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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.53 número4

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2007; 53(4): 283-92 283

E

ditorial

As vacinas contra os tipos mais agressivos de Papilomavírus Humano (HPV) são muito bem-vindas, pois vão reduzir a incidência do câncer cervical uterino, diminuirão o estresse provocado por resulta-dos anormais nos exames citológicos ou pelo diagnóstico de uma doença infecciosa sexualmente transmitida e pouparão gastos referen-tes aos cuidados com a saúde1. Mas para atingir tais benefícios, é

indispensável que a vacina seja realmente aceita pelos grupos de pessoas nos quais ela será indicada, isto é, nos jovens ou crianças pré-adolescentes. Esta aceitação envolve aspectos muito peculiares, sendo indispensável avaliar a percepção do problema pelos diversos atores envolvidos como os usuários, suas famílias, os profissionais da área da saúde (com suas respectivas instituições) e a sociedade em geral2.

Nas decisões sobre o emprego da vacina deve-se encarar a progressiva redução da idade com que rapazes e moças do mundo ocidental iniciam a atividade sexual. Um estudo de 2005, nos Estados Unidos, constatou que 5,7% das meninas e 7,9% dos meninos já tinham se iniciado nas práticas sexuais. Desta forma, a vacinação deve ser indicada para pré-adolescentes ou jovens no início da adolescência para obter o maior benefício possível da prevenção3.

Recentes estudos de campo procuram esclarecer o grau de conhecimento das mulheres sobre o HPV e as principais variáveis que têm influência na citada percepção quanto ao emprego da vacina. Muitos destes estudos procedem da Europa e América do Norte, pois não existem trabalhos brasileiros correspondentes, encontran-do-se apenas os realizados com mulheres já portadoras de HPV.

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MÉDICOS

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PRECISAM

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CONHECER

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RECOMENDAR

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VACINAS

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CONTRA

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HPV

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Como o benefício da vacina só ocorre para pessoas que ainda não contraíram a infecção pelo HIV, os alvos principais das campanhas de vacinação deverão ser jovens na pré-adolescência e na adolescência precoce. Pesquisas feitas com a vacina contra hepatite B nestes grupos etários mostram que os indivíduos confiam nos pais para questões de vacina4.

Os profissionais da área da saúde têm papel importante no sentido de influenciar os pais e os usuários para a aceitação da vacina contra HPV. É preciso que eles desenvolvam conhecimentos e habilidades para tal tarefa. Além disso, nos Estados Unidos já se demonstrou que o grau de endosso destes profissionais às imuniza-ções, de modo geral, depende muito da recomendação das associa-ções de classe.

PAULO ALIGIERI

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1. Goldie SJ, Kohli M, Grima D, Weinstein MC, Wright TC, Bosch FX,,,,, et al. Projected clinical benefits and cost-effectiveness of a human papillomavirus 16/18 vaccine. J Natl Cancer Inst. 2004;96(8):604-15.

2. Sturm LA, Mays RM, Zimet GD. Parental beliefs and decision making about child and adolescent immunization: from polio to sexually transmitted infections. J Dev Behav Pediatr. 2005;26(6):441-52.

3. Rosenthal SL. Protecting their adolescents from harm: parental views on STI vaccination. J Adolesc Health. 2005;37(1):177– 8.

Referências

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