Tribunal de Justiça de Minas Gerais
1.0035.11.015087-3/002
Número do Númeração 0632623-
Des.(a) Nelson Missias de Morais Relator:
Des.(a) Nelson Missias de Morais Relator do Acordão:
26/02/2014 Data do Julgamento:
17/03/2014 Data da Publicação:
EMENTA: AGRAVO EM EXECUÇÃO. RECURSO MINISTERIAL. REMIÇÃO DA PENA PELO TRABALHO. CÁLCULO COM BASE NO TOTAL DE HORAS TRABALHADAS À RAZÃO DE 08 (OITO) HORAS DIÁRIAS.
IMPOSSIBILIDADE. REEDUCANDO QUE TRABALHOU EM SERVIÇOS DE CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DO PRESÍDIO. CARGA HORÁRIA ESPECIAL. ARTIGO 33, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL. CÁLCULO DA REMIÇÃO COM BASE NOS DIAS TRABALHADOS.
MEDIDA MAIS BENÉFICA AO CONDENADO, NO CASO. RECURSO DESPROVIDO E DECISÃO REFORMADA DE OFÍCIO.
- O trabalho do reeducando em serviços gerais pode ser realizado com carga horária diária reduzida, nos termos do art. 33, parágrafo único, da Lei de Execuções Penais, de forma que devem ser considerados, para fins de remição da pena, o número total de dias em que trabalhou menos de 06 horas, por ser medida mais benéfica ao acusado.
AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL Nº 1.0035.11.015087-3/002 - COMARCA DE ARAGUARI - AGRAVANTE(S): MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS - AGRAVADO(A)(S): JOÃO PAULO DA SILVA
A C Ó R D Ã O
Vistos etc., acorda, em Turma, a 2ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO E, DE OFÍCIO, REFORMAR A DECISÃO PROFERIDA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA PARA DECLARAR REMIDOS 24 (VINTE E QUATRO) DIAS DA PENA DO REEDUCANDO.
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DES. NELSON MISSIAS DE MORAIS RELATOR.
DES. NELSON MISSIAS DE MORAIS (RELATOR) V O T O
Trata-se de Agravo em Execução Penal interposto pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, inconformado com a decisão do MM.
Juiz de Direito da Vara de Execuções Criminais da Comarca de Araguari, na qual remiu, pelo trabalho, 20 (vinte) dias da pena do reeducando (f. 26).
Em suas razões recursais, f. 04/07v, o Parquet afirma que deveriam ter sido considerados os dias trabalhados dentro da carga horária prevista no artigo 33 da Lei de Execuções Penais.
Alega que o reeducando trabalhou apenas 91 (noventa e um) dias no período considerado, que, convertidos à razão de 08 (oito) horas diárias, dão direito à remição de 15 (quinze) dias da pena aplicada.
Sustenta que, se for para ser considerada a remição pelo número de horas trabalhadas, deve-se levar em conta a jornada de trabalho padrão de 08 (oito) horas.
Requer, ao final, o provimento do recurso, para que seja reformada a decisão do juízo a quo, remindo tão somente 15 (quinze) dias da pena do agravado.
Contrarrazões às f. 19/24.
Em sede de juízo de retratação o magistrado a quo manteve a decisão (f. 27).
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A Procuradoria-Geral de Justiça manifestou-se pelo provimento do recurso (f. 32/37).
Este, em síntese, o Relatório.
Conheço do recurso, já que presentes os pressupostos de admissibilidade, passando à decisão.
Após detida análise os autos, entendo que a razão não assiste ao Parquet.
Pretende o Ministério Público que sejam remidos tão somente 15 (quinze) dias da pena do reeducando, considerando para tanto o total de horas trabalhas à razão de 08 (oito) horas diárias, conforme atestado de f.
14.
Apesar da pretensão ministerial, o magistrado a quo remiu 20 (vinte) dias da pena do reeducando, sendo que considerou tanto somatório das horas dividido à razão de 06 (seis) horas diárias.
Entretanto, a meu ver, não agiu com acerto o nobre colega, devendo ser remidos 24 (vinte e quatro) dias da pena do reeducando.
Verifico que o agravado trabalhou 74 (setenta e quatro) dias, durante o período de 01/03/2013 a 31/05/2013, em serviços de faxina e manutenção.
Sua alocação em tarefas de serviços gerais permite que tenha uma carga horária menor, de acordo com o disposto no artigo 33, parágrafo único, da Lei de Execução Penal:
"Art. 33. A jornada normal de trabalho não será inferior a 6 (seis) nem superior a 8 (oito) horas, com descanso nos domingos e feriados.
Parágrafo único. Poderá ser atribuído horário especial de trabalho aos presos designados para os serviços de conservação e manutenção do estabelecimento penal."
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Assim, por ser medida mais benéfica, o reeducando faz jus à remição tendo como base de cálculo o total de dias em que trabalhou, mesmo que em carga inferior a 06 (seis) horas, não havendo que se falar, neste caso, em somatório das horas.
Tendo trabalhado 74 (setenta e quatro) dias no período em questão, deverão ser remidos 24 (vinte e quatro) dias de sua pena, nos termos do artigo 126, § 1º, inciso II, da Lei de Execução Penal.
Ante o exposto, nego provimento ao recurso ministerial e, de ofício, reformo a decisão proferida pelo juízo de primeira instância para declarar remidos 24 (vinte e quatro) dias da pena do reeducando.
Sem custas.
É como voto.
DES. MATHEUS CHAVES JARDIM - De acordo com o(a) Relator(a).
DES. CATTA PRETA - De acordo com o(a) Relator(a).
SÚMULA: "NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO E, DE OFÍCIO, REFORMARAM A DECISÃO PROFERIDA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA PARA DECLARAR REMIDOS 24 (VINTE E QUATRO) DIAS DA PENA DO REEDUCANDO."
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