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PARECER SOBRE A CONTA GERAL DO ESTADO DE 2012

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TRIBUNAL ADMINISTRATIVO

PARECER SOBRE A CONTA GERAL DO ESTADO DE 2012 1

PARECER SOBRE A CONTA GERAL DO ESTADO DE 2012

I. ENQUADRAMENTO LEGAL 1.1 – Competência, Objecto e Prazos

Nos termos do plasmado na alínea a) do n.º 2 do artigo 230 da Constituição da República, compete ao Tribunal Administrativo emitir o Relatório e o Parecer sobre a Conta Geral do Estado.

O presente Parecer tem por objecto a Conta Geral do Estado relativa ao exercício económico de 2012.

Em conformidade com o preceituado no n.º 1 do artigo 50 da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, que cria o Sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE), a Conta deve ser apresentada pelo Governo à Assembleia da República e ao Tribunal Administrativo, até 31 de Maio do ano seguinte àquele a que a mesma respeite. O Relatório e o Parecer do Tribunal Administrativo sobre a Conta Geral do Estado devem ser enviados à Assembleia da República até ao dia 30 de Novembro do ano seguinte àquele a que a Conta Geral do Estado seja concernente, de acordo com o n.º 2 do mesmo artigo.

É na observância dos comandos normativos acima citados que o Tribunal Administrativo, reunido em Plenário, emite o presente Parecer sobre a Conta Geral do Estado do exercício económico de 2012.

1.2 - Âmbito do Parecer

De acordo com o estabelecido no n.º 2 do artigo 14 da Lei n.º 26/2009, de 29 de Setembro, atinente à organização, funcionamento e processo da Secção de Fiscalização das Receitas e Despesas Públicas e do Visto do Tribunal Administrativo, este órgão, em sede do Parecer, aprecia, designadamente:

a) A actividade financeira do Estado, no ano a que a Conta se reporta, nos domínios patrimonial e das receitas e despesas;

b) O cumprimento da Lei do Orçamento e legislação complementar;

c) O inventário do património do Estado;

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d) As subvenções, subsídios, benefícios fiscais, créditos e outras formas de apoio concedidos, directa ou indirectamente.

No Parecer, o Tribunal pronuncia-se relativamente ao cumprimento dos princípios e regras específicas da elaboração da Conta Geral do Estado, estatuídos no artigo 46 da Lei do SISTAFE, à conformação do seu conteúdo e estrutura ao prescrito nos artigos 47 e 48 da mesma lei, à observância das normas e procedimentos concernentes à execução do Orçamento, entre as quais, as relativas à obrigatoriedade de submissão à fiscalização prévia dos actos, contratos e de mais instrumentos emanados pelo Estado e outras entidades públicas, nos termos da Lei n.º 26/2009, de 29 de Setembro e outra legislação atinente, e ao registo da realização das despesas.

As regras relativas à execução do Orçamento do Estado de 2012 estão fixadas na Lei n.º 1/2012, de 13 de Janeiro, que aprova o Orçamento do Estado daquele ano, bem como nos diplomas que se indicam mais adiante.

Os procedimentos a serem observados na administração e execução do Orçamento do Estado, para o exercício de 2012, são objecto da Circular n.º 04/GAB-MF/2011, de 30 de Dezembro, do Ministro das Finanças. A Circular n.º 02/GAB-MF/2012, de 18 de Outubro, emitida pelo Ministro das Finanças, ao abrigo do disposto no artigo 28 da Lei que cria o SISTAFE e a n.º 01/GAB-VMF/2011, de 28 de Outubro, do Vice-Ministro das Finanças, contêm os procedimentos atinentes ao encerramento dos exercícios de 2011 e 2012.

Encontram-se plasmados na Circular n.º 01/GAB-MF/2010, de 06 de Maio, os procedimentos de cobrança e registo de receitas próprias e consignadas.

Por outro lado, o Decreto n.º 1/2012, de 24 de Fevereiro, atribui aos órgãos e instituições do Estado competências para procederem a alterações (transferências e redistribuições) de dotações orçamentais em cada nível, nos termos dos artigos 6 e 7, ambos da Lei n.º 1/2012, de 13 de Janeiro, que aprova o Orçamento do Estado para o ano de 2012, e pelo artigo 28 e n.ºs 2 e 3 do artigo 34, ambos da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro.

São tidos em conta, ainda, na execução do Orçamento do Estado, de entre outros, os

seguintes diplomas: o Regulamento do SISTAFE, aprovado pelo Decreto n.º 23/2004, de

20 de Agosto, o Regulamento de Contratação de Empreitada de Obras Públicas,

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Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado, aprovado pelo Decreto n.º 15/2010, de 24 de Maio, o Manual de Administração Financeira e Procedimentos Contabilísticos (MAF), aprovado pelo Diploma Ministerial n.º 169/2007, de 31 de Dezembro, do Ministro das Finanças, as Instruções sobre a Execução do Orçamento do Estado, emanadas da Direcção Nacional de Contabilidade Pública (DNCP), em 31 de Outubro de 2000 (BR n.º 17, II Série, de 25 de Abril de 2001), e as Instruções de Execução Obrigatória do Tribunal Administrativo, publicadas nos BR´s n.º 52, I Série, de 30 de Dezembro de 1999 e n.º 39, I Série, de 29 de Setembro de 2008.

II. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Tendo em vista a emissão do Relatório e do Parecer a que se refere a alínea a) do n.º 2 do artigo 230 da Constituição da República, o Tribunal Administrativo analisou a Conta Geral do Estado relativa ao exercício económico de 2012 e realizou auditorias a diversos órgãos e instituições, a níveis central, provincial, distrital e autárquico, para certificar os dados nela contidos, tendo apurado, entre outras constatações, que, não obstante os progressos registados, persiste a não canalização, às Direcções de Áreas Fiscais (DAF´s), das Receitas Próprias e Consignadas, por algumas instituições e organismos do Estado que as arrecadam. Por esta razão, nem todas as receitas destas duas rubricas ingressaram na Conta Única do Tesouro (CUT) e algumas delas nem sequer constam da CGE. É que, de acordo com o princípio de Universalidade, consagrado na alínea c) do n.º 1 do artigo 13 da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, que cria o Sistema de Administração Financeira do Estado, todas as receitas e despesas que determinem alterações ao património do Estado devem nele ser, obrigatoriamente, inscritas.

O sistema de arquivo, nas entidades, ainda é deficiente, situação que dificulta a

localização, com eficiência, simplicidade e rapidez, dos documentos atinentes aos seus

orçamentos e à execução das suas actividades e constitui uma violação do disposto no n.º 1

do artigo 90 das Normas de Funcionamento dos Serviços da Administração Pública,

aprovadas pelo Decreto n.º 30/2001, de 15 de Outubro, e do preceituado na alínea d) do n.º

7.1 das Instruções Sobre a Execução do Orçamento do Estado, da Direcção Nacional de

Contabilidade Pública, de 31 de Outubro de 2000, supracitadas.

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Foram executadas despesas em verbas inapropriadas, nuns casos, e não elegíveis nos projectos em que foram contabilizadas, noutros, o que constitui desvio de aplicação, nos termos do estipulado no n.º 1 do artigo 78 do Capítulo VIII, Título I, do Manual de Administração Financeira e Procedimentos Contabilísticos, aprovado pelo Diploma Ministerial n.º 169/2007, de 31 de Dezembro, do Ministro das Finanças.

Na CGE em apreço, não constam as informações de alguns projectos de investimento executados com fundos externos que não transitaram pela Conta Única do Tesouro, o que contraria o princípio de Universalidade preconizado na alínea c) do n.º 1 do artigo 13 da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, segundo a qual todas as receitas e despesas que determinem alterações ao património do Estado devem nele ser obrigatoriamente inscritas, e o estatuído no n.º 2 do artigo 15 da mesma lei, que preceitua que a despesa, para ser assumida, ordenada ou realizada, deverá estar devidamente inscrita no Orçamento do Estado.

Em algumas instituições auditadas, foram executadas despesas acima dos montantes dos respectivos contratos, sem que se tivesse elaborado qualquer adenda, contrariando-se o disposto na alínea b) do n.º 1 do artigo 54 do Regulamento de Contratação já citado, segundo a qual a alteração do valor contratual deve ser fundamentada e celebrada a correspondente apostila.

III. CONSTATAÇÕES E RECOMENDAÇÕES 3.1 – Execução do Orçamento da Receita

3.1.1 – Constatações

Da análise feita à informação sobre a arrecadação da receita apresentada na Conta Geral do Estado de 2012 e dos dados recolhidos nas auditorias efectuadas, verificou-se que:

a) À semelhança dos anos anteriores, em algumas entidades auditadas, prevalece a

previsão de receitas próprias e consignadas em valores inconsistentes com os níveis

históricos de cobrança efectiva e, noutros casos, a arrecadação sem previsão

orçamental;

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b) O tempo de tratamento dos processos de pedidos de reembolso e restituições do IVA ultrapassa, largamente, o período legalmente estabelecido;

c) Continua a falta de previsão orçamental dos montantes arrecadados na rubrica Alienação de Bens; Mapas II-1 e II-2 da CGE de 2012;

d) Não foram objecto de contabilização, na CGE de 2012, na rubrica Alienação de Bens, as receitas de Alienação das Participações do Estado arrecadadas pelo IGEPE;

e) Na tramitação das certidões de dívida, nem sempre houve intervenção do Recebedor, o que tem implicações na quantificação da dívida fiscal, sua contabilização e, principalmente, na responsabilização das partes, violando-se o disposto na Circular n.º 12/GAB-DGI/2010, de 28 de Dezembro, que visa harmonizar os procedimentos de tramitação das dívidas fiscais;

f) O nível de arrecadação de receitas, através de procedimentos coercivos, continua baixo, tendo sido, neste ano, de 2,6%, o que corresponde a um decréscimo de 3,3 pontos percentuais, relativamente à cobrança de 2011;

g) Continua a registar-se demora, por parte das DAF´s, na autuação e notificação dos devedores, violando-se o preconizado no artigo 8.º do Diploma Legislativo n.º 783, de 18 de Abril de 1942, o qual estabelece que quando não tiver sido feita a liquidação das contribuições dentro dos prazos legais e sempre que ao contribuinte deva ser imposta qualquer pena pela transgressão das leis e regulamentos tributários, será levantado o competente auto de transgressão;

h) Figuram, nos Termos de Balanço das Direcções de Áreas Fiscais, a título de Passagens de Fundos Aguardando Crédito, saldos que transitam, sucessivamente, de um mês para o outro, que não se encontram reflectidos no Mapa I-5 da CGE de 2012;

i) Em algumas entidades auditadas, persiste a falta de canalização de Receitas

Próprias e/ou Consignadas às Direcções de Áreas Fiscais, ou às Unidades dos

Grandes Contribuintes.

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3.1.2 – Recomendações

Na sequência das constatações acima referidas, recomenda-se que:

a) Sejam tomadas medidas com vista à melhoria e fortalecimento da articulação entre o Ministério das Finanças e as instituições do Estado, no processo de previsão das receitas próprias e consignadas a arrecadar, de forma a aperfeiçoar a metodologia usada;

b) Sejam potenciados os serviços de fiscalização prévia dos reembolsos, de modo a permitir que as necessidades de aferição da legitimidade das solicitações não impliquem a dilatação do período regulamentar de 30 dias, para os pagamentos de reembolsos do IVA, nos termos do n.º 8 do artigo 21 do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (CIVA), aprovado pela Lei n.º 32/2007, de 31 de Dezembro;

c) Se cumpra o estabelecido no n.º 2 do artigo 14 da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, que cria o SISTAFE, segundo o qual, é obrigatória a previsão das receitas públicas, para a sua arrecadação;

d) Se obedeça ao disposto na alínea a) do artigo 47 do SISTAFE, aprovado pela Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, de acordo com o qual a Conta Geral do Estado deve conter informação completa relativa a receitas cobradas e despesas pagas pelo Estado;

e) Sejam levantados os competentes autos de transgressão aos contribuintes que não fizerem a liquidação de suas contribuições, dentro dos prazos legais, cumprindo o preconizado no artigo 8.º do Diploma Legislativo n.º 783, de 18 de Abril de 1942;

f) Seja dado o cumprimento ao disposto no ponto (ii) da alínea a) da Circular n.º

12/GAB-DGI/2010, de 28 de Dezembro, segundo o qual após a emissão dos

conhecimentos de cobrança, as DAF´s/UGC´s deverão elaborar os modelos 27 e 45

e remetê-los aos respectivos Juízos Privativos das Execuções Fiscais, onde serão

debitados ao respectivo Recebedor;

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g) Se dê cumprimento ao disposto na Circular n.º 01/GAB-MF/2010, de 06 de Maio do Ministro das Finanças, que define os procedimentos de cobrança e registo de receitas próprias e consignadas;

h) Se observe, rigorosamente, o plasmado na Lei n.º 2/2006, de 22 de Março, Lei Geral Tributária, no Regulamento do Procedimento de Fiscalização Tributária, aprovado pelo Decreto n.º 19/2005, de 22 de Junho, no Código das Execuções Fiscais, aprovado pelo Decreto n.º 38:088, de 12 de Dezembro de 1950, no Diploma Legislativo n.º 783, de 18 de Abril de 1942, no Diploma Ministerial n.º 3/99, de 20 de Janeiro, do Ministro das Finanças, e demais legislação pertinente.

3.2 – Execução do Orçamento da Despesa 3.2.1 - Constatações

Compulsada a informação relativa à execução da Despesa, obtida nas auditorias e a registada na Conta Geral do Estado de 2012, apurou-se que:

a) Faltam os comprovativos de despesas executadas e, em alguns casos, os apresentados não se encontram devidamente organizados;

b) Em algumas entidades auditadas, estão em falta os relatórios circunstanciados das supostas actividades realizadas, nos processos de pagamento de ajudas de custo, por missões, dentro e fora do País;

c) Foram executadas despesas não elegíveis nos projectos de investimento em que se procedeu ao seu registo e realizados gastos cuja contabilização foi feita em verbas inapropriadas;

d)

Na CGE de 2012, não consta a informação de alguns projectos de investimento executados com fundos externos que não transitaram pela Conta Única do Tesouro;

e) Foram detectadas divergências entre os valores indicados nas Requisições de

Pagamento de Salários e os registados nos Mapas Demonstrativos Consolidados do

e-SISTAFE, em algumas entidades auditadas;

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PARECER SOBRE A CONTA GERAL DO ESTADO DE 2012 8 f)

Há inconsistências entre os valores registados nos Mapas Demonstrativos

Consolidados por Unidade Gestora Beneficiária (UGB) e os apresentados nos Balancetes de Execução do Orçamento;

g)

Em algumas entidades, na celebração dos contratos de pessoal, fornecimento de bens, prestação de serviços, empreitada, consultoria e arrendamento, não foram cumpridas as normas e procedimentos instituídos sobre esta matéria.

3.2.2 – Recomendações

Face às constatações acima indicadas, o Tribunal Administrativo recomenda:

a) A observância do preceituado na alínea d) do n.º 7.1 das Instruções Sobre a Execução do Orçamento do Estado, da Direcção Nacional de Contabilidade Pública, de 31 de Outubro de 2000 (BR n.º 17, II Série, de 25 de Abril de 2001), segundo a qual nenhum registo poderá ser efectuado sem a existência de documentos comprovativos, que deverão ser arquivados por verbas e anos, de forma a ser possível a sua identificação;

b) Que se cumpra o disposto no artigo 129 do Regulamento do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado, aprovado pelo Decreto n.º 62/2009, de 8 de Setembro, segundo o qual após o termo da deslocação e dentro do prazo de 7 dias, deve ser apresentado um relatório circunstanciado das actividades desenvolvidas no processo de pagamento de ajudas de custo. A falta deste implicará o não abono das ajudas de custo a que haja lugar e ao reembolso do adiantamento, porventura efectuado, ou das despesas pagas, segundo dispõe o n.º 3 do artigo 26 do Diploma Ministerial n.º 58/89, de 19 de Julho, dos Ministros da Administração Estatal e das Finanças;

c) Que a classificação e o registo das despesas sejam feitos de acordo com o Classificador Económico da Despesa, aprovado pelo Diploma Ministerial n.º 103/2001, de 20 de Junho, do Ministro das Finanças;

d) Que a execução orçamental e financeira seja apresentada com exactidão,

garantindo-se a consistência entre a informação registada na entidade e os dados

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dos mapas Demonstrativos Consolidados por UGB do e-SISTAFE, em cumprimento do disposto no n.º 1 do artigo 46 da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro;

e) Sejam observadas as normas pertinentes sobre a elaboração e execução dos orçamentos, previstas na Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, que cria o SISTAFE, no seu Regulamento, aprovado pelo Decreto n.º 23/2004, de 20 de Agosto e no Manual de Administração Financeira e Procedimentos Contabilísticos (MAF), aprovado pelo Diploma Ministerial n.º 169/2007, de 31 de Dezembro, do Ministro das Finanças;

f) Que na contratação de pessoal, de empreitada de obras públicas, fornecimento de bens e prestação de serviços, consultoria e arrendamento, sejam observadas as regras e procedimentos fixados na Lei n.º 26/2009, de 29 de Setembro, no Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado, aprovado pela Lei n.º 14/2009, de 17 de Março, no Regulamento de Contratação de Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado, aprovado pelo Decreto n.º 15/2010, de 24 de Maio, nas Instruções de Execução Obrigatória do Tribunal Administrativo, publicadas no BR n.º 52, I Série, de 30 Dezembro 1999, e demais legislação sobre a matéria.

3.3 – Movimento de Fundos 3.3.1 – Constatações

Da análise dos registos do movimento de fundos das contas bancárias do Tesouro e do Património, verificou-se que:

a) Nem todos os saldos de Adiantamento de Fundos (AFU´s) não utilizados em 2011

e 2012 foram devolvidos à Conta Única do Tesouro, pelas instituições e

organismos do Estado auditados, violando-se o estabelecido no n.º 1 do artigo 7 das

Circulares n.ºs 02/GAB-MF/2012, de 18 de Outubro, do Ministro das Finanças e

01/GAB-VMF/2011, de 28 de Outubro, do Vice-Ministro das Finanças, as quais

dispõem que os saldos de Adiantamento de Fundos (AFU´s) não utilizados em

2012 e 2011 devem ser anulados e os correspondentes recursos financeiros

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recolhidos à Conta Bancária de Receita de Terceiros (CBRT) da Unidade Intermédia (UI) do Subsistema do Tesouro Público da Despesa (STP-D) correspondente, para posterior transferência à Conta Única do Tesouro (CUT);

b) As receitas próprias e consignadas nem todas ingressaram na Conta Única do Tesouro e algumas delas nem sequer são apresentadas na Conta Geral do Estado, em preterição do princípio de Universalidade, plasmado na alínea c) do n.º 1 do artigo 13 da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, que cria o Sistema de Administração Financeira do Estado, de acordo com a qual todas as receitas e despesas que determinem alterações ao património do Estado devem nele ser obrigatoriamente inscritas.

3.3.2 – Recomendações

Na sequência das constatações acima referidas, recomenda-se:

a) O respeito da obrigatoriedade de devolução dos saldos à CUT, contida nas circulares anualmente emanadas pelo Ministério das Finanças, atinentes aos procedimentos a serem observados na administração e execução do Orçamento do Estado e ao encerramento dos exercícios económicos;

b) A observância do princípio de Universalidade a que se refere a alínea c) do n.º 1 do

artigo 13 da Lei n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, que cria o Sistema de

Administração Financeira do Estado, segundo o qual todas as receitas e despesas

que determinem alterações ao património do Estado devem nele ser

obrigatoriamente inscritas.

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3.4 – Operações Relacionadas com o Património Financeiro do Estado 3.4.1 - Constatações

Da análise feita às informações sobre a execução orçamental relativamente às operações com o património financeiro do Estado do ano de 2012, apurou-se que:

a) Na carteira do IGEPE, constam, ainda, sociedades que não têm existência jurídica, nem de facto;

b) O IGEPE continua a não deter o controlo da totalidade das parcelas do Estado no capital social de empresas;

c) Persistem inconsistências entre a informação apresentada na CGE e a que se apura em auditorias, sobre as alienações das participações do Estado nas empresas;

d) De uma amostra seleccionada de adjudicatários na aquisição de participações do Estado, através da DNPE e do IGEPE, verificou-se que continua a existir um incumprimento generalizado de pagamento das prestações indicadas nos contratos

.

3.4.2 - Recomendações

Face às constatações retro enunciadas, o Tribunal Administrativo recomenda que:

a) Sejam expurgadas da carteira do IGEPE as sociedades que não têm existência jurídica, nem de facto;

b) O IGEPE envide esforços no sentido de acompanhar e participar na gestão das empresas participadas pelo Estado, em cumprimento do preconizado na alínea a) do n.º 2 do artigo 5 do seu Estatuto Orgânico, aprovado pelo Decreto n.º 46/2001, de 21 de Dezembro;

c) Na elaboração da CGE, seja observado o preceituado no n.º 1 do artigo 46 da Lei

n.º 9/2002, de 12 de Fevereiro, segundo o qual a CGE deve ser elaborada com

clareza, exactidão e simplicidade, de modo a possibilitar a sua análise económica e

financeira;

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d) A DNPE e o IGEPE façam cumprir, rigorosamente, pelos adjudicatários das empresas alienadas pelo Estado, as cláusulas contratuais e as respectivas tabelas de amortização.

3.5 - Património do Estado 3.5.1 - Constatações

Da verificação da informação atinente ao Património do Estado, resulta que:

a) À semelhança da CGE de 2011, na presente Conta, o anexo 7.3 - Mapa Consolidado do Inventário do Património do Estado, por classificação económica, não agrega o património das Empresas Públicas e das Autarquias, informação que é apresentada nos mapas de desenvolvimento 7.8 e 7.9, respectivamente;

b) Dos 1.819 imóveis por registar em 2011, em nome do Estado, foram regularizados apenas 597, em 2012;

c) Decorrente da fraca incorporação das aquisições de bens patrimoniais no inventário, no momento em que estas ocorrem, o nível de inventariação dos bens, em 2012, foi consideravelmente baixo;

d) Em algumas instituições auditadas, foram pagos, na íntegra, 10 meses antes da sua entrega, bens adquiridos, sendo que, nos termos dos contratos celebrados com os respectivos fornecedores, a sua entrega devia anteceder o correspondente pagamento;

e) Como vem sendo referido em relatórios anteriores, continua o preenchimento incorrecto das Fichas de Inventário e classificação inapropriada de bens, assim como a falta da colocação de etiquetas nos artigos. Por outro lado, muitos bens não são segurados e falta a titularização, em nome do Estado, de imóveis e veículos de sua propriedade;

f) Existem divergências entre os dados respeitantes ao inventário das entidades auditadas e os constantes do Mapa Consolidado do Património do Estado;

g) Em algumas entidades auditadas, não foram localizados bens constantes dos

respectivos inventários, no valor de 1.920.452,64 Meticais.

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3.5.2 - Recomendações

Na sequência das constatações acima referidas, recomenda-se que:

a) O registo e a inventariação dos bens patrimoniais sejam apresentados com exactidão, garantindo-se a consistência entre a informação dos mapas de detalhe do inventário e os dados do Mapa Consolidado do Património do Estado;

b) Seja exercido maior controlo e rigor no preenchimento das Fichas de Inventário, tendo em vista o cumprimento dos procedimentos plasmados no Diploma Ministerial n.º 78/2008, de 4 de Setembro, do Ministro das Finanças, que aprova os Suportes Documentais (Classificador Geral de Bens Patrimoniais e as Fichas de Inventário) e Regulamento do Património do Estado, aprovado pelo Decreto n.º 23/2007, de 9 de Agosto;

c) As entidades devam velar pelos seus bens, em cumprimento do fixado na alínea a) do n.º 2 do artigo 13 do Título I do Manual de Administração Financeira e Procedimentos Contabilísticos, aprovado pelo Diploma Ministerial n.º 169/2007, de 31 de Dezembro, do Ministro das Finanças, segundo o qual compete às Unidades Gestoras Beneficiárias do Subsistema do Património do Estado (UGB´s do SPE) guardar e manter o património do Estado sob sua responsabilidade;

d) A entrega dos bens adquiridos seja feita dentro dos prazos estipulados nos respectivos contratos de fornecimento

;

e) Se proceda ao registo imediato dos bens, no inventário, após a aquisição.

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PARECER SOBRE A CONTA GERAL DO ESTADO DE 2012 14

Sala de Sessões do plenário do Tribunal Administrativo, em Maputo, aos 28 de Novembro de 2013.

Machatine Paulo Marrengane Munguambe, Juiz Conselheiro Presidente

Amílcar Mujovo Ubisse, Juiz Conselheiro (Relator)

Januário Fernando Guibunda, Juiz Conselheiro

José Estêvão Muchine, Juiz Conselheiro

Filomena Cacilda Maximiano Chitsonzo, Juíza Conselheira

José Luís Maria Pereira Cardoso, Juiz Conselheiro

David Zefanias Sibambo, Juiz Conselheiro

Aboobacar Zainadine Dauto Changa, Juiz Conselheiro

João Varimelo, Juiz Conselheiro

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Paulo Daniel Comoane, Juiz Conselheiro

José Maurício Manteiga, Juiz Conselheiro

Isabel Cristina Pedro Filipe, Juíza Conselheira

Rufino Nombora, Juiz Conselheiro

Pelo Ministério Público FUI PRESENTE

Edmundo Carlos Alberto

Vice-Procurador Geral da República

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