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Rev. Bras. Anestesiol. vol.64 número2

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Academic year: 2018

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142 CARTASAOEDITOR

JoãoBatistaSantosGarciaa,b,c,1

aSociedadeBrasileiradeEstudodaDor,SãoPaulo,SP,

Brasil

bUniversidadeFederaldoMaranhão,SãoLuís,MA,Brasil cInstitutoMaranhensedeOncologiaAldenoraBelo,

SãoLuís,MA,Brasil

E-mail:[email protected]

1EmnomedeTheChangePainLatinAmericaAdvisoryPanel:

Argelia Lara-Solares, José AlbertoFlores Cantisani, César

Amescua-García,MaríadelRocíoGuillénNú˜nez,AzizaJreige Iskandar, Patricia Bonilla, Osvandré Lech, Durval Campos Kraychete, María Antonieta Rico, John Jairo Hernández--Castro,Frantz Colimon,CarlosGuerrero,WilliamDelgado Barrera, Manuel Sempértegui Gallegos, María Berenguel Cook, João BatistaSantos Garcia, Concepción Pérez Her-nández.

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2013.03.004

Contrac

¸ão

versus

contratura

e

miopatia

do

núcleo

central

versus

miopatia

da

parte

central

em

hipertermia

maligna

Caroeditor

Lemos com grande interesse o artigo de revisão de Cor-reia etal. ‘‘Hipertermia maligna: aspectosmoleculares e clínicos’’1egostaríamosdecomentaralgunsitens.

Na sec¸ão ‘‘Hipertermia maligna’’, item ‘‘Teste de contrac¸ão à exposic¸ãoao halotano-cafeína (TCHC)’’, Cor-reia et al. empregam o termo ‘‘contrac¸ão’’, em vez do termooriginal ‘‘contratura’’. O testepara diagnósticode suscetibilidade à hipertermia maligna (HM) baseia-se na resposta anormal de contratura após administrac¸ão de cafeína/halotano,e nãona respostanormal decontrac¸ão muscularapósoestímuloelétrico,queéaplicadodurante todo o teste para comprovar a viabilidade do fragmento muscular testado. A figura 1 mostra a diferenc¸a entre a contrac¸ão e a contratura nográfico de umteste positivo depacientesuscetívelàHM.Assim,anomenclaturadeveria sercontracturetesteminglêse‘‘testedecontratura’’em português.2---4

Ainda nesse subitem, enfatizamos que os níveis de corte do TCHC citados correspondem a valores emprega-dosnoprotocolodogruponorte-americanodeHM(MHAUS ---www.mhaus.org).Alémdisso,oprotocolodogrupoeuropeu deHM(EMHG---www.emhg.org)diferedonorte-americano emaspectosadicionaisquenãoforamcitados,taiscomoo númerodefragmentostestados(seisnonorte-americanoe quatronoeuropeu),administrac¸ãodohalotano(doseúnica de 3% no americano e dose crescente de 0,5% a 3% no europeu) e finalmente o ponto de corte, que é de 0,2g parahalotano 2% e 0,2gpara cafeína 2mm no protocolo europeu.5,6

Diferentemente do citadopor Correia et al., noBrasil o Cedhima (Centro de Estudo, Diagnóstico e Investigac¸ão deHipertermiaMaligna)daEscolaPaulistadeMedicinada UniversidadeFederaldeSãoPaulo(Unifesp)usaoprotocolo dogrupoeuropeudeHMparaotestedecontraturamuscular invitro(IVCT).4

Na mesma sec¸ão ‘‘Hipertermia maligna’’, item ‘‘Tratamento’’, Correia et al. incluem como medida indicada‘‘Substituic¸ão do circuito deanestesia por outro nãocontaminadoporagenteanestésico’’.Éimportanteaqui enfatizarqueessamedidanãoéindicadanomomentoem quesetrataumacrise,massomentenopreparodamáquina anestésicaparaaanestesiadeumpacientecomhistóriade

HM. Nomomento dacrise deHM deve-se ‘‘desconectar o vaporizador,masnãoperdertempotrocandoocircuitoou amáquinaanestésica’’.7Noitem‘‘Dantroleno’’,apesarde

Correiaetal.informaremqueo usoclínicododantroleno

1 min 0,6 g

0,5% 1%

Figura1 Testedecontraturamuscularinvitroemrespostaao

halotano.Asduassetasinferioresindicamomomentoemquea

drogafoiadicionada.Asetasuperiorindicaaslinhasque

corres-pondemàscontrac¸õesmuscularesdesencadeadaspeloestímulo

elétrico.Asetaduplalateralindicaaascensãodalinhadebase,

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Figura2 Corteshistológicostransversaisdemúsculoestriado(congelac¸ão).(A)Miopatiadapartecentraloucentralcore:seta

horizontalmostrafibramuscularcomáreacircular centralsemmarcac¸ão(core),setavertical mostrafibracommarcac¸ão

nor-malhomogênea;reac¸ãohistoquímicacomNADH; (B)Miopatiacentronuclear:setasbrancasmostramfibrascomnúcleocentral,

setaspretasmostramfibrascomnúcleoemposic¸ãonormal,logoabaixodamembranacitoplasmática(subsarcolemal);colorac¸ão

hematoxilinaeeosina.

hoje é restrito à hipertermia maligna, ainda se emprega essemedicamentonomanejodaespasticidade.8

Alémdisso,amanutenc¸ãododantrolenepor24-48horas após o tratamento inicial da crise de HM é importante para evitar recidivas, porém na dose de 1mg/Kg a cada 4 a8 horas, oude formacontínua com0,25mg/Kg/h(ou 6mg/Kg/d).9

Na sec¸ão ‘‘RECEPTORES DE RIANODINA (RYRs)’’, item ‘‘Canalopatias correlacionadas’’, o termo ‘‘doenc¸a do núcleo central’’ aparece duas vezes, como traduc¸ão para ‘‘central core disease’’. Entretanto, a traduc¸ão sugerida em português para a miopatia do central core seria miopatia ‘‘da parte central’’ (C05.651.575.300 ou C10.668.491.550.300), conforme recomendado pelo site Descritores em Ciências da Saúde (http://decs.bvs.br/), vinculado ao Unified Medical Language System (http://www.nlm.nih.gov/ research/umls/). Essa diferenciac¸ão é importante, pois, entreoutrasdiferenc¸asclínicasedemutac¸õesassociadas, oaspectohistopatológicoédistinto,comopodeser obser-vadonafigura2.OladoAdafigura2mostraoaspectoda miopatiaoudoenc¸adapartecentral(centralcore disease ou CCD): há uma falha central de marcac¸ão em reac¸ões histoquímicas oxidativas (como SDH e NADH), por causa da ausência de mitocôndrias.10 no lado B da figura 2

demonstra-seoaspectodamiopatiacentronuclear,noqual onúcleoocupaposic¸ãocentralnafibramuscular,enquanto quenormalmenteocupariaposic¸ãosubsarcolemal,ouseja, logoabaixodamembranacitoplasmática.11

Referências

1.Correia AC, Silva PC, da Silva BA. Malignant hyperther-mia: clinical and molecular aspects. Rev Bras Anestesiol. 2012;62(6):820---37.

2.EllisFR,HalsallPJ,OrdingH,etal.Aprotocolforthe investiga-tionofmalignanthyperpyrexia(MH)susceptibility.BrJAnaesth. 1984;56:1267---9.

3.Larach MG, for the North American Malignant Hyperther-miaGroup.Standardizationofthecaffeinehalothanemuscle contracturetest.AnesthAnalg.1989;69:511---5.

4.SilvaHCA.Biópsiaetestedecontraturamuscular.Rev Neuroci-enc.2005;13:63---4.

5.LitmanRS, RosenbergH.Malignanthyperthermia:update on susceptibilitytesting.JAMA.2005;293:2918---24.

6.UrwylerA, Deufel T,McCarthyT, et al.,EuropeanMalignant HyperthermiaGroup.Guidelinesformoleculargenetic detec-tionofsusceptibilitytomalignanthyperthermia.BritJAnaesth. 2001;86:283---7.

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10.Jungbluth H. Central core disease. Orphanet J Rare Dis. 2007;2:25.

11.JungbluthH,Wallgren-PetterssonC,LaporteJ.Centronuclear (myotubular)myopathy.OrphanetJRareDis.2008;3:26.

HelgaCristinaAlmeidadaSilva∗,

PamelaVieiradeAndradee JoséLuizGomesdoAmaral

EscolaPaulistadeMedicina,UniversidadeFederaldeSão Paulo(Unifesp),SãoPaulo,SP,Brasil

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](H.C.A.daSilva).

Imagem

Figura 1 Teste de contratura muscular in vitro em resposta ao halotano. As duas setas inferiores indicam o momento em que a droga foi adicionada
Figura 2 Cortes histológicos transversais de músculo estriado (congelac ¸ão). (A) Miopatia da parte central ou central core: seta horizontal mostra fibra muscular com área circular central sem marcac ¸ão (core), seta vertical mostra fibra com marcac ¸ão  n

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