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C Â M A R A M U N I C I P A L D E L I S B O A GABINETE DO VEREADOR MANUEL SALGADO PROPOSTA N.º 40/2018

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PROPOSTA N.º 40/2018

Assunto: Aprovar a autorização para a realização da escritura de reversão dos Lotes n.ºs 2010/007 e 2010/008 para o Município de Lisboa, sitos na Malha 23.2. do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL), ao abrigo do Contrato Inominado celebrado com a SGAL - Sociedade Gestora da Alta de Lisboa S.A..

Pelouro: Património

Serviços: Direção Municipal de Gestão Patrimonial (DMGP)

Considerando que:

I – Quanto ao Bairro da Cruz Vermelha

a) O Bairro Municipal da Cruz Vermelha, situado na freguesia do Lumiar, foi alvo de um estudo de

Caracterização Socioeconómica pela GEBALIS – Empresa de Gestão do Arrendamento Social em Bairros Municipais de Lisboa, E.M., S.A., tendo-se concluído que o espaço público se encontra degradado e descaracterizado, apresentando os edifícios graves patologias construtivas, incluindo a degradação de zonas estruturais e deterioração das áreas comuns;

b) Associadas às patologias identificadas no edificado, existem conhecidos e profundos problemas de

segurança, que têm contribuído para o isolamento desta área e condicionado o bem-estar dos moradores do Bairro e dos moradores das zonas envolventes;

c) Ponderadas as várias hipóteses de intervenção no Bairro, por forma a colmatar as patologias

identificadas, concluiu-se que apenas a demolição integral do edificado e o realojamento dos agregados familiares noutros imóveis poderia por termo à situação de isolamento e insegurança constante, devendo o Município providenciar para que tal venha a acontecer a curto prazo;

d) Como revelam os trabalhos já realizados, se mostra fundamental que o realojamento das famílias que

até agora ali habitam seja efetuado na mesma zona ou na sua envolvente;

e) Na zona em causa não existem construções municipais já edificadas com características e capacidade

para realojar os residentes do Bairro da Cruz Vermelha, nem terrenos municipais que preenchem os requisitos pretendidos para a construção de um novo Bairro;

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II – Quanto aos Terrenos para Construção do Futuro Bairro

f) Em Reunião de Câmara de 28 de julho de 2017 e a coberto da Proposta n.º 527/2017 foi aprovada a

decisão de, por concurso público com publicidade internacional, contratar a empreitada para o realojamento do Bairro da Cruz Vermelha, aí se estabelecendo a localização da futura urbanização (Anexo I);

g) Foram então identificados dois lotes de terreno na Malha 23.2 do Plano de Urbanização do Alto do

Lumiar (PUAL), com os n.ºs 2010/007 (Lote 23.2.1) e 2010/008 (Lote 23.2.2), na Rua Ruy Cinatti, descritos em sede de registo predial sob os n.ºs 1282 e 1283 da freguesia da Charneca, com as áreas,

respetivamente, de 6.588,6 m2 e 3.259,8 m2, com capacidade e características morfológicas para

implementar um projeto de construção com cerca de 130 fogos e doravante designados apenas por “lotes de terreno” (Anexo II);

h) Os lotes de terreno não são propriedade municipal, tendo sido transmitidos pelo Município de Lisboa à

SGAL – Sociedade Gestora da Alta de Lisboa S.A., por escritura de permuta outorgada a 12 de agosto de 2010, no âmbito do Contrato Inominado celebrado a 07 de dezembro de 1984 e revisto a 31 de dezembro de 1996 e em 23 de fevereiro de 2012 (Anexo III);

i) A autorização para a realização da mencionada escritura e aprovação das contrapartidas a receber

pelo Município, quer em espécie, quer em numerário, teve expressão na Proposta n.º 254/2010, aprovada na Reunião de Câmara n.º 32 de 07 de junho de 2010, conforme consta na cópia da documentação que consta em anexo à citada escritura (Anexo IV);

j) De acordo com o que consta na escritura de permuta, foram quantificadas as contrapartidas, na sua

natureza em espécie e em numerário, correspondentes aos lotes de terreno a transmitir, tendo resultando, em síntese, os seguintes valores globais:

i. Para o Lote n.º 2010/007 - 1.829.702,42 €, correspondendo 1.478.409,34 € ao valor de prestações em espécie e 350.663,08 € ao valor em numerário;

ii. Para o Lote n.º 2010/008 – 3.071.523,84 €, correspondendo 2.482.660,55 € ao valor de prestações em espécie e 588.863,29 € ao valor em numerário;

k) As mencionadas contrapartidas em espécie se materializam em três subgrupos: 1 – Equipamentos; 2 –

Infra-estruturas, arranjos exteriores e parque urbano; e 3- Contrapartidas de substituição, sucedâneas contratuais de realojamento;

l) As contrapartidas em espécie já se encontravam integralmente executadas pela SGAL na área de

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m) As contrapartidas em numerário não foram pagas ao Município no ato da outorga da escritura de

permuta, nem até ao momento, dado que a SGAL, nos termos do contrato celebrado, apenas terá essa obrigação na data em que concretizar qualquer dos seguintes negócios jurídicos: alienação, a qualquer título, dos lotes transmitidos em permuta ou venda da totalidade dos imóveis neles implantados, ou, ainda, quando vender, arrendar, ceder o gozo a qualquer título ou alienar, por qualquer forma, as fracções autónomas dos edifícios construídos nos mesmos lotes de terreno;

n) Até ao momento a SGAL nada construiu nos referidos terrenos, que se encontram nas mesmas

condições em que lhe foram transmitidos pelo Município;

III – Quanto aos Termos e Condições de Reversão dos Lotes de Terreno

o) A reentrada do Município na propriedade dos terrenos em causa é condição fundamental para que ali

possa ser construído o futuro Bairro da Cruz Vermelha, e desde logo para que possa vir a ser feita a consignação do contrato de empreitada que se encontra em fase de concurso;

p) A SGAL se mostra disponível para devolver ao Município de Lisboa a titularidade dos lotes de terreno,

com revogação da anterior escritura de transmissão e em condições a integrar no âmbito do Contrato Inominado;

A – Em matéria de contrapartidas em numerário

q) Os lotes de terreno revertem para o Município exactamente pelos mesmos valores atribuídos na

escritura de permuta, a título de contrapartidas em numerário, de 350.663,08 € para o Lote n.º 2010/007 e 588.863,29 € para o Lote n.º 2010/008;

r) Estes valores serão indicados na escritura de reversão apenas para efeitos fiscais, dado que o

Município não irá pagar qualquer quantia em numerário pelos lotes de terreno que irá receber, também porque a SGAL nada pagou ao Município desde a data da sua transmissão até ao momento;

B – Em matéria de contrapartidas em espécie

s) Situação diversa acontece quanto às contrapartidas em espécie, em que, como referido na alínea k), a

SGAL já as executou por completo, tal como previsto na escritura, designadamente em infraestruturas, no montante total de 3.961.069,89 €, atualizado por aplicação do Índice de Preços no Consumidor exceto habitação, para o ano de 2017, que perfaz 4.318.976,61 €, termos em que o Município deverá por força da revogação fazer o devido ressarcimento (Anexo V);

t) A SGAL revela-se disponível para que o montante das contrapartidas em espécie seja compensado no

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contrapartidas em numerário que serão devidas por aquela sociedade à CML, a preços de 2017, aquando da comercialização/disposição, dos lotes, malha e frações autónomas seguidamente identificados, conforme requerimento a apresentar por aquela sociedade para o efeito:

i. Lote 14.1 – 1.044.317,00 € ii. Lote 14.2 – 1.058.050,00 € iii. Lote 14.6 – 238.918,00 € iv. Malha 28 – 1.613.321,00 €

v. Frações autónomas do Lote 6.4 até ao montante de 364.370,61 €

u) O valor total das contrapartidas em numerário, para os lotes 14.1, 14.2, 14.6 e Malha 28, perfaz

3.954.606,00 €;

v) O valor remanescente residual a favor da SGAL, de 364.370,61 € (4.318.976,61 € - 3.954.606,00 €), é

igualmente compensado no âmbito do mesmo contrato inominado, com as frações autónomas do Lote 6.4 até ao montante referido de 364.370,61;

Considerando ainda que:

w) A SGAL assume todos os trabalhos e custos de demolição das atuais habitações do Bairro da Cruz

Vermelha, que deverão iniciar-se no prazo máximo de 15 (quinze) dias, apôs a desocupação das mesmas e consequente notificação para o efeito pela CML e estar concluídos no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias;

x) A SGAL assume esta obrigação, apesar de não ser parte direta neste tema dos realojamentos do

Bairro da Cruz Vermelha, porque reconhece que irá beneficiar com a intervenção municipal, desde logo pelas mais-valias que resultarão para a comercialização dos seus ativos, em especial da designada Malha 14, que se localiza na mesma zona;

y) Com a aprovação da presente proposta e por inutilidade superveniente, deixa de produzir efeitos o

deferimento da alteração à operação de loteamento da Área Edificável 23.2 do PUAL, promovida pela SGAL, titulada pelo Alvará de Loteamento Municipal n.º 2010/03, que constitui o Processo n.º 3/URB/2017, objecto de deliberação de Câmara a 25 de maio de 2017 no âmbito da Proposta n.º 317/2017 (Anexo VI);

z) A autorização para a celebração da escritura de reversão dos dois lotes de terreno para a titularidade

do Município de Lisboa, nos termos e condições ora expostos, permitirá dar cumprimento ao deliberado pela Proposta n.º 527/2017, para a contratação da empreitada com vista ao realojamento do Bairro da Cruz Vermelha e terá que ser aprovada pelo mesmo Órgão que autorizou a realização da escritura de permuta de 12 de agosto de 2010 com a SGAL.

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Assim, tenho a honra de propor que a Câmara delibere, ao abrigo da alínea g), do n.º 1, do artigo 33.º, da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, na redação atual:

1. Autorizar a realização da escritura de reversão dos Lotes n.ºs 2010/007 e 2010/008 sitos na Malha 23.2. do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL), na Rua Ruy Cinatti, para o Município de Lisboa, pertencentes à SGAL – Sociedade Gestora da Alta de Lisboa S.A., descritos em sede de registo predial sob os n.ºs 1282 e 1283 da freguesia da Charneca, com as áreas, respetivamente, de 6.588,6 m2 e 3.259,8 m2, identificados a cor amarela na Planta n.º18/001/DMGP e pelos valores apenas para efeitos fiscais de 350.663,08 € (trezentos e cinquenta mil seiscentos e sessenta e três euros e oito cêntimos) e 588.863,29 € (quinhentos e oitenta e oito mil oitocentos e sessenta e três euros e vinte e nove cêntimos) (Anexo VII);

2. Aprovar que o valor das contrapartidas em espécie, no montante total de 4.318.976,61 € (quatro milhões trezentos e dezoito mil novecentos e setenta e seis euros e sessenta e um cêntimos), já atualizado por aplicação do Índice de Preços no Consumidor exceto habitação, para o ano de 2017, devidas pelos dois lotes de terreno identificados no número anterior e já pagas pela SGAL - Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, seja deduzido ao valor das contrapartidas em numerário devidas ao Município de Lisboa, de acordo com as regras previstas no Contrato Inominado, nos seguintes lotes, malha e frações a preços de 2017:

i. Lote 14.1 – 1.044.317,00 € ii. Lote 14.2 – 1.058.050,00 € iii. Lote 14.6 – 238.918,00 € iv. Malha 28 – 1.613.321,00 €

v. Frações autónomas do Lote 6.4 até ao montante de 364.370,61 € CONDIÇÕES DE ACORDO

PRIMEIRA

Os Lotes n.ºs 2010/007 e 2010/008 vêm à propriedade do Município de Lisboa no estado em que se encontram, livres de quaisquer ónus e encargos e completamente desocupados de pessoas e bens.

SEGUNDA

1. A SGAL - Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, S.A., autoriza a reversão dos Lotes n.ºs 2010/007 e

2010/008 para a titularidade do Município de Lisboa, exatamente pelos mesmos valores atribuídos na escritura de permuta celebrada em 12 de agosto de 2010, a título de contrapartidas em numerário.

2. A SGAL - Sociedade Gestora da Alta de Lisboa aceita que o valor indicado na alínea anterior não seja

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pagas por aquela sociedade, sendo, por isso, mencionado na escritura de reversão apenas para efeitos fiscais.

TERCEIRA

1. A SGAL - Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, S.A., autoriza que o montante das contrapartidas em

espécie, no montante total de 4.318.976,61 €, já atualizado por aplicação do Índice de Preços no Consumidor exceto habitação, para o ano de 2017, seja compensado no âmbito dos mecanismos previstos no próprio Contrato Inominado, mais concretamente com o valor das contrapartidas em numerário que serão devidas por aquela sociedade à CML, a preços de 2017, aquando da comercialização/disposição, dos lotes, malha e frações seguidamente identificados, conforme requerimento a apresentar por aquela sociedade para o efeito:

i. Lote 14.1 – 1.044.317,00 € ii. Lote 14.2 – 1.058.050,00 € iii. Lote 14.6 – 238.918,00 € iv. Malha 28 – 1.613.321,00 €

v. Frações autónomas do Lote 6.4 até ao montante de 364.370,61 €

2. Ambas as Partes concordam e aceitam que não existe qualquer valor residual decorrente da

transmissão dos lotes de terreno n.ºs 2010/007 e 2010/008.

QUARTA

1. Todos os trabalhos e custos de demolição das atuais construções do Bairro da Cruz Vermelha serão

suportados pela SGAL - Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, SA, por ser beneficiária indireta da ação que o Município irá efetuar com o realojamento do Bairro da Cruz Vermelha e por via das mais-valias que dai resultarão para a comercialização dos seus ativos, em especial da designada Malha 14.

2. A execução dos trabalhos de demolição referidos no número anterior deverá iniciar-se no prazo máximo

de 15 (quinze) dias, apôs a desocupação das mesmas e consequente notificação para o efeito pela CML e deverá estar concluída no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias.

JUSTIFICAÇÃO DO VALOR

Por acordo com a SGAL, atribui-se aos dois lotes de terreno e apenas para efeitos fiscais o mesmo valor indicado na escritura de permuta celebrada em 12 de agosto de 2010, ou seja:

- Lote n.º 2010/007 – 350.663,08 € - Lote n.º 2010/008 – 588.863,29 €

ANEXOS:

I. Excerto do 5.º Suplemento ao BM N.º 1224 – Proposta n.º 527/CM/2017 II. Documentação registal – Descrições n.ºs 1282 e 1283

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III. Escritura de permuta de 12 de agosto de 2010 (Município de Lisboa e SGAL) IV. Cópia da Proposta n.º 254/2010 e da Acta em anexo à escritura de permuta V. Documento do Instituto Nacional de Estatística

VI. Cópia da Proposta n.º 317/2017 VII. Planta n.º 18/001/DMGP

(Processo n.º 2252/CML/18)

Sala de Reuniões da Câmara Municipal de Lisboa, de fevereiro de 2018

O Vereador

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