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Poetas Goyanos : 1a. série

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(7)

BRASIL

- ^ - v ^ ^ i ^ s ^ * ^ * ^ ^

I O E T A S

¥«*T^P***»

Z^-'-v»'.-*^ ~-# <$ %. ^ '*• ^ ^ •*-* •« - 4 t . JBO^Ô.G.O

I R M À O S C I R O K Ç

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(11)

BRASIL CENTRAL

POETASGOYANÔS

ti I I I |' |, i l 1 1 I '

1* S E R I E

. i i i i i i 1 1 i i i

Idmundo Barros

PROLOGO

DIS •tci^ KlHTuRKS

i p M Â o s an-toirciEï

^ B A G É ^ D

1901

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(13)

PROLOGO

Araripe Junior.

«Totla idéa boa ou mu ttpt-itveitavel ou

lue.cequt-vel. e sempre hiunanu-•GHEGORJO DE M.llTuk

•S.

( S " \ isse uni illustre escriplor plulosopho, que os •"•* povos humilhados, as u.aeùes decaïdas, trouxeram

sempre no sein a virtnal idade de um grande des-tino pttt'ticu.

Este suggestivo ponclo de psychologia social acaba do ser niagistraliniMite estudado por unieritiuu franeez — REMY DR (f.n KMONT, que. negando se possa estalieleeer relaeao entre o juxlerio de uni (iovo i* o ge-nio de uni hument, constata ser a longa decudencia du-imperios destruidos uina dus mais singulares illusut-, da liisioria. «l'eut—être même serait—on plus prés de la vérité en déclarant q te la décadence politique est l'état le pins favorable aux éclosions intellectuelles

v'r<i quand les Gustave—Adolphe e les Charles XII ne

sont plus possibles que naissent les Ibsen et les lijœrn-son ; ainsi encore h chute de Napoléon fut comme un signal pour la nature que se mit a reverdir avec joie c â pousser les jets les plus magnifiques ; («elhe est le contemporain de la ruine de son pays.» (1)

(1) l.cr «La Culture dis Idées,

(14)

ij r-oetas (Juif a nui

W V X X VX.N.--S..X V V S - \ V \ \ \ N \ \ - V ! V « V ' Î V V V , \ V V V V \ - \ « V » V « 1 J ,

1*: nos os iJro\ ,-nios sonios uni povo décadente sol»' todos os pontes de vis la. : em politica. entào, de ha mui--"i to que batemos as portas da miseria.

A i a r . s r o DE S A I N T - H I L M R E , que nos visitara em

p r i n c i p e do semlo passa--!»», esri'evia. que jA entào sô vira alli. por toda a parte «rristo decadencia e ruinas» do esplendor deoulr'ora.

Nào so este sabio n-iluraluUi. como outros estran-geiros notaveis — admiraraiu os talentns originaes do Govano— cnja vot\*n*àu artistini, guiada apenas pelo

insLiiii-io, s-.'iu tiiî-.sires e s»;m niodelos classieos, se e\ei-(-iam nos mais tinos lavores da ourivcsaria, das uliras de t a l h a . n a pintura. na miisira e no cultivo das leîtras, Homo nui, iulcIUi/auto /il omniu. disse VJCO.

0 Brasil Central, de que Goyaz é o centro geome-; trico, se afiguxa au emitientc geographjo ELISÉE RECLUS

um amphithéâtre formado por cadeias de montanhas e escarpas d'uni planaUG que lhes constitueni as paredesl

exteriores. -';

Pois bem: déni m craquelles muros graniticos que ai'nda a Civilisaçào nào demoliu, domoram conservados,| na pureza primitiva, as lendas, os costumes e as tradi-" çôes todas das raças invasoras, de mistura com as dos.

autochlhones do nosso paiz. • sobre tantos episodios da immensa epopéa sorta-j

nista, constituida no grande cyelo dos bandeirantes pau-j listas, nada possuimbs de valor «litterario inquestiol navel ; e, todavia, aiuda nào se apagaram as pegadas do ANHAN'GUÉRA—«typo mascnlo do romance hislorico a espéra de um Waltor-Seott, Fenimore Coopper, que lh«| desenhe as feiçôps e célèbre as legendarias proezas». * 1

E que de interesse nào despertam.tambem.alIW-.-'ofti primeiros dias de sobrevivcncia dos negros da Costal d'Africa, dos dcyredados e ftigitivos da métropole, àoi forasteiros.dos figr-nos e outros que ll-.*s talaram os eer-ros grimpantes e azulados a rudes golpes de pic.iretai —-garimpando. mourejando, eaiitando pelas gulpiarasâ dentro na illusâo da AURI SACHA FAMES—euiquaiito; as liandeiras dos cariliôeas ,. mainelueos se interu-ra-'

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Pot:tas ijoyanos

X -V \ » - \ : V \ -v V \ \ < \ » \ -V--V-.-V-X-X-.N; V^\-^NX\VSKX».V!V-5k,^;X..-V V \ \ *v

1

vara pelo serlào, e a tapuirama se ia de arribada adnrmecer, depois de lutar com os invasores, ao pê das sapopembasdas margeur do grande rio, onde, resa a lenda, a lilha da «Cobra grande» separâra a uoite do dia, fazemlo cantar o cahuby, pela rnanhà e & tarde

E entào, «a terra iguorada», sera—por ventura, o ninhal d'onde hào de desprender o vôo os mais dignos

d e GON'ÇALYES D I A S .

» No seeulo X.VIII fora a inspiraçào reeeptiva do pantheismo de B-.RTHOLO.WEU CORDOVIL—o arcade deli-cioso dos Dithyrambos lis Nymphas Goyanas. C2)

A* sombra das ramageiis luxuriantes dos seus ca-jueiros em flôr, na mais tenr-t intuneia o eveelso

YA-HELI.A h.'ilbnciara os pi*iuii*iros cantoh —jâ impregnados d'esse rnaravilhoso que encerra a brasileiri epopéa gra-vada no cerne imperei-ivel dos grandes robles da nossa matta virgem— o lîmmyelho na Selva.

Tanibem sob o langor d'aquelle céo de um azul mysterioso tjm* arqneia sobre > Tocantins e o Ara-guaya—viver-i, e vibrara > aima, de um BERNARDO

Uui-MAHXES, cujos versos limpidité e eantanle> harmonisa-vam a expdiisiva sensualidade bucolica e a melancolia das endeixa-, sertanejas—plaugeiu.es conio > arrulo das pomb.is rahaçans na C"»i>e>sura a denlro das tiorestas do Atto-Brasil. •'

l'<" l'rua organisavà<, nrlistica oriqinulissiina que nào obstuute

sunhur luiii ALYAHËMiA l'EIKOTO.GOSZAGA. CLAUDIO e ou-tras poêlas da Inconliilem-in — fora um refractario d tcula a adaptarào de escola-. e m, snobismo.

• Os rriticos r t>io<,ri'tpho* itt-.em que elle précédera no mom-mento rumanlieo u ti.\ltllF.TT>;u Portugal a DOMISGOS MA-GAU1ÂES no Ilruzil.

Além de uutiiis trubalhns que se perderam, deixou . «Prolbew-e&trophes eiuutuuiiiws. «Sonlw—poemelo no mesmo genero: -Epis-tolu nos Aii-udes -lu tiin de Janeiro-: Ihle ai, Sr. D. Lui: de -Yasconrellos-, e o.s famosos «Dithyrambes ds Xymphas Guijanas- .

.Vu «Floritegio du l'ocsia Bruzileira», com uma intnicâu ' yeniàt,

o illustre inih-sliyailiir qur- foi YARXHAHES esereneu . «Mais para o intérim-, em Goyaz — pulsatm a lijra de Pinduro o

su-blime CORDOYIL, de quem devenu» sentir nào se/ain eunheci-dus maior numéro de produeçàes». .

\'o opusculo ii xegnir farei cvnhecidiis inidilas produeçoes do poêla quijuno—i/ue passa por fhiminense.

(16)

a Puetus (iuyunus

J(«\V.XiX-.-V>XvX^X'X X X - X X X XNXsXs.X^X..XvXX-.XVX^X\^^^>S»KS*S»»i!».^!»V\XS«;

E a musa satvrica de JosÈ MANOBL e HYOINO ko-nniiitins >

Dos moderuos poetas nossns é EDMIINOO BARROS oi mais extraordinario de todos.

Na sua obra poeiici. de uma forma lavorada,qua-si benedictina, e expressa, u'nra pensamento iransceii-, dental—que tnuita' vez escapa à percepçào do leitor vulgar, despertam uni intenso intéresse os aspectos d'es sa privilegiada natureza agreste do Far-Wesl do nosso paiz.

EDMUNDOé umosthet.a que se delicia na pintura das suas impressôes em abordar themas philosophicos.S .que lhe sàem da penna sublinhados de uni levé traco: de humorisnio, de ironia. à maneira de HEINRICII HEINE

,-^-seu auetor predileeto. . .. Ë' que elle lê.cumo n'uma Biblia.essa differencia-cfto do riso e da dor em poemetos escriptos nas brumas' do mar do Norte—Reise ans HiUU'v.

Se quizesse descer mais'até a outras comparaçôes, para me alinhar entre os criticos indigenas, eu citaria aqui uma tambem aima gemeada de EDMUNDO — a do auetor de Sd—esse volume que sô pôde ser lido enca-deruado em negro e no sileurio de uma Thebaida.

NOBRE e ANTHERO DE QUENTAL nào se

desdenha-riam de assignar as poesias do meu patricio. _ • No De uni miranlr os sens versos i*t-niiigem e as ri*-* mas acompanham com timbres de libras sterlinas o fra-gor das torrent es assombrosas do grande rio, e tombant, nnn ellas, na atlraroào do abysmo: e um l'remito de pa-ver nos faz siispeuder a leitura e etvtuo que se nos tur-va a vista pur momeutos...

Foi em 1883 que o nome d'esté Cenobita appare-j cera na imprensa fluminense firmando sonetos dgtuin-i forma tâo impeccavel, que a Gazetu de Noticias

ÎÏBJIUII-ciara logo como de um parnasiano emulo de IUvJiijNuo OORREIA—0 entào poeta do dia.

Por esse.tempo se debatiam na antiga K-eola Mi-litar da Praia Yerinelha os credos pliilusophiootfde

(17)

Poetm Uoyanos 9

IX X X X X X X X X X \ V \ * V \ \ * \ V V V \ X X X X X X X X X X X X N .

SrRNORR e o de Ac.i'STO COMTE—este, que mais tarde pendoou na Republica...

Entre os sectarios do evolucionismo—chefiado pelo iconoclasta RODOLPIIO BRAZiL.que ousara hastear o guiào

do Hartmanismo na propria a nia onde pontiticiva para um grupo de, alumnos. BENJAMIN CONSTANT, alistara-se o Rebellai!» artista iiova.ni>.

E' provavel que os adversarios lbe iiegassem

ba-se, por nào ter feito o eurso eonipleto «las

matheuiati-cas superiores ; ttias o certo è, que. eojti base ou sern

base elle subip eom os sens «Très Peregriaos» ao cimo

da montanha do Idéal—sem temor e sein perigo... Se vivesse ua India séria um lloddi-sattva.talvez; nos sertSes do Parauà—onde a esta hora passeia uma dôr récente, o -"n dilettantisme philo-ophn-^Menfilico se limita as analyses das la un ma s —es<a» "p-'-tnenas gottas que o -Mundo as vr no itmor ,- na uinargara*.

As suas [)oe-das que se vâo 1er paginas' adiaute sào as primeiras de uma série destmada a interpôr Go-yaz na communhào uaeional—por uma comprovaçào lit-teraria « o prestigio de provincia intelleetual.

E' obra e-s -ialinente G»yana,com<> --e verà. esta em que pretetnli* eut'eixar as produretVs de nossns

nue-t a s d e s c o n h e e i d u &gnue-t; nu r e s nue-t e d o B r a . - i l .

Cornu n\ lenoridade de uma idéa que semut'e acari-ciei pa tri m ira menti'— o présente iuqneiitu y s diras de obs-curos artista.s nnssus, no passado e n<> presmie. e<>u*ti-tuirâ volume, em série de upu^eulus — os ultimu-s ouii-sagrados â estudo.s folk-loristas. as origeus etlinicas dû povo goyano e & psychologia popular—musas que aind» nào sol ici tara m us criticos indigenas.

Certo, tan sympathica e pcssoal teutativa mere-cerâ os applausus i|iie, espero. partira" directamente de Goyaz - a t r a v é s da distancia que nos sépara da activi-dad-c dus centras artisticos e liiterarios do Brasil mental.

4

E bemdicta se.ias tu, min h» terra natal ! que produzisre tâc» formoso poeta.

(18)
(19)

H-.. ±.r^*..*4..±à^..-tyç, •.t'.r-t'r'rt-'r'vt-'-fT^' 'fc.^..'fc.-4'..i..'Jf.'il;,.'*t..-^..-fc.'^..-fc S . Jfw Jjt 3R. X. X. X. X. X, X. ^t"*rf™

© u n t mirante

A H E X R I Q I J B SII.VA

Manso um rio, o Igiuissù. rolla ao pôente. Subito, a uns «sarandijs», mil corredeiras

Rusgum-lhe o seio em Jïilgidas fileiras... Ouvem-st' uns bu/bs, longe, surdamente... E eil-o a medir o olhar do abysmo. Ingénie Brôvu, a piinrlr/ir com o tempo allas pedreiras, Tomba... Lu embaixo: as ondas; sâo caldeiras Fumando as nui'ens deslc ceo em frente ; Estas-oiolham-me e di:em:—«Mais um passo, E eis-te nuvem tambem !...<<—Ouço-as; e sciuno

A'Û esforço real de um iiwisiqel braço,

Que assim nos chama a eterno transformismo ! Ao cerro—as ondas, na ascensào do espaço '; Ao sumnu—as aimas, na allracçào âo abysmo.

(20)

^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ m. -&*•&*. &h. alp. 4&, &b. •*&. Jk. «k.

JsSirfc. ^-H- •Â&.^C-4!^-S*%-è}J£-••*#!• -S5j{'- i*®4- * % -»v-'.fc --•-#•- *v'.fe-S».''/- *«'« A i -Jlfe

A MINHA MAE

SOXKTO DK H.HKIXK

Xnm momento de insensatez, outrora Fugi de vos; queria, aos quatro ventos, Ir em buse a do «amor» e, n uns momenlos De delirio, abruçal-o... E imindo a fora,

Y on. Mas em nào ! nào me ouvem os lamentos. Embora o pcço em lagrymas... embora !...

Aide cada solar m in lut aima o implora,

E dào-Ilie sô o despreso e o riso odientos !...

Drpois de sempre e em vào lel-o buscado, Yolto um dia a meu lar. Manso decerra Uma porta: Ereis i>ôs...—\ludo, cançado, Fitei a luz que nosso olliar enverra; E ni, sorpreso, o amor, tào procurado,-O amor mais puro que inconlrei na terra !

(21)

MMMMMM

t=- CIOSA -<§

A L I M A CAMPUS

£•#7» cfma vê-se:—aos leques flammulantes

De um «burity», murto alto, erecto e annoso, Cantando a brisa e um sabià choroso.

Em bai.vo,-um])oço; A um lado,—Os dous amantes E nus serenas agitas eircundantes

ftebem as perdes linguas de orvalhoso Cipô,—de onde, descendo em farfalhoso

Bandu, tilitam limpidos diamantes...

ELLE, que de uma rosa o todo estuda :

„ye i»—diz- «Nada tào bello ! a chuvaa molha,

E sem rival o aroma ella desuda /...»•—

KM. v : enrubeee a ouvil-o, à flor nem olha ;

E aos roseos dedos, pensativa e muda, A bipt'tala for do labio esfolha.

(22)

.gtfc. 4%. ^%. ^te. jîUfc jjlfc jslfc. ^Ifc. jjifc. 4lfe ^Ifc. j % - ^Ute -Vfc. <$!*. -glfc. jilfc .glfc. .a>V. 4jfe, 4fe, ^l*. 4Jfc 41s.

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A MINHA MAE

SOXKTO DE H.iïEIXK

Xum momento de insensutez, outrora Fugi de vos; queria, nos quatro ventos, Ir em busca do «amor» e, n uns momenlos De delirio, abraçal-o... E mundo a fora,

Voit. Mas em vào ! nàomeouvem os lamenlos. Embora o pcço em lagrymas... embora .'...

Ante cada solar minlui aima o implora,

K dào-lhe sô o des/ireso e o riso odientas .'...

Dépôts de sempre e em vào lel-o buseado, Volto um dia a meu lar. Manso decerra Vmu porta: Erei.s vos...—Mudo, cançado, Fitei a luz que vosso olluir enterra; E vi, sorpreso, o amor, tào procurado,-0 amor mais puro que encontre! na terra !

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§e- C I O S A -<g

A L Î M A CAMPUS

Z?m cwio vê-se:—aos leques flammulantes

De um «burity», murto alto, erecto e annoso, Cantando a brisa e um sabià choroso.

Em bai.ro, -umpoço; A um lado,—os dons amantes E nus r.erenas agitas eircundantes

hebem as verdes lingutis de orvalhoso VJpô,—de onde, descendo em farfalhoso

Banda, tilitam limpidos diamantes...

ELLE, que de uma rosa o todo estuda :

«Ve !»—diz- «Nada tào bello ! a chuvaa molha, E sem rival o aroma ella desuda /...» —

KM. v : enrubeee a ouvil-o, â flor nem olba ;

E nos roseos dedos, pensativa e muda, A bipi'tala for do labio esfolha.

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C R E P U S C U L O

A OLAVO UlLAC

Por invios blocos, tropego. apalpando... Nem sei como os pés frageis nào destronco... A ouvir, da ingreme escarpa, a ùgua, roliindo, Tombai- jio abysmo cm cavernoso ronco... Os troneos para Ira- voit eu deixando... Mas me seguindo estào, de tronco em tronco, O sol no occaso e as rumens, me guiando Sobre o pensil despenliadeiro brunit» ;

E ao ver fugindo o sol, bello e rosado ,— De um petto.l'Oslo deshumttno o typo. Que assim tombent fugiu-me no passudo,—

A mesma fùnda e soberana magna

Dos Job, Ilei Lear,^Ô.ssiun. Milton e Oedipo Me enche de Jtprror o nfito e os olhos d'agua !.

(25)

Et» D U L C E

II

Despe-se Dulce, e entra no banho. Lembra o pallor sensual da Lua Quando, completamente nua, Guarda o lucigero rebanho. Poe os pès na agua ; a agua recùa Num estremecimento extranho... Pois nunca for de igual tamanho E olorferiu a toalha sua.

Sentindo-a fria, em sustos lança Gritos pueris... Mas, com brandura, A agua serena ; e a ftor—avança, E avança... até que a lympha pnra, Em mysteriosa intemperança, Abraça e beija-lhe a cintura.

(26)

VISIO, V E L F E M I N A

( M A K I I I A )

Surge entre loiia e rubicunda a auront, Mas muito menos loira e rubicunda

Que essa que nos hombros traz :—doce e fecunda De graças mil, onde o sorriso mora.

Xa rosea lez e côvas da rotunda Quào beth torneada Jace, onde demora Seu curso meu olhar, que immenso a adora,

Um nào sei que me attrae, que me extramuhda... Seu calmo olhar, dulcissimo, indolente,

De negro e azul, meu intima conforta ; E, embora sempre esquivo, trago-o a mente... Si é visào, sic mullier—pouco me importa !... Ou mulher ou visào—eternamente

Amo-a; « m ver quem é, si é vira ou moi ta !

(27)

^ ^ ^ ^ f t ^ ^

A' NECROPOLE DOS

NAU-FRAGOS

KM 2 D-; NOVKMBKO DK 1887

Chômes ou ides ver, neste dia funereo,

Sobre as lumbas quem chota... O surdo,gemebundo Ranger fiâtes a ouvir, dos carras; onde em serio Amor, flores trazendo, o aparatoso mundo C.hega...—Mas, desle lado avisto o oceano:—Fere-o Respido o vento... eao deste oprantomeu confundo; Pois, no occeano é que vejo um vasto cemiterio, Desde a mais linda praia ao pèlago mais fundo ! ...Sinto abrir-se-me a flor «tristeza» ao prnsamenlo: ...Sinto a Patria chorando; affticta, inconsolavel Màe,que uns filhosperdeu nasfurias do elemento!.., Chora e soluça.-.. e à dot- que a estrangula,innarravel. Quebramsr audits.. e vào.—levadaspelo vento, -Flores que uni vento leva a um ti'imulo insondavel...

(28)

DE UMA ENTREVISTA

(Aos 20 AN NOS) A JOAQU1M DE CASTRO

Entro.Oh.'susto... Umjardim.A dhalia,ahortencia, A rosa, o acantho... espiam. Nào demora

Sumir-se a lua. Elvira, a olhar-me, côra : Beijoa... Puisa —e, em desigual cadencia, O peito: é nova, è bella... E, assustadora, Pede que eu fique mais... Nunra ! a imprudencia... Solto-lhe as màos, beijando-a com vehemencia ; Nào quer que eu sala; insisto... Eis-me là fora. Bemcedo, uma cartinha —«Deshumano»,

Mentiste... Esquece-me»—assignada:—«Elvira»— Vê sô ! tarde arrependa-se um do engano : Rendida a amante à 'lenoriana lyra,

Màos entre màos, domado o ar soberano,— Sinâo por muito amor, qutm Ihefugira .'...

(29)

^ 9 ^ e

DO

p-mi

o^j)

A < ANALYSE DA LAGRYMA»

(A fROPOSI r o DE UM SONETO DE RlCHEPIN)

A meu Exmo. pae, Sr. Paciflco Antonio Xavier

de BaiTus

Nenhuma estrella em pleno azul scintilla Tanto, ne m gemma alguma tào preciosa Existe, como a perola que oscilla

Num doce olhar de esposa ou màe piedosa. Deus que, insuflando luz à immunda argila, Aos olhos poz a curva mais graciosa, Quizesse entào da lagryma dispil-a :

lambem nào di-ra, creio, orvalho a rosa. Xa lagryma que tem maior doçura

Ponho a saudade ; a dor, em outra esmago-a ; O mundo as vê no amor e na amargura : Si, pois, esta pequena gotta é «de agua Ou sal ccmmum», so/frendo van mistura,— Que importa a mim...? que importa à humana magua?

(30)

OS DOUS NADAS

A J U L I O P E R N E T A

I

A analyse prescruta os organismos.

Sonda-os, descreve-os... Mas nào pode a sciencia Nem por palavras, nem por àlgarismos, Descortinar toda, na essencia,

Brilhos e paroxismos, Essa que a natureza a amar convida

Xo humus sensnal... de pincaros a abysmos !—: — A VIDA. II

Infulliveis jà sâo da astranomia Os.calculas... Mas o saber humano Xào pode, incerto, prévenir o dia, Xem prévenir o mez ou o anno

Dessa brève ugonia,

Com que nào ha quem nào se importe... Onde um nada fenece e outro principia !—:

- A MORTE.

(31)

NOSSQS OLHOS

A. M. I

Os colibris vào das ratas Vôando por longes céos, Mas voltam sempre aos esfolhos Daquellas flores graciosas :

Sâo duas rosas teus olhos Sào dous colibris os meus

II A retint quer suspirosas Aragens ; nào escarcéos

De vento que a deixe, aos môlhus Varrendo terras todosas :

Das viraçôes de teus olhos Précisa a relva dos meus.

(32)

22 Poetas Goyanos

.«!XS\SS!^«S««XS»RX.-.X x.x.x.XïXSX5VSSKaKSKaK\saKssxsx^^XïXxx-x^^^

III

Bem como ao sol vào as rosas Pedindo «Ihes rasgue os véos Da noite» embora em desfolhos Deixeas, de tarde, saudosas,—

Oh ! dâ-me o sol^ de teus olhos ! Ha tanto orvalho nos meus...

IV

Bem como as ondas, ditosas Correndo por entre ilhéos, Sem ir fugindo aos escolhos Quebram-se alli, descuidosas.

Xesses rochedos—teus olhos Quebram-se as ondas dos meus.

Como as do mar salitrosas Phalanges; buscando os céos, Ululam... sobem abrolhos... Recuam silenciosas...

Longe do AZUL de teus olhos Geme o OCEANO dos meus !

(33)

ii Iii iifiiiiiiii 11111111111111111111 n i T r r i

SAHARA DO AMOR

A DlNIZ SATYRO Vivo, entre os homens, num deserto : Vivo quai na déserta Lgbta um monge :

— Horror !—:

Ver a mulher que eu amo, alli passar,tâo perto..., E o seu amor — tào longe

Do meu amor !... 1893

(34)

^^-p^^-^-p^-p^-^^^^fc^^^^;

NO GOLGOTHA

A COELHO NETTO

Limpo o ceo... que é do sol? Treme oçhâo... Mixto De neve e sangue e luz, inteiriçados

No lenho osfrios musculos, cravados

No alto os olhos sem brilho, é morto o Christo. Morto, e por nos !... e oh, caso nunca visto : E' noite em pleno dia !... E venta... Aos lados, Se abrem tumbas; e ps mânes vào-se, alados... Emfim : a Biblia conta-nos tudo isto ;

Mas nào nos conta (e é de receios presa Pelo Mal que adviria de tal scenaj

Que, ao pé da cruz, uma génial belleza Olhou a Jésus, com tanto amor e pena

Que, si elle, o Mestre, a visse... ai ! com certeza Morrera, mas — no olhar da Magdalena.

(35)

^ ^ û ^ x ^

MADRIGAL

(DO POETA BOLÎVIANO VlLLALOBOS) O ceo, de roseas nuvens tinclo, eu via ;• Da car dos labios leus—rubros csfolkos ;

E, assim, me parecia Que, cheio de pudor, enrubescia...

(36)

vbtv^^^>^^ls>^^4r^^

VIVA OU MORTA

(A ESTACIO C O R R È A )

Volto, um dia, a abraçal-a ; ou viva ou mor.ta. Chego, e a porta fechada .'...

—«Venho de longe ! abram-me a porta /...» —

Bato; chamo Adelina; espero;... e nada .'... —Meu Deus .'... quem sabe si Adelina é morta .' Mas, nào, hei de encontral-a, viva ou morta. —

E fito ao longe a estrada... Escalo o muro, entro na horta ;

Chamo:—«Adelina /...*> —espero... escuto;...enada! -Que horror! meu Deus... siminhaamante é morta?'.;.'

Nào vendo-a viva, mas nào çrendo-a morta, Volto ainda à fachada :

E desço o muro, e espio à porta...

Chamo Adelina... espero... e bato:.. e nada ! Oh, dôr ! bem vejo que Adelina é morta l

(37)

27 PoetaS Goyanos

BS-.Xisv-^-.XxX-.x.x-.x-.x-.xx.xix-.x.x-NX x x . x x x,x,XvX;.x*as.x«KS*iX-.x.x.x-.x.^

Nào crendo vel-ajâ, viva, e sim morta, Beijo a porta fêchid t...

E choro...—a lagryma conforta .'...—

Ebato... echamo... eescuto...e espero... e nada'....

—Ai !... qucm me leva ao sitio onde ellaè tnottafl...

Triste, sem vel-a mais, viva nem maria, Porto... Longe, na estradi

Ha um resta: E' o delta !...—A estrada é torta : Paro c.qui, du ma alli... c.culo... e nada ! -Mas nào; nao creio que ella esteja morta...

Crendo encontral-a entào, viva e nào morta, Marcho à cidade:... A' enlrada, Eil-a, à janella; oïlvindo, absorta,

... A qucm ?...—Meu Deus ! a vida é i:lo : é nadal L'uno Adelina, e encontic-a...—Vivaou morta?'....

(38)

ïtX...fl.:M..M.M..

TRES PEREGRIN03

(A SiLVEIRA IS'ETTO)

A mont-anha do Idéal Subiam, sem temore sem perigo,

Très peregrinos; cada quai Dos outros dous um verdadeit o amigo.

Um chamava-se A MOR ;

0 outro—RAZÂO, sem quem nenhum subia ; Em fini o lerceiro audaz viajor— Era EU;—nomes que dà a philosophia...

E os Irez, todos por mim, . ' Si um queria, um sentia, o outro pensava,—

Juntos marchando sempre, assitn, Escarpa àcima emquanto o sol montava.

Mas um segundo sol,

Queimando a rocha alcantilada e estensa Da ingreme fenda em caracol, Bem a pino raiou !... era a Descrcnça •:

(39)

29 Poetas Goyanos

Debandada trucl ! :

De um vesuvio là cm cima altos fragores Se ouvcm... as lavas em tropel Vêm separando os miseros viajores...

AMOR — correu àtràs ;

RAZÂO — subiu, subiu... vue descambando ;

Tu sô, triste EU !, ainda iras Na escarpa, ora descendu, oraavançando...

(40)

<X\X..X. - «. X X X X v x X x X X X . , . . , X N < X , X , V » . . . » . X ; X , X , , . . , , « . «.XsX;X:X « » V

G W I M P L A I N E E D É A

Branca osscda na força — v'.nha, e ia... Negro bando de corvos — ia, e vinhi... E elle — chorava, a errante criancinha ;

Mas, quanto mais chorava, mais se ria !... roi avançando, a rir, na nevefria,

Çue ao chào silvava, rija, atroz damninha, Quando encontrou a joven mâe, — florinha De cuja haste o, «aureo botâo» pendia...

Amaram-se, e que amor .'—Mas o paria Vaefeito Lord : faz rir toda a Assembléa : Voila... e D^a ?... morreu. — Como Gilliat, 0 triste afaga do suicidio a idëa,

Ao c'o gritando : «DÉA ! ME VOILÀ .'...» E tcmla ao mar. — No azul brilhava Déa...

(41)

immmmi

V. *!CW ï X . W ! 7 u » . ' . l i -Mi •>, .•>, •.•. M M M M, 7 0 7 *>. •>, .»> t> 0 *> •»> .V ''.i..XC

-€§ RUNICO §->=

( D E H. H E I N E )

0 runico penedo, o oceanq^e enlaça ; Nelle me abysmo em sonhosXMergulhando

Vào as gaivotas, em ruidoso bando ; 0 vento sopra, a vaga escuma e passa.

«Tuntas jovens amei !... tào grande massa De amigos vi !... Que é dettes ? ! vou pcnsando.

0 vento — sopra ; a vaga - escuma, e passa.

(42)
(43)

I II III IV V VI VII VIII VIV X XI XII XIII XIV XV XVI XVII XVIII XIX Prologo De um mirante. A minlia màe Ciosa Crcpusculo Dulce

Visio, Vel Femina

A' Nécropole dos Naufragos, De uma entrevista A «Analyse da lagrima» Os dous nadas. Nossos olhos Sahara do amor. No-Golgotha Madrigal Viva on morta ? Très perogrinos Gwimplaine e Déa Runico Paginas 5 11 »3 « 15 18 19 20 » 26 28 30 31

(44)
(45)

Escaparom aos cuidados do révisai

entre outros erros typographicos, que o

leitor intelligente corrigird, estes mais

graves :

N O P R O L O G O

Pagina 8, linha 18, onde se le : — Reise ans Bilder. deve ler-se : — Rcisebilder.

N A S . P O E S I A S

Pag. 15, verso 3° do 2° quarteto, onde se le : —

dis-pil-a, deve ler-se :— despil-a ;

.Pag. 23, 2° quarteto, 2° verso, onde se lô. —

Res-pido, deve se 1er — Rispido.

Pag, 24, 1° quarteto, 3° verso, onde se lô —

Bei-jo-a... Pnlsa-e, etc, deve se 1er — BeiBei-jo-a... Pulsa-llu

(46)
(47)

OBRAS DE HENRTQUE SILVÀ

P U B L I C A D A S :

A Caça no Brasil Central,

Poêlas Goyanos (I

a

sérieV

N O P R E L O

Caça e caçàdas no Bi'asil

(edi-çào portugueza), de Lisboa.

O Folk-lore do Brazîl Central.

E M P R E P A R A Ç Â O ;

Nostalgia (paizagens suitanislas).

Eu accuso.!... (carta aberta ao

sena-dorLeopoldo de Biilhôes)

(48)
(49)
(50)
(51)
(52)
(53)
(54)

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'7-ÎV-^J-i.^î-';

(55)

-


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