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INFÂNCIA E ESPIRITUALIDADE NOS DIAS ATUAIS

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Academic year: 2021

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ANO 98 | Nº 1146 | SETEMBRO 2021

05 | ESPECIAL

44 | VIDA E SAÚDE

68 | TANATOLOGIA

Palavra de Deus e

escritura humana

Apesar de tudo, dizer

sim à vida

Luto por

amigo

INFÂNCIA E

ESPIRITUALIDADE

NOS DIAS ATUAIS

(2)

O mês de setembro é dedicado a uma maior reflexão e valorização da Bíblia. Esse destaque dado à Palavra de Deus, nesse mês, acontece no Brasil, desde 1971. Na verdade, a Bíblia passou a ocupar um espaço privilegiado na família, na catequese, nos grupos de reflexão e na vida do povo, a partir do Concílio Vaticano II.

A Bíblia é a Palavra de Deus revelada ao povo. Nela encontramos a história de Deus que manifesta Seu imenso amor e Sua infinita misericórdia. Deus faz uma caminhada com o Seu povo, especialmente proporcionando a valorização da vida, indicando caminhos para que a vida realmente aconteça para todos.

A Palavra de Deus é sempre atual. Ela está pre-sente nas realidades de cada tempo. Atualmente, percebe-se a necessidade de maior conhecimento e vivência da Palavra de Deus, considerando que a humanidade está sendo atraída pelo materialis-mo, pelo hedonismaterialis-mo, pelo individualismo e pelo egoísmo.

Na busca do bem-estar material, passa-se, muitas vezes, a desconsiderar o valor da dignidade humana, promovendo as injustiças, as falsidades, as mentiras, a escravidão, a desvalorização da vida. Deus sempre se manifestou contrário a tudo isso e pediu que todos escutassem a Sua Palavra, que liberta e promove a vida.

A cada ano, por ocasião do Mês da Bíblia, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe um tema e um lema como referência para o estudo e a meditação da Palavra de Deus. O tema para este ano de 2021 é a Carta de São Paulo Após-tolo aos Gálatas e o lema: "pois todos vós sois um só em Cristo Jesus" (Gl 3,28d). A Carta aos Gálatas é uma das melhores reflexões bíblicas sobre a liber-dade humana e a força libertadora da fé em Jesus Cristo. Essa carta acentua que, a partir do batismo, todos somos "filhos de Deus" em unidade.

A proposta da leitura e meditação da Carta aos Gálatas quer ser um auxílio na superação de contra-dições, de divisões, de polarizações, presentes na sociedade atual. Tudo isso poderá ser vencido quan-do a humanidade promover a unidade, tomanquan-do consciência de que esta encontra-se em Jesus Cristo.

Tendo tudo isso presente, a revista Rainha dos Apóstolos quer também enaltecer a importância da Palavra de Deus não só no mês de setembro (Mês da Bíblia), mas sempre. Nesta edição, a revista Rainha traz reflexões e contemplações da Palavra de Deus, no Especial, na coluna O Evangelho em sua vida, e em outros textos. Aliás, todo conteúdo da revista Rainha procura estar em consonância com a Palavra de Deus.

Setembro: Mês da Bíblia

O autor, colaborador desta Revista, é padre palotino e professor da Fapas em Santa Maria (RS)

[email protected]

EDITORIAL

(3)

SUSTENTABILIDADE

Juarez Rodolpho dos Santos

N

a edição anterior iniciamos uma série de

quatro artigos mostrando o quão possível é ser sustentável dentro da nossa realidade diária, afinal, nossas atitudes e escolhas por maiores ou menores que sejam afetam de um jeito ou outro o todo a nossa volta

Nesse capítulo em particular vamos falar do Consumo Consciente. Derivado do consumo sus-tentável, o consumo consciente é aquele em que cada escolha é feita pensando no impacto que terá no meio ambiente, na sociedade e até nas suas fi-nanças. O conceito não é nada complicado: ele pode fazer parte do seu dia a dia e você nem vai perceber.

Trata-se de ser mais racional e ter conhecimento dos impactos trazidos pelo consumo de determi-nado item. São atitudes conscientes, por exemplo, evitar o desperdício de água e escolher não adquirir um produto supérfluo. A ideia é refletir sobre o im-pacto ambiental gerado por nosso modo de vida.

Entenda que tal consumo não se baseia apenas no fato de ter ou não ter um produto ou alimento específico. Trata-se de ter uma leitura mais profunda sobre o mesmo! Poderia citar dezenas de exemplos de empresas alimentícias ou de vestuário por

exem-plo que degradam a natureza em prol apenas da venda de produtos com um menor preço.

Reflita um pouco sobre essa conta: sim, você comprou um produto mais barato, mas coloque na ponta do lápis, qual o custo danoso criado para a produção deste produto ou serviço? Vale realmente a pena ter aquela roupa de marca que pode estar usando trabalho escravo na ponta da produção? Atualmente já possuímos tecnologias que produ-zem por exemplo tecidos sintéticos, os quais podem facilmente suprimir o couro animal.

Tá, e dai você se pergunta, qual o problema em comprar uma jaqueta de couro por exemplo. Lem-bre-se que para produzir a mesma é necessário todo o processo em um curtume, onde a peça é tratada com mais de 40 tipos de elementos pesados, os quais em sua grande maioria são literalmente des-cartados na natureza. Entendeu o custo? Optando por produtos vegetais ou sintéticos você de tabela, estará preservando a natureza para as gerações futuras!

Simples assim! A grande sacada do Consu-mo Consciente é a nossa consciência diária. A solução está sim em nossas mãos!

02

CONSUMO CONSCIENTE

SOMENTE O

NECESSÁRIO

e com responsabilidade

Pense bem!

Comprar em brechós é uma forma de incentivar o

con-sumo consciente e a moda sustentável. O consumidor de uma moda consciente está em busca de peças que tenham significado e provoquem diálogo. O consumidor consciente evita descartar a roupa rapidamente e preocupa-se em saber como foi a produção da peça.

A MELHOR ROUPA É A QUE JÁ EXISTE!

(4)

O autor, colaborador desta Revista, é designer gráfico em Porto Alegre (RS)

[email protected]

NAS PRÓXIMAS EDIÇÕES SEGUIREMOS FALANDO DOS DEMAIS TÓPICOS. FIQUE LIGADO E TORNE SUA VIDA CADA VEZ MAIS SUSTENTÁVEL!

Planeje suas compras

Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje anteci-padamente e, com isso, compre menos e melhor.

Avalie os impactos de seu consumo

Leve em consideração o meio ambiente e a socie-dade em suas escolhas de consumo.

Consuma apenas o necessário

Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.

Reutilize produtos e embalagens

Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.

Separe seu lixo

Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.

Use crédito conscientemente

Pense bem, se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.

Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas

Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade do produto. Valorize as empresas

em função de sua responsabilidade para com os

funcionários, a sociedade e o meio ambiente.

Não compre produtos piratas

ou contrabandeados

Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.

Contribua para a melhoria de

produtos e serviços

Adote uma postura ativa. Envie às empresas suges-tões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.

Divulgue o consumo consciente

Seja um militante da causa: sensibilize outros consu-midores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobili-zar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.

Cobre dos políticos

Exija de partidos, candidatos e governantes propos-tas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente.

Reflita sobre seus valores

Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo.

Fonte: akatu.org.br

Para concluir, pode parecer brinca-deira, mas você lembra do classico da

Disney, O Rei Leão? Pois bem, qual o seu papel na sociedade atual? Ajudar a manter o equi-líbrio na natureza igual ao Sim-ba ou consumir sem parar igual as hienas? Pense bem porque

as suas atitudes diárias podem lhe transformar em mocinhos ou bandidos. Qual afinal é o seu papel?

(5)

Uma sociedade que não

Uma sociedade que não

acolhe a vida deixa de viver

acolhe a vida deixa de viver

PALAVRA DO VATICANO

O Papa Francisco incentivou a natalidade afirmando que “uma sociedade que não acolhe a vida deixa de viver”. Ele falou aos participantes do fórum Estados Gerais da Natalidade, promovido pelo Fórum das Associações Familiares, junto com o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, que está debatendo os baixos índices de nascimentos na Itália, país que tem hoje a taxa de natalidade mais baixa de toda a União Europeia.

(6)

É precisamente esta tendência que precisa ser "revertida" para "colocar a Itália novamente em movimento a partir da vida, a partir do ser humano", disse o Papa Francisco no início de seu discurso, no qual ele dirige seu pensamento sobretudo aos jovens cujos sonhos foram desfeitos no gelo deste inverno rigoroso, desanimados a tal ponto que "a metade acredita que conseguirá ter apenas dois filhos em sua vida".

E continuou: “Todos os anos é como se uma cidade de mais de duzentos mil habitantes desa-parecesse. Em 2020, houve o menor número de nascimentos desde a unidade nacional: não apenas por causa da Covid-19, mas por uma tendência contínua e progressiva de queda, um inverno cada vez mais rigoroso”

trabalho, com medo de que uma gravidez possa resultar em demissão, a ponto de chegar a esconder a barriga.

“Como é possível que uma mulher se sinta en-vergonhada pelo presente mais bonito que a vida pode oferecer? Não a mulher, mas a sociedade deveria se envergonhar, porque uma sociedade que não acolhe a vida deixa de viver. Os filhos são a esperança que faz um povo renascer"! Francisco acrescentou que ele próprio também se preocu-pa com o desincentivo que o mundo profissional impõe às mulheres no tocante a terem filhos. E encorajou os futuros pais e mães: “As crianças são a esperança que faz um povo renascer! Finalmente a Itália decidiu transformar em lei um subsídio para cada criança nascida, que foi definido como único e universal. Manifestou o meu apreço às autorida-des e espero que este subsídio venha ao encontro das necessidades concretas das famílias, que estão fazendo tantos sacrifícios”.

De fato, às vezes, "se passa a mensagem de que realizar-se significa ganhar dinheiro e ter sucesso, enquanto os filhos parecem quase uma distração, que não deve dificultar as aspirações pessoais". Esta mentalidade é, segundo Francisco, "uma gangrena para a sociedade e torna o futuro insustentável".

Em conclusão diz: "Obrigado". "Obrigado a cada um de vocês e a todos aqueles que acreditam na vida humana e no futuro. Às vezes vocês terão a sen-sação de gritar no deserto, de lutar contra moinhos de vento. Mas vão em frente, não desistam, porque é bonito sonhar o bem e construir o futuro. E sem natalidade não há futuro".

“Para que o futuro seja bom, é necessário

cuidar das famílias, particularmente

das famílias jovens, atormentadas

por preocupações que correm o risco

de paralisar seus projetos de vida”

Metade dos jovens acredita

que terá apenas dois filhos

Triste ver mulheres obrigadas

a esconderem a barriga

no trabalho

Pais divididos entre casa e

trabalho, avós salva-vidas

Ele então voltou seu olhar para a realidade das muitas famílias que nestes meses de pandemia "ti-veram que trabalhar horas extras, dividindo a casa entre trabalho e escola, com pais que agiram como professores, técnicos de informática, operários e psi-cólogos". Sem esquecer os "sacrifícios" exigidos aos avós, "verdadeiros botes salva-vidas para as famílias", bem como "memória que nos abre para o futuro". E chamou a atenção para o cuidado com estas famílias: “Para que o futuro seja bom, é necessário cuidar das famílias, particularmente das famílias jovens, atormentadas por preocupações que correm o risco de paralisar seus projetos de vida.”

Falando de paralisia, o Papa criticou a situação em que tantas mulheres se encontram no local de

(7)

INSPIRE-SE

O

COMEÇO É MAIS

DO QUE A METADE DO TODO.

(HORÁCIO)

O

TEMPO É O LENÇO

DE TODA LÁGRIMA.

(MIA COUTO)

E

DUCAR A MENTE

SEM EDUCAR O CORAÇÃO

NÃO É EDUCAR.

(ARISTÓTELES)

P

REGA BEM QUEM VIVE BEM.

(MIGUEL DE CERVANTES)

C

RIAR É TÃO DIFÍCIL

QUANTO SER LIVRE.

(ELSA TRIOLET)

À

S VEZES, ENCONTRA-SE

O DESTINO NOS CAMINHOS

PERCORRIDOS PARA EVITÁ-LO.

(LA FONTAINE)

S

EM DOAÇÃO

NÃO HÁ REALIZAÇÃO.

(CARLOS A. VEIT)

A

PRENDER REALMENTE

A PENSAR SIGNIFICA

APRENDER A EXERCER

CERTO CONTROLE

SOBRE O QUE VOCÊ PENSA.

(DAVID F. WALLACE)

I

DEIAS SÃO FORÇAS.

(NIETZSCHE)

O

TEMOR DO SENHOR É O

PRINCÍPIO DA SABEDORIA.

(Pr 1,7)

(8)

O EVANGELHO EM SUA VIDA

Pe. Erno Aloísio Schlindwein, SAC

Bendize, ó minha alma, ao Senhor. Bendirei ao Senhor toda a vida! Is 35,4-7a | Sl 145 | Tg 2,1-5 | Mc 7,31-37

Verde | III Semana do Saltério

05 de SETEMBRO

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Para o mês de setembro, MÊS DA BÍBLIA, des-tacamos uma breve passagem de Hebreus 4,12-13:

“A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetran-te que qualquer espada de dois gumes.

Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Julga os pensamentos e as intenções do coração.

Não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos olhos daquele a quem devemos prestar contas”.

Esta passagem nos ensina que a Palavra de Deus é muito diferente de papos furados e divagações ocas. Ela tem três características:

• Antes de tudo ela é “viva e eficaz”. A partir do momento em que ela saiu da boca de Deus, quando proclamada na comunidade, ela sempre produz resultados porque possui dentro de si a vida e a

força de Deus. O profeta Isaias a compara à chuva que nunca cai em vão (Is 55,10-11).

• Além disso ela é “cortante e penetrante”, mais que uma espada afiada de dois gumes: penetra até o âmago mais profundo do ser humano e causa mu-danças. Ela é mais do que uma pluma que acaricia os ouvidos!

• Ela é um “juiz” que desnuda e interpela as ações e os pensamentos mentirosos e hipócritas. Durante este mês da Bíblia, nas orações e meditações, nas li-turgias, não procuremos fechar os ouvidos à Palavra. Deixemos que ela penetre até ao fundo dos cora-ções, não nos deixe sossegados na mesmice de uma vida morna e sem sabor, sem paixão e vigor. Que ela converta nossos pensamentos e comportamentos segundo o seu conteúdo, que é Cristo. Portanto, acolher e conhecer a Palavra da Bíblia é o mesmo que acolher, conhecer e servir a Cristo!

Na primeira leitura o profeta oferece uma mensagem de esperança ao povo de Israel exilado na Babilônia. Ao abatimento, tristeza e

desânimo do povo, Isaías o reconforta: “Coragem,

A PALAVRA DE DEUS NA VIDA E NA FÉ DOS CRISTÃOS

não tenhais medo! O nosso Deus vem para nos salvar”

(v. 4). Quando isso acontecer, haverá mudanças ex-traordinárias: “Então se abrirão os olhos dos cegos e

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dialogam com os filhos e estes que não prestam a mínima atenção às orientações dos pais.

Observemos ainda que o doente é conduzido por algumas pessoas que já conheciam e confiavam em Jesus. O ensinamento é este: para conseguir perceber a Palavra que cura, é preciso ser acom-panhado por alguém que já conhece o Mestre. Verdadeiramente, os pais, os catequistas, os cristãos de modo geral, que não têm a experiência da fé em Cristo, todos os que permaneceram na “fé da primei-ra comunhão”, não têm capacidade de conduzir os outros aos caminhos da fé segura e adulta. Não se consegue dar aquilo que não se tem!

Por que Jesus afasta o surdo da multidão e não quer que divulguem o milagre? No Evangelho de Marcos encontra-se o chamado “segredo messiâ-nico”, isto é, Jesus não quer que se manifeste a sua identidade messiânica. Por ocasião da multiplicação dos pães, Jesus já fora interpretado erroneamente, pois não viram o sinal; queriam considerá-lo um rei prodigioso deste mundo. Somente depois da morte e ressurreição, com a assistência do Espírito Santo, é que a mente dos discípulos compreende que ele é totalmente o outro: o Filho de Deus!

Ao operar a cura, Jesus olha para os céus: entra em oração de união com o Pai. Toca os ouvidos com a saliva, cuja significava a concentração do hálito, uma espécie de difusão do Espírito Santo. E pronun-cia a palavra “Effatá = abre-te”, não dirigida somente aos ouvidos, mas à totalidade do curado, que agora em diante deverá abrir-se completamente à Palavra de Deus, a fim de que a cura prossiga como um pro-cesso permanente. Este gesto, tanto no tempo de Marcos como em nossos dias, era usado no batismo, quando o ministro toca os ouvidos e diz: “O Senhor

Jesus, que fez os surdos ouvir e os mudos falar, te con-ceda que possas logo ouvir a sua Palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai''!

Na parte final da narrativa, se descreve o resulta-do da intervenção milagrosa de Jesus, bendizenresulta-do os tempos messiânicos já acontecendo, segundo

qual um cervo e se desatará a língua do mudo” (v. 5-6).

Os rabinos ensinavam que com a vinda dos tempos messiânicos estas reconfortantes promessas se tor-nariam realidade.

Com a vinda de Jesus Messias, segundo lemos no episódio do Evangelho de hoje, efetivamente

se realizam. Na análise que faremos do mesmo, não importa se foi exatamente como a cura é descrita. Antes, queremos descobrir qual é o sentido dos gestos sanativos de Jesus.

Importa perguntar-se sobre quem é o surdo-mu-do? É um homem impossibilitado de comunicar-se com seus irmãos e irmãs: não pode ouvir o que estes lhe dizem e, assim, não pode responder. Vive isolado, fechado no seu mundo. No tempo de Jesus, todas essas doenças eram consideradas castigo de Deus. Sobremodo a surdez era uma desgraça maior, porque não lhe permitia ouvir a Palavra de Deus.

No Evangelho de Marcos, esse pobre homem assume um significado simbólico. Ele representa todos aqueles que fecham seus ouvidos à Palavra de Cristo. E assim, conforme Paulo em Romanos 10,17, não progridem na fé: “A fé vem pela pregação e

a pregação é a Palavra de Cristo”. Em outras palavras:

a fé vem pela escuta amorosa e atenta da pregação evangélica!

Portanto, o surdo-mudo de outrora seria a “surdez espiritual” de todos os batizados aos quais não se anuncia a Palavra de Deus, ou não a querem escutar porque têm os ouvidos apenas às parábolas do mundo. Nós também nos

com-portamos como “surdos” quando não escutamos, acolhemos e praticamos a Palavra de Cristo. Com-portam-se como surdas as nossas comunidades quando não damos ouvidos aos gritos dos sofre-dores, dos pobres e marginalizados por causa das inumeráveis injustiças.

Surdo, e também mudo – pois tem pouco ou nada a dizer –, são aqueles que não cooperam para construir o diálogo e a compreensão na família e na comunidade. São “surdos-mudos” os pais que não

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profetizara Isaías: “Muito impressionados diziam: Ele

tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”(v. 37). Em nossas comunidades,

esta aclamação de alegria cristã devia ser proferida cada vez que um irmão batizado é tornado membro do Povo de Deus peregrino nesta terra, prosseguin-do assim o caminho evangélico da conversão das trevas à luz, da surdez ao anúncio do Evangelho!

Na segunda leitura, Tiago aborda a difícil questão dos ricos e pobres na mesma comu-nidade e no mesmo mundo. Não se devia fazer

distinção entre ricos e pobres na comunidade. Na Bíblia, pobres não são somente os privados de bens materiais. São os doentes, os que não receberam ins-trução elevada, os deficientes, os idosos dementes, os que têm gênio pouco afável.

Será que em nossas comunidades atuais exis-tem as discriminações constatadas por Tiago? Não vamos logo concluir que somos hipócritas, mas

que somos fracos e pecadores e devemos entrar no caminho da verdadeira conversão. Em nossas Euca-ristias semanais deveríamos sempre olhar ao que já somos como Igreja, corpo místico de Cristo. E mais ainda, olhar e almejar que deveríamos sempre nos lembrar de que somos protagonistas de um mundo novo, no qual todas as pessoas são irmãos e irmãs, todos com a mesma dignidade, direitos e deveres, onde os princípios orientadores das relações são a compreensão, a estima e a caridade fraterna.

LEITURAS DA SEMANA

Seg.CI 1,24-2,3 | SI 61,6-7.9 (R 8a) | Lc 6,6-11. Ter. CI 2,6-15 | SI 144,1-2.8-11 (R. 9a) | Lc 6,12-19. Qua. Mq 5,1-4a ou Rm 8,28-30 | SI 70(71),6;12(13),6 (R/. Is 61,10) | Mt 1,1-16.18-23. Qui. CI 3,12-17 | SI 150,1-6 (R. 6) | Lc 6,27-38. Sex. 1Tm 1,1-2.12-14 | SI 15,1-2a.5.7-8.11 (R. cf. 5a) | Lc 6,39-42. Sáb. 1Tm 1,15-17 | SI 112,1-5a.6-7 (R. 2) | Lc 6,43-49.

Se alguém quer me seguir, tome a sua cruz. Is 50,5-9a | Sl 114 | Tg 2,14-18 | Mc 8,27-35

Verde | IV Semana do Saltério

12 de SETEMBRO

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM

No Evangelho de Marcos ficamos impressio-nados com o fato de Jesus nunca parar, mas estar sempre em movimento. Atrás dele, incansáveis e surpresos, caminham os seus discípulos. Percebem que estão seguindo um homem diferente e ex-traordinário. Vivem com ele, mas desconhecem a sua verdadeira identidade. “Quem é ele” perguntam eles e as multidões? Ele expulsa demônios, realiza grandes milagres e até as ondas escabrosas do mar lhe obedecem, quem é mesmo ele?

Ao longo do caminho, em Cesaréia de Filipe, terra onde a maioria da população é pagã, Jesus dirige aos seus discípulos duas perguntas. A pri-meira é relativamente simples: “Quem dizem os

homens que eu sou”? A segunda, por sua vez, é

muito mais comprometedora: “E vós, quem dizeis

que eu sou”?

O episódio se passa na metade do Evangelho. O que também pode ser entendido que Jesus está justamente na metade de sua catequese sobre si mesmo e a natureza de sua missão. Eles lhe apre-sentam uma lista de opiniões sobre quem é Jesus. Estas são as opiniões do povo! Para Jesus interessa

mesmo saber o que os discípulos entendem dele mesmo. Vislumbraram nele algo a mais que o povo

em geral? Há alguns dias atrás os havia censurado porque “tinham olhos, mas não viam” (Mc 8,18). Seguiam-no, mas não sabiam para onde ia, nem percebiam qual era a sua meta final.

Na resposta, em nome de todos, em primeiro momento, Pedro parece ter entendido quem ele era: “Tu és o Messias”! Embora Pedro e os mais

próximos a Jesus tenham entendido algo a mais do que as multidões, ainda estavam longe de

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23 DE SETEMBRO

Ó Jesus, fonte de amor e misericórdia, nós Vos agradecemos por nos terdes dado São Pio de Pie-trelcina como sinal vivo de Vossa Paixão, Morte e Ressurreição. A ele destes as Vossas próprias cha-gas que São Pio carregou com serenidade e força, comunicando ao mundo a Vossa compaixão. Por isso, por intercessão deste grande santo, São Pio de Pietrelcina, dai-nos a graça que tanto necessitamos:

(Faça seu pedido)

Jesus, a exemplo de São Pio, dai-nos a graça de nos unir à Vossa Paixão, nos abrigar em Suas Santas Chagas e desfrutar da Sua gloriosa ressurreição. Jesus, por intercessão de São Pio, nos conceda as graças de que ne-cessitamos para realizar neste mundo a nossa vocação e a nossa missão. São Pio de Pietrelcina, ajudai-nos a viver como cristãos, a buscar o perdão e a cura de nossas feridas. São Pio de Pietrelcina, dai-nos mais amor à Eucaristia. São Pio de Pietrelcina, curai nossas feridas pela Confissão. São Pio de Pietrelcina, fortalecei os enfermos. São Pio de Pietrelcina, animai a nossa vida de oração. São Pio de Pietrelcina, rogai por nós. Amém!

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