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LIRISMO-CAMONIANO

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LIRISMO CAMONIANO LIRISMO CAMONIANO

I – DADOS CRONOLÓGICOS: I – DADOS CRONOLÓGICOS: CLASSICISMO

CLASSICISMO é o  é o período literário característico do século XVI, introduzido em Portugal por Sá deperíodo literário característico do século XVI, introduzido em Portugal por Sá de Miranda, em 1527, ue traz da Itália, o soneto e o !dolce stil nuo"o#$

Miranda, em 1527, ue traz da Itália, o soneto e o !dolce stil nuo"o#$ Sá de Miranda, %umanista & portugu's, "i"eu durante seis

Sá de Miranda, %umanista & portugu's, "i"eu durante seis anos na Itália, (1521 até 152)*, anos na Itália, (1521 até 152)*, e tomoue tomou contato com as no"as idéias artísticas ue +loresciam na época$ o retornar, apresentou-nos um contato com as no"as idéias artísticas ue +loresciam na época$ o retornar, apresentou-nos um estilo mais reuintado, composto de "ersos de dez síla.as (os decassíla.os* e de +ormas +i/as$ estilo mais reuintado, composto de "ersos de dez síla.as (os decassíla.os* e de +ormas +i/as$ 0ames assegurou o triun+o do g'nero, merc' de

0ames assegurou o triun+o do g'nero, merc' de sua irresistí"el "oca3o lírica4 do seu sua irresistí"el "oca3o lírica4 do seu gosto pelagosto pela análise das +inezas do

análise das +inezas do sentimento amoroso4 do euilí.rio entre a agudeza conceitual, a per+ei3osentimento amoroso4 do euilí.rio entre a agudeza conceitual, a per+ei3o +ormal e a

+ormal e a e/press3o como"ida dos transes e/istenciais do poeta4 da e/press3o como"ida dos transes e/istenciais do poeta4 da musicalidade +eliz ue, pormusicalidade +eliz ue, por trás do rigor

trás do rigor da constru3o, +az parecerem espontneos os decassíla.os$da constru3o, +az parecerem espontneos os decassíla.os$

II – CONTEXTO HISTÓRICO – SOCIAL: II – CONTEXTO HISTÓRICO – SOCIAL:

6 antropocentrismo culti"ado no umanismo

6 antropocentrismo culti"ado no umanismo encontrará o seu apogeu no encontrará o seu apogeu no 8enasci8enascimento,mento, consolidando as grandes trans+ormaes culturais, políticas e econ9micas ue caracterizam a consolidando as grandes trans+ormaes culturais, políticas e econ9micas ue caracterizam a :uropa dos séculos XVI e XVII$

:uropa dos séculos XVI e XVII$

 idéia ue !6 %omem, ent3o, torna-se a medida de todas

 idéia ue !6 %omem, ent3o, torna-se a medida de todas as coisas#, segundo Protágoras, ampliaas coisas#, segundo Protágoras, amplia o seu mundo e "aloriza o pensamento racional, a "ida terrena e le"a-o a .uscar respostas nos o seu mundo e "aloriza o pensamento racional, a "ida terrena e le"a-o a .uscar respostas nos escritos da

escritos da ntiguidadentiguidade$$

;o plano cultural, a Igre<a perde o seu poder e a

;o plano cultural, a Igre<a perde o seu poder e a .urguesia passa a +reuentar uni"ersidades,.urguesia passa a +reuentar uni"ersidades, deparando-se com uma realidade di+erente da culti"ada na Idade

deparando-se com uma realidade di+erente da culti"ada na Idade Média$Média$ 6 momento econ9mico portugu's é propício para as

6 momento econ9mico portugu's é propício para as grandes na"egaes, e ao enriuecimento dosgrandes na"egaes, e ao enriuecimento dos po"os conuistadores$

po"os conuistadores$

III – CARACTERÍSTICAS: III – CARACTERÍSTICAS:

0lássico é todo escritor cu<a o.ra

(2)

racionalismo, uni"ersalismo, e euilí.rio entre suas partes$ racionalismo, uni"ersalismo, e euilí.rio entre suas partes$ :studiosos do =rego e do

:studiosos do =rego e do >atim .uscam na mitologia, sím.olos para >atim .uscam na mitologia, sím.olos para representarrepresentar, de +orma, de +orma uni"ersal, suas emoes$

uni"ersal, suas emoes$ Preocupa

Preocupados com a dos com a apura3o +ormal de seus te/tos, .aseiam-se em regras apura3o +ormal de seus te/tos, .aseiam-se em regras de composi3o parade composi3o para produzirem o.ras com ideais de per+ei3o, adotando a medida no"a para os poemas ("ersos produzirem o.ras com ideais de per+ei3o, adotando a medida no"a para os poemas ("ersos decassíla.os e sonetos*$

decassíla.os e sonetos*$

;a linguagem o.ser"amos uma corre3o gramatical, períodos longos,

;a linguagem o.ser"amos uma corre3o gramatical, períodos longos, ordem in"ersa, clareza naordem in"ersa, clareza na e/press3o do pensamento e utiliza3o moderada de +iguras

e/press3o do pensamento e utiliza3o moderada de +iguras de linguagem$de linguagem$

SONETO – ESTRUTURA FIXA SONETO – ESTRUTURA FIXA 6 soneto é uma composi3o de

6 soneto é uma composi3o de +orma +i/a, com 1? +orma +i/a, com 1? "ersos, dispostos em ? "ersos, dispostos em ? estro+es (ou estncias*,estro+es (ou estncias*, sendo e uartetos (ou uadras* e

sendo e uartetos (ou uadras* e dois tercetos$dois tercetos$

6 desen"ol"imento da ideia su.ordina-se ao limite das

6 desen"ol"imento da ideia su.ordina-se ao limite das estro+es, e se +az pestro+es, e se +az por períodos ue seor períodos ue se contém rigorosamente em cada uma das estncias, de +orma

contém rigorosamente em cada uma das estncias, de +orma ue o +im de ue o +im de cada estro+e é marcadocada estro+e é marcado por uma pausa nítida$

por uma pausa nítida$

6 soneto petraruiano é composto em decassíla.os, com

6 soneto petraruiano é composto em decassíla.os, com as rimas dispostas no as rimas dispostas no sistema @@ sistema @@ & @@& @@ nos uartetos (rimas interpoladas ou opostas*, e 0A0

nos uartetos (rimas interpoladas ou opostas*, e 0A0 & A0A nos & A0A nos tercetos (rimas intercaladas, outercetos (rimas intercaladas, ou alternadas, ou cruzadas*, sendo comum, nos tercetos, a presena de

alternadas, ou cruzadas*, sendo comum, nos tercetos, a presena de tr's rimas alternadas, notr's rimas alternadas, no esuema 0A: & 0A:$

esuema 0A: & 0A:$

6 Bltimo "erso, mais ele"ado

6 Bltimo "erso, mais ele"ado e de cad'ncia mais ela.orada, de"e e de cad'ncia mais ela.orada, de"e +ec%ar a composi3o,+ec%ar a composi3o, sintetizando o seu desen"ol"imento$ C a

sintetizando o seu desen"ol"imento$ C a c%amada !c%a"e-de-ouro#$c%amada !c%a"e-de-ouro#$ 6 soneto uin%entista portugu's segue a regra de seus

6 soneto uin%entista portugu's segue a regra de seus modelos italianos$ Predominmodelos italianos$ Predominam as cad'nciasam as cad'ncias ) & 1D

) & 1D (decassíla.os %erEicos* ou, menos +reuenteme(decassíla.os %erEicos* ou, menos +reuentemente, ? & F nte, ? & F & 1D (decassíla.os sá+icos*,& 1D (decassíla.os sá+icos*, geralmente gra"es$

geralmente gra"es$

;o soneto, atinge 0ames uma admirá"el e

;o soneto, atinge 0ames uma admirá"el e rara "ariedade$ Ae"e ad"ertir-se ue, pela suarara "ariedade$ Ae"e ad"ertir-se ue, pela sua .re"idade e pela sua

.re"idade e pela sua estrutura, o soneto se presta a estrutura, o soneto se presta a e/ercícios de engen%o4 em.ora, a suae/ercícios de engen%o4 em.ora, a sua disposi3o em duas uadras

disposi3o em duas uadras e dois tercetos +a"orea um discurso em e dois tercetos +a"orea um discurso em tese e antítese, seguidas detese e antítese, seguidas de conclus3o e des+ec%o sentencioso4 e, por outro ainda, essa mesma .re"idade

conclus3o e des+ec%o sentencioso4 e, por outro ainda, essa mesma .re"idade se<a apropriada ase<a apropriada a uma grande

uma grande concentra3o emocional$concentra3o emocional$

6 tom con+idente e o indi"idualismo e/acer.ado pela %ostilidade do

6 tom con+idente e o indi"idualismo e/acer.ado pela %ostilidade do meio, o incon+ormismo uemeio, o incon+ormismo ue luta pela so.re"i"'ncia, e/pressos com uma intensidade ue n3o

luta pela so.re"i"'ncia, e/pressos com uma intensidade ue n3o tem paralelo em ualuer outrotem paralelo em ualuer outro escritor clássico, con+erem ao 0ames em alguns sonetos um

escritor clássico, con+erem ao 0ames em alguns sonetos um caráter cong'nere dauele a ue secaráter cong'nere dauele a ue se con"encionou c%amar

con"encionou c%amar !romntico#$!romntico#$ Mas, no meio deste desa.a+o, o

Mas, no meio deste desa.a+o, o poeta conser"a-se sempre atento ao desenrolar dos seus estadospoeta conser"a-se sempre atento ao desenrolar dos seus estados de espírito, G sucess3o das

de espírito, G sucess3o das emoes, recordaes, dese<os, pensamenemoes, recordaes, dese<os, pensamentos, Gs respecti"astos, Gs respecti"as contradies e aparente

contradies e aparente irracionalidade$irracionalidade$

C uma inuiri3o ue procura saída para as aspiraes mais íntima, atra"és das mudanas de um C uma inuiri3o ue procura saída para as aspiraes mais íntima, atra"és das mudanas de um mundo %ostil e impossí"el de

mundo %ostil e impossí"el de ignorar na sua o.<eti"idade$ignorar na sua o.<eti"idade$

 realidade desse mundo é incomensurá"el com os ideais ca"aleirescos ou letrados, com

 realidade desse mundo é incomensurá"el com os ideais ca"aleirescos ou letrados, com a éticaa ética religiosa medie"al, com a raz3o

religiosa medie"al, com a raz3o classi+icatEria escolástica, com o estilo gEtico literário$classi+icatEria escolástica, com o estilo gEtico literário$  sua e/press3o e ainda a

 sua e/press3o e ainda a sua rela3o dialética com o sua rela3o dialética com o espírito e/ige es+oro ino"ador para romperespírito e/ige es+oro ino"ador para romper o "er.alismo$ 6.rigam a retoues descriti"os, a um no"o uso dos recursos aprendidos nos clássicos o "er.alismo$ 6.rigam a retoues descriti"os, a um no"o uso dos recursos aprendidos nos clássicos antigos e modernos, ao acBmulo de

antigos e modernos, ao acBmulo de comparaes apro/imati"as, e as "erdadeiras ino"aescomparaes apro/imati"as, e as "erdadeiras ino"aes meta+Ericas, em "ez de simples glosas so.re +rase e mera com.inaes de sím.olos ou em.lemas meta+Ericas, em "ez de simples glosas so.re +rase e mera com.inaes de sím.olos ou em.lemas .em con%ecidos$

.em con%ecidos$

;3o era comum no Huin%entismo a pra/e de se colocar título nos sonetos, raz3o pela ual os ;3o era comum no Huin%entismo a pra/e de se colocar título nos sonetos, raz3o pela ual os sonetos de 0ames s3o sempre

(3)

racionalismo, uni"ersalismo, e euilí.rio entre suas partes$ racionalismo, uni"ersalismo, e euilí.rio entre suas partes$ :studiosos do =rego e do

:studiosos do =rego e do >atim .uscam na mitologia, sím.olos para >atim .uscam na mitologia, sím.olos para representarrepresentar, de +orma, de +orma uni"ersal, suas emoes$

uni"ersal, suas emoes$ Preocupa

Preocupados com a dos com a apura3o +ormal de seus te/tos, .aseiam-se em regras apura3o +ormal de seus te/tos, .aseiam-se em regras de composi3o parade composi3o para produzirem o.ras com ideais de per+ei3o, adotando a medida no"a para os poemas ("ersos produzirem o.ras com ideais de per+ei3o, adotando a medida no"a para os poemas ("ersos decassíla.os e sonetos*$

decassíla.os e sonetos*$

;a linguagem o.ser"amos uma corre3o gramatical, períodos longos,

;a linguagem o.ser"amos uma corre3o gramatical, períodos longos, ordem in"ersa, clareza naordem in"ersa, clareza na e/press3o do pensamento e utiliza3o moderada de +iguras

e/press3o do pensamento e utiliza3o moderada de +iguras de linguagem$de linguagem$

SONETO – ESTRUTURA FIXA SONETO – ESTRUTURA FIXA 6 soneto é uma composi3o de

6 soneto é uma composi3o de +orma +i/a, com 1? +orma +i/a, com 1? "ersos, dispostos em ? "ersos, dispostos em ? estro+es (ou estncias*,estro+es (ou estncias*, sendo e uartetos (ou uadras* e

sendo e uartetos (ou uadras* e dois tercetos$dois tercetos$

6 desen"ol"imento da ideia su.ordina-se ao limite das

6 desen"ol"imento da ideia su.ordina-se ao limite das estro+es, e se +az pestro+es, e se +az por períodos ue seor períodos ue se contém rigorosamente em cada uma das estncias, de +orma

contém rigorosamente em cada uma das estncias, de +orma ue o +im de ue o +im de cada estro+e é marcadocada estro+e é marcado por uma pausa nítida$

por uma pausa nítida$

6 soneto petraruiano é composto em decassíla.os, com

6 soneto petraruiano é composto em decassíla.os, com as rimas dispostas no as rimas dispostas no sistema @@ sistema @@ & @@& @@ nos uartetos (rimas interpoladas ou opostas*, e 0A0

nos uartetos (rimas interpoladas ou opostas*, e 0A0 & A0A nos & A0A nos tercetos (rimas intercaladas, outercetos (rimas intercaladas, ou alternadas, ou cruzadas*, sendo comum, nos tercetos, a presena de

alternadas, ou cruzadas*, sendo comum, nos tercetos, a presena de tr's rimas alternadas, notr's rimas alternadas, no esuema 0A: & 0A:$

esuema 0A: & 0A:$

6 Bltimo "erso, mais ele"ado

6 Bltimo "erso, mais ele"ado e de cad'ncia mais ela.orada, de"e e de cad'ncia mais ela.orada, de"e +ec%ar a composi3o,+ec%ar a composi3o, sintetizando o seu desen"ol"imento$ C a

sintetizando o seu desen"ol"imento$ C a c%amada !c%a"e-de-ouro#$c%amada !c%a"e-de-ouro#$ 6 soneto uin%entista portugu's segue a regra de seus

6 soneto uin%entista portugu's segue a regra de seus modelos italianos$ Predominmodelos italianos$ Predominam as cad'nciasam as cad'ncias ) & 1D

) & 1D (decassíla.os %erEicos* ou, menos +reuenteme(decassíla.os %erEicos* ou, menos +reuentemente, ? & F nte, ? & F & 1D (decassíla.os sá+icos*,& 1D (decassíla.os sá+icos*, geralmente gra"es$

geralmente gra"es$

;o soneto, atinge 0ames uma admirá"el e

;o soneto, atinge 0ames uma admirá"el e rara "ariedade$ Ae"e ad"ertir-se ue, pela suarara "ariedade$ Ae"e ad"ertir-se ue, pela sua .re"idade e pela sua

.re"idade e pela sua estrutura, o soneto se presta a estrutura, o soneto se presta a e/ercícios de engen%o4 em.ora, a suae/ercícios de engen%o4 em.ora, a sua disposi3o em duas uadras

disposi3o em duas uadras e dois tercetos +a"orea um discurso em e dois tercetos +a"orea um discurso em tese e antítese, seguidas detese e antítese, seguidas de conclus3o e des+ec%o sentencioso4 e, por outro ainda, essa mesma .re"idade

conclus3o e des+ec%o sentencioso4 e, por outro ainda, essa mesma .re"idade se<a apropriada ase<a apropriada a uma grande

uma grande concentra3o emocional$concentra3o emocional$

6 tom con+idente e o indi"idualismo e/acer.ado pela %ostilidade do

6 tom con+idente e o indi"idualismo e/acer.ado pela %ostilidade do meio, o incon+ormismo uemeio, o incon+ormismo ue luta pela so.re"i"'ncia, e/pressos com uma intensidade ue n3o

luta pela so.re"i"'ncia, e/pressos com uma intensidade ue n3o tem paralelo em ualuer outrotem paralelo em ualuer outro escritor clássico, con+erem ao 0ames em alguns sonetos um

escritor clássico, con+erem ao 0ames em alguns sonetos um caráter cong'nere dauele a ue secaráter cong'nere dauele a ue se con"encionou c%amar

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Mas, no meio deste desa.a+o, o poeta conser"a-se sempre atento ao desenrolar dos seus estadospoeta conser"a-se sempre atento ao desenrolar dos seus estados de espírito, G sucess3o das

de espírito, G sucess3o das emoes, recordaes, dese<os, pensamenemoes, recordaes, dese<os, pensamentos, Gs respecti"astos, Gs respecti"as contradies e aparente

contradies e aparente irracionalidade$irracionalidade$

C uma inuiri3o ue procura saída para as aspiraes mais íntima, atra"és das mudanas de um C uma inuiri3o ue procura saída para as aspiraes mais íntima, atra"és das mudanas de um mundo %ostil e impossí"el de

mundo %ostil e impossí"el de ignorar na sua o.<eti"idade$ignorar na sua o.<eti"idade$

 realidade desse mundo é incomensurá"el com os ideais ca"aleirescos ou letrados, com

 realidade desse mundo é incomensurá"el com os ideais ca"aleirescos ou letrados, com a éticaa ética religiosa medie"al, com a raz3o

religiosa medie"al, com a raz3o classi+icatEria escolástica, com o estilo gEtico literário$classi+icatEria escolástica, com o estilo gEtico literário$  sua e/press3o e ainda a

 sua e/press3o e ainda a sua rela3o dialética com o sua rela3o dialética com o espírito e/ige es+oro ino"ador para romperespírito e/ige es+oro ino"ador para romper o "er.alismo$ 6.rigam a retoues descriti"os, a um no"o uso dos recursos aprendidos nos clássicos o "er.alismo$ 6.rigam a retoues descriti"os, a um no"o uso dos recursos aprendidos nos clássicos antigos e modernos, ao acBmulo de

antigos e modernos, ao acBmulo de comparaes apro/imati"as, e as "erdadeiras ino"aescomparaes apro/imati"as, e as "erdadeiras ino"aes meta+Ericas, em "ez de simples glosas so.re +rase e mera com.inaes de sím.olos ou em.lemas meta+Ericas, em "ez de simples glosas so.re +rase e mera com.inaes de sím.olos ou em.lemas .em con%ecidos$

.em con%ecidos$

;3o era comum no Huin%entismo a pra/e de se colocar título nos sonetos, raz3o pela ual os ;3o era comum no Huin%entismo a pra/e de se colocar título nos sonetos, raz3o pela ual os sonetos de 0ames s3o sempre

(4)

IV – AUTOR: IV – AUTOR:

LUÍS VAZ DE CAMÕES LUÍS VAZ DE CAMÕES

;3o se sa.e ao

;3o se sa.e ao certo uando e onde nasceu, pro"a"elmente em >is.oa, 0oim.ra, lenuer oucerto uando e onde nasceu, pro"a"elmente em >is.oa, 0oim.ra, lenuer ou Santarém, por "olta de 152?$ reuenta"a a

Santarém, por "olta de 152?$ reuenta"a a corte e por sua corte e por sua +orma3o intelectual, cultu+orma3o intelectual, cultural, comoral, como tam.ém, seus dotes +ísicos encanta"am as damas

(5)

Valent3o, +eriu um soldado, ser"idor do pao, +oi preso e li.ertado somente para enga<ar-se no ser"io militar$

Vi"eu em col9nias portuguesas da J+rica e da Jsia e amou uma c%inesa, Ainamene, em Macau$ Perdeu sua amada em um nau+rágio$

Ae "ida desregrada +oi preso "árias "ezes$ aleceu em 1D de <un%o de 15FD, po.re, descrente e descon%ecido$

(6)

A – MEDIDA VELHA: POESIA TRADICIONAL

C considerado o maior poeta lírico portugu's$ Sua o.ra é constituída de poemas de %erana medie"al, poesia tradicional, onde o poeta e/pressa sentimentos pessoais, de amor carnal limitado, tendo como pano de +undo a natureza e uestionamentos constantes so.re a mul%er$ :scritas em "ersos redondil%os (cinco ou sete síla.as poéticas*, possui um Bnico mote (assunto, tema* ue é desen"ol"ido em glosas$

:X

M6K: >:I6

Menina dos ol%os "erdes, Por ue n3o me "edesN

VOLTAS

:les "erdes s3o, : t'm por usana ;a cor, esperana, : nas o.ras, n3o$ Vossa condi3o

;3o é de ol%os "erdes, Porue n3o me "edes$ ( $$$ *

Verdes n3o o s3o, ;o ue alcano deles4 Verdes s3o aueles Hue esperana d3o$ Se na condi3o :stá serem "erdes, Por ue n3o me "edesN

B - MEDIDA NOVA: POESIA DE TRADIÇÃO CLÁSSICA

!6.ra +undamental da literatura em língua portuguesa, +oi produzida durante o século XVI, em Portugal$ lém de e/pressar todo o pensamento +ilosE+ico do período áureo 8enascimento, os sonetos camonianos representam a natureza da poesia clássica na sua +orma mais legítima$ 6 teor de sua uni"ersalidade está menos nos grandes temas com ue lida e mais na +orma com ue

consegue engendrar a linguagem na composi3o de seus sonetos$ Aaí a rele"ncia atual da lírica de 0ames pensamento +ilosE+ico, atitude dialética diante do pensamento e argumenta3o retErica na in"en3o sim.Elica da poesia (=V-AireitoO2DDF*#

;a lírica em medida no"a, 0ames atingiu o grau mais ele"ado em .eleza poética, ao retratar o mor de +orma intelectualizada tanto no aspecto neoplat9nico (pertencente ao mundo das idéias,

(7)

portanto ideal* como no aspecto plat9nico (a mul%er espiritualizada, "ista como uma !Aeusa#*$

CAMÕES E O MANEIRISMO

Ao ponto de "ista literário, a lírica de 0ames se insere na Er.ita Maneirista, pois nela <á se re+lete a crise do 8enascimento$

6 Maneirismo, para os estudiosos, instaura-se no momento ue a autocon+iana do %umanismo antropoc'ntrico, aos poucos, "ai sendo su.stituída pela dB"ida e pela angBstia$

 prEpria consci'ncia da .re"idade da "ida e da +ugacidade do tempo iria instaurar a crise de con+iana no %omem renascentista, na medida em ue ele passa a descon+iar de seu poder de tra.al%o e de trans+orma3o do mundo$

6 sentido renascentista de eu+oria, de colorido, de ímpeto "ital, de %armonia, de euilí.rio, de simetria, comea a contaminar-se pela no3o de ue tudo na "ida é +ugaz, incerto e transitErio, num processo de mudanas constantes, das uais n3o escapam as prEprias +ormas literárias, ue se reno"am ou modi+icam continuamente$

:ssa passagem do 0lassicismo para o @arroco é mediada pelo Maneirismo$

6s modelos 0lássicos continuam sendo a .ase, mas <á distorcidos pela imposi3o de um modo, uma !maneira#, mais pessoal de compor$

;as rtes Plásticas o Maneirismo é um estilo .em de+inido e marca a rea3o de alguns artistas contra a rigidez das normas e modelos consagrados no apogeu do período 0lássico & 8enascentista$ ;a >iteratura, o conceito de Maneirismo é menos aceito, e alguns teEricos negam-l%e autonomia estética, de+inindo-o como uma crie do 8enascimento$ Para outros, é um estilo especí+ico, distinto uer do 0lassicismo, uer do @arroco$

Ae ualuer modo, estamos diante de uma atitude artística caracterizada por um con<unto de temas especí+icos, tais como da mudana e da dB"ida, gerando a sensa3o angustiante da +ugacidade do tempo, em seu contínuo des+azer-se$ :m tudo, as ruínas e derrotas atestam a

(8)

+ragilidade do %omem e n3o a sua +ortaleza, raz3o porue os poetas meditam so.re a insta.ilidade de tudo, numa época contur.ada pela 8e+orma, pelo início do terror religioso e político ue

atingiram o seu clíma/ com a 0ontra-8e+orma e o .solutismo, <á no m.ito do @arroco$  destrui3o e o "azio ue s3o o destino de todas as coisas$$$

 lírica de 0ames está minada pelo espírito do Maneirismo, por isso, parecerá t3o !.arroca#$ ;o poeta, a ascens3o da dB"ida é crescente, ou porue o mundo está em mudana, ou porue o %omem "i"e a tens3o dolorosa entre a carne e o espírito, <á numa antecipa3o .arroca$ 6 descontentamento ou o desconcerto do mundo inuietam a lírica camoniana4 o conceito

plat9nico de !ideia# se %armoniza com o conceito apriorístico de !+orma#, <á ue o %omem resulta do .in9mio entre a alma e corpo$

:m suma, a partir de padres renascentistas, pois os g'neros s3o clássicos, a poesia de 0ames se e/prime em termos maneiristas, so.retudo em rela3o ao amor e G esperana perdida$

0omo o.ra literária da crise do 8enascimento, liga-se ao 0lassicismo, pelo aspecto +ormal, na escol%a de construes estrE+icas prEprias da época, na pre+er'ncia dada ao "erso decassíla.o nos sonetos$

:m princípio, dir-se-á ue tam.ém imitou a ;atureza e ue tam.ém recorreu G Mitologia, como ualuer clássico$ Mas com uma di+erena a sua postura maneirista ultrapassa as normas clássicas pela am.igidade e pelo <ogo de antíteses na constru3o dos "ersos$ Mais do ue isso pela dB"ida e pela incerteza, implantadas no centro de sua lírica madura, nem sempre a<ustá"el aos princípios clássicos da clareza, da simetria, da linearidade, ou mesmo ao critério da "erossimil%ana$

O NEOPLATONISMO AMOROSO

0ames interessara-se muito pelo ;eoplatonismo, como, aliás, todo o crist3o culto da sua época e todo o poeta petraruista$

6s primeiros teElogos crist3os +oram platonizantes, e o mesmo sucede com Santo gostin%o, o doutor da Igre<a ue maior in+lu'ncia e/erceu anteriormente a S$Komás de uino$ Huando o umanismo ressuscitou a ntigidade, +oi tam.ém o platonismo a doutrina +ilosE+ica pela ual se tentou a concilia3o das duas mentalidades$ :is em ue consiste a "oga de Plat3o durante o 8enascimento$

Lá a concep3o do amor Pro"ena está in+ormada de platonismo, por "ia crist3 a mul%er aparece ali, n3o como uma compan%eira %umana, mas como um ser angélico ue su.lima e apura a alma dos amantes$ @eatriz conduz Aante pelas alturas do Paraíso4 e das mesmas alturas, depois de morta, é ue >aura ser"e de tema G parte mais importante da lírica amorosa de Petrarca$

0ames %erdou esta concep3o da Mul%er e do mor$ ;os seus sonetos, a mul%er amada aparece iluminada por uma luz so.renatural ue l%e trans+igura as +eies carnais luminosos s3o os ca.elos de ouro, e o ol%ar resplandecente tem o cond3o de serenar o "ento4 a sua presena +az nascer Gs +lores e até enternecer os troncos das ár"ores$

Koda a sua +igura é o re"estimento corpEreo de um ideal respira gra"idade, serenidade, altura$ ;o retrato da mada, 0ames n3o +az mais do ue seguir o padr3o de >aura$

Mas, a e/peri'ncia "i"ida e cultural de 0ames mal poderia cingir-se a tais con"enes$ :, assim, registra o con+lito e uni3o entre o dese<o carnal e o ideal do amor desinteressado ue consiste sE no !+ino pensamento#$ Se o amor é um !e+eito da alma#, como perce.er ue o amante dese<e "er corporalmente a amadaN

0ames tenta resol"er esta tens3o pelos prEprios meios do platonismo, atra"és da "ers3o de Santo gostin%o$ Imaginara Plat3o ue as ualidades por nEs con%ecidas no mundo em ue "i"emos s3o mani+estaes limitadas e contraditErias de Idéias a.solutas, isto é, de atri.utos da di"indade$ 

(9)

.eleza das coisas terrenas n3o passa de uma imita3o da @eleza plena, ue e/iste su.stancialmente num mundo a ue este escre"e somente de som.ra$

6 corpo amado n3o passa, portanto, de re+le/os da .eleza pura$ : é esta ue se de"e procurar, sacri+icando auele$ >e"ado, neste pendor, 0ames aca.a por condenar todo o amor ue n3o se<a G Ai"indade4 esta se torna o o.<eto do seu ardor, sem o intermediário dos !maus so+istas#, isto é, do amor carnal, mesmo dis+arado so. apar'ncias espirituais$

lém dessa "i.ra3o ue desmente o ascetismo a ue parece c%egar o Poeta, é de notar ue noutros passos, e dos mais poéticos da sua o.ra, o o.<eti"o claramente posto consiste, n3o em e+eti"amente suprimir o dese<o, mas em superar realizando-o, ainda, de algum modo$ Sim, é certo ue o simples uerer "er a amada pode, num e/cesso de reuinte, ser uali+icado com uma

.ai/eza (ue o amor nunca se a+ina nem se apuraOenuanto está perante a causa dele*4 o poeta pode mesmo proclamar com insist'ncia ue !de meu n3o uero mais ue o mau dese<o#$

CAMÕES E O SAUDOSISMO METAFÍSICO

;o século XVI, as ideias de Plat3o, ue <á tin%am sido apro"eitadas pela mística medie"al, e adaptadas, por Santo gostin%o, aos camin%os da "ida espiritual, gan%aram grande repercuss3o e passaram a ser transmitidas, atra"és dos sá.ios gregos, re+ugiados na lorena dos Médicis apEs a ueda de 0onstantinopla$

0onstitui-se uma "erdadeira :scola ;eoplat9nica4 trec%os do !@anuete# eram declamados por artistas da Itália e comentados com grande erudi3o$

:m Portugal, >e3o e.reu pu.licou, em 1QR5, os !Aiálogos do mor#, li"ro em ue e/pe sistematicamente a teoria plat9nica$ 0ames de"e ter meditado .astante esse li"ro, além da presumí"el assimila3o do neoplatonismo dos agostinianos$

Segue a.ai/o alguns +ragmentos de !0ommentaire sur le @anuet# de Plaon, traduzido do latim por 8amond Marcel$ Paris, @elles >ettres, 1Q5)$ TKradu3o de MagnElia 0osta$

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P!"#!$ %!&'(&$:

IV) S$*# + (,!!%+%# %$ +"$

Huando digo !amor#, de"e-se compreender !dese<o de .eleza#$ 0om e+eito, essa é a de+ini3o do amor para todos os +ilEso+os$  .eleza é uma graa ue na maioria das "ezes nasce antes de %a"er ualuer euilí.rio %armonioso entre "ários elementos$

:/istem tr's espécies de .eleza$ á .eleza uando "árias "irtudes se euili.ram nas almas4 nos corpos, ela nasce da %armonia de di+erentes cores e mBltiplas lin%as4 nos sons, do acorde de "árias "ozes <untas$

 .eleza das almas é con%ecida pela intelig'ncia, a do corpo é perce.ida pelos ol%os, e a das "ozes, pelos ou"idos$

0omo a intelig'ncia, a "is3o e a audi3o s3o os Bnicos meios ue nos permitem +ruir a .eleza, e como o amor é o dese<o de +ruir a .eleza, ele sempre se satis+az por meio da intelig'ncia, da "is3o e da audi3o$

Ae ue ser"em o ol+ato, o paladar e o tatoN :sses sentidos sE perce.em sa.ores, odores, calor, +rio, maciez, dureza e outras sensaes dessa ordem$ ;en%uma delas constitui .eleza %umana, pois s3o +ormas simples, ao passo ue a .eleza do corpo %umano reuer a simetria de mem.ros di+erentes$ ($$$* Por conse'ncia, o amor se limita a esses tr's poderes$ Huanto ao dese<o ue se origina dos outros sentidos, a pala"ra ue l%e con"ém n3o é !amor#, mas !li.ido#, ou !rai"a#$ S#.(/%$ %!&'(&$

V) A *##0+ %!1!/+ #&2+/%#'# #" ,(%$ # 3 +"+%+ #" ,(%$

;o mais, para resumir muitas coisas em poucas pala"ras, diremos ue o @em é a e/ist'ncia super-eminente de Aeus, e ue o @elo é um ato, ou se<a, um raio ue dele emana e penetra em tudo primeiro, na intelig'ncia angélica, depois na alma do mundo e em todas as almas, na natureza e,

(11)

+inalmente, na matéria corpErea$ :sse raio orna a intelig'ncia da %ieraruia das ideias, enc%e a alma da ordem de razes, +ecunda a natureza com sementes e orna a natureza com +ormas$ ssim como um Bnico e mesmo raio solar ilumina os uatro elementos & +ogo, ar, água e terra & um Bnico e mesmo raio di"ino ilumina a intelig'ncia, a alma, natureza e matéria ($$$* uem contempla a .eleza nestes uatro círculos & intelig'ncia, alma, natureza e corpo & e neles ama o esplendor de Aeus, por esse mesmo esplendor "' e ama o prEprio Aeus$

4(!/,$ %!&'(&$

VI) O 5(# &# #5(# 2++ 5(# ("+ '$!&+ &#6+ *#+ # 2++ 5(# + *##0+ &#6+ (" %$" #&2!!,(+ 6 ue é, a+inal, a .eleza de um corpoN C um ato, um impulso, uma graa ue nele se e/primem por in+lu'ncia da sua Idéia$ ($$$*  prepara3o de um corpo "i"o reuer tr's coisas a ordem, a medida e o aspecto$

Por ordem, entendemos as distncias entre as partes4 por medida, a uantidade4 por aspecto, as lin%as e a cor$

($$$*

:m.ora esses tr's elementos este<am na matéria, eles n3o p odem ser nen%uma parte do corpo$ Ae tudo isso se conclui com e"id'ncia ue a .eleza é t3o estran%a G massa corpErea ue <amais se comunica com a matéria, a menos ue so+ra as tre preparaes da ordem incorpErea de ue +alamos$

;o mais, para n3o nos a+astarmos demais do nosso assunto, de tudo ue dissemos podemos

concluir .re"emente ue a .eleza é uma graa "i"az e espiritual, in+undida pelo raio da luz di"ina, primeiro no an<o, depois na alma dos %omens, nas +ormas dos corpos e nos sons, e ue essa graa, por intermédio da raz3o, da "is3o e da audi3o, como"e e regozi<a as nossas almas e, regozi<ando-as e, arre.atando-regozi<ando-as, regozi<ando-as in+lama com amor ardente$

S#7,$ %!&'(&$

XVII) C$"2++89$ #/,# + *##0+ %# D#(& %$ +/6$ %+ +"+ # %$ '$2$

 compara3o entre esses uatro graus de seres é id'ntica G das +ormas$ 0om e+eito, a +orma do corpo é constituída pela composi3o de numerosas partes, é restrita a um lugar e se perde com o tempo$

 .eleza da alma so+re as "icissitudes do tempo e se compe de uma in+inidade de partes, mas está li"re da limita3o do espao$

 .eleza do an<o, em contrapartida, tem somente uantidade, e n3o se restringe aos outros dois limites$

inalmente, a de Aeus n3o passa por nada disso$ ($$$* Aeus é portanto, a +onte de toda .eleza, a +onte de todo amor$

($$$*

Aaí a triste sorte de ;arciso em !6r+eu#$ Aaí a calamidade miserá"el dos %omens$

!;arciso adolescente#, ou se<a, a alma do %omem temerário e ignorante$ !;3o ol%e o seu rosto#, pois em "3o ele considera sua prEpria su.stncia e seu poder$ !Mas ele procura na água a imagem, e se es+ora para ret'-la#, isto é, ele admira no corpo +rágil a .eleza ue se "ai como a água e ue é a som.ra da sua$ !:le a.andona a sua +igura e nunca consegue tocar a sua imagem#, porue a alma, uando segue o corpo, negligencia a si mesma e n3o se satis+az com o uso do corpo$ 6 ue ela dese<a, na "erdade, n3o é o corpo mas, seduzida como ;arciso pela +orma corpErea ue é imagem da sua .eleza, dese<a a sua prEpria .eleza, e como n3o perce.e isso, enuanto procura

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uma coisa e dese<a outra, n3o pode satis+azer o seu dese<o$ :is por ue !es"aindo-se em lágrima ele se consome#, o ue signi+ica ue a alma, situada +ora de si e caída no corpo é ao mesmo tempo atormentada por pai/es ne+astas e corrompida pelas máculas do corpo$ T$$$U

H; ,<& +&2#',$& %+ ,#$!+ 2+,=/!'+ 5(# &# #>#,#" /+ ?!'+ '+"$/!+/+:

A PREEXIST@NCIA DA ALMA:

Segundo Plat3o, as almas s3o criadas pelo Aemiurgo$ 0olocadas no !%iperurnio#, cada uma em sua !estrela#, aí con%ecem as "erdades eternas, a .eleza a.soluta, os aruétipos de todas as coisas$

Para a primeira encarna3o %umana, o Aemiurgo entrega todas as almas aos Aeuses da Kerra e dos Planetas, ue as re"estem de um corpo$ =uardam, contudo, uma !reminisc'ncia#, uma !saudade#, da contempla3o da @eleza e da Verdade a.solutas$

Huando aparecem no mundo, podem nessa primeira encarna3o, escol%er li"remente o seu destino e, no +im dessa primeira "ida terrena, se ti"erem sido <ustas, ir3o para um lugar de descanso4 se ti"erem sido ruins, descer3o até as pro+undezas su.terrneas para se puri+icarem$ :stas, ao +im de mil anos, encarnar3o de no"o$

A REMINISC@NCIA:

 alma, encarcerada no corpo, sE pode espreitar pela <anela dos sentidos$ Ae acordo com a doutrina plat9nica, os sentidos n3o s3o !causa#, mas apenas !ocasi3o# do con%ecimento$ Huer dizer o papel dos sentidos é apenas tornar !conscientes# na alma os con%ecimentos <á aduiridos anteriormente na !estrela# e esuecidos na encarna3o$

s coisas sensí"eis, segundo Plat3o, s3o imagens da Idéia e nada mais$ Kudo o ue e/iste no mundo é !cEpia imper+eita# dauele outro mundo em ue está"amos antes de nascer$

s imagens sE ser"em para recordar uma idéia +ormada e aduirida antes4 s3o incapazes de a criarem$ ma +otogra+ia lem.ra-nos o amigo, mas sE porue <á tín%amos dele uma idéia certa e e/ata$ C o con%ecido !Mito da 0a"erna# as coisas sensí"eis s3o apenas !som.ras imper+eitas das idéias pree/istentes#$

Para mel%or sintetizar as idéias de Plat3o, recorremos ao li"ro VII de ! 8epB.lica#, onde seu pensamento é ilustrado pelo !Mito da 0a"erna#$

Plat3o imagina uma ca"erna onde est3o acorrentados os %omens desde a in+ncia, de tal +orma ue, n3o podendo se "oltar para a entrada, apenas en/ergam o +undo da ca"erna$ í s3o

pro<etadas as som.ras das coisas ue passam Gs suas costas, onde %á uma +ogueira$

Se um desses %omens conseguisse se soltar das correntes para contemplar G luz do dia, !os "erdadeiros o.<etos#, uando regressasse, relatando o ue "iu aos seus antigos compan%eiros, esses o tomariam por louco, n3o acreditando em suas pala"ras$

 análise do mito pode ser +eita pelo menos so. dois pontos de "ista o epistemolEgico (relati"o ao con%ecimento* e o político (relati"o ao poder*$

Segundo a dimens3o epistemolEgica, o mito da ca"erna é uma alegoria a respeito das duas

principais +ormas de con%ecimento na teoria das idéias$ Plat3o distingue o !mundo sensí"el#, dos +en9menos, e o mundo !inteligí"el#, das idéias$

6 mundo sensí"el, acessí"el aos sentidos, é o mundo da multiplicidade, do mo"imento, e é ilusErio, pura som.ra do "erdadeiro mundo$ cima do ilusErio mundo sensí"el, %á o mundo das idéias gerais, das ess'ncias imutá"eis ue o %omem atinge pela contempla3o e pela depura3o

(13)

dos enganos dos sentidos$

Sendo s idéias a Bnica "erdade, o mundo dos +en9menos sE e/iste na medida em ue participa do mundo das idéias, do ual é apenas som.ra ou cEpia$

Para Plat3o %á uma dialética ue +ará a alma ele"ar-se das coisas mBltiplas e mutá"eis Gs idéias unas e imutá"eis$ s ideias gerais s3o %ieraruizadas, e no topo delas está a idéia do @em, a mais alta em per+ei3o e a mais geral de todas4 os seres e as coisas n3o e/istem sen3o enuanto participam do @em$ : o @em supremo é tam.ém a Suprema @eleza$ C o Aeus de P lat3o$

Mas como é possí"el aos %omens ultrapassarem o mundo das apar'ncias ilusEriasN Plat3o supe ue os %omens <á teriam "i"ido como puro espírito uando contemplaram o mundo das idéias$ Mas tudo esuecem uando se degrada ao se tornarem prisioneiros do corpo, ue é considerado o !tBmulo da alma#$

Pela !teoria da reminisc'ncia#, Plat3o e/plica como os sentidos se constituem apenas na !ocasi3o# para despertar nas almas as lem.ranas adormecidas$ :m outras pala"ras, con%ecer é lem.rar$ Voltando ao Mito da 0a"erna o +ilEso+o (auele ue se li.ertou das correntes*, ao contemplar a "erdadeira realidade e ter passado da !opini3o# (do/a* G !ci'ncia# (episteme*, de"e retornar ao meio dos %omens para orientá-los$

CAMÕES E A LÍRICA REFLEXIVA

6 desconcerto do mundo, outra temática e/plorada pelo poeta, retrata o seu incon+ormismo com as in<ustias sociais, a dor, as angBstias, conduzindo o %omem a um estado de aniuilamento perante a e/ist'ncia %umana$

6 mundo aparece assim, so.retudo ao %omem meditati"o, como um desconcerto, produto de um destino con+uso e irracional$

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Para o poeta o pro.lema central n3o é o de in<ustias sociais (ue ele decerto com.ate*, mas o da !n3o correspond'ncia# entre os anseios, os "alores, as razes e auilo a ue c%amaríamos %o<e o processo o.<eti"o4 pro.lema tanto mais árduo uanto a +iloso+ia plat9nica assenta o mundo so.re as Idéias e delas +az tudo deri"ar$

6 desconcerto do mundo reside na prEpria rela3o entre ele, pessoalmente, e um destino com ue ele se encontra e ue, ao mesmo tempo, l%e é opaco$

6 mundo aparece em 0ames +ragmentado, contraditErio, pro.lemático e dor de negar-se e +azer-se$

Por este lado o lirismo camoniano está mais perto da inuieta3o .arroca, incompatí"el com ualuer concep3o estática do mundo, do ue da segurana renascentista$

 temática mais acentuadamente maneirista de 0ames inclui, além do !desconcerto do mundo# ou do !mundo Gs a"essas#, o tema da !mudana#, da !+ugacidade do tempo# e do !+atal

en"el%ecimento do %umano diante do constante reno"ar-se da natureza#$

CAMÕES E A INSPIRAÇÃO BÍBLICA

 ades3o de 0ames ao ideário clássico-renascentista, n3o implicou a supera3o do espírito medie"al, nem o a.andono das +ortes raízes crist3s e místicas do Huin%entismo portugu's$  mitologia Pag3 o+erecia as alegorias literárias, mas n3o a+astou a inspira3o .í.lica4 o

racionalismo, o %edonismo e o epicurismo con"i"iam com a ética <udaico-crist3, com a educa3o tridentina e <esuítica e com a prática religiosa$

:m meio a todas essas in+lu'ncias, a +orma3o crist3 do poeta, sua +é religiosa e sua crena em Aeus emergem tanto na o.ra lírica como na épica$

 e/peri'ncia de "ida ue se pro<eta no amargurado pessimismo, n3o elidem a concep3o crist3 do mundo4 a desordem social com suas in<ustias, n3o é uma o.ra di"ina, sen3o %umana e dia.Elica4 os desconcertos do mundo n3o elidem o sentido crist3o de uma ordem do ni"erso, regida por Aeus$

V – SONETOS ESCOLHIDOS PARA ANÁLISE:

I - TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COUSA AMADA Krans+orma-se o amador na cousa amada,

Por "irtude do muito imaginar4 ;3o ten%o logo mais ue dese<ar, Pois em mim ten%o a parte dese<ada$ Se nela está min%a alma trans+ormada, Hue mais dese<a o corpo de alcanarN :m si somente pode descansar,

Pois consigo tal alma está liada$(ligada, unida*

Mas esta linda e pura semidéia$ (+eminino de semideus* Hue, como o acidente em seu su<eito,

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:stá no pensamento como idéia4 : o "i"o e puro amor de ue sou +eito, 0omo a matéria simples .usca a +orma$

6 soneto !Krans+orma-se o amador na cousa amada# é o mais a.strato e recorre G meta+ísica aristotélica para e/plicar ue a Idéia plat9nica da @eleza e do @em, desperta pela amada no seu espírito, n3o passa a+inal de uma como ue matéria inde+inida, ue sE o.<eti"ando-se numa +orma plena e +emininamente %umana, corpo e alma, se consuma$

6.ser"aes

6 soneto acima tem um caráter discursi"o ou conceitual pretende comunicar-nos, atra"és da argumenta3o cerrada, antes um !pensamento# acerca do mor e da Mul%er ue um !sentimento# deles$

Pertence ao g'nero lírico-re+le/i"o ou lírico-+ilosE+ico$ 6 !racionalismo# é e"idente na conten3o emocional$  emo3o e o sentimento s3o contidos nos limites do !euilí.rio# e da !%armonia#, elementos +undamentais na atitude clássica$

6 poeta atenua os impulsos do !eu# lírico, de sua "ida su.<eti"a particular, em +a"or de uma "is3o !impessoal#, !o.<eti"a# e !uni"ersal#, ue .usca o .em, a .eleza e a "erdade como !"alores a.solutos#$

6s dois uartetos con+iguram a concep3o plat9nica do mor$ 6 poeta idealiza e imagina tanto a amada, ue <á a tem em si mesmo$ 0omo ideal ue se corpori+ica no seu sentimento amoroso, e gan%a realidade dentro do prEprio poeta$ uele ue ama se trans+orma na amada, de tanto idealizá-la4 logo n3o tem mais o ue dese<ar, pois <á tem em si mesmo a idéia do ser ue dese<a$  incisi"a interroga3o dos "ersos 5 e ), antecipa a asserti"a dos " ersos 7 e F$

 interpreta3o do soneto tem suscitado pol'micas$ Para Sarai"a, nos tercetos, 0ames pretende uma !síntese ilusEria# entre a teoria plat9nica da !ideia# e a doutrina aristotélica da !+orma#$ Se, para ristEteles, a matéria é a e/ist'ncia "irtual ue sE se realiza mediante as +ormas4 para

0ames, o amor mental é t3o sE matéria, "irtualidade, apet'ncia$ : para ue o amor saia da mera "irtualidade tem ue se realizar corporeamente$ ssim, entende Sarai"a ue partindo de Plat3o, 0ames "ai ter em ristEteles !como a matéria simples .usca a +orma#$

Para nt9nio Sérgio, n3o %á ualuer contradi3o, desde ue o soneto nada mais é do ue uma consuma3o em termos plat9nicos da tese da insatis+a3o amorosa$ :ntende o crítico ue, para 0ames, a aspira3o amante e/iste essencialmente no eu, ue .usca pelos seres amados uma +orma sensí"el ue represente essa aspira3o amante, ou em ue ela re"er.ere$

Para 0ames, diz nt9nio Sérgio, a "erdadeira @eatriz nunca é corpErea está no pensamento como idéia, como "9o do pensamento para o ser Ai"ino, G procura de uma representa3o ideal de

mul%er$  insatis+a3o amorosa seria a condi3o de e/ist'ncia e perman'ncia desse amor pelo amor$

Ae ualuer +orma, tanto a terminologia ;eoplat9nica como o empirismo aristotélico ser"em de prete/to para ue 0ames desen"ol"a a sua prEpria teoria, e"idenciando outra realidade, ue trans.orda a es+era das ilaes lEgicas e dos conceitos +ilosE+icos, uma realidade íntima, sE dele, Poeta, e do Poema$

o comear pela pala"ra !trans+orma# e ao terminar em !+orma#, o poeta traa um círculo ue nos de"ol"e sempre G mesma uest3o, nunca respondida, numa espécie de !moto perpétuo#, em ue a trans+orma3o é sempre reno"ada, permanece sempre em ess'ncia, n3o sE como

(16)

insatis+a3o indispensá"el G perman'ncia do amor, n3o sE como possi.ilidade G procura do ato, mas tam.ém como uma +atalidade ue o +az permanecer dentro do redemoin%o da sua

conting'ncia %umana$

0ames cria dentro do prEprio poema um dinamismo "ital, porue ao terminar auela angustiosa a+irma3o de ue !a matéria simples .usca a +orma# "olta ao princípio, ao !trans+ormar-se#, ue é uma .usca incessante de outra +orma, como a "oltar ao ponto de partida, para descre"er a mesma tra<etEria e dela, conclui-se, o Poeta n3o "' saída$

6 Poema n3o é apenas +iloso+ia poetizada ou poesia +iloso+ante e4 além disso, a e/press3o lírica da angBstia do ser, ue se sa.endo racional, uer tornar redutí"eis a termos poéticos as suas

perple/idades de %omem, a sua e/peri'ncia "ital$

0ames parece usar o esuema do Silogismo para desautorizá-lo como discurso racional ue le"e a solu3o de+initi"a, e ainda, "olta a terminologia +ilosE+ica contra si mesma, desco.rindo uma no"a ordem ue l%e contraria e desa+ia a con"en3o$

6 soneto em uest3o é uma deri"a3o imitati"a de outro soneto, de Petrarca !>Wamante nellW amato si trans+orma#$

 !imita3o# ue os clássicos pratica"am dos modelos greco-latinos ou modernos, ue pressupun%a o empréstimo de temas e até de "ersos inteiros, é procedimento comum, e nada tem de plágio$

II – AMOR  UM FOGO 4UE ARDE SEM SE VER  mor é um +ogo ue arde sem se "er4

C +erida ue dEi e n3o se sente4 C um contentamento descontente4 C dor ue desatina sem doer$ C um uerer mais ue .em uerer4 C um andar solitário entre a gente4 C nunca contentar-se de contente4 C um cuidar ue gan%a em se perder$ C uerer estar preso por "ontade4 C ser"ir a uem "ence, o "encedor4 C ter com uem nos mata lealdade$ Mas como causar pode seu +a"or ;os coraes %umanos amizade, Se t3o contrário a si é o mesmo morN

6 soneto acima es+ora-se por conceituar a natureza parado/al do mor$ 6s "ersos ressaltam, atra"és de sua estrutura .imem.re, a+irmati"as ue se repartem em enunciados contrários (antitéticos* e esta.elecem o caráter parado/al do sentimento amoroso$

 reitera3o do "er.o ser & !C#, no início dos "ersos, do 2 ao 1D, con+iguram uma sucess3o de aná+oras, ou uma cadeia ana+Erica$

s contradies, por "ezes, s3o aparentes porue o segundo mem.ro do "erso +unciona como complemento do primeiro, especi+icando-o e tornando-o ainda mais e/pressi"o, uando con+ronta

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duas realidades di"ersas uma sensí"el (!+erida ue dEi#*, e outra, espiritual, ue a transcende (!e n3o se sente#*$ C o caso do 1, 2, ? e 5 "ersos$

;o 1 "erso, por e/emplo, o segundo mem.ro (!sem se "er#* signi+ica interiormente4 no 2 "erso, o mor é +erida ue dEi (e/teriormente* e !n3o se sente# (interiormente*4 no ? "erso o mor é dor ue desatina (e/teriormente*, !sem doer# (interiormente# e, no 5 "erso, a no3o é a de ue n3o é possí"el uerer mais de tanto ue se uer, de tanto ue se ama$

Mesmo ue se tome o re+erencial !+ogo#, como elemento de contraste entre os dois mem.ros desses "ersos, esse mesmo +ogo, contraditoriamente, !arde sem se "er#$

:sse discurso so.re os sintomas do amor n3o é pri"ilégio nem cria3o da época camoniana$ ;a ntigidade, muitas "ezes, o amor +oi tomado por uma !en+ermidade#, uma doena da raz3o, uma espécie de cegueira4 Petrarca e os poetas do !dolce stil nuo"o# italiano deti"eram-se

+reentemente nas atitudes parado/ais com as uais o amante denuncia o seu so+rimento$  lírica pro"enal dos tro"adores medie"ais re"ela, nas cantigas de amor, a desorienta3o em ue cai o tro"ador ao surpreender as prEprias reaes diante de sua !Sen%ora#, de sua !Aona#$

0ames, contudo, enriuece a +ormula3o dos 0ancioneiros medie"ais, ao su.meter a análise do sentimento a uma opera3o de +undo intelectual, racional, para, ao +im e ao ca.o, concluir pela ine+icácia de tal análise$ uilo ue o poeta sente n3o pode se separar dauilo ue ele pensa$ Mas como sentir e pensar s3o mo"imentos antag9nicos, porue o sentir dese<a e o pensar l imita o resultado, na prática te/tual sE pode ser um acBmulo de contradies e parado/os$

 di+iculdade em se conceituar o amor de maneira precisa, posto ue se trata de um sentimento "ago, apro/ima a lírica camoniana do Maneirismo e, no limite, da atitude .arroca as oposies, simetricamente dispostas nos "ersos, s3o dispostas num processo de grada3o, ue desem.oca na perple/idade do poeta, na sua desconcertante interroga3oO conclus3o so.re os e+eitos do amor$ 6s "ersos s3o decassíla.os %erEicos e a posi3o das rimas, s3o interpoladas ou opostas, nos uartetos, e alternadas ou intercaladas, nos tercetos$

III – TEMPO  Á 4UE MINHA CONFIANÇA Kempo é <á ue min%a con+iana

Se desa de uma +alsa opini3o4 Mas mor n3o se rege por raz3o4 ;3o posso perder logo a esperana$  "ida, sim4 ue uma áspera mudana ;3o dei/a "i"er tanto um cora3o$ : eu na morte ten%o a sal"a3oN

Sim, mas uem a dese<a n3o a alcana$ orado é, logo, ue eu espere e "i"a$ %Y Aura lei de mor, ue n3o consente Huieta3o numa alma ue é cati"aY Se %ei de "i"er, en+im, +oradamente, Para ue uero a glEria +ugiti"a

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Ae uma esperana "3 ue me atormenteN

6 poeta desmente a !+alsa opini3o# de ue o amor se conduz pelas leis da raz3o, moti"o pelo ual l%e resta ainda uma esperana de ue nem tudo este<a perdido$ Porém, du"ida de ue consiga manter-se "i"o diante das asperezas do amor (!áspera mudana#*$  morte, possi.ilidade de sal"a3o, tam.ém n3o pode ser alcanada, e nem l%e é concedida !uem a dese<a n3o a alcana#$ :m +ace dessa situa3o contraditEria, interroga-se so.re o sentido de " i"er esperanoso, se a isso é o.rigado$

tra"és de argumenta3o comple/a, apoiada em construes silogísticas, a tens3o do poema é o.tida pela dialética (oposi3o* raz3o "ersus sentimento, em espiral angustiosa$

6 impasse +inal nos remete, como num círculo, ao início do poema$  e/emplo do ue ocorre no soneto !mor é um +ogo ue arde sem se "er#, a interrogati"a do Bltimo terceto n3o coloca a dB"ida de uem se es+ora para o.ter uma resposta ue descon%ece, mas antes a perple/idade diante de uma constata3o empírica da realidade amorosa$

6 processo analítico e racional ser"e, mais uma "ez, para con"encer-se de ue o mor tem as suas prEprias leis, as uais n3o se su.metem aos resultados pro"á"eis da in"estiga3o lEgica e

sistemática$ : mais o método analítico e racional, ainda uma "ez aui, n3o o.stante a +ina ela.ora3o do poema le"a a um des+ec%o desconcertante, porue con"ém G o.ser"a3o, é

+undamento das con<ecturas, mas incapaz de sustentar o inuietante impasse em ue se encontra o poeta ao +inal de suas elocu.raes$

:m síntese, 0ames "ale-se do em.asamento racional para pro"ar a natureza !irracioná"el# do mor, e desde o início, nega autoridade G 8az3o para dirigir o mor$

:ste é um dos sonetos mais ela.orados da lírica camoniana, so. o aspecto conceitual$ 6 poeta recorre a "árias +ormas da estrutura silogística, desde o encadeamento de peuenos silogismos, com omiss3o de algumas premissas, até a se'ncia de pro"as ue "ai acumulando no decorrer do discurso$

6 primeiro uarteto constituiu a !Premissa Maior#4 o segundo uarteto e o p rimeiro terceto constituíram a !Premissa Menor#4 o Bltimo terceto seria a !0onclus3o#$ Aesta +orma, o silogismo maior poderia ser assim e/presso 6 mor n3o se rege pela raz3o4 ora, eu sou +orado a "i"er so. a lei do mor4 logo, %ei de "i"er contraditoriamente !de uma esperana "3 ue me atormenta#$ 6s "ersos 1D e 11 (!%Y Aura lei do mor$$$#* constituem uma pausa e/clamati"a dentro do processo re+le/i"o$

6.ser"e ue o !eu# do poema pode ser uni"ersalizado e ue o ue o Poeta diz de si ca.e a

ualuer amante, em ualuer tempo, em ualuer lugar$ Kendo con%ecido a e/peri'ncia do amor, o poeta conclui ue este sE pode dar em deseuilí.rio$

6 lirismo amoroso clássico a+asta-se com con+essionalismo romntico e procura racionalizar, racionalizar so.re o tema amoroso, "isando a um entendimento uni"ersalmente "álido e o.<eti"o$ Isto n3o signi+ica ue se<am +rios, impassí"eis, o ue é uma das grandes "irtudes dos clássicos o euilí.rio entre a e/press3o como"ida dos transes e/istenciais e emocionais do artista, a densa re+le/3o +ilosE+ica, e a reuintada ela.ora3o +ormal$

IV – SEMPRE A RAZÃO VENCIDA FOI DE AMOR  Sempre a 8az3o "encida +oi de mor4

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Huis mor ser "encido da 8az3o$ 6ra ue caso pode %a"er maiorY ;o"o modo de morte, e no"a dorY :stran%eza de grande admira3o, Hue perde suas +oras a a+ei3o, Por ue n3o perca a pena o seu rigorY Pois nunca %ou"e +raueza no uerer, Mas antes muito mais se es+ora assim m contrário com outro por "encer$ Mas a 8az3o, ue a luta "ence, en+im, ;3o creio ue é 8az3o, mas %á de ser Inclina3o ue eu ten%o contra mim$

;o"amente a meta+ísica amorosa de 0ames nos conduz, atra"és dos parado/os, G tens3o resultante da luta entre a 8az3o e o Sentimento$

Supondo, no "erso R, o mor "encido pela 8az3o, +ato surpreende4 no "erso 12, a ad"ersati"a Mas, en+rauece a conclus3o esperada, ao argumentar ue o moti"o (8az3o* p ro"irá de uma tend'ncia contra si mesmo, prEpria de sua natureza, ue age em pre<uízo de seu mor4 parado/almente, uma raz3o irracional$

6 tom é predominantemente e/clamati"o e tem a inten3o de denunciar o caso impossí"el e inédito de a 8az3o "encer o mor, por "ia de uma ela.ora3o mais linear, mas igualmente densa e apoiada na luta dos contrários$

V – 4UEM DIZ 4UE AMOR  FALSO OU ENGANOSO Huem diz ue mor é +also ou enganoso,

>igeiro, ingrato, "3o, descon%ecido, Sem +alta l%e terá .em merecido Hue l%e se<a cruel ou rigoroso$ mor é .rando, é doce e é piedoso$ Huem o contrário diz n3o se<a crido4 Se<a por cego e apai/onado tido,

: aos %omens, e ainda aos deuses, odioso$ Se males +az mor, em mi se "'em4

:m mi mostrando todo o seu rigor, o mundo uis mostrar uanto podia$ Mas todas suas iras s3o de mor4 Kodos estes seus males s3o um .em, Hue eu por todo outro .em n3o trocaria$

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ue o mor dedica ao maldizente$ ;o segundo uarteto, apEs caracterizar o mor como !.rando#, !doce#, !piedoso#, nega credi.ilidade a uem diz o contrário, certamente cego e apai/onado, merecedor da ira dos %omens e dos deuses$ ;o primeiro terceto alega ue o mor uis mostrar nele, o poeta, toda a e/tens3o de seus males$ Mas, no Bltimo uarteto, conclui ue, mesmo con%ecedor de todos os males e castigos do mor, n3o o trocaria por ualuer outro .em$ ssim, o poeta e/pressa a sua su.miss3o incondicional ao mor, mesmo trazendo em si todas as suas seelas$

VI – EN4UANTO 4UIS FORTUNA 4UE TIVESSE :nuanto uis ortuna ue ti"esse

:sperana de algum contentamento 6 gosto de um sua"e pensamento Me +ez ue seus e+eitos escre"esse$ Porém, temendo mor ue a"iso desse Min%a escritura a algum <uízo isento, :scureceu-me o engen%o com tormento, Para ue seus enganos n3o dissesse$ Z "Es ue mor o.riga a ser su<eitos s di"ersas "ontadesY Huando lerdes ;um .re"e li"ro casos t3o di"ersos, Verdades puras s3o, e n3o de+eitos$$$ : sa.ei ue, segundo o amor ti"erdes, Kereis o entendimento de meus "ersosY

:ste soneto é o ue mais e/plicitamente coloca a rela3o entre o emissor (o !eu lírico#*, e o receptor (!o leitor#*, na decodi+ica3o da !mensagem# amorosa, da re+le/3o lírica so.re o mor$ 6 poeta diz ue, sE os ue ti"eram amado entender3o as contradies de seus "ersos, ue s3o "erdadeiros, pois as contradies s3o do prEprio mor, e n3o do seu discurso amoroso$

[s +unes poética, e/pressi"a e conati"a soma-se a metalingística, e"idente nas aluses G escritura do poema, G sua recep3o, e G natureza da mensagem amorosa nele contida$

6.ser"e ue, nos "ersos 5 e Q, a pala"ra mor, gra+ada com maiBscula, re+ere-se ao sentimento amoroso, enuanto "alor espiritual, uni"ersal, a.soluto4 no "erso 1R, o amor, gra+ado com a inicial minBscula, alude G "i"'ncia amorosa concreta, G pai/3o %umana, G rela3o interpessoal$ 6 mor, ainda ue o.rigue G !"ontades# contraditErios, alimenta"a a !:sperana de algum contentamento# e +ez com ue o poeta escre"esse seus e+eitos$

6.ser"e ue a pala"ra ortuna (destino* está gra+ada com maiBscula & MaiBscula legorizante, ue "isa dar G pala"ra maior e/pressi"idade, re"estindo-a de uma conota3o ou signi+ica3o alegErica, transcendente e a.soluta$

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:u cantarei de mor t3o docemente, Por uns termos em si t3o concertados, Hue dous mil acidentes namorados aa sentir ao peito ue n3o sente$ arei ue mor a todos a"i"ente, Pintando mil segredos delicados, @randas iras, suspiros namorados, Kemerosa ousadia e pena ausente$ Kam.ém, Sen%ora, do desprezo %onesto Aa "ossa "ista .rande e rigorosa,

0ontentar-me-ei dizendo a menor parte$ Porém, para cantar de "osso gesto

 composi3o alta e milagrosa, ui +alta sa.er, engen%o e arte$

6 soneto con+igura uma espécie de !proposi3o# da lírica amorosa de 0ames$ 6 poeta prope-se a cantar o mor com tal propriedade, ue consiga despertar o sentimento, mesmo em uem n3o ama$ Pretende, como diz no primeiro terceto, conter a e/press3o do so+rimento despertado pelo desprezo %onesto (merecido* do ol%ar de sua inacessí"el Sen%ora$ Mas, no Bltimo terceto,

recon%ece a limita3o de sua poesia, a ue +altam sa.er (con%ecimento*, engen%o (%a.ilidade*, e arte (inspira3o*, para e/primir a composi3o alta e milagrosa do gesto da Sen%ora, mul%er idealizada, per+eita e inatingí"el$

8econ%ecendo com modéstia (+alsa* a insu+ici'ncia de seu canto, diante da .eleza inatingí"el d Sen%ora, o poeta se apro/ima da lírica ca"al%eiresca e galante dos cancioneiros medie"ais$ s in"erses sintáticas (%ipér.atos* s3o comuns na retErica clássica, latinizante$ 0olocando-se o primeiro terceto na ordem direta, teríamos !Kam.ém, Sen%ora, contentar-me-ei dizendo a menor parte do desprezo %onesto de "ossa "ista .randa e rigorosa#$ ;o segundo terceto, na ordem direta, teríamos !Porém, para cantar a composi3o alta e milagrosa de "osso gesto, aui +alta (m* sa.er, engen%o e arte#$ :ntenda-se por !engen%o#, a +aculdade concepti"a, e por !arte#, o poder de realiza3o artística$

VIII – ESTÁ O LASCIVO E DOCE PASSARINHO :stá o lasci"o e doce passarin%o

0om o .iuin%o as penas ordenando4 6 "erso sem medida, alegre e .rando, :/pedindo no rBstico ramin%o$

6 cruel caador, ue do camin%o Se "em calado e manso des"iando, ;a pronta "ista a seta endireitando, >%e dá no estígio lago eterno nin%o$ Aesta arte o cora3o, ue li"re anda"a

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Posto ue <á de longe destinado, 6nde menos temia, +oi +erido$

Porue o lec%eiro cego me espera"a, Para ue me tomasse descuidado, :m "ossos claros ol%os escondidos$

Kal como o passarin%o descuidado canta"a, até ser atingido pela +lec%a do cruel caador ue o atirou no estígio (In+ernal, relati"o G :stige, rio do In+erno, na mitologia grega*, assim o cora3o do poeta, li"re, mas <á predestinado, +oi +erido pelo !lec%eiro cego# (0upido, designa3o latina de :ros, o deus alado do mor, representado +reentemente de ol%os "endados e munido de arco e +lec%a, personi+ica3o do mor*, escondido so. os claros ol%os +emininos$

s comparaes entre o passarin%o e o poeta, o caador cruel e o mor, a oposi3o entre o passado e o presente, a alegria e a inuietude s3o temas de inspira3o clássica, re"italizados por Petrarca$

IX – UM MOVER DE OLHOS BRANDO E PIEDOSO m mo"er de ol%os, .rando e piedoso,

Sem "er de u'4 um riso .rando e %onesto, Huase +orado4 um doce e %umilde gesto, Ae ualuer alegria du"idoso4

m despe<o uieto e "ergon%oso4 (desem.arao, desen"oltura* m repouso gra"íssimo e modesto4

ma pura .ondade, mani+estoY Indício da alma, limpo e gracioso4 m encol%ido ousar4 uma .randura4 m medo sem ter culpa4 um ar sereno4 m longo e o.ediente so+rimento :sta +oi a celeste +ermosura

Aa min%a 0irce, e o mágico "eneno Hue pode trans+ormar meu pensamento$

:ste soneto é a representa3o de uma mul%er ideal, e ideal porue até o es+oro de de+ini-la em termos poéticos se torna uma tare+a di+ícil$ Aaí decorre o emprego dos pronomes inde+inidos !um#4 !uma#4 a presena de o/ímoros4 a enumera3o uase e/austi"a, reiterada e agrupada em epítetos$

6s onze primeiros "ersos, de estrutura .imem.re ou trimem.re, procuram e/aurir as "irtudes e a @eleza, até o poeta declará-la, no +inal, !0irce# e !celeste# (+eiticeira ue parece na !6disséia# de omero$ Para reter o seu amado lisses, na il%a em ue esta"am, 0irce trans+ormou os

compan%eiros do %erEi grego em porcos*$

:ssa mul%er, ideal ou n3o, de carne e osso ou simples representa3o de uma concep3o mental do poeta, é toda ela composta, criada, organizada, descrita e apresentada, con+orme o modelo petraruista é estilizada demais para pro"ocar emo3o, os atri.utos re+erentes ao aspecto +ísico, s3o apenas re+le/os da .eleza interior, Bltima per+ei3o$ C o retrato moral de uma dama, síntese má/ima de ualuer per+ei3o +eminina$

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 .eleza casta e a sensualidade ue se contém no recato, compem um retrato de .randura, de serenidade, de segurana, en+atizadas pela reitera3o dos ad<eti"os !.rando#, !piedoso#, !%onesto#, !doce#, !%umilde#, !uieto#, !"ergon%oso#, !modesto#, !limpo#, !gracioso#, !sereno#, !o.ediente#, !celeste#$

:sses atri.utos todos, de !ordem espiritual#, di"ina (dela mul%er, e portanto, celeste*, opem-se a uma !ordem terrena# (dele poeta, e portanto %umana*$ 0irce, a +eiticeira, seria a mediadora da tens3o entre essas duas ordens$

X – ALMA MINHA GENTIL 4UE TE PARTISTE lma min%a gentil, ue te partiste

K3o cedo desta "ida, descontente, 8epousa lá no 0éu eternamente : "i"a em cá na terra sempre triste$ Se lá no assento etéreo, onde su.iste, MemEria desta "ida se consente, ;3o te esueas dauele amor ardente Hue <á nos ol%os meus t3o puro "istes$ : se "ires ue pode merecer-te

lguma cousa a dor ue me +icou Aa mágoa, sem remédio, de perder-te, 8oga a Aeus, ue teus anos encurtou, Hue t3o cedo de cá me le"e a "er-te, Hu3o cedo de meus ol%os te le"ou$

6 soneto, ue os .iEgra+os associam G morte de Ainamene (Kinanmen*, amante c%inesa com ue 0ames "i"eu em Macau, é um dos mais con%ecidos$ Segundo a tradi3o, acusado de delitos

administrati"os, 0ames e Ainamene teriam sido le"ados da 0%ina para a \ndia, onde seria <ulgado o poeta$ ;a "iagem, por "olta de 15)D, o na"io nau+raga nas costas do rio Me]ong$ 0ames teria conseguido sal"ar-se e sal"ar !6s >usíadas#, ue trazia uase concluído, mas teria perdido Ainamene, a sua !alma gentil#, relem.rada em ele"ado tom elegíaco, uase místico$

6 Platonismo re"ela-se, no soneto, pela su.lima3o eternizadora da amada, a partir de sua morte$ 6 poeta contempla a amada transu.stanciada em puro espírito (!lá no assento etéreo#*, por "ia do muito amar$

6 apelo aos sentidos é transcendentalizado, imaterializado, .uscando Ainamene no 0éu, em Aeus, entendidos como "alores +ilosE+icos, míticos e n3o apenas religiosos ou crist3os$

 morte implica uma espécie de puri+ica3o$  amada ue partiu para esse !mundo das idéias e +ormas eternas#, tam.ém se torna o.<eto de ele"a3o e saudade$ Mas a !reminisc'ncia#, neste caso, tem m3o dupla do poeta, ue se ele"a G .eleza imaterial da amada, como usual, e tam.ém na dire3o oposta, pois o poeta sugere a possi.ilidade de ue a amada se lem.ra dele, !lá do assento etéreo#$

6 poeta clássico euili.ra a e/press3o de seus transes e/istenciais com a disciplina clássica$ :mo3o e raz3o, e/press3o pessoal e imita3o modelam uma dic3o sE.ria, contida, mas nem por isso menos como"ente$ Mesmo uando apro"eita o material auto.iográ+ico, n3o %á o deseuilí.rio desesperado dos romnticos$

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 morte da amada ser"e tam.ém ao e/ercício poético da imita3o, no caso, do modeleo petraruista !Huesta anima gentil 0%e si diparte# e !nima .ella, da uel nodo sciolta$#

 situa3o con+liti"a ue o poeta retrata pro<eta uma tens3o ue se apro/ima do Maneirismo e, por essa "ia, do @arroco a presena da morte, o tom +atalista, o dualismo ue ope "ida e morte4 passado e presente4 serenidade e so+rimento$

XI – 4UANDO DE MINHAS MÁGOAS A COMPRIDA Huando de min%as mágoas a comprida

Imagina3o os ol%os me adormece, :m son%os auela alma me aparece Hue para mim +oi son%o nesta "ida$

>á numa soidade, onde estendida (solid3o*  "ista pelo campo des+alece,

0orro para ela4 e ela ent3o parece Hue mais de mim se alonga, compelida$ @rado - ;3o me +u<ais, som.ra .eninaY :la, os ol%os em mim com .rando pe<o, 0om uem diz ue <á n3o pode ser, Korna a +ugir-me$ : eu gritando Aina$$$ ntes ue diga mene, acordo, e "e<o Hue nem um .re"e engano posso ter$

;o"amente a manda morta ense<a a ele"a3o do poeta, em son%o, G sua etérea e +ugidia +igura$ Mas mesmo essa contempla3o em son%o é +ugaz e enganosa4 é "is3o ue se es"ai antes ue se pronuncie o nome completo da amada$

6 caráter ;eoplat9nico do poema, a natureza puramente espiritual da +igura +eminina, eternizada pela morte, transparece em todo poema e especialmente nos "ersos R e ?4 auela !alma# ue +oi !son%o#, aparece para o poeta em !son%os# e, mesmo em son%os, uanto mais o poeta corre para ela, mais ela se distancia (!alonga#* dele$

 sele3o "oca.ular, centrada em "ocá.ulos como !imagina3o#, !ol%os# (o mais !espiritual# dos sentidos*, !son%os#, !alma#, !son%o#, !som.ra#, !.re"e engano# (aui signi+icando ilus3o*, instauram uma atmos+era de espiritualidade, de imaterialidade, numa rela3o gradati"a & sono & son%o & som.ra & alma, em ue cada um desses elementos +unciona como degrau para su.ir ao outro, numa escala ue "ai do sensí"el para o inteligí"el$

inda uma "ez a %umanidade da +igura masculina, ue !.rada# e ue !grita#, en"olta em

!mágoas#, !iluses# e !son%os# contrasta com a imaterialidade da mul%er, incorpErea, ue mesmo em son%o é indicada apenas pelos !ol%os#, postos no poeta$

0olocando em ordem direta os dois uartetos, teríamos

!Huando a comprida imagina3o de min%as mágoas adormece meus ol%os, auela alma, ue para mim +oi son%o, nesta "ida, me aparece em son%os$ >á min%a solid3o, onde a "ista des+alece estendida pelo campo, corro para ela4 e ela ent3o parece ue, compelida, mais se alonga de mim$#

(25)

XII – AH MINHA DINAMENE ASSIM DEIXASTE %Y Min%a AinameneY ssim dei/aste

Huem n3o dei/ara nunca de uerer-teY %Y ;in+a min%a, <á n3o posso "er-teY K3o asin%aY :sta "ida desprezasteY (ligeira* 0omo <á para sempre te apartastes

Ae uem t3o longe esta"a de perder-teN Puderam estas ondas de+ender-te

Hue n3o "isses uem tanto magoasteN ;em +alar-te somente a dura Morte Me dei/ou, ue t3o cedo o negro manto :m teus ol%os deitado consentisteY 6% marY 6% céuY 6% min%a escura sorteY Hue pena sentirei ue "al%a tanto, Hue inda ten%a por pouco "i"er tristeN

ui, o tema da saudado da amada morta gan%a contornos mais su.<eti"os, prE/imos do 8omantismo, ou do @arroco, pelo tom e/altado, e/clamati"o, sentimental, e pela atmos+era soturna ue en"ol"e os sentimentos do poeta$ 0ontudo, a ado3o da +orma +i/a do soneto, o sistema uin%entista das rimas, a métrica decassilá.ica distanciam a composi3o do li.eralismo +ormal dos romnticos$

XIII – A4UELA TRISTE E LEDA MADRUGADA uela triste e leda madrugada (+esti"a* 0%eia toda de mágoa e de piedade, :nuanto %ou"er no mundo saudade Huero ue se<a sempre cele.rada$

:la sE, uando amena e marc%etada (colorida* Saía, dando ao mundo claridade,

Viu apartar-se de uma outra "ontade, Hue nunca poderá "er-se apartada$ :la sE "iu as lágrimas em +io, Hue duns e doutros ol%os deri"adas Se acrescentaram em grande e largo rio$ :la ou"iu as pala"ras magoadas,

Hue puderam tornar o +ogo +rio : dar descanso Gs almas condenadas$

6 soneto traduz o sentimento da dor da separa3o$  madrugada, parado/almente !triste# e !leda#, é um marco da saudade ue assinalou um momento de a+astamento$ oi a Bnica

Referências

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