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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.53 número4

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2007; 53(4): 283-92

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anorama Internacional

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CORONÁRIA

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Em recente estudo (WHI Coronary-Artery Calcium Study – WHI-CACS), Manson et al. (2007)1 avaliaram em mulheres após

a menopausa (entre 50 e 59 anos) o impacto do estrogênio conjugado eqüino (0,625mg/dia) sobre o risco de calcificação de artérias coronárias. Sabidamente, calcificações coronárias se correlacionam positivamente com a extensão da placa de ateroma e a ocorrência de eventos cardiovasculares. Nesse estudo, foi obser-vado de forma clara e surpreendente significativa redução (42%, p=0.03) no número de calcificações nas artérias coronárias das usuárias de estrogênios, quando comparadas ao grupo placebo.

O WHI-CACS incluiu 1.064 mulheres com média etária de 55 anos, com antecedentes de histerectomia e que foram tratadas com estrogênios por 7,4 anos (média).

Comentário

Os resultados do WHI-CACS coincidem com os obtidos em investigações básicas, bem como os do próprio braço do WHI em que se utilizou o estrogênio isolado e ainda com os decorrentes de uma reanálise recente do WHI que, além de constatar menor número de eventos relacionados à doença coronária cardíaca, descortinou significativa redução (30%) na mortalidade2.

O WHI-CACS confirmou a “hipótese do tempo” para a terapia com estrogênios, que estabelece que os benefícios na prevenção da aterosclerose ocorrem somente quando ela é iniciada antes do desenvolvimento da aterosclerose avançada, ou seja, em idades mais precoces, quando a parede vascular ainda exibe alterações discretas. Muitas possibilidades estão sendo exploradas para entender como as características biológicas da parede vascular e como os efeitos cardiovasculares dos estrogênios diferem entre mulheres numa fase inicial da pós-menopausa e aquelas cujas menopausas ocorreram há muito tempo. Assim, admite-se que a expressão dos receptores de estrogênios ocorre em diferentes graus nos vasos sanguíneos, à medida que a aterosclerose progride.

Ademais, a regulação de genes específicos, mediada pelos estrogênios, pode ter conseqüências diferentes nos vasos jovens e nos envelhecidos; como exemplo, a indução mediada pelos estrogênios de metaloproteinases, enzimas que degradam os com-ponentes da matriz extracelular, pode ajudar a preservar a luz vascular na aterosclerose precoce, mas também pode desestabilizar um vaso com doença mais avançada, produzindo erosão e ruptura da placa. O WHI-CACS também enfatiza a importância de compreender outros mecanismos pelos quais os estrogênios inibem a calcificação vascular, como os mediados por vários genes que regulam a homeostasia cálcica nas células vasculares, com destaque para o da osteoprotegerina.

Os resultados do WHI-CACS associados aos da reanálise do WHI podem justificar o uso de estrogênios nas mulheres com poucos anos de pós-menopausa (de 5 a 9 anos) e que necessitam a terapia hormonal para o alívio dos sintomas climatéricos. Do exposto, torna-se fácil entender a falha da terapia hormonal na redução da incidência dos eventos cardiovasculares no primeiro estudo WHI, visto que os resultados foram extraídos principalmen-te de mulheres acima de 60 anos, momento em que a aprincipalmen-terosclerose se encontra em fase avançada e que, portanto, o estrogênio aumenta o risco de ruptura de placa aterosclerótica por sua ação sobre as metaloproteinases.

O WHI-CACS veio contribuir para um maior suporte aos con-sensos das grandes sociedades de menopausa que respaldam a “hipótese do tempo”, ou seja, reconhecem os potenciais efeitos benéficos cardiovasculares da terapia hormonal em mulheres menopáusicas jovens (entre 50 e 59 anos) e que necessitam da terapia hormonal para alívio dos sintomas climatéricos.

Estes efeitos benéficos estão sendo analisados em ensaios clínicos, como o estudo de prevenção precoce com estrogênios de Kronos (KEEPS) e o de intervenção precoce e tardia com estradiol (ELITE), além de estudos futuros sobre os efeitos de novas formu-lações hormonais3.

Apesar do WHI-CACS confirmar a hipótese de que o estrogênio pode reduzir o risco da DCV em mulheres entre 50 a 59 anos de idade, é importante enfatizar que a terapia hormonal não deve ser considerada como uma estratégia para prevenir a DCV, pois há outras provadas e que ainda são pouco utilizadas em mulheres.

Talvez, no futuro, a terapia estrogênica possa ser indicada como prevenção para risco cardiovascular num grupo seleto de mulheres: jovens, sem fatores de risco para aterosclerose subclínica, como a resistência insulínica, ou após serem submetidas a algum método de avaliação do grau (estágio) da aterosclerose que a mulher apresente. Mas, como a transferência de conhecimentos da investigação básica para a clínica requer um processo cooperativo e interativo conduzido com paciência e persistência, entendemos que ainda é prudente aguardar os resultados dos estudos em andamento.

JOSÉ M. ALDRIGHI

ALESSANDRA LORENTI RIBEIRO

R e f e r ê n c i a s R e f e r ê n c i a s R e f e r ê n c i a s R e f e r ê n c i a s R e f e r ê n c i a s

1. Manson JE, Allison MA, Rossouw JE, Carr JJ, Langer RD, Hsia J, et al. Estrogen therapy and coronary: artery calcified. N Engl J Med. 2007;356(25):2591-602.

2. Rossow JE, La Croix AZ, Kooperberg C, Stefanick ML, et al. Risks and benefits of estrogen plus progestin in healthy postmenopausal women: principal results From the Women’s Health Initiative randomized controlled trial. JAMA. 2004;288(3):321-33.

Referências

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