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Indústria da farinha de trigo: Moinho Trigossul

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Academic year: 2021

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(1)

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ COORDENAÇÃO DO CURSO DE ENGENHARIA QUÍMICA

ALBERTO CHAGAS LACOVSKI KENZO HAUBERT YOKOMIZO MICHEL HENRIQUE RAIMUNDO

TIAGO DOS SANTOS DINIZ

INDÚSTRIA DE FARINHA DE TRIGO:

MOINHO TRIGOSSUL

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

APUCARANA 2019

(2)

ALBERTO CHAGAS LACOVSKI KENZO HAUBERT YOKOMIZO MICHEL HENRIQUE RAIMUNDO

TIAGO DOS SANTOS DINIZ

INDÚSTRIA DA FARINHA DE TRIGO

Moinho Trigossul

Trabalho de Conclusão de Curso II apresentado ao curso de Engenharia Química, Universidade Tecnológica Federal do Paraná como requisito à obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Química.

Orientador: Prof. Dr. Gylles Ricardo Ströher

APUCARANA 2019

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TERMO DE APROVAÇÃO

Título do Trabalho de Conclusão de Curso Indústria de Farinha de Trigo: Moinho Trigossul

por

Alberto Chagas Lacovski Kenzo Haubert Yokomizo Michel Henrique Raimundo

Tiago dos Santos Diniz

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado aos 12 dias do mês de Junho do ano de 2019, às 08 horas e 00 minutos, como requisito parcial para a obtenção do título deBacharel em Engenharia Química, linha de pesquisa de concepção de uma indústria no ramo moageiro, do Curso Superior em Engenharia Química da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Os candidatos foram arguidos pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a banca examinadora considerou o trabalho aprovado.

_____________________________________________________________ Gylles Ricardo Ströher – ORIENTADOR

______________________________________________________________ Rafael Oliveira Defendi– EXAMINADOR

______________________________________________________________ Maraísa Lopes de Menezes– EXAMINADORA

A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Curso.

Ministério da Educação

Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Câmpus Apucarana

COENQ – Coordenação do Curso Superior de Engenharia Química

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AGRADECIMENTOS

Alberto agradece a sua mãe Vilma Lacovski pela confiança, apoio emocional e carinho que sempre lhe oferece. Também agradece sua namorada Giovanna Lourenço, pelo carinho, por sempre lhe ouvir e apoiar em todos os projetos e, também, pelo auxílio na elaboração do abstract do trabalho. Agradece aos integrantes do grupo por fazer possível a conclusão do trabalho, em especial ao Kenzo que, além de auxiliar no projeto, ainda se mostrou um grande amigo.

Kenzo agradece e dedica esse trabalho aos seus pais, Tsuyoshi e Dulce, e irmão, Matheus, por todo o amor, carinho, suporte, apoio e incentivo ao longo de sua graduação e vida. Agradece também aos seus amigos por serem pessoas extraordinárias, tanto nos incontáveis momentos de alegria quanto nos momentos de dificuldade.

Michel agradece primordialmente à sua mãe Rita Diniz pelo constante apoio ao longo da graduação e por proporcionar que seus sonhos se realizem. Também encoraja que mais pessoas consigam ocupar seu espaço, direitos e o principal, se orgulhem do que são.

Tiago agradece primeiramente a Deus, pela vida, pela saúde e por toda sabedoria concedida. Em segundo lugar agradece a seus pais, Francisco e Marcia, por todo amor e incentivo que lhe foi dado desde criança, sempre o ensinando a correr atrás dos seus sonhos, não importa o quão distantes pareçam estar. Também agradece a sua irmã Inez, por todo amor, força e apoio que lhe foi dado desde seu nascimento. A sua namorada, Renata, por todo amor, incentivo e paciência ao longo deste trabalho. Aos seus amigos, que o acompanham nesta jornada, mesmo muitos estando a longas distâncias. Agradece também a sua família de Londrina que o acolheu como filho neste desafio longe de casa. A seus companheiros de trabalho, por todo empenho e força de vontade para a realização deste trabalho.

Agradecemos ao corpo docente de Engenharia Química que nos proporcionou mais sabedoria e que com paciência e dedicação ao longo dos anos, nos auxiliou para o nosso crescimento como futuros engenheiros químicos.

Agradecimento especial ao nosso orientador Gylles Ricardo Ströher, o qual colaborou e nos auxiliou com muito primor no projeto do Moinho Trigossul, e que seus conselhos perdurem para nossa futura vida profissional.

(5)

Agradecemos a nossa banca composta por Maraísa Lopes Menezes, e Rafael Defendi pelo suporte, embasamento e instrução para o aperfeiçoamento do presente trabalho.

Gratidão aos colaboradores dos moinhos visitados, em especial a engenheira responsável Vanessa Valério, e aos técnicos Sperandio e Jefferson Amaral pela atenção e auxílio no processo produtivo do projeto e aos colaboradores Alessandro e Wagner, que nos auxiliaram para a conclusão do presente trabalho.

Agradecemos à integrante Karinny Almeida, que por motivos pessoais se afastou do curso, mas ajudou enormemente na fase inicial do trabalho.

(6)

“Somente os que ousam errar muito podem realizar muito”. (John F. Kennedy)

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RESUMO

O presente trabalho apresenta o estudo da implantação de uma indústria de farinha de trigo integral e farinha comum, denominado de Moinho Trigossul. Primeiramente, realizou-se a análise de mercado que avaliou o atual cenário do setor moageiro, estudou o consumo de farinha ao longo do tempo e a demanda interna de farinha no Brasil. A cidade de Mandaguari, mostrou-se ter ótimo potencial de localidade para a implementação do Moinho, pelo fato de possuir grande produção de trigo em seus arredores e, também, possuir uma malha rodoviária que possibilitará o escoamento da farinha produzida. O processo de produção da farinha de trigo comum e integral, será composto em uma sequência de operações unitárias: limpeza, umidificação do grão, moagem e processos de separação. Todos os equipamentos que comporão essas etapas necessárias foram especificados e seus custos avaliados. A partir do processo, efetuou-se o estudo do balanço de massa elucidando a quantidade e composição de produtos e resíduos gerados. Além do balanço de massa, foi feito o estudo do balanço energético que estimou o gasto com cada equipamento e, especialmente, para o secador. Também foi analisada suas as condições de operações. Os produtos que serão comercializados pelo Moinho Trigossul serão farinha premium em embalagens de 1kg e 5kg e farinha integral em embalagens de 1kg. Por fim, foi feita a análise financeira, que consolidou a viabilidade financeira da empresa, o lucro líquido, o tempo de 11 anos para quitar a dívida oriunda dos financiamentos e, também, realizadas as análises da TIR e da TIRM do empreendimento que demonstraram os índices de 15% e 13% respectivamente. Palavras-chave: Trigo. Farinha de Trigo. Moinho.

(8)

ABSTRACT

The following project analyzes the implementation of a whole wheat and white flour industry entitled “Moinho Trigossul”. First, a market analysis was done, which evaluated the current scenario of the milling sector, studied the wheat flour consumption over time and internal flour demand in Brazil. Mandaguari city, proved great potential for the mill implementation, because it has a large wheat production on its surroundings and, also, has a road network that will allow the flow of produced flour. The white and whole flour process it is composed by a sequence of unit operations: cleaning, grain humidification, milling and separation. All the equipments that make up these necessary steps were specified with their dimensions and capacities. Based in this process, the mass balance study was done to elucidate amount and composition of final product and residue. In addition to the mass balance, the energy balance study was done to estimates the equipments energy expenditure and, especially, for the dryer operating conditions was evaluated. The products sold by the Moinho Trigossul will be packages of 1kg and 5kg for its white flour and 1kg package for its whole flour. Finally, a financial analysis was done, which consolidated the company’s financial viability, net profit, the time of 11 years to pay all debts from its financing and the enterprise’s IRR and MIRR that expressed 15% and 13% respectively.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Partes do grão de trigo. 22

Figura 2 – Logomarca Moinho Trigossul. 32

Figura 3 – Embalagem da farinha de trigo comum Trigossul. 32

Figura 4 – Organograma aplicado no Moinho Trigossul. 35

Figura 5 – Consumo de farinha de trigo. 38

Figura 6 – Produção de trigo nas cinco regiões do país. 40 Figura 7 – Produção de Trigo na Região Sul na Safra de 2017. 41 Figura 8 – Produção de trigo nas vinte cidades que mais produzem no

Paraná. 41

Figura 9 – Cidades do paraná que possuem moinhos de trigo. 42 Figura 10 – Produção de trigo na região de Mandaguari nas últimas oito

safras. 43

Figura 11 – Região em que se localiza Mandaguari. 44 Figura 12 – Diagrama de bloco resumido do processo. 56

Figura 13 – PFD da área 100 do Moinho Trigossul. 58

Figura 14 – Diagrama de bloco básico da chegada, recepção e

armazenamento dos grãos de trigo. 59

Figura 15 – Envelope dimensional do tombador empregado para descarga

de caminhões. 59

Figura 16 – Envelope dimensional do filtro de manga. 61

Figura 17 – Envelope dimensional do exaustor. 62

Figura 18 – Envelope dimensional do redler. 63

Figura 19 – Envelope dimensional do elevador de caneca. 64 Figura 20 – Envelope dimensional da rosca transportadora. 65

Figura 21 – Envelope dimensional do silo pulmão. 66

Figura 22 – Representação do silo-pulmão no PFD. 67

Figura 23 – Separador a discos para separação pela forma e esquema de

retenção de grãos. 68

Figura 24 – Envelope dimensional do separador a discos 69 Figura 25 – Representação do separador à discos utilizada no PFD. 70

Figura 26 – Envelope dimensional do secador. 71

(10)

Figura 28 – Representação da seção de secagem utilizada no PFD. 73 Figura 29 – Esquema do modelo empregado na secagem. 74 Figura 30 – Temperatura dos grãos versus altura do secador. 76 Figura 31 – Umidade em função do tempo de secagem variando a vazão de

ar. 78

Figura 32 – Umidade em função do tempo de secagem variado a umidade

inicial do ar. 79

Figura 33 – Representação do forno no PFD. 82

Figura 34 – Representação da seção de resfriamento no PFD. 85

Figura 35 – Gráfico de integração energética. 87

Figura 36 – Representação do silo de armazenamento no PFD. 88 Figura 37 – Envelope dimensional do silo de armazenamento. 89 Figura 38 – Pontos de possíveis danos à superfície da massa de grãos, em

função do processo de migração de umidade. 90

Figura 39 – Componentes pertinentes a um sistema de aeração em silos. 91

Figura 40 – PFD da área 200 do moinho Trigossul. 96

Figura 41 – Placa magnética instalada na base do transporte de material

contaminado. 98

Figura 42 – Envelope dimensional do separador magnético. 99 Figura 43 – Representação do separador magnético no PFD. 100

Figura 44 – Envelope dimensional do polidor. 101

Figura 45 – Representação do polidor no PDF. 102

Figura 46 – Envelope dimensional do aspirador de recirculação. 103 Figura 47 – Representação do separador densimétrico no PFD. 103 Figura 48 – Envelope dimensional do separador gravitacional. 105 Figura 49 – Representação do separador densimétrico no PDF. 105 Figura 50 – Representação do separador à discos e desinfestador no PFD. 106 Figura 51 – Envelope dimensional do separador classificador. 107 Figura 52 – Envelope dimensional do desinfestador. 108 Figura 53 – Envelope dimensional da torre de condicionamento. 109 Figura 54 – Representação da torre de condicionamento no PFD. 110 Figura 55 – Primeira etapa da seção de moagem da área 300. 115 Figura 56 – Segunda etapa da seção de moagem da área 300. 116

(11)

Figura 57 – Configuração das raias em um rolo de trituração. 118

Figura 58 – Rolos para etapa de trituração. 119

Figura 59 – Envelope dimensional do moinho. 120

Figura 60 – Envelope dimensional do banco de rolos. 121

Figura 61 – Representação do moinho no PFD. 122

Figura 62 – Esquema do interior de um Plansifter com unidades em

polegadas. 123

Figura 63 – Envelope dimensional do plansifter. 124

Figura 64 – Representação da peneira no PFD. 125

Figura 65 – Esquema do Bran Duster. 125

Figura 66 – Envelope dimensional do bran duster. 126 Figura 67 – Representação do bran duster no PFD. 128

Figura 68 – Sassor e seus componentes. 129

Figura 69 – Envelope dimensional do sassor. 130

Figura 70 – Representação do sassor no PFD. 131

Figura 71 – Sistema de Moagem. 132

Figura 72 – PFD para a área 400 do moinho Trigossul. 142

Figura 73 – Esquema de um moinho de pedra. 144

Figura 74 – Representação do moinho de pedra no PFD. 145 Figura 75 – Representação da turbo peneira no PFD. 145 Figura 76 – Envelope dimensional do moinho triturador. 146 Figura 77 – Envelope dimensional da peneira centrifuga. 146 Figura 78 – Envelope dimensional do misturador de lote. 148 Figura 79 – Envelope dimensional da empacotadora. 149 Figura 80 – Envelope dimensional do soprador RBE – 11. 153 Figura 81 – Envelope dimensional do soprador RBE – 13. 154 Figura 82 – Envelope dimensional do soprador RBE – 15. 154 Figura 83 – Evolução anual dos preços da safra de trigo. 163 Figura 84 – Evolução mensal dos preços do trigo. 164 Figura 85 – Perfil do financiamento SAC do Moinho Trigossul. 170 Figura 86 – Fluxo de caixa do Moinho Trigossul. 177 Figura 87 – Perfil do Payback do Moinho Trigossul. 179 Figura 88 – Ponto de equilíbrio financeiro do Moinho Trigossul 182

(12)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Produção de trigo na região de Mandaguari na safra de

2016/2017. 42

Tabela 2 – Classificação dos tipos de farinha. 45

Tabela 3 – Classificação dos tipos de farinha pela comunidade

Gastronômica. 45

Tabela 4 – Número de pontos amostrais por cada lote. 46 Tabela 5 – Valores mínimos exigidos pelo MAPA do PH. 49 Tabela 6 – Classificação da força geral de glúten determinada pelo Teste

de Alveografia. 49

Tabela 7 – Classificação da qualidade da farinha segundo a interpretação

dos parâmetros obtidos da farinografia. 50

Tabela 8 – Faixas dos parâmetros de extensografia para farinhas de trigo

utilizadas na fabricação de massas, pães, bolos e biscoitos. 50 Tabela 9 – Intervalo de falling number adequado a diversos produtos. 51 Tabela 10 – Teores de cinza adequados para diversos tipos da farinha de

trigo. 52

Tabela 11 – Teores de glúten admissíveis nas diversas categorias de

produtos da farinha de trigo. 52

Tabela 12– Limites máximos permitidos pela ANVISA de DON em cereais

do tipo trigo e seus derivados. 53

Tabela 13– Limites máximos permitidos de acidez graxa nos diversos tipos

de farinha de trigo. 54

Tabela 14 – Composição de alguns materiais combustíveis. 80 Tabela 15 - Composição da saída dos gases do forno. 80 Tabela 16 – Composição do gás de saída do forno e composição da

entrada do combustível e comburente. 81

Tabela 17 – Relação entre as quantidades de gases para o gás de

secagem. 84

Tabela 18 – Correntes da seção de resfriamento 84

Tabela 19 – Parâmetros do BE no secador do Moinho Trigossul. 86 Tabela 20 – Propriedades das correntes da área 1 parte 1. 93 Tabela 21 – Propriedades das correntes da área 1 parte 2. 93

(13)

Tabela 22 – Propriedades das correntes da área 1 parte 3. 94

Tabela 23 – Consumo elétrico da área 100. 95

Tabela 24 – Propriedades da área 200 do moinho Trigossul parte 1. 112 Tabela 25 – Propriedades da área 200 do moinho Trigossul parte 2. 112 Tabela 26 – Propriedades da área 200 do moinho Trigossul parte 3. 113 Tabela 27 – Consumo elétrico dos equipamentos da área 200. 114 Tabela 28 – Valores definidos para as composições de farelo. 135 Tabela 29 – Composição de farelo nas demais correntes. 135 Tabela 30 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 1. 137 Tabela 31 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 2. 137 Tabela 32 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 3. 137 Tabela 33 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 4. 138 Tabela 34 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 5. 138 Tabela 35 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 6. 138 Tabela 36 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 7. 139 Tabela 37 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 8. 139 Tabela 38 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 9. 139 Tabela 39 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 10. 140 Tabela 40 – Propriedades da área 300 no moinho Trigossul parte 11. 140 Tabela 41 – Consumo elétrico dos equipamentos da área 300. 142 Tabela 42 – Propriedades da área 400 do moinho Trigossul. 147 Tabela 43 – Consumo elétrico dos equipamentos da área 400. 147 Tabela 44 – Quantidade de compostos para enriquecer a farinha comum. 151 Tabela 45 – Consumo de eletricidade de cada equipamento da área 500. 151

Tabela 46 – Sopradores do Moinho Trigossul. 153

Tabela 47 – Custos fixos do Moinho Trigossul. 161

Tabela 48 – Insumos consumidos no Moinho Trigossul. 165 Tabela 49 – Custo de energia (US$/dia) do Moinho Trigossul. 166 Tabela 50 – Custo anual de produção nos três primeiros anos. 167 Tabela 51 – Financiamento do BNDES em sistema SAC. 169

Tabela 52 – Depreciação dos bens. 171

Tabela 53 – Custos anuais de depreciação.Tabela 54 – Lucro bruto anual

(14)

Tabela 54 – Lucro bruto anual dos produtos Moinho Trigossul. 173 Tabela 55 – Taxas tributárias pagas pelo Moinho Trigossul. 173

Tabela 56 – DRE do Moinho Trigossul parte 1. 175

Tabela 57 – DRE do Moinho Trigossul parte 2. 176

Tabela 58 – Payback descontado. 178

Tabela 59 – Valores reinvestidos para o Fluxo de caixa do Moinho

(15)

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Testes de qualidade aplicados nas diversas etapas do processo produtivo de farinha de trigo do Moinho Trigossul. ... 47 Quadro 2 - Evolução mensal dos preços do trigo em 2019 ... 163

(16)

LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS

∆𝐻𝑇𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜𝑠 – Variação de entalpia dos produtos ∆𝐻𝑇𝑅𝑒𝑎𝑔𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 – Variação de entalpia dos reagentes A – Vazão mássica de ar seco

a.a. – Ao ano

a.C. – Antes de Cristo AA - Absorção de água

AACC – American Association of Cereal Chemists ABITRIGO – Associação Brasileira da Indústria do Trigo AGROFIT – Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária BE – Balanço de energia

BM – Balanço de massa

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social C – Fração mássica de carbono

CEE – Comunidade Econômica Europeia

CIMMYT – Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento

Cptrigo – Capacidade calorífica dos grãos de trigo

CTRIN – Comissão de Compra do Trigo Nacional d – Valor de Depreciação

DER – Departamento de Estradas de Rodagem DERAL – Departamento de Economia Rural DON – Desoxinivalenol

DRE – Demonstração do Resultado de Exercício

EBITDA – Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization EMATER - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural

(17)

F – Vazão mássica de gases do forno FAO - Food and Agriculture Organization

FIEPR - Federação das Indústrias do Estado do Paraná G – Vazão mássica de gases que entram na secagem H – Fração mássica de hidrogênio

Har – Entalpia da corrente de ar

Hforno – Entalpia da corrente dos gases proveniente do forno Htrigo – Entalpia da corrente de trigo

h – Horas Ha – Hectare hL – Hectolitro

I – Valor de Investimento

ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná

ICTA – Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos IL – Índice de Lucratividade

inH2O − Polegada de coluna da água

IOF – Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica

J - Joules

Kg - Quilograma

KOH – Hidróxido de potássio kW – Quilowatt

kWh – Quilowatt-hora

L – Vazão mássica de sólidos

LAIR – Lucro Antes do Imposto de Renda lb – Libra

LMT – Limites máximos tolerados

𝑚̇𝑎𝑐𝑢𝑚𝑢𝑙𝑎𝑑𝑎 – Vazão mássica acumulada 𝑚̇𝑐𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑖𝑑𝑎 – Vazão mássica consumida

𝑚̇𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎 – Vazão mássica de entrada 𝑚̇𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 – Vazão mássica gerada

(18)

MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

MDIC - Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior min – Minuto

mL – Mililitro mm – Milímetro

NBR – Norma Brasileira nc – Vida útil contábil

nm – Nanômetro

NPK – Nitrogênio, Fósforo e Potássio O – Fração mássica de oxigênio P – Tenacidade

PFD – Process Flow Diagram PH – Peso do Hectolitro

PIS – Programa de Integração Social

PNRS – Política Nacional dos Resíduos Sólidos ppb – Partes por bilhão

PR - Paraná

PRODEMAN – Programa de Desenvolvimento de Mandaguari Q – Calor gerado pelo combustível

R – Razão massa de trigo sobre a massa de ar Rt – Resistência à extensão

RDC – Resolução da Diretoria Colegiada RH – Recursos Humanos

Rm – Resistência máxima RPM – Rotação por minuto RS – Rio Grande do Sul RUo – Razão de umidade S – Fração mássica de enxofre

SAC – Sistema de Amortização Constante T – Temperatura do ar ambiente

Tar – Temperatura de saída do ar do resfriador

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TG1 – Temperatura do ar de entrada

TG2 – Temperatura do ar de saída

𝑇𝑔𝑜 – Temperatura de entrada do trigo

TDM – Tempo de desenvolvimento da massa TIR – Taxa Interna de Retorno

TIRM – Taxa Interna de Retorno Modificada To – Temperatura de entrada do ar

ton – Tonelada

U – Umidade do grão em base seca U.E. – Unidades extensográficas UB – Unidades Brabender

Ue – Umidade de equilíbrio Uo – Umidade inicia

UR – Umidade relativa do ar

VAUE – Valor Anual Uniforme Equivalente VPL – Valor Presente Líquido

VR – Valor Residual

W – Energia de deformação W – Fração mássica de água Wo – Umidade absoluta do ar μg – Microgramas

(20)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 21

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 22

2.1 TRIGO COMO FONTE DE ALIMENTO ... 22

2.2 HISTÓRICO DA FARINHA DE TRIGO ... 23

2.3 HISTÓRICO NACIONAL DA FARINHA DE TRIGO ... 25

3 MOINHO TRIGOSSUL ... 30 3.1 MISSÃO ... 30 3.2 VISÃO ... 30 3.3 VALORES ... 31 3.4 LOGOMARCA E EMBALAGEM ... 31 3.5 ORGANOGRAMA DA EMPRESA ... 33 4 ANÁLISE DE MERCADO ... 38

4.1 MERCADO DA FARINHA DE TRIGO ... 38

4.2 LOCALIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO ... 39

5 CONTROLE DE QUALIDADE ... 45

5.1 TESTE DE QUALIDADE APLICADOS ... 46

6 PROCESSO PRODUTIVO, BALANÇO DE MASSA E BALANÇO DE ENERGIA TÉRMICO, ELÉTRICO E ESPECIFICAÇÕES DOS EQUIPAMENTOS. ... 55

6.1 PROCESSO PRODUTIVO ... 55

6.2 BALANÇO DE MASSA ... 56

6.3 BALANÇO DE ENERGIA TÉRMICO E ELÉTRICO ... 57

6.4 ÁREA 100: RECEPÇÃO, PRÉ-LIMPEZA, SECAGEM E ARMAZENAMENTO . 57 6.5 ÁREA 200: LIMPEZA E CONDICIONAMENTO ... 95

6.6 ÁREA 300: MOAGEM DA FARINHA COMUM ... 114

6.7 ÁREA 400: MOAGEM DA FARINHA INTEGRAL ... 142

6.8 ÁREA 500: FINALIZAÇÃO DO PRODUTO ... 148

6.9 TRANSPORTE PNEUMÁTICO ... 151 7 TRATAMENTO DE RESÍDUOS ... 155 8 PLANTA BAIXA ... 157 9 ANÁLISE FINANCEIRA ... 159 9.1 CUSTOS FIXOS ... 159 9.2 CUSTOS VARIÁVEIS ... 162

(21)

9.3 CAPITAL DE GIRO ... 167

9.4 FINANCIAMENTO ... 168

9.5 DEPRECIAÇÃO E VALOR RESIDUAL ... 170

9.6 RECEITA BRUTA ANUAL E TAXAS TRIBUTÁRIAS ... 172

9.7 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO (DRE) E FLUXO DE CAIXA ... 173

9.8 FERRAMENTAS PARA ANÁLISE DA VIABILIDADE FINANCEIRA DO MOINHO TRIGOSSUL E DECISÕES FINANCEIRAS ... 177

10 CONCLUSÃO ... 183

REFERÊNCIAS ... 185

ANEXOS ... 199

(22)

1 INTRODUÇÃO

A farinha de trigo é um produto produzido a partir dos grãos de trigo da espécie Triticum Aestivium L. e outras espécies de trigo do gênero Triticum, por meio de trituração ou moagem, sendo a última o processo mais comumente utilizado (SINDUSTRIGO, 2018).

O processo de produção da farinha de trigo, de maneira geral, envolve operações unitárias mecânicas de separação para eliminar o gérmen e o farelo do endosperma do grão de trigo e, também, operações de redução de tamanho para obtenção de uma granulometria adequada.

Apesar do processo de fabricação da farinha de trigo apresentar operações relativamente simples, o ato de produzir farinha de trigo é considerado uma verdadeira arte, uma vez que o produto é suscetível à variabilidade das características do trigo utilizado para a produção. Além disso, o setor farinheiro possui um mercado consumidor altamente exigente quanto à qualidade, pois a farinha de trigo é a matéria prima para vários alimentos de produção doméstica e industrial, refletindo na qualidade de vários alimentos produzidos e consumidos no dia-dia.

No âmbito nacional, a indústria moageira brasileira produziu 8,1 milhões de toneladas de farinha, sendo o sul do país responsável por 42% de toda a produção (FIEPR, 2016). Segundo a Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo), a produção nacional de farinha não atende à demanda do país. Em 2018, até o mês de agosto, para atender o mercado interno foi necessária a importação de mais de 250 mil toneladas de farinha de trigo de países como Argentina, Paraguai e Uruguai. Assim, o presente trabalho apresenta o estudo da implantação de uma unidade industrial de farinha de trigo do tipo comum e integral, denominada de Moinho Trigossul. Os estudos contemplados foram: histórico internacional e nacional da produção de farinha de trigo, concepção da empresa (missão, visão, valores, logomarca e razão social), Process Flow Diagram (PFD) do processo industrial, balanço de massa e de energia do processo industrial, análise de mercado quanto ao público alvo, demanda de mercado e análise financeira, contemplando o demonstrativo de rendimento, TIR, TIR modificada, ponto de equilíbrio, VPL e payback.

(23)

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Esse capítulo apresenta o grão de trigo, como a composição de cada parte, e onde, fisicamente, cada parte está disposta. A história da produção de farinha no mundo e no Brasil também é apresentada.

2.1 TRIGO COMO FONTE DE ALIMENTO

O grão de trigo possui essencialmente três partes: a casca que corresponde à cobertura exterior, rica em fibras, que equivale em 13 a 15% do peso do grão, o endosperma: parte interior do grão, da qual se extrai a farinha, rico em amido e proteínas, e equivale de 80 a 85% do grão, e o gérmen que é a parte reprodutiva do trigo, rico em vitaminas e minerais e corresponde a 3% do grão (ACADEMIA GASTRONOMICA, 2016). A Figura 1 apresenta cada parte do grão de trigo.

Figura 1 – Partes do grão de trigo.

Fonte: Uma Química Irresistível (2011).

O trigo é adquirido pelos consumidores geralmente na forma de farinha de trigo, produto obtido pela moagem. A farinha de trigo é classificada conforme a Instrução Normativa Nº 38, de 30 de novembro de 2010. De acordo com as suas características, a farinha de trigo se subdivide principalmente em:

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a) Farinha integral - a moagem é do grão de trigo inteiro, e por conter farelo (parte da casca juntamente com o gérmen) possui alto teor de fibras e normalmente utilizada no preparo de pães e massas integrais. b) Farinha comum - a moagem é do endosperma, e deve apresentar uma quantidade abaixo de 7% de proteínas, por determinação do Governo Federal, para fins de panificação, pode ser adicionada de farinhas de outras origens. Normalmente utilizada no preparo de bolos, doces, pães e outros alimentos. (ANVISA, 2003).

No Brasil, por força da Consulta Pública n°51, da Anvisa, a partir de 2002, toda farinha comercializada deve receber doses extras de ferro e ácido fólico para ajudar a prevenir a má formação do tubo neural (estrutura precursora do cérebro e da medula espinhal) no feto.

O principal carboidrato da farinha de trigo é o amido, formado por duas moléculas de polissacarídeos chamadas amilose e amilopectina. A amilose representa cerca de 23% do amido, possui estrutura linear, e é quebrada pela enzima beta-amilase. A amilopectina compõe o restante do amido, apresenta estrutura ramificada e é quebrada pela enzima alfa-amilase. Já a principal proteína contida na farinha de trigo é o glúten. O glúten é o responsável pelas características de textura e granulosidade, associadas à elasticidade das massas feitas com farinha de trigo, que permitem a retenção de umidade e/ou bolhas de gás produzidas no processo de fermentação, resultando na consistência elástica e esponjosa dos pães e bolos (ACADEMIA GASTRONOMICA, 2016).

2.2 HISTÓRICO DA FARINHA DE TRIGO

Originário de regiões montanhosas do Sudoeste da Ásia, (Irã, Iraque e Turquia) o trigo foi cultivado na Europa já na pré-história e foi um dos mais importantes cereais para alimentação humana na Pérsia antiga, na Grécia e no Egito. O trigo tem a propriedade de manter as suas características de qualidade mesmo quando armazenado por um longo período. Desempenhando um papel dos mais importantes no desenvolvimento das civilizações e tem sido o grão preferencial para alimento nos países desenvolvidos (EMBRAPA Soja, 2018).

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Segundo Bartaburu (2016), no século 3 a.C. os gregos inventaram o moinho hidráulico que, posteriormente, foi aprimorado pelos romanos e, pela primeira vez, prescindia-se do uso de qualquer força humana ou animal para moer grãos – não por acaso, de tão eficaz, esse modelo de moinho d´água, permaneceu inalterado até o começo do século 20 onde quer que tenha sido introduzido, inclusive no Brasil. Em 168 d.C, por meio de um esforço conjunto de engenheiros gregos e romanos, se desenvolveu o primeiro moinho mecânico da história, tornando a Roma antiga a primeira cidade com uma indústria consolidada na produção de farinha de trigo (Bartaburu, 2016).

Os cavaleiros das Cruzadas também trouxeram muitas novidades à Europa em seu retorno das batalhas na Terra Santa, entre elas, o moinho de vento, se tornando uma das mais importantes contribuições involuntárias dos povos muçulmanos à economia medieval. Inventados na Pérsia por volta do século 10, zona árida onde não havia água para mover moendas, mas havia vento em abundância, os moinhos eólicos se revelaram a alternativa perfeita para as planícies europeias, onde água até havia, mas não o desnível suficiente para a existência de cachoeiras (Bartaburu, 2016).

Por muitos anos os moinhos de vento e hidráulico eram a base da produção de farinha por toda a Europa, até a Revolução Industrial. Em 1785 o engenheiro americano Oliver Evans desenvolveu o primeiro moinho automático de que se tem notícia. Fazia já um tempo que a indústria de farinha tentava automatizar o processo, tratando de eliminar o máximo possível de esforço humano nas etapas de moagem. Evans, porém, foi o primeiro a conceber um mecanismo inteiramente automatizado, da elevação dos grãos ao topo do moinho por meio de caçambas à transferência da farinha para as barcaças ancoradas ao lado da fábrica, responsáveis pela sua distribuição no mercado. Era uma máquina, contudo, ainda acionada por rodas d´água (Bartaburu, 2016).

Segundo Bartaburu (2016), em 1786, em Londres, a construção do moinho Albion pelas mãos do escocês James Watt, foi o primeiro a usar um moinho com equipamentos movidos a vapor, o grande motor da Revolução Industrial. Em 1834 o engenheiro Jacob Sulzberger, se utilizando do fracasso de outro engenheiro de sobrenome Müller, desenvolveu um novo moinho que produzia uma farinha muito mais branca. O senhor Müller pensou em uma forma de amenizar a textura da

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farinha, moendo os grãos de maneira progressiva. Mas não triturando-os, como se fazia desde o Neolítico, e sim prensando os grãos até esmagá-los. Para isso, no lugar das antigas mós de pedra, imaginou cilindros de aço giratórios. Jacob Sulzberger, após reconfigurar o protótipo criado pelo senhor Müller, criou uma verdadeira máquina produtora de farinha da melhor qualidade, dona de uma brancura como jamais se tinha visto até então.

Este moinho passou a ser vendido por toda a Europa e em 1879, um grupo de engenheiros americanos, enviados pelo governo do estado de Minnesota, descobriram o moinho criado por Jacob Sulzberger. Utilizando desta tecnologia, os americanos conseguiram aprimorar o moinho para que pudesse moer o chamado trigo de inverno, variedade de grão mais duro que acabara de ser introduzida no Vale do Mississipi, transformando Minneapolis na capital mundial da farinha. Era já o alvorecer do século 20, e a saga do trigo tinha agora um novo centro de atenções (Bartaburu, 2016).

Já no começo do século 20 os Estados Unidos se consolidavam como os maiores produtores de trigo, no entanto, a retirada do germe e do farelo, ao mesmo tempo em que mantinha a farinha fresca durante meses na despensa, também suprimia da dieta nutrientes essenciais, como vitaminas do complexo B, fibras e ferro. Isso se tornou especialmente crítico nos anos 1930, na onda de pobreza que se seguiu à Grande Depressão, e, mais ainda, durante a Segunda Guerra Mundial. Assim, nos anos 1940, como forma de incrementar a saúde da população, os governos americano e britânico promoveram a adição de nutrientes à farinha industrializada, medida que, com o tempo, acabou tornando-se obrigatória em diversos países, inclusive no Brasil. Ao fim da guerra, um pequeno milagre havia se operado: a incidência de beribéri, doença causada pela falta de vitamina B1, e pelagra, pela falta de B3, havia caído substancialmente nos Estados Unidos (Bartaburu, 2016).

2.3 HISTÓRICO NACIONAL DA FARINHA DE TRIGO

Segundo Bartaburu (2016), em 1614 a Câmara de São Paulo aprovou a construção dos primeiros moinhos de trigo da vila, fazendo de São Paulo o primeiro

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celeiro do Brasil. Se produzia tanto trigo que se chegou a exportar 500 sacas anuais para Portugal.

Em 1780, a então Capitania do Rio Grande de São Pedro já produzia 2 mil toneladas do cereal, sendo que parte era exportada para o Rio de Janeiro. Nas décadas seguintes, a produção cresceu em ritmo acelerado, alcançando o total de 23 mil toneladas de grãos e 160 mil toneladas de farinha exportadas entre 1790 e 1822 para lugares como, além do Rio, Salvador, Recife e Montevidéu. Com a mudança da família real portuguesa ao Brasil em 1808, houve a abertura dos portos. Os trigais do sul não puderam competir com os navios que começaram a chegar aos portos de Santos e do Rio, carregados de farinha norte-americana (Bartaburu, 2016). Em fins do século 19, o Brasil já estava pronto para entrar na era dos moinhos industriais. Ao mesmo tempo em que aumentava a oferta do trigo argentino, as lavouras do Sul começavam a prosperar. Nas cidades, padarias abriam em ritmo veloz e os rendimentos do café atiçavam a vontade de se investir em novos segmentos. Faltava driblar a pressão dos americanos, principais exportadores da farinha de trigo consumida no Brasil, nada interessados em ver a indústria moageira do país evoluir (Bartaburu, 2016).

Segundo Abitrigo (2003), em 1887, a princesa Isabel autorizou a implantação de dois moinhos pioneiros no país. Um foi o Moinho Fluminense e o outro, o moinho da Rio de Janeiro Flour Mills and Granaries Limited, cuja operação começaria dois anos depois, moendo 150 toneladas de trigo por dia – durante décadas, este foi o maior moinho do Brasil. Antes do século 19 terminar, ainda mais uma fábrica de farinha seria aberta em território brasileiro, na cidade gaúcha de Rio Grande foi inaugurado em 1895, o Moinho Rio-Grandense.

Na primeira década do século 20, três grandes moinhos foram fundados por italianos. Francesco Matarazzo abriu o primeiro, em 1900, no bairro do Brás, já com capacidade de moagem de 110 toneladas diárias. O Moinho Matarazzo não só seria a maior fábrica de farinha em São Paulo como também a pioneira na verticalização: em quatro anos, o futuro conde abriria ainda uma metalúrgica, para manutenção das máquinas do moinho, e uma tecelagem, para a confecção dos sacos de farinha. Em 1905, foi a vez de Giuseppe Puglisi Carbone fundar o Moinho Santista, que surgiu no porto de Santos ostentando numerosas inovações: nove silos em estrutura metálica (os primeiros do mundo), uma esteira subterrânea para conduzir a farinha

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ao cais e lampiões de querosene importados da Bélgica. Um dado importante é que o Moinho Santista contava, entre os acionistas, com a Bunge – a primeira participação da empresa holandesa na indústria brasileira. A terceira fábrica desses primeiros tempos em São Paulo foi a de Egidio Pinotti Gamba, aberta em 1909 no bairro da Mooca sob o nome de Grandes Moinhos Gamba. Funcionou até os anos 1960 (Bartaburu, 2016).

A década seguinte foi de rápida expansão dos grandes moinhos pelo Brasil. Em 1913, surgiu o Moinho Boa Vista na cidade de Joinville, Santa Catarina, com capital e maquinário alemão. Em 1919, a indústria moageira chegou ao Nordeste com a fundação do Moinho Recife, também com capital estrangeiro. Ao fim da década de 1930, eram já quarenta moinhos industriais operando no Brasil. Juntos, moíam 4 mil toneladas de trigo por dia, e em apenas três décadas, o Brasil havia aumentado em quinze vezes sua capacidade de produzir farinha. Na década de 1970, a expansão e a modernização das instalações levaram o Moinho Fluminense a se tornar o maior moinho de trigo do Hemisfério Sul, responsável pelo abastecimento de metade do mercado fluminense e dois terços do carioca. Desde então, sucessivas renovações levariam a fábrica a alcançar a capacidade inédita de moagem de 2 mil toneladas de grão por dia, quase vinte vezes mais do que a produção inicial (Bartaburu, 2016).

Segundo Bartaburu (2016), em 1949 Eurico Gaspar Dutra proibiu a importação de farinha de trigo e, de quebra, isentou de tarifas alfandegárias a compra de máquinas estrangeiras destinadas à moagem. Getúlio Vargas voltou ao poder em 1951 e poucas semanas depois de empossado, publicou um decreto que obrigava as fábricas a produzir farinha com trigo brasileiro: a cada moinho era destinada uma cota de compra, calculada de acordo com sua capacidade de moagem. Só depois de atingida essa cota era que o produtor poderia adquirir o grão importado. E deveria fazê-lo das mãos do próprio governo, pois o Banco do Brasil havia se tornado o único comprador e distribuidor do cereal estrangeiro. Em meados dos anos 1960, quase 500 moinhos de trigo se espalhavam pelo país, fruto das políticas governamentais de incentivo nas décadas anteriores. Somados, ostentavam a capacidade de moer 10 milhões de toneladas de grãos por ano, mas na verdade moíam apenas 2,5 milhões, o suficiente para atender à demanda interna de farinha. Ou seja, as moendas passavam três quartos do tempo paradas.

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Diante desse fato, o governo achou por bem enrijecer o controle sobre o ir-e-vir do trigo no Brasil. Em 1962, todo o comércio dos grãos, nacionais ou importados, passou a ser uma exclusividade do Banco do Brasil, responsável por comprar o cereal dos produtores e revendê-lo aos moinhos por meio de um órgão que recebeu o nome de CTRIN (Comissão de Compra do Trigo Nacional). E esse foi apenas um ensaio do que viria a seguir, depois que os militares assumiram o poder, quando a estatização do trigo alcançou seu grau máximo na história do país. Isso se deu em nome do Decreto-Lei de número 210, instituído em 1967, que manteria o trigo brasileiro como monopólio estatal por 23 anos (Bartaburu, 2016).

Segundo Abitrigo (2003), em 1974, foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) Trigo com sede em Passo Fundo (RS). A produção, com efeito, aumentou: as 630 mil toneladas colhidas em 1967 se tornaram 2 milhões dez anos depois. E a área cultivada, no mesmo período, cresceu 380%, abrindo caminho para a entrada do Paraná como o novo protagonista do trigo brasileiro. Em 1979, o estado se tornaria o maior produtor do país. Nunca se esteve tão próximo da autossuficiência como no final dos anos 1980. Vinte anos de controle estatal haviam, enfim, tido efeito: na safra 1986/87, o Brasil alcançou o recorde de 6,1 milhões de toneladas. Não era exatamente um trigo bom para se fazer pão, mas havia volume, que era o que se buscava desde o Estado Novo. Em 1990, quando o então presidente Fernando Collor derrubou o Decreto-Lei 210, tanto o campo quanto a indústria não estavam preparados para assumir o mercado, depois de duas décadas de estrito comando estatal. Ambos haviam se acomodado à ingerência dos militares, dependentes dos subsídios, das garantias de compra e venda e da baixa competitividade no mercado. Quando a nova lei entrou em vigor, em substituição à antiga, a intervenção do Estado foi declarada extinta, e, com ela, o sistema de cotas, o monopólio da compra, as subvenções e o controle dos preços. Pela primeira vez desde os anos 1920, comércio, cultivo e moagem voltavam às mãos da iniciativa privada.

O trigo argentino, mais barato que o brasileiro, entrou com tudo no mercado nacional, fazendo com que o Brasil se tornasse o maior importador mundial do cereal. Nos anos 1990, as importações foram de 1,9 milhões de toneladas para 7 milhões, das quais 96% vinham da Argentina. Nesse mesmo período, as lavouras brasileiras perderam 2 milhões de hectares, quase dois terços de sua área. As novas

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demandas adiaram o sonho da autossuficiência, e hoje o Brasil importa metade do trigo que consome, mas também levaram o campo a buscar formas de tirar o atraso tecnológico, como o investimento na produtividade, hoje o dobro do que nos anos 1980 (Bartaburu, 2016).

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3 MOINHO TRIGOSSUL

O Moinho Trigossul tem como objetivo principal atuar na fabricação e distribuição da farinha de trigo, comum e integral, comercializada para produção de massas, biscoitos, pães e demais produtos alimentícios. Localizada no Paraná, na cidade de Mandaguari, a empresa processará cerca de 300 toneladas de trigo por dia, este valor foi baseado na produção de empresas moageiras do mesmo porte.

Desde a seleção da matéria-prima até o processo final de fabricação e distribuição, o Moinho Trigossul utilizará um rigoroso padrão de controle da qualidade de seus produtos, seguindo sempre a legislação brasileira que diz respeito à farinha de trigo, a fim de fornecer produtos com a mais alta qualidade, visando a satisfação de seus clientes.

Além da farinha de trigo, nosso produto principal, o Moinho Trigossul comercializará também o farelo de trigo como subproduto. Indicado para consumo animal, as fibras presentes no farelo são elementos importantes na funcionalidade intestinal dos animais. Por isso, o farelo de trigo é amplamente utilizado nas formulações de receitas de ração animal industrializadas e nas granjas, misturadas ao milho.

3.1 MISSÃO

O propósito da Moinho Trigossul é atender seus clientes com um produto de qualidade e, ao mesmo tempo, gerar riqueza de forma a respeitar o meio-ambiente e os seres que nele habitam. Produzir a farinha de trigo, matéria-prima para inúmeros alimentos, de forma a atender às necessidades do ser humano, e contribuir para sua alegria e qualidade de vida, tornando as refeições momentos especiais para os consumidores.

3.2 VISÃO

Ser empresa de referência, reconhecida como a melhor opção por clientes, colaboradores, comunidade, fornecedores e investidores, pela qualidade de nossos produtos, serviços e relacionamento. A Moinho Trigossul trabalha para ser uma

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marca presente nos bons momentos da vida, para fazer parte da história de seus consumidores.

3.3 VALORES

Os princípios da Moinho Trigossul incluem a integridade com a natureza e o meio-ambiente, bem como a saúde dos consumidores, sempre valorizando o ser humano. Comprometimento em produzir farinha de trigo comum e integral, para atender as mais variadas vertentes da alimentação também faz parte dos nossos valores. Dessa forma, a empresa respeitará sempre a diversidade de ideias e ideais de cada ser humano. Valorizar a vida e o meio ambiente produzindo um insumo livre de sofrimento animal. A Trigossul busca sempre superar resultados por meios de melhorias contínuas e inovação tecnológica no ramo alimentício, e, claro, respeitar sempre a sustentabilidade, harmonia e a vida no planeta.

3.4 LOGOMARCA E EMBALAGEM

A palavra Trigossul, que dá nome à empresa, se baseia no fato de que a região Sul é a grande produtora de trigo do Brasil. Além disso, a empresa se localizará na cidade de Mandaguari-PR, situada no sul do país, na região norte central do estado do Paraná. Já o termo Trigo se refere justamente à farinha de trigo que a empresa produzirá.

A logomarca, representada pela Figura 2, apresenta a ilustração de moinho no centro, que se refere justamente à empresa e ao seu nome, Moinho Trigossul. Em torno, as ilustrações do trigo em estado natural, antes de qualquer processamento, rodeiam o moinho, pois o trigo à granel será a matéria-prima da empresa. As cores da ilustração, fonte e linhas em tons de amarelo, laranja e ouro será a marca registrada da empresa e remetem à coloração das plantações de trigo, que iluminadas pelo sol ganham um brilho dourado.

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Figura 2 – Logomarca Moinho Trigossul.

Fonte: Autoria Própria (2018).

A Figura 3 apresenta a embalagem da farinha comum do modo como será comercializada, cuja as embalagens de 1 kg e 5 kg serão de papel, portanto, reciclável, respeitando sempre os valores da empresa para com o meio ambiente. A embalagem seguirá as normas previstas conforme a Instrução Normativa Nº 38, de 30 de novembro de 2010, para embalagem e rotulagem.

Figura 3 – Embalagem da farinha de trigo comum Trigossul.

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3.5 ORGANOGRAMA DA EMPRESA

A empresa Moinho Trigossul adotará uma estrutura organizacional em linha-staff, que se configura em um organograma encabeçado por um presidente, abaixo do qual ficam os diretores de áreas específicas, seguidos dos gerentes e assim por diante, até os funcionários do operacional. Neste modelo, há staffs em alguns cargos, que nada mais são do que assessores, que dão pareceres, fazem laudos, autorizam e dão suporte à organização. A estrutura organizacional em linha-staff é extremamente eficiente em organizações em que é preciso pareceres técnicos isolados para assessorar colaboradores que executam ou gerenciam as operações do dia-a-dia na linha de frente (VEYRAT, 2010), como é o caso no Moinho Trigossul.

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Figura 4A Figura 4 apresenta a estrutura organizacional em linha-staff, em forma de diagrama de blocos, que será aplicado ao Moinho Trigossul.

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Figura 4 – Organograma aplicado no Moinho Trigossul.

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Como analisado na Figura 4, o Moinho Trigossul terá um Presidente, que corresponde ao nível hierárquico mais alto da empresa, cuja função é cuidar do planejamento estratégico de toda a indústria. O Presidente será assessorado por um Diretor Administrativo, que cuidará da parte burocrática, emitirá pareceres técnicos e servirá como uma ponte, melhorando a comunicação entre as diversas partes da empresa e repassará o feedback dos demais Diretores ao Presidente. Subordinados ao Diretor Administrativo haverá o Diretor Financeiro, responsável pelos departamentos contábeis e financeiros, e por desenvolver normas internas, processos e procedimentos de finanças. O Diretor Financeiro também supervisionará toda parte das funções de suporte administrativo e financeiro. E o Diretor Operacional, ou seja, um engenheiro que cuidará de todo o processo da linha produtiva. Além de dirigir as operações da empresa, o Diretor Operacional desenvolverá o planejamento estratégico, orçamento econômico-financeiro e plano de investimento empresarial e implantará o projeto de negócios para alcançar os objetivos de rentabilidade, custos e crescimento.

Para auxiliar os Diretores, haverá também o Gerente Administrativo, que fará a ligação entre os Diretores e Gerentes da empresa.

Subordinados ao Gerente Administrativo estarão os Gerentes de Qualidade, de Controle de Processos, Comercial e de Venda, o Gerente de Marketing e o Gerente de Recursos Humanos (RH), sendo este último ligado à admissão e demissão de todos os operários. O Gerente de Controle de Processos será responsável por gerenciar e planejar as atividades da área de processos, compreendendo a elaboração de processos, orçamentos, cronogramas, concorrências, contratações e execuções de instalações, com o propósito de promover a melhoria das condições técnicas da empresa. Enquanto o Gerente de Qualidade gerenciará e desenvolverá novos métodos e processos de controle de qualidade, implementará procedimentos e elaborará estratégias para identificação e correção de pontos críticos, a fim de padronizar e otimizar os produtos e o trabalho dentro dos padrões da empresa e das normas técnicas.

O Gerente Comercial e de Vendas será responsável por gerenciar diretrizes e definir estratégias para comercialização dos produtos produzidos pelo Moinho Trigossul. Além disso, desenvolverá estudos sobre potencial, planos e programas de vendas, e acompanhará os concorrentes, a fim de atingir os objetivos da empresa e aumentar participação no mercado. Já o Gerente de Marketing será responsável

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por elaborar pesquisas de mercado e estratégias para aumentar as vendas. Estará sob as responsabilidades do Gerente de Marketing estudar o comportamento do consumidor, relacionar as necessidades deste, produzir relatório destacando o público alvo, o preço, a promoção e o local de venda de cada produto, elaborar estratégias de venda de acordo com as observações feitas, examinar contratos de compra e venda adequar os contratos às exigências da empresa e do comprador, objetivando o benefício de ambos.

Por fim, subordinados aos Gerentes, estarão os demais operários, responsáveis por executar suas determinadas funções de acordo com o que lhes foram designados pelos gerentes de cada setor do Moinho Trigossul, em que haverá uma quantidade maior de operários para a área comercial e de controle de processos devido à maior demanda de tarefas diárias a serem cumpridas.

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4 ANÁLISE DE MERCADO

Por meio da análise do mercado da farinha de trigo, verificou-se sua produção, as projeções para os próximos anos e, quanto à localização do empreendimento avaliaram-se os seguintes fatores chaves: oferta de matéria-prima, mercado consumidor e meios de transporte. Baseado nesses fatores, houve a escolha da cidade de implantação do Moinho Trigossul.

4.1 MERCADO DA FARINHA DE TRIGO

Existem, no Brasil, de 150 a 160 moinhos, dos quais 120 estão situados na Região Sul. Essa concentração se dá principalmente pela proximidade dos núcleos de produção, ou seja, das lavouras de trigo (UFRGS, 2003).

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (ABITRIGO), mesmo havendo um número significativo de moinhos no Brasil, ainda assim, a produção é insuficiente para atender ao mercado interno. Em 2017, o país precisou importar 445 mil toneladas de farinha de trigo comum para suprir sua demanda interna. Além disso, a ABITRIGO considera a expectativa para 2018 otimista, com o crescimento na indústria moageira e aumento no consumo de farinha de trigo comum ao longo dos anos. A Figura 5 fornece dados do consumo de farinha de trigo no Brasil ao longo dos últimos 13 anos, pode-se observar o aumento do consumo de farinha de trigo no país, com resalva ao ano de 2015 que por conta da crise que o país atravessou, apresentou uma queda no consumo de farinha de trigo.

Figura 5 – Consumo de farinha de trigo.

Fonte: ABITRIGO (2018). 6500 7000 7500 8000 8500 9000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 T on el ad as de F arin ha de T ri go Ano da produção

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A farinha de trigo comum faz parte da rotina alimentar de grande parte da população, seja no preparo de pães, bolos, macarrão ou outros alimentos. Mas essa não é a única opção para o preparo dessas receitas. Cada vez mais, versões integrais têm ganhado espaço, por serem alternativas saudáveis para quem tem dietas restritivas, e precisa controlar o colesterol ou, até mesmo, deseja perder peso. Devido a sua riqueza de nutrientes, a farinha integral confere diversos benefícios para a saúde (LOURES, 2017). Se antes a maior parte da população não pensava em incluir alimentos naturais na rotina ou era resistente à ideia, agora o consumo de produtos menos industrializados e mais saudáveis, como as farinhas integrais, vem crescendo cada vez mais. Em 2016, foram R$ 93,6 bilhões em vendas, de alimentos naturais e menos industrializados, no país (CIA DA SAÚDE, 2018). A inserção deste produto no mercado nos últimos anos fez com que surgisse esta nova vertente do consumo das farinhas. A demanda por farinha integral cresce 10% ao ano, em uma velocidade bem maior do que a farinha de trigo comum. (ELTER, 2015).

Tendo em vista o alto consumo de farinha de trigo, seja comum ou integral, no Brasil, utilizadas na base alimentar e presentes na vida da maioria dos brasileiros, bem como o fato de que o Brasil não produz uma quantidade de farinha de trigo suficiente nem mesmo para sua própria demanda interna, será implantada a empresa Moinho Trigossul, uma indústria de farinha de trigo comum e integral.

4.2 LOCALIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO

A localização do empreendimento foi selecionada levando em conta diversos fatores, como a oferta de matéria prima, a logística para o escoamento do produto final, centros consumidores e a disponibilidade para que se adquirisse o terreno da planta industrial.

A Figura 6 traz informações sobre a produção de trigo em toneladas, das cinco regiões do país na safra de 2017. É possível observar que a região Sul possui uma produção muito maior que as demais regiões, fazendo assim com que o Moinho Trigossul a escolhesse e passasse a procurar pelo melhor estado.

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Figura 6 – Produção de trigo nas cinco regiões do país.

Fonte: Sidra (2018).

A Figura 7 traz a produção de trigo nos estados da região sul do país na safra de 2017. A partir desta, observa-se que o estado do Paraná possui a maior produção de trigo do país e, com isso, deu-se um próximo passo na escolha da localização, a escolha da cidade.

A Figura 8 fornece dados das vinte cidades que mais produzem trigo no estado do Paraná. Nota-se que a cidade de Mandaguari, apesar de não estar entre essas vinte cidades, existe em seu entorno cidades com uma boa produção, como Londrina (8° maior), Ivaiporã (19°) e Apucarana (20°). Dessa, forma, escolheu-se o município de Mandaguari para a implantação da indústria de moagem de trigo, Moinho Trigossul. Essa região mostra-se uma grande produtora de trigo, de forma que o Moinho Trigossul terá acesso facilitado a compra da matéria-prima.

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Figura 7 – Produção de Trigo na Região Sul na Safra de 2017.

Fonte: SIDRA (2018).

Figura 8 – Produção de trigo nas vinte cidades que mais produzem no Paraná.

Fonte: DERAL (2018). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Mi l T on el ad as de T ri go Cidades Produtoras

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Ainda em relação à localização do Moinho Trigossul, a Figura 9 mostra a distribuição de moinhos de farinha de trigo no estado do Paraná. No total existem 72 unidades ativas distribuídas em 50 municípios, Cascavel é a cidade que possui maior número de moinhos, com sete moinhos instalados. A região de Cascavel encontra-se circulada em vermelha na Figura 9, na região sudoeste do estado. A localização privilegiada para a produção e a presença de poucos moinhos instalados na região de Mandaguari torna-se um diferencial para a escolha desta cidade. Na Figura 9 também está evidenciado a cidade de Mandaguari e as cidades ao seu entorno, como Apucarana, Arapongas, Jandaia do Sul. Sendo essa região circulada em azul mais ao norte do estado. Estas possuem uma grande produção de trigo, como é possível observar na Tabela 1 e na Figura 10.

Figura 9 – Cidades do paraná que possuem moinhos de trigo.

Fonte: Adaptado de FIEPR (2011).

Tabela 1 – Produção de trigo na região de Mandaguari na safra de 2016/2017.

Cidades Produção Em Toneladas

Apucarana 23460 Arapongas 22440 Jandaia Do Sul 3600 Marialva 14300 Mandaguari 5120 Fonte: DERAL (2018)

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Na Figura 10 nota-se uma queda brusca de produção na safra nos anos 12/13 e nas últimas quatro safras, houve uma queda progressiva na produção. A proposta do Moinho Trigossul é auxiliar os produtores regionais, com o auxílio da EMBRAPA, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) e da Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), a aumentar suas produções por meio de estudos recentes e da assistência técnica, contribuindo com o desenvolvimento de toda a região.

Figura 10 – Produção de trigo na região de Mandaguari nas últimas oito safras.

Fonte: DERAL (2018).

O município de Mandaguari, localizado no estado do Paraná, possui um clima subtropical, propício para a plantação de trigo, com uma área de 20.860 hectares e uma produção de 45.460 toneladas de trigo por hectares de plantação (DERAL, 2018). Mandaguari além, de ser cercada por importantes rodovias como as federais 376, 466 e 369 e das estaduais 444, 170, 340, 218 e 317 (DER-PR, 2017), a cidade está localizada a, aproximadamente, 45 km de Maringá com 357 mil habitantes, 54 km de Londrina com 486 mil habitantes e muito próxima também do Vale do Ivaí com 328 mil habitantes (IBGE, 2018). Com isso, há um grande mercado consumidor disponível na região, além da possibilidade de escoamento do produto para as diversas regiões brasileiras.

0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 08/09 09/10 10/11 11/12 12/13 13/14 14/15 15/16 16/17 T on el ad as de T ri go Ano da Safra

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O município de Mandaguari também foi selecionado, pois a diretoria do Moinho Trigossul está em processo de negociação com a Prefeitura Municipal de Mandaguari, por meio da secretária de Secretaria de Agricultura e Abastecimento para a doação do terreno. Com isso, diminuiria substancialmente o custo inicial, dando margem financeira para um maior investimento no maquinário.

Adicionalmente, o Moinho Trigossul visa oferecer assistência técnica aos produtores por meio de agrônomos, auxiliar os produtores da região com ações de melhoria da qualidade do plantio, o combate aos derivados de agrotóxicos e seus impactos econômicos e ambientais e a redução das perdas na colheita, aumentando suas produções e, assim, aumentar a margem de produção, além de estar auxiliando o desenvolvimento da região.

O fato de Mandaguari ser relativamente pequena no quesito socioeconômico e populacional pode trazer possibilidades de se ter uma carga tributária menor e um incentivo por meio de subsídios por parte do governo municipal, por intermédio do Programa de Desenvolvimento de Mandaguari (PRODEMAN-EMPRESA), já que ao se instalar, o Moinho Trigossul estará levando desenvolvimento econômico para região por meio de novos empregos e movimentando a economia do município. A Figura 11 mostra a região em que está localizada Mandaguari, no Paraná.

Figura 11 – Região em que se localiza Mandaguari.

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5 CONTROLE DE QUALIDADE

O Moinho Trigossul contará com um laboratório próprio que realizará análises que serão descritas nessa Seção. Sendo a principal delas o teor de cinzas que define o tipo da farinha.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é definida como farinha de trigo o produto obtido pela moagem, exclusivamente, do grão de trigo Triticum vulgares e outras espécies do mesmo gênero. Além disso, a Instrução Normativa 8/2005 também classifica a farinha de trigo em grupos, ou também chamados de tipos, de acordo com a Tabela 2.

Tabela 2 – Classificação dos tipos de farinha.

Tipo Teor de cinzas

I 0,80%

II 1,40%

Integral 2,50%

Fonte: Adaptado da Instrução Normativa 8/2005 (2005).

Os diferentes tipos de farinhas são destinados à diferentes aplicações. A farinha do tipo l é destinada à fabricação de pães e bolos, enquanto a farinha do tipo ll é, geralmente, destinada para a fabricação de biscoitos e pães de ló.

Além disso, existe outro tipo de classificação usada pela indústria alimentícia e pela comunidade gastronômica. A Cozinha Técnica (2018) define os tipos de farinha e seus teores de cinza conforme demonstra a Tabela 3.

Tabela 3 – Classificação dos tipos de farinha pela comunidade Gastronômica.

Tipo Teor de Cinzas

00 0,55%

0 0,65%

1 0,80%

2 0,95%

Integral 1,70%

Fonte: Cozinha Técnica (2018).

O Moinho Trigossul define a farinha tipo 00 como sendo farinha premium, a farinha tipo 0 como sendo farinha especial e farinha de trigo tipo 1 de farinha comum.

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5.1 TESTE DE QUALIDADE APLICADOS

Com a sofisticação das indústrias de moagem e de processamento de trigo, a Moinho Trigossul valoriza a singularidade e a aptidão tecnológica na cadeia produtiva da farinha de trigo, visando maior produtividade e qualidade dos nossos produtos. A farinha de trigo segue padrões do MAPA, American Association of Cereal Chemists (AACC) e Anvisa vigentes, e assim, a geração de produtos com elevado rendimento em farinha e o compromisso em respeitar os indicadores de qualidade, os quais possibilitam aptidão de uso final, facilidade de moagem, e o padrão de qualidade dos produtos finais.

Antes de os grãos de trigo serem despachados para a cadeia produtiva da farinha de trigo na Moinho Trigossul, será necessária uma análise de inspeção da carga a granel contratada, a fim de quantificar e qualificar o material bruto. Esta análise tem natureza de amostragem laboratorial. A amostragem será efetuada em diversos pontos do veículo distribuídos uniformemente e em profundidades que permitam alcançar a parte superior, o meio, e a parte inferior da carga em um mínimo de 2 Kg por coleta, as quais serão realizadas por uma sonda mediante a quantidade de produto que constitui o lote, segundo indicação da Companhia Nacional de Abastecimento (2015), CONAB, conforme está disposto na Tabela 4.

Tabela 4 – Número de pontos amostrais por cada lote.

Quantidade do produto que constitui o lote (toneladas)

Número mínimo de pontos a serem amostrados

até 15 toneladas 5

de 15 até 30 toneladas 8

mais que 30 toneladas 11

Fonte: CONAB (2015).

A amostragem tem como objetivo representar uma porção do lote de grãos de trigo e, portanto, indicar a qualidade, procedência e perfil destes. Essa amostra deve seguir perfis e características similares, em todas gamas, às médias do lote do qual foi retirada, pois a porção de grãos a ser averiguada é, em geral, muito pequena em relação ao tamanho do lote que se supõe representar. A coleta de amostras ocorrerá em várias etapas do processo. A amostragem será realizada tanto no recebimento da matéria, assim como na armazenagem e, por fim, na expedição e comercialização. De preferência, anteriormente a pesagem da carga contratada,

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será realizada a pré-amostragem, em que serão avaliados indicadores de umidade e teor de impurezas do produto. Assim, o laboratório de controle de qualidade do Moinho Trigossul realizará a moagem da alíquota da carga para detectar aspectos qualitativos e quantitativos do grão. Os resultados desses testes orientam o devido acondicionamento do trigo a ser estocado, em referência ao teor de umidade do grão em questão, ou seja, a necessidade de limpeza ou de armazenamento imediato e até mesmo a rejeição do produto.

Assim, os testes amostrais necessários para assegurar a qualidade da farinha de trigo no Moinho Trigossul são apresentados no Quadro 1, no qual indica as etapas da cadeia produtiva da farinha de trigo em que é pertinente a aplicação dos testes de qualidade. Os testes de qualidade estão detalhados nos tópicos em sequência. A metodologia de cada teste se encontra no ANEXO A.

Quadro 1 - Testes de qualidade aplicados nas diversas etapas do processo produtivo de farinha de trigo do Moinho Trigossul.

Teste de

qualidade Etapa de utilização Teste de qualidade Etapa de utilização

Teor de Umidade

Recepção, armazenamento e

condicionamento

Teor de Cinzas Amostragem da recepção e produto final

PH Recepção Cor Amostragem da

recepção e produto final

Alveografia Amostragem da

recepção e produto final Teor de Glúten

Amostragem da recepção e produto final

Farinografia Amostragem da

recepção e produto final Análise de DON

Recepção, armazenamento e

produto final Extensografia Amostragem da

recepção e produto final Acidez graxa Produto final

Falling Number Amostragem da

recepção e produto final Granulometria

Recepção e produto final

Fonte: Autoria Própria (2018).

5.1.1 Teor de Umidade

O teor de umidade é um indicador de importância tecnológica e analítica no agronegócio, pois possibilita a previsão e o condicionamento dos grãos a serem armazenados e processados para sua transformação industrial. Do ponto de vista

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