CAPÍTULO 1 – Introdução
CAPITULO 1
1. INTRODUÇÃO
Dentre as bacias tafrogênicas do Sudeste Brasileiro, a Bacia de São Paulo é uma das unidades mais bem estudadas. A localização da cidade de São Paulo, assentada em grande parte sobre a bacia, e a implantação de grandes obras como o Metrô, favoreceram sobremaneira este conhecimento.
A maior parte do conhecimento geológico da bacia foi obtido através de informações diretas de escavações, poços e furos de sondagem. No entanto com a pavimentação e impermeabilização do solo, bem como a grande quantidade de materiais enterrados em subsolo, tornou-se difícil o conhecimento geológico através de investigações diretas. Deste modo as técnicas indiretas de investigação tornaram-se ferramentas fundamentais no conhecimento geológico e geotécnico na bacia. Uma das técnicas indiretas mais conhecidas é a geofísica. Dentre os métodos geofísicos mais aplicados em área urbana temos: GPR (Ground Penetrating Radar), Eletrorresistividade, Sísmica, Eletromagnético Indutivo e Gamaespectrometria. No entanto todos os métodos podem ser aplicados, dependendo principalmente do objetivo da investigaçao, nível de ruído e interferências superficiais.
A fim de se avaliar a potenciabilidade do método GPR na investigação de variações geológicas na Borda da Bacia Sedimentar de São Paulo foi realizada uma pesquisa dentro do campus da Universidade de São Paulo. A pesquisa foi efetuada dentro do campus com o intuito de amenizar o máximo possível o nível de ruído e pela facilidade logística.
1
CAPÍTULO 1 – Introdução
1.2 OBJETIVOS
O principal objetivo desta pesquisa é caracterizar geologicamente os sedimentos e o topo rochoso granito-gnáissico na borda da Bacia Sedimentar de São Paulo utilizando-se os métodos GPR e eletrorresistividade. As áreas de pesquisa encontram-se dentro do Campus da Universidade de São Paulo (USP), porção centro-oeste do município de São Paulo, na margem esquerda do Rio Pinheiros (Figura 1.1). Os trabalhos de campo foram realizados em duas áreas: a) uma área verde em frente ao prédio do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) (Figura 1.2), e b) uma área próxima ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) (Figura 1.3).
As áreas escolhidas para aquisição dos dados situam-se dentro do Campus Universitário devido, aos seguintes motivos:
i) Facilidade logística;
ii) Os locais já vêm sendo utilizados como áreas de testes de geofísica rasa durante as atividades didáticas de geofísica aplicada, ministradas no IAG; e iii) As áreas de estudo pertencem ao Projeto “Investigações Geofísicas de
Superfície e de Poço na borda da Bacia Sedimentar de São Paulo”, processo Fapesp 99/12215-2, coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Luís Porsani.
2
N
Lineu
Prestes
venida A
Professor Professor
Lineu Prestes Av.da
Universidade
Avenida
Professo r
Melo Morais
Avenida Prof.
Luciano Gualberto
. Av Prof.
Lucio Martins Rodrigues
venidaA rofessor P Almeida
Prado
Rua
do
Matão
Rua do
Lago
Rua
do Matão
Avenida INSTITUTODEPESQUISAS ENERGÉTICASENUCLEARES(IPEN)
IAG Física Hospital Universitário
INSTITUT D O PESQUISAS E
TECNOLÓGICAS (IPT)
0m200m400m
ESC A L A
Rio
Pinheiros
Áreas de pesquisa Ruas Drenagens Limite do campus da USP
LEGENDA
Figura 1.1 - Área da Cidade Universitária, Campus da Universidade de São Paulo, com a localização
das áreas de pesquisa.
Figura 1.2 -Área de detalhe em frente ao IAG/USP, com a localização das principais aquisições geofísicas.
PERP
Perfil IAG/FIS
LEGENDA Edificações Ruas, A venidas Sondagens Elétricas Perfil IAG/USP ( )
GPReCaminhamentoElétricoPoços de Investigação Geológica Perfis GPR ( )
50e100MHzRua do Matão
SEV02
SEV01
Perfil IAG/FIS
PERP
7393500 7393400
P3
N
323100323300322900
ESC A L A
50m050m25
P2 P1
InstitutodeAstronomia,Geofísicae CiênciasAtmosféricas
Instituto de Física
Praçado Instituto
Oceanográfico
InstitutodeMatemática eEstatística P2
SD02
SD01
SD03
0m
200m
IPEN
322300 322200
7392600 7392700
7392800
50m 0m 50m
E S C A L A
N
Estac.
do HU
0
200
LEGENDA
Limite do Campus
Sondagem Elétrica Vertical Ruas, Avenidas
Poste de Iluminação
Perfis GPR
SEV01
Figura 1.3 -Área de detalhe próxima ao IPEN, com a localização dos principais levantamentos geofísicos.
Sondagem de Velocidade CMP
A v.
P rof.
Lineu
Prestes
CAPÍTULO 1 – Introdução
1.2 TRABALHOS ANTERIORES NO CAMPUS DA USP
Neste item será realizado um breve relato sobre os trabalhos anteriores realizados dentro do campus da Universidade de São Paulo.
Ussami & Molina (1991) realizaram um levantamento gravimétrico em toda área da cidade universitária. Este levantamento mostra que os valores mais elevados de anomalia Bouguer foram encontrados na parte sul e sudoeste do campus, evidenciando um embasamento mais raso nesta região, confirmado pela exposição de afloramentos e pelo alto topográfico.
Taioli (1992) executou uma linha de levantamento sísmico de reflexão entre dois poços de observação, localizados entre a Praça do Relógio e a Antiga Reitoria, com o intuito de delinear o topo do embasamento e verificar a presença de uma falha. A possível zona de cisalhamento não foi identificada. No entanto, ele verificou que o embasamento da bacia sofre uma inflexão em direção ao rio Pinheiros.
Iritani (1993) apresentou o resultado de 17 sondagens elétricas verticais realizadas pelo CEPAS (Centro de Pesquisas de Água Subterrânea) ao longo do campus com o objetivo de determinar a variação da espessura do pacote sedimentar e auxiliar na locação de poços tubulares profundos e de poços de observação hidrogeológica. Os resultados demonstraram que o pacote sedimentar da bacia apresenta um espessamento em direção às proximidades da Raia Olímpica.
Iritani (op. cit.), com o objetivo de estudar o potencial hidrogeológico do campus da cidade universitária, executou a perfuração de 11 poços de observação hidrogeológica e seis poços tubulares profundos, além de gerar um banco de dados de poços tubulares perfurados próximos ao campus, dando origem a um mapa de isoespessura dos sedimentos da Bacia de São Paulo (Figura 1.4). Através de observações em campo, a área em que a referida autora determina o embasamento aflorante está encoberta por uma cobertura sedimentar, no entanto um afloramento de granito-gnaisse é observado próximo ao Hospital Universitário.
A partir de 1997, a área em frente ao IAG/USP passou a ser utilizada como laboratório prático de todas as disciplinas da área de geofísica aplicada do Departamento de Geofísica do IAG/USP (Mendonça et al., 1999) sendo, assim,
6
CAPÍTULO 1 – Introdução
executados levantamentos magnéticos, elétricos, eletromagnéticos (GPR e EM34) e sísmicos.
Le Diagon (2000) realizou um levantamento de sísmica de reflexão paralelo a Rua do Matão, em frente ao IAG/USP. Através de dados de reflexão foram gerados modelos superestimado e subestimado de velocidades de ondas sísmicas para a área em frente ao IAG. Foi encontrada uma profundidade do embasamento variando de 35 a 57 metros, sofrendo uma inflexão para NW em direção à Prefeitura do Campus da Cidade Universitária (Figura 1.5).
Porsani (2000), através do projeto de pesquisa “Investigações Geofísicas de Superfície e de Poço na borda da Bacia Sedimentar de São Paulo”, Processo 99/12215-2 FAPESP, executou a perfuração de três poços de investigação geológica na área em frente ao IAG/USP (Figura 1.6, 1.7 e 1.8).
7
Figura 1.4 - Mapa de Isoespessura de sedimentos da Bacia de São Paulo dentro do campus da Universidade de São Paulo (modificado de Iritani, 1993).
40
50
60 80
70
50 30
40
N
Lineu
Prestes
venida A
Professor Professor
Lineu Prestes Av.da
Universidade
Avenida
Professor
Melo Morais
Avenida Prof.
Luciano Gualberto
. Av Prof.
Lucio Martins Rodrigues
venidaA rofessor P Almeida
Prado
Rua
do
Matão
Rua do
Lago
Rua
do Matão
Avenida
INSTITUTODEPESQUISAS ENERGÉTICASENUCLEARES(IPEN)
IAG Física Hospital Universitário
INSTITUT D O PESQUISAS E
TECNOLÓGICAS (IPT)
0m200m400m
ESC A L A
Rio
Pinheiros
Áreas de pesquisa Ruas Drenagens Limite do campus da USP
LEGENDA Sedimentos Isolinha de Espessura de sedimentos (m)
50
Embasamento Aflorante
Figura 1.5 - Perfil Sísmico de reflexão realizado em frente ao IAG/USP , mostrando um refletor a 37m de profundidade (SE) mer gulhando em direção a N W (Le Diagon, 2000).
Figura 1.6 - Perfil litológico do poço P1, executado em frente ao IAG/USP, na distância 100m no perfil IAG/Física.
PROFUNDIDADE (metros)
Aterro areno-argiloso
Argila siltosa pouco arenosa marrom clara
Areia média e grossa siltosa
Areia média a grossa com pedregulhos esparsos
Areia média a grossa, siltosa, com pedregulhos finos
e médios
Argila siltosa, dura, marrom escura
Granito-Gnaisse cinza escuro 0
3,5
10,5 13,5
25,0
36,5
49,5
80,3
Descrição Litológica
POÇO P1
5,9
16,0
23,5 21,5 19,0
53,0
Com detritos vegetais
Com detritos vegetais Marrom amarelada
Com lentes de argila siltosa
Com pedregulhos de quartzo
Argila siltosa amarela e cinza clara
Fina siltosa Fina a média
Areia fina siltosa
Média a grossa com pedregulhos Argila siltosa cinza clara
Areia média a grossa siltosa, com pedregulhos e lentes de argila Argila siltosa pouca arenosa com lentes de areia
Fina a média Argila siltosa
Fina a média Fina a média
Silte arenoso pouco argiloso, com fragmentos de rocha alterada 0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
55
60
80
85
Perfil Geológico
…
NE
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
55
60
80
85
Aterro areno-argiloso
Argila siltosa com areia fina e materia organica
Argila siltosa roxa a cinza
Areia fina a média siltosa
Areia media a grossa com pedregulhos de quartzo Areia fina a média siltosa
Argila siltosa
4,0
10,0 12,5 14,5
26,0
31,0
36,0
52,0
80,0
PROFUNDIDADE (metros) …
Argila siltosa
Arenosa
5,5
Areia média a grossa com pedregulhos de quartzo
Lentes de argila
Argila siltosa roxa a cinza
Areia média a grossa com pedregulhos de quartzo Areia fina siltosa
19,5 20,5 23,5
Argila siltosa pouco arenosa
37,0
Granito-Gnaisse cinza escuro
0 0
Descrição Litológica Perfil
Geológico
POÇO P2
Figura 1.7 - Perfil litológico do poço P2, executado em frente ao IAG/USP, na distância 115m no perfil IAG/Física.
NE
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
55
60
80
85
Aterro argila-siltosa com materia orgânica
Areia siltosa fina a média com pedregulhos de quartzo
Argila siltosa com pedregulhos finos de quartzo
0
7,7 9,8 11,8 13,5
36,0
46,2
80,2
PROFUNDIDADE (metros)
Descrição Litológica Perfil
Geológico
…
34,7
Aterro argilo-arenoso de cor marrom avermelhada
Argila arenosa de cor cinza clara
Argila siltosa com concreções ferruginosas
Areia media a grossa argilosa, avermelhada
Argila siltosa dura, cor cinza
Granito-Gnaisse cinza escuro
POÇO P3
Figura 1.8 - Perfil litológico do poço P3, executado em frente ao IAG/USP, na distância 140m no perfil IAG/Física.
Areia fina a média
Areia média a grossa siltosa, com pedregulhos finos e médios de quartzo
Lentes de argila
Areia média a grossa siltosa, com pedregulhos finos e médios de quartzo
Areia média a grossa siltosa, com pedregulhos finos e médios de quartzo
Areia fina a média
Areia média a grossa siltosa, com pedregulhos de quartzo NE
CAPÍTULO 1 – Introdução
1.3 ASPECTOS GEOLÓGICOS REGIONAIS E LOCAIS
Geologicamente, a área encontra-se na borda da Bacia Sedimentar de São Paulo que, juntamente com outras bacias (Curitiba, Taubaté, Resende, Volta Redonda e Itaboraí) e pequenas depressões (Fm Alexandra, Fm Pariquera-Açu e Graben de Sete Barras), definem o Rift Continental do Sudeste Brasileiro (Almeida, 1976), Figura 1.9.
Convençoes: 1. Cobertura cenozóica, 2. Bacias tafrogênicas continentais: (CT) Curitiba, (SB) Sete Barras, (CN) Cananéia, (SP) São Paulo, (TT) Taubaté, (RZ) Resende, (VR) Volta Redonda, (GB) Guanabara, (IB) São José do Itaboraí, (SJ) Barra do São Joao. 3. Bacia do Paraná, 4. Alinhamentos estruturais e falhas, 5. Linhas de Isoespessura de sedimentos em Km.
Figura 1.9 - Rift Continental do Sudeste Brasileiro e Bacias Associadas (adaptado de Almeida, 1976).
Segundo Almeida (1969), a Reativação Wealdeniana foi o processo responsável pela origem deste rift. Posteriormente, Asmus & Porto (1980) relacionaram a origem do Rift Continental do Sudeste Brasileiro ao processo de abertura do Oceano Atlântico Sul, com soerguimento da região, ruptura da litosfera continental e afastamento dos novos continentes, no quadro clássico da tectônica global.
13
CAPÍTULO 1 – Introdução
1.3.1 Geologia Regional
A Bacia de São Paulo exibe forma irregular, aproximadamente elíptica de 60 por 30Km, com uma ramificação da Lapa para Barueri e outra de Itaquaquecetuba para Poá e Mogi das Cruzes, ambas acompanhando o vale do rio Tietê (Figura 1.10). A espessura máxima de sedimentos alcança 311m (Hasui & Carneiro, 1980; Silva, 1999).
Os sedimentos da Bacia de São Paulo foram identificados e descritos inicialmente por Mawe (1812 apud Yamamoto, 1995). Pissis (1842 apud Yamamoto, op. cit.) foi o primeiro a utilizar a denominação Bacia de São Paulo, comparando suas camadas sedimentares com as da Bacia “de la Parahyba” (Bacia de Taubaté).
A Formação São Paulo foi inicialmente designada de “argilas de São Paulo” por Moraes Rego (1930 apud Yamamoto, op. cit.). Posteriormente, o mesmo autor (Moraes Rego, 1933 apud Yamamoto, op. cit.) adotou o termo “camadas de São Paulo”, utilizada também por Almeida (1955 apud Yamamoto, op. cit.). A unidade foi designada Formação São Paulo por Mezzalira (1962 apud Yamamoto, op. cit.), cujas litologias predominantes são argilas, siltes e areias argilosas finas, sendo raras as ocorrências de areias grossas e cascalhos finos (Suguio, 1980).
Riccomini (1989) propôs uma revisão formal da litoestratigrafia das bacias do Rift Continental do Sudeste do Brasil, com base na caracterização das diferentes fácies e posterior agrupamento destas em sistemas deposicionais. Segundo este autor, ocorreriam na Bacia de São Paulo quatro sistemas deposicionais: i) leques aluviais associados à planície aluvial dos rios entrelaçados; ii) lacustres; iii) fluvial meandrante;
e iv) fluvial entrelaçado de Itaquaquecetuba. O sistema lacustre, correlacionável à Formação Tremembé, é constituído por argilas verdes, maciças (Fácies C), alternadas com níveis de argila rica em matéria orgânica. O sistema fluvial meandrante, correspondente à Formação São Paulo e constitui-se de arenitos grossos conglomeráticos, localmente conglomerados, com granodecrescência ascendente até siltitos e argilitos, que correspondem a depósitos de canais meandrantes, com sedimentos finos laminados lenticulares, por vezes ricos em matéria orgânica, como sendo prováveis testemunhos de lagoas oriundas da migração e abandono de canais (oxbow-lakes). Ocorrem ainda depósitos de rompimento de diques marginais (crevasse-
14
CAPÍTULO 1 – Introdução
splay) e de planície de inundação. Já o sistema fluvial entrelaçado de Itaquaquecetuba corresponde, no conjunto, à Formação Itaquaquecetuba.
Takiya (1991), ao utilizar métodos geoestatísticos e a estatística clássica, apresentou resultados em forma de mapas de contorno estrutural, isópacas, isólitas e a porcentagem dos sedimentos terciários da Bacia de São Paulo, mais precisamente em sua porção centro-oeste. Segundo a autora, a bacia compreende, na concepção estratigráfica de Riccomini (1989), à Formação Resende, constituída predominantemente por depósitos rudáceos proximais e lamíticos distais de leques aluviais, cuja espessura pode ultrapassar 200m. Os sedimentos argilo-siltosos lacustres, correlacionáveis à Formação Tremembé, possuem até 60m de espessura. A Formação São Paulo, constituída em sua maior parte por depósitos arenosos e argilosos de sistema fluvial meandrante, possui mais de 100m de espessura. Os pacotes sedimentares, principalmente os areno-conglomeráticos de sistema fluvial entrelaçado da Formação Itaquaquecetuba, possuem até 130m de espessura. Por fim, as coberturas colúvio- aluviais, apresentam até 10m de espessura. Inicialmente teria ocorrido a deposição de sedimentos de leques aluviais (Formação Resende) na borda norte da bacia, com desenvolvimento de nordeste para sudoeste. Interdigitar-se-iam a esta unidade os sedimentos areno-argilosos, na maior parte típicos de sistema fluvial meandrante (Formação São Paulo), aflorantes principalmente nas cotas superiores a 780m.
Finalmente os depósitos da Formação Itaquaquecetuba ocorreriam encaixados em depressões, sob os atuais aluviões dos rios Pinheiros e Tietê.
O embasamento cristalino da bacia é representado por granitos sin- e pós- tectônicos, migmatitos diversos, gnaisses graníticos e oftalmíticos, xistos com grau de feldspatização variável e metassedimentos. Subordinadamente ocorrem quartzitos e anfibolitos. Rochas cataclasíticas a ultramiloníticas foram observadas em zonas de cisalhamento de falhas transcorrentes que cortam o embasamento (Campos Neto et al., 1983 apud Iritani, 1993).
15
CAPÍTULO 1 – Introdução
1.3.2 Geologia Local
A distribuição espacial das formações na Cidade Universitária baseou-se no mapeamento realizado por J. M. V. Coutinho, publicado na escala 1:50.000 pela Emplasa (Emplasa, 1984 In: Iritani, 1993) (Figura 1.11). Na área desta pesquisa, o substrato cristalino é constituído por granitos-gnaisse e migmatitos, cujos afloramentos podem ser encontrados na porção sul e sudeste da Cidade Universitária onde a topografia é mais elevada e suporta o divisor de águas. Alguns afloramentos do embasamento podem também ser encontrados na porção noroeste (na Av. Professor Lineu Prestes, próximo ao IPEN e Hospital Universitário). As formações São Paulo e Itaquaquecetuba, representadas pelos aluviões fluviais no mapa, ocupam a maior extensão dentro da Cidade Universitária (Figura 1.11).
De acordo com Riccomini (1989) a Formação São Paulo apresenta variações faciológicas entre arenitos conglomeráticos com granodecrescência para siltitos e argilitos. Neste trabalho, o termo “variações faciológicas” será relacionado a variações entre arenitos e argilitos.
Através das informações obtidas através do projeto “Investigações Geofísicas de Subsuperfície e de Poço na Borda da Bacia Sedimentar de São Paulo”, Processo n.º 99/12215-2, financiado pela FAPESP, foi possível elaborar os perfis litológicos de três poços, executados na área em frente ao Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (Figuras 1.6, 1.7 e 1.8). Através da correlação destes poços, foi elaborada uma seção geológica (Figura 1.12), contribuindo assim com as interpretações geológicas e geofísicas.
Foram executadas também sondagens a trado manual nas duas áreas investigadas, sendo 9 sondagens na área em frente ao IAG/Física (Anexo 01 a 09) e 5 sondagens na área próxima ao IPEN/HU (Anexo 10 a 13). Estas sondagens atingiram a profundidade máxima de investigação de 5,0 metros (comprimento das hastes do equipamento) sendo que, na área próxima ao IPEN, a penetração do equipamento foi dificultada pela presença de bolders de rochas e materiais de diversas composições (gnaisses, tijolos, granitos, entre outros). Através da correlação destas sondagens, foram elaboradas duas seções geológicas superficiais (Figura 1.13 e Figura 1.14).
17
1000m 0m 1000m
E S C A L A
322 324 326 328
7396
7394
7392
7390
Aluviões fluviais: argila, areia e cascalho
Argilas, areias e cascalhos da Fm. São Paulo Migmatitos e gnaisses graníticos, podem achar-se cisalhados até gnaisses miloníticos em zonas de movimentação tectônica intensificada Contato definido
Eixo de zona de falha
Ruas e avenidas principais
Rio Pinheiros
Principais Edificações
As informações geológicas foram obtidas pela EMPLASA/SNM, a partir do levantamento de campo e compilação realizados por José Moacyr Vianna Coutinho, em 1979.
Cidade Universitária
J. Club
Jardim América Vila Madalena
TQa
TQa TQa
TQa
TQa TQa
TQa
TQa
TQa
Qa
Qa
Qa Qa
Qa Qa
mg mg
mg
mg mg
mg
mg
mg
mg mg
mg mg
mg
mg
mg
RioPinheiros
CONVENÇÕES GEÓLOGICAS E CARTOGRÁFICAS
N
Figura 1.11 - Distribuição espacial das formações geológicas na Cidade Universitária
baseada no mapeamento realizado por J. M. V. Coutinho, publicado na
escala 1:50.000 pela Emplasa (Emplasa, 1984, modificado de Iritani, 1993)
Figura 1.12 - Seção geológica elaborada através da correlação dos 3 poços executados em frente ao IAG/USP.
0 10 20 30 40 50 60 80 85
…100 105 11 0 11 5 120 125 130 135 140 Distância (metros) Aterro areno-ar giloso
Profundidade(metros)
Ar gila siltosa com areia fina Areia grossa
Areia fina Rocha inalterada, granito-gnaisse
0,0 0 200 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
20 40 60 80 100 120 140 160 180
PROFUNDIDADE(metros)
DISTÂNCIA (metros) ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? Material areno-ar giloso de cores variadas, predominado o vermelho tijol o e o ocre, presença de fragmentos milimétricos de quartzo Ar gila de coloração verde-escura a preta, presença de matéria or gânica
Aterro Formação São Paulo
FT4 FT5 FT3 FT2 FT6 FT9 FT1 FT8 FT7
Figura 1.13 - Seção geológica superficial elaborada com os dados de sondagem a trado
executadas na linha IAG/FIS.
Figura 1.14 - Seção geológica superficial elaborada a partir de dados de sondagens a trado realizadas na área próxima ao IPEN.
Material arenoso de cor cinza escura, presença de clastos angulosos de quartzo, gnaisse e cimento (Aterro) Material ar gilo-arenoso de cor rósea com presen ça de muita mica e d e clastos angulosos de quartzo, gnaisse e con creto (Aterro) Material ar gilo-arenoso de cor vermelha escura a rósea, presença de matéria or gânica e clastos angulosos de quartzo e gnaisse (Aterro) Material ar giloso de cor violeta a ocre com cores mosqueadas (branca, marrom e vermelha) e estruturas primárias (estratificação planar) Material areno so de granulometria média, cor marrom e matriz ar gilosa Material ar giloso de cinza a esverdeado, presença de clastos angulosos de quartzo, gnaisse e cimento (Aterro)
NE
13,5 12,0 10,5 9,0 7,5 6,0 4,5 3,0 1,5 0,0
102030405060708090100110120130140150160170180190 15,0 -1,5 -3,0 -4,5 -6,0
13,5 12,0 10,5 9,0 7,5 6,0 4,5 3,0 1,5 0,0
15,0 -1,5 -3,0 -4,5 -6,0
0200 16,016,0