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Título: Análise da Política de Circuitos Turísticos na percepção de agentes estratégicos: estudo de caso no Circuito das Águas

Autor: Altamiro Lacerda de Almeida Júnior

Orientação: Afonso Augusto Teixeira de Freitas de Carvalho Lima (orientador), Suely de Fátima Ramos Silveira, Magnus Luiz Emmendoerfer (co-orientadores)

Data da defesa: maio de 2011 O presente estudo apresenta a percepção de agentes estratégicos sobre a Política de Circuitos Turísticos e seus principais desdobramentos nos municípios pertencentes ao Circuito das Águas. Essa pesquisa foi classifi-cada como um estudo de caso, do tipo descritivo. Para sua realização foram utilizados os seguintes meios de investigação: pesquisa bibliográfica e documental e levantamento.

O objeto de estudo é a Política de Circuitos Turísticos implementada nas cidades pertencentes ao Circuito das Águas, as unidades de análise são os dez municípios integrantes da associação do Circuito e a SETUR. A coleta dos dados partiu de documentos, publica-ções e de entrevistas semi-estruturadas realizadas com um representante de cada município e com um represen-tante da SETUR. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de Análise de Conteúdo. O conteúdo das análises revela o histórico da atividade turística na região do Circuito das Águas, as motivações para a integração dos municípios na Associação Regional

do Circuito das Águas - ARCA e uma análise da implementação da Política de Circuitos no Circuito das Águas. O histórico da atividade revelou três mo-mentos distintos da atividade turística nas cidades pertencentes ao Circuito. O auge do turismo que ocorreu no início do século XX devido às práticas termais, aliadas a prática dos cassinos. O declínio da atividade, devido a proi-bição dos jogos de azar no Brasil e o fim dos tratamentos medicinais com práticas termais. E o momento da in-tegração dos municípios a ARCA, fato que trouxe novas possibilidades para a atividade turística na região.

O estudo também apresenta as motivações que levaram os municípios a se integrarem ao Circuito dentre as quais se destacam os benefícios provenientes da política. A análise da implementação proposta nesse estudo revela as vantagens de se participar do Circuito, as ações realizadas pela SETUR para o Circuito das Águas e as mudanças ocorridas nos municípios pertencentes a ARCA .As principais vantagens apontadas foram o acesso a política e o repasse de recursos, a promoção e divulgação dos municípios e a integração da região favorecendo o aumento da permanência do turista. Entre as ações realizadas pela SETUR estão à capacitação, a sensibilização e a mobilização dos envolvidos com a atividade turística, o projeto APL das Águas e a promoção e divulgação dos municípios. Essas ações culminaram com a maior conscientização do setor privado, a maior promoção e divulga-ção dos municípios, fato que possibili-tou a inserção de algumas cidades em roteiros turísticos e a implantação da

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sinalização turística da região. Acredita--se que esse estudo contribua com o avanço na literatura sobre políticas publicas e turismo, pois o estudo proporciona o resgate da história do desenvolvimento turístico da região do Circuito das Águas. Da mesma forma esse estudo possibilita a partir de seus desdobramentos uma visão sobre o desenvolvimento político, econômico e social com vistas na integração dos municípios a uma associação para o desenvolvimento da atividade turística, além de proporcionar um feedback sobre as ações da Política de Circuitos Turísticos na percepção de agentes estratégicos permitindo ao Governo subsídios para decisões sobre a Política de Turismo de Minas Gerais.

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Título: Gestão do conhecimento nas secretarias estaduais de Minas Gerais Autor: Alana Deusilan Sester Pereira Orientação: Telma Regina da Costa Guimarães Barbosa (orientadora), Nina Rosa da Silveira Cunha, Edson Arlindo Silva (co-orientadores) Data da defesa: fevereiro de 2012

O objetivo deste trabalho é des-crever a relação entre o processo da Gestão do Conhecimento realizado pelas Secretarias Estaduais com o contexto da Gestão por Resultados no estado de Minas Gerais. A pesquisa apoia-se em uma abordagem qualitati-va e com base no objetivo proposto é classificado como um estudo de caso. As unidades de análise são as Secreta-rias do Estado de Minas Gerais e os su-jeitos do estudo são os ocupantes dos

cargos de superintendência, assessoria ou direção e aqueles indicados como importantes no processo, totalizando 31 entrevistados. As técnicas de coleta de dados empregadas foram: entrevista semi-estruturada; observação direta e a análise documental.

Para caracterização do processo de gestão do conhecimento nas secreta-rias são utilizadas algumas dimensões definidas pelo estudo publicado pelo IPEA, no ano de 2005. Para classificar os projetos foram consideradas as variáveis retiradas da literatura e para tal classificação utilizou-se dois crité-rios: fenômenos centrais e processos críticos referentes à gestão do conheci-mento e da informação. As secretarias que identificaram projetos de gestão do conhecimento foram: SEAPA, SECTES, SETUR, SEGOV, SEF, SES, SEPLAG, SEDS e SEMAD, totalizando onze projetos. Todavia, esses projetos são realizados como iniciativas isoladas nas secretarias apresentando a finalida-de finalida-de gerenciar o conhecimento. Além disso, oito secretarias do Estado não apresentaram uma política de Gestão do Conhecimento e apenas em uma foi referida uma política de Gestão do Conhecimento, mas ainda não foi divulgada e não está sendo aplicada.

Desta forma, pode-se concluir que a Gestão do Conhecimento nas Secretarias se caracteriza como um processo bastante incipiente e apre-senta limitações na estrutura e no gerenciamento. Porém, é importante destacar que todas as secretarias inves-tigadas demonstraram muito interesse em dar prosseguimento aos projetos e a maioria reconhece o quanto os projetos precisam avançar. Ressalta-se,

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ainda, que a maioria revelou que o pro-jeto ainda está em estágio embrionário e que se trabalha em direção a uma gestão do conhecimento mais efetiva. Apesar dos projetos apresentarem falhas de cunho gerencial e opera-cional, as secretarias se preocupam em buscar soluções para todos os problemas. Com base nas caracte-rísticas dos projetos e na análise dos processos constata-se que 55% das secretarias analisadas realizam a gestão da informação ao invés da gestão do conhecimento. Apenas os projetos de quatro secretarias apresentam os elementos preconizados pela gestão do conhecimento como definidos na literatura.

Considerando os indicadores e in-formações levantadas, pode-se afirmar que existe uma consonância entre os objetivos e os outputs dos projetos e os objetivos da Gestão por Resultado, o que permite afirmar uma relação e uma intenção de contribuição entre a Gestão do Conhecimento para a Gestão por Resultados no Estado. Esse fato sinaliza um bom sinal, sendo que os projetos apresentaram uma cultura voltada para os propósitos que a gestão por resultados propõe, mas para que haja contribuição de fato, os projetos podem e devem avançar na temática e possuir indicadores que comprovem a qualidade dos resultados dos projetos de Gestão do Conhecimento.

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Título: Qualidade do gasto público e desenvolvimento socioeconômico nos municípios do Estado de Minas Gerais

Autor: Caio César de Medeiros Costa

Orientação: Marco Aurélio Marques Ferreira (orientador), Luiz Antônio Abrantes, Marcelo José Braga

(co-ori-en tadores)

Data da defesa: fevereiro de 2012 A proposta deste estudo é in-vestigar a relação existente entre a qualidade do gasto público e os níveis de desenvolvimento socioeconômico dos municípios mineiros. Para tanto, buscou-se conhecer as diferenças socioeconômicas entre os municípios mineiros, a eficiência relativa da admi-nistração pública na alocação do recur-so, bem como os fatores associados a esta eficiência e, por fim, a relação entre os indicadores de qualidade do gasto público e os indicadores de desenvolvimento socioeconômico dos municípios.

O tema se mostra relevante, dadas as discussões que envolvem a questão da forma da alocação do recurso públi-co e a promoção do desenvolvimento. Objetivando cumprir o proposto, esta pesquisa se pauta em modelos estatís-ticos, dentre os quais a análise multi-variada dos dados, a análise envoltória dos dados e o método dos momentos generalizados, utilizando dados das mais variadas bases governamentais, como os do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e da Fundação João Pinheiro.

Como resultados destacam-se a identificação de duas estruturas socioeconômicas significativas entre si no território mineiro, a criação do Índice de Eficiência Municipal, além da verificação de que a gestão do recurso

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público nos municípios que possuem uma condição socioeconômica pior são mais suscetíveis aos impactos ambientais. A relação entre a quali-dade do gasto público e os níveis de desenvolvimento socioeconômicos nos municípios mineiros no período analisado somente foi significativa para os municípios classificados como tendo melhor infraestrutura social e econômica.

Dentre as conclusões factíveis de serem realizadas a partir deste tra-balho destacam-se a importância da realização de políticas de longo prazo e de um planejamento que vai além de um mandato eleitoral. A relevância dessas questões reside no fato de que os níveis anteriores de desenvolvi-mento influenciam os atuais. Assim, são importantes ações preventivas e pró-ativas, de modo a garantir a efici-ência na alocação do recurso público e alimentar um ciclo virtuoso em relação ao desenvolvimento municipal.

* Título: Reflexos da lei de responsabilidade fiscal sobre o controle fiscal e a transparência na gestão pública municipal em Minas Gerais

Autor: Clarice Pereira de Paiva Ribeiro

Orientação: Luiz Antônio Abrantes (orientador), Marco Aurélio Marques Ferreira, Adriano Provezano Gomes (co-orientadores)

Data da defesa: fevereiro de 2012 O foco principal da Lei de Respon-sabilidade Fiscal - LRF é o equilíbrio

das contas públicas com uma gestão pautada no planejamento, responsabi-lidade, controle e transparência, como pré-requisitos para propiciar melhores condições econômico-financeiras.

Assim, esta pesquisa é norteada pelo seguinte questionamento: A ges-tão fiscal pautada no cumprimento das exigências estabelecidas pela LRF impli-ca na melhoria dos indiimpli-cadores sociais e, consequentemente, na melhoria da qualidade de vida da população? Como objetivos específicos pretende-se: avaliar o controle fiscal dos municí-pios considerando os indicadores de desempenho fiscal dos municípios mineiros no período de 1989 a 2009; avaliar o nível de transparência fiscal no período de 1996 a 2008; analisar a eficiência relativa na alocação dos recursos destinados às áreas sociais no período de 2000 a 2007; e, analisar as possíveis influências dos indicadores fiscais sobre os indicadores sociais nos períodos de 2000 e 2007.

Como procedimentos metodo-lógicos foram utilizados: testes de Wilcoxon e t-Student, teste do Qui--quadrado, análise de correlação, Data Envelopment Analysis com análise de janelas, taxa média geométrica de crescimento e Modelo de regressão linear múltipla estimado pelo méto-do Mínimos Quadraméto-dos Ordinários. Verificou-se o cumprimento das regras estabelecidas pela LRF na maioria dos municípios. Observou-se redução nos níveis de endividamento, porém é evidente o aumento das despesas de custeio em contraponto com pequeno esforço tributário municipal no aumen-to de receitas. Embora os municípios tenham apresentado equilíbrio

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orça-mentário a partir de 2003, esta estra-tégia não se converteu em melhoria da situação econômico-financeira.

Observou-se que os índices de despesa com pessoal tem se elevado após a LRF, contribuindo para redução de investimentos nas áreas sociais. Em relação à tendência de transparência fiscal, constatou-se que os municípios apresentaram menor nível de transpa-rência após a edição da LRF, fato que a princípio colaboraria para aumentar a assimetria informacional. O Índice de Eficiência do Gasto Social construído para os municípios mineiros mostrou que há limitações na ação do Poder Local, pois verificou-se ineficiência na alocação de recursos públicos na área social. Apurou-se disparidade entre os municípios mineiros quanto aos indicadores de habitação, urbanismo, emprego e renda. Para avaliar se o desempenho fiscal dos municípios, considerando os preceitos da LRF, causa influência na qualidade de vida da população, foram consideradas seis categorias do desenvolvimento socio-econômico: dimensão demográfica, saúde, educação, renda, panorama econômico e dinâmica social.

O desempenho fiscal foi analisado a partir de seis categorias: receitas, despesas, transparência, desenvolvi-mento tributário, eficiência e limites legais. Observou-se que em cinco das seis dimensões socioeconômicas analisadas houve impacto da austeri-dade fiscal, portanto, pode-se inferir que a LRF também é um dos fatores que influenciam a qualidade de vida da população nos municípios mineiros. Assim, quanto maior o desempenho fiscal do município mineiro maior é a

probabilidade de que se confirmem aumentos na renda e geração de em-pregos, melhoria da qualidade na pres-tação de serviços de saúde e educação e maior concentração da população urbana. Esta pesquisa fomenta o deba-te sobre aliar responsabilidade fiscal e social, construídas a partir de técnicas de planejamento considerando diag-nósticos sobre o desenvolvimento socioeconômico do município.

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Título: Planejamento público estadual e desenvolvimento turístico de destinos indutores em Minas Gerais (2007-2010)

Autor: Érica Beranger Silva Soares Orientação: Magnus Luiz

Emmendoerfer (orientador), Rodrigo Gava, Afonso Augusto Teixeira de Freitas de Carvalho Lima

(co-orienta-dores)

Data da defesa: fevereiro de 2012 Considerando que a atuação do poder público e da sociedade são fundamentais para o desenvolvimen-to da atividade turística, este estudo apresenta uma análise da relação entre planejamento público estadual e desen-volvimento turístico em destinos indu-tores. Para tanto, o estado de Minas Gerais foi escolhido principalmente por possuir características diferenciadas no contexto da administração pública, em razão das mudanças realizadas com a implementação do modelo de gestão administrativa, conhecido como Choque de Gestão II, e por apresen-tar iniciativas diferenciadas no setor, como a política de Circuitos Turísticos.

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Buscou-se o aporte da literatura espe-cializada em administração pública e do turismo a fim de encontrar os subsídios e delineamentos necessários para a concretização deste estudo, que se caracteriza como qualitativo e emprega técnicas de análise de conteúdo em sua metodologia. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas (semi--estruturadas), pesquisa documental e bibliográfica.

Os resultados são apresentados em três etapas. A primeira trata da descrição do planejamento da Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (SETUR) no período em análise (2007/2010) e também da identificação das percepções sobre planejamento dos atores sociais dos destinos indutores. A segunda etapa faz uma caracterização dos destinos considerando indicadores relacionados às dimensões econômica, cultural e organizacional (TOMAZZONI, 2009). Por último, apresenta discussões que emergiram na análise do planejamento público da SETUR e do desenvolvimen-to turístico dos destinos indudesenvolvimen-tores. Os resultados trazem à tona elementos que se apresentam como avanços e limitações das ações planejadas em prol do desenvolvimento turístico em destinos mineiros, além de discussões que ultrapassam o contexto estadual, possibilitando uma reflexão acerca da vulnerabilidade de conceitos ainda vi-venciados no turismo regional e nacio-nal. Entre eles: o enfoque fomentador e econômico do turismo atribuído ao poder público estadual; a necessidade de revisão dos destinos escolhidos como indutores em Minas Gerais, con-siderando os interesses das

comunida-des receptoras; a problemática sobre a continuidade dos Circuitos Turísticos; a necessidade de gestão social em tais destinos e uma reflexão sobre o que se pretende com o turismo nos âmbitos municipais e estaduais.

* Título: Política pública de

previdência social e o nível de bem-estar: impacto sobre as famílias e municípios de Minas Gerais

Autor: Paulo Ricardo da Costa Reis Orientação: Suely de Fátima Ramos Silveira (orientadora), Luís Eduardo Afonso, Marcelo José Braga

(co-orien-tadores)

Data da defesa: fevereiro de 2012 A Previdência Social constitui uma importante arena das políticas públicas e dos gastos sociais brasileiros, atingin-do um grande contingente de famílias e impactando toda a sociedade. Assim, diversos estudos têm se dedicado à análise dos sistemas previdenciários, tanto da perspectiva dos seus impactos como política de transferência de ren-da quanto ren-da perspectiva do seu custo para a sociedade. Não obstante, os re-sultados permanecem inconclusivos e a relação entre a previdência e o nível de bem-estar é ainda uma questão aberta teórica e empiricamente.

Em termos gerais, esta pesquisa procura contribuir para a avaliação do sistema previdenciário, com o intuito de investigar se o mesmo configura--se como mecanismo de promoção do bem-estar para as famílias e para os pequenos municípios do estado de Minas Gerais (MG). Nesse sentido,

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buscou-se responder as seguintes questões: Seria o benefício pago pela previdência social impactante no nível de bem-estar das famílias de MG? Qual a relação existente entre os benefícios emitidos pela previdência social e a eficiência na geração de bem-estar entre os municípios mineiros de pe-queno porte?

A escolha de MG para a realização deste estudo deve-se ao fato de que, dentre os estados brasileiros, este se destaca pelas grandes disparidades regionais. Ademais, MG apresenta o maior número de municípios dentre os estados brasileiros, representando aproximadamente 15% dos municí-pios brasileiros. Para avaliar o impacto das aposentadorias e pensões sobre o bem-estar das famílias de MG, a pesquisa, utilizando os microdados da Pesquisa por Amostra de Domicílios (2009), adota um método quase--experimental de avaliação de impacto conhecido como Propensity Score Matching.

Como resultados, identificou--se que a renda de aposentadorias e pensões tem impactos positivos sobre a renda familiar per capita, o acesso ao conhecimento e as condições de moradias e, em geral, esses efeitos tendem a ser mais expressivos sobre as famílias das faixas mais baixas de renda. Para a análise da relação exis-tente entre a previdência social e a eficiência na geração de bem-estar entre os municípios de pequeno porte, a pesquisa adotou uma amostra de 675 municípios mineiros com população inferior a 20.000 habitantes. O estudo combina cinco diferentes fontes de dados e utiliza informações referentes

a um período de 6 anos (2000 e 2005 a 2009). A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de Análise Envol-tória de Dados em dois estágios. No primeiro estágio, analisou-se a eficiên-cia municipal na geração de bem-estar e, no segundo, buscou-se avaliar os efeitos dos condicionantes desta efici-ência, com destaque para a previdência social. Os resultados demonstraram que municípios de regiões menos desenvolvidas tendem a apresentar desempenho inferior na promoção de bem-estar em relação aos de regiões mais desenvolvidas. Quanto aos efeitos dos benefícios da previdência sobre a eficiência municipal, novamente, os resultados confirmam a previdência como um importante mecanismo de promoção do bem-estar, afetando positivamente a eficiência dos municí-pios investigados. Assim, ao contrário de parte da literatura, a previdência social brasileira, mais especificamente o RGPS, conforma-se com um bom mecanismo de promoção do bem--estar social.

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conoMia Título: Aplicação de um modelo evolucionário para o segmento brasileiro de telefonia móvel Autor: Adriano Alves de Rezende Orientação: Silvia Harumi Toyoshima (orientadora), Elaine Aparecida Fernandes, Evaldo Henrique da Silva (co-orientadores) Data da defesa: dezembro de 2011

O objetivo geral do presente tra-balho consistiu em estudar o padrão

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tecnológico e de competitividade do segmento de serviços de telefonia móvel no mercado brasileiro e suas perspectivas a longo prazo, bem como traçar cenários para este mercado, a partir de uma perspectiva Evolucio-nária Neo-schumpeteriana. Para tal, foi utilizado um odelo de simulação dinâmico do tipo “History Friendly”, o qual permitiu mensurar variáveis não observáveis do mercado real de Serviço Móvel Pessoal (SMP) brasileiro, bem como estimar o nível de competi-tividade do segmento ex-ante.

Foi realizada uma ampla e profunda pesquisa sobre o Setor de Telecomuni-cações (ST’s) e do segmento de SMP em fontes como a ANATEL (Agên-cia Nacional de Telecomunicações), Pesquisa de Inovação Tecnológica de 2005 (PINTEC, 2005), ITU (Inter-national Telecommunication Union), associações de classe além de diversos trabalhos empíricos. Estas informações subsidiaram a construção do modelo e da definição do regime tecnológico (RT) do ST’s que se baseou na taxo-nomia de Marsili (2001). O RT do ST’s brasileiro basicamente não desenvolve sua tecnologia, mas apenas incorpora tecnologias maduras e amplamente experimentadas em países tecnologi-camente desenvolvidos. Em parte, este RT se assemelha com o padrão norte americano, base da taxonomia utiliza-da, em pontos como: oportunidade tecnológica, diversidade entre as firmas e fortes barreiras a novos players.

Outro ponto evidente encontra--se no fato de que o aparato legal--regulatório brasileiro atual mitiga o desenvolvimento e crescimento do ST’s. O conjunto de informações

pes-quisado ainda indicou que a ANATEL rege a competitividade do segmento de SMP e que o preço é o único fator comprovadamente determinante desta competitividade. A respeito da com-petitividade, pode-se afirmar que os cenários nos quais, de alguma forma, houve limitação do crescimento das operadoras, a competitividade atingiu os menores níveis, se comparados com as demais simulações. Contudo, logo após atingir este ponto o mercado se elevou para níveis de competitividade determinados como médio. Nos ce-nários onde houve exigência de inves-timentos em qualidade e inovações, o nível de competitividade manteve-se sempre alto, indicando que investi-mentos em qualidade e inovação são tão ou mais determinantes para a com-petitividade quanto o preço. Sugere-se que o modelo seja aplicado aos demais segmentos do ST’s para validar sua capacidade de previsão para o setor como um todo.

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Título: Uma análise sistêmica dos efeitos de políticas de estabilização sobre a dinâmica da economia brasileira: 1970-2010

Autor: Rodrigo Monteiro Pacheco Orientação: Newton Paulo Bueno (orientador), Luciano Dias de Carvalho, Sidney Martins Caetano (co-orientadores)

Data da defesa: julho de 2011 Buscando contribuir com a discussão a respeito do tipo de impacto que os gastos governamentais exercem sobre a atividade econômica, este trabalho

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discute se políticas econômicas de esta-bilização (intervenções do governo) têm ou não um efeito significativo em impedir que a economia brasileira desvie-se de trajetórias sustentáveis de crescimento nos próximos anos.

Dentro desta perspectiva, o objetivo geral é construir um modelo macroe-conômico de simulação que englobe os principais componentes da política econômica atual para determinação do Produto Interno Bruto brasileiro e que sirva de instrumento de análise da rela-ção entre os componentes da demanda agregada e o comportamento dos níveis de produto e emprego da economia brasileira no período 2000-2010. A metodologia empregada para realizar a modelagem é a dinâmica de sistemas. Escolhida por permitir a construção de um modelo híbrido integrando as formas de oferta e demanda agregada em um mesmo framework analítico, por meio de ciclos de retroalimentação. E que, além disso, contribui ao fornecer uma maneira simplificada e dinâmica de simular os efeitos de vários cenários dife-rentes de política econômica baseados na mudança de parâmetros, das condições iniciais impostas e de choques adversos.

Os resultados mostram que o modelo proposto responde de forma condizente com as séries reais de PIB e taxa de juros, respeitando os pres-supostos teóricos. O hiato obtido a partir das tendências encontradas pós--simulação de PIB modelado (calculado a partir de instrumentos característicos de demanda) e PIB potencial (obtido por meio da versão sistêmica do modelo Solow-Swan) apresenta comportamento significativo a partir da checagem dos acontecimentos históricos reais

obser-vados durante o período em estudo. Em suma, verificou-se que políticas econômicas de estabilização atuando sobre o comportamento do produto e, consequentemente sobre a inflação, têm efeitos significativos em impedir que a economia brasileira se desvie de trajetórias sustentáveis de crescimento no longo prazo.

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Título: Avaliação de processo em políticas e programas públicos: o caso do programa de microcrédito Nossocrédito – ES

Autor: Marcus Vinícius Zandonadi Premoli

Orientação: Jader Fernandes Cirino (orientador), Luciano Dias de Carvalho, Adriano Provezano Gomes (co-orientadores)

Data da defesa: dezembro de 2011 Avaliar os resultados de políticas e programas públicos torna-se cada vez mais importante diante das me-didas de austeridade implantadas nas economias mundiais. Diante desse panorama, a avaliação transforma--se em ferramenta fundamental para uma melhor aplicação dos recursos e alcance dos objetivos projetados. Sob essa perspectiva se propôs avaliar o Programa de Microcrédito do Estado do Espírito Santo – Programa Nos-socrédito. O programa insere-se nas Políticas Públicas de Trabalho e Renda do Governo do Estado e como todas as políticas públicas e programas sociais deve ser avaliado.

Assim sendo, o objetivo deste trabalho foi verificar determinantes

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da eficácia operacional das agências no cumprimento das metas do programa e a eficiência na alocação dos recursos, em termos de benefícios sociais e eco-nômicos. Especificamente, pretendeu--se descrever e analisar o perfil das agências do Programa Nossocrédito e verificar quais agências obtiveram melhor alocação dos recursos em-prestados, levando em consideração os benefícios gerados pelo programa em termos de abrangência e impacto no mercado de trabalho. Para a aferição dos resultados foram utilizados o mo-delo de regressão logística e a Análise Envoltória dos Dados.

Os resultados encontrados deno-tam que agências nas quais; recebem incentivos, têm maiores jornadas de trabalho, recebem um maior número de visitas do suporte técnico e dispõem de maior tempo para cobrança dos clientes inadimplentes; têm maior pro-babilidade de serem eficazes. Quanto à eficiência, observou-se grande he-terogeneidade dos municípios quanto aos benefícios gerados pelo crédito. Os municípios de Pancas, Piúma e Guaçuí foram considerados eficientes. Em termos regionais (microrregiões), observou-se que os benefícios são semelhantes, apresentando índices de eficiência próximos. Do ponto de vista da eficácia, os resultados podem direcionar o trabalho das agências para uma maior produtividade. Assim, um maior número de empreendedores podem ser assistidos, garantindo o alcance de parte dos objetivos iniciais do programa. Por sua vez, com o índice de eficiência gerado é possível identifi-car quais municípios são relativamente melhores na alocação dos recursos

do programa e, tomando estes como referência, conseguir melhorar a distri-buição dos benefícios do programa nos municípios menos eficientes.

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Título: Eficiência na oferta de serviços públicos de saúde nos municípios do estado de Mato Grosso

Autor: Lindomar Pegorini Daniel Orientação: Adriano Provezano Gomes (orientador), Luciano Dias de Carvalho, Francisco Carlos da Cunha Cassuce (co-orientadores)

Data da defesa: dezembro de 2011 Avaliar os níveis de eficiência na provisão de serviços públicos e seus determinantes torna-se cada vez mais importante frente ao aumento das necessidades da população e à escassez de recursos. Nesse sentido, esse trabalho, propôs-se a analisar o nível de eficiência com que os recur-sos são aplicados para a provisão de serviços públicos de saúde no estado de Mato Grosso, pois dado que seu financiamento provém dos impostos, é necessário que haja avaliação de como é aplicado.

Assim sendo o objetivo deste tra-balho é identificar o quadro geral de eficiência na oferta de serviços públicos de saúde no estado de Mato Grosso. Especificamente, pretendeu-se verifi-car a situação das regiões de saúde e municípios quanto ao aproveitamento de recursos frente à provisão de ser-viços de saúde e verificar se fatores de ambiente estão relacionados ao nível de eficiência. Para tanto, emprega o

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método semi paramétrico de Análise Envoltória dos Dados em Dois Estágios (DEA 2 Estágios) com refinamentos metodológicos originados da técnica de reamostragem bootstrap. Além disso, estiveram presentes preocupações com o controle de outliers e de iden-tificação dos rendimentos de escala.

A primeira etapa do processo centra-se no cálculo da eficiência mu-nicipal na provisão de serviços públicos de saúde a partir da técnica DEA. A segunda etapa objetivou verificar a influência de variáveis de ambiente, de experiência e de dotação dos mu-nicípios sobre seu nível de eficiência por meio de uma regressão truncada, estimada por Máxima Verossimilhança.

Os resultados do primeiro estágio indicam que o estado, através de seus municípios, apresenta aproveitamento insatisfatório na alocação de recursos para o fornecimento de serviços públi-cos de saúde, possui os atendimentos de maior complexidade concentrados nas maiores cidades, e ainda, falta de foco em políticas públicas de saúde que concentre os recursos e estrutura na prevenção de doenças. Os resultados do segundo estágio reforçam os da etapa anterior e apontam que os mu-nicípios com maior nível de eficiência são, em geral, de pequeno porte, tanto em termos econômicos quanto populacionais, em relação aos demais. Alguns pontos como a adoção das melhores práticas de gestão, aumento de produtividade, adequação da escala e alinhamento de políticas públicas à saúde preventiva podem ser enfati-zados para o aumento da eficiência dos municípios na oferta de serviços de saúde.

Título: Os determinantes do IDE no Brasil e no México: uma análise empírica para o período de 1990 a 2010

Autora: Priscila Gomes de Castro Orientação: Elaine Aparecida Fernandes (orientador), Antônio Carvalho Campos, Francisco Carlos da C. Cassuce (co-orientadores) Data da defesa: fevereiro de 2012

Na economia globalizada, o in-vestimento direto estrangeiro (IDE) desempenha um papel importante na modernização dos países emergentes e continua sendo tema de debate os fatores que explicam porque as em-presas transnacionais se direcionam a certo país ou região. Nos últimos anos, a América Latina foi um dos impul-sionadores de crescimento e atração de investimentos estrangeiros entre os países em desenvolvimento. No entanto, o fluxo de IDE nessa região é muito concentrado em alguns países, principalmente Brasil e México, que em meados da década de 2000 chegaram a receber mais de 50% desses fluxos. Nesse contexto, este trabalho objetiva analisar os determinantes do investimento direto estrangeiro no Brasil e no México, durante o período de 1990 a 2010. Para tanto, utiliza-se o Modelo de Correção do Erro (VEC) como método de estimação.

Os resultados empíricos e a análise comparativa mostram que os dois paí-ses apresentam diversas características em comum em relação à atração do IDE. Ambos adotaram políticas econô-micas similares e promoveram legisla-ções mais atrativas ao IDE. A abertura comercial se destaca como um dos

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principais atrativos do investimento direto nos dois países, e a dimensão do mercado interno como principal determinante no Brasil. Quanto às diferenças, a análise comparativa res-salta a questão do destino setorial do investimento e, quanto aos modelos econométricos, a divergência ocorre em relação à importância do PIB, como determinante do IDE, que no caso é muito relevante no Brasil e não tão expressivo no México. Com esses resultados conclui-se que no Brasil a principal estratégia das multinacionais, é a busca por mercados ( arket se-eking) com importância expressiva da estratégia do tipo busca por eficiência (efficiency seeking). No México haveria um predomínio da estratégia efficiency seeking relacionada à importância da abertura comercial para a atração do IDE. A partir dessas considerações percebe-se que Brasil e México, para seguirem atraindo investimento es-trangeiro, devem investir em políticas que favoreçam os fluxos comerciais e o crescimento econômico.

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Título: Competição fiscal no Brasil: fontes institucionais e interação sistêmica

Autor: John Leno Castro dos Santos Orientação: Francisco Carlos da Cunha Cassuce (orientador), Newton Paulo Bueno, Leonardo Bornacki de Mattos (co-orientadores)

Data da defesa: fevereiro de 2012 A descentralização promovida pela constituição de 1988 reduziu as receitas da união que, diante da

crise econômica e da necessidade de ajuste fiscal, aderiu à lógica de retira-da graretira-dativa do Estado. Isto, somado a progressiva abertura da economia brasileira, propiciou um cenário favo-rável às disputas estaduais no sentido de que cada ente federativo passou a concorrer com os demais na atração de tais investimentos privados para seus respectivos territórios.

Neste sentido, o presente estudo procurou analisar as fontes institucio-nais e a interação sistêmica da com-petição fiscal no Brasil, com intuito de identificar os elementos que perpetu-am essa prática e seus efeitos sobre a economia. Foi possível constatar que a persistência deste fenômeno encon-tra sustentação na base institucional em vigor no país, de modo que sem alteração desta, sua supressão torna--se impraticável. Foi constatado que a ocorrência da competição fiscal não é devido a falta de leis que coíbam essa prática, mas sim a ausência de meca-nismos de enforcement que garantam seu deu devido cumprimento.

Cabe destacar ainda que, segundo o modelo sistêmico, os resultados obtidos com a competição fiscal não constitui condição ótima sequer para a região menos favorecida de recursos (Nordeste). Visto que, em havendo a incursão de investimentos especí-ficos em infraestrutura (no mesmo montante das renúncias tributárias), o comportamento do PIB, infraes-trutura e arrecadação seriam mais elevados nesta região. Em razão disso, fica evidente que a nível subnacional (descentralizado) a única alternativa de política industrial para as regiões menos abastadas é a concessão de

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incentivos fiscais. Entretanto, esse tipo de política tem efeito paliativo e temporário, não constituindo, per si, uma política sustentável de correção da rota de concentração econômica. Resta deste modo, ao governo central colocar em curso políticas de amplia-ção da atratividade dessas regiões para o investimento privado. Do contrário, essas regiões não têm incentivos ne-cessários para abdicar da competição fiscal.

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Título: A inércia na política monetária brasileira no regime de metas para inflação

Autor: Samuel José de Castro Vieira Orientação: Sidney Martins

Caetano (orientador), Luciano Dias de Carvalho, Orlando Monteiro da Silva (co-orientadores)

Data da defesa: fevereiro de 2012 O trabalho tem o objetivo de acrescentar novos testes estatísticos e resultados à já extensa literatura empírica que se preocupa em estimar a função de reação do banco Central do Brasil seguindo regras à la Taylor, entretanto, dando destaque para o grau de inércia presente na política monetária. A contribuição fica por conta da aplicação do método dos momentos generalizados, levando-se em consideração a presença de instru-mentos fracos. Este método permite estimar modelos robustos em relação à heterocedasticidade com o uso de variáveis instrumentais, corrigindo o problema de autocorrelação entre as variáveis endógenas do modelo.

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Os resultados demonstram que os modelos de equações simultâneas são mais robustos do que os modelos de apenas um estágio estimados por MQO, e que no modelo de Taylor tradicional se rejeita a hipótese da presença de instrumentos fracos pelo teste de Cragg-Donald para um con-junto de instrumentos adequado. Os valores estimados para a inércia da política monetária são elevados (em torno de 0,8) e corroboram a maioria dos resultados presentes na literatura internacional.

Título: Estudo das representações de crianças internadas em hospital sobre o adoecimento e a hospitalização em uma abordagem piagetiana

Autora: Cássia Aparecida Andrade Orientação: Maria de Lourdes Mattos Barreto (orientadora), Maria das Dores Saraiva de Loreto

(co-orientadora)

Data da defesa: julho de 2011 A construção do conhecimento por crianças e adolescentes tem instigado pesquisas nas mais variadas áreas. O conhecimento social é construído na interação entre o sujeito e o meio em que vive; assim, crianças e adolescentes que passam por uma experiência de hospitalização constroem conhecimen-to a partir de sua vivência. Quando hos-pitalizada, a criança é afastada de seu meio e sua realidade sofre alterações e transformações. Desta forma, além do sofrimento físico advindo da doença, a

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criança sofre por estar separada dos familiares, das atividades cotidianas e pelo desconhecimento do que está acontecendo consigo. Para minimizar este sofrimento são utilizadas estraté-gias de humanização hospitalar, como a brinquedoteca hospitalar, uma vez que a função do hospital não é apenas curar doenças, mas também promover bem-estar e qualidade de vida aos pacientes.

Assim, ao buscar conhecer o que crianças hospitalizadas pensam sobre o processo de adoecimento e internação hospitalar, surgem algumas questões: Quais são as representações sobre o adoecimento e hospitalização de crianças que participam de atividades lúdicas no ambiente hospitalar? O que estas crianças pensam e sentem ao estar doentes e hospitalizadas?

A fim de responder a estas ques-tões, o objetivo desta pesquisa foi analisar as representações sobre o adoecimento e a hospitalização pela perspectiva de crianças, de 4 a 12 anos, hospitalizadas em uma instituição hospitalar que possui atividades lúdi-cas. Diante da natureza do problema abordado, utilizamos o Método Clínico Piagetiano, como método de coleta e análise dos dados, visando alcançar o objetivo proposto. Para isso empre-endemos uma coleta de dados através das seguintes etapas: construção do instrumento de coleta de dados e re-alização do estudo piloto, e, coleta de dados por meio da entrevista clínica.

Após realizadas as entrevistas, realizamos o tratamento dos dados elaborando seis categorias: ambiente físico hospitalar, ambiente humano hospitalar, procedimentos e rotina

hospitalar, adoecimento e cura, práti-cas lúdipráti-cas e brinquedoteca hospitalar. Posteriormente realizamos a análise dos dados, de acordo com os níveis de respostas em que os sujeitos se encontram, de acordo com a teoria piagetiana.

Os resultados apontaram que a construção do conhecimento social passa por fases evolutivas, indo de níveis mais simples até os mais comple-xos. Nossa hipótese de que as crianças desenvolvem representações sobre o processo de adoecimento e cura, desde muito jovens, foi corroborada. Mas é importante ressaltar que uma mesma criança possui representações e diferentes níveis de compreensão, de acordo com as categorias estabele-cidas. Categorias que traziam aspectos vivenciados mais negativos, como dor, espera por atendimento e más condi-ções de instalação física, alcançaram níveis maiores de compreensão, do que categorias que não estavam rela-cionadas com sofrimento, por exem-plo, em relação ao brincar no hospital.

Conclui-se que é importante co-nhecer as representações das crian-ças para que possamos rever os procedimentos hospitalares e até mesmo as práticas humanizadoras já desenvolvidas. Ouvindo as crianças percebemos que o ambiente hospitalar não é preparado para receber crianças, pois o ambiente e a prática hospitalar refletem as necessidades adultas, sem atentar-se que as crianças têm outras necessidades tanto em relação ao es-paço físico e mobiliário, quanto à forma de tratamento humano: as crianças têm direito a ser ouvidas, tem direito de saber o que está acontecendo

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con-sigo e tem de ter suas necessidades infantis respeitadas. A brinquedoteca hospitalar é um avanço, pois permite que as crianças brinquem, tenham sua auto-estima aumentada e vivenciem momentos prazerosos no hospital. Entretanto são necessárias mudanças e maiores investimentos nos programas de humanização hospitalar, para que ocorra aumento do bem-estar e quali-dade de vida das crianças hospitalizadas e de suas famílias.

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Título: Gênero e poder na pastoral católica de Soledade

Autora: Noêmia de Fátima Silva Lopes

Orientação: Maria de Fátima Lopes (orientadora), Marcelo José Oliveira, Douglas Mansur da Silva

(co-orienta-dores)

Data da defesa: julho de 2011 Este trabalho procurou analisar como são vivenciadas e construídas as relações de gênero e poder na Igreja Católica de Soledade/MG, atra-vés do estudo da dinâmica da vida das lideranças do CPC (Conselho Pasto-ral Comunitário). Buscou de forma específica, verificar e interpretar as implicações das relações de gênero na vida dos sujeitos em estudo – mu-lheres que experienciam situações de liderança em espaço “sagrado” mar-cado por prescrições do que deve ser mulher-esposa-mãe. Paradoxalmente em Soledade se amplia possibilidades de acesso à construção cidadã.

A presente pesquisa buscou dis-cutir a respeito da fundamentação

te-órica das categorias analíticas: gênero e poder no campo religioso pastoral católico. A pesquisa foi orientada pela perspectiva da metodologia qualita-tiva e, para sua execução, utilizou dos métodos de etnografia, pesquisa documental, observação direta parti-cipante, narrativas e técnicas de DRP (Diagnóstico Rural Participativo). A escolha desses encaminhamentos te-óricos metodológicos se construiu no processo de delineamento do objeto de pesquisa no espaço das pastorais da Igreja Católica e foi fundamental na análise dos resultados. Verificou--se que o estudo das categorias gê-nero e poder seria relevante para a compreensão do objeto pesquisado. A pesquisa foi desenvolvida no primeiro momento com 21 líderes integrantes do CPC, entre eles 14 homens e 7 mulheres. No segundo momento elegemos nesse grupo de 21 líderes: 03 mulheres que apresen-taram através da narrativa de suas histórias e trajetórias de vida, infor-mações que contribuíram de forma significativa para a pesquisa. Das 21 primeiras entrevistas as três escolhi-das se destacaram pela espontaneida-de nas expressões e disponibilidaespontaneida-de em participar do estudo.

Os resultados do trabalho fo-ram apresentados por meio de três artigos: Artigo I: As Comunidades Eclesiais de Base e as Pastorais na Igreja Católica. Artigo II: Trajetória de vida de mulheres líderes das pastorais da Igreja Católica: o significado de ser mulher no espaço pastoral em Soledade. Artigo III: A assembleia geral como espaço de dramatização do poder.

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Título: Redes sociais e administração dos domínios da vida: um estudo de caso com detentoras da guarda dos filhos

Autora: Ana Paula Nery Rosado Orientação: Karla Maria Damiano Teixeira (orientadora), Maria das Dores Saraiva de Loreto, Vivianne Delfino Albuquerque Andrade

(co-orientadoras)

Data da defesa: agosto de 2011 Focalizar a família como objeto de análise implica reconhecer que ela não é um sistema fechado, mas sim uma unidade com relações intra e interfamiliares, que são importantes para sua manutenção e continuidade. Dessa maneira, é de fundamental im-portância enfatizar as redes sociais de apoio à família, principalmente quando se enfoca a família monoparental, que não tem mais um dos cônjuges para a divisão das tarefas domésticas, para os cuidados e responsabilidades com os filhos e, muitas vezes, conta com recursos financeiros limitados para o sustento familiar e reorganização do seu cotidiano.

Diante desse contexto, o problema da pesquisa consistiu em estudar o impacto da separação ou divórcio na administração dos diferentes domínios da vida, bem como analisar as redes sociais dos detentores da guarda dos fi-lhos residentes em Viçosa/MG em face da nova realidade do grupo familiar. Os domínios da vida analisados foram: trabalho remunerado, renda familiar, educação pessoal, trabalho doméstico, educação dos filhos, cuidado com os filhos, saúde, lazer e vida espiritual. Nesse sentido, objetivou-se investigar

as alterações na administração dos domínios da vida pelos detentores da guarda dos filhos em face da dissolução da sociedade conjugal, assim como o processo de construção e, ou, conso-lidação das redes sociais.

O estudo, de natureza explorató-rio-descritiva, teve como população homens e mulheres residentes no município de Viçosa/Minas Gerais, detentores da guarda unilateral dos filhos, que passaram pelo processo de separação ou divórcio, iniciado no período de 2006 a 2008 e finalizado no ano de 2008. A amostra foi intencional, visto que sua seleção foi baseada na natureza das metas de pesquisa, foi obtida aleatoriamente por meio do contato direto com os sujeitos e con-tou 18 detentoras da guarda dos filhos.

Para os dados quantitativos obtidos por meio da entrevista, foi utilizada a análise univariada e, no que se refere ao tratamento qualitativo das informa-ções, foi feita a análise de conteúdo. A separação ou divórcio foi um fator mo-tivador da construção ou consolidação da maioria das redes sociais. O enfra-quecimento das redes se deu, princi-palmente, para o domínio renda fami-liar. As redes foram constituídas, em sua maioria, por membros da família, como o ex-cônjuge, filhos, pais, irmãos, avós, primos, tias, sogra, entre outros, tendo expressiva representatividade da mãe e do ex-cônjuge. As redes formais possuem papel relevante quando as redes informais não estão disponíveis e, ou, quando a renda familiar o per-mite. O apoio recebido pelas redes sociais foi caracterizado pelo cuidado e educação dos filhos, apoio na execução das tarefas domésticas, provisão de

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recursos, companhia e diálogo, além de conselhos. Na administração dos diferentes domínios da vida da nova família, destacaram-se a reestruturação do tempo, o estabelecimento de novas demandas e prioridades e o amadure-cimento do indivíduo, além do papel imprescindível das redes sociais em cada uma das esferas da vida. Dessa maneira, toda e qualquer mudança na estrutura da família produz um rema-nejamento de funções, modificação nos papéis desempenhados e adaptação ao novo cotidiano familiar e, com isso, novos modos de se relacionar e de administrar a vida.

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Título: Família no programa

Residência Agrária: a visão dos atores da Universidade Federal do Ceará Autora: Margarida Maria Higino de Jesus

Orientação: Lourdes Helena da Silva (orientadora), Rita de Cássia Pereira Farias, Maria das Dores Saraiva de Loreto (co-orientadoras)

Data da defesa: agosto de 2011 A pesquisa trata de uma análise sobre a efetividade do Programa Resi-dência Agrária (PRA) da Universidade Federal do Ceará, implantado em 2004, por meio da análise de sua es-truturação, metodologia de extensão e das concepções e vivências sobre família no contexto do programa. Partiu-se do seguinte questionamento: O Programa Residência Agrária tem conseguido desconstruir o movimento predominante da produtividade, do difusionismo tecnicista, formando e

qualificando extensionistas capazes de compreender a diversidade local e integrar as famílias, por meio de um desenvolvimento participativo de baixo para cima?

Para responder a esse questio-namento, a pesquisa, de natureza qualitativa, fez uso de referências bibliográficas e documentais, além de entrevistas semi-estruturadas realiza-das junto a professores, estudantes e egressos do programa, cujos dados foram trabalhados sob a perspectiva da Análise Descritiva.

Os resultados mostraram que, para a implementação do Projeto Piloto na UFC, recorreu-se aos prin-cípios da Pedagogia da Alternância que prima pelo contato do estudante com a realidade dos assentamentos, mediante dois tempos complementa-res: o Tempo Universidade e o Tempo Comunidade. Outra Metodologia adotada a partir de 2007, foi a Análise de Diagnóstico de Sistemas Agrários (ADSA), que permite conhecimento amplo sobre a realidade das famílias e do assentamento.

Para fazer um diagnóstico efetivo, os estudantes trabalham com meto-dologias participativas que conside-ram os assentados como sujeitos de mudança daquela realidade. Percebe--se que o PRA vem, de modo geral, propiciando ganhos as partes envol-vidas, levando o jovem a repassar o conhecimento para seu assentamento, atuando como agente multiplica-dor aumentando sua autoestima e motivando-o a continuar os estudos. Acerca da relevância da categoria fa-mília no Programa Residência Agrária, as entrevistas demonstram que, antes

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de ir para o Estágio de Vivência nos as-sentamentos, os estudantes recebem diversas instruções para que obser-vem a dinâmica das famílias, a fim de conhecer suas práticas, vivências e va-lores, para depois fazer o diagnóstico que favorecerá a atuação profissional. A inserção no campo é marcada por diversas dificuldades, como o medo do desconhecido, principalmente em função da visão negativa que a mídia apresenta sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Aos poucos as dificuldades são superadas e o Estagio de Vivência proporciona uma experiência rica de aprendizagem e troca de saberes entre estagiários e egressos.

Acerca do estudo da categoria família no Programa Residência Agrá-ria, apesar da família ser o ponto de partida para o trabalho do PRA, a mesma não é um eixo estruturador do Programa. O aprendizado sobre as famílias se da nas vivências práti-cas. Entretanto, essa constatação não diminui a relevância do PRA na forma-ção de profissionais para atuarem na Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e Assessoria Técnica, Ambien-tal e Social (ATES). Nesse sentido, conclui-se que a academia, mediante Programas como o Residência Agrária, não somente instrumentaliza e empo-dera os assentados, como também forma profissionais mais preparados para uma atuação mais próxima à realidade dos assentados. Além disso, a vivência dos estudantes nos assenta-mentos contribui para a desmontagem de mitos e estereótipos construídos sobre grupos minoritários, como o caso das famílias dos assentamentos.

Título: As Representações Sociais do Consumidor Idoso acerca das Normas que Tutelam o Consumo na Terceira Idade.

Autora: Patrícia Mattos Amato Rodrigues

Orientação: Neuza Maria da Silva (orientadora), Marisa Barletto, Iacyr de Aguiar Vieira (co-orientadoras) Data da defesa: novembro de 2011

Vivendo-se em uma sociedade de consumo, onde a oferta de produtos e serviços supera, consideravelmente, a demanda natural e racional por eles diante de um processo incontroverso e irreversível de envelhecimento da população consumidora, percebeu-se a necessidade de investigar as represen-tações sociais dos consumidores idosos acerca da eficácia das normas jurídicas vigentes que se propõem a tutelar as relações de consumo titularizadas por pessoas com 60 anos ou mais.

Trata-se de uma pesquisa trans-versal, exploratória e descritiva, com predomínio da análise qualitativa dos dados, tendo como referencial teórico e metodológico a Teoria das Represen-tações Sociais, desenvolvida por Mos-covici. Não obstante a predominância da abordagem qualitativa, a análise quantitativa foi empregada, sobretudo, para traçar um perfil sociodemográfico dos idosos consumidores, indicando, em termos percentuais, a classe social, o nível de escolaridade e a faixa etária dos sujeitos da pesquisa, chegando-se ao seguinte padrão: mulheres casadas com idade de 69 anos, ensino funda-mental incompleto, aposentadas ou pensionistas com renda de até três salários mínimos, residentes em casas

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próprias e parcialmente responsáveis pelo custeio das despesas domésticas.

A amostra foi obtida a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas nos meses de maio e junho de 2011, a partir do cadastro dos atendidos pelo PROCON municipal de Ubá, MG, vez que, para investigar a percepção dos consumidores idosos acerca da eficácia de leis protetivas, julgou-se necessário selecionar idosos que, presumivel-mente, tivessem conhecimento da existência de tais leis e de instrumentos públicos destinados a implementá-las.

Os entrevistados foram contata-dos por telefone fixo e, dependendo da preferência e disponibilidade deles, as entrevistas foram realizadas na sede do próprio PROCON ou em suas resi-dências. Para analisar e interpretar os dados, elegeu-se o procedimento me-todológico da análise de conteúdo, vez que permite, de forma sistematizada e objetiva, aferir as reais representações dos entrevistados acerca da temática investigada. Os resultados apontaram não haver identidade entre os entrevis-tados de faixas etárias distintas, tendo sido necessário, por essa razão, criar subcategorias de idosos. De fato, o critério legal/cronológico mostrou-se falho, à medida que só considerava o fator objetivo idade para enquadrar ci-dadãos na categoria de idosos. Por essa razão, tem-se que muitos entrevista-dos disseram não se sentirem ientrevista-dosos e merecedores de tratamento legal diferenciado, não obstante reconhece-rem a utilização das filas preferenciais, dos benefícios previdenciários e da gratuidade na utilização de transporte público, entre outros. Apurou-se que tanto o Código de Defesa do

Consumi-dor quanto o Estatuto do Idoso ainda eram ignorados por considerável par-cela da população pesquisada, sendo a ausência ou deficiência do acesso à informação grande entrave a ser supe-rado em busca da eficácia de tais nor-mas e das garantias nelas positivadas. Tais entrevistados têm no PROCON um órgão de luta na defesa de seus direitos, sendo positiva sua atuação, à medida que auxilia efetivamente na solução de problemas de consumo. A rapidez e cordialidade no atendimento contribuíram decisivamente para a re-ferida avaliação, sendo, na percepção de todos os entrevistados, uma vanta-gem a utilização do referido órgão na busca de soluções para os problemas de consumo experienciados.

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etras Título: A linguagem da periferia: construção de identidade por alunos de EJA de uma escola pública Autora: Erica Alessandra Fernandes Aniceto

Orientadora: Wânia Terezinha Ladeira

Data da defesa: março de 2011 Partindo da premissa básica de que a linguagem é uma forma de ação social, o objetivo central deste estudo é analisar como alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de uma escola pública localizada em um bairro periférico de uma cidade do interior de Minas Gerais constro-em e assumconstro-em as suas identidades sociais. Embasados em teorias da Análise da Conversa

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Etnometodoló-gica (ACE) e na Sociolinguística Inte-racional (SI), analisamos as escolhas linguístico-discursivas desses alunos, observadas a partir da fala-em-intera-ção em grupos focais, para verificar como esses estudantes demonstram pertencimento a determinadas cate-gorias sociais.

Para coleta de dados, utilizamos a técnica do grupo focal, através da qual os discentes narram a experiên-cia de morar em um bairro periférico. Após uma minuciosa transcrição dos dados gerados nos encontros com os estudantes, feita de acordo com a proposta da ACE, fizemos uma análise baseada no conceito de Ca-tegorização de Membros, de Sacks (1992). Uma vez que os processos de categorização estão em uso e negociações constantes, revelamos, assim, a ação discursiva dos estu-dantes, durante interações entre si, para a construção de suas identidades por meio de autocategorização e categorização.

Os resultados desta pesquisa apontam a orientação dos partici-pantes durante a interação, os quais constroem, através da fala, a identi-dade de outsiders, ratificando o ró-tulo que lhes é atribuído por aqueles que ocupam posições de prestígio e poder e que se reconhecem como a “boa sociedade”, os quais cha-maremos de estabelecidos. Ao se categorizarem como desviantes, os estudantes de EJA demonstram per-ceber o lugar deles na cidade pesqui-sada, mas, muitas vezes, não aceitam passivamente tal rótulo, o que gera relatos de uma relação conflituosa entre esses jovens e os

estabeleci-dos. Assim, ao concluir que, através da categorização de membros, os estudantes constroem e assumem a identidade de outsiders, demons-tramos que o trabalho de descrição e de categorização de membros é bastante pertinente para o estudo da construção de identidades sociais.

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Título: Ensino e aprendizagem de escrita em língua inglesa: a relação entre crenças e o uso de estratégias Autor: Fabiano Silvestre Ramos Orientadora: Ana Maria Ferreira Barcelos

Data da defesa: março de 2011 A sociedade atual pós-moderna exige um perfil de aprendiz diferencia-do daquele de décadas atrás, em que o ensino estava centrado na figura do professor. Exige-se uma postura mais autônoma, em que o aluno se torna agente de seu próprio processo de aprendizagem. Tal postura pode ser associada às suas crenças sobre ensino e aprendizagem de línguas e ao uso de estratégias. Crenças são definidas, de acordo com Barcelos (2006), como uma forma de pensamento, constru-ções da realidade, maneiras de ver e perceber o mundo e seus fenômenos, que são co-construídas a partir de nossas experiências e resultam de um processo interativo de interpre-tação e (re)significação. O conceito de estratégias de aprendizagem de línguas (EALs) utilizado neste trabalho é aquele de Oxford (2002) que as en-tende como sendo ações específicas tomadas conscientemente pelo

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apren-diz, com o intuito de auxiliá-lo no processo de aprendizagem de línguas.

Este estudo teve por objetivo in-vestigar a relação entre crenças sobre ensino e aprendizagem e o uso de estratégias no contexto de um curso de extensão em língua inglesa, bem como detectar se houve mudanças nas crenças e no uso de estratégias de es-crita após um trabalho de intervenção com foco nestas. Para tanto, busquei responder as seguintes perguntas de pesquisa: (a) Quais são as crenças de alunos universitários sobre o ensino e aprendizagem de escrita em língua estrangeira?; (b) Quais as estratégias de aprendizagem de escrita que eles utilizam?; (c) Existe influência das crenças no uso de estratégias ou vice-versa? Se existe, qual a natureza dessa relação?; (d) Após um trabalho de conscientização sobre EALs de escrita, houve mudança nas crenças dos participantes sobre o processo de escrita em LE e no uso de estratégias? Houve melhoria na qualidade das produções dos aprendizes?

Foram utilizados os seguintes ins-trumentos de coleta de dados: Inven-tário de Estratégias de Aprendizagem de Língua Estrangeira (OXFORD, 1990), questionário de estratégias de escrita (PETRÍC e CZARL, 2003), inventário de crenças sobre ensino e aprendizagem de escrita em LI (LUZ, 2006), narrativas e grupo focal. Os resultados mostraram que os parti-cipantes apresentam uma concepção restrita de escrita, entendida por estes como uma prática de conhecimentos gramaticais. Essa crença influencia, de maneira direta, na seleção de EALs. Dentre as mais citadas está a consulta

ao dicionário, tanto durante a escrita, como no processo de revisão. Foi possível constatar ainda que, após o processo de intervenção, houve resignificação de algumas crenças sobre o papel da escrita e sobre o ensino da mesma na escola pública. Porém, as crenças mais arraigadas, tais como a relação entre escrita e gramática não foram resignificadas. Constatou-se também uma melhoria na qualidade das produções textuais dos participantes no que diz respeito à configuração do gênero resumo e no uso da gramática.

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Título: Construção de corpos: análise de capas das revistas dirigidas aos homoeróticos masculinos Autora: Lilian Arruda Silva

Orientadora: Maria Carmen Aires Gomes

Data da defesa: março de 2011 A imagem tem se tornado um dos principais elementos persuasivos. Kress (1997) argumenta que a socie-dade assiste a uma mudança significa-tiva da relasignifica-tiva valoração dos modos semióticos, principalmente, uma mudança da forma verbal para a visual de representação e comunicação. Nesse sentido, estudar imagens faz-se necessário, pois está relacionada não só à veiculação de valores, mas também à constituição de identidades sociais. Relegada a importância das imagens no mundo pós-moderno, discutiremos neste trabalho a relação entre imagem--gênero social-corpo, à luz dos estudos que tratam da Semiótica Visual e das

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pesquisas em Multimodalidade, uma vez que procuramos analisar a cons-trução do Corpo, através das imagens das Capas das Revistas: G Magazine, Junior, Dom e Aimé dirigidas a um público particular: os homoeróticos masculinos.

Para tanto, utilizaremos como aporte teórico a Gramática do Design Visual cunhada por Kress e van Leeu-wen (1996) que tem por premissa bási-ca a Linguístibási-ca Sistêmico-Funcional de Halliday (1994). Utilizaremos também estudos acerca do gênero social (FOU-CAULT, 1985; SCOTT, 1990; LOURO, 1997, 2005, 2007; LAQUEUR, 2001; WEEKS, 2007; BUTLER, 2008, dentre outros). Na perspectiva pós-estrutu-ralista, as identidades e as diferenças se definem a partir da cultura e da história, são criações sociais e culturais, portanto, não são inatas aos seres hu-manos, mas são ativamente produzidas e construídas através das relações de poder e através da/na linguagem. Nessa vertente, a categoria corpo também é entendida e assumida como uma realidade histórica, sendo assim, o corpo torna-se um espaço de debates e reflexões a respeito da sua construção em relação ao gênero e sexo.

A análise aponta para uma pro-moção/fortalecimento de um corpo viril que, consequentemente, refuta uma imagem afeminada facilitando, portanto, a aceitação social dos homo-eróticos, já que sua aparência exterior está dentro dos padrões de masculini-dade. Sendo assim, podemos postular que estes corpos são submetidos constantemente a regimes de verdade normalizadores regulados a partir de uma representação hegemônica, com

corpos malhados, jovem, branco, sem pelos e sem barba, que, invariavelmen-te, supervalorizam a masculinidade, dissipando o discurso da heteronor-matividade como norma e referência de comportamento.

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Título: A seção Ciência no Estado de Minas e na Folha de S. Paulo: um estudo comparativo sob a ótica da Análise do Discurso da Divulgação Científica e da Gramática do Design Visual.

Autora: Luciene da Silva Dias Orientadora: Cristiane Cataldi dos Santos Paes

Data da defesa: março de 2011 Partimos do pressuposto de que o discurso de Divulgação Científica – en-tendido como o conjunto de informa-ções midiáticas que são produzidas em situações comunicativas distintas das estabelecidas entre os cientistas e seus pares, sendo, pois, um texto reformu-lado por um jornalista, ou mesmo por um cientista, para um leitor não espe-cializado no assunto que está sendo tratado – deve ser caracterizado como multimodal e, por isso, objetivamos estudá-lo considerando a conjugação entre os modos semióticos utilizados, sejam verbais ou não-verbais.

Assim, questionamos: como o discurso sobre ciência é apropriado pelos jornais Estado de Minas e Folha de S. Paulo no espaço concreto e ide-ológico desses periódicos? O encontro do âmbito científico com a experiência social cotidiana obriga uma troca de registros e uma nova relação discursiva

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entre enunciado, enunciatário e enun-ciador. A partir dessas considerações, as perguntas de pesquisa que norteiam este estudo são: i) Que estratégias divulgativas são utilizadas no processo de recontextualização das informações publicadas na seção Ciência dos jornais Estado de Minas e Folha de S. Paulo?; ii) Que significados sociais são repre-sentados na estrutura da seção Ciência desses dois jornais de grande circulação nacional, considerando-se tanto os as-pectos verbais como os não-verbais?; iii) De que forma as representações visuais veiculadas na seção Ciência dos jornais analisados podem contribuir para ampliar os significados das notícias divulgadas, seja reproduzindo, contes-tando ou transformando valores?

Nossa análise em relação ao tex-to verbal, a partir do procedimentex-to discursivo de expansão, procurou demonstrar como as estratégias di-vulgativas utilizadas para apresentar o conhecimento científico na mídia impressa contribuíram, ou não, para a efetiva compreensão do público leitor em relação ao assunto divulgado.

A análise do aspecto não verbal realizada em nosso corpus de pesquisa revelou que a representação da ciência nesses textos está bastante voltada para uma tentativa de se concretizar a abstração com que as temáticas tra-tadas são vistas pelo leitor, por meio da utilização de infográficos e outras imagens que não apresentaram funções apenas ilustrativas.

Assim, os jornais Estado de Minas e Folha de S. Paulo, dentro do recorte temporal selecionado para esta pes-quisa, caracterizam-se como veículos de comunicação importantes para o

estudo da divulgação científica na mídia impressa, relevando seu valor para a sociedade civil, bem como suas limita-ções que ainda impedem uma efetiva participação cidadã no que concerne às decisões tomadas em relação à divulgação do conhecimento científico no Brasil.

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Título: Uma análise comparativa do logos e do pathos no discurso religioso: a missa católica e o culto assembleiano

Autora: Rachel Camilla Rodrigues de Castro

Orientadora: Mônica Santos de Souza Melo

Data da defesa: março de 2011 Acreditamos que o sujeito argu-mentante pode se valer da razão e da emoção para persuadir o outro. Assim, neste trabalho, pretendemos (1) identificar, (2) analisar e (3) com-parar as estratégias discursivas em duas celebrações religiosas, uma missa (Homilia) e um culto da Assembleia de Deus (Pregação da Palavra), tendo como foco a argumentação pela razão (logos) e a argumentação pela emoção (pathos). Ao fim do trabalho, percebe-mos que poucas são as diferenças entre a Homilia e a Pregação no que tangem à razão. No entanto, o pregador faz um apelo maior à emoção. Então, o prega-dor, além de se valer da razão, recorre à emoção de um modo mais intenso do que o padre, parecendo deixar o fiel mais predisposto a aceitar as teses, promovendo, consequentemente, uma maior captação de fieis.

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ducação Título: PROUNI: uma política de democratização do ensino superior? Autor: Raisa Maria de Arruda Martins

Orientação: Maria das Graças Marcelo Ribeiro (orientadora), Wânia Maria Guimarães Lacerda, Marilene de Melo Vieira (co-orientadoras) Data da defesa: junho de 2011

A ampliação do acesso à educação superior, no Brasil, tem sido temática de discussões acadêmicas e políticas. Na história da educação brasileira, destaca-se que os últimos vinte anos registraram uma grande expansão desse nível de ensino, em especial do setor pri-vado. No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o setor privado foi o principal responsável pela criação de instituições, criação e aumento do número de cursos e vagas, em detri-mento do setor público. No governo Lula (2003-2010), o privilegiamento do setor privado, no que diz respeito ao acesso ao ensino superior, se consti-tuiu de uma política com formalização explícita. Nesse governo, o processo de expansão do setor privado exacerba--se quando, a partir de 2005, é criado o Programa Universidade Para Todos (PROUNI). Tal Programa buscava sua justificativa na necessidade de aumentar a taxa de escolaridade no ensino supe-rior, face à posição ocupada pelo Brasil em relação à estatística de outros paí-ses. Além disso, constituía uma política pública que “não implicaria em gastos orçamentários” para ampliar o acesso à educação superior; pois o Programa se estrutura num contrato de concessão

de vagas em troca de isenção tributária. A principal bandeira de propaganda do PROUNI é a democratização do ensino superior. Elegeu-se como objeto desse trabalho o PROUNI, com o ob-jetivo de analisá-lo enquanto Programa que pretende promover a democratiza-ção do ensino superior e a justiça social. Como universo da pesquisa, foram se-lecionadas quatro instituições privadas de ensino superior da cidade de Belo Horizonte – MG. Como instrumento de pesquisa utilizou-se a entrevista dos dirigentes das instituições e de alunos bolsistas do PROUNI. Trabalhou-se também com dados documentais das referidas instituições.

As análises realizadas indicaram que o PROUNI é fundamental para a sobrevivência das instituições, dado que contribui para o preenchimento de vagas ociosas, impedindo, assim, o fechamento de turmas e cursos. Notou-se, também, que, apesar das bolsas oferecidas, os bolsistas PROUNI enfrentam dificuldades de várias ordens, desde financeiras até acadêmicas, relacionadas ao acompanhamento de disciplinas, o que dificulta a permanência nos cursos. Dentro do recorte proposto pela pesquisa, identificou-se a existência de alunos matriculados em cursos so-cialmente prestigiados e em instituições bem avaliadas quanto à sua qualidade, de acordo com os critérios estabeleci-dos pelo Ministério da Educação (MEC). Entretanto, essa constatação não pode ser generalizada em termos nacionais. Finalmente, considera-se, que o PROU-NI constitui Programa que beneficia e contribui para a expansão do setor pri-vado de ensino superior. Pensa-se que, o ideal de democratização não se efetiva

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