, assim como do nível de
35 concentração e interesse que os alunos ainda demonstrassem, decidi, turma a turma, desenvolver este conteúdo ou deixar para o abordar numa próxima aula quando os alunos já estivessem com os trabalhos mais avançados.
Para a criação de grupos de trabalho e para a seleção do tema a desenvolver durante a criação do filme de cada grupo, procedeu-se da mesma forma, como que descrevi anteriormente, durante a abordagem ao programa PowerPoint. Optou-se, também, por aplicar a mesma estratégia para o acompanhamento, durante as aulas, dos trabalhos realizados e para o esclarecimento das dúvidas dos alunos.
O conteúdo Conclusão do Filme foi abordado, como referi, no momento mais apropriado a cada turma. Foi iniciado com a constatação de que, neste programa, passariam a ter dois ficheiros quando terminassem o trabalho. O projeto e o filme. Expliquei que, ao contrário dos trabalhos que realizaram em PowerPoint e em Publisher, em que entregavam aos professores apenas um ficheiro e que este era o suficiente, agora no Windows Live Movie Maker o ficheiro que têm vindo a guardar nos computadores da escola, no fim de cada aula, não seria o suficiente. Perguntei à turma o que aconteceria quando se abrisse, no computador do professor, os trabalhos que haviam estado a realizar. Na generalidade das turmas souberam rapidamente identificar a questão que havíamos estado a explorar, o da eliminação ou alteração da imagem e concluíram que não seria o procedimento correto. Houve turmas onde sugeriram que se gravasse também as imagens, filmes e músicas para o computador do professor. Esta pergunta que fiz teve o intuito de, além de identificarem o problema daí resultante, levar os alunos a que colocassem esta hipótese. Repeti-a para que todos os alunos da turma percebessem a pergunta do colega e para que pudessem refletir sobre a mesma. De seguida, abri a janela do Explorador do Windows, na localização O Meu Computador e, através da projeção, apontei para os ícones que constavam do computador do professor. Pedi para verificarem se, nos seus computadores, as letras que identificavam a(s) unidade(s) de disco e o(s) dispositivo(s) de armazenamento amovível, seriam as mesmas. Após constatarem que, no seu computador, a letra atribuída à pen era diferente à letra atribuída à pen no computador do professor, expliquei que essa letra pode variar de computador para computador, dependendo da quantidade de dispositivos que cada um tenha instalado, quer sejam discos rígidos ou leitores/gravadores de CD/DVD, por exemplo. Expliquei ainda que haveria forma de alterar a letra atribuída a cada um (à exceção do disco rígido onde se encontra o sistema operativo) mas que seria uma operação complexa e que necessitaria de permissões de administrador do computador para as poder realizar. Com tudo isto, tive a intenção de encaminhar os alunos para encontrarem a solução dentro do próprio programa. Com este aberto e projetado, pedi aos alunos para observarem a zona lateral esquerda, onde se encontravam
36 grande parte das configurações. A maioria das turmas apontou rapidamente para a opção pretendida, a Conclusão do Filme. Procedi, de seguida, à exemplificação da conclusão do filme que tinha servido de exemplo durante a exploração do programa, sempre com as sugestões dos alunos sobre os passos a tomar. Terminada a conclusão do filme, abri a pasta onde ambos os ficheiros se encontravam guardados, para que os alunos pudessem verificar da existência deste último, o filme, assim como da diferença para o que já existia, o projeto. Para que estas diferenças fossem mais evidentes, procedi à alteração da Vista para Detalhes, na janela do Explorador do Windows, por forma a melhor demonstrar as diferenças entre estes dois ficheiros. Por último, corri o filme para que os alunos pudessem observar o resultado final de todo o processo de criação de um filme no programa Windows Live Movie Maker.
2.1.4.
PAA – Plano Anual de Atividades
2.1.4.1. Atividades SeguraNet
Estes três programas (Microsoft PowerPoint, Microsoft Publisher e Windows Live Movie Maker) foram os conteúdos com uma maior incidência durante as aulas da Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania. Os temas a abordar durante a criação dos vários trabalhos dos alunos, ao longo do ano, ficaram ao critério de cada docente desta área curricular, acordados com o respetivo par pedagógico de cada turma. No entanto, o grupo disciplinar de informática considerou importante a exploração obrigatória de um dos subtemas constantes no referencial de Cidadania, o uso responsável das TIC. Com esse intuito, este grupo disciplinar apresentou, em reunião de departamento curricular, uma proposta de atividade para ser incluída no PAA – Plano Anual de Atividades da escola (Anexo IV). Esta atividade, “Atividades SeguraNet 2012/2013” (Anexo V), foi aprovada e passou a constar no PAA. A mesma teve como objetivo alertar os alunos para os perigos da utilização irresponsável das TIC, para que estes desenvolvessem um conjunto de atitudes e de comportamentos adequados durante a sua utilização.
As atividades SeguraNet decorreram mensalmente, entre os meses de outubro e maio, e consistiram no preenchimento, online, de um questionário sobre um tema selecionado pelo sítio web. Para tal, no início do ano letivo, fiz a seleção das turmas que participariam nestas atividades e criei uma conta de e-mail, para cada uma delas, para as poder inscrever no site SeguraNet. Esta seleção foi necessária, uma vez que o número de
37 turmas a ser inscrita por cada professor era limitado. Selecionei as três turmas que verifiquei terem mais condições para participarem nestas atividades. Foram elas o 7º B, o 8º C e o 9º B, uma por cada ano de ensino que lecionei (ver figura 7).
A cada mês, um novo desafio era lançado e decidia, em conjunto com o colega par pedagógico, a aula que iria ser reservada para desenvolver a atividade. Esta, para além do preenchimento do inquérito, constava de uma preparação prévia dos alunos sobre o tema ao qual o mesmo dizia respeito. Os vários temas abordados ao longo dos meses referiam-se sempre aos problemas relacionados com as novas tecnologias, em particular da Internet. Para esta preparação, utilizei os recursos disponibilizados pelo sítio web para cada uma das atividades, tais como, textos, tiras de banda desenhada e ligações a outros sites. Recorri, ainda, a outras fontes, online, como forma de complementar os já disponibilizados pelo site SeguraNet, tais como por exemplo, pequenos filmes do Youtube. Todos estes recursos foram projetados, explorados em grupo turma, tendo proporcionado vários debates espontâneos sobre as situações observadas e as conclusões que daí derivaram. Finda esta preparação, procedia-se à entrada na área de utilizador de cada turma e, como o questionário projetado, procedia à sua leitura e à exemplificação, com casos reais, das situações expostas nas perguntas. À medida que a turma decidia qual a resposta correta a cada questão, procedia à sinalização da mesma.
38 Ao longo do ano letivo, as várias turmas inscritas nestas atividades contribuíram para a classificação geral da escola, tendo esta atingido os 1189 pontos (ver figura 8).
Figura 8 - Classificação final da escola nas atividades SeguraNet.
As atividades SeguraNet tinham sido já por mim aplicadas noutros anos letivos e noutras escolas. Nesses anos, avaliei a consecução dos objetivos como tendo tido sucesso. Por serem temas associados às novas tecnologias e que, portanto, suscitam tanto interesse por parte dos alunos destas faixas etárias, houve uma forte intervenção destes, quer fosse para colocar dúvidas, quer para relatar situações experienciadas pelos próprios ou por amigos e familiares. No entanto, este interesse foi diminuindo nos últimos meses dos desafios. Para o ano letivo em questão, achei que estas atividades seriam, ainda assim, um bom contributo para o processo ensino-aprendizagem. Para que esta situação não se repetisse e para motivar os alunos das minhas turmas para um acompanhamento ativo e interessado nas atividades, optei por não repetir algumas das estratégias seguidas em anos anteriores. Decidi não criar fichas informativas, onde constavam os conteúdos abordados nos desafios, e que eram distribuídas e lidas nas aulas. Optei por explorar estes assuntos diretamente no site da SeguraNet assim como nos sítios web indicados, por este, como exemplo de recurso a utilizar. Esta estratégia foi uma boa aposta, tendo tornado as aulas mais apelativas e com uma exploração mais ativa dos conteúdos. No entanto, a
39 desmotivação pela participação nas atividades dos últimos meses foi novamente notória nas três turmas com quem participei nestas atividades. Essa mesma desmotivação foi relatada pela docente que participou com as outras quatro turmas.
Embora tenha consciência que seja possível tornar este tipo de aula ainda mais apelativa, com a experiência deste ano associada à que tive em anos anteriores, concluí que existem dois fatores que condicionam fortemente o interesse dos alunos por estas atividades: a carga horária da Área Curricular Não Disciplinar de Cidadania e a frequência destas atividades. Passo a explicar. Ora se a carga horária semanal para esta área curricular é de apenas dois tempos, consecutivos, de 45 minutos e sendo mensal a frequência das atividades, verifica-se que as mesmas ocuparam certa de 25% da totalidade das aulas para o ano letivo. Sendo Cidadania a única aula em que os alunos tinham acesso à sala de TIC e onde tinham acesso a computadores em toda a escola, é compreensível que o interesse por estas atividades diminuísse a cada mês e a cada novo desafio. Embora todos os alunos das minhas três turmas inscritas estivessem cientes de que nos aguardavam todos os meses um novo desafio, não foram poucas as vezes que, em forma de desabafo, ouvi “outra vez!”. Após este ano letivo não voltei a participar nestas atividades. Nem mesmo quando, no ano letivo seguinte, um colega de grupo disciplinar propôs estas atividades para o PAA da EBIAH. Preferi focar este tema através do desenvolvimento de trabalhos de pesquisa e posterior aprofundamento do mesmo durante as apresentações desses trabalhos.
2.1.4.2. Visionamento de filmes relacionados com a
temática deficiência
Uma outra atividade desenvolvida nas aulas de Cidadania e inserida no PAA da escola foi o visionamento de filmes relacionados com a temática deficiência. Esta atividade foi desenvolvida pelo GIP – Gabinete de Intervenção Pedagógica, tendo, este, pedido a colaboração dos docentes de Cidadania para a aplicar durantes as suas aulas. A atividade teve como objetivo sensibilizar a comunidade escolar para a diferença. Consistia no visionamento de filmes relacionados com a deficiência visual, motora e ainda sobre a dislexia. Após a conclusão de cada filme procedeu-se ao preenchimento de um questionário, que teve a intenção de fazer os alunos refletirem sobre o filme visualizado e a deficiência tratada no filme. Este momento de preenchimento e reflexão foi aproveitado para dialogar