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Organ. Soc. vol.21 número68

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Academic year: 2018

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767 o&s- Salvador, v.21 - n.68, p. 757-960 - Janeiro/Março - 2014

www.revistaoes.ufba.br

Organizações & Sociedade, O&S

U

ma das metas visadas pela reestruturação e aperfeiçoamento de processos

desse periódico é a redução do tempo entre submissão e publicação. Essa redução é necessária inclusive para evitar a desatualização do que nele

é publicado, mas não é suiciente para garantir sua atualidade.Ainda que

sejam diminuídos os tempos dos processosde avaliação e publicação, a velocidade de

uma mídiacientíica diicilmente será comparável à velocidade das mídias em geral, nem

muito menos das redes sociais.A comparação entre, por um lado, as mídias comuns,

populares, também chamadas de sociais, e, por outro lado, as mídias particularmente

voltadas para a publicação cientíica, por mais absurda que possa parecer à primeira

vista, revela alguns desaios que se apresentam para periódicos cientíicos.

Diversos setores de comunicação e notadamente o jornalismo passam por uma

crise. Em revistas e jornais de massasão passíveis de questionamento a veriicação

de fatos e fontes e o papel da editoria, face à alternativa de difusão imediata de no-tícias através das redes sociais. O questionamento recai não naverdade das nono-tícias difundidas pelos referidos meios de comunicação, mas na curadoria editorial como

certiicação necessária para a credibilidade dessas notícias. O que é questionado é em que medida os emissores e também receptores de notícias difundidas nas redes sociais

são mais ou menos coniáveis de que os emissores proissionais vinculados às revistas e aos jornais impressos, audiovisuais e digitais, voltados para os mesmos públicos.

No campo cientíico, poderíamos argumentar que essa crise não nos afeta por-que a produção cientíica segue outra temporalidade e sua coniabilidade é garantida

pela avaliação por pares, avaliação essa frequentemente cega quando poderia ser identiicada, declarada e mais ainda transparente. Poderíamos mesmo sugerir que

os trabalhos acadêmicos fossem escritos visando o retardamento de sua atualização, ao incorporar objetos, temas, abordagens e metodologias que não perdessem sua

relevância no curto, médio e longo prazo. Desse ponto de vista, se o cientista desejar pronunciar-se sobre temas atuais urgentes, melhor seria procurar divulgar suas ideias

em mídias e redes sociais.

De certa forma, observamos um pouco disso durante as manifestações de junho de 2013 que ocorreram em várias cidades brasileiras. Poucos eventos atraíram

tantos intelectuais para a mídia em geral, e de forma correlata, poucas oportunidades surgiram anteriormente quelevaram a um aquecimento da demanda por intelectuais das humanidades. Filósofos, sociólogos, cientistas políticos, economistas, psicana

-listas e pesquisadores de Estudos Organizacionais foram escutados. Houve também

uma onda de novos livros, escritos e distribuídos por editoras de renome em poucas semanas. Em pouco tempo, observamos falas, réplicas e tréplicas através dos meios

de comunicação de massa: intelectuais que pouco se citavam através de seus artigos

acadêmicos, estavam lendo atentamente seus pares e ao mesmo tempo, observados por parcelas importantes de formadores de opinião na sociedade brasileira.

Se as temporalidadesdas mídias cientíicas e das mídias e redes sociais são

distintas, perguntamos como Organizações e Sociedade, O&S,com o status de pe -riódico cientíico reconhecidamente qualiicado,podecontribuir para esse debate e outros debates atuais e relevantes não apenas para comunidade cientíica, mas para

a sociedade em geral, com interesses que podem extrapolar os limites nacionais e

alcançar o âmbito internacional.

Mônica de Aguiar Mac-Allister da Silva

Editora-Chefe

Charles Kirschbaum

Referências

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