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A Perseverança dos Santos

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A Perseverança dos Santos

Por Wilhelmus à Brakel (1635-1711) Traduzido, Adaptado e

Editado por Silvio Dutra

Out/2019

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A474

à Brakel, Wilhelmus (1635-1711)

A perseverança dos santos / Wilhelmus à Brakel,

Tradução e adaptação Silvio Dutra Alves – Rio de Janeiro, 2019.

73p.; 14,8 x21cm

1. Teologia. 2. Vida Cristã. 3. Fé. 4. Graça.

I. Título.

CDD 252

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Tendo considerado a santificação, o crescimento da graça e seu declínio devido a doenças espirituais, é necessário acrescentar a isto uma consideração da perseverança dos santos na graça. Ao considerar isso do lado de Deus, é chamado de mantendo, terein, João 17:15, phulassein, João 17:12, phrourein, 1 Pedro 1:

5, esterizeína, isto é, fortalecer, 2 Tim 3: 3, e bebaion, isto é, confirmar, 1 Cor 1: 8.

Ao considerar isso do lado dos crentes, é denominado hupomone, isto é, continuar, Rm 2:

7 e firmeza, Lucas 8:15. Ao considerar esse assunto, quatro coisas devem ser observadas:

1) em quem algo é preservado, 2) o que é preservado neles,

3) a causa e os meios pelos quais a preservação ocorre e

4) seu propósito.

Os crentes são os objetos da preservação divina Primeiro, os crentes são as pessoas que são preservadas; e é neles que algo é preservado. Deus mantém e preserva tudo o que Ele criou. Deus também preserva bons anjos em

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seu estado confirmado - sendo eles chamados de eleitos (1 Tim 5:21). Nossa referência aqui é, no entanto, à preservação dos eleitos, os regenerados, os verdadeiros crentes - vendo-os como estando na igreja militante na terra e como sendo atacados por seus inimigos: o diabo, o mundo e a carne. Como a renovação do crente é apenas em parte, ele peca diariamente. Esses pecados, estritamente falando, são dignos de reprovação, e os crentes, quando deixados sozinhos, não têm força suficiente para preservar a si mesmos, sua fé ou sua vida espiritual. Eles sucumbiriam ao ataque do inimigo. Mesmo assim, eles são preservados, mas por uma força que vem de fora. “Quem sois guardados pelo poder de Deus através da fé para a salvação” (1 Pedro 1: 5); “Embora ele caia, ele não será totalmente abatido” (Sl 37:24).

Por esse poder, a vida e a fé espirituais, concedidas a eles pelo Espírito de Deus na regeneração, são preservadas. Pode ser que a vida espiritual seja tão cercada pela oposição e se torne tão fraca que, por um período, ela só se manifeste por um olhar ao alto, um suspiro, uma inclinação a Deus ou uma afeição por Deus. Sim, um crente pode desmaiar, por assim dizer, por isso que a vida espiritual não se manifesta de modo algum por uma temporada. No entanto, a vida espiritual em sua

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essência, isto é, a união com Cristo permanecerá. Isso nunca desaparecerá. "Todo aquele que é nascido de Deus ... sua semente permanece nele" (1 João 3: 9).

A única causa de sua firmeza é o Deus onipotente e fiel. Que Deus é capaz de preservar a vida espiritual neles é uma certeza para todos. De sua vontade de preservá-los, o Senhor Jesus nos assegura: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:39). Que Ele fará isso, é evidente nas promessas: “Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta;” (Hb 6: 17,18). Pedro afirma que Deus atualmente o faz: “Que sois guardados pelo poder de Deus” (1 Pedro 1: 5).

Meios Empregados por Deus para Preservação Assim como o Senhor trabalha todas as coisas na esfera da natureza por meios, Deus também usa meios na obra de graça. Ele também faz isso

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na preservação de Seus santos. Isso não sugere que haja eficácia nos meios ou no uso desses meios pelos crentes. Pelo contrário, tanto o uso dos meios quanto o resultado de seu uso dependem do Senhor sozinho. “Porque é Deus que opera em vós tanto o querer quanto o realizar segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13); "Sem mim nada podeis fazer” (João 15:

5). Os meios que Deus usa para a preservação de Seus próprios são, entre outros:

(1) Instrução e direção por meio da Palavra: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra...

Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119: 9,105);

(2) Consolo e vivificação prometidos: “Este é o meu consolo na minha aflição, porque a Tua palavra me vivifica... A menos que Tua lei tivesse sido todo o meu prazer, eu deveria ter perecido na minha aflição” (Sl 119: 50,92).

(3) Exortações: “Confirmando as almas dos discípulos e exortando-as a continuar na fé”

(Atos 14:22); “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mt 26:41).

(4) Repreensões e advertências: “Repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé” (Tito

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1:13); "se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.” (Lucas 13: 3); "Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis"

(Romanos 8:13).

(5) A vara do castigo: “É bom para mim ter sido afligido; para aprender os teus estatutos” (Sl 119:

71); “Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.” (Hb 12:

10,11).

(6) Selagem sacramental: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.” (Rm 6:

4); “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Cor 10:16).

(7) O uso das chaves do reino quando eles se afastam gravemente do caminho. “Entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que

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o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.” (1 Cor 5: 5).

O propósito pelo qual os crentes são preservados é a própria salvação. “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Rm 8:30); “Que sois guardados pelo poder de Deus ...

para a salvação” (1 Pedro 1: 5). O maior objetivo de Deus é a manifestação de Sua bondade, longanimidade, fidelidade, imutabilidade, sabedoria e poder. "quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho).” (2 Ts 1:10).

Do que foi dito, é evidente que a perseverança dos santos é uma graça e poder da operação de Deus pela qual Ele preserva a vida espiritual e a fé nos verdadeiramente convertidos de tal maneira que nem se autodestruam, nem sejam extintos ou removidos por seus inimigos: o diabo, o mundo e a carne. Em vez disso, eles certamente alcançarão a felicidade eterna.

Assim como outras verdades sempre tiveram e ainda têm seus oponentes, também essa doutrina, tão cheia de conforto, tem seus oponentes. Sim, todas as partes da igreja que,

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em maior ou menor grau, se desviam da verdade como papistas, socinianos, anabatistas, arminianos e até luteranos - se opõem de uma maneira ou de outra à perseverança dos santos.

Pergunta: Aqueles que são verdadeiramente regenerados e verdadeiros crentes apostatam no que diz respeito à vida espiritual e à fé, e perecem?

Resposta: Todas as outras seitas respondem resolutamente afirmativamente.

Os luteranos confessam que os verdadeiros crentes podem perder completamente a vida e a fé espirituais; no entanto, Deus os restaurará deste estado de morte e certamente os salvará. Eles mantêm uma apostasia completa, mas não uma apostasia final. Os outros se apegam a uma apostasia completa e final dos santos. Rejeitamos a apostasia total e final dos santos e confessamos que a vida espiritual é essencial, mesmo que sua manifestação possa por um período ser impedida em maior ou menor grau, sempre permanece nos crentes e que eles certamente serão levados ao estado de felicidade.

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Prova 1: A perseverança dos santos comprovada nas Escrituras

Derivamos essa prova de textos específicos.

A. “Embora ele (o homem justo ou piedoso) caia, ele não será totalmente derrubado: porque o Senhor o sustenta com a sua mão” (Sl 37:24). Um homem piedoso é aqui referido quando cair e pecar, pois ainda tropeça diariamente em muitas coisas. Se ele fosse jogado fora, teria que ser pelo bem de seus pecados. O texto diz, no entanto, que ele não será expulso por esse motivo. A razão é então acrescentada: não é que ele se restaure e se levante, mas porque o Senhor o sustenta e o impede de cair. Ele certamente assim permanecerá de pé.

Argumento Evasivo: O texto fala de uma queda devido a provas temporais, e não de uma queda no pecado. Não cair refere-se a não perecer nessas aflições.

Resposta: (1) Os piedosos geralmente têm mais aflições que os ímpios, e de fato perecem nelas. "O justo perece” (Is 57: 1). Assim, a promessa, no sentido absoluto da palavra, não pode ser principalmente aplicável ao que é temporal.

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(2) Se fosse para que os piedosos fossem sempre e permaneçam abençoados no sentido temporal, eles certamente também perseverariam em piedade. Aquilo que produz um efeito positivo torna-se mais positivo por si mesmo.

(3) E se a referência aqui é a de cair em circunstâncias miseráveis, então esta é uma prova poderosa de perseverança, pois o salmista confirma o que Paulo escreve:

“35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.

37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,

39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do

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amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8: 35-39).

(4) O salmista fala neste salmo do exercício da piedade e que o Senhor trará adiante sua justiça como a luz (vs. 3-6), ao declarar no versículo 24 que eles ainda são imperfeitos e tropeçam e caem. No entanto, eles não são expulsos, porque o Senhor os sustenta.

B. “Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, e mostrarão grandes sinais e maravilhas; de modo que, se possível, enganariam os próprios eleitos” (Mt 24:24). Este capítulo faz referência a uma dupla violência infligida aos eleitos:

perseguição e decepção. No entanto, indica a impossibilidade de os eleitos serem lançados longe e enganados, e assim seu estado espiritual é certo.

Argumento evasivo 1: “Impossível” aqui implica

“difícil” (Mt 19:26; Mt 26:39; At 20:16; Rm 12:18).

Resposta: “Impossível” nunca significa “difícil”

- também não está nos textos citados.

Argumento Evasivo 2: Este texto fala sobre o que os falsos profetas não são capazes de fazer, mas não sobre o que eles são capazes de fazer.

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Resposta: (1) Os crentes são, com certeza, libertados de todas as influências externas. Tudo isso então não pode ter como resultado, com seu intelecto, vontade e ação, eles renunciariam a Cristo, à fé e à piedade - e, portanto, que eles apostatariam de tudo isso. É natural que os desejos do homem tenham um objeto externo a eles, e é esse objeto que aciona os desejos. Uma vez que não há nada externo que possa definir os desejos de crentes em movimento e fazê-los cair em desgraça, estão, portanto, em um estado certo e seguro.

(2) O texto diz que a eleição eterna é o fundamento de seu estado espiritual, tornando impossível para eles serem enganados para apostasia. É, portanto, uma impossibilidade de todas as perspectivas - para os outros e para si mesmos.

Argumento Evasivo 3: Cristo fala da obra dos falsos profetas e qual seria seu objetivo – não sobre o resultado; isto é, se os eleitos serão enganados ou não. Assim, a questão da certeza ou da incerteza não é discutida aqui.

Resposta: Isso contradiz claramente o texto. Fala do resultado desse engano em relação aos eleitos, afirmando que a apostasia deles é

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impossível. Portanto, também é registrado como argumento entre parêntesis.

Argumento Evasivo 4: Este texto fala de alguns cristãos eminentes, e não de todos os cristãos.

Resposta: (1) O texto não faz exceção, mas fala dos eleitos, que inclui todos eles.

(2) Há, portanto, alguns que não podem ser enganados.

(3) Não é a força ou fraqueza dos crentes que é aqui definida como o fundamento para essa certeza, mas sim sua eleição.

Argumento Evasivo 5: Os eleitos podem ser enganados antes da conversão e, portanto, também após a conversão.

Resposta: Ninguém é enganado antes da conversão, pois então alguém está em pecado, procedendo de pecado em pecado como os outros.

Então não há nada de bom dentro dele que precise ser preservado. Após a conversão, os crentes têm espírito e vida, no entanto, a preservação se baseia nessa vida - e essa vida não poderá ser removida.

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Argumento Evasivo 6: Os eleitos não podem ser enganados; isto é, desde que cumpram seu dever e perseverem na fé e na piedade.

Resposta: (1) Nenhuma condição é mencionada aqui. A promessa refere-se a ser preservado na própria fé.

(2) É o mesmo que dizer: Eles não podem ser enganados quando não são enganados, e eles perseverarão em fé, esperança e amor quando perseveram. Da mesma forma, um homem não morre quando não morre. Isso não faz sentido.

C. “Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguição ou fome ou nudez, perigo ou espada? Pois estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem poderes, nem coisas presentes, nem coisas por vir, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura serão capazes de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”, Rm 8: 35,38-39. Este texto fala dos eleitos, afirmando que nem uma criatura, nem qualquer evento precipitado por elas, poderão remover o amor que têm por Cristo e Deus, e que Deus e Cristo têm para com eles.

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Argumento evasivo 7: Paulo fala de tribulações e não de pecado. Ele não diz que pecados não são capazes de separar crentes do amor que Deus tem por eles e os sujeitem ao ódio de Deus. Pelo contrário, afirma que tribulações não são capazes de fazer isso.

Resposta: (1) Paulo afirma que todas as tribulações não são capazes de tirar o amor que têm por Deus; isto é, elas não podem levá-los à apostasia. Que o apóstolo está falando do amor dos crentes por Deus é evidente pelo fato de que essas tribulações são contra os piedosos, que poderiam levá-los a sucumbir na fé, esperança e amor, e assim separá-los de Deus. Essas tribulações não pertencem ao próprio Deus e, portanto, o pensamento não pode ser entretido aqui que Deus mudaria assim Seu amor por eles. O apóstolo diz no versículo 37 que os crentes em todas as suas tribulações serão mais que vencedores; portanto, não há sequer uma possibilidade remota de que tribulações os separariam do amor a Cristo. O apóstolo, portanto, refere-se aqui aos pecados, declara que todas as tribulações não podem levar os crentes a pecar até a morte - ou que abandonariam o amor de Deus.

(2) Se alguém entende o amor de Deus aqui como se referindo ao amor que Ele tem pelos

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Seus eleitos, e se é aqui afirmado que não há tribulações que possam remover o amor de Deus pelos Seus eleitos e transformá-lo em ódio, então isso só poderia ocorrer se, por causa dessas tribulações, eles caíssem no pecado, pois não há nada que remova o amor de Deus, exceto o pecado. Desde que o amor de Deus pelos Seus eleitos não pode ser removido, as tribulações não podem levar os crentes a essa condição e a tal pecado.

(3) Não importa como alguém possa ver o amor de Deus, o texto diz que esse amor permanece imutável e que tudo o que está no céu e a terra não pode mudar esse amor.

D. “Todo aquele que é nascido de Deus não comete pecado; porque nele permanece a sua semente; e ele não pode pecar, porque ele nasceu de Deus” (1 João 3: 9). O apóstolo escreveu à congregação (onde os iníquos estão sempre misturados com os retos) para alertar os membros de que eles não devem se enganar imaginando que serão salvos de qualquer maneira, mesmo se eles se renderem ao pecado. Em vez disso, os verdadeiramente regenerados não podem viver no pecado, pois a semente de Deus está neles e permanecerá neles, e eles nasceram de Deus. Assim, aqueles que são nascidos de Deus estão em um estado

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que é certo e imutável em relação à vida espiritual que está neles e permanece neles. Isso não significa que eles não ofendam nem sejam capazes de ofender, pois os apóstolos confirmam que é assim (1 João 1: 8; Tiago 3:

2). Antes, "pecar" aqui se refere a "viver em pecado", ou seja, encontrar deleite e saborear o pecado. Isso é verdade para os ímpios, a respeito de quem ele diz no versículo 8: “Aquele que comete pecado é do diabo.” Isto se refere a estar sob o domínio do pecado, e tal não pode ser verdade para uma pessoa regenerada. “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; porque não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça

”(Romanos 6:14). Assim, o apóstolo argumenta fortemente aqui pela perseverança dos crentes quando ele diz que:

1) o crente “não comete pecado”, 2) “sua semente permanece nele”, 3) “ele não pode pecar”

e 4) ele não pode pecar “porque ele nasceu de Deus.” Os papistas, arminianos e luteranos têm uma resposta diferente.

Argumento Evasivo 1: Os papistas respondem a isso, dizendo que aqueles que nasceram de Deus

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não podem pecar na medida em que eles nascem de Deus, mas que ainda podem cair completamente no pecado quando negligenciam e não preservam a semente de Deus que está neles.

Resposta: Se alguém entender as palavras "na medida em que nascem de Deus" para se referir à parte regenerada do crente, esse argumento evasivo não é contra nós, mas a nosso favor, pois nenhum pecado pode proceder do homem regenerado. Se alguém entender “na medida em que” se referir a uma condição - a saber, se perseverar - então isso é contrário ao texto e contradiz o próprio assunto. É contrário ao texto, pois não há a menor indicação de uma condição. Não está declarado aqui: “Eles não podem pecar se conservarem a semente de Deus e se continuarem a nascer de Deus.” Em vez disso, está escrito: “ ... porque a semente de Deus permanece neles e porque eles são nascidos de Deus.” Aqui temos uma proposição absoluta: eles não pecam e não podem pecar. Esta proposição é confirmada por argumentos que são absolutos e estabelecidos: pois a semente de Deus permanece nele, pois ele nasceu de Deus. Também é autocontraditório, pois não faz sentido dizer que ele não pode pecar se não pecar.

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Argumento Evasivo 2: Os arminianos afirmam que este texto pretende apenas dizer que pecar é contrário à inclinação e hábito dos verdadeiramente regenerados; eles têm aversão ao pecado. A frase “nascer de Deus” não se refere a uma característica dos crentes verdadeiros que os impediria de pecar, mas é idêntico ao que é expresso nas palavras “não cometer pecado”, isto é, estar em conformidade com Deus em sua vida. Além disso, o restante da obra de Deus e sua semente neles é o mesmo que dizer que a semente de Deus está neles. Assim, o significado do texto se resume a isso:

A propensão da graça não pode coexistir com a propensão do pecado, e quando a propensão do pecado prevalece, a propensão da graça será perdida. Portanto, não é intenção do apóstolo dizer que os crentes não podem apostatar, pois ele diz em Romanos 6:14 que os crentes também podem ficar sob o domínio do pecado e apostatar.

Resposta: (1) Todas essas interpretações erradas são obviamente contrárias ao texto e, portanto, as rejeitamos o mais rapidamente como elas são proferidas. O apóstolo não fala de uma inclinação, mas de ações - de pecado. Ele não diz que pecado é contrário à inclinação

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deles e que eles têm aversão por isso, mas que eles não pecam nem são capazes de pecar. Isto é não devido à aversão a isso (o que é um fato), mas porque a semente de Deus permanece neles, eles nasceram de Deus. (Nota do tradutor:

A isto acrescentamos que além de ações, deve ser considerado como a condição que foi alcançada pelo crente em Cristo, pois foi salvo exclusivamente pela graça, mediante a fé, mas para o propósito de ser santificado pelo Espírito, e isto é a semente de vida que nele permanece, pois Deus certamente haverá de concluir a obra que iniciou na conversão, e o crente jamais perderá a condição alcançada de filho de Deus.) (2) Nascer de Deus refere-se expressamente a uma característica que foi trazida ao homem por meio de regeneração, pois assim ele se torna uma nova criatura 2 Cor 5:17, e assim ele se torna um participante da natureza divina (2 Pedro 1: 4).

(3) O verbo “permanecer” expressa mais do que simplesmente “ser”. Ele expressa um ser firme e durável - algo que não parte nem é removido, e algo que perdura até o fim. Uma criança pequena sabe que isso é assim. Deve ser observado nas seguintes passagens: “Vi o Espírito descer do céu como uma pomba, e permaneceu sobre ele” (João 1,32);

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"Permaneçam em mim e eu em vós ... continuais no meu amor" João 15: 4,9.

(4) O apóstolo não diz apenas que a propensão ao pecado reinante não pode coexistir com a propensão da graça, mas diz que onde quer que haja a semente de Deus (a propensão da graça) - a nova criatura participa do divina natureza - está presente, a propensão do pecado não pode existir lá e, portanto, ele não pode pecar.

(5) Negamos veementemente que os verdadeiros crentes possam ficar sujeitos a pecados reinantes. A passagem: “Aquele que não ama a seu irmão permanece na morte”, 1 João 3:14, não é prova disso. A referência aqui é ao não convertido, e eles são assim distinguidos dos verdadeiramente convertidos que amam os irmãos. É dito que os que não amam os irmãos permanecem na morte e, assim, nunca foram trazidos à vida. De fato, admitimos que os verdadeiros crentes podem cair em grandes pecados; no entanto, o pecado não tem domínio sobre eles. Existe e permanece uma guerra, e mesmo que o homem regenerado fosse subjugado por uma temporada, ele, no entanto, não lhe obedece como seu senhor. Ele sempre se levantará e a semente de Deus permanecerá.

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Argumento Evasivo 3: Os luteranos se apegam à apostasia total , mas não à apostasia final . Eles dizem sobre esse texto que a incapacidade do crente para pecar significa que ele não pode ceder à impiedade nem encontrar prazer em viver em pecado até o ponto em que a semente de Deus está nele. Dizem que a palavra "porque"

não sugere o motivo por que ele não pode pecar, mas é meramente indicativo de uma reafirmação; significa "tanto quanto e enquanto a semente de Deus permanece nele e ele nasceu de Deus.”

Resposta: (1) Admitimos que uma pessoa regenerada não peca da maneira mencionada; isto é, na medida em que a semente de Deus está nele e ele nasceu de Deus. Pois o pecado não procede do espírito, mas da carne (Rm 7). Isso é também verdade que ele não peca enquanto a semente de Deus permanecer nele e ele nascer de Deus. O apóstolo diz, no entanto, que a semente de Deus permanece nele, não irá expirar espontaneamente e nunca será removida dele. Assim, uma a pessoa regenerada nunca viverá sob o domínio do pecado.

(2) Não faz sentido sustentar que ele não pecará na medida em que a semente de Deus permaneça nele, e então discretamente conclua

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disso que quando se dissipa, ele pecará. Isso seria o mesmo que dizer: “O fogo esquenta na medida em que não esfria.”

(3) A palavra "porque" não significa "e", mas aponta para a causa pela qual uma pessoa regenerada não peca nem pode pecar.

Assim, permanece uma verdade imutável que o regenerado não pode apostatar.

Prova 2: Os santos perseveram em virtude da imutabilidade da eleição eterna

Essa prova é derivada da imutabilidade da eleição eterna. Este decreto do único Deus sábio e onipotente é imutável: "... para que o propósito de Deus, segundo a eleição, permaneça" (Rm 9:11); "Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento,”(Hb 6:17); "Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.” (2 Tim 2:19). Portanto, o apóstolo conecta a glorificação à eleição eterna com um laço inquebrável:

“Além disso, a quem Ele predestinou ...Ele também glorificou”, (Rm 8:30). Deus não quer

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nem pode mudar este decreto devido à Sua imutabilidade. "Eu sou o Senhor, eu não mudo”

(Mal 3: 6); “... o Pai das luzes, com quem não há variabilidade, nem sombra de variação” (Tiago 1:17). O homem não será capaz de anular o conselho de Deus. Ele não foi escolhido com base em nenhuma condição, mas incondicionalmente - no sentido absoluto da palavra. O Senhor o salvará de uma maneira em que Ele próprio o liderará. Nenhuma criatura será capaz de aniquilar esse decreto. “Porque o Senhor dos exércitos o fez, e quem o desfará?”

(Is 14:27). Visto que Deus deseja e dará salvação a Seus eleitos por um decreto imutável e eterno, e os fará participantes da salvação no caminho da fé e do arrependimento, então aqueles que foram chamados de acordo com o Seu propósito não podem se tornar apóstatas no que diz respeito à vida e fé espirituais, nem perecer.

(Nota do Tradutor: Qual foi o motivo de os ímpios de Israel terem sido conduzidos por Deus ao cativeiro nos dias dos profetas no Velho Testamento, e depois terem sido espalhados pelas nações nos dias apostólicos, senão que eles haviam sido rebeldes à antiga aliança e recusaram a nova aliança que estava sendo oferecida a eles em Jesus Cristo, respectivamente? Estes que se recusam a entrar em aliança com Deus, para temê-lo, amá-lo e

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servi-lo, são por Ele rejeitados, pois não podem atender ao requisito básico da comunhão em santidade com o Altíssimo, o qual só pode ser cumprido por aqueles que são nascidos de novo do Espírito, e nos quais permanece a divina semente que lhes impede de se afastarem de Deus. E estes, quando pecam são corrigidos e disciplinados por Ele, mas não deixa de ser misericordioso para com eles, porque o laço de amor entre Pai e filhos é indissolúvel e eterno.) Prova 3: Os santos perseveram em virtude da satisfação, intercessão e preservação de Cristo Essa prova é derivada da eficácia da satisfação, intercessão e preservação de Cristo.

(1) A satisfação da justiça divina por Cristo é perfeita tanto em relação aos pecados originais quanto aos reais - todos os pecados cometidos até o dia da morte de alguém. Isso é verdade para todos os Seus eleitos e somente para eles; não é para os outros. Não há absolutamente nenhuma condição pela qual seria contingente ao homem. "O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1 João 1: 7). Por Sua satisfação, Deus é reconciliado com Seus eleitos. “Quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu filho”

(Romanos 5:10). Eles são perfeitos em Cristo Col

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2:10, e a “justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). Esta é de duração eterna: “Porque por uma oferta Ele aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb 10:14).

(2) A intercessão de Cristo é eficaz e não pode ser resistida, pois ocorre pela eficácia de Sua satisfação. "Temos um Advogado com o Pai, Jesus Cristo, o justo; e Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1 João 2: 1). Portanto Ele disse:

"Eu sabia que sempre me ouves" (João 11:42). O Pai promete dar o que Ele exige: “Pede a mim, e eu dar-te-ei as nações por tua herança” (Sl 2:

8). No entanto, Cristo exige preservação e salvação para os eleitos: “,,,Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós ... Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (João 17: 11,24); “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hb 7:25). Visto que Cristo ora por sua preservação e salvação, e Ele sempre é ouvido, eles não podem apostatar.

(3) A preservação de Cristo é uma certeza. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; e eu lhes dou

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a vida eterna; e eles nunca perecerão, nem alguém as arrancará da minha mão. Meu pai, que Me deu, é maior que tudo; e ninguém é capaz de arrancá-las da mão de meu pai”, (João 10: 27-29).

Aqueles que ouvem a voz de Cristo e O seguem são Suas ovelhas. Ouvir e seguir se aplica naturalmente às ovelhas. A essas ovelhas que o Senhor Jesus conhece, Ele lhes concede a vida eterna, e elas não perecerão. Ninguém é capaz de arrancá-las das mãos de Cristo e do Pai. Seu estado espiritual é, portanto, certo e bem preservado, e eles não podem cair. Não pode ser afirmado com mais clareza que isso.

Argumento Evasivo: Eles serão preservados enquanto permanecerem ovelhas.

Resposta: (1) Cristo diz que eles permanecerão ovelhas. Aqueles que já foram ovelhas; isto é, aqueles a quem Ele concede a vida eterna e que não perecem, e permanecerão ovelhas.

(2) Cristo diz que ninguém - quem quer que seja - e, portanto, também eles mesmos não serão capazes de sair da sua mão. Não há condição aqui: se alguém se tornou uma ovelha, sua preservação é certa.

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(3) Cristo é o bom pastor. Ele não é um bom pastor que apenas protege suas ovelhas contra o lobo e o ladrão, mas não protege suas ovelhas quando elas, por vontade própria, se afastam do rebanho e se perdem.

Portanto, o fiel Pastor Jesus guardará Suas ovelhas de todo mal, para esse fim - para que Ele as guarde e lhes dê a vida eterna - eles foram dados a Ele pelo Pai: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.”, (João 6:39).

Considere tudo isso junto. Aqueles por quem Cristo fez plena satisfação, por quem ora para que sejam mantidos e possam ter vida eterna, e a quem Ele mesmo preserva poderosamente - eles não podem se perder espiritual e eternamente, apostatar ou perecer.

Prova 4: Os santos perseveram em virtude da operação permanente do Espírito Santo

Essa prova é derivada da operação do Espírito Santo nos crentes.

(1) O Espírito Santo habita com eles eternamente. “E orarei ao Pai, e Ele vos dará

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outro Consolador, para que Ele fique convosco para sempre” (João 14:16).

(2) O Espírito Santo é o penhor de sua salvação. “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” (Ef 1: 13,14); "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, pelo qual sois selados para o dia da redenção" (Ef 4:30).

(3) Todas as operações do Espírito Santo neles são de natureza permanente. “Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.” (Romanos 11:29).

Argumento Evasivo: Este texto se refere à conversão dos judeus.

Resposta : Este texto se refere à felicidade eterna em virtude da eleição da graça (Rm 11: 5), mediante a manifestação de misericórdia (v.

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Do que foi dito, concluímos o seguinte: Aquele em quem o Espírito Santo reside eternamente, a quem no Espírito Santo é fervoroso da felicidade

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eterna, que foi selado pelo Espírito Santo para o dia da redenção, e em quem as operações do Espírito Santo são de natureza irrevogável e permanente, não podem apostatar, mas certamente será salvo. Tudo isso certamente é verdade para os crentes, e assim eles serão certamente salvos.

Prova 5: Os santos perseveram em virtude da imutabilidade do pacto da graça

Essa prova é derivada da imutabilidade da aliança.

Primeiro, isso é evidente na seguinte passagem:

“Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o SENHOR, que se compadece de ti.” (Is 54:10).

Argumento Evasivo: Este texto refere-se à imutabilidade da aliança do lado de Deus; Deus do seu lado não a quebra. Não se segue disso, no entanto, que os crentes não a quebrem do seu lado.

Resposta: (1) É um pacto de graça em que Deus prometeu dar e fazer tudo o que deveria ser realizado para os Seus filhos. Assim, em relação

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ao homem, essa promessa não é condicional:

“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ezequiel 36: 26,27). Portanto, é suficiente que a aliança seja imutável do lado de Deus. É, portanto totalmente imutável, pois o próprio Senhor fará com que eles sigam o caminho em que Ele conduz os seus à salvação.

(2) A aliança da graça é tão firme quanto a aliança com Noé (Is 54: 9). Este último pacto não pode ser alterado por qualquer homem, pecado, vontade humana ou poder humano. Da mesma forma, a aliança da graça não pode ser mudada, pois é dito ser tão firme quanto a aliança de Noé.

Em segundo lugar, a imutabilidade dessa aliança também é evidente nos seguintes textos:

“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR:

Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (Jr 31:33); "Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.” (Jr 32:40). Essa aliança não

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pode nem será quebrada. Isto é verdade do lado de Deus, pois Ele, que é o fiel, promete isso, e é uma aliança puramente graciosa que não foi estabelecida sob quaisquer condições. O homem também não a quebrará, pois o Senhor prometeu que os impedirá de fazê-lo, pois usará de misericórdia com as suas transgressões e esquecerá os seus pecados, por terem sido cancelados em Jesus. (Nota do tradutor: É aqui que devemos entender melhor a seguinte palavra do apóstolo: “se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (2 Timóteo 2.13).

Essa aliança não está em vigor por alguns dias ou anos; é uma aliança eterna e, portanto, permanecerá firme.

Argumento Evasivo 1: Esses textos se referem à restauração dos judeus em Canaã, mas não à felicidade eterna.

Resposta: (1) Jeremias 31:33 refere-se muito claramente aos dias do Novo Testamento, como é evidente (Heb 8: 8).

(2) Embora Jeremias 32:40 também se refira à restauração da igreja em Canaã, ele ainda se relaciona principalmente aos benefícios espirituais e eternos da aliança da graça. Desta,

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procedeu a restauração de Canaã, já que a fiança da aliança teve que nascer em Canaã. Há apenas um pacto: a aliança da graça. Para isso, as bênçãos temporais são acrescentadas como meio e maneira de levar os eleitos às promessas da salvação.

Argumento Evasivo 2: Essa promessa foi dada a toda a nação judaica. Como é sabido que eles não são todos salvos, não pode ser uma promessa relativa à perseverança.

Resposta: (1) Todos os judeus nunca foram restaurados em Canaã. Em razão da mesma argumentação, ser-nos-ia também permitido dizer que esta promessa não pertence à nação judaica. Isso é absurdo, no entanto, como é o próprio argumento evasivo.

(2) Há aqui uma referência expressa aos benefícios espirituais da aliança da graça: ter Deus como Deus, ter o temor de Deus, para não se afastar do Senhor e ter a lei do Senhor escrita no coração. Repetidamente é feito menção aos benefícios da aliança e à perseverança nela.

(3) Quando Deus faz promessas à Sua igreja, essas promessas não pertencem a pessoas que meramente “correm” mas somente aos verdadeiros crentes, que constituem a igreja. “E

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não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa.” (Rom 9: 6- 8). Mesmo que seja verdade que todos os judeus não serão salvos, a aliança de Deus com Sua igreja, no entanto, permanecerá, se consiste em judeus ou gentios. É uma igreja que é firme e indestrutível.

Argumento Evasivo 3: Aqui é prometido algo que não tinha existência anterior. Por conseguinte, não pode fazer referência a nenhum caminho para a perseverança dos santos.

Resposta: (1) Esse pacto imutável é essencialmente o mesmo desde o princípio até o fim do mundo. Há, no entanto, uma diferença na administração e, a esse respeito, é chamado de novo.

(2) Deus frequentemente promete o cumprimento de promessas em uma data futura que ele já havia cumprido nos crentes em uma data anterior, a fim de garantir ainda mais

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aos crentes de uma data posterior que Ele também cumpriria essas promessas para eles.

A repetição de promessas não é uma negação de promessas feitas anteriormente. Portanto, é e continua sendo uma verdade imutável que os crentes não podem apostatar.

Objeção nº 1: “... mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mt 13:21). É assim evidente que os crentes podem apostatar.

Resposta: (1) Nem tudo o que é denominado fé não é fé salvadora. Caso contrário, Agripa também teria sido um crente, pois ele creu nas Escrituras Sagradas (Atos 26:27). Da mesma forma, esses crentes temporais também tinham fé histórica acompanhada por uma confissão, mas eles não tinham verdadeira salvadora. Isso deve ser claramente observado nos contrastes feitos entre os verdadeiros crentes (a boa terra) e o caminho batido, bem como entre a terra sob os espinhos e a boa terra.

(2) Seu coração não estava certo, sendo representados pelo terreno pedregoso. Este coração de pedra é removido dos crentes (Ezequiel 36:26).

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(3) Eles estavam sem raiz, enquanto os verdadeiros crentes estão enraizados em Cristo (Col 2: 7).

(4) Eles não deram frutos e, portanto, sua fé era uma fé morta - Tiago 2:17, pois os crentes dão muitos frutos – Mat 13:23, e sua fé opera por amor (Gl 5: 6).

Objeção nº 2: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.... Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.” (João 15: 2,6). Aqui é feita menção a ramos que estão em Cristo, ramos que devido à sua inutilidade e não permanecendo em Cristo, são expulsos. Os verdadeiros crentes podem, portanto, apostatar.

Resposta: (1) A congregação é a vinha do Senhor Isa 5. Muitos não convertidos ingressam na igreja e, portanto, parecem ser incorporados em Cristo. Nós admitimos prontamente que os tais podem cair desse estado e que serão expulsoas.

No entanto, isso não está relacionado ao nosso ponto de discórdia.

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(2) Os que aqui se dizem expulsos nunca foram crentes verdadeiros, pois não deram fruto e, portanto, sua fé era morta.

(3) Esta é uma parábola e não devemos tornar todos os detalhes aplicáveis à vontade. Em vez disso, nosso foco deve estar apenas no objetivo, e o objetivo é muito claro. É uma exortação para os crentes serem frutíferos e um aviso para todos que não fiquem satisfeitos apenas com o relacionamento externo com a igreja e uma mera confissão de Cristo. Porque todos que não dão frutos serão eliminados - aqui da igreja e depois do céu.

(4) Não diz que tais pessoas estavam realmente em Cristo; ao contrário, fala daqueles que estão nele, mas não dão nenhum fruto, como é verdade para todos os não convertidos que nunca dão frutos em Cristo e que nunca estiveram em Cristo. O fato que eles não habitam nele é prova de que nunca estiveram nele e nunca foram verdadeiros crentes. "Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.” (1 João 2:19).

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Objeção 3: “Mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé.” (1 Tim 1:19). Portanto, é evidente que aqueles que têm fé e boa consciência podem perdê-las e, nesse respeito podem se tornar apóstatas.

Resposta: O apóstolo exorta Timóteo a permanecer firme e aderir à verdadeira doutrina da fé e a uma boa consciência. A verdadeira doutrina é aqui chamada de fé, que é frequentemente o caso. Isso deve ser observado nas seguintes passagens: “Alguns se afastarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas de demônios” (1 Tim 4: 1); “Batalhai sinceramente pela fé que outrora foi entregue aos santos”, Judas 3. Muitos outros - também Himeneu e Alexandre- tinham essa fé, essa verdadeira doutrina da fé, em comum com Timóteo. No entanto, eles não tinham essa verdadeira fé salvadora em Cristo para justificação e santificação que Timóteo possuía. Caso contrário, eles teriam perseverado nela (1 João 2:19). Timóteo tinha uma boa consciência que havia sido purificada no sangue de Cristo (Hb 9:14). Uma consciência tão boa que eles não pudessem ter uma sinceridade natural, se comportando de acordo com sua consciência sem hipocrisia - como aconteceu com Paulo antes de sua conversão

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(Atos 23: 1). Essa fé e uma consciência tão boa que os não convertidos podem facilmente rejeitar, rejeitar e deixar ir, se for do seu interesse. Além disso, em relação a eles mesmos são capazes de rejeitar a verdadeira fé salvadora e uma boa consciência pelo sangue e pelo Espírito de Cristo; que eles não se tornam participantes deles - assim como os judeus rejeitaram o evangelho (Atos 13:46). Paulo entregou aqueles que se afastaram da doutrina da fé a Satanás como um meio para conversão - como ele fez com a pessoa incestuosa (1 Cor 5:

5). Portanto, é evidente que não temos um pingo de evidência aqui para a apostasia dos santos.

Objeção 4: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.” (Hb 6: 4-6). Todas essas coisas são aplicáveis a nenhuma outra pessoa, exceto às pessoas verdadeiramente convertidas e verdadeiros crentes. Eles são capazes de apostatar e crucificar o Filho de Deus novamente. Será impossível para eles voltarem ao arrependimento.

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Resposta: (1) Paulo usa linguagem condicional aqui: "... se ..." Uma condição não estabelece nada como fato, no entanto, nem sugere que será assim e poderá acontecer como tal. Paulo fala assim: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gal 1:

8). Tais proposições condicionais são apenas avisos e exortações urgentes para evitar o pecado.

(2) É muito evidente que Paulo está falando daqueles que nunca foram convertidos e que em seus corações estavam sem virtude. Pois, enquanto continua a falar disso, ele diz: “ Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.” Os apóstatas são como solo que não é bom e produz espinhos e cardos. Nosso ponto de discórdia não se relaciona com eles e, portanto, este texto não é contrário a nossa opinião.

(3) Todas essas coisas mencionadas não são marcas da verdadeira regeneração e fé. Elas podem muito bem ser, e frequentemente estão presentes no não convertido. Uma pessoa não

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convertida pode ser iluminada na medida em que entende as verdades do evangelho. Balaão disse: “Ele disse, que ouviu as palavras de Deus, que teve a visão do Todo-Poderoso ... tendo os olhos abertos” (Nm 24: 4). Aquele cujos olhos foram iluminados pode provar o dom celestial (Hb 6: 4).

Paulo relata tais dons em 1 Cor 12. Os não convertidos também podem se deliciar em provar esses dons. Receber revelações sobre coisas futuras, sabedoria, dons para curar os doentes e a capacidade de falar, entender e interpretar várias línguas são coisas deliciosas, mesmo para a carne. Esses dons são celestiais e são enviados do céu pelo Espírito Santo, pois

"tudo isso opera o mesmo Espírito Santo" (1 Cor 12:11). A este respeito, também os não convertidos tornam-se participantes do Espírito Santo. Os não convertidos também provam às vezes “a boa Palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro. ”Todo conhecimento de assuntos dos quais ninguém tinha conhecimento prévio é agradável. Isto é particularmente verdadeiro se alguém estiver familiarizado com o estado glorioso dos filhos de Deus, dos benefícios do pacto da graça, redenção em Cristo, a posição à direita de Cristo no juízo final e ser levado para a glória eterna.

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