Relatório de Inflação
Volume 21 | Número 1 | Março 2019
ISSN 1517-6576
ISSN 1517-6576 CNPJ 00.038.166/0001-05
Relatório de Inflação
Volume 21 | Número 1 | Março 2019
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Convenções estatísticas
... dados desconhecidos.
- dados nulos ou indicação de que a rubrica assinalada é inexistente.
0 ou 0,0 menor que a metade do último algarismo, à direita, assinalado.
* dados preliminares.
O hífen (‑) entre anos (1970‑1975) indica o total de anos, incluindo‑se o primeiro e o último.
A barra (/) entre anos (1970/1975) indica a média anual dos anos assinalados, incluindo‑se o primeiro e o último, ou, se especificado no texto, o ano‑safra ou o ano‑convênio.
Eventuais divergências entre dados e totais ou variações percentuais são provenientes de arredondamento.
Não é citada a fonte dos quadros e dos gráficos de autoria exclusiva do Banco Central do Brasil.
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Relatório de Inflação
Publicação trimestral do Comitê de Política Monetária (Copom), em conformidade com o Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999.
Os textos, os quadros estatísti cos e os gráficos são de responsabilidade dos componentes nomeados a seguir:
– Departamento Econômico (Depec) (E-mail: [email protected]);
– Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) (E-mail: [email protected]);
− Departamento de Assuntos Internacionais (Derin) (E‑mail: [email protected]);
− Departamento de Estatísticas (DSTAT) (E‑mail: [email protected]).
Princípios de Condução da Política Monetária no Brasil
Missão e objetivos
O Banco Central do Brasil (BCB) tem como missão assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente. O cumprimento da missão de assegurar a estabilidade de preços se dá por meio do regime de metas para a inflação, definidas pelo Conselho Monetário Nacional.
A experiência, tanto doméstica quanto interna‑
cional, mostra que a melhor contribuição da política monetária para que haja crescimento econômico sustentável, desemprego baixo e melhora nas condições de vida da população é manter a taxa de inflação baixa, estável e previsível.
A literatura econômica indica que taxas de inflação elevadas e voláteis geram distorções que levam a aumento dos riscos e impactam negativamente os investimentos. Essas distorções encurtam os horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos e deterioram a confiança de empresários. Taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Além disso, produzem dispersão ineficiente de preços e diminuem o valor informacional que os mesmos têm para a eficiente alocação de recursos na economia.
Inflação alta e volátil tem, ainda, efeitos redistributivos de caráter regressivo. As camadas menos favorecidas da população, que geralmente têm acesso mais restrito a instrumentos que as protejam da perda do poder de compra da moeda, são as mais beneficiadas com a estabilidade de preços.
Em resumo, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, afetam a geração de empregos e de renda, e pioram a distribuição de renda.
Implementação
A política monetária tem impacto sobre a economia com defasagens longas, variáveis e incertas, usualmente estimadas em até dois anos. Devido à substancial incerteza associada a projeções de inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária, em grande medida decorrente da incidência natural de choques favoráveis e desfavoráveis na economia ao longo do tempo, é de se esperar que, mesmo sob condução apropriada da política monetária, a inflação realizada oscile em torno da meta. O Copom deve procurar conduzir a política monetária de modo que suas projeções de
inflação apontem inflação convergindo para a meta.
Dessa forma, é natural que a política monetária seja realizada olhando para o futuro.
O arcabouço de metas para a inflação no Brasil é flexível. O horizonte que o BCB vê como apropriado para o retorno da inflação à meta depende tanto da natureza dos choques que incidem sobre a economia quanto de sua persistência.
O BCB entende que uma comunicação clara e transparente é fundamental para que a política monetária atinja seus objetivos de maneira eficiente.
Assim, regularmente o BCB publica avaliações sobre os fatores econômicos que determinam a trajetória da inflação, além de riscos potenciais a essa trajetória.
Os Comunicados e Atas do Copom, e o Relatório de Inflação são veículos fundamentais na comunicação dessas avaliações.
Relatório de Inflação
As projeções para a inflação são apresentadas em cenários com condicionantes para algumas variáveis econômicas. Tradicionalmente, os condicionantes referem‑se às trajetórias da taxa de câmbio e da taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) ao longo do horizonte de projeção. Essas trajetórias normalmente são oriundas das expectativas coletadas pela pesquisa Focus, realizada pelo BCB com analistas independentes, ou consideram constantes os valores dessas variáveis. Os cenários apresentados envolvem uma combinação desses condicionantes. Cenários alternativos também podem ser apresentados. É importante ressaltar que esses cenários são alguns dos instrumentos quantitativos que servem para orientar as decisões de política monetária do Copom, e que seus condicionantes não constituem e nem devem ser vistos como previsões do Comitê sobre o comportamento futuro dessas variáveis.
As projeções condicionais de inflação divulgadas neste Relatório contemplam intervalos de probabilidade que ressaltam o grau de incerteza associado às mesmas. As previsões de inflação dependem não apenas dos condicionamentos feitos para as taxas de juros e de câmbio, mas também de um conjunto de pressupostos sobre o comportamento de variáveis exógenas. O Copom utiliza um conjunto amplo de modelos e cenários, com condicionantes a eles associados, para orientar suas decisões de política monetária. Ao expor alguns desses cenários, o Copom procura dar maior transparência às decisões de política monetária, contribuindo para sua eficácia no controle da inflação, que é seu objetivo precípuo.
Sumário
Princípios de Condução da Política Monetária no Brasil 3
Sumário executivo 7
Conjuntura econômica 11
1.1 Cenário externo________________________________________________________________________ 11 1.2 Conjuntura interna _____________________________________________________________________ 14 Atividade econômica e mercado de trabalho _____________________________________________ 14 Crédito _______________________________________________________________________________19 Fiscal _________________________________________________________________________________22 Demanda externa e Balanço de Pagamentos ______________________________________________23 1.3 Inflação e expectativas de mercado ______________________________________________________25 Índices de preços ______________________________________________________________________25 Índice de difusão e núcleos ______________________________________________________________27 Expectativas de mercado _______________________________________________________________28
Perspectivas para a inflação 55
2.1 Revisões e projeções de curto prazo _____________________________________________________ 56 2.2 Projeções condicionais __________________________________________________________________ 57 2.3 Condução da política monetária e balanço de riscos _______________________________________ 60
Boxes
Revisão da projeção do PIB para 2019 _______________________________________________________29 Desempenho da indústria em 2018 __________________________________________________________ 31 Penetração de importados e coeficiente de exportação da indústria de transformação ___________ 35 Evolução dos preços relativos no IPCA _______________________________________________________ 40 Projeção de crédito para 2019 ______________________________________________________________ 43 Crédito e dinâmica recente do setor automobilístico __________________________________________ 45 Projeção para o Balanço de Pagamentos de 2019 _____________________________________________ 48 Evolução da pauta exportadora brasileira e seus determinantes ________________________________ 50 Decomposição da inflação de 2018 _________________________________________________________ 63 Revisão do modelo estrutural de médio porte – Samba ________________________________________ 66
Apêndice 75
Sumário executivo
A economia brasileira segue em processo de recuperação gradual. Embora mostrando arrefecimento, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu no quarto trimestre de 2018, em relação ao trimestre anterior, pelo oitavo período consecutivo nessa base de comparação. Pelo lado da oferta, destacou-se o desempenho do setor de serviços, que compensou a retração na atividade industrial. Do lado da demanda, houve expansão do consumo das famílias, que contrastou com recuos no consumo do governo e na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).
O menor crescimento da atividade no último trimestre de 2018 diminuiu o carregamento estatístico para o ano corrente e concorreu para que a projeção de crescimento do PIB em 2019 fosse reduzida para 2,0% ante 2,4% apresentado na edição anterior do Relatório de Inflação.
A economia segue operando com elevado nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.
O cenário externo permanece desafiador. Por um lado, os riscos associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas recuaram. Por outro lado, os riscos associados a uma desaceleração da economia global, em função de diversas incertezas, mostram-se mais elevados.
Não obstante, a economia brasileira apresenta maior capacidade de absorver eventual revés no cenário internacional, devido ao seu balanço de pagamentos robusto, à ancoragem das expectativas de inflação e à perspectiva de recuperação econômica.
As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,9%, 4,0% e 3,75%, respectivamente.
O Copom avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis apropriados
ou confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.
No que se refere às projeções condicionais de inflação, no cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9%
para 2019 e 3,8% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de taxa Selic que encerra 2019 em 6,50%
a.a. e se eleva a 7,75% a.a. em 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$3,70/US$ e 2020 em R$3,75/US$. No cenário com taxa Selic constante a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$3,85/US$, as projeções situam-se em torno de 4,1% para 2019 e 4,0% para 2020.
As projeções apresentadas utilizam o conjunto de informações disponíveis até a última reunião do Copom, realizada em 19 e 20.3.2019 (221ª reunião).
Para os condicionantes utilizados nas projeções, em especial os advindos da pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central do Brasil, a data de corte é 15.3.2019, a menos de indicação contrária.
Em sua reunião mais recente (221ª reunião), o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2019 e, com peso gradualmente crescente, de 2020.
Na ocasião, o Copom comunicou que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê avalia que o balanço de riscos para a inflação mostra- se simétrico.
O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.
O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.
Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com menor grau de incerteza e livre dos efeitos dos diversos choques a que foi submetida no ano passado. O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo. O Comitê ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.
O Copom avalia que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas.
Conjuntura econômica
Este capítulo do Relatório de Inflação analisa a evolução recente da conjuntura econômica considerando o cenário internacional e doméstico, bem como as perspectivas para a evolução da economia do país nos próximos trimestres. A avaliação do cenário internacional aborda as principais economias avançadas e emergentes, com ênfase em aspectos que tendem a exercer influências sobre a economia brasileira, em especial, os indicadores de inflação e de atividade.
A análise da conjuntura doméstica abrange os principais condicionantes da atividade econômica, considerada tanto pela evolução das contas nacionais como pela trajetória de indicadores setoriais de maior frequência e tempestividade. Avaliam-se também os aspectos centrais associados aos movimentos no mercado de trabalho, à evolução do mercado de crédito, aos desempenhos das contas públicas e das contas externas do país. A seção final do capítulo analisa o comportamento da inflação e das expectativas de mercado, considerando as trajetórias dos principais indicadores de preços.
1.1 Cenário externo
Indicadores recentes confirmam a moderação da atividade econômica global. Esse movimento, associado à redução nos níveis de confiança dos agentes, tem contribuído para o recuo das projeções de crescimento nas principais economias. Diversos bancos centrais têm mencionado a desaceleração econômica como fator importante no balanço de riscos. A moderação do crescimento mundial na margem ocorre em um contexto de expectativas de inflação controladas nas principais economias, mesmo com pressões relevantes nos mercados de trabalho.
O Banco Central dos Estados Unidos da América (Federal Reserve) alterou substancialmente sua comunicação no final de 2018 com o propósito de
1
48 49 50 51 52 53 54 55
Out 2016
Dez Fev 2017
Abr Jun Ago Out Dez Fev 2018
Abr Jun Ago Out Dez Fev 2019
Gráfico 1.1 – PMI Global
Fonte: Thomson Datastream
sinalizar maior cautela para implementar movimentos adicionais nas taxas de juros. A instituição advertiu que alguns riscos negativos têm aumentado, incluindo a possibilidade de desaceleração global mais pronunciada do que a esperada (particularmente na China e na Europa), o arrefecimento de impactos dos estímulos fiscais e as eventuais repercussões de algum aperto adicional nas condições financeiras.
Recentemente, o Banco Central Europeu (BCE) também postergou o plano inicial de elevação dos juros em 2019. Além da perspectiva de atividade mais fraca, destaca-se a queda nos preços de commodities para níveis relativamente abaixo daqueles vigentes na maior parte de 2018, reduzindo os riscos de pressões inflacionárias. Esses fatores contribuíram para a maior flexibilidade dos bancos centrais em suas respectivas trajetórias de normalização de política monetária.
O comportamento dos mercados internacionais neste início de ano mostrou melhora generalizada nos preços de ativos, após a volatilidade observada no final de 2018, e reflete, em grande parte, as perspectivas de mudança das condições monetárias nas principais economias.
Nesse contexto ainda desafiador, com mudanças nas expectativas para a normalização monetária nas economias avançadas e desaceleração do ritmo de crescimento global, arrefeceram os riscos relacionados ao aperto nas condições financeiras globais.
Nos Estados Unidos da América (EUA), o PIB cresceu 2,6% no quarto trimestre (ante trimestre anterior, taxa anualizada), com expressiva contribuição do consumo privado. O recuo nos indicadores de confiança do consumidor e a paralisação (shutdown) do governo no final de 2018 e início de 2019 sugerem impactos relevantes para a atividade no primeiro trimestre de 2019. O mercado de trabalho permanece com ritmo robusto de geração de postos de trabalho e elevação lenta da taxa de crescimento dos salários.
A dinâmica dos preços ao consumidor mantém-se controlada, embora seja possível identificar pressões sobre alguns bens, advindas do aumento de tarifas em 2018.
Na Área do Euro, apesar do PIB do quarto trimestre de 2018 ter apresentado crescimento ligeiramente superior ao do terceiro trimestre (0,22% ante 0,15%, na taxa trimestral), tratou-se do pior desempenho,
2,2 2,3 2,4 2,5 2,6 2,7 2,8 2,9 3,0
-0,7 -0,6 -0,5 -0,4 -0,3 -0,2 -0,1 0,0 0,1
7.9 2018
28.9 19.10 9.11 30.11 21.12 11.1 2019
1.2 22.2 15.3
Alemanha Japão EUA (direita)
Gráfico 1.2 – Retorno anual títulos soberanos 2 anos
% a.a.
Fonte: Thomson Datastream
% a.a
76 78 80 82 84 86 88 90 92
19.1 2018
2.3 13.4 25.5 6.7 17.8 28.9 9.11 21.12 1.2 2019
15.3
Gráfico 1.3 – Índice de Preço de Commodities Bloomberg
Fonte: Bloomberg
8 13 18 23 28 33 38
19.1 2018
2.3 13.4 25.5 6.7 17.8 28.9 9.11 21.12 1.2 2019
15.3
Gráfico 1.4 – Volatilidade (VIX)
Fonte: Bloomberg
desde 2012, para esse período do ano. A percepção de moderação do ritmo de crescimento da região é reforçada pelos resultados modestos dos indicadores de alta frequência. As discussões sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) continuam sem resolução, não podendo ser descartados cenários mais adversos. Os índices de preços ao consumidor têm desacelerado, com contribuição da queda nos preços do petróleo, embora o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor Harmonizado (HICP) continue ao redor de 1,0% ao ano.
Na China, a economia cresceu 6,4% no quarto trimestre (variação interanual), confirmando o processo de desaceleração do ritmo de crescimento.
O governo chinês tem atuado ativamente com medidas de incentivo à demanda interna, desta vez com foco maior no consumo privado. Para 2019, o governo definiu o intervalo entre 6,0% e 6,5%
como meta para a taxa de crescimento do PIB. As perspectivas para um possível acordo comercial com os EUA melhoraram, aliviando as tensões que se intensificaram ao longo de 2018 e que têm afetado as exportações chinesas.
No Japão, o PIB do quarto trimestre expandiu 1,4%
(taxa anualizada ante o trimestre anterior), após a expressiva contração no terceiro trimestre, causada por eventos climáticos adversos. O resultado foi impulsionado pelo desempenho do consumo e do investimento. Em sentido oposto, a contribuição do setor externo foi negativa pelo terceiro trimestre consecutivo, impactada principalmente pela redução das exportações para a Ásia, refletindo o arrefecimento do crescimento econômico na região.
Em síntese, desde o Relatório de Inflação anterior, a desaceleração da economia global tem-se mostrado mais evidente, com dados fracos e deterioração de expectativas para a atividade nas maiores economias.
Ressalte-se, entretanto, que perspectivas mais favoráveis para resoluções de disputas comerciais podem oferecer algum suporte para a retomada do ritmo de crescimento. Com o balanço de riscos para a atividade alterado substancialmente para baixo, os principais bancos centrais reavaliaram suas intenções de ajustes nas taxas de juros em 2019, alongando o processo de normalização monetária.
-3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7
EUA Área do Euro Japão Reino Unido China*
Gráfico 1.5 – PIB1/
%
1/ Var% T/T-1. Taxas anualizadas, c/ajuste sazonal. Último: 4º tri/2018.
* China: Var% T/T-4, sem ajuste sazonal Fonte: Thomson Datastream
-1 0 1 2 3
Out 2016
Dez Fev 2017
Abr Jun Ago Out Dez Fev 2018
Abr Jun Ago Out Dez Fev 2019
EUA (PCE) Japão
Reino Unido Área do Euro
Gráfico 1.6 – Inflação (núcleo) economias avançadas
Variação % anual
Fonte: Thomson Datastream
1.2 Conjuntura interna
Atividade econômica e mercado de trabalho
A evolução recente dos indicadores de atividade tem se mostrado consistente com o cenário de recuperação gradual da economia brasileira.
De acordo com dados das Contas Nacionais divulgado pelo IBGE, o PIB cresceu 0,1% no último trimestre de 2018 em relação ao trimestre anterior (dados com ajuste sazonal). Embora em magnitude inferior ao crescimento registrado no terceiro trimestre (0,5%), trata-se da oitava alta consecutiva nessa base de comparação. Sob a ótica da oferta, esse resultado refletiu, principalmente, o desempenho do setor de serviços (+0,2%), cujos efeitos se sobrepuseram ao recuo registrado na atividade industrial (-0,3%). Do lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 0,4%, acumulando alta de 4,6% ao longo de oito trimestres ininterruptos de expansão. O consumo do governo apresentou recuo (-0,3%), em cenário de restrição fiscal, enquanto a FBCF contraiu 2,5%, desempenho que refletiu, parcialmente, a menor importação de equipamentos de petróleo e gás1, relativamente ao trimestre anterior.
Com o resultado do quarto trimestre, o PIB acumulou alta de 1,1% em 2018, mesma variação registrada em 2017. Destacou-se, no ano, o crescimento da atividade no setor de serviços, 1,3%, maior contribuição para a expansão do produto no período. O produto da agropecuária manteve-se relativamente estável, partindo da elevada base de 2017, ano em que se observou safra de grãos recorde. O produto do setor industrial cresceu 0,6%, refletindo, principalmente, o aumento da atividade na indústria de transformação. No âmbito da demanda, o consumo das famílias exerceu a principal contribuição para a continuidade da recuperação da atividade econômica, impulsionado, entre outros fatores, pelo aumento da massa salarial real – elevações do rendimento real, em contexto de baixa inflação, e da população ocupada – e pela expansão do crédito às pessoas físicas, sobretudo no segmento de crédito livre, em cenário de redução do custo do crédito.
1/ A nacionalização, no âmbito do Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro), de equipamentos para a indústria de petróleo e gás que já operam em território nacional (importações fictas) e a importação de novos equipamentos desse tipo afetam a FBCF e a importação nas Contas Nacionais.
Tabela 1.1 – Produto Interno Bruto
Anual e trimestre ante trimestre imediatamente anterior Dados dessazonalizados para variações trimestrais
Variação %
Discriminação 2017 2018
Ano I Tri II Tri III Tri IV Tri Ano PIB a preços de mercado 1,1 0,4 0,0 0,5 0,1 1,1
Agropecuária 12,5 1,6 0,2 0,8 0,2 0,1
Indústria -0,5 -0,3 -0,3 0,3 -0,3 0,6
Serviços 0,5 0,2 0,3 0,5 0,2 1,3
Consumo das famílias 1,4 0,5 0,0 0,5 0,4 1,9
Consumo do governo -0,9 -0,3 -0,4 0,3 -0,3 0,0 Formação Bruta de
Capital Fixo -2,5 0,8 -0,9 5,5 -2,5 4,1
Exportação 5,2 2,9 -4,1 6,3 3,6 4,1
Importação 5,0 2,2 -1,8 9,4 -6,6 8,5
Fonte: IBGE
Gráfico 1.7 – PIB1/
Média 2013 = 100
Fonte: IBGE
1/ Série com ajuste sazonal.
92,0 94,0 96,0 98,0 100,0 102,0
IV 2012
II 2013
IV II 2014
IV II 2015
IV II 2016
IV II 2017
IV II 2018
IV
Gráfico 1.8 – Contribuições para o crescimento anual do PIB
p.p.
Fonte: IBGE -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10
2008 2010 2012 2014 2016 2018
Famílias FBCF Governo
Estoques Externo PIB
O arrefecimento da atividade no último trimestre de 2018, reduzindo o carregamento estatístico esperado para o ano corrente, concorreu para que a projeção de crescimento do PIB em 2019 fosse reduzida para 2,0%2 ante 2,4% apresentado na edição anterior do Relatório de Inflação. Cabe observar que essa perspectiva de crescimento anual, condicionada ao cenário de continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira, incorpora expectativa de elevação do ritmo de crescimento trimestral em relação ao observado ao longo de 2018.
A evolução recente de indicadores de confiança de consumidores e empresários, bem como a melhora das condições financeiras, evidenciada pela trajetória de indicadores de mercado, seguem sinalizando ambiente favorável à continuidade do ciclo de recuperação da economia.
O desempenho recente da indústria ainda não indica retomada do ritmo de crescimento da atividade fabril. A produção física da indústria recuou 0,8%
no trimestre finalizado em janeiro, relativamente aos três meses encerrados em outubro, quando aumentara 1,7%, nessa mesma base de comparação, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A produção da indústria extrativa cresceu 1,7%
enquanto a da indústria de transformação diminuiu 1,3% no período, essa última refletindo contração em 18 das 25 atividades desse segmento. Na abertura por categorias de uso, houve recuo trimestral em bens de capital (7,6%), em bens de consumo duráveis (4,8%); e em bens de consumo semi e não duráveis (1,4%). A categoria de bens intermediários, que responde pela maior parte da produção da indústria, expandiu 0,3% no período analisado.
A confiança dos empresários segue em trajetória de recuperação. O Índice de Confiança da Indústria3 (ICI) alcançou 97,6 pontos na média do trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados dessazonalizados da Fundação Getulio Vargas (FGV), 2,3 pontos acima do observado no trimestre encerrado em novembro.
Esse acréscimo nos indicadores refletiu os aumentos da confiança empresarial em todas as categorias de uso da indústria: bens de consumo duráveis (5,1 pontos), bens de consumo semi e não duráveis (6,3 pontos), bens de capital (1,4 ponto) e bens intermediários (0,3 ponto). Adicionalmente, o índice de estoques, também calculado pela FGV, recuou
2/ Ver boxe “Revisão da projeção do PIB para 2019”.
3/ Valores acima de 100 pontos indicam sentimento de otimismo.
Gráfico 1.10 – Produção industrial1/
MM3M
2012 = 100
Fonte: IBGE
1/ Séries com ajuste sazonal.
60 65 70 75 80 85 90 95 100
Jan 2016
Abr Jul Out Jan 2017
Abr Jul Out Jan 2018
Abr Jul Out Jan 2019
Indústria geral Bens de capital
Intermediários Consumo duráveis
Semi e não duráveis
Gráfico 1.11 – Estoques e confiança1/
Indústria de transformação
Pontos
Fonte: FGV
1/ Séries com ajuste sazonal.
Estoques calculados como 200 – índice divulgado.
90 100 110 120 130 140
70 80 90 100 110
Ago 2015
Fev 2016
Ago 2016
Fev 2017
Ago 2017
Fev 2018
Ago 2018
Fev 2019
Confiança Estoques (dir.)
Gráfico 1.9 – Indicadores de mercado
Jan 2017 = 100 %
Fontes: BCB e Bloomberg
5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
50 60 70 80 90 100 110 120 130 140
9.1 2017
22.5 26.9 8.2
2018
20.6 26.10 15.3
2019 R$/US$ CDS Br 5 anos DI Futuro 5 anos (dir.)
1,1 ponto no trimestre encerrado em fevereiro em comparação ao trimestre finalizado em novembro, atingindo o patamar médio de 101,7 pontos4, considerados dados com ajuste sazonal.
Em síntese, a atividade industrial mostra, de maneira geral, trajetória declinante desde meados de 20185. A recuperação da confiança dos empresários e, em certa medida, a percepção de que os estoques estão mais ajustados, são fatores que podem contribuir para retomada da indústria nos trimestres seguintes.
Em relação à atividade no setor terciário, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE mostrou crescimento de 0,5% no trimestre encerrado em janeiro de 2019 em relação ao finalizado em outubro de 2018, quando havia crescido 1,9%, dados dessazonalizados. Três dos cinco segmentos pesquisados apontaram crescimento no período, com destaque para as altas de 4,6% em outros serviços e de 1,8% em serviços de informação e comunicação. Em sentido oposto, serviços profissionais, administrativos e complementares;
e transporte, serviços auxiliares ao transporte e correios registraram recuos, na mesma base de comparação, de -2,0% e -0,9%, respectivamente.
O Índice de Confiança de Serviços (ICS) aumentou 5,7 pontos no trimestre finalizado em fevereiro de 2019, em relação ao terminado em novembro de 2018, de acordo com dados dessazonalizados da FGV. O desempenho positivo foi influenciado pelas altas tanto no Índice de Situação Atual (2,4 pontos) quanto no Índice de Expectativas (9,2 pontos).
O consumo das famílias, principal indutor de crescimento da economia em 2018, segue em expansão, embora estatísticas recentes de vendas sugiram algum arrefecimento na margem. De fato, o volume de vendas do comércio ampliado recuou 0,3% no trimestre encerrado em janeiro em relação ao encerrado em outubro (dados com ajuste sazonal), quando havia crescido 3,7%
nesse tipo de comparação. As vendas do comércio varejista, no conceito restrito, cresceram 1,0% no trimestre, com destaque para o crescimento do setor supermercadista (+1,6%).
Indicadores coincidentes sugerem continuidade da gradual recuperação das vendas no varejo. Embora
4/ Complemento de 200 pontos do índice original divulgado pela FGV. Valores acima de 100 pontos indicam estoques acima do planejado.
5/ O boxe “Indústria em 2018” deste Relatório apresenta alguns fatores não recorrentes que contribuíram para a trajetória declinante da produção industrial (PIM-PF do IBGE) em 2018.
Gráfico 1.12 – Índice de volume de serviços1/
Média 2014 = 100
Fonte: IBGE
1/ Série com ajuste sazonal.
85 87 89 91 93 95
Jan 2016
Abr Jul Out Jan 2017
Abr Jul Out Jan 2018
Abr Jul Out Jan 2019
Gráfico 1.13 – Índice de volume de vendas1/
Média 2014 = 100
Fonte: IBGE
1/ Séries com ajuste sazonal.
80 83 86 89 92 95 98
Jan 2016
Abr Jul Out Jan 2017
Abr Jul Out Jan 2018
Abr Jul Out Jan 2019 Comércio restrito Comércio ampliado
as vendas de automóveis e veículos comerciais leves tenham recuado 3,2% no trimestre encerrado em fevereiro, em relação ao finalizado em novembro – de acordo com dados divulgadas pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) –, vale registrar que esse resultado ocorreu após período de crescimento expressivo. A comparação mensal mostra que as vendas de veículos voltaram a crescer nos dois primeiros meses do ano, com altas na margem de 1,7% em janeiro e 0,8% em fevereiro. O desempenho favorável das vendas de automóveis ao longo de 2018, bem como na margem, encontra suporte na ampliação do crédito para esse setor, tanto para as famílias quanto para as empresas.6 O índice Serasa Experian de Atividade do Comércio, de abrangência nacional, construído a partir de consultas mensais realizadas pelos estabelecimentos comerciais aos cadastros da Serasa, mostrou elevação de 1,6% no trimestre encerrado em fevereiro, em relação ao finalizado em novembro de 2018, quando também cresceram 1,6%, considerados dados dessazonalizados.
Adicionalmente, os indicadores de confiança dos consumidores seguem corroborando trajetória de alta das vendas, com destaque para maior otimismo apontado pelos componentes relacionados às expectativas futuras. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da FGV, aumentou 8,1 pontos no trimestre finalizado em fevereiro de 2019, em relação ao terminado em novembro de 2018, dados dessazonalizados, com altas de 3,6 pontos no Índice de Situação Atual e de 10,9 pontos no Índice de Expectativas. O Índice Nacional de Confiança (INC), elaborado pela Ipsos Public Affairs para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), avançou 10,8 pontos na mesma base de comparação7.
Em relação ao investimento, indicadores mensais sugerem que o movimento de recuperação observado desde o final de 2016 perdeu tração em período recente. A produção de insumos típicos da construção civil recuou 1,6% no trimestre encerrado em janeiro em relação ao terminado em outubro, segundo dados com ajuste sazonal. A importação8 e a produção de bens de capital, indicativos da absorção de máquinas e equipamentos, recuaram, respectivamente, 7,6% e 10,3%, na mesma base de comparação.
6/ Ver boxe “Crédito e dinâmica recente do setor automobilístico” neste Relatório.
7/ Ajuste sazonal realizado pelo Banco Central.
8/ As importações de bens de capital, nessa comparação, excluem importação de equipamentos para extração de petróleo e evento extraordinário ocorrido em junho de 2016.
Gráfico 1.14 – Vendas de veículos e Índice Serasa1/
Milhares 2014 = 100
Fontes: Fenabrave e Serasa 1/ Séries com ajuste sazonal.
88 91 94 97 100 103 106
140 160 180 200 220 240
Ago 2015
Fev 2016
Ago Fev
2017
Ago Fev
2018
Ago Fev
2019 Vendas de veículos leves Índice Serasa (dir.)
Gráfico 1.16 – Indicadores de FBCF1/
Média 2014 = 100
Fontes: IBGE e Funcex 1/ Séries com ajuste sazonal.
50 60 70 80 90 100 110 120
Jan 2014
Jul Jan 2015
Jul Jan 2016
Jul Jan 2017
Jul Jan 2018
Jul Jan 2019 Produção de bens de capital
Importação de bens de capital Produção de insumos da construção
Gráfico 1.15 – Índices de confiança do consumidor1/
Pontos
Fontes: ACSP e FGV 1/ Séries com ajuste sazonal.
60 70 80 90 100 110 120 130
Fev 2015
Ago Fev
2016
Ago Fev
2017
Ago Fev
2018
Ago Fev
2019
ICC INC Nível neutro
Se por um lado a recuperação ainda incipiente do mercado imobiliário – dado o nível elevado de estoque de imóveis residenciais e comerciais – e as restrições fiscais ao investimento do setor público comprometem reação mais vigorosa do investimento, por outro, a recente redução dos prêmios de risco e o avanço das expectativas de empresários favorecem melhora da atividade do setor nos meses subsequentes. Não obstante, a economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desocupação.
O mercado de trabalho mostra tendência de recuperação gradual, em linha com a evolução da atividade econômica. A taxa de desocupação, divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, encerrou 2018 em 11,6%, ligeiramente abaixo da observada no último trimestre do ano anterior (11,8%). Na margem, contudo, a taxa de desocupação passou de 12,1% no trimestre terminado em outubro para 12,3% em janeiro, considerando-se a série com ajuste sazonal9. Esse resultado decorreu do recuo de 0,2% na população ocupada e da estabilidade na força de trabalho. De acordo com a PNAD Contínua, a recuperação gradual do mercado de trabalho continua refletindo a evolução do emprego nas categorias de ocupação mais associadas à informalidade, enquanto as ocupações formais apresentam menor dinamismo.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, evidenciou melhor desempenho do mercado formal de trabalho em 2018, alavancado principalmente pelos setores de serviços e comércio. Interrompendo a sequência de três anos com fechamento de postos de trabalho, houve, em 2018, geração líquida de 421,1 mil postos formais (perda de 123,4 mil em 2017).10 A modalidade de trabalho intermitente, introduzida com a reforma trabalhista vigente desde novembro de 2017, alcançou saldo de 39,8 mil contratos no ano.
No trimestre encerrado em janeiro, período de sazonalidade desfavorável para o emprego formal, os desligamentos líquidos atingiram 241,5 mil (263,0 mil em igual período do ano anterior). Em termos dessazonalizados11, houve criação de 109,6 mil postos formais, frente a 160,2 mil postos nos três meses
9/ Ajuste sazonal realizado pelo Banco Central.
10/ Dados sem ajustes para contemplar declarações fora do prazo.
11/ Ajuste sazonal realizado pelo Banco Central.
Gráfico 1.17 – Taxa de. desocupação1/
MM3M
%
Fonte: IBGE
1/ Série com ajuste sazonal.
6 7 8 9 10 11 12 13 14
Jan 2015
Jul Jan
2016
Jul Jan
2017
Jul Jan
2018
Jul Jan
2019
Gráfico 1.18 – Emprego formal1/
Milhares
Fonte: Secretaria de Trabalho/ME 1/ Dados dessazonalizados.
-200 -175 -150 -125 -100 -75 -50 -25 0 25 50 75
Jul 2014
Jan 2015
Jul Jan 2016
Jul Jan 2017
Jul Jan 2018
Jul Jan 2019
Mensal MM3M
anteriores, com geração líquida de vagas em todos os setores – destaque para serviços (70,8 mil) e comércio (25,5 mil). O índice de emprego formal cresceu 0,3%, mesma taxa observada no trimestre finalizado em outubro, descontando-se os efeitos sazonais.
A melhora nas condições do mercado de trabalho e a evolução benigna da inflação permitiram a aceleração do crescimento da renda do trabalho ao longo de 2018. No ano, a massa real de salários expandiu 2,7%, refletindo acréscimos de 1,4% da população ocupada remunerada e de 1,3% do rendimento médio real, ante variação de 2% no ano anterior, de acordo com dados da PNAD Contínua.12 No trimestre finalizado em janeiro, a massa real de salários elevou-se 0,7%, após crescer 0,8% no trimestre anterior (dados dessazonalizados)13, com a aceleração do rendimento compensando, em parte, o arrefecimento da variação da ocupação.
A continuidade da recuperação gradual da atividade econômica e o cenário benigno para a inflação tendem a beneficiar o processo, em curso, de retomada do mercado de trabalho. Contudo, conforme boxe apresentado no Relatório de Inflação anterior14, há espaço para ganhos de produtividade do trabalho, o que sugere que a melhora dos indicadores, em especial da taxa de desocupação, continue a ocorrer em ritmo moderado.
Crédito
O mercado de crédito continua em trajetória de expansão, com destaque para o avanço nas operações de empréstimos no segmento de recursos livres destinadas, principalmente, ao crédito pessoal. A tendência positiva do comportamento dos saldos de crédito contribui para sustentar o aumento do consumo das famílias, bem como a recuperação da atividade das empresas ao longo de 2018 e início deste ano. Taxas de inadimplência em patamares baixos, relativa redução do custo de crédito e processo de desalavancagem contribuem para a expectativa de continuidade de expansão do crédito em 2019.
12/ Corrigindo-se os dados para fato atípico (outlier) referente a indivíduo com domicílio em bairro de baixa renda e rendimento mensal informado de R$1 milhão, que permaneceu na amostra da PNAD Contínua entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017, afetando a evolução da série de rendimento médio.
13/ Ajuste sazonal realizado pelo Banco Central.
14/ Boxe “Evolução da produtividade e do rendimento do trabalho” do Relatório de Inflação de dezembro de 2018.
Gráfico 1.19 – Emprego formal1/
Por setor
Milhares, MM3M
Fonte: Secretaria de Trabalho/ME 1/ Dados dessazonalizados.
-75 -60 -45 -30 -15 0 15 30 45
Jul 2015
Out Jan 2016
Abr Jul Out Jan 2017
Abr Jul Out Jan 2018
Abr Jul Out Jan 2019 Indústria de transformação Construção
Comércio Serviços
Gráfico 1.20 – Rendimento do trabalho Trimestre/Trimestre do ano anterior
Variação %
Fonte: IBGE -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 12
Jul 2015
Out Jan 2016
Abr Jul Out Jan 2017
Abr Jul Out Jan 2018
Abr Jul Out Jan 2019 Rendimento real Rendimento nominal
Gráfico 1.21 – Saldo das operações de crédito R$ bilhões
1 400 1 500 1 600 1 700 1 800 1 900
2 600 2 800 3 000 3 200 3 400 3 600
Fev 2016
Ago Fev
2017
Ago Fev
2018
Ago Fev
2019
Total PJ (eixo d.) PF (eixo d.)
O estoque das operações de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) aumentou 1,0%
no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados preliminares15, com destaque para a taxa de crescimento mais acentuada por parte dos bancos privados (2,8% ante recuo de 0,6% dos bancos públicos). O saldo das operações com recursos livres cresceu 2,2% no trimestre (2,7% e 1,5% nos segmentos de pessoas físicas e jurídicas, respectivamente) ao passo que a carteira de crédito com recursos direcionados retraiu 0,3% (1,3% e -2,4% nos segmentos de pessoas físicas e jurídicas16, respectivamente). Cabe destacar, no segmento de recursos livres, as variações positivas de antecipação de faturas de cartão de crédito (14,7%), de crédito pessoal não consignado (4,4%) e de financiamento a veículos às famílias (4,4% no trimestre encerrado em fevereiro e 22,8% desde maio de 2017, quando atingiu o menor valor nos últimos 24 meses).
As concessões de crédito aumentaram 1,9% no trimestre encerrado em fevereiro, após ajuste sazonal dos dados, corroborando tendência de continuidade de expansão dos estoques. Nas operações com recursos livres, as concessões dessazonalizadas avançaram 2,2%, com variações respectivas de 1,4%
e 3,2% nos segmentos de pessoas físicas e jurídicas.
As concessões com recursos direcionados recuaram 0,4% no trimestre, refletindo a retração de 13,2%
nas novas operações às famílias (sobretudo, crédito habitacional) e expansão de 22,4% no segmento de pessoas jurídicas. Cabe ainda destacar a continuidade do processo de expansão do financiamento das empresas com recursos fora do SFN – mercados externo e mercado de capitais doméstico – conforme apontado em boxes anteriores17.
O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio das operações de crédito aberto, independentemente da data de contratação, apresentou ligeira queda (-0,1 p.p.) no trimestre encerrado em janeiro. Nas operações com recursos livres, mais sensíveis ao ciclo da política monetária, o ICC atingiu 32,1% em janeiro, após recuo de 0,5 p.p. no período, enquanto no segmento de recursos direcionados o indicador permaneceu estável (8,8% a.a.).
15/ Em função da data de corte deste Relatório os dados de crédito referentes ao mês de fevereiro são preliminares.
16/ Há evidências de que parte do estoque de crédito às pessoas jurídicas com recursos direcionados tem sido substituída por dívidas nos mercados externo e de capitais doméstico. Para mais detalhes, ver boxe “Liquidações antecipadas de operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional” do Relatório de Inflação de dezembro de 2018, respectivamente.
17/ Boxes “Financiamento amplo das empresas” e “ Custo de financiamento das pessoas jurídicas” das edições de junho e setembro de 2018 do Relatório de Inflação.
Gráfico 1.22 – Concessões dessazonalizadas MM3M – R$ bilhões
Recursos livres Recursos direcionados
5 10 15 20
100 125 150 175
Fev 2016
Ago Fev
2017
Ago Fev
2018
Ago Fev
2019
PF livres PJ livres PJ direc PF direc
Gráfico 1.23 – Captações PJ (R$ bilhões) 1/
Acumulado 12 meses
Fonte: Anbima
1/ SFN – exclui conta garantida, cheque especial e cartão de crédito.
Mercado de capitais – considera debêntures, notas promissórias e ações.
S. externo – inclui emprést./títulos de empresas não financ. e op. intercia.
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0 250 500 750 1 000 1 250 1 500 1 750 2 000
Fev 2016
Ago Fev
2017
Ago Fev
2018
Ago Fev
2019 SFN Mercado de capitais Setor externo
Gráfico 1.24 – Indicador de Custo do Crédito (ICC) Recursos livres
% a.a.
15 25 35 45 55
Jan 2016
Jul Jan
2017
Jul Jan
2018
Jul Jan
2019
Total PJ PF
A taxa média de juros das novas operações de crédito do SFN avançou 0,5 p.p. no trimestre encerrado em fevereiro. Ressalte-se que o comportamento na margem não caracteriza alteração na tendência de queda das taxas de juros, refletindo, principalmente, oscilações de natureza sazonal. Observaram-se variações de 0,8 p.p. e 0,1 p.p. das taxas de juros nos segmentos de pessoas física e jurídicas, respectivamente. Nas operações com recursos livres, as taxas médias de juros dos segmentos de pessoas físicas e jurídicas atingiram 53,3% a.a. (1,7 p.p. no trimestre) e 19,8% a.a. (-0,5 p.p. no trimestre) em fevereiro, com destaque para as variações de 5,8 p.p. e -2,3 p.p. nas modalidades de cartão de crédito (PF) e financiamento a exportações, respectivamente.
A taxa de inadimplência, consideradas as operações com atrasos superiores a 90 dias, recuou 0,1 p.p.
no trimestre encerrado em fevereiro, situando-se em 2,9%. Nos empréstimos às pessoas jurídicas, o indicador atingiu 2,4% no mês (-0,1 p.p. no trimestre), refletindo as inadimplências de 2,8% e 1,8% nos segmentos de recursos livres e direcionados, respectivamente. Para as famílias, a inadimplência situou-se em 3,3% (estabilidade no trimestre).
Obser vam-se condições favoráveis para a continuidade do processo de expansão do crédito, destacando-se a inadimplência reduzida, a taxa básica de juros em patamares historicamente baixos e o comprometimento da renda das famílias em nível similar ao período anterior ao ciclo recessivo de 2014/2015. Nesse contexto, estima-se crescimento de 7,2% para o saldo de crédito do SFN no ano corrente, ante expansão de 5,1% em 2018.18
Dados da última Pesquisa Trimestral sobre Condições de Crédito (PTC)19, realizada entre 1 e 13 de março de 2019 junto a instituições financeiras, indicam continuidade da recuperação de crédito. Para o segundo trimestre do ano de 2019, a expectativa é de aumento do volume de novas concessões de crédito para todos os quatro segmentos: de pessoas jurídicas (grandes empresas e micro, pequenas e médias empresas) e de pessoas físicas (consumo e habitacional). Em especial, destaca-se a melhora
18/ Para maiores detalhes das estimativas de crescimento do crédito , ver boxe “Projeção de crédito para 2019” neste Relatório.
19/ Os dados apresentados neste Relatório referem-se a avaliação das instituições sobre a porcentagem de aprovação de novos empréstimos, considerando quatro segmentos (grandes empresas; micro, pequenas e médias empresas; crédito habitacional pessoas físicas; e crédito voltado ao consumo) tanto no que se refere aos últimos três meses, como para os próximos três meses. Os indicadores apresentados correspondem a uma média das respostas de cada entrevistado, variando entre -2 (aprovação consideravelmente inferior) a +2 (aprovação consideravelmente superior). Para mais detalhes da metodologia da PTC, ver Annibal, Clodoaldo e Koyama, Sérgio (2011), “Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito no Brasil”, BCB, Trabalho para Discussão nº 245.
Gráfico 1.25 – Taxas de juros Recursos livres
% a.a.
10 20 30 40 50 60 70 80
Fev 2016
Ago Fev
2017
Ago Fev
2018
Ago Fev
2019
Total PJ PF
Gráfico 1.26 – Inadimplência1/
%
1/ Atrasos acima de 90 dias.
2 3 4 5
Fev 2016
Ago Fev
2017
Ago Fev
2018
Ago Fev
2019
Total PJ PF
Gráfico 1.27 – Indicadores de aprovação de crédito
* Os valores do II 2019 correspondem às expectativas dos respondentes para esse trimestre. Os demais correspondem às percepções sobre a situação em cada trimestre.
-1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
II 2012
II 2013
II 2014
II 2015
II 2016
II 2017
II 2018
II 2019*
Micro, pequenas e médias empresas Grandes empresas
Pessoas física – Consumo Pessoa física – Habitacional Pontos
significativa esperada para o segmento das micro, pequenas e médias empresas.
Fiscal
O setor público consolidado, excluindo estatais financeiras e empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras, registrou deficit primário de R$108,3 bilhões em 2018, ante deficit de R$110,6 bilhões em 2017. O desempenho em 2018 mostrou-se melhor do que o estabelecido pela meta oficial, deficit R$161,3 bilhões.20 O governo central apresentou resultado negativo de R$116,2 bilhões, enquanto os governos regionais e as empresas estatais contribuíram com superavits de R$3,5 bilhões e R$4,4 bilhões, respectivamente. Registre-se que o resultado do governo federal foi superavitário em R$79,7 bilhões, valor inferior ao deficit previdenciário (INSS) de R$195,2 bilhões.
O resultado nominal do setor público, que inclui a apropriação de juros por competência, registrou deficit de R$487,4 bilhões em 2018, ante deficit de R$511,4 bilhões em 2017. Contribuiu para essa redução, a queda na taxa de juros implícita da dívida líquida acumulada em doze meses – de 13,7% em dezembro de 2017 para 11,5% em dezembro de 2018 –, em linha com o processo de flexibilização monetária no período e de redução dos subsídios implícitos em ativos da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP). Os juros incorporados à dívida em 2018 alcançaram R$379,2 bilhões (5,5% do PIB), ante R$400,8 bilhões (6,1% do PIB) em 2017.
Em relação às regras do Novo Regime Fiscal, instituído pela Emenda Constitucional nº 95 (“Teto dos Gastos Públicos”), as despesas primárias submetidas à norma totalizaram R$1.288 bilhões em 2018, ante limite estabelecido de R$1.348 bilhões.
Por sua vez, as despesas de capital somaram R$904,1 bilhões, superando as receitas de operações de crédito em R$35,8 bilhões, em conformidade com o art. 167, inciso III, da Constituição Federal (“Regra de Ouro”).
Em janeiro de 2019, o resultado primário do setor público consolidado foi superavitário em R$46,9 bilhões, praticamente no mesmo montante do superavit observado em janeiro de 2018. O governo central apresentou superavit primário de R$35,6
20/ Lei nº 13.473, de 8 de agosto de 2017, com nova redação dada pela Lei nº 13.480, de 13 de setembro de 2017.
Gráfico 1.28 – Necessidades de Financiamento do Setor Público
Acumulado em 12 meses (% PIB)
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7,8 � � � � �7,3�� �
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� �
�� 2,5
� � � � � 2,6
� � � �
� 1,7 � � � � �
1,3 � � � � �1,6
� 0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Dez 2015
Jun 2016
Dez Jun
2017
Dez Jun
2018 Dez
Juros nominais Nominal Primário
Tabela 1.2 – Necessidades de Financiamento do Setor Público – Resultado primário
Acumulado em 12 meses
R$ bilhões
Segmento 2017 2018 Jan/2019
Governo Central 118,4 116,2 117,1
d/q Governo Federal -64,8 -79,7 -77,7
d/q INSS 182,4 195,2 194,3
Governos regionais -7,5 -3,5 -3,7
Empresas estatais -0,4 -4,4 -5,1
Total 110,6 108,3 108,3