• Nenhum resultado encontrado

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "Tribunal de Justiça de Minas Gerais"

Copied!
7
0
0

Texto

(1)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0433.08.250087-0/001

Número do Númeração 2500870-

Des.(a) Márcia Milanez Relator:

Des.(a) Márcia Milanez Relator do Acordão:

11/08/2009 Data do Julgamento:

25/08/2009 Data da Publicação:

EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - IRRESIGNAÇÃO DEFENSIVA - P R E S S U P O S T O S D E A D M I S S I B I L I D A D E D O R E C U R S O - TEMPESTIVIDADE - INOCORRÊNCIA - INTIMAÇÃO PESSOAL DO RÉU E DA DEFENSORA - FLUÊNCIA DO PRAZO PARA MANEJO DA APELAÇÃO - INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA - APELO NÃO CONHECIDO - RECURSO MINISTERIAL - CRIME DE RESISTÊNCIA - DELITO CONFIGURADO - AUTORIA E MATERIALIDADE SUFICIENTEMENTE PROVADAS - TROCA DE TIROS COM OS POLICIAIS - CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL - PALAVRA DO POLICIAL - PROVA PERICIAL - CONDENAÇÃO QUE SE IMPÕE - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.

APELAÇÃO CRIMINAL N° 1.0433.08.250087-0/001 - COMARCA DE MONTES CLAROS - 1º APELANTE(S): MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO MINAS GERAIS - 2º APELANTE(S): LEANDRO LEITE VIEIRA - APELADO(A)(S): MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO MINAS GERAIS, LEANDRO LEITE VIEIRA - CO-RÉU: HERNANE PATRICK SANTOS SILVA - RELATORA: EXMª. SRª. DESª. MÁRCIA MILANEZ

ACÓRDÃO

Vistos etc., acorda, em Turma, a 1ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, EM NÃO CONHECER DO RECURSO DE LEANDRO LEITE VIEIRA, E DAR PROVIMENTO AO MINISTERIAL.

Belo Horizonte, 11 de agosto de 2009.

DESª. MÁRCIA MILANEZ - Relatora

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

(2)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

A SRª. DESª. MÁRCIA MILANEZ:

VOTO

HERNANE PATRICK SANTOS SILVA E LEANDRO LEITE VIEIRA, devidamente qualificados, foram denunciados como incursos nas sanções do art. 157, § 2º, incisos I e II, por dez vezes, na forma do art. 70, em concurso material com o delito do art. 329, todos do Código Penal.

Narra-se na denúncia que, no dia 17 de abril de 2008, por volta das 03h00, os denunciados, agindo em concurso e em unidade de desígnios com terceiros não identificados, mediante grave ameaça, subtraíram de várias vítimas que estavam no estabelecimento comercial "Max Bingo", localizado na Avenida Filomeno Ribeiro, nº 43, em Montes Claros, carteiras e aparelhos de telefone celular. Em seguida, subtraíram a quantia de R$3.500,00 do estabelecimento, além de uma motocicleta Honda Ornado, placas HET 1866, pertencente a um dos funcionários. A Polícia Militar foi acionada e perseguiu os denunciados no bairro Maracanã, momento em que os dois caíram da moto e empreenderam fuga, sendo apenas o primeiro denunciado capturado.

Os dois trocaram tiros com a policia, oferecendo resistência à prisão (fls.

02/04).

Após regular instrução criminal, o MM. Juiz de Direito julgou procedente, em parte, o pedido contido na denúncia e absolveu os acusados do crime de resistência, condenando-os pelo roubo duplamente majorado, cada um, à pena de 07 (sete) anos, 06 (seis) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, regime semi-aberto, bem como ao pagamento de 16 (dezesseis) dias-multa (fls.

166/176).

Inconformados, apelaram o representante do Ministério Público e o réu Leandro Leite Vieira (fl. 178 e 198).

O primeiro apelante, Promotor de Justiça, busca a condenação dos

apelantes pelo crime de resistência ao argumento de que restou

(3)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

provado que ambos trocaram tiros com os policiais (fls. 190/197).

A defesa do recorrente Leandro pugna pela absolvição do quanto ao delito de roubo, aduzindo que inexistem provas suficientes da autoria delitiva. (fls.

198/199).

As contrarrazões ministeriais foram apresentadas às fls. 228/233 e as defensivas às fls. 205/209 e 224/227.

A douta Procuradoria de Justiça manifesta-se pelo conhecimento e provimento do apelo Ministerial e não conhecimento do recurso defensivo, por ser intempestivo (fls. 235/241).

É, em síntese, o relatório.

Inicialmente, não conheço da apelação interposta por Leandro Leite Vieira, eis que não se encontram presentes os requisitos objetivos de admissibilidade, especificamente no que concerne à tempestividade.

O acusado foi pessoalmente intimado da decisio em 22/09/2008 (fls. 184) e sua defensora, também pessoalmente, no dia 08/10/2008 (fls. 187-verso).

Contudo, o recurso somente foi protocolizado no dia 15 de outubro de 2008 (fls. 198), após, portanto, o decurso do qüinqüídio legal previsto no art. 593, caput, do Código de Processo Penal, razão pela qual dele não conheço.

Conheço da apelação interposta pelo ilustre representante do Parquet, eis que presentes os pressupostos objetivos e subjetivos de admissibilidade recursal.

Segundo consta dos autos, no dia 17 de abril de 2008, por volta das 03h00,

os denunciados, em concurso com terceiros não identificados nos autos,

subtraíram das vítimas que estavam no estabelecimento comercial

denominado "Max Bingo", situado na avenida Filomeno Ribeiro, nº 43, em

Montes Claros, mediante grave ameaça exercida

(4)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

com emprego de armas de fogo, diversas carteiras contendo dinheiro e documentos pessoais, bem como aparelhos de telefone celular. Consta, ainda, que os acusados subtraíram do estabelecimento comercial cerca de R$3.500,00 em espécie, além da motocicleta Honda, placas HET-1866, pertencente a um dos funcionários. Em seguida, durante a fuga, os denunciados caíram da moto e trocaram tiros com a polícia, resistindo à ordem de prisão.

Insurge-se o Ministério Público com a absolvição dos acusados do crime de resistência.

Com razão.

O acusado Hernane Patrick Santos Silva, no auto de prisão em flagrante, confessou ter efetuado disparos contra os policiais que o perseguiam. São suas as seguintes declarações:

"... Que o depoente afirma que o revólver apreendido estava em poder de LEANDRO e que este tentou efetuar disparos contra os policiais, mas como os policiais mesmo afirmara, mas os tiros mascou, então LEANDRO jogou a arma fora;..." (fls. 12/13-SIC).

Em juízo, Hernane se retratou, dizendo que "não é verdade que tenham resistido á prisão com tiros contra os policiais pois todos os projéteis da arma apreendida estavam intactos;..." (fls. 94/95).

Entretanto, a retratação não convence e não pode ser aceita, devendo prevalecer a primeira versão, apresentada no auto de prisão em flagrante.

Isto porque, além de não apresentar um argumento sequer para desdizer suas primeiras declarações, a retratação operada em juízo confronta com as demais provas dos autos, em especial com o depoimento do policial Airton Alves Araújo, que informou, em juízo, que ao perseguir os acusados, os dois

"embrenharam no mato e saíram atirando;..." (fls. 136), a despeito do laudo

pericial de eficiência e prestabilidade da arma (fls. 42), que constatou no

objeto examinado

(5)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

"04 cartuchos intactos calibre 38", 02 cartuchos percutidos e não deflagrados", o que demonstra que a arma foi, sim, utilizada.

A resistência, como é cediço, configura-se na oposição, por meio de violência ou ameaça à execução de ato legal por autoridade pública competente.

Assim, comete o delito aquele que, ao receber voz de prisão em flagrante pela prática de crime diverso, troca tiros com a polícia. A propósito, constitui entendimento assente na jurisprudência que:

"Comete resistência o marginal que, procurando não ser preso, troca tiros com a polícia" (JUTACRIM 59/221).

"Configura-se a resistência na oposição por meio de violência ou ameaça à execução de ato legal por autoridade pública competente. Assim, responde pelo delito o meliante que, perseguido logo após a consumação de diversa infração, a mão armada se opõe à voz de prisão" (JUTACRIM 27/356-357).

"Responde pelo delito de roubo próprio em concurso com o crime de resistência o meliante que, tendo concluído a lesão ao patrimônio alheio, trata tiroteio com agentes de autoridade que, chegando ao local, procuram obstar a fuga do facínora." (JUTACRIM 35/313).

A jurisprudência deste tribunal não destoa:

"CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL - RESISTÊNCIA - CONFIGURAÇÃO. Comete resistência o marginal que, procurando não ser preso, troca tiros com a polícia, entra em luta corporal com os policiais e ameaça-os de morte - SENTENÇA CONFIRMADA - RECURSO DESPROVIDO." (Apelação criminal nº 1.0000.00.296689-3/000, Relator Des.

Odilon Ferreira, Data do Julgamento: 29/04/2003, Data da Publicação:

11/06/2003).

"APELAÇÃO CRIMINAL - ART. 329, C/C O ART. 70, AMBOS DO CP, E

A R T . 1 4 D A L E I N º 1 0 . 8 2 6 / 0 3 - D E L I T O S C O N F I G U R A D O S -

C O N D E N A Ç Õ E S M A N T I D A S - D O S I M E T R I A D O S C R I M E S D E

R E S I S T Ê N C I A

(6)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

- CONCURSO FORMAL INDEVIDAMENTE RECONHECIDO - CRIME ÚNICO - AFASTAMENTO QUE SE IMPÕE - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. "Se no momento de sua abordagem por policiais militares o agente efetua um disparo de arma de fogo contra os milicianos, configurado está o delito de resistência previsto no art. 329 do CP." "O fato de ter sido a resistência oposta pelo réu contra dois militares, que efetuavam sua prisão, não configura o concurso formal, porque o sujeito passivo do delito em questão é a Administração Pública como um todo, ou seja, o Estado" (RT 577/342)." (Apelação Criminal nº 1.0024.05.755105-3/001, Relator: Eduardo Brum, Data do Julgamento: 28/11/2006, Data da Publicação: 10/01/2007).

Portanto, a condenação dos recorridos nas iras do artigo 329, do Código Penal, é também de rigor.

Passo à dosagem das penas e, considerando a escorreita análise das circunstâncias judiciais promovida pelo d. Sentenciante (fls. 172/174), idênticas aos acusados, sendo normais os motivos, circunstâncias e consequências do delito, tratando-se de réus primários, com personalidade normal, nada havendo nos autos a depor contra a conduta social dos dois, estabeleço a pena-base, para cada um dos réus, no mínimo cominado à espécie, qual seja, 02 (dois) meses de detenção, neste patamar mantida à ausência de agravantes e causas especiais de aumento ou de redução de pena. Esclareça-se que, não obstante esteja presente a atenuante da menoridade, esta não pode ser sopesada de modo a reduzir as sanções abaixo do mínimo legal, nos termos do disposto na Súmula 231 do Colendo STJ.

Finalmente, considerando a regra do art. 69 do Código Penal, procedo à soma das penas, ficando os acusados condenados a cumprirem a pena total de 07 anos, 06 (seis) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, além de 02 (dois) meses de detenção, mantido o regime semiaberto, bem como a pena de multa, estabelecida em 16 (dezesseis) dias-multa, na fração unitária mínima.

Pelo exposto, e em consonância com o bem lançado parecer da douta

Procuradoria de Justiça, não conheço do recurso de Leandro Leite

(7)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Vieira; conheço do apelo Ministerial e dou-lhe provimento para condenar LEANDRO VIEIRA LEITE E HERNANE PATRICK SANTOS SILVA pela prática delitiva do art. 329 do Código Penal, nos termos deste voto.

Custas, na forma da Lei.

Votaram de acordo com o(a) Relator(a) os Desembargador(es): DELMIVAL DE ALMEIDA CAMPOS e JUDIMAR BIBER.

SÚMULA : RECURSO DE LEANDRO LEITE VIEIRA NÃO CONHECIDO, E PROVIDO O MINISTERIAL.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.0433.08.250087-0/001

Referências

Documentos relacionados

Vistos etc., acorda, em Turma, a 2ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, à unanimidade, em não acolher os embargos

Vistos etc., acorda, em Turma, a 2ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO E,

Vistos etc., acorda, em Turma, a 5ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso

Habeas corpus - Autoridade coatora - Câmara criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais - Julgamento - Competência do STJ..

Vistos etc., acorda, em Turma, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, à unanimidade, em declinar

Vistos etc., acorda, em Turma, a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, sob a Presidência do Desembargador Edilson Fernandes, incor- porando neste o

Vistos etc., acorda, em Turma, a 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, sob a Presidência do Desembargador Guilherme Luciano Baeta Nunes, incorporando

Vistos etc., acorda, em Turma, a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, sob a Presidência do Desembargador Alvim Soares, incorpo- rando neste o relatório