UNIVERSIDADE FEDERAL DE S ~
AO CARLOS
CENTRO DE CI^
ENCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE MATEM ¶
ATICA
O ENSINO DA ¶
ALGEBRA ELEMENTAR
ATRAV¶
ES DE SUA HIST ¶
ORIA
Prof. Jo~
ao C.V. Sampaio. [email protected]
FUNC
» ~
OES E ALGUMA HIST ¶
ORIA
Uma hist¶
oria (pouco esclarecedora) do desenvolvimento do
conceito de fun»
c~
ao.
A palavra fun»c~
ao, em l¶³ngua latina, foi usada pela primeira vez por
Leibniz, em 1694, e novamente por Johann Bernoulli em 1718. Em ambos
os casos ela se referia a uma f¶
ormula relacionando uma vari¶
avel a outras.
Por exemplo, enquanto x denota uma vari¶
avel, Leibniz e Bernoulli
diriam que x
2¶
e uma fun»c~
ao (da vari¶
avel x). Um tal conceito est¶
a
rela-cionado a uma f¶
ormula y = x
2. Em linguagem moderna dizemos, com
rela»c~
ao a essa f¶
ormula, que a vari¶
avel y ¶
e uma fun»c~
ao da vari¶
avel x.
Segundo Ren¶
e Descartes e Pierre de Fermat, matem¶
aticos da primeira
metade do s¶
eculo 17, a f¶
ormula y = x
2, por sua vez, representa uma curva
num plano cartesiano. Um ponto (x; y) desse plano faz parte dessa curva
caso satisfa»ca µ
a equa»c~
ao y = x
2.
Na primeira metade do s¶
eculo 19, o matem¶
atico Dirichlet criou todos
os termos t¶
ecnicos que s~
ao atualmente usados no estudo das fun»c~
oes.
Dirichlet ¶
e o criador dos seguintes conceitos relacionados µ
a de¯ni»c~
ao de
fun»c~
ao:
Uma vari¶
avel ¶
e um s¶³mbolo que representa um elemento
gen¶
erico de um conjunto de n¶
umeros. Se duas vari¶
aveis x e
y est~
ao relacionadas de modo que a cada valor dado a x
corre-sponde, por meio de uma regra ou f¶
ormula, um ¶
unico valor da
vari¶
avel y, dizemos que y ¶
e uma fun»c~
ao da vari¶
avel x.
Se y ¶
e fun»c~
ao da vari¶
avel x, a vari¶
avel x, µ
a qual se atribuem
valores tomados num certo conjunto de n¶
umeros, ¶
e chamada
vari¶
avel independente da fun»c~
ao. Nessa fun»c~
ao, a vari¶
avel y ¶
e a
vari¶
avel dependente, (pois cada valor de y depende de um valor
atribu¶³do a x).
O conjunto dos valores num¶
ericos que x pode assumir ¶
e
chamado dom¶³nio ou campo de de¯ni»c~
ao da fun»c~
ao. J¶
a o
con-junto de todos os poss¶³veis valores que y possa vir a ter (que
de-pendem dos poss¶³veis valores de x) ¶
e chamado conjunto-imagem
ou campo de valores da func~
ao.
O m¶etodo de Descartes e Fermat para se estudar geometria atrav¶es da ¶
algebra.
Segundo o grande historiador e matem¶atico Morris Kline, os criadores da mate-m¶atica aplicada n~ao foram dois cientistas das ci^encias aplicadas. Foram na verdade o ¯l¶osofo franc^es Ren¶e Descartes e o jurista e funcion¶ario p¶ublico franc^es Pierre de Fermat. Em pesquisas independentes, ambos criaram a Geometria Anal¶³tica, ou seja, a geometria de coordenadas.
Nessa geometria, cada ponto de um plano ¶e associado a um par de n¶umeros, e equa»c~oes envolvendo duas vari¶aveis representam certas ¯guras geom¶etricas. Dito dessa forma, n~ao d¶a para saber do que se trata. Geometria anal¶³tica s¶o se aprende fazendo. Geometria anal¶³tica ¶e um m¶etodo que entrela»ca a ¶algebra com a geometria euclidiana. Na geometria anal¶³tica plana fazemos uso de equa»c~oes alg¶ebricas em duas vari¶aveis para tirarmos conclus~oes geom¶etricas.
Para entender como esses dois s¶abios foram inspirados a criar esse m¶etodo, reca-pitularemos brevemente o racioc¶³nio empregado por Descartes, segundo a descri»c~ao de Morris Kline.
Descartes havia decidido, ap¶os profundas re°ex~oes ¯los¶o¯cas, que sempre que tivesse que resolver problemas, partiria de considera»c~oes bem simples em dire»c~ao µas mais com-plexas, tentando assim resolver problemas complexos \quebrando-os" em problemas mais simples.
Suponhamos que nos ¶e dada, formulou Descartes, uma curva como a da ¯gura abaixo.
A mais simples curva ¶e linha reta. Fixemos uma linha reta para, atrav¶es dela, proceder a um estudo da curva. Esta curva pode ser pensada, disse Descartes, como
sendo gerada por um ponto P , que ¶e a extremidade de um segmento vertical AP , que se apoia perpendicularmente na reta por um ponto A.
Quando o ponto A se move para a direita ou para a esquerda, o ponto P se move na curva num movimento de sobe e desce. Assim, a curva pode ser estudada pelo movimento de um ponto P que, situado sobre a curva, se move para cima e para baixo como extremidade de um segmento vertical AP apoiado perpendicularmente numa linha reta atrav¶es do ponto m¶ovel A.
Mas como ¶e que estas considera»c~oes podem elucidar a natureza da curva? A¶³ entra a genialidade de Descartes. Para estudar a curva, Descartes prop^os o uso de linguagem alg¶ebrica. Quando a linha vertical AP se desloca para a direita, a dist^ancia do ponto A a um ponto ¯xo O, localizado na linha reta, ¶e uma vari¶avel x. Por sua vez, a dist^ancia de P µa linha reta ¶e uma vari¶avel y que, por sua vez, depende de x. Assim, a cada posi»c~ao do ponto P na curva estudada, corresponder~ao um valor x e um valor y.
Se o ponto A est¶a µa direita de O, a vari¶avel x ¶e um n¶umero positivo. Se o ponto A est¶a µa esquerda de O, x ¶e o negativo da dist^ancia de A a O. Analogamente y ¶e positivo ou negativo conforme P esteja acima ou abaixo da reta referencial. A reta de refer^encia ¶e hoje conhecida como eixo Ox.
Posteriormente µa inven»c~ao de Descartes, foi introduzido mais um eixo de refer^encia, vertical, passando por O. A partir de ent~ao x e y passaram a representar o deslocamento dos pontos A e B, negativos ou positivos, em rela»c~ao ao ponto O, quando P se move na curva, sendo P A e P B respectivamente perpendiculares aos eixos coordenados Ox e Oy.
Exerc¶³cios recomendados por Descartes
1. Descubra qual ¶e a equa»c~ao que relaciona as vari¶aveis x e y na representa»c~ao alg¶ebrica de cada uma das curvas dadas abaixo, em rela»c~ao ao sistema de coor-denadas indicado em cada ¯gura.
(a)
Resposta: x2+ y2 = 25 [Sugest~ao: Use o teorema de Pit¶agoras.] (b)
Resposta: y = x
Exerc¶³cios recomendados por Dirichlet
2. Esboce, num sistema de coordenadas cartesianas, o gr¶a¯co de cada uma das fun»c~oes dadas abaixo. Com base no seu esbo»co, determine o dom¶³nio D e conjunto-imagem I da fun»c~ao dada. Em cada item, ¶e dada a f¶ormula relacio-nando as vari¶aveis x (vari¶avel independente) e y (vari¶avel dependente) da fun»c~ao considerada. (a) y = 2x + 1. Resposta: D =R, I = R (b) y = x2. Resposta: D =R, I = R (c) y = x3. Resposta: D =R, I = R (d) y =px. Resposta: D =fx 2 R j x ¸ 0g, I = fx 2 R j x ¸ 0g (e) y = p3x. Resposta: D =R, I = R (f) y = 1x. Resposta: D =fx 2 R j x 6= 0g, I = fx 2 R j x 6= 0g
Pesquisa do dom¶³nio de uma fun»c~ao elementar
Como vimos no exerc¶³cio acima, dada uma fun»c~ao y = f (x), nem todo valor da vari¶avel x corresponde a um valor da vari¶avel y. Os valores reais de x que produzem valores de y constituem o dom¶³nio ou campo de de¯ni»c~ao da fun»c~ao.
Determine o dom¶³nio de cada uma das seguintes fun»c~oes. Em alguns itens, o conhe-cimento de como resolver inequa»c~oes do primeiro e do segundo graus ¶e um pr¶e-requisito.
1. f (x) = x21¡1 2. y =px + 1 3. y = p3x + 1 4. g(x) =p2 + x¡ x2 5. h(x) =p3x¡ x3 6. f (x) = x22x+1¡3x+2 7. f (x) = p42 + x¡ x2 8. g(x) =p¡x +p1 2+x 9. f (x) = p4x¡ x3
Pesquisa do conjunto-imagem de uma fun»c~ao atrav¶es do esbo»co de seu gr¶a¯co
Determine, atrav¶es de um esbo»co do gr¶a¯co, o conjunto-imagem de cada uma das seguintes fun»c~oes. Em alguns casos ser¶a necess¶ario determinar primeiramente o dom¶³nio da fun»c~ao (a¯nal, os valores de y dependem dos valores de x, n~ao ¶e mesmo?).
1. y =px + 1 2. y = p3x + 1 3. y =¡5 + x ¡ 6x2 4. f (x) = 2x2¡ 3x ¡ 2 5. g(x) = 21¡ x ¡ 2x2 6. f (x) =px2¡ 2 7. h(x) =p2¡ x2 8. y =p21¡ x ¡ 2x2 9. f (x) = p42 + x¡ x2
Pesquisa do conjunto-imagem de uma fun»c~ao como dom¶³nio da rela»c~ao in-versa.
A f¶ormula y = x2 de¯ne y como fun»c~ao de x. Ela nos diz claramente que y depende de x, ou seja, a cada valor atribu¶³do a x corresponder¶a um valor de y, a saber x2. Se tentamos isolar x, expressando-o em termos da vari¶avel y, obtemos x =§py.
Esta ¶ultima f¶ormula n~ao de¯ne x como fun»c~ao de y pela seguinte raz~ao: os matem¶ a-ticos convencionaram que, numa rela»c~ao funcional, a cada valor da vari¶avel indepen-dente dever¶a corresponder um ¶unico valor da vari¶avel dependente. Sendo x =§py, a cada valor dado a y (que nesta f¶ormula ¶e a vari¶avel independente), correspondem dois valores de x, sendo eles py e ¡py.
Uma tal f¶ormula de¯ne ent~ao o que chamar¶³amos a rela»c~ao inversa da fun»c~ao y = x2. Se a f¶ormula x = g(y) da rela»c~ao inversa da fun»c~ao y = f (x) ¶e tamb¶em uma f¶ormula de fun»c~ao, ela ¶e denominada f¶ormula da fun»c~ao inversa da fun»c~ao y = f (x).
Note agora que a f¶ormula x = §py nos determina que podemos utilizar somente valores n~ao negativos de y. Como esta ¶e a f¶ormula da rela»c~ao inversa da fun»c~ao y = x2, e como o conjunto-imagem de uma fun»c~ao ¶e o dom¶³nio da sua rela»c~ao inversa (pense nisto), deduzimos que o conjunto-imagem da fun»c~ao y = x2 ¶e o conjunto
I =fy 2 R j y ¸ 0g
Por pesquisa do conjunto-imagem como dom¶³nio da rela»c~ao inversa, damos ainda o seguinte exemplo.
Suponhamos que queremos determinar o conjunto-imagem da fun»c~ao y = 2x¡1x+1. Resolvendo essa equa»c~ao em x (isolando a vari¶avel x), obtemos x = 1+y2¡y, ou (2¡ y)x = 1 + y. Uma f¶acil inspe»c~ao veri¯ca que para y = 2 (e somente para y = 2), n~ao h¶a x que satisfa»ca a f¶ormula. Portanto y = 2 ¶e ponto exclu¶³do do conjunto-imagem da fun»c~ao.
Determine o conjunto-imagem de cada fun»c~ao dada abaixo, determinando o dom¶³nio da fun»c~ao (ou rela»c~ao) inversa. Em outras palavras, resolva a equa»c~ao y = f (x) em x, determinando x = f¡1(y). Em seguida, determine os valores de y para os quais se de¯ne x = f¡1(y). 1. y = 3¡ 5x 2. y =p3¡ 5x 3. y = p53¡ 5x 4. f (x) = 1¡4x1+5x 5. g(x) = 3 q 2x3+5 2x3+3 6. f (x) = x21¡1
Galileu Galilei, o pai da modelagem matem¶
atica
Galileu, de sobrenome Galilei, nasceu em Floren»ca em 1564, o ano do
nascimento de Shakespeare. A ele se deve um m¶
etodo empregado com
sucesso na ci^
encia moderna. A ele tamb¶
em se deve a introdu»c~
ao das
fun»c~
oes para descrever fen^
omenos do mundo f¶³sico. O m¶
etodo criado por
Galileu consiste em obter descri»c~
oes quantitativas de fen^
omenos naturais,
independentemente de quaisquer explica»c~
oes de causa desses fen^
omenos.
Galileu ¶
e considerado pelos f¶³sicos como sendo o pai da f¶³sica matem¶
atica.
Antes de Galileu, ¯l¶
osofos e cientistas concentravam-se em explicar
o porqu^
e dos fen^
omenos naturais. Com Galileu, nasceu a procura de
f¶
ormulas matem¶
aticas descrevendo como esses fen^
omenos ocorrem. Note
que uma f¶
ormula matem¶
atica descrevendo um fen^
omeno n~
ao ¶
e, em geral,
uma explica»c~
ao das causas do fen^
omeno! O importante para Galileu n~
ao
era saber porqu^
e mas como as coisas ocorrem.
Na descri»c~
ao de fen^
omenos f¶³sicos, os gregos e seus sucessores tamb¶
em
utilizavam f¶
ormulas (de forma n~
ao simb¶
olica por¶
em) para descrever
rela-cionamentos entre grandezas f¶³sicas (tais como velocidade, tempo,
dis-t^
ancia, peso, etc.. Essas \f¶
ormulas" por¶
em eram \deduzidas" a partir de
re°ex~
oes ¯los¶
o¯cas da pr¶
opria mente, e n~
ao a partir de experimentos.
Por exemplo, a f¶
ormula V = F=R descrevia, para Arist¶
oteles, a
veloci-dade V de uma pedra em queda livre. Segundo a f¶
ormula, a velocidade
V ¶
e diretamente proporcional µ
a for»ca F determinada pelo peso do corpo e
inversamente proporcional µ
a resist^
encia R do meio onde o corpo se move.
Esta f¶
ormula carecia de con¯rma»c~
ao por experimentos f¶³sicos. Ela era
fruto de conjeturas ¯los¶
o¯cas acerca da queda dos corpos.
Experimentalmente veri¯ca-se que a velocidade de um corpo em
que-da tende a aumentar µ
a medida em que ele cai. Pela f¶
ormula acima a
velocidade V deve manter-se constante durante a queda, j¶
a que a for»ca
F ¶
e determinada pelo peso do corpo, que ¶
e constante. O aumento da
velocidade do corpo era \explicado" pela turbul^
encia do ar, da parte da
frente para a parte de tr¶
as, em torno do corpo em queda.
Mas o que Galileu tem mesmo a ver com a hist¶oria das fun»c~oes?
Galileu foi o primeiro f¶³sico a propor a descri»c~ao de fen^omenos naturais atrav¶es de f¶ormulas matem¶aticas, ¶area hoje conhecida como modelagem matem¶atica. Assim por exemplo, a velocidade v de um corpo em queda livre, mostrou Galileu, ¶e uma func~ao da vari¶avel t, o n¶umero de segundos decorridos desde o in¶³cio de sua queda.
Galileu descobriu experimentalmente que
A velocidade de uma pedra em queda livre, medida em metros por se-gundo, ¶e 9; 8 vezes o n¶umero de segundos decorridos desde o in¶³cio de sua queda.
A a¯rma»c~ao acima, em letras it¶alicas, ¶e um exemplo de uma fun»c~ao. Primeiramente, ela lida com quantidades que mudam continuamente de valor, que s~ao as vari¶aveis velocidade e tempo decorrido. Em segundo lugar, ela determina que a cada n¶umero de segundos decorridos corresponde um valor para a velocidade do corpo em queda.
Assim, ap¶os 1 segundo, a velocidade do corpo ¶e 9; 8m=s, ap¶os 2 segundos, ela ¶e 19; 6m=s, e assim por diante.
Em s¶³mbolos, a declara»c~ao acima diz que, se um corpo cai em queda livre, tendo partido do estado de repouso, ent~ao, ap¶os t segundos, sua velocidade ser¶a
v = 9; 8¢ t
Este relacionamento funcional simb¶olico entre as duas vari¶aveis v e t ¶e a f¶ormula para a fun»c~ao descrita retoricamente acima.
Suponha agora que o corpo atinge o solo ap¶os 10 segundos. Ent~ao a f¶ormula acima s¶o tem sentido f¶³sico para 0· t · 10. No entanto, a f¶ormula v = 9; 8 ¢ t tem signi¯cado para todos os poss¶³veis valores reais de t.
Assim, a f¶ormula funcional ¶e mais geral do que a situa»c~ao f¶³sica que ela descreve. Conta a lenda que Galileu subia na Torre de Pisa e de l¶a soltava pares de pedras de diferentes tamanhos e pesos, tendo conclu¶³do que todas levavam praticamente o mesmo tempo para chegar ao solo. A partir deste experimento ele concluiu que se n~ao houver a resist^encia do ar, uma pluma e uma pedra, caindo a partir de uma mesma altura, chegam ao solo simultaneamente!
Problemas complementares
1. Considere a f¶ormula da velocidade de um corpo em queda livre, partindo do repouso, t segundos ap¶os o in¶³cio de sua queda,
v = 9; 8t
Veri¯que que, em cada segundo transcorrido, a velocidade do corpo aumenta em 9; 8 m=s. Isto quer dizer que a velocidade do corpo em queda aumenta 9; 8 m=s por segundo. Esta varia»c~ao na velocidade chama-se acelera»c~ao. Diz-se ent~ao que, neste caso, a acelera»c~ao do corpo ¶e de (9; 8 m=s)=s, ou seja, de 9; 8 m=s2. Esta ¶e a assim chamada acelera»c~ao da gravidade da Terra.
2. Galileu notou que se uma pedra ¶e lan»cada em queda livre, partindo do repouso, a dist^ancia d (em metros) percorrida por ela, ap¶os t segundos, ¶e dada pela f¶ormula
d = 9; 8 2 t
Nesta f¶ormula, o n¶umero 9; 8 aparece quanti¯cando a acelera»c~ao da gravidade (em m=s2) e nela Galileu menosprezava a resist^encia do ar.
(a) Quantos metros a pedra cai em 1 segundo? E em 2 segundos? E em 3 segundos?
(b) Se uma pedra cai do topo de um pr¶edio e leva 4 segundos para chegar ao solo, qual ¶e a altura do edif¶³cio?
3. Galileu observou que se uma pedra ¶e lan»cada (verticalmente) para baixo com uma velocidade inicial de v0 metros por segundo, ent~ao
(a) a velocidade da pedra, t segundos ap¶os seu lan»camento, ¶e dada pela f¶ormula v = v0+ 9; 8t
(b) a dist^ancia que ela percorre em t segundos ap¶os o seu lan»camento, ¶e dada pela f¶ormula
d = v0t + 9; 8 2 t
2
Se ela for lan»cada para cima com velocidade inicial v0m=s, ent~ao (a) sua velocidade ap¶os t segundos ser¶a
v = v0t¡ 9; 8t (b) a altura por ela atingida ap¶os t segundos ser¶a
h = v0t¡ 9; 8 2 t
2
Neste caso, a pedra ¶e desacelerada µa medida em que sobe, da¶³ os sinais \¡" nas duas f¶ormulas.
Com base nas informa»c~oes acima, responda:
(a) Qual ¶e a altura m¶axima que a pedra atinge se ¶e lan»cada para cima com uma velocidade inicial de v0 metros por segundo?
(b) Qual ¶e a velocidade da pedra no instante em que ela atinge sua altura m¶axima?
(c) Se quisermos que a pedra atinja uma altura de 500 metros, com que veloci-dade devemos lan»c¶a-la para cima?
Para ¯nalizar, uma surpresa: no tempo de Galileu, o moderno rel¶ogio de ponteiros ainda n~ao havia sido inventado!
Refer^encias utilizadas para a confec»c~ao do presente texto: [E] Eves, H.
Introdu»c~ao µa Hist¶oria da Matem¶atica. Editora da UNICAMP, Campinas, 1995.
[K1] Kline, M.
Mathematics in The Western Culture Oxford University Press, New York, 1970. [K2] Kline, M.
Mathematics for the Nonmathematician Dover Publications, Inc., New York, 1985.