Segurança do paciente por meio do uso e conformidade de pulseiras de
identificação: relato de experiência
Patient safety through the use and conformity of identification bracelets:
experience report
DOI:10.34117/bjdv6n6-249
Recebimento dos originais: 08/05/2020 Aceitação para publicação: 10/06/2020
Flávia Camef Dorneles
Formação acadêmica: Acadêmica de Enfermagem
Instituição: Universidade Regional e Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Campus Santiago
Endereço: Avenida Batista Bonoto Sobrinho, 733-Bairro: São Vicente. Santiago- RS, Brasil E-mail: [email protected]
Nathália Fortes Schlotfeldt
Formação acadêmica: Acadêmica de Enfermagem
Instituição: Universidade Regional e Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Campus Santiago
Endereço: Avenida Batista Bonoto Sobrinho, 733-Bairro: São Vicente. Santiago- RS, Brasil E-mail: [email protected]
Carla da Silveira Dornelles
Formação acadêmica: Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituição: Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões- Campus
Santiago
Endereço: Avenida Batista Bonoto Sobrinho, 733-Bairro: São Vicente. Santiago- RS, Brasil E-mail: [email protected]
RESUMO
Objetivo: relatar a experiência de acadêmicas de enfermagem na identificação do paciente por meio de pulseiras em uma unidade clínica, durante estágio curricular da Disciplina de Enfermagem no Cuidado do Adulto. Método: relato de experiência em uma Unidade Clínica de um hospital filantrópico da região centro oeste do Rio Grande do Sul, no período de Maio a Junho de 2019. Resultados: A partir da conferência em cada leito que dos 22 leitos visitados apenas sete estavam devidamente identificados com pulseira, enquanto 15 pacientes não faziam uso. Conclusão: Por meio da realização dessa atividade foi possível identificar a importância e relevância de um cuidado voltado à práticas que corroborem com a segurança do paciente. Para tanto, a vivência contribuiu para fomentar a necessidade de sensibilização e conhecimento dos profissionais frente às práticas de segurança do paciente.
Palavra-chave: Segurança do Paciente; Enfermagem; Equipe de Assistência ao Paciente. ABSTRACT
Objective: to report the experience of nursing students in patient identification using bracelets in a clinical unit, during the curricular internship of the Nursing Discipline in Adult Care. Method:
experience report in a Clinical Unit of a philanthropic hospital in the central west region of Rio Grande do Sul, from May to June 2019. Results: From the conference in each bed, it was noticed that of the 22 beds visited, only seven were properly identified with a bracelet, while 15 patients did not use them. Conclusion: Through this activity, it was possible to identify the importance and relevance of care aimed at practices that corroborate patient safety. To this end, the experience contributed to foster the need for awareness and knowledge of professionals regarding patient safety practices. Key word: Patient Safety; Nursing; Patient Assistance Team.
1 INTRODUÇÃO
A Aliança Mundial para Segurança do Paciente, criada em 2004 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), teve como objetivo promover o compartilhamento de conhecimentos e de soluções encontradas por meio da implementação de programas voltados a garantir a segurança. Tendo como objetivo principal a redução de erros nos sistemas e a prevenção de erros evitáveis.1
A partir de então, a preocupação com a segurança do paciente, compreendida como a redução a um mínimo aceitável do risco de dano desnecessário ao paciente enquanto assistido, adquiriu um espaço privilegiado na discussão mundial. Passando a ser vista como uma barreira a ser superada na busca da qualidade no cuidado prestado nos diferentes níveis de atenção.2
Adotando os mesmos objetivos da OMS, no Brasil, por iniciativa da Organização Pan-Americana de Saúde, foram lançadas as atividades da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP). Esta, tem por meta, a disseminação e sedimentação da cultura de segurança do paciente.1
Além disso, foi instituído no ano de 2013, o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), tendo como objetivo geral contribuir para a qualificação do cuidado em saúde. Devendo estar regulamentado em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional, sejam eles públicos, ou privados, de acordo com prioridade dada à segurança do paciente em estabelecimentos de saúde.2
A identificação correta do paciente é uma parte integrante das medidas de segurança na assistência à saúde. Uma vez que, permite ao profissional uma maior confiança no momento da realização do seu cuidado, garantindo uma assistência de qualidade.3 As diretrizes de implantação recomendam que as instituições adotem metodologias uniformes para identificar seus pacientes, como pulseiras identificação, com o mínimo de dois elementos identificadores. Além disso, deve ser instruído seu uso e assegurada a verificação das mesmas antes da realização de procedimentos.4
Mediante este cenário, a enfermagem deve buscar estratégias adequadas para prestar o cuidado seguro. Pois o profissional atua como elemento proativo, participante direto e responsável pela garantia da segurança do paciente, e da promoção de uma cultura de segurança.5 Frente a isso, o
assistencial. Sendo o profissional responsável por coordenar a assistência de enfermagem prestada.6 Diante disso, o presente artigo se justifica, devido a falhas no sistema de identificação do paciente, influenciando diretamente na qualidade de sua segurança. Assim, tem por objetivo relatar a experiência da identificação do paciente por meio do uso de pulseiras de identificação.
2 MÉTODO
Trata-se de um trabalho descritivo do tipo relato de experiência realizado por meio da prática vivenciada em uma unidade clínica de um hospital de médio porte da região centro oeste do Rio Grande do Sul. A atividade foi realizada por acadêmicas de enfermagem, no período de maio a junho de 2019.
A unidade clínica conta com 24 leitos destinados à usuários do Sistema Único de Saúde. Sendo seis quartos com três leitos, dois quartos com dois leitos e dois quartos com um leito, destinados para pacientes em isolamento. A equipe de enfermagem é composta por um enfermeiro a cada turno e quatro técnicos de enfermagem por turno, além da equipe multiprofissional.
A responsabilidade de colocação e conferência das pulseiras de identificação é realizada pela equipe de enfermagem, no entanto a dispensação é realizada pelo setor de internação no momento da admissão do paciente no hospital.
A verificação das pulseiras de identificação foi realizada pelas acadêmicas com todos os internados, excluindo os leitos em isolamento.
3 RESULTADOS
Durante o estágio foram realizadas diversas atividades inerentes aos cuidados de enfermagem. Tais como controle dos sinais vitais, preparo e administração de medicamentos, curativos e sondagens, assistência de enfermagem nas necessidades de higiene e conforto, além do processo de enfermagem. Mediante cada cuidado prestado ao cliente, ocorria a conferência verbal com os dados do paciente, a verificação no quadro de identificação e, além disso, a conferência na pulseira de identificação do paciente. Ao longo da realização dos cuidados percebeu-se que a maioria dos pacientes não apresentava pulseira de identificação e algumas vezes não continham seus dados no quadro de identificação.
Emergiu então, a necessidade de uma conferência criteriosa leito a leito, a fim de evitar que algum paciente permanecesse sem identificação. A partir disso, as acadêmicas percorreram todos os leitos, exceto aqueles destinados à isolamento, a fim de conferir diretamente nos pacientes o uso correto da pulseira de identificação.
A partir da conferência em cada leito, evidenciou-se que dos 22 leitos visitados apenas sete estavam devidamente identificados por meio da pulseira, enquanto 15 pacientes não faziam uso. Durante a conferência as acadêmicas questionaram os pacientes e seus familiares e/ou acompanhantes sobre as pulseiras de identificação, e alguns mencionaram que haviam perdido, enquanto outros relataram não ter recebido. Diante disso, as alunas dirigiram-se ao setor de internação e solicitaram todas as pulseiras que faltavam para os pacientes da respectiva unidade clínica. Sendo possível dessa forma, identificar todos os pacientes que faltavam.
Durante a colocação das pulseiras, as acadêmicas transmitiram aos pacientes, familiares e/ou acompanhantes, instruções sobre a importância do uso da pulseira de identificação. Podendo dessa forma, tornar os pacientes, dependendo de seu quadro clínico, seus familiares e acompanhantes, aliados no processo de identificação correta, com a finalidade de garantir um cuidado seguro na unidade.
4 DISCUSSÃO
A identificação correta do paciente é o processo pelo qual se certifica ao paciente que a ele é destinado determinado tipo de procedimento ou tratamento, prevenindo a ocorrência de erros e enganos que o possam causar danos. Alguns fatores podem potencializar os riscos na identificação do paciente como: estado de consciência do paciente, mudanças de leito, setor ou profissional dentro da instituição e outras circunstâncias no ambiente.7
Esta deve ocorrer na admissão ou registro do paciente. Por meio da combinação da identidade do paciente com o diagnóstico, assistência, terapia ou outros serviços, devendo ser verificada mediante transferência ou quando a documentação do paciente for gerada, bem como na prestação de cuidados específicos ao paciente nos diferentes locais da instituição.8
A segurança do paciente está diretamente relacionada à qualidade dos serviços de saúde. Recentemente está em evidência tanto nos setores de prestação de serviço, entidade de classes, quanto órgãos governamentais, uma vez que, deve ser colocada em prática nas instituições brasileiras, visto sua importância.1
Percebeu-se durante a realização da atividade, a necessidade de um cuidado contínuo com vistas à segurança do paciente. Pois, diversos erros podem ser evitados a partir da colocação das pulseiras de identificação nos pacientes internados. Essa prática, quando não realizada ou quando banalizada, tem como consequência falhas nos sistema de saúde. Essas falhas geram impactos negativos tanto para o paciente, família, organizações e sociedade.4
a qualidade da prestação do cuidado, sendo este livre de danos. Nesse campo da qualidade, a segurança do paciente, por meio do gerenciamento de riscos, surge com a implementação de medidas de prevenção à exposição aos riscos, assim como aos danos ao paciente advindos da assistência à saúde. O enfermeiro é um dos principais profissionais engajados na identificação e gestão destes riscos, visto que está a maior parte do tempo em contato com o cliente.9
Além disso, percebeu-se a necessidade de uma sensibilização voltada a equipe de enfermagem com relação à qualidade da segurança do paciente. A educação permanente, as atualizações, e o aprimoramento têm como objetivo incrementar os conhecimentos adquiridos na formação básica curricular e auxiliar na redução de falhas no processo de trabalho.10
Por meio dessa educação é possível minimizar as consequências oriundas da ruptura da segurança do paciente. Consequências essas que proporcionam o aumento dos gastos com a saúde e do tempo de internação, implicando em complicações e óbitos, o que ocasiona a redução da confiança do usuário no sistema de saúde, acarreta danos psicológicos e, muitas vezes, encargos jurídicos.6
Ademais foi percebido que a impressora a qual confecciona as pulseiras sendo essas de material de boa durabilidade, mesmo em contato com água e resíduos corpóreos, fica localizada no setor de internação. Diante disso muitas vezes, quando o paciente é encaminhado para a unidade clínica, a pulseira não consta juntamente com a ficha de internação. Ou seja, por vezes, pacientes provenientes do Pronto Socorro Municipal não estão previamente identificados, além dos que passaram pelo Centro Cirúrgico.
Neste cenário, percebe-se ainda grande demanda de pacientes, que muitas vezes necessitam de cuidados semi- intensivos aliado a isso tem-se ainda um déficit no número de funcionários, gerando assim uma deficiência no dimensionamento de pessoal. Ressalta- se que isso reflete diretamente na segurança do paciente, visto que os funcionários muitas vezes devido à quantidade elevada de tarefas não conseguem se deslocar até o setor de internação para solicitar as pulseiras.
Frente a isso, os acadêmicos de enfermagem possuem papel relevante no cenário, visto que contribuem juntamente com a equipe para que eventos adversos possam ser minimizados. Isso é possível, pois com a presença dos acadêmicos, o dimensionamento de pessoal da unidade, torna-se adequado, em razão que, além de executarem os cuidados gerais aos internos, realizam ainda atividades privativas do enfermeiro, sob supervisão do docente responsável.
5 CONCLUSÃO
Por meio da realização dessa atividade foi possível identificar a importância e relevância de um cuidado voltado às práticas que corroborem com a segurança do paciente. Para tanto, a vivência
contribuiu para fomentar a necessidade de sensibilização dos profissionais frente às práticas de segurança do paciente.
A partir de então, torna-se possível aprimorar as práticas já existentes. E para isso, sugere-se a educação permanente das equipes multiprofissionais que atuam junto aos diversos setores no cenário hospitalar, visando à melhoria da qualidade da assistência e consequentemente colaborando para a segurança do paciente.
REFERÊNCIAS
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3. Macedo MCS, Almeida LF, Assad LG, Rocha, RG, Ribeiro GSR, Pereira LMV. Identificação do paciente por pulseira eletrônica numa unidade de terapia intensiva geral adulta. Revista de Enfermagem Referência Série. 2017; IV (13):63-70.
4. Hemesath MP, Santos HB, Torelly EMS, Barbosa AS, Magalhães AMM. Estratégias educativas para melhorar a adesão à identificação do paciente. Rev Gaúcha Enferm. 2015;36 (4):43-8.
5. Cavalcante AKCB; Rocha RC; Nogueira LT, Avelino FVSD; Rocha SS. Cuidado seguro ao paciente: contribuições da enfermagem. Revista Cubana de Enfermería, 2015; 31 (4):1-13.
6. Cestari VRF, Ferreira MA, Garces TS, Moreira TMM, Pessoa VLMP, Barbosa IV. Aplicabilidade de inovações e tecnologias assistenciais para a segurança do paciente: revisão integrativa. Cogitare Enferm. 2017; 22 (3): e45480.
7. Ministério da Saúde (Brasil), Anvisa. Protocolo de identificação do paciente. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
8. Lippi G, Chiozza L, Mattiuzzi C, Plebani M. Patient and Sample Identification. Out of the Maze?. J Med Biochem. 2017 Apr; 36(2): 107–112.
9.Silva AT, Terra FS, Dazio EMS; Sanches RS, Resck ZMR. Os enfermeiros e a segurança do paciente na práxis hospitalar. Cogitare Enferm. 2016; 21(esp: 01-08).
10. Rebello LKZ, Quemel FS, Peterlini OLG. Estratégias para a implantação do protocolo de identificação do paciente em um hospital de médio porte no Noroeste do Paraná. R. SaúdePúbl. Paraná. 2019; 2(Suppl 1): 31-37.