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Salas de préescolas no município de Fortaleza: a professora e sua prática

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SALAS DE PRÉ-ESCOLAS NO MUNiCíPIO

DE

FORTALEZA: A PROFESSORA E SUA PRÁTICAl

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Fátima Soboio?

Resumo

o

ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAp r e s e n te te xto a p r e s e n ta a lg u m a s c o n s ta ta ç õ e s r e s u lta n te s d e u m a p c s o u is » s o b r e a p r á tic a p e d a g ó g ic a

d e p r o fe s s o r a s d e s a la s d e p r é e s c o la s m u n ic ip a is d e F o r

ta le za . T a lp c s o u ts » o b je tivo u a n a lis a r c o m o e s s a s p r o fe s

-s o r a -s d e s e n vo lve m s e u tr a b a lh o , a Q u e c o n c e p ç õ e s

r e c o r r e m e Q u e a p o io s r e c e b e m p a r a c o n c r e tiza r s e u lã ze r

e m s a la d e a u la . U tilizo u u m e s tu d o d e c a s o c o m o o p ç ã o

m e to d o ló g ic a e c e n tr o u a -a te n ç ã o e m u m a tu r m a e u m a

p r o fe s s o r a d e p r é -e s c o la e m u m a e s c o la d a r e d e m u n ic

ip a l. As a n á lis e s d o s d a d o s r e ve la r a m Q u e a ip r o fe s s o r a d e

-s e n vo lve u m a p r á tic a c u ja r o tin a é m a r c a d a p e la tr a n -s m i-s -s ã o

o r a l e r e p e titiva d o s c o n te ú d o s , p e la a u s ê n c ia d e tr o c a s

a fe tiva s e c o g n itiva s e p e la lã lta d o s a p o io sBAp e rs p e c tiv s d o s .

E s s a s itu a ç ã o é r e s u lta n te d a lã lta d e u m r e a l c o m p r o m is s o

c o m a e d u c a ç ã o d a c r ia n ç a n o â m b ito d e s s a P r e fe itu r a .

Palavras-Chave:zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAPráticas pedagógicas; Professoras;

Sa-Ias depré-escola

Abstract: Pre-school

classrooms

~n the city of

Fortaleza:

the teacher

and

her practices

T h iss tu c fyp r e s e n ts th e r e s u lts o fr e s e a r c h in to te a c h e r s .

p e d a g o g ic a l p r a c tic e s in p r e -s c h o o l c /a s s r o o m s in F o r ta le za .

T h e r e s e a r c h a im e d a t a n a jyzin g h o w te a c h e r s d e ve lo p th e ir

p r a c tic e s , w h ic h th e o r e tic a l fia m e w o r k fie s b e h in d th c m , a n d

w h a t s u p p o r t th o / r e c e ive . T h is c a s e s tu c jy u s e d th e

m e th o d o lo g ic a l a p p r o a c h to r e s e a r c h a n d fo c u s e d o n o n e

c /a s s r o o m a n d o n e s p e c iic te a c h e r in th e m u n ic ip a l& - T h e

a n a jys is s h o w s th a t th e a t te a c h e r 5 p r a c tic e is c h a r a c te r ize d

0/

o r a l tr a n s m is s io n w h ic h is r e p e s te d s e ve r a l tim e s ,

0/

th e la c k o f a llé c tive a n d c o g n itive e xc h a n g e s , a n d

0/

th e lã c t th a t

th e m u n ic ip a lifyg ive s little s u p p o r t to p r e -s c h o o l c d u c s tio n .

Key-Words: Pedagogical practices; Teachers;

Kindergarten classrooms.

ITexto elaborado a partir da dissertação de Mestrado A P rá tiG J Ih tl~

d a s P r o fe s s o fã S d e Sa la s d e P r â -c s c o t» d a R e d e M u n ic ip a l d e F o tt.a kz3 .

defendida e aprovada em 31 /0 5 /2 0 0 2 na Universidade Federal do Ceará

2 Mestra em Educação pela Universidade Federal do Ceará e

profes-sora do Departamento de Nutrição da mesma universidade.

A partir do atual momento histórico

lação, inaugurado pela Constituição de 1988. c

cretizado através do Estatuto da Criança e o

Adolescente (I 990) e da Lei de Diretrizes e Bases

da Educação (LDB). lei 9 .3 9 4 /9 6 de dezembro de

1996. as políticas de educação infantil foram

toman-do caminhos mais definitoman-dos. Essas conouístas são

fruto de uma conjunção de fatores tais como o

movi-mento da sociedade civil (associações comunitárias.

profissionais e pesouísadores ligados à educação

in-fantil. conselhos municipais e outros). e a

progressi-va consciência da importância das experiências

vivenciadas nos primeiros anos de vida. O momento.

portanto. apresenta-se propício para o

reconhecimen-to da urgência de se promover um atendimenreconhecimen-to de

Qualidade à criança. particularmente à oriunda de

fa-mílias pobres.

Vários documentos foram elaborados com a

participação de educadores-pesouísadores no

senti-do de propor diretrizes e normas para o

funciona-mento da educação infantil. rumo ao processo de

construção de uma identidade própria. Os

documen-tos' divulgados pela Coordenadoria Geral de

Educa-ção Infantil (COEDI) do Ministério de EducaEduca-ção e do

Desporto (MEC) abordam os aspectos concernentes

ao atendimento de Qualidade às crianças de O a 6

anos: ações prioritárias. formação de professores.

proposta pedagógica, normas de funcionamento de

creches epré-escolas, dentre outros.

No entanto. todos esses caminhos traçados

com base nas leis e nos documentos ai da - o se

apresentam como roteiros seguros e be

Que possam garantir a concretízação ações

pro-postas na prática de todos e es e 'dos com

a criança peouena, ri . ofessores. O

Q u e s e ve r ific a , d e 0 0 0 e r a /, n a r e a lid a d e b r a s ile i-r a ,éu m d is ta n d a m e n o a b is s a l e n tr e a s c o n o u is ts s e a s p r á tic a s e fe tiva d a s n o c o tid ia n o d a s in s titu iç õ e s

3Dentre dc:sdestacam-se a P o lítiG l N a c io n a l d e E d u c a ç ã o In fa n til

(2)

(Silva e Rossetti (2000. p.2). Acredita-se contudo. levando-se em conta a complexidade de fatores

en-volvidos na educação infantil. QUea superação desse abismo existente entre as conoulstas legais e as

prá-ticas cotidianas passe obrigatoriamente pela

forma-ção e Qualificaforma-ção desses professores.

Segundo Alves (1999). a construção de uma escola de Qualidade para os menos favorecidos deve

passar. antes de tudo. pela participação efetiva e pelaihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

to m a d a d a p a la vr a peloszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAprofessores. Considera-se

QUe tal afirmação estende-se à educação infantil e

ressalta-se QUe por trás do discurso tão propalado

de Que é necessário c a p a c ita r o s p r o fe s s o r e s e das

ações nesse sentido - pacotes elaborados em gabi-netes. cursos rápidos e fragmentados. seminários e encontros - ainda se encontra muito distante o mo-mento do professor. especialmente o professor de creches e pré-escolas. assumir uma postura de

sujei-to de sua prática. sujei-tornando-se capaz de. além de

perceber as razões de suas atitudes. repensá-Ias e

mudá-Ias ... Esse discurso da c a p a c ita ç ã o impôs aos

professores o Que é importante ser ensinado e a

melhor forma de fazê-Ia. sem propiciar o seu real

envolvimento e participação. o entanto. como

afir-ma Gallo (1999). n ã o s eBAs d o u ire p o s tu r a p o r m e io

d e d is c u r s o .

De acordo com Pacheco (I 99 S). para ocorre-rem modificações expressivas na prática do professor é necessário compreender o Que ocorre em sala de aula. conhecer o Que o professor pensa. sabe e

acre-dita. Reforçando essa idéia. destaca-se o alerta de Kramer (1994) sobre o fato de Que os valores e os

saberes culturais produzidos pelo professor não po-dem ser desconsiderados. assim como não se pode

correr o risco de destruir o Que já foi construído.

sob pena de não se conseguir superar as dificuldades e as insuficiências encontradas.

Vale ressaltar Que o trabalho do professor não se restringe ao Que se passa em sala de aula.

seu trabalho a extrapola. Como afirma Arroyo

_000 .

o professor faz parte de uma e n g r e n a g e m e s tr e tu r s d s e e s tr u tu r a n te : as organizações

esco-sls e as educativos. Pacheco (idem.

rofessor um p r o fis s io n a l

Q u e e m ite ju iz o s e to m a d e c is õ e s , aponta os três

contextos em Que ele atua: op s ic o ló g ic o , o e c o

-ló g ic o e os o c ia l. Tais contextos envolvem as

cren-ças. os valores. os conhecimentos e os propósitos

do professor; as c ir c u n s tâ n c ia s e xte r n a s em Que

ocorre o processo de ensino e as interações soci-ais existentes em sala de aula e na escola.

O aprimoramento profissional necessário para

Que o professor se torne comprometido com o

de-senvolvimento infantil em todos seus aspectos.

in-clusive com a ampliação das experiências e

conhecimentos das crianças. pressupõe a reflexão"

sobre as concepções Que fundamentam as tomadas de decisões ocorridas em sala de aula.

O interesse em investigar a prática pedagógica

desenvolvida no âmbito da educação infantil pública

munícipal' adveio tanto do envolvimento direto como professora de crianças no espaço da Universidade

Fe-deral doCeará" como da participação como instrutora

nos cursos de formação continuada de professoras

lei-gas de creches comunitárias e públicas. Alguns fato-res críticos foram constatados nesses cursos. dentre

eles. o fato de não ter ocorrido nenhuma modificação significativa na prática dessas professoras após a

parti-cipação nos mesmos e a pouca preocupação em Ihes

proporcionar espaços significativos nos ouaís fossem considerados suas experiências. suas concepções e o

Que elas pensavam e sentiam sobre seu trabalho. O

tempo distribuído em módulos e de forma intensiva não permitia a participação mais efetiva das

professo-ras. pois a urgência de se trabalharem todos os

con-teúdos sobrepunha-se à necessidade de ouvi-Ias. Às

4Aidéia dereflexãocomo condição importante para os processos de

formação e para o trabalho profissional competente em educação.

vem sendo utilizada por pesouísadorese especialistas (Névoa. 1992:

Schõn. 1992:Zeichner, 1993). Para Sadalla (1998). trata-se de um

m o vim e n to Que considera o professor um profissional Que atua como

s u je ito de suas ações ao invés de ser um mero cumpridor de ações ditadas pelos especialistas.

SA situação da educação infantil no município de Fortaleza jáfoi, em

1987,objeto de estudo concretizado na dissertação de mestrado A

F ilo s o lla e P r á tic a P e d a g ó g ic a d a E d u c a ç ã o P r é -e s c o la r P ú b lic a e m F o r ta le za - u m r e p e n s a r c r ític o (Meio, 1998). Outro trabalho mais

atual Que também merece referência é apesquisa realizada por Cruz

et al. Oa te n d im e n to e m C r e c h e s C o m u n itá r ia s n a c id a d e d e F o r ta le -za - D ia g n ó s tic o d a Situ a ç ã o Atu a !.

6Mais especificamente no Núcleo de Desenvolvimento da Criança (NDC).

(3)

professoras restava, como é comum em cursos desse

tipo, só aceitar, aparentemente, o Que Ihes diziamihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAs o

-bre o como e Quando deveriam agir.

A investigação centrou a atenção na prática

pedagógica desenvolvida pelas professoras de salas de pré-escola da rede municipal de Fortaleza, buscando

compreender como essas professoras estão

desenvol-vendo seu trabalho, a Queconcepções' recorrem,zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ouaís

recursos práticos" dispõem para tomar suas decisões e Que apoios recebem para concretizar o seu fazer em sala de aula. Neste sentido, procurou-se investigar a

influência, para o desenvolvimento dessa prática

do-cente, do acompanhamento pedagógico fornecido pela escola ou pelas técnicas" da Secretaria Executiva Regi-onal (SER) da Prefeitura Municipal de Fortaleza, das

trocas e interações realizadas entre as próprias

profes-soras e da P r o p o s ta C u r r ic u la r - E d u c a ç ã o In fa n til 10

do Município de Fortaleza. Considerou-se necessário

a apresentação de um panorama geral sobre a

situa-ção da educasitua-ção infantil em instituições públicas

mu-nicipais de Fortaleza, a fim de servir de pano de fundo para as análises realizadas.

Um estudo de caso, de natureza Qualitativa e

de tipo etnográfica como opção metodológica focou

a atenção em uma turma e uma professora de sala de ~

pré-escola da rede pública municipal. Desenvolvida

em etapas diferentes, esta pesquisa iniciou-se com um estudo exploratório realizado durante o período de um mês. Através de entrevistas com as técnicas

7 Neste trabalho. o termo concepção é utilizado como síntese dos processos mentais referidos por Pacheco (1995). Que incluem suas crenças. valores, teorias explícitas, juízos e perspectivas sobre um determinado tema.

S Referem-se tanto aos recursos disponíveis na escola e na sala da

professora Quanto às trocas de atividades com outras professoras e à realização de atividade conjunta com outra turma.

9Denominação comumente utilizada tanto na SMDS Quanto nas SERs para as pessoas com nível superior Que através de concurso público. assumiram o cargo de té c n ic o e m e d u c a ç ã o <we estão Iotados nas secretarias e não nas escolas,

10 De acordo com esse documento, seu objetivo maior é se . de

b ú s s o la p a r a o r ie n ta r o s p r o fe s s o r e s e c o n tr ib u ir p a a u m e n s in o m e lh o r e u m a e d u c a ç ã o d e Q u a lid a d e n a e s c o la p ú b lic a m u n ic ip a l d eBAF o rt3 e

-z a . A importância da proposta pedagógica é destacada em -á rio s

instrumentos legais (Estatuto da Criança e do Adolescente. a LDB e as Diretrizes Currículares Nacionais para a Educação Infantil) como fator relevante, a b a s e in d is p e n s á ve l. para a concretízação de um trabalho educativo de Qualidade para as crianças.

da Coordenadoria de Educação (COEDUC) da

Se-cretaria Municipal de Desenvolvimento Social

(SMDS), da Secretaria Executiva Regional X e das

escolas vinculadas a esta Secretaria. procurou-se

compreender a estrutura de organização do atendi-mento em educação infantil na Prefeitura de

Fortale-za. Nesse período então foi elaborado um panorama

geral da educação infantil nas escolas municipais,

es-pecificamente. das pertencentes à SER escolhida.

A outra etapa desta

pescuísa

consistiu em outro

momento do trabalho de campo. Nele estão

incluí-das as observações realizaincluí-das na escola, em sala de aula e nos momentos de participação da professora

em um curso de Q u a lilka ç ã o , além das entrevistas

com a professora, com técnicos da COEDUC. da

SER e da escola. Todas as observações detalhadas, os comentários complementares Que ultrapassam a

descrição dos fatos. as transcrições das entrevistas e

as reflexões foram registradas no diário de campo,

considerado por Minayo (1994). o a m ig o s ile n c io s o .

com encontro marcado diariamente.

As análises dos dados coletados apoiaram-se

em referenciais

oue

procuraram englobar dois

aspec-tos importantes: o pensamento e a ação do

professor I I, os processos de desenvolvimento e

aprendizagem da criança e o papel do professor

nes-ses processos12. Para entender a proposta

pedagógi-ca como fator orientado r da prátipedagógi-ca. também foi necessário recorrer a alguns estudos e reflexões

rea-lizados sobre o tema13 •

Essas análises revelaram Que a ed cação

in-fantil oferecida pela prefeitura de Fo eza a se

encontra distante de garan 'r, de o issodável

iilliAi:h;;;;;;~aÜ\dl A ç ã o e o F b ~ ~ v d o P r o fe s s o rPacheco.

.;;-.c1tock~;i:l e da relação

_ e:ssoQe ~ões.

processos de esen ímento e aprendíza-e:s:sor I't:r3m como referência bási-eraóo . tas de Lev \ygotsky (1991. 1998)

e He (196 . 1995.

13RdJoões nos documentos Su b s íd io s p a a a E la b o r a ç ã o d e D ir e tr

t-z e s eI o r m s s p ila a E d u c a ç ã o In fa n til (MECISEF/DPEF/COEDI,

(4)

e com Qualidade, o cuidado e a educação a Q!1eas

crianças têm direito. O atendimento diferenciado para

as crianças mais pobres; a desarticulação e o

descompasso nas decisões e ações entre as instâncias

planejadora e executora; a carência de profissionais

com o conhecimento específico na área de educação

infantil; a falta de apoio pedagógico ao trabalho

de-senvolvido pela professora; e a estrutura de

orienta-ção pedagógica e de Qualificação das professoras

baseada em cursos rápidos Que negam a importância

de compreender as concepções das professoras e o

compartilhar de suas experiências são algumas

constatações destazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBApesouisa. Tal Quadro precisa ser

séria e responsavelmente enfrentado por todos Que

estão envolvidos com a criança peouena, a fim de

Q!1eseja modificado. Citando Paulo Freire, Arroyo

(2000) afirma Que é chegado oihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAte m p o d e s e r e c u p e

-r a -r a h u m a n iza ç ã o -r o u b a d a d e s s a in fa n c ia .

Foi importante entender a estrutura e o

funcionamento dos órgãos envolvidos com a

edu-cação infantil Que são vinculados ao poder público

municipal de Fortaleza, tentando discernir as

com-petências de cada setor responsável. Os dados

re-velaram Que, dentro do próprio setor público

municipal, existe um atendimento diferenciado

en-tre o oferecido aos pobres e aos ainda mais pobres.

Marcantes disparidades, Que deixaram à mostra

ati-tudes e posturas discriminatórias e desiguais,

fo-ram observadas entre o atendimento realizado em

algumas escolas anexas14 e o atendimento

ofereci-do pelas escolas patrimoniais 1s. Diferenças com

re-lação ao repasse de material pela SER, com

Quantidade insuficiente para as escolas anexas, com

14São prédios alugados pela prefeitura ou cedidos àprefeitura. para absorver a clientela da escola patrimonial Que não tem condição de

atender à demanda existente. A Prefeitura. então. firma convênios

mantendo uma relação QUe atende a critérios financeiros (energia. telefone. água. merenda escolar e conservação parcial do prédio) e relacionados aos recursos humanos (professoras. pessoal de apoio e coordenadora). Nessas escolas há predominância expressiva de salas

educação infantil.

. Iadas ao poder público municipal. com inteira

res-p:x:~r.idlde l;xIo édío, recursos materiais e humanos e pelo

acom-3 Ó ico geralmente funcionam com ensino

de educação infantil).

relação ao acompanhamento pedagógico, e às

pre-cárias condições físicas de algumas.

Foi possível constatar Que a educação infantil

inserida nas escolas patrimoniais se beneficia, de certa

forma, de alguns aspectos da estrutura e do

funcio-namento dessas escolas como os referentes ao

aces-so aos espaços da escola (pátio, biblioteca, sala de

televisão e vídeo), ao material pedagógico oferecido

aos alunos e à participação no planejamento. Nas

escolas anexas o atendimento varia, de forma

consi-derável, dependendo do parceiro do convênio

firma-do, pois o Que lhe é proporcionado por este parceiro

com o Qual tenha firmado convênio, o Que pode

re-presentar grandes melhorias para essas escolas. A

existência de algumas escolas anexas com melhor

estrutura física do Que uma escola patrimonial é

ex-pressão disso.

O fato de a educação infantil estar inserida na

escola patrimonial de ensino fundamental não

garan-te, contudo, o atendimento de Qualidade a Que as

crianças têm direito. Nem tampouco garante o apoio

pedagógico necessário às professoras no

desenvol-vimento de seu trabalho junto às crianças. Em outras

palavras, escondida e misturada ao ensino

fundamen-tal, a educação infantil ainda não conseguiu espaço

próprio para efetivar ações Que contemplem de

for-ma digna o cuidado e a educação das crianças.

A escola pode ser definida com relação ao

tra-balho de acompanhamento das professoras de

edu-cação infantil como u m a r Q u ip é la g o d e s o lid õ e s ,

utilizando a expressão de losé Pacheco (in Rubem

Alves, 200 I). Isoladas em suas salas de aula, as

pro-fessoras trabalham sozinhas, dependendo somente

de suas intuições e dos conhecimentos já

acumula-dos ao longo de sua prática, das suas concepções,

nunca postas em dúvida, orientando suas tomadas

de decisão. São, portanto, trabalhos solitários em

meio ao coletivo. Por outro lado, a escola também

não recebe o apoio Que é previsto receber da SER.

O acompanhamento pedagógico sistemático e

cons-tante perspectivado não se concretiza por falta de

recursos material e pessoal disponíveis. Sem uma

ori-entação estabelecida, a escola desenvolve seu

(5)

lho dependendo da atuação da direção, das suas es-colhas e decisões.

Fazendo parte deste contexto, lsolda". então,ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

d e s e n vo lve seu trabalho junto às crianças.zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAPoroue acre-dita Que a criança é capaz apenas de repetir e copiar

seus ensinamentos sobre as regras socialmente

aceitá-ve is e Que seu papel é amar essa criança e transmitir essesensinamentos, conscientemente Isolda centra seu

trabalho na sua própria atuação. Tudo planeja, tr a n s

-m itee dirige, restando às crianças} executarem o Que foi proposto. Nega espaços de brincadeira e de trocas

cognitivas e afetivas; não respeita os interesses e pro-duções das crianças; enfim, não estimula ricas e signi-ficativas experiências educativas.

Como outras tantas professoras, Isolda tam-bém d e s e n vo lve o seu trabalho praticamente sozi-nha. Inserida na escola, ela participa do Que está

r e s e r va d o para todas as demais professoras, princi-palmente das comemorações religiosas. Porém, não

conta com o acompanhamento pedagógico Que

de-veria ser oferecido pela vice-diretora; não participa

de grupos de estudo e não tem espaço para discutir

seus problemas e suas dificuldades. Suas ínterações

com a outra professora de educação infantil

restrin-gem-se a eventuais atividades conjuntas no pátio da

escola, às trocas de modelos de ~tividades

mimeografadas ou então, ao registro conjunto do

planejamento. Os dados obtidos na pesouísa

indicaram Que a escola ainda não considera as

especificidades Quee n vo lve m o trabalho com a

edu-cação infantil. As ações relativas ao atendimento dessa

etapa da educação parecem apontar para a pouca importância dada ao trabalho com as crianças

meno-res, Que não são respeitadas como deveriam ser. Não foi constatada a preocupação em providenciar

mate-rial diversificado eadequado: mobiliário próprio;

es-paços organizados de forma criativa e com

intencionalidade educativa; momentos de

planejamen-to coletivo e cooperativo; professoras substitutas;

acompanhamento pedagógico realizado por

profis-16 Nome fictício escolhido para a professora em Que a pesoutsa se

centrou.

=•.

sionais QUe possuam conhecimentos espe . s

área da educação da criança.

A formação inicial de Isolda não contem o

os conhecimentos específicos necessários para o

['3-balho com as crianças pequenas.

É

importante deixar

claro Que a situação de Isolda não é

substancialmen-te diferensubstancialmen-te da grande maioria das professoras de educação infantil. pois, até recentemente, os cursos

de formação, tanto no nível médio como no superi-or, não incluíam disciplinas voltadas para a educação

de bebês e crianças peouenas. Por outro lado, ela

participou de todos os tr e in a m e n to s propostos pela

Secretaria Executiva Regional X e pela Coordenadoria

de Educação (COEDUC/SMDS). O presente estudo

constatou, contudo, Que tais tr e in a m e n to s parecem

não ter muita repercussão na prática desenvolvida

em sala de aula. Possivelmente a forma como eles se

d e s e n vo lve m não contribuem para Questionar as con-cepções das professoras, pois foi possível constatar

QUe estão baseados na fragmentação e transmissão

dos conhecimentos teóricos e não consideram as

experiências vivenciadas pelas professoras. De

for-ma incoerente e contraditória negam os

conhecimen-tos Que as professoras são capazes de construir na

lnteração com os colegas e com a instrutora, não

abrindo espaço para Que todas possam compartilhar

esses conhecimentos ed e s e n vo lve r experiências

sig-nificativas, lúdicas e prazerosas. Esses treinamentos

também não possibilitam tempo para Que as roles-soras possam assimilar os conhecimentos no ·os aos

já construídos ao longo de sua prática. Por is o,

Kramer (2000) pergunta: C o m o o s p r o fe s s o r e s e d u

-c a d o r e s fá vo r e -c e r ã o a -c o n s tr u ç ã o d e -c o n h e -c im e n to s s e n ã o fo r e m d c s s tis d o s a c o n s tr u ir e 0 5s e u s ?

Para Que as rofessoras co i a recons ruir

a sua forma de er a cria ça, o recesso de ensino e

aprendiza em. se a como professoras e,

con-seoüenteme e. modificar sua prática, elasp r e c is a m

c n tr c a ts r od e s a fjo Q u e e x{g e u m a p r e n d iza d o Q u e p a s s a p e lo d iá lo g o e p e la tr o c a c o m o o u tr o , p e lo

(6)

às crianças precisam necessariamente dedicar uma

atenção legítima e sincera às professoras. Quando isso acontecer, as Questões levantadas pelas

profes-sorasihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAn o a p r e n d e r c o m p a r tilh a d o e n a in te r r o g a ç ã o d e s u a s c e r te za s serão transformadas em conteúdos pedagógicos nos encontros de formação. EssasQues-tões deverão ser compreendidas e ampliadas a partir

de aportes teóricos Que fundamentam uma prática preocupada em atender de forma integral às necessi-dades de desenvolvimento e aprendizagem das

cri-anças peouenas,

Além disso, osp r o je to s d e fo r m a ç ã ocontinuada

têm maiores possibilidades de atingir os seus objetivos

Quando elaborados por pessoas Que possuem conheci-mentos específicos sobre a educação infantil

(Macha-do, 2000). Continuar insistindo em cursos esporádicos, onde os mesmos conteúdos são apresentados como

algo novo, é perda de tempo e de recursos. Prejudica

as crianças e perpetua a forma eouívocada de pensar e

agir das professoras com relação às crianças.

A indefinição Quanto às reais funções e com-petências de cada instância envolvida com a educa-ção infantil e a conseoüente desarticulaeduca-ção existente

entre elas, contribuem para Q!.Ieações de fato

com-prometidas com a Qualidade do atendimento das cri-anças não sejam efetivadas no âmbito da prefeitura

de Fortaleza. Como direcionar um trabalho sério para a educação infantil existindo tamanho descompasso

entre os órgãos por ela responsáveis? Se m u m a m o

-tiva ç ã o e u m e m p e n h a m e n to d o s p r in c ip a is in te r ve n ie n te s n o s is te m a e s c o la , d o s o ú s ls s e d e s ta -c a r ã o o s p r o fe s s o r e s , o s a lu n o s , o s e n -c a r r e g a d o s d e e d u c a ç ã o , to d o p r o je to d e r e fo r m a e d u c a tiva n ã o p a s s a r á d e u m a h ip ó te s e a d m in is tr a tiva , c o m e xis -tê n c ia le g is /a tiva , m a s s e m u m a r e a liza ç ã o p e d a g ó g i-c a . P a i-c h e i-c o (idem, p. 7).

O discurso de Quec h e g o u o m o m e n to de se

dar a devida atenção à educação infantil, propagado atualmente nas diferentes instâncias responsáveis pela

educação infantil no âmbito da prefeitura de Fortale-za,zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAiá se apresenta, de certa forma, tardio. As crianças

'e mais esperar para ter um atendimento

dig-- se repete. Fica difícil recuperar a

infância das crianças pobres cuja vivência foi negada

(idem, p. 58). Essascrianças estão sendo submetidas

a um processo de d e s u m a n iza ç ã o Que leva à ouebra

de seus sonhos, à perda da vontade de ir além. A elas

está sendo negado o direito de conhecer, de brincar, de Querer, de ser ouerída. de experimentar, de ser

fe-liz, de ser criança ...

Tendo a prática da professora como foco da atenção foi possível apreender Que contribuições essa professora recebe no sentido de desenvolver o

seu trabalho pedagógico e o papel Que ela pode

desempenhar no processo de reversão dessa

d e s u m a n iza ç ã o pela Qual passa a criança pobre Que freoüenta a pré-escola municipal de Fortaleza. Dessa

forma, esse trabalho tratou de explicitar uma

indig-nação legítima com relação aos absurdos ainda cons-tatados na prática desenvolvida nessas escolas. Tais

absurdos trazem conseoüênclas Que podem ser

per-cebidas nas crianças: o sofrimento, causado pela

morte de seus sonhos de aprender e de transformar

suas vidas, e o desencanto, expresso nos esforços

inúteis para dar conta de atividades tão

desin-teressantes e sem sentido estão espelhados em seus olhos. As professoras também sofrem as

conseoüên-cias dessa situação: sentem-se desiludidas com

re-lação ao seu trabalho, uma vez Que um véu encobre sua capacidade de sonhar com uma forma mais

com-petente e prazerosa de ser professora e de tornar sua criança mais feliz.

Na verdade, ainda longe do momento de

real-mente se dar a devida atenção à educação das

crian-ças peouenas. persiste o fá z-d e -c o n ta de ações.

F a z-d e -c o n ta Q!.Ieexiste uma proposta pedagógica construída coletivamente Que orienta o trabalho

rea-lizado pelas professoras; fá z-d e -c o n ta Que o

acom-panhamento pedagógico realizado pela Secretaria Executiva Regional nas escolas é freqüente e

siste-mático; fa z-d e -c o n ta Que ostr e in a m e n to s propostos

contribuem para a modificação e melhoria das

práti-cas existentes; fa z-d e -c o n ta Que os atendimentos

desiguais e diferenciados em algumas escolas são

temporários; fa z-d e -c o n ta Que os direitos das

crian-ças e de suas famílias são respeitados; fa z-d e -c o n ta

(7)

Que as professoras recebem todo apoio material e

pedagógico em suas escolas; por fim,ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAfa z-d e -c o n ta

Que as crianças estão felizes e se desenvolvendo

ple-namente. Um trabalho Que verdadeiramente

contri-bua para a melhoria da educação oferecida às crianças

depende de ações conjuntas, coordenadas,

planeja-das, do comprometimento de todos e

principalmen-te, da vontade política dos gestores.

Que esse trabalho possa trazer contribuições

àoueles Que estão envolvidos -na construção de uma

educação infantil voltada para a vivência digna dos direitos

das crianças, em especial aos docentes e técnicos

liga-dos à educação infantil das escolas públicas municipais.zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

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