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A defensoria pública como entidade garantidora do acesso à justiça

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SUL

NATÁLIA DA SILVA DUDA

A DEFENSORIA PÚBLICA COMO ENTIDADE GARANTIDORA DO ACESSO À JUSTIÇA

Santa Rosa (RS) 2019

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NATÁLIA DA SILVA DUDA

A DEFENSORIA PÚBLICA COMO ENTIDADE GARANTIDORA DO ACESSO À JUSTIÇA

Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Curso - TC.

UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DCJS - Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientador: Fernanda Serrer

Santa Rosa (RS) 2019

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Dedico este trabalho aos meus pais, que abriram mão de muitos de seus sonhos para me oferecer a oportunidade de realizar os meus, e pelos incansáveis incentivos e apoios durante toda a jornada acadêmica.

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AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Fátima e José, que sempre viram em mim um potencial para ir atrás dos meus objetivos. Foram sempre meus principais motivos de inspiração, por simplesmente serem as pessoas de bom coração que são.

Aos meus irmãos, Flávio e Cris, por mesmo de longe sempre acreditarem em mim e serem pilares fundamentais na formação do meu caráter pessoal. À minha irmã de coração, minha cunhada Thaís.

À minha orientadora Fernanda Serrer.

Aos meus amigos, Angélica, Klarissa, Suéllen, Caroline K, Caroline S, Deisi, Denize, Régis, Leonardo, André e Samuel. À todos que permaneceram ao meu lado nesse momento de indisponibilidade, obrigada aos que me ajudaram com a compreensão e apoio, estão todos guardados em meu coração e minha memória.

Por fim, mas de grande importância, à Defensora Pública Isabel Rodrigues Wexel, a qual foi motivação para este tema, pessoa que inconscientemente inspira as pessoas ao seu redor com seu trabalho majestoso.

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“A justiça é o direito do mais fraco.” Joseph Joubert

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RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso faz uma abordagem acerca do tema Acesso à Justiça. Tem por intuito analisar e descrever o percurso histórico deste princípio fundamental básico, desde o seu nascimento até a atualidade, destacando os impactos do mesmo junto a ordem jurídica brasileira. Em segundo caso, aborda-se também as dificuldades que este enfrentou ao longo da sua trajetória, expondo-os e dissecando-os. Por fim, traz a conceituação e a importância prática da Defensoria Pública na atuação correlativa a esta área, e seu enfoque como meio garantidor do direito fundamental de acesso à justiça.

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The present work of conclusion of course makes an approach on the subject Access to Justice. Its purpose is to analyze and describe the historical course of this basic fundamental principle, from its birth to the present day, highlighting the impacts of it in the Brazilian legal order. In the second case, it also addresses the difficulties it has faced along its trajectory, exposing and dissecting them. Finally, it brings the conceptualization and the practical importance of the Public Defender's Office in the correlative action in this area, and its approach as a guarantor of the fundamental right of access to justice.

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INTRODUÇÃO ... 9

1 ACESSO À JUSTIÇA ... 10

1.1 Breve Percurso Histórico ... 11

1.1.2 Hipossuficiência Econômica ... 14

1.1.3 Hipossuficiência Informacional ... 15

1.1.4 Hipossuficiência Social ... 16

1.2 As Soluções Práticas para efetivar o Acesso à Justiça “Ondas Renovatórias” de Cappeletti e Garth ... 20

1.2.1 Da assistência judiciária aos pobres ... 20

1.2.2 Da representação dos interesses difusos (O advogado remunerado pelos cofres públicos) ... 21

1.2.3 Acesso à representação em juízo, a uma concepção mais ampla de assistência judiciária e um novo enfoque de acesso à justiça ... 23

1.3 O Acesso à Justiça no Brasil ... 26

2 DEFENSORIA PÚBLICA ... 31

2.2 Princípios da Defensoria Pública ... 34

2.2.2 Princípio da Indivisibilidade ... 35

2.2.3 Princípio da independência funcional ... 35

2.4 Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul ... 36

2.4.1 Defensoria do RS em números nos anos de 2016, 2017 e 2018 ... 37

2.5 Defensoria Pública como entidade garantidora do Acesso à Justiça ... 46

CONCLUSÃO ... 48

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta uma abordagem acerca das primeiras noções sobre o Acesso à Justiça, o qual se estabeleceu desde muito cedo em diversas doutrinas, mas que demorou muito para ser consagrado efetivo e grandioso princípio processual que tem sua forma hoje.

Para a realização desta pesquisa, foi iniciada uma série de investigações literárias, as quais serviram para esclarecer a minuciosidade da evolução da compreensão e da busca de efetivação do acesso ä justiça ao longo de décadas.

No primeiro capítulo se trouxe a amplitude de conceituação das soluções e dos empecilhos que rodeiam a prática do Acesso à Justiça, foram devidamente posicionados os diversos obstáculos enfrentados por esse meio, e rebatidos com as propostas que convém a cada um deles, tendo como referência o Projeto Florença, amplo estudo que buscou fazer a análise das questões impedidoras do acesso à justiça, tendo como resultado o relatório grandioso, famosa obra, “Acesso à Justiça”, construído por Mauro Cappeletti e Bryant Garth.

É um tema que cada vez mais se destaca entre acadêmicos do curso de Direito, e sua não atualidade torna-o fonte de grande pesquisa.

Já no segundo capítulo, o enfoque maior é no direcionamento da Defensoria Pública como um meio precursor da efetivação deste direito, trazendo um breve histórico desta, seguido de seus princípios e fundamentos éticos. Por fim, uma tentativa de demonstrar a Defensoria direcionada ao Estado do Rio Grande do Sul.

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1 ACESSO À JUSTIÇA

Neste primeiro capítulo será exposto o surgimento e a evolução do Acesso à Justiça. Objetiva demonstrar o mesmo como um dos direitos fundamentais de defesa da sociedade. Assim como, também demonstra a visão de justiça perante os integrantes da sociedade, e como ela, muitas vezes, não pode ser obtida por pessoas com obstáculos econômicos, culturais e organizacionais.

A sociedade brasileira é historicamente marcada por diversas desigualdades. O movimento de acesso ä justiça visa buscar, por intermédio do reconhecimento de direitos e operacionalização de instituições a minimização de tal situação de desigualdade.

Perante a justiça, enseja-se que todos em um convívio tenham uma “vida justa”, mas o que seria uma vida justa? Uma espécie de condição que faça com que um ser humano tenha algo que outro também é capaz de conquistar, ou até mesmo, algo que ele simplesmente atenda as necessidades básicas, dentre tantas outras definições sinônimas, tal como simplesmente pleitear o seu direito em juízo.

Antes de mais nada, é preciso entender, mesmo que de maneira não detalhada que antes do acesso à justiça, vem a própria justiça.

A justiça tem vários significados perante a humanidade, alguns pensadores realizam essa teoria como estilo de vida, exemplificam as mesmas com seus pensamentos ideológicos.

Com isso, neste tópico referente ao Acesso à Justiça, que nada mais é do que o direito de pretensão jurídica, busca-se abranger as suas motivações.

Assim, no primeiro capítulo será exposto o surgimento do conceito de acesso à justiça em âmbito mundial, e logo após, esclarecer quais foram os motivos fáticos que levaram a expressividade na criação deste direito (princípio) perante a Constituição Federal da República do Brasil de 1988, fazendo previamente uma

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abordagem de reconhecimento jurídico e após uma análise dos obstáculos para a sua efetivação.

1.1 Breve Percurso Histórico

Desde o mais antigo dos tempos o homem necessitou buscar a efetivação ou conservação de seus direitos perante os órgãos de solução de conflitos, embora não haja uma data precisa de seu surgimento encontram-se vestígios de acesso à justiça já dentre os séculos XXI e XVII a.C, no conhecido e questionado Código de Hamurabi, que dava ao interessado a oportunidade de ter seu direito ouvido pelo soberano que detinha o poder. Acesso ao órgão maior, já refletia ali um acesso ao meio que era capaz de julgar.

Trataram Bernardo Silva de Seixas e Roberta Kelly Silva Souza (2013, p.84) em seu artigo sobre Direito e Democracia:

“A evolução histórica do direito ao acesso à justiça ocorreu

gradativamente ao longo do tempo juntamente com as

transformações sociais. É possível perceber indícios de preocupação com o acesso à justiça desde o Código de Hamurabi (séculos XXI a XVII a. C.)” (SEIXAS; SOUZA, 2013, p.84).

No Antigo Império, Egito, já se ouvia falar em um sistema muito mais evoluído, no qual haviam hierarquias de funcionalidade administrativa para atuações como funcionários de um sistema jurídico, implementando o Direito com base em suas crenças divinas. Porém, escravos ou estrangeiros não detinham o acesso a estas ouvidorias, pois não partilhavam de tais crenças.

“No Período Imperial pouco se falou sobre o tema, em virtude

da organização social e política então vigente que não permitia qualquer reflexão sobre o assunto, uma vez que não havia interesse por parte das elites metropolitanas ou coloniais em conceder o direito ao acesso à justiça para toda a população.” SEIXAS; SOUZA, 2013,

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Na Grécia antiga, basicamente século VII a.C, foram realizadas as primeiras discussões acerca de uma noção de tal acessibilidade ao direito. Já no período Medieval houve um ar de Cristianismo na aplicação do Direito, considerando que era merecedor de acesso e boas famas aqueles que se mantinham homens de fé.

“...a partir de 1965 que houve um interesse maior em torno do acesso efetivo à Justiça, principalmente no mundo Ocidental, com o intuito de garantir a assistência judiciária, bem como proteger os interesses difusos e conceder um melhor acesso à Justiça aos necessitados, buscando vias alternativas e informais para a solução dos confl itos, inclusive através da quebra do monopólio estatal da

justiça.” (SEIXAS; SOUZA, 2013, p.84).

Sobretudo não há de se falar em reconhecimento deste direito sem levar em consideração o trabalho executado na Itália na década de 70, na grandiosa Conferência Internacional que dispunha sobre as garantias fundamentais das partes no processo civil.

Esta, foi apenas a ponta do iceberg de um estudo que em seus dez anos subsequentes foi se consolidando no que que dizia respeito a hipossuficiência (de modo geral) e da gigantesca necessidade de criação das soluções práticas adequadas para conferir efetividade ao acesso à justiça. Ganhou tanta força, que virou uma luta de regularização liderada por Mauro Cappeleti e intitulou-se Projeto Florença.

Tal projeto, teve que como tema uma investigação acerca do acesso à justiça de modo empírico. Reuniu diversos pesquisadores, de diversos ramos das ciências sociais que visavam obter uma coleta de registros de dados dos países em que constituíssem a pesquisa. Assim como exposto por Julia Pinto Ferreira Porto (2009, p.29):

“Enquanto tema de investigação científica específico do

campo jurídico, o aesso à justiça surge a partir da pesquisa empírica realizada pelo Projeto Florença, tendo sido também neste espaço em que se discutiu pioneiramente sobre o significado e os possíveis

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O Projeto Florença trouxe um novo olhar para o direito processual, foi levado a ênfase da prática, conquistando assim uma imagem de esclarecedor das realidades dos sistemas judiciários em pauta. Deste grande salto, resultou a obra “Acesso à Justiça” De Cappeletti e Garth (1988).

Nesse sentido Julia Pinto Ferreira Porto (2009, p.29), destaca também:

“O Projeto consistiu numa grande mobilização que reuniu pesquisadores de diversos ramos das ciências sociais, aplicadas ou não, para a realização de uma coleta de dados que envolvesse o sistema judicial dos países que participassem da pesquisa (...) A coleta de dados deu-se na década de sessenta e setenta e comumente há referências à execução do Projeto como um

Movimento de acesso à justiça (acess-to-justice movement)...

(PORTO, 2009. p. 29)

Várias foram as deficiências jurídicas que tiveram foco de preocupação no relatar da obra, tais como:

a) Deficiência econômica: era um dos principais fatores que afastava o público de pleitear a sua pretensão, não se tratava apenas do alto custo de um processo em si, contavam com honorários advocatícios, ônus sucumbenciais e demais despesas necessárias ao ingresso e êxito no reconhecimento do direito perante os tribunais;

b) Deficiência na igualdade das partes: a igualdade das partes no processo judicial embora tenha sido sempre uma preocupação, percebeu-se que com a hipossuficiência, acabava tornando-se uma mera hipocrisia acreditar nesta prática efetiva.

c) Deficiência processual: o acesso à justiça vem para contornar estas desconstruções que o atrapalham de ser efetivo. Quer trazer a celeridade e a simplicidade na resolução dos conflitos levados à juízo.

Em virtude de todas essas frustrações e incoerências acima apontadas, os autores trouxeram soluções para a travessia das barreiras que obstavam ao acesso

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à justiça, as quais foram intituladas as “ondas renovatórias”, as quais podem ser brevemente elencadas em assistência Judiciária Gratuita, efetivação dos direitos coletivos lato sensu e, finalmente, a simplificação da acessibilidade de uma justiça mais focada, as quais serão abordadas a seguir.

1.1.2 Hipossuficiência Econômica

No que tange ao Acesso à Justiça, já foi abordado anteriormente acerca dos obstáculos que prejudicam este princípio.

Este aqui trazido, faz-se o primeiro deles, o qual aborda o fator principal: a situação financeira, ou melhor dizendo, a falta dela.

Em sua obra O Manifesto Comunista (1988), Marx e Engels definiam o Capitalismo sociologicamente, “pela instituição do controle privado dos meios de produção, é a sua teoria econômica que fornece a mecânica da sociedade capitalista”.

Ou seja, com esta instituição do Capitalismo, começa a surgir a desigualdade econômica entre as pessoas que convivem em sociedade. A ideologia de Marx e Engels (1988), descreve que haverão sempre Burguesias e Proletariados:

“Toda a história da sociedade humana, até o presente, é uma

história de lutas de classes. Livres e escravos, patrícios e plebeus, barões e servos dos glebas, professores e oficiais; numa palavra, opressores e oprimidos, de frente para sempre, envolvido em uma luta contínua, agora escondido, e agora aberto em uma luta que leva a cada etapa da transformação revolucionária de todo o sistema social ou de extermínio ambas as classes beligerantes. Nos tempos históricos, encontramos a sociedade dividida em quase toda parte em uma série de propriedades, dentro de cada uma das quais reina, por sua vez, uma nova hierarquia social de graus e posições. Na Roma antiga estão os patrícios, os équites, os plebeus, os escravos; na Idade Média, senhores feudais, vassalos, professores e diretores das corporações, os servos, e dentro de cada uma destas classes ainda que houver novas nuances e gradações. A moderna sociedade burguesa que se ergue sobre as ruínas da sociedade feudal não aboliu os antagonismos de classe. O que ele fez foi criar novas classes, novas condições de opressão, novos modos de luta, que substituíram os antigos. No entanto, nossa época, a era da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado esses antagonismos de classe. Hoje, a sociedade tende a se espalhar, cada vez mais

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abertamente, em dois grandes campos hostis, em duas grandes

classes antagônicas: a burguesia e o proletariado.” (Marx; Engels,

1988, p. 76)

Neste norte, sempre existirão as pessoas que serão empregadas, as quais trabalharão para a massa empregadora (empresários), os quais tem lucros a partir de seus patrimônios pessoas, os quais então, os trabalhadores demorariam a vida toda para tentar conquistar com os salários a eles oferecidos.

É daí que vem esta ideia de que algumas pessoas se sobressaíram financeiramente com relação as outras, é um conjunto de desigualdades, que vem desde o berço de nascimento, oportunidades ao longo da vida, dedicação e investimentos na vida pessoal.

Com isso, pode se entender que não foi do dia pra noite que passou a existir uma diferença (econômica, social, informacional) na sociedade, sempre foi construída essa ideia, por pessoas influenciadoras que tinham intenção de prevalecer-se em face das outras. Marx e Engels, tinham uma ideologia Socialista, a qual redistribuiria melhor as classes sociais, ou melhor, tornaria elas uma só, porém seu extremismo em coloca-las em pauta, não foi bem aceito no nosso país, nem mesmo naquele século (XXI).

Voltando pra atualidade, é digno expor que quanto menos intrínseca a situação financeira em que se encontrar o cidadão com carência econômica, menos acesso as informações terá para recorrer aos seus Direitos, menos terá a possibilidade de encontrar um advogado, de cogitar buscar a sua razão. Seguindo esse parâmetro, no subcapítulo a seguir tratar-se-á do obstáculo operacional.

1.1.3 Hipossuficiência Informacional

O que é claramente perceptível aqui, é que as insuficiências se relacionam. Não obstando na realização de um sistema solutivo para ambas de uma forma geral, que é como foi feito o sistema da acessibilidade judiciária.

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A sociedade tem carência em muitos sentidos, do financeiro, como já exposto, e da forma social, como ainda será abordado, mas o que estas carências tem em comum é o que elas deixam de produzir: oportunidade.

Esta segunda forma hipossuficiente aqui tratada, é a que mais dificulta que o cidadão tenha alcance em seus objetivos de acessibilidade, e ela deriva da carência financeira. Pois, uma pessoa de menor condição financeira, consequentemente terá menos acesso à informação, não conquistando assim, o êxito em alcançar a sua pretensão judicial. A sua defesa.

Em periferias as pessoas muito pouco tem acesso a mídia, quanto mais, a informação de seus Direitos e as pontes até eles, como escritórios, defensorias e diversos outros meios. É o empobrecimento informacional, incapacitando quem realmente tem necessidade, de obstinar aos seus problemas as devidas soluções.

1.1.4 Hipossuficiência Social

Dispõe o artigo 5º da Constituição Federal da República acerca da hipossuficiência:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;

A hipossuficiência é um dos principais pilares da criação do Acesso à Justiça, afinal é ela, uma das maiores vilãs da sociedade. A falta de dinheiro para que possa se manusear os direitos, como já dito, cobrá-los, ir atrás deles, fere todas as boas intenções...

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Luz (1999, p. 610) conceitua o hipossuficiente como “Pessoa de escassos recursos econômicos, de pobreza constatada, que deve ser auxiliada pelo Estado, incluindo a assistência jurídica”.

Assim como a falta de educação cultural, a hipossuficiência afasta as pessoas de suas pretensões, pois, alguém menos afortunado, obviamente não irá querer pleitear contra alguém de grandes riquezas. Nota-se a desvantagem clara.

É óbvio, se não estupefato dizer, que os locais onde mais há esquecimento da parte do poder público são os lugares onde existe mais pobreza no Brasil. Onde há mais pobreza cultural e educacional, há mais escassez de direitos, há má formação da prestação destes. Contudo, Armelin em sua obra, diz:

“...outras barreiras existem quanto ao acesso à justiça. Não apenas

econômicas e sociais, mas também culturais. É verdadeiro truísmo

afirmar que este país apresenta diferentes estágios de

desenvolvimento, conforme as suas variadas regiões. O

subdesenvolvimento com as suas seqüelas, como o analfabetismo e ignorância e outras, campeia com maior ou menor intensidade nos variados quadrantes do Brasil. Isso implica reconhecer que em certas regiões o acesso à justiça não chega sequer a ser reclamado por desconhecimento de direitos individuais e coletivos. (ARMELIN,

1989, p. 181).

No Brasil é clara a conotação de quem é pobre ser usado como escada para os mais avantajados alcançarem com efetividade os seus direitos, cobrindo os direitos dos mesmo e tomando para si. Uma questão certamente inadmissível e que envergonha uma sociedade desta da qual fazemos parte.

Traz Amanda Azevedo (2015) em seu artigo, traz:

“A desigualdade social possui ligação direta com o acesso à justiça.

De maneira resumida, podemos expor dois obstáculos à justiça: os econômicos e os socioculturais. Aqueles refletem no fato de que o cidadão com menor nível sócio cultural se mantém distante da administração da justiça: à medida que não consideram seus problemas como assuntos jurídicos, ignoram seus direitos e consequentemente mantém-se muito distante psicologicamente e territorialmente dos locais físicos onde permuta a justiça. Já estes, são determinantes por excluir conforme o poder monetário: uma vez

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que a justiça no Brasil é cara para muitos e, fixa-se obstáculos de difícil separação que os indivíduos que se encontram incapazes de

financiá-la, por não possuírem recursos suficientes.

Consequentemente, a divisão em classes sociais vitimiza cidadãos, pois impedidos de acessar a justiça com o seu poder aquisitivo devido ao alto custo econômico fazendo-os, depender dos serviços do Estado e, muitas vezes, pela lentidão dos processos, essas

classes populares nunca realizam a sua efetivação de direitos.”

A hipossufiência, que inicia-se com viés econômico, mas vai muito além disso... É como já dito, uma hipossuficiência social, onde não é possível ser suficiente para os outros ou, tanto quanto os outros. Neste sentido, Ana Carvalho Ferreira Bueno de Moraes (2017, p. 2) em sua pesquisa, aborda:

“A primeira legislação brasileira que cuidou do tema da assistência, anteriormente apenas judiciária, foi o Decreto n. 2.457, de 1897, que previa a assistência para os pobres. Também seguindo essa orientação, a Lei n. 1.060/504 prevê a assistência jurídica para necessitado econômico. A hipossuficiência econômica é aquela que diz respeito apenas a questões financeiras. Observe-se que os hipossuficientes econômicos além de destinatários da assistência jurídica gratuita e integral, também são destinatários da justiça gratuita. O necessitado econômico, segundo o parágrafo único do art. 2º, é aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários advocatícios sem prejuízo do sustento próprio ou da família.”

Além de tudo, ainda há a hipossuficiência psicológica, a qual é desprezada por aqueles quais não passam por ela.

A população sente-se revoltada com o Estado, detentor de poder e aquisições, mas não podendo resolver seus direitos mínimos... Estão cansados de ser vistos como objetos de intenção (aqueles que só servem quando convém), e ainda por cima, sentem-se receosos em ir buscar tais direitos judicialmente, se nem o que precisam é efetivado, imagina o que lhes não seria benéfico.

Alguns princípios são basilares para que se possa fazer a análise do Acesso à Justiça, são eles: Princípio da Acessibilidade (nem tão óbvio quanto parece), Princípio da Operacidade, Princípio da Utilidade e o Princípio da Proporcionalidade. Cada um deles têm um encaixe que circula nesse ciclo de Acesso.

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Acerca deles, respectivamente, Patricia Marques Oliveski (2013, p. 79) traz:

“O princípio da acessibilidade pressupõe a existência de pessoas capazes de estar em juízo, sem óbices de natureza financeira, de sorte a possibilitar na prática a efetivação dos direitos individuais e coletivos.”

Ou, seja, o que se entende aqui como acessibilidade é a muleta processual neste sentido exposto, de amplas as insuficiências, de modo a ajudar a efetivar a composição do fornecimento dos direitos iguais.

“O princípio da operosidade retrata o comprometimento das partes com os procedimentos e instrumentos processuais na busca correta de meios adequados para se alcançar os objetivos. Para tanto, faz-se necessária uma atuação ética de todos que participam da atividade judicial ou extrajudicial e a utilização de meios e dos institutos processuais de forma a obter a melhor produtividade possível.”

Aqui se dispõe a cerca do comprometimento dos membros e entidades que participam do ato processual, e da sua prestação jurisdicional física efetiva, demonstrar melhor intenção e participação para conquistar maior celeridade...

“Atualmente a celeridade é priorizada, pois devido ao modo de vida adotado pelas pessoas, estas precisam de formas de decisões que as acompanhem, mas fatores como o imenso número de litígios, poucos magistrados para julgá-los, estrutura antiquada e material deficiente dificultam a concretização deste objetivo.”

A pré disposição para abranger um grande número de litígios, como dito, em um sistema muitas vezes falho, necessita desta celeridade já tratada, para atingir os objetivos almejados. Nesse sentido, uma formalização intensa das áreas, pode não ser o desejado nesse quesito.

“Não raras vezes e a todo o momento o juiz tem de resolver

questões relevantes sobre os mais diversos assuntos.

Evidentemente que, em algumas situações, ele sente dificuldade de decidir a questão controvertida, ocasionando um dilema na escolha do caminho mais adequado.”

Por fim, é relevante compreender que quando buscamos esse tipo de justiça, e os operadores os quais semeiam e cultivam este trabalho, temos ciência de que há

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algum meio operacional está encarregado de promover isto. Nesse caso, será abordado no capítulo a seguir, uma análise quanto aos meios que nos levam para a prática do acesso à justiça. Focando principalmente na Defensoria Pública, entidade a qual é inspiração em todas as suas áreas.

1.2 As Soluções Práticas para efetivar o Acesso à Justiça “Ondas Renovatórias” de Cappeletti e Garth

Como resultado do Projeto Florença foram estruturadas três principais ondas de acesso ä justiça, as quais serão estudadas a seguir:

1.2.1 Da assistência judiciária aos pobres

As primeiras ideias de Acesso à Justiça sempre consolidaram a intenção de conferir o Direito para o menos afortunados. Buscou-se ao longo do tempo, sempre uma não dificultação para a parte mais fraca nessa relação frágil e prolongada que é o processo judicial.

“Na maior parte das modernas sociedades, o auxílio de um

advogado é essencial, senão indispensável para decifrar leis cada vez mais complexas e procedimentos misteriosos, necessários para ajuizar uma causa. Os métodos para proporcionar a assistência judiciária áqueles que não a podem custear são, por isso mesmo,

vitais.” (CAPPELLETTI; GARTH, 1988, p. 32).

O judiciário tem fulcro enorme de complexidade, e com esta “analfabetização” neste sentido, é importante que cada pessoa que e quando precisar, possa ter à sua disposição um auxiliar e mentor da lei (advogado) atuando por suas causas. É clara a importância de todos terem a possibilidade de um entendimento mínimo e minucioso, ainda mais nas causas que dizem respeito à si.

Segundo CAPPELLETTI e GARTH (1988, p. 35):

A maior realização das reformas na assistência judiciária na Áustria, Inglaterra, Holanda, França e Alemanha Ocidental foi o apoio ao denominado “sistema

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judicare”. Trata-se de um sistema através do qual a assistência judiciária é estabelecida como um Direito para todas as pessoas que se enquadrem nos termos da lei, os advogados particulares, então, são pagos pelo Estado.

Nascia ali então, o que mantem-se até hoje em termos de acesso à justiça, um refúgio para as injustiças e as desigualdades. A assistência judiciária, tratava-se realmente de uma assistência, na qual a permissão e caminhos para que possam vir a ser custeados emolumentos e também no sentido de fornecimento de serviços para tais.

“...o judicare trata os pobres como indivíduos, negligenciando sua situação como classe [...]. Dado que os pobres encontram muitos problemas jurídicos como grupo, ou classe e que os interesses de cada indivíduo podem ser muito pequenos para justificar uma ação, remédios meramente individuais são inadequados. Os sistemas judicare, entretanto, não estão aparelhados para transcender os remédios individuais (CAPPELLETI; GARTH, 1988, p.

Engraçado pensar, que numa época tão antepassada já se tratavam em falar em “transcender” uma evolução, num século o qual nem sabia o significado de mudanças para a melhor, já se visavam melhores condições de uma situação social do ser humano individualmente, e mais tarde, em coletividade.

1.2.2 Da representação dos interesses difusos (O advogado remunerado pelos cofres públicos)

Um segundo grande problema enfrentado na evolução do Acesso à Justiça foi a representação dos interesses difusos, estes os quais eram totalmente adversos dos que se buscava (o direito dos pobres), neste sentido entravam em conflito com os interesses coletivos de maior potencial.

Visava-se a tutela dos interesses que já não tinham mais fulcro no Código de Processo Civil, afinal, fugia muito do contexto da legislação. Assim, se partiu para um pedido de socorro externo, impondo a modificação dos interesses.

Finalmente, e talvez mais importante, os advogados tentavam ampliar os direitos dos pobres, enquanto classe, através de

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casos-teste, do exercício de atividades de lobby, e de outras atividades tendentes a obter reformas da legislação, em benefício dos pobres, dentro de um enfoque de classe. Na verdade, os advogados frequentemente auxiliavam os pobres a reivindicar seus direitos, de

maneira mais eficiente, tanto dentro quanto fora dos tribunais.

(CAPPELLETI; GARTH. 1988, p. 40)

Era clara a insistência em auxiliar no que estivesse ao alcance dos advogados, para que o crescimento da classe pobre em questão de informação, diminuísse cada vez mais.

“As vantagens dessa sistemática sobre a do judicare são óbvias. Ela ataca outras barreiras ao acesso individual, além dos custos, particularmente os problemas derivados da desinformação jurídica pessoal dos pobres. Ademais, ela pode apoiar os interesses difusos ou de classe das pessoas pobres. Esses escritórios, que reúnem advogados numa equipe, podem assegurar-se as vantagens dos litigantes organizacionais, adquirindo conhecimento e experiência dos problemas típicos dos pobres. (CAPPELLETTI; GARTH. 1988, p. 40-41)

Como anteriormente já exposto aqui, a conquista da admissibilidade do Acesso à Justiça, foi uma vitória importantíssima para o Direito. Neste sentido, cabe trazer o princípio com a sua outra face também conhecida: O Princípio da Inafastabilidade do controle Jurisdicional e o Direito de Ação, que são os outros rostos do mesmo.

“Passou-se, então, a discutir sobre a questão da acessibilidade nos Judiciários, mas a temática também esteve sempre inserida em discussões correlatas, como a da expansão dos direitos sociais, da consolidação democrática, dos novos direitos e das novas

juridicidades...” (PORTO, 2009. p. 30)

O Brasil, como todos os outros países, enfrenta obstáculos para alcançar a efetividade de suas medidas, e o acesso à justiça é um objeto destes grandes desafios. Em um país que se propõe tanta igualdade e Direitos, infelizmente se sabe que a prática é frustradora e por fim acabam-se criando meios alternativos, neste caso, as “ondas” das quais trata este texto. As mesmas que servem para atalhar os procedimentos almejados.

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1.2.3 Acesso à representação em juízo, a uma concepção mais ampla de assistência judiciária e um novo enfoque de acesso à justiça

Esta última, e mais importante das três ondas, foi o meio do qual se sobressaiu a intenção de atacar diretamente os “obstáculos processuais”, quais serão tratados especificamente mais adiante.

Aqui, volta-se novamente a bater na tecla dos Juizados Especiais como importante desenvolvedor na evolução do acesso à justiça.Esta onda encontra-se com força até os dias atuais, ela também tem sua base na Constituição Federal da República/88:

”Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:

I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;”

CAPPELLETTI E GARTH (1988. p. 44) foram os principais escritores nas exposição destes entendimentos sobre a temática, pode-se dizer que são precursores na prática.

“O ponto importante, no entanto, é que a possibilidade de escolha em ambos os programas abriu um nova dimensão. Este modelo combinado permite que os indivíduos escolham entre os serviços personalizados de um advogado particular e a capacitação especial dos advogados de equipe, mais sintonizados com os problemas dos pobres. Dessa forma, tanto as pessoas menos favorecidas, quanto

os pobres como grupo, podem ser beneficiados.” (CAPPELLETI;

GARTH. 1988, p. 44).

Essa última onda, busca consertar os desajustes relacionados com a estrutura do sistema jurídico e do meio processual.

Seu objetivo é complementar e fortalecer as outras duas, vem como uma novidade que busca agregar com a união de dois métodos opostos. Dentre as

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formas alternativas pensadas para a solução dos conflitos e ampliação do acesso à justiça estão a conciliação, a mediação e a arbitragem.

Como já citado, são diversos os meios de resolução alternativos, e o primeiro destes é a Conciliação.

A palavra Conciliação pressupõe um “acordo entre partes”, e é exatamente isto que ela é/faz. Uma possibilidade de chegar a um consenso com a outra parte, de maneira extra ou para judicial. Este gracioso método está disposto no artigo 3, §2º, do Novo Código de Processo Civil:

Art. 3. Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.

[...]

§ 3º. A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial. (BRASIL, 2019)

A conciliação sempre foi usada no que concerne aos Juizados Especiais, devido a sua popularidade no meio, passou a ser abrangida para todos os demais procedimentos.

O meio conciliatório no Brasil, não tem enfoque nas legislações, ele busca e entende que há de se haver uma tentativa de conversa entre as partes previamente a demanda judicial, que como já visto aqui, é morosa, pouco célere e razão de muita frustração.

O segundo método alternativo de acesso à justiça é a mediação. Há duas espécies de mediação: a voluntária e a mandatória. A mediação voluntária é de iniciativa das partes, que optam por esse procedimento em comum acordo, enquanto que a mediação mandatória é impositiva, conforme explica Sales (2004, p. 45):

tem início por determinação do juiz, cumprindo a legislação vigente do País, ou uma cláusula contratual que previa tal procedimento. A existência da mediação mandatória decorre do interesse de

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fortalecer tal instituto e ainda como um meio de conscientizar os cidadãos da importância do diálogo para a harmonia social.

A mediação, como procedimento consensual extrajudicial de solução de conflitos, apresenta os seguintes benefícios em relação às demandas judiciais tradicionais, segundo Sales (2007, p. 106): “celeridade, resultados eficazes, participação ativa na resolução dos conflitos, satisfação mútua, eficácia da decisão, sigilo, diminuição do sofrimento, igualdade de oportunidades, melhor relação posterior e construção da comunicação”.

.

É uma das técnicas protagonistas da atualidade, pois, possibilita uma conversa acessível entre as partes, e com a presença do terceiro (profissional), o qual dá a segurança de que seus direitos não serão violados.

Diante do exposto, parte-se agora para o terceiro procedimento, ou melhor dizendo, técnica; expressão mais comumente usada, a técnica de Arbitragem.

Esta se distingue das anteriormente citada. Deixa de ser um meio autocompositivo (somente entre as partes) e passa a ser heterocompositivo, onde um árbitro, terceira pessoa escolhida pelas partes, é quem chegará a uma decisão com relação a lide em questão.

Conforme expõe a Lei 9.037/1996 (Lei de Arbitragem): “Art. 3º As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral”. (BRASIL, 2019)

A utilização desse meio no Brasil, compõe-se de uma busca da solução de conflitos patrimoniais por meios não jurídicos. Esta é enfocada no sentido de atingir uma cultura de “desjuridicionalização”. Conforme destaca João Pomar (2015, p. 03)

“As expressões em comento, desjudicialização e

desjurisdicionalização, vêm sendo empregadas com freqüência no meio jurídico em abertas discussões e em reservados estudos de reformas do sistema jurídico em aspectos que envolvem a função do Poder Judiciário e a atuação jurisdicional de seus membros. O

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fenômeno não é exclusivo do ordenamento brasileiro, eis que motivado na dificuldade do Estado contemporâneo em corresponder com presteza às demandas judiciais que a sociedade moderna deduz. São exemplos próximos à nossa cultura, com iguais providências, Portugal e Argentina, esta, desde 2001, no art. 38 da codificação processual, ampliando as atribuições dos secretários para dirigir audiências de tomada de testemunhos, quando determinado pelo juiz. A origem de tudo está na potencialidade das complexas relações jurídico-sociais em gerar conflitos interpessoais e exigir maior atuação do Estado. Entre elas pode-se citar o crescimento demográfico.” (POMAR. 2015, p.3)

Por fim, a motivação de cada um dos métodos, se faz a mesma, o intuito é nada mais do que desafogar o sistema judiciário que se encontra em uma fase muito crítica a muitas décadas, e que sozinho, não é capaz de lidar e conseguir dar resposta no tempo devido às pretensões buscadas pelas pessoas.

1.3 O Acesso à Justiça no Brasil

O Acesso à Justiça no Brasil, vem de uma forma muito básica nas doutrinas do Direito. Têm-se que ele é um dos pilares fundamentais e básicos da vida cotidiana, do fato de poder-se ou não realizar direitos, assim como devem ser feitos para com os deveres.

Quando a administração do Brasil era dominada pela Igreja Católica, denominado período colonial, no qual, grandes senhores das propriedades rurais faziam uma opressão a minoria, constituída por índios e negros, havia uma economia mercantil, o qual acreditava veementemente no individualismo, que dava voz a um poder de polícia que era detido pelo Estado.

Nesses 300 anos (tempo que perdurou o período colonial brasileiro), foram delimitadas três fases, sendo a primeira delas a das Capitanias Hereditárias.

Conforme cita Abreu (2004, p.121) o entendimento de Wolkmer era de que essa fase das Capitanias Hereditárias era nada mais do que uma “justiça entregue aos donatários” que estes eram considerados soberanos e desempenhavam funções administrativas, tais como de militares e juízes. Os possuidores das terras e dinheiro chefiavam.

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A segunda fase se dá com a desclassificação da fase citada acima, começou a constituir-se com províncias, para as quais os governadores gerais eram nomeados por Portugal. Ainda aqui, continuava o acesso à justiça sendo crítico.

Por fim, com o aumento da população, que consequente traria o aumento das lides, chegou a terceira fase, a qual foi preciso abranger uma criação organizacional no sentido do judiciário, esta denominada Organização Judiciária Portuguesa, que era composta por Tribunais de Relação e pela Casa de Suplicação, o que era basicamente um tribunal de apelações.

Acerca do assunto, afirma Wolkmer (2004, p. 122):

“A organização judiciária passou a reproduzir a estrutura portuguesa – primeira instância formada por juízes ordinários e especiais (...) A

segunda instância – Tribunais de Relação – apreciando os recursos

ou embargos, compostos por desembargadores. O Tribunal de Justiça era a terceira e última instância, representado pela Casa de Suplicação.” (WOLKMER. 2004, p, 122).

Fica claro nesse período que não havia nenhum instrumento específico para o acesso à justiça, porém, já se dava notoriedade a um minúsculo possível avanço nesse meio.

Logo após, no período denominado Imperial, que se deu desde a independência até a proclamação da república (1824), a criação do Código Penal (1830) e do Código de Processo Criminal (1832) já se deram avanços grandiosos no que concerne ao acesso à justica. Imperadores deixavam de ser considerados governantes independentes, já teriam que seguir uma espécie de “legislação”, pois eram normas sociais que deviam ser atreladas as decisões.

“O Código de Processo Criminal de 1932 ampliou a jurisdição do juiz de paz, que passou a julgar delitos cuja pena máxima não excedesse 100 mil réis (77 dólares) e seis meses de prisão. Além disso, passou a ter competência para prender criminosos procurados pela justiça, para promover a denúncia, prisões e formação de culpa em todos os processos penais.” (ABREU. 2004, p. 131).

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Com inúmeros avanços nas formas de governos e legislações, ainda assim, a viabilização de um acesso à justiça para as pessoas ainda era quase invisível. Quando se deu a proclamação da república (1824), fez-se necessária a criação de uma Constituição que tivesse como enfoque descentralizar o poder.

“O novo regime instava-se, assim, em meio a um clima que parecia promissor, marcado pela preocupação de corrigir os vícios da política

do Império, que praticamente excluía da participação e

representação política a maioria do povo do país, agora que, com a abolição da escravidão e o reconhecimento de que essa massa enorme da população trabalhadora brasileira também fazia parte da Nação, o novo governo parecia estar em condições de dar expressão, através das novas instituições políticas a serem criadas, aos anseios do povo brasileiro em seu conjunto, e que a nova

Constituição deveria espelhar...” (GALVAO, 1987, p.48-49)

As Constituições de 1934, 1946 e 1988 foram as que mais se fizeram relevantes para o início do acesso à justiça no Brasil. Embora a primeira só tenha tido validade por três pequenos anos.

Já com a promulgação da Lei 1.060/1950 pode então ser efetivada a intenção do manejo ao acesso, como legislação. “União e os Estados concederão aos necessitados assistência judiciária, criando, para esse efeito, órgãos especiais, assegurando a isenção de emolumentos, custas, taxas e selos” (BRASIL, 1950).

Já surgia ali a curiosidade acerca dos meios que seriam utilizados para tais realizações, já seria o início de cogitação das Defensorias Públicas e deste vasto sistema de amparo que há hoje. Vale observar que esta lei ainda vigora na atualidade.

Na próxima Constituição, “Constituição Polaca” (1937), já começariam a regredir estes direitos muito antes de terem chance de evolução, era como um efeito sanfona, que ia pra frente e pra trás.

Por ser amplamente fascista e ditatorial, esta, sequer houve pretensão de relevância para qualquer cidadão, em vez de trazer soluções eram expostos apenas deveres e obrigações refutando totalmente neste momento, alguma ideia antielitista

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em sentidos de hipossuficiência econômica. Abolindo assim, a oportunidade de convencionar o direito à todos os públicos, trazendo justamente o contrário, a restrição a facilidade da busca destes gozos judiciais.

A influência política daquela década teve muita influência negativa na evolução dos Direitos Fundamentais. Fazendo inclusive, com que fossem tratados como meros caprichos.

A Constituição de 1946 veio finalmente para salvar o país do caos em que se encontrava, trazendo à tona estes importantíssimos princípios de ampliação do judiciário, e de direito de postulação com maior força por parte dos cidadãos.

Tolice pensar que o acesso à justiça não seria mais violado, ou tornado novamente motivo de fracassos culturais. Em 1964 com o golpe militar, esta pequena semente de esperança da sociedade desapareceu aos poucos, ficado inviável naquele período.

Por fim, mas não menos importante, nessa calorosa linha do tempo, veio a década de 80 com todo o seu ar de renovação, mal se imaginava que essa mudança, tão somente sistemática quanto a análise dos fatos, mudaria tanto o ponto de vista de uma população empobrecida. Finalmente predisporia à suas necessidades e direitos básicos humanos. Perduraria dali, por mais 33 anos pra frente.

Com certeza isso foi ótimo para o acesso à justiça, pois, finalmente estava tomando seu lugar de direito no sistema jurídico. Era uma questão de reapropriação do Estado Democrático.

Mais tarde no Brasil, o acesso à justiça foi finalmente reconhecido como princípio, ganhava espaço de garantia constitucional básica, na Constituição Federal da República de 1988, em seu artigo 5º, um dos mais relevantes.

É com clareza que o artigo 5º da Constituição Federal da República em seu inciso XXXV, traz:

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Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[...]

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; (BRASIL, 2019).

Desde ali, a criação dos Juizados Especiais em conjunto com as Defensorias Públicas são avanços de grande importância na ramificação do acesso. Um sistema falho e esgotado, que busca uma maior apreciação na solução de conflitos.

É fácil analisar que o retardo da evolução desse grande avanço constitucional, foi formidavelmente necessário, observando a sua repercussão na atualidade. É um pressuposto do qual sempre terá foco a luta da vigoração.

Facilmente, traduz-se que todas as pessoas devem ter seus direitos pleiteados em juízo, independente de suas condições financeiras, social ou organizacionais. Inteiramente, ele completa as necessidades de quem precisa.

O Acesso à Justiça não é algo que se manifesta unicamente em uma posição no direito brasileiro, ele se comparte em várias pequenas ações que visam um mesmo objetivo. Um belo exemplo disso são os conceitos de justiça gratuita, assistência judiciária e assistência jurídica, os quais três têm suas peculiares diferenças, mas remetem um mesmo fim.

O termo assistência jurídica não se aplica somente na assistência judicial, pode ser considerada assistência jurídica a assistência pré-judiciária e a extrajudicial ou extrajudiciária. Ou seja, desde a antecedência deste pleito dos direitos, até o seu pós jurídico.

CAPPELLETTI e GARTH, em sua obra Acesso à Justiça (1988, p.8) expressam essa não individualidade, mas é claro o entendimento de que mesmo não sendo invariável, é um método completo.

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“A expressão “acesso à Justiça” é reconhecidamente de difícil definição, mas serve para determinar duas finalidades básicas do sistema jurídico – o sistema pelo qual as pessoas podem reivindicar seus direitos e/ou resolver seus litígios sob os auspícios do Estado. Primeiro, o sistema deve ser igualmente acessível a todos; segundo, ele deve produzir resultados que sejam individual e socialmente justos.” (CAPPELLETTI; GARTH. 1988, p. 8)

Acessibilidade aos menos favorecidos, simplesmente. Como em qualquer deficiência física, psíquica. Poder promover ao outro aquilo que ele não consegue normalmente obter.

Para entender o Acesso à Justiça, é preciso, ou melhor dizendo, necessário, ter um norte acerca do que é a justiça em si. Porque para apreciar a realização desta, precisa-se entender o porquê dela ser indispensável. Para se relacionar de modo igual, é preciso a justiça, ela faz com que os que tem menos se equipare (ou tente) aqueles que tanto tem.

Com tanta necessidade de auxiliar as pessoas na pretensão de suas causas e com uma deficiência tão extraordinária no sistema judiciário em que se encontra hoje, a Defensoria Pública é o meio que se encontrou pra tirar a ideia do papel. A seguir, será abordada uma conceituação e uma conexão da relação entre esta e o acesso à justiça.

2 DEFENSORIA PÚBLICA

A defensoria pública, é o instituto pelo qual, confere-se instrumentalidade para efetivar os direitos com relação aqueles que não podem fazê-lo sozinhos. Ou seja, defensoria é gratuidade, facilitação para com aqueles que se encontram em um estado inferior, basicamente falando, no sentido financeiro.

O papel da entidade é garantir uma sociedade justa, assim como o Acesso à Justiça. Ambos são indispensáveis para uma conduta social, política e organizacional. Porém, primeiramente, para entender de fato o seu papel é preciso ter uma conceituação básica do que é a Defensoria Pública em si, a Constituição Federal da República em seu artigo 134, traz:

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Art.134, CF; A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV

do art. 5º desta Constituição Federal. (BRASIL, 1988)

É importante ter um conhecimento básico e prévio acerca do seu surgimento, se fazendo com um registro do famoso Código de Hamurabi, datado de 1694 a.C, que já dispunha sobre as intenções de dar melhores condições para aquele que tinha menos vantagens:

Parágrafo. 48, XIV Se um awilum tem sobre si uma dívida e se Adad inundou seu campo ou a torrente (o) carregou, ou (ainda) por falta de água, não cresceu cevada no campo, nesse ato ele não dará cevada ao seu credor. Ele umedecerá a sua tábua e não pagará os juros

desse ano...” (BOUZON, 2003, p. 86).

No Brasil, atualmente (2019), a Defensoria Pública é uma instituição que visa buscar uma garantia de igualdade.

Diante de todo o enfoque que tem o Acesso à Justiça, tornou-se imprescindível ter-se um meio físico para abordagem dessa temática. Em se tratando de uma entidade, a qual se tornaria precursora disto e teria correlação com o propósito a qual seguira.

A Lei Complementar nº 80 de 12 de Janeiro de 1994, em seu artigo primeiro, traz:

Art. 1º A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, assim considerados na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de 2009).

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Cabe interpretar de maneira intensamente profunda cada âmbito da legislação que norteia as peculiaridades de atuação da Defensoria Pública, com destaque para o seguinte:

a) Fornecer orientação jurídica: Como já citado aqui em outro momento, as pessoas que não pleiteiam seus direitos por motivos financeiros, desconhecem esse amparo que hoje é uma necessidade básica, tendo em vista que quem não conhece os seus direitos não pode requisitá-los, alcança-los. Basta se falar em pretensão, a temos quando somos convictos de nossa valia.

b) A promoção dos direitos humanos e a defesa em todos os graus: A garantia de que qualquer pessoa não será desprovida de seus direitos primordiais. Os direitos humanos, os quais tratam-nos com singularidade e individualidade, os quais nos mantém no páreo de seres inteligentes, sensitivos e sentimentais, em qualquer âmbito jurídico, em qualquer instância.

c) Dos direitos individuais e coletivos: Existe uma definição um pouco distante que se encontra lá no Direito Administrativo, mas que serve de grande valia aqui nessa conceituação, diz-se que existem serviços oferecidos (pela administração) para a sociedade, e eles fragmentam-se em serviços “uti universi” que são aqueles dos quais amparam a coletividade, direitos individuais, mas de uma coletividade. E “uti singuli” que são aqueles as quais satisfazem as necessidades do cidadão de forma individualizada, que é o que cabe aqui.

d) Forma integral e gratuita: os serviços realizados pela entidade pertencente ao Estado, serão custeados pelo Estado. Importante ressaltar que não basta dizer-se necessitado para usufruir de tal “benefício”, não se pode somente considerar-se necessitado, existem requisitos para isto, não classificando essa legislação em momento algum como esparsa.

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2.2 Princípios da Defensoria Pública

Os princípios que norteiam a vida da Defensoria estão ainda elencados na Lei Complementar nº 80 de 12 de Janeiro de 1994: “Art. 3º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional”.

Filovalter Moreira dos Santos, em seu artigo Princípios Institucionais da Defensoria Pública (2013), diz que, a diferença entre as regras e os princípios, são os conflitos entre estes. Que um conflito entre regras pode ser concluso com uma especificação de exceção ou com a declaração de invalidez de outra.

2.2.1 Princípio da unidade

Este primeiro, traz que a Defensoria Pública e seus órgãos integradores, no cunho administrativo e não funcional, possuem atuação independente de seus membros.

Consiste em uma iniciativa de despersonalização, na qual a atuação não se dá ao Defensor Público (cumpridor do ato físico), mas sim da Instituição da Defensoria.

A Unidade significa que os membros da Defensoria Pública integram uma Instituição única, um todo orgânico, sob a mesma direção administrativa. Não há, contudo, Unidade entre as “Defensorias Públicas” entre si, da União Estadual, apenas dentro delas.

Os Defensores Públicos Federais compõem, entre si, um todo orgânico.

Sobrevém deste princípio, a situação de que os membros da Defensoria Pública, quando atuam, não são representantes da Defensoria Pública, eles são própria Defensoria Pública.

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2.2.2 Princípio da Indivisibilidade

O princípio da Indivisibilidade traz o entendimento de que os membros compositores da Defensoria Pública podem se substituir entre si, sem prejuízo nenhum na atuação da Instituição.

Nesse contexto, a definição se dá pelo fato de o Defensor Público não ser parte vinculada ao processo, mas sim, a Instituição da Defensoria Pública.

Art. 128. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública do Estado, dentre outras que a lei local estabelecer:

[...]

XI - representar a parte, em feito administrativo ou judicial, independentemente de mandato, ressalvados os casos para os quais

a lei exija poderes especiais. (BRASIL, 2019)

Da mesma forma, quando o Juiz tem de intimar as partes pertencentes a lide, ele não intimará o Defensor Público e sim a Instituição.

2.2.3 Princípio da independência funcional

Este princípio consiste em definir que a Defensoria Pública, assim como na composição, em sua atuação. Também dispõe de mútua independência. Sua atuação não tem vínculo algum com outro órgão.

Salienta esse princípio, que é totalmente aceitável que a Defensoria Pública na União, por exemplo, ajuíze uma ação contra a União.

Acerca do assunto, dispõe o art. 4º da Lei Complementar nº 80 de 1994:

Art. 4º § 2º As funções institucionais da Defensoria Pública serão exercidas inclusive contra as Pessoas Jurídicas de Direito

Público.

§ 4º O instrumento de transação, mediação ou conciliação referendado pelo Defensor Público valerá como título executivo extrajudicial, inclusive quando celebrado com a pessoa jurídica de direito público.” (Incluído pela Lei Complementar nº 132, de 2009).

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Art. 4º § 8º Se o Defensor Público entender inexistir hipótese de atuação institucional, dará imediata ciência ao Defensor Público-Geral, que decidirá a controvérsia, indicando, se for o caso, outro Defensor Público para atuar. (BRASIL, 2009 ).

Por fim, vale ressaltar, que de um viés interno da Independência Funcional, o Defensor Público não segue um parâmetro legal de atuação, sendo assim, que ele fará suas decisões de acordo com as suas convicções profissionais particulares.

2.4 Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul

No Estado do Rio Grande do Sul, as pessoas necessitadas de assistência já vem recebendo suporte da Defensoria. Antes do aparelhamento da defensoria pública gaúcha, este trabalho era realizado pelos advogados de ofício. A atividade integrava a Consultoria-Geral do Estado, esta que veio a ser conhecida mais tarde como Procuradoria-Geral do Estado, onde junto nascia a unidade de assistência judiciária.

Com o tempo, os então advogados de ofício passaram a ser substituídos pelos assistentes judiciários, os quais eram mais adequados e direcionados para tal exercício. Em 94, nasceu a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul.

Hoje, a Defensoria Pública do Estado é uma instituição independente.

A Defensoria Pública, no cenário nacional, passou a ter autonomia e independência para o desempenho de sua missão institucional, a partir da Reforma do Judiciário, concretizada através da Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004, que modificou significativamente a Constituição Federal. Com efeito, a partir da nova ordem constitucional, os Estados passaram a fortalecer e a estruturar a Defensoria Pública, para prestarem de forma efetiva e eficiente a assistência jurídica integral à população vulnerável. (http://www.defensoria.rs.def.br/relatorio-anual)

Ou seja, a assistência jurídica foi se moldando ao longo dos tempos, foi sendo projetado na Defensoria, diversas tentativas e alternativas que pudessem satisfazer melhor o princípio, mesmo que até nos dias atuais (2019), ainda não seja totalmente efetivo.

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2.4.1 Defensoria do RS em números nos anos de 2016, 2017 e 2018

Em se falando de números, a confecção do Relatório Anual de Atividades é atribuição da Subdefensoria Pública-Geral para Assuntos Institucionais, setor que compila informações de relevância, para posterior apresentação junto à Assembleia Legislativa do Estado.

Todos os anos, o Defensor Público-Geral do Estado apresenta ao Legislativo o Relatório Anual de Atividades, prestando contas a toda sociedade, sobre as atividades administrativas, jurídicas e institucionais desenvolvidas pela Defensoria Pública.

Cabe expor uma pequena coleta de dados acerca dos Projetos e Atividades em Execução no Estado do Rio Grande do Sul, com base no Relatório Anual que está disponível no site da DPE – Defensoria Pública Estadual.

Tabela l - PROJETOS E ATIVIDADES EM EXECUÇÃO NO EXERCÍCIO DE 2016 – RELATÓRIO ANUAL DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Projeto Total Empenhado Saldo a liberar

Atendimento Jurídico e Judicial à População

Carente

251.038,00 0,00 251.038,00

Contribuição Patronal FAS/RS – Ativos - DPE

2.281.670,56 1.476,048 805.622,23

Modernização Estrutural e de Gestão – DPE – BNDES

20.900.000,00 3.332.369,82 17.577.630,18 Aparelhamento da Defensoria Pública 1.560.788,40 276.074,64 1.284.713,76 Aquisição, Construção, Instalação e Reforma – Unidade Atendimento e

Sedes ADM DPE

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Remuneração do Pessoal Ativo - DEFPUB 190.479,515,78 137.495.231,14 52.984.284,64 Contribuição Patronal do Fundo de Assistência à Saúde (FAZ/RS) – 2.124.774,39 1.745.555,19 379.219,20 Apoio Administrativo e Qualificação de Infra Estrutura – DEFPUB 33.655.801,37 25.625.985,01 8.029.816,36 Publicidade Institucional – DEFPUB 200.000,00 27.053,87 172.946,13 Apoio Administrativo e Qualificação da Infra Estrutura – DPE/FADEP 1.835.751,00 244.077,70 1.591.673,30 Indenizações, Restituições e Auxílios a Pessoal Ativo -

DEFPUB 8.626.714,00 4.401.638,12 4.255.075,88 Aparelhamento da Defensoria Pública – FADEP 1.174.000,00 134.862,30 1.039.137,70 Contribuição Patronal ao RPPS/RS - DEFPUB 48.114.672,76 33.541.686,31 14.572.986,45 Complementação Financeira ao RPPS/RS – DPE 37.942.588,54 27.281.787,79 10,660.800,75

Contribuição Patronal para o FUNDOPREV –

6.012.982,97 4.819.491,72 1.193.491,25

Total Geral 356.951.270,00 240.616.269,58 116.335.000,42 Fonte: http://www.defensoria.rs.def.br/relatorio-anual

Em comparativo com o ano anterior, os projetos e execuções do ano de 2016, subiram nos Atendimentos, nos Ajuizamentos, nas Audiências, pouquíssimo nos Júris e nos Recursos Para Tribunais.

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Com relação ao quadro geral de atendimentos, traz-se aqui também a relação dos atendimentos em cada área. Ainda no de 2016.

Tabela ll - QUADRO GERAL DE ATENDIMENTOS – RELATÓRIO ANUAL DO ANO DE 2016 DEFENSORIA PÚBLICA DOESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Atividade Cível Família JIJ JECível Criminal Ex. Penal TJ TOTAL Atendimentos 265.300 201.900 29.159 16.853 68.575 88.930 8.690 679.407 Ajuizamentos 32.276 50.454 4.863 4.171 3.472 103 4.398 124.118 Audiências 8.536 35.614 22.565 926 97.044 14.545 46.364 225.594 Recursos para Tribunais 16.788 4.079 8.124 1.717 26.658 12.401 9.596 79.363 Júris - - - - 917 - - 917 Atuação Extrajudicial 14.940 2.857 487 310 727 647 201 20.169 Manifestações 146.106 120.025 36.074 7.410 135.021 22.543 8.276 475.455 Fonte: http://www.defensoria.rs.def.br/relatorio-anual

Com relação aos Atendimentos por área de atuação, ficou claro que a área cível foi a mais utilizada, seguida da área de família, onde drasticamente decaiu com a JIJ e a JECÍVEL. Com a área Criminal os números voltam a subir, seguidos da Execução Penal e descendo lá embaixo novamente com o TJ.

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Em face dos Projetos e Atividades em Execução no Exercício, agora no ano de 2017, podemos ter uma comparação mais visível entre o último ano e este. Vindo expor na tabela a seguir todos os dados em números.

Tabela lll - PROJETOS E ATIVIDADES EM EXECUÇÃO NO EXERCÍCIO DE 2017 – RELATÓRIO ANUAL DEFENSORIA PÚBLICA DO RIO GRANDE DO SUL

Projeto Total Empenhado Saldo a liberar

Atendimento Jurídico e Judicial à População

Carente 101.254,74

10.146,00 91.108,74

Contribuição Patronal FAS/RS – Ativos – DPE

2.350.120,68 1.402.141,68 947.979,0

Modernização Estrutural e de Gestão – DPE – BNDES

19.000.000,00 10.342.501,80 8.657.498,20 Aparelhamento da Defensoria Pública 1.351.062,00 112.500,00 1.238.562,00 Aquisição, Construção, Instalação e Reforma – Unidade Atendimento e

Sedes ADM DPE

1.749.000,00 93.041,77 1.655.958,23 Remuneração do Pessoal Ativo - DEFPUB 199.040.092,11 126.621.153,22 72.418.938,89 Contribuição Patronal do Fundo de Assistência à Saúde (FAZ/RS) – 2.188.517,62 1.325.195,81 863.321,81 Apoio Administrativo e Qualificação de Infra Estrutura – DEFPUB 35.317.500,00 30.985.215, 33 4.332.284,67 Publicidade Institucional – DEFPUB 200.000,00 25.075,29 174.924,71 Apoio Administrativo e 5.671.267,98 1.593.741,32 4.077.526,66

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Qualificação da Infra Estrutura – DPE/FADEP Indenizações, Restituições e Auxílios a Pessoal Ativo –

DEFPUB 17.818.036,85 11.068.127,80 6.749.909,05 Aparelhamento da Defensoria Pública – FADEP 1.201.591,00 155.054,46 1.046.536,54 Contribuição Patronal ao RPPS/RS - DEFPUB 51.170.755, 94 30.080.992,91 21.089.783,03 Complementação Financeira ao RPPS/RS – DPE 37.980.866,20 25.130.328,80 12.850.537,40

Contribuição Patronal para o FUNDOPREV – 6.753.739,4 5 4.836.626,80 1.917.112,65 Regime de Previdência Complementar/RS - DPE 50.000,00 - 50.000,00 Total Geral 381.943.824,57 243.781.842,99 138.161.981,58 Fonte: http://www.defensoria.rs.def.br/relatorio-anual

Considerando os dados obtidos na tabela anterior, essa deixou muito a desejar nos quesitos de Ajuizamentos, Audiências e Juris. Tendo sido evolutivos somente nos Atendimentos, Atuações Extrajudiciais e nas Manifestações.

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Agora em se tratando de atendimentos por área de atuação no ano de 2017, a área cível continuou no topo das porcentagens, seguida da também dominante área de família, onde deixou a desejar nas JIJ e JECÍVEL, e aumentando em um sentido não muito relevante na área Criminal e de Execução Penal.

Tabela IV - QUADRO GERAL DE ATENDIMENTOS – RELATÓRIO ANUAL DO ANO DE 2017 DEFENSORIA PÚBLICA DO RIO GRANDE DO SUL

Atividade Cível Família JIJ JCível Criminal Ex. Penal TOTAL Atendimentos 359.241 186.345 31.700 31.844 66.259 62.555 737.487 Ajuizamentos 35.307 45.612 7.451 192 4.871 910 94.343 Audiências 7.333 25.515 15.104 663 85.188 6.695 140.498 Recursos para Tribunais 16.650 3.300 7.919 2.059 42.154 11.249 83.331 Júris - - - - 699 - 699 Atuação Extrajudicial 10.614 5.867 2.213 554 1.844 19.971 41.063 Manifestações 261.728 151.196 37.769 1.804 111.322 43.885 607.704 Fonte: http://www.defensoria.rs.def.br/relatorio-anual

Referências

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