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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

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Academic year: 2022

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Registro: 2012.0000025258 ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 0017652- 56.2007.8.26.0302, da Comarca de Jaú, em que é apelante ADELINA FLAVIA DOS SANTOS (JUSTIÇA GRATUITA) sendo apelado ICATU HARTFORD SEGUROS S/A.

ACORDAM, em 32ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores FRANCISCO OCCHIUTO JÚNIOR (Presidente) e ROCHA DE SOUZA.

São Paulo, 2 de fevereiro de 2012.

Kioitsi Chicuta RELATOR

ASSINATURA ELETRÔNICA

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COMARCA: Jaú – 1.ª Vara Cível/ Juíza Paula Maria Castro Ribeiro Bressan APTE: Adelina Flavia dos Santos

APDO: Icatu Hartford Seguros S/A

VOTO Nº 22.928

EMENTA: Seguro de vida em grupo. Cobrança. Morte do segurado e recusa da seguradora ao pagamento da indenização. Ação julgada improcedente. Apólice que prevê como beneficiária a autora e identificada como

“amiga”, havendo, ainda, consignação na proposta de que o segurado era casado. Infração ao artigo 793 do Cód. Civil. Autora que não faz prova de que o segurado estava separado da mulher, ainda que de fato. Processo anteriormente anulado para efetivação de tal prova.

Recurso improvido.

Em recurso anterior, anulou-se a sentença para permitir à autora que fizesse prova do seu vínculo com o segurado e, em cujo instrumento se qualificou como “amiga”. Ora, sustentando a inicial que ambos viviam como se casados fossem e se, na audiência, qualquer prova restou realizada, a única solução possível é a improcedência da ação de cobrança de indenização decorrente de morte do segurado.

Trata-se de recurso interposto contra r. sentença que julgou improcedente a ação de cobrança de indenização decorrente de sinistro coberto por contrato de seguro de vida, condenando a autora ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios em 10% sobre o valor da causa, observada a assistência judiciária.

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Diz a autora que é a única beneficiária da indenização securitária e, diante da ausência de impugnação da esposa ou qualquer dos herdeiros ao recebimento do seguro de vida, faz jus à percepção da indenização securitária, afirmando que não se aplica ao caso o artigo 550 do Código Civil. Aduz que não há exigência legal de vínculo parentesco para o pagamento do seguro de vida contratado, contentando-se a lei apenas que a pessoa seja indicada como beneficiária. Afirma, ainda, que não há necessidade de provar que a apelante e o falecido tenham vivido sob dependência econômica, já que os requisitos necessários ao pagamento do seguro são: a contratação, pagamento das parcelas e indicação do beneficiário, além do que o prazo para os herdeiros anularem qualquer doação é de 2 anos previsto no art. 550 do Código Civil e que se escoou em 06/11/2006. Persegue reforma da r. sentença.

Processado o recurso sem preparo (autora beneficiária da assistência judiciária) e contrarrazões, os autos restaram encaminhados a este C.

Tribunal.

É a síntese do essencial.

Os autos retratam ação de cobrança na qual a autora, como beneficiária indicada no contrato de seguro de vida, objetiva a indenização correspondente ao sinistro, observando que, em anterior julgamento, este órgão colegiado anulou sentença de improcedência para permitir à autora demonstração de sua condição pessoal de companheira e que vivia sob dependência econômica do segurado.

Como se deixou consignado, “a certidão de óbito, por si só, não autoriza convicção de existência da convivência sob o mesmo teto com a mulher”, havendo no contrato, ademais, referência à autora como sendo “amiga” e que ela qualificou como sendo situação de união estável.

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No entanto, nada obstante oportunidade a ela concedida, qualquer prova restou feita nesse sentido e sequer se interessou pela demonstração, ainda que por documentos, daquilo que sustentou. Aliás, se dispensável fosse a dilação probatória, por certo a sentença seria de procedência já na primeira oportunidade, não se mostrando razoável ou coerente reclamar a procedência quando se firmou premissa da necessidade de demonstração de união estável.

A situação, ao contrário do que se acenou, não se esgota no artigo 550 do Código Civil, mas naquela específica do artigo 793 e que estabelece que

“é válida a instituição do companheiro como beneficiário, se ao tempo do contrato o segurado era separado judicialmente, ou já se encontrava separado de fato”. Não existe liberalidade integral na indicação de beneficiário e a interpretação há de se fazer com a conjugação dos dois dispositivos citados.

Por sinal, desse entendimento não discrepa a doutrina, anotando Gustavo Tepedino, Heloísa Helena Barboza e Maria Celina Bodin de Moraes que “rejeitam os tribunais a admissão do benefício no caso de relações adulterinas, fazendo a distinção entre a companheira e a concubina, entendimento este atualmente mantido” (Código Civil Interpretado, vol. II, pág. 604).

É irrelevante inércia da viúva ou descendentes, os quais sequer restaram cientificados do processo.

A r. sentença merece mantida.

Isto posto, nega-se provimento ao recurso.

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Relator

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