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Gestão em Turismo de Saúde

Amanda Fritz (UEPG) [email protected]

Prof. Dr. Luiz Fernando de Souza (UEPG) [email protected]

Resumo:

A atividade turística, em virtude das exigências de uma demanda cada vez mais informada, procura por meio da segmentação de mercado, aprimorar seus serviços e equipamentos para bem atender ao turista. O objetivo deste artigo é de mostrar como o Turismo de Saúde, um dos segmentos de turismo, vem buscando seu espaço no mercado turístico, e para tanto os gestores e funcionários deste segmento devem implantar e implementar a visão empreendedora e intra-empreendedora para alcançar o sucesso almejado. Dessa maneira, por meio de uma pesquisa exploratória, ex-pos-facto, tanto quantitativa quanto qualitativa, foram abordados alguns dos espaços que se encontram neste segmento, sendo na região urbana e rural. A partir disto, é dada a importância da qualidade de atendimento em empreendimentos como hospitais, clínicas, spas, estâncias, além de mostrar como está sendo o investimento desses locais no segmento turismo de saúde. No caso do Brasil, o turismo de saúde é considerado novo, tendo em vista que há ainda muito que se fazer, principalmente em melhorias de infra-estrutura.

Palavras chave: Turismo, Turismo de Saúde, Desenvolvimento, Qualidade de atendimento e serviço.

Geshan in Health Tourism

Abstract

The touristic activity, because of the requirements of an increasingly informed demand, search through market segmentation, to improve their services and equipments to better serve the tourists.

The article‟s aim is to show how the Health Tourism, a segment of tourism, comes looking for its space in tourism market, and for both managers and employees in this segment should deploy and implement the entrepreneurial and intra-entrepreneurial vision to achieve the desired success. Thus, through an exploratory, ex-post-facto research, as quantitative as qualitative, were addressed some of the places that are in this segment, being in the urban and rural areas. From this, it is given the importance of care quality in undertaking such as hospitals, clinics, spas, resorts, besides showing how the investiment in these local has been on the health tourism segment. In Brazil, the health tourism is

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considered new, taking into account that there is still much to be done, mainly in infrastructure improvements.

Keywords: Tourism, Health Tourism, Development, Quality of care and service.

1 Introdução

O turismo é uma área que se encontra no setor terciário devido à comercialização de produtos e serviços. Como a atividade turística é bastante abrangente, houve a necessidade da segmentação, sendo que um dos segmentos é o Turismo de Saúde. Esta atividade pode envolver desde hospitais, na região urbana, aos spas, na região rural. O critério que emprega este segmento é a motivação, ou seja, a necessidade pela qual o turista irá se deslocar, no caso, devido à saúde. Dessa maneira, há a procura por diferentes tratamentos, por cirurgias, estética, relaxamento, emagrecimento.

De acordo com estes motivos, será abordado o desenvolvimento do turismo de saúde tanto em hospitais, como em spas, mostrando a abrangência deste segmento. Sendo assim, tem-se a importância da qualidade de atendimento, serviços e infra-estrutura.

Como exemplos de turismo de saúde, optou-se por São Paulo através de uma matéria da Revista Eletrônica Veja São Paulo, que mostra como este segmento está se desenvolvendo em alguns hospitais da capital. E no caso, de espaços na região rural, o Spa Lapinha, localizado na cidade da Lapa, PR, por ter sido o estudo de caso do trabalho de conclusão de curso (Turismo de Saúde: o estudo de caso da Lapinha Clínica Spa, Lapa, PR), que quando desenvolvido teve-se a oportunidade de visitas in loco.

Em turismo os produtos e serviços são considerados intangíveis, já que só serão consumidos no momento em que o turista chegar até ele, ou seja, a produção e o consumo acontecem simultaneamente. Dentro desta intangibilidade envolve desde a infra-estrutura até o atendimento, desta maneira tem-se a importância de investimento em melhorias para que o turista tenha uma boa impressão. Sendo assim, o turismo de saúde ainda está em desenvolvimento no Brasil, mas já está despertando interesse dos turistas internacionais e também internos. Para tanto, alguns empreendimentos estão despertando para este novo segmento e realizando investimentos.

2 Metodologia

A metodologia utilizada para a elaboração deste artigo foi a pesquisa de fundamento na abordagem exploratória, que para GIL (1991, p. 44), é:

As pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. De todos os tipos de pesquisa, estas são as que apresentam, menor rigidez no planejamento. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas e estudos de caso. Procedimentos de amostragem e técnicas quantitativas de coleta de dados não são costumeiramente aplicados nestas pesquisas.

Sendo assim, primeiramente foi feito um levantamento bibliográfico, tendo a partir do Trabalho de Conclusão de Curso, “Turismo de Saúde: o estudo de caso da Lapinha Clínica Spa, Lapa, PR” como base para a elaboração deste artigo. Com a pesquisa realizada para este trabalho, além do uso de alguns referenciais teóricos, possibilitou ter o estudo de caso, como exemplo de turismo de saúde no meio rural. O qual quando pesquisado houve as realizações de visitas in loco, proporcionando um maior conhecimento sobre o funcionamento do empreendimento.

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Para este artigo, houve a necessidade de utilizar fontes secundárias, como de web sites. Tendo em vista o uso da matéria “Profissionais e preços atraem estrangeiros a hospitais da capital”

da Revista Eletrônica Veja São Paulo, que auxiliou com dados atualizados e exemplos de lugares de como o turismo de saúde na região urbana, no caso cidade São Paulo, vem sendo aplicado.

3 Turismo e Turismo de Saúde

O Turismo está inserido no setor terciário, pois há a comercialização de produtos e serviços. É uma atividade considerada em expansão devido à procura por diferentes motivos que levam as pessoas a realizá-lo. A atividade turística de uma maneira geral consiste no deslocamento de pessoas que saem do local de residência dirigindo-se para outro sem fins lucrativos.

Segundo De La Torre:

Turismo vem a ser um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural. (apud BARRETTO, 2003, p. 13)

Como é visto o turismo está sob a influência de alguns fatores como: motivação, meios social, econômico e cultural. A partir disto, houve a necessidade de segmentar o mercado turístico para que fosse possível identificar o público alvo e desenvolver estratégias para atraí-lo. No quadro 1 estão representados os critérios para a segmentação turística:

Critérios de Segmentação Segmentos

Idade Turismo infantil, juvenil, meia idade, terceira

idade

Nível de renda Turismo popular, de classe média, de luxo

Meio de transporte Turismo aéreo, rodoviário, ferroviário, marítimo, fluvial/ lacustre

Duração da permanência Turismo de curta, média e longa duração Distância do mercado consumidor Turismo local, regional, nacional,

continental, internacional

Tipo de grupo Turismo individual, de casais, de famílias, de grupos

Sentido do fluxo turístico Turismo emissivo, receptivo

Condição geográfica da destinação turística Turismo de praia, de montanha, de campo, de neve

Aspecto cultural Turismo étnico, religioso, histórico

Grau de urbanização da destinação turística Turismo de grandes metrópoles, de pequenas cidades, rural, de áreas naturais

Motivação Turismo de negócios, de eventos, de lazer, de

saúde, educacional, de aventuras, esportivo, de pesca

Fonte: Mota, 2001, p. 68

Quadro 1 – Segmentação

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Tomando como base o critério motivação, falar-se-á sobre o Turismo de Saúde. Esse segmento, embora seja considerado novo e não apresente muitas bibliografias – principalmente no Brasil – está em crescimento. Muitos países têm o turismo de saúde como um segmento que já movimenta o mercado econômico. No Brasil é algo ainda recente, mas alguns empreendimentos já estão despertando interesse pela área e estão investindo.

Si consideramos las megatendencias turísticas de la Organización Mundial del Turismo, el Turismo de salud vendría incidido principalmente por: envejecimiento de la población; fraccionamiento, dispersíon y mayor frecuencia de las vaciones;

ampliación del cuadro motivacional; inclinación hacia el turismo activo. El turismo de salud se podría definir, por tanto, como una actividad de ampliacíon turística, de carácter minoritario, pero com alto potencial de crecimento en los próximos lustros.

(BENIER; SECALL; GARCIA; ROJO, 2006, p. 249).

Antes de prosseguir, é importante que seja definido o que é o Turismo de Saúde. Sendo assim,

“Turismo de Saúde é o conjunto de atividades turísticas que as pessoas realizam na procura de meios de manutenção ou de aquisição do bom funcionamento e da sanidade do seu físico e do seu psiquismo.” (SILVA; BARREIRA, 1994, p. 20).

A partir disto, o turismo de saúde se mostra bastante abrangente, pois a busca pelo bem estar físico e mental está voltado às diferentes necessidades do turista que o motivam a praticar este tipo de turismo. Ou seja, pela necessidade de realizar uma cirurgia, um tratamento, relaxamento, emagrecimento.

Sendo assim, existem duas vertentes no turismo de saúde: o terapêutico, cujo motivo principal é o medicinal e não tanto o turístico. A outra vertente é a turística, a qual tem relação maior com o turismo do que com o médico.

La vertiente terapéutica se relaciona más a la medicina que al turismo, o sea, los desplazamientos son motivados por la búsqueda de salud en establecimientos puramente médicos y que, periféricamente, utilizan instalaciones y servicios turísticos como el transporte, hospedaje, alimentación, etc. Pero la motivación principal no es satisfecha por una instalación o servicio propiamente turístico.[...] La vertiente turística se relaciona más al turístico que al médico, o sea, los desplazamientos son motivados por la búsqueda de salud en establecimientos turísticos como spas, balnearios, centros de talasoterapia, etc.(apud M. BOFANDA;

P. BOFANDA; GANDARA; BREA, 2008, p. 418-419).

Ainda neste aspecto, baseado no texto “Turismo de Saúde e Bem Estar” (Disponível em:

http://www.sanusthalassa.pt/consul/conceitosf.pdf), o turismo de saúde pode ser fragmentado, fazendo parte deste segmento o turismo de bem estar, turismo médico e o turismo estético. O bem estar é a procura por terapias naturais, relaxantes e saudáveis encontradas em espaços como os citados na segunda vertente do turismo de saúde. No médico buscam-se tratamentos dos tipos cardíacos, renais, odontológicos, etc., além de operações cirúrgicas, utilizando-se lugares como os da primeira vertente do turismo de saúde. Já o estético envolve principalmente as diferentes cirurgias plásticas, por exemplo, abdominoplastia (correção do abdômen), botox (implantes em diversas zonas do corpo), liftings (facial, mamário, sobrancelhas).

Nota-se que diferentes espaços podem ser utilizados dentro do turismo de saúde, desde clínicas e hospitais à spas e estâncias, além de toda infra-estrutura turística (transporte, hospedagem, alimentação, vias de acesso, etc.). Com relação a isto, será apontado a seguir o desenvolvimento do turismo de saúde em alguns dos espaços que nele se encontram.

4 Desenvolvimento do Turismo de Saúde

No Brasil, o turismo de saúde está sendo procurado pelos turistas estrangeiros, sendo São Paulo a cidade que mais recebe este tipo de turista. Em uma matéria da Revista Veja São

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Paulo de maio de 2010, relata que “no ano passado, 900 000 pessoas estiveram na cidade para realizar algum tipo de tratamento médico ou estético; destas, 50 000 vieram de fora do Brasil.” Os hospitais que investiram em reformas na estrutura, contrato de pessoas capacitadas e capacitação de pessoal para receber os pacientes estrangeiros foram Albert Einstein, do Sírio-Libanês, do Oswaldo Cruz, do Samaritano e do HCor.

Quatro desses hospitais criaram equipes especiais para atender os clientes estrangeiros. „Damos todo tipo de assistência, traduzimos consultas e relatórios médicos, ajudamos a encontrar acomodação em hotéis e orientamos os acompanhantes a se deslocar pela cidade‟, enumera a argentina Virginia Rebollo, contratada pelo Einstein especialmente para lidar com os falantes de língua espanhola. Eles também auxiliam nos trâmites burocráticos com imigração e planos de saúde internacionais. O Oswaldo Cruz é o único que não tem um grupo de profissionais exclusivos para isso. „Optamos por capacitar todos os funcionários para atender estrangeiros‟, diz Luís Gustavo Garavelli, gerente de relações com o mercado. (REVISTA VEJA SÃO PAULO, maio 2010)

Os motivos principais pelos quais os turistas estrangeiros estão procurando o Brasil para cuidar da saúde são pelo atendimento e tratamento serem de qualidade, e o custo ser abaixo do que em outros países.

Fonte: Revista Eletrônica Veja São Paulo, maio/2010 Figura 1 – Custos de tratamentos no Brasil

Detalhes como os vistos na citação anterior (tradução de consultas e relatórios médicos, ajuda na procura por acomodação em hotéis, orientação dos acompanhantes a se deslocar pela cidade) fazem a diferença, demonstra a preocupação que se tem com o bem estar da pessoa, resultando na boa qualidade de atendimento. Leva-se em consideração que o bom atendimento não deve ser empregado somente aos clientes, mas também dentro do próprio ambiente, entre os colaboradores, pois se a convivência interna é de qualidade, isso será transmitido para o cliente.

Atenção, disponibilidade, atitude cortês, compromisso, simpatia, entre outros fatores são elementos subjetivos, mas que são percebidos pelo cliente. Esse atendimento não pode ser isolado, na verdade deve prevalecer em toda a equipe, como forma de

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construir um ambiente convidativo, verdadeiramente hospitaleiro e eficaz.

(PETROCCHI, 2002, p. 42)

Estas atitudes são vistas ainda dentro do turismo como hospitalidade, ou seja, o bem receber o turista, fazer sentir-se em casa, a qualidade dos serviços prestados, o ambiente em si. Isto tudo se resume na hotelaria hospitalar, que é o que os hospitais estão investindo, como os que foram já citados.

Hospitalidade, no entanto, é o ato ou efeito de hospedar, é a qualidade do hospedeiro, ou, ainda, bom acolhimento, liberalidade, amabilidade e afabilidade no modo de receber os outros. [...] Dentro de um hospital, a gestão hoteleira deve respeitar as regras e funções hospitalares, adaptando-se a elas. Em contrapartida, as funções hoteleiras devem ser vistas com a tradução da qualidade pela prestação de serviços e atendimento e acolhimento, com base em princípios operacionais e de gestão que devem ser aceitos, entendidos, absorvidos e efetivamente exercidos por todo o corpo hospitalar. (BOEGER, 2003, p. 54-55)

A hotelaria hospitalar deve ser aplicada, além de em hospitais e clínicas, mas como também em outros espaços que apresentam o turismo de saúde. Espaços como spas, estâncias termais, hidrominerais, localizados nas áreas rurais do interior do país. São locais de caráter turístico, como especificado anteriormente ao falar sobre as vertentes do turismo de saúde.

A demanda que frequenta estes lugares são aqueles que estão procurando tratamentos de emagrecimento, anti estresse, relaxamento. Em alguns casos, busca-se também o repouso pré e pós operatório. Além do acompanhamento médico convencional, os spas e estâncias utilizam-se da medicina alternativa, ou natural como também é chamada. A natureza é tida como a fonte para os tratamentos, com o uso da água, terra, ar, plantas medicinais (fitoterapia), frutas, verduras.

Vale aqui especificar o que são os spas e as estâncias. O “spa”, da expressão latina salute per aqua, que significa saúde pela água, tem por definição:

É um instituto autônomo ou ligado a uma organização hoteleira com uma programação definida, seja de esportes, exercícios, lazer, fisioterapia, atividades recreativas e orientação médica, até uma dieta balanceada, que tem como um de seus propósitos remover o excesso de peso, dando ao indivíduo melhor aparência estética. (SILVA; BARREIRA, 1994, p.41).

É um setor que, segundo a Associação Internacional de Spas, está em crescimento. Nos Estados Unidos, o número de spas tem crescido 19% ao ano, com a hospedagem chegando a quase 60% entre 1998 e 2000. Cerca de noventa e cinco milhões de hospedagens são registradas anualmente em spas norte-americanos, gerando um faturamento de US$ 5 bilhões, considerado mais alto do que o valor gerado em estações de esqui, que é de aproximadamente US$ 3,1 bilhões. (BENI, 2003).

No Brasil, o mercado de spas está em expansão, considerando que em 2002 o setor obteve um faturamento de R$ 250 milhões, 25% a mais que em 2001. O país possui 47,7% (877) dos spas da América Latina que totalizam 1.837 estabelecimentos. Só na região Sul e Sudeste do Brasil estão 65% dos spas, sendo que o Estado de São Paulo concentra a maior demanda por estabelecimentos do gênero. (LIGUORI, 2005).

Com relação às estâncias são definidas, de acordo com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT/SP, como:

Estância é o município que contém fontes naturais de água dotadas de altas qualidades terapêuticas, e em quantidades suficientes para atenderem os fins a que se destinam... Compreende o território em que estão localizadas as fontes respectivas, as instalações e obras destinadas ao aproveitamento das águas e área

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circunjacente necessária aos objetivos sanitários e turísticos a que se destina a estância. (SILVA; BARREIRA, 1994, p. 33).

As estâncias têm como objetivo principal a saúde, por apresentarem recursos naturais para fins terapêuticos. Sendo assim, podem proporcionar o descanso, o bem-estar psicológico e físico. (SILVA; BARREIRA, 1994).

Na verdade, o tratamento em lugares como spas e estâncias, é um conjunto de tudo o que é oferecido, desde a qualidade de atendimento e serviços até a alimentação balanceada, atividades que serão realizadas, oportunidade de estar em maior contato com a natureza, o que muitas vezes é feito em um programa personalizado para o hóspede, envolvendo o que ele precisa fazer para atingir seu objetivo. Lembrando que há a necessidade de acompanhamento médico para que o tratamento ocorra de maneira correta.

Sendo assim, o perfil do empreendedor em turismo de saúde é aquele que enxerga neste segmento uma oportunidade para aprimorar o seu empreendimento. Desta maneira, ele irá procurar pesquisar, planejar, de forma que o turismo de saúde poderá ser desenvolvido em seu estabelecimento seja, spa, estância, clínica ou hospital. A partir disso será investido na infra- estrutura, qualidade de atendimento e serviços, para melhor atender a demanda que procura esta segmentação turística. Porém, para que um empreendimento em turismo de saúde seja bem desenvolvido, deve-se ter a participação dos colaboradores, devendo ser eles os intra- empreendedores. Ou seja, eles devem participar da empresa não como meros funcionários, mas como se fossem donos do estabelecimento, proporcionando a organização e qualidade do ambiente, do atendimento e dos serviços no turismo de saúde, procurando atingir a satisfação do turista que busca este segmento.

Quando o meio de hospedagem mostra que é de qualidade, fica reconhecido pelos seus hóspedes, que podem ser aqueles que já viraram clientes assíduos e que fizeram propaganda para seus familiares, amigos, conhecidos, ou os que estão indo pela primeira vez.

Empreendimentos não só como spas e estâncias, mas de uma maneira geral, devem cuidar de cada detalhe, pois muitas vezes é isso que faz a diferença. Exemplos para isso é os apartamentos bem arrumados, o estabelecimento como um todo sempre limpo, refeições bem preparadas, chamar o cliente pelo nome.

Tem-se ainda como diferenciais a pontualidade com que as coisas funcionam no meio de hospedagem. No caso de spas e estâncias seriam nas atividades realizadas como caminhadas, passeios, a programação de atividades no geral. Isto vale também para outros serviços como o das refeições, que no caso, todas são feitas no próprio local. Na realidade uma empresa deve estar em constante procura pelo seu aperfeiçoamento tanto no atendimento, prestação de serviços como em sua infra-estrutura. Isso reflete no sucesso da empresa.

Segundo K. Albrech (apud CASTELLI, 2006), as empresas campeãs possuem algumas características: dominam totalmente os fundamentos; acreditam que a qualidade gera lucro;

conhecem seus clientes; seu enfoque é baseado em horas da verdade; sua atitude é de fazer o que é preciso; recuperam-se habilmente dos erros inevitáveis; o serviço existe tanto dentro quanto fora da empresa; encaram a administração como um setor que ajuda e apóia;

preocupam-se tanto com seus funcionários quanto com seus clientes; estão sempre insatisfeitas com o seu desempenho.

Um exemplo sobre os espaços que ficam geralmente na região rural da cidade é o Spa Lapinha, localizada na Lapa, PR. Lá é visado o bem estar e a saúde do hóspede, então possui uma infra-estrutura completa tanto hoteleira como médica, além da qualidade do atendimento, bem dita pelos próprios clientes no site da empresa (www.lapinha.com.br).

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Este spa está na ativa a mais de 35 anos e sempre buscou e busca o aperfeiçoamento para atender cada vez melhor seus clientes. Tendo em sua equipe de funcionários profissionais capacitados como recepcionistas, médicos, fisioterapeutas, de educação física, massoterapia.

Recentemente foi inaugurado o novo prédio que agora abriga toda a parte médica. Além da infra-estrutura, a Lapinha oferece outras atividades para os hóspedes como caminhadas, quadra de tênis, aulas de artesanato, passeios até a cidade da Lapa e outras cidades próximas (Curitiba, Rio Negro). Um de seus diferenciais é a oferta de semanas temáticas durante o ano todo que atrai desde jovens adolescentes á pessoas idosas. Esta é, inclusive, uma maneira de manter a lotação do spa. São oferecidos ainda alguns programas especiais, como para empresas que em uma determinada época do ano oferece aos seus funcionários uma estadia para se desligarem da rotina de trabalho, muitas vezes estressante.

É importante dizer que estabelecimentos como o Spa Lapinha devem ter uma outra preocupação, a natureza, o meio ambiente em que se encontra, ou seja, deve preservá-lo. No caso da Lapinha, a área em que está construído é conservada pelo próprio empreendimento. O spa ainda possui projetos voltados para a comunidade da cidade Lapa, como por exemplo, na educação, em que há a capacitação, a aprendizagem dos residentes. Vale colocar que esta preocupação com o meio ambiente, também devem estar aplicada nos hospitais e clínicas, pois nesses espaços tem-se a questão do lixo hospitalar, por exemplo, abordando qual é a maneira correta de se desfazer sem prejudicar, poluir o meio ambiente, além também do cuidado para que nenhuma pessoa possa vir a ter contato e acabar se contaminando.

Com relação ao fluxo de turistas dentro do segmento de turismo de saúde, no caso de espaços na região rural, geralmente são pessoas vidas das grandes cidades. Nos hospitais e clínicas, além de estrangeiros, há também o movimento de pacientes internos, ou seja, que saem da cidade do interior e vão até a cidade grande que apresenta maiores condições de tratamentos, ou ainda pessoas que saem de seu Estado e vão para outro.

Neste caso, pode-se voltar no exemplo de São Paulo que tem recebido, além de estrangeiros, pacientes internos. Sendo que esses procuram não só por hospitais particulares, mas também pelos complexos públicos. Eles são encaminhados de duas maneiras: pelo Ministério da Saúde ou espontaneamente, como dissertado pela Revista:

Além dos hospitais privados, complexos públicos paulistanos atraem pacientes de todas as partes do país. Eles vêm de duas formas: encaminhados pelo Ministério da Saúde ou espontaneamente. No primeiro caso, o custo de consultas, exames e cirurgias, entre outros procedimentos, é coberto pela União. Já quando o paciente está aqui por iniciativa própria, quem paga a conta é o estado de São Paulo. Por tal motivo, esse movimento acaba sobrecarregando o serviço dos hospitais da cidade.

(REVISTA VEJA SÃO PAULO, maio, 2010)

Tendo o caso de São Paulo como exemplo de turismo de saúde na região urbana, percebe-se que para que o turismo de saúde seja viável há a necessidade de investimentos tanto por parte do público e privado. As clínicas e hospitais privados que possuem uma demanda considerável de pacientes tanto vindos do exterior ou de outros estados do país devem investir na qualidade de atendimento, bem como na sua infra-estrutura. O mesmo serve para os hospitais públicos, porém partindo do investimento do Estado.

Além de investimentos em melhorias tanto em hospitais, clínicas, como spas, estâncias, devem-se incluir melhoramentos na infra-estrutura da própria cidade como, por exemplo, em aeroportos, vias de acesso, sinalização. Para que isso não se torne mais uma preocupação ou má impressão para o turista de saúde ou de qualquer outro segmento turístico. Sobre isso, no caso de São Paulo, foi contratado por um pólo de empresas governamentais e particulares o tailandês Ruben Toral, para elaborar um diagnóstico de como a capital São Paulo pode explorar melhor o segmento turismo de saúde:

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Toral apresentará seu relatório em agosto, mas adianta um dos nossos grandes desafios: melhorar a estrutura e a capacidade dos aeroportos. „Os terminais são a primeira impressão dos viajantes, e ninguém, sobretudo alguém que vem em busca de saúde, quer gastar horas na fila de imigração, como aconteceu comigo.‟

(REVISTA VEJA SÃO PAULO, maio, 2010).

Com isso pode-se dizer que o Brasil está despertando o interesse de turistas estrangeiros, porém é preciso ainda de melhoramentos para se chegar ao nível de países como Tailândia, Malásia, Índia, Cuba, onde o turismo de saúde já é bem desenvolvido.

Como em turismo fala-se muito em intangibilidade, principalmente em meios de hospedagem, a responsabilidade de deixar uma boa impressão tanto infra-estrutura básica – utilizada tanto pelo turista como pela comunidade local (vias de acesso, postos de abastecimento, bancos, restaurantes, etc.) – como na infra-estrutura turística – uso exclusivo pelo turista (meios de hospedagem, agências de viagem, de receptivo, postos de informação, etc.) – é maior ainda.

Pois em turismo, a produção e o consumo acontecem simultaneamente, ou seja, o turista só irá ter o conhecimento real do produto no momento em que consumir.

O fator intangibilidade envolve tudo o que foi discutido até agora sobre o desenvolvimento de turismo de saúde, a necessidade de investimento de melhorias em infra-estrutura e capacitação de pessoal, visando à qualidade de atendimento e prestação de serviços. Portanto, os gestores que enxergam o turismo de saúde como uma oportunidade de investimento, devem planejar a aplicabilidade do segmento em seu estabelecimento, tendo em vista, a qualidade na estrutura, no atendimento e serviços, na integração dos colaboradores do estabelecimento, o que de alguma forma é refletido ao atender o cliente, além também da preocupação com o meio ambiente. Dessa forma, o investimento no segmento turismo de saúde poderá vir a trazer lucro para os espaços que apresentam potencial para tal, procurando sempre melhorias para atrair turistas e satisfazê-los.

5 Conclusão

A partir da pesquisa foi visto a maneira de como o turismo de saúde vem buscando seu espaço, envolvendo desde infra-estrutura ao atendimento ao turista de saúde. Para tanto a organização deste segmento em um determinado estabelecimento deve partir tanto do empreendedor quanto do intra-empreendedor. O empreendedor pode planejar, investir no setor, mas o intra-empreendedor deve ter a visão de que também depende dele para que a empresa atinja o sucesso. Esta situação é refletida na qualidade de atendimento e de serviço, que além da capacitação dos funcionários, a infra-estrutura bem cuidada, as atividades bem desenvolvidas, é necessário que se tenha um bom relacionamento interno, ou seja, entre os colaborares, independente do cargo que exerça.

Tendo a cidade de São Paulo e o estudo de caso na Lapinha Clínica Spa como exemplos do segmento, foi possível notar que o turismo de saúde pode ser aplicado na região urbana e rural, e o que tem sido feito para melhor atender o turista de saúde. Dessa maneira, a busca pela qualidade de atendimento e serviço, e melhoria da infra-estrutura, é pelo fato de que hoje a demanda está cada vez mais exigente, fazendo com que os estabelecimentos envolvidos no segmento turismo de saúde estejam em constante aprimoramento. Sendo que no caso deste segmento, esta preocupação é maior por se tratar de um tipo de turista que pretende cuidar da sua saúde, encontrando-se em um estado mais debilitado, seja pelo motivo de realizar uma cirurgia ou um tratamento de anti estresse, e que não deseja passar por maiores transtornos.

Sendo assim, entende-se que o Turismo de Saúde é ainda um segmento em desenvolvimento, mas que pode ser uma alternativa de crescimento de empresas hoteleiras que se encontram no meio rural e de hospitais e clínicas especializadas no meio urbano. Podendo contribuir para o desenvolvimento do turismo nas cidades em que possuam potencial para este segmento.

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Sendo assim deve-se haver a parceria público-privada possibilitando o melhoramento na infra-estrutura e capacitação daqueles que estarão trabalhando para os turistas estrangeiros e internos que buscam alguns dos benefícios do turismo de saúde, podendo ser na medicina convencional ou natural.

6 Referências

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Referências

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