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215 TST COMENTADO PROF. THYAGO BERTOLDI

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Academic year: 2022

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215 TST

COMENTADO

PROF. THYAGO BERTOLDI (@LABORATORIO.TRABALHISTA)

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Seção Especializada em Dissídios Coletivos

Movimento conduzido por pequeno grupo de trabalhadores e sem repercussão significativa não caracteriza greve

Movimento conduzido por pequeno grupo de trabalhadores e sem repercussão significativa não caracteriza greve.

(TST. SDC. RO-386-09.2017.5.11.0000, rel. Min. Maurício Godinho Delgado, julgado em 09.03.2020, Informativo TST nº 215).

O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (SINETRAM) ajuizou dissídio coletivo de greve contra o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), buscando a declaração de abusividade da greve em relação à paralisação das atividades de uma empresa. Ocorre que o evento objeto do dissídio aconteceu de maneira espontânea e imprevista, dele participaram pouquíssimos trabalhadores de uma única empresa e perdurou mais ou menos 30 (trinta) minutos, o que levou o TRT da 11ª Região a não qualificar o movimento como greve. O sindicato patronal, então, leva a questão ao TST por meio de recurso ordinário.

Greve

Greve é o direito constitucionalmente assegurado aos trabalhadores à suspensão coletiva, temporária e pacífica, total ou parcial, de prestação de serviços a seu empregador. É regulamentado, no Brasil, pela Lei nº 7.783, de 1989.

Nos moldes do artigo 9º da Lei nº 7.783, de 1989, compete aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercer o direito de greve e sobre os interesses que devam por meio dele defender. Ou seja, não há especificação legal acerca de quando a greve é oportuna ou mesmo quais interesses são passíveis de defesa por meio do movimento paredista, cabendo essa definição aos empregados envolvidos.

Requisitos do exercício do direito de greve

A despeito da liberdade dos empregados na definição da oportunidade e dos interesses da greve, é certo que, para ser legítima, o movimento de paralização deve observar alguns requisitos básicos.

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Em primeiro lugar, deve haver convocação de assembleia geral, com o objetivo de aferir a conveniência do movimento paredista e definir a pauta de reivindicações da categoria (artigo 4º da Lei nº 7.783, de 1989). A greve deve, sempre, ser a última alternativa.

Nesse contexto, é abusiva a greve levada a efeito sem que as partes hajam tentado, direta e pacificamente, solucionar o conflito que lhe constitui o objeto (OJ 11 da SDC do TST).

As formalidades para convocação da assembleia e o quorum para aprovação da greve deve vir previsto no estatuto da entidade sindical. A ata da assembleia de trabalhadores deve registrar, obrigatoriamente, a pauta reivindicatória, produto da vontade expressa da categoria (OJ 08 da SDC do TST).

Ressalta-se, todavia, que a necessidade de convocação de assembleia geral já foi mitigada pelo TST, nas situações em que se permita concluir que ocorreu aprovação do movimento de greve pela ampla adesão e participação dos trabalhadores (TST. SDC. RODC-2017400- 02.2009.5.02.0000, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, julgado em 12.3.2012, Informativo TST nº 01).

Ademais, o empregador deve ser comunicado previamente a respeito da greve. A comunicação deve ser feita com antecedência mínima de 48 (quarenta e oito) horas da paralisação (art. 3º, p. único, da Lei nº 7.783, de 1989) e, para as atividades essenciais, 72 (setenta e duas) horas antes (art. 13 da Lei nº 7.783, de 1989). Segundo o TST, os grevistas deverão indicar, com precisão, a data de início da paralisação, não sendo suficiente a comunicação do “estado de greve”, isto é, da intenção de paralisar a prestação de serviços (TST. SDC. ReeNec-92400-15.2009.5.03.0000, rel. Min. Kátia Magalhães, Informativo TST nº 04).

Além disso, por força do artigo 9º da Lei de Greve, o sindicato, mediante acordo com a entidade patronal ou com o empregador, manterá equipes de empregados com o propósito de assegurar os serviços cuja paralisação resulte em prejuízo irreparável, pela deterioração irreversível de bens, máquinas e equipamentos, bem como a manutenção daqueles essenciais à retomada das atividades quando do fim da greve. Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados a, de comum acordo, garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim entendidas aquelas que, se não atendidas, colocam em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população (art. 13 da Lei nº 7.783, de 1989).

Dissídio coletivo de greve

O dissídio coletivo de greve é aquele que visa ao reconhecimento da abusividade ou legitimidade da paralisação coletiva do trabalho. Aqui, à semelhança do dissídio jurídico,

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a solução do dissídio coletivo não acarreta exercício o Poder Normativo da Justiça do Trabalho, considerando que, ao analisar a abusividade do movimento paredista, o Poder Judiciário exerce sua função típica.

O que é greve abusiva?

Considera-se abusiva a greve que é exercida em desconformidade com os preceitos presentes na Lei nº 7.783, de 89. Em resumo, abusiva é a greve contrária à lei (mas evite utilizar o termo “greve ilegal”).

No caso analisado pelo TST houve caracterização de greve abusiva?

NÃO! Em verdade, o TST considerou que nem greve existiu, sob o argumento de que movimento conduzido por pequeno grupo de trabalhadores e sem repercussão significativa não caracteriza greve (TST. SDC. RO-386-09.2017.5.11.0000, rel. Min. Maurício Godinho Delgado, julgado em 09.03.2020, Informativo TST nº 215).

A SDC do TST considerou que o movimento não chegou a ser coletivamente concertado, originou-se de reivindicações pontuais (suposta perseguição aos trabalhadores e falta de pagamento de horas extras), teve uma repercussão mínima e transcorreu sem transtorno ou violência, em apenas dois terminais de linhas nos bairros Vila Marinho e Augusto Monte- negro, na cidade de Manaus.

Optou-se, nesse contexto, privilegiar a conclusão do Tribunal Regional, mais próximo da realidade fática que é discutida no processo e que, por isso, tem melhor aptidão para a compreensão da controvérsia e, consequentemente, para a sua solução.

O julgado foi unânime?

SIM!

Como foi veiculado no informativo?

Movimento conduzido por reduzido grupo de trabalhadores. Inexistência de repercussão significativa do ato. Mero protesto. Não enquadramento como greve.

Movimento conduzido por pequeno grupo de trabalhadores e sem repercussão significativa não caracteriza greve. No caso vertente, houve uma pequena paralisação das atividades de uma das concessionárias de transporte público de Manaus, especificamente nos terminais situados nos bairros de Vila Marinho e Augusto Montenegro. O Tribunal Regional, após aná- lise das provas, entendeu inexistente a greve, por se tratar de um evento que ocorreu de maneira espontânea e imprevista, oriundo de reivindicações pontuais (falta de pagamento

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de horas extras e supostas perseguições a obreiros), com participação de pouquíssimos tra- balhadores e curta duração (cerca de 30 minutos). Concluiu-se, portanto, não estar configu- rada uma efetiva greve, mas sim uma manifestação isolada, com repercussão mínima. Sob esses fundamentos, a SDC, por unanimidade, decidiu negar provimento ao recurso ordiná- rio, neste tópico, e manter a decisão recorrida. TST-RO-386-09.2017.5.11.0000, SDC, rel. Min.

Maurício Godinho Delgado, 9.3.2020.

Subseção I Especializada em Dissídios Individuais

Assinatura de advogado em acordo prevendo apenas honorários contratuais exclui os honorários sucumbenciais fixados em sentença

A assinatura do advogado em acordo celebrado e homologado judicialmente entre as partes, no qual se limitou o pagamento dos honorários advocatícios à modalidade contratual, comprova a sua aquiescência quanto à exclusão dos honorários sucumbenciais fixados em sentença transitada em julgado, anterior ao aludido acordo.

(TST. SDI-I. E-ED-RR-225340-83.1998.5.07.0010, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho red. p/ acórdão Min. Breno Medeiros, julgado em 13.02.2020, Informativo TST nº 215).

O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

Cinge-se a controvérsia em saber se devidos ou não os honorários sucumbenciais fixados em sentença transitada em julgado quando há composição entre as partes devidamente homologada em juízo após essa circunstância.

Honorários advocatícios de sucumbência

Os honorários de sucumbência são os fixados pelo juiz na decisão e devem ser pagos pelo vencido, possuindo como fato gerador a derrota da outra parte.

A partir da Lei nº 13.467, de 2017, os honorários advocatícios de sucumbência passam a ser devidos de forma ampla no processo do trabalho, ainda que o advogado atue em causa própria.

Dessa forma, a Súmula 219 do TST fica, em grande parte, superada em decorrência do novo artigo 791-A da CLT (incluído pela Lei nº 13.467, de 2017).

Não obstante a mudança legislativa, o conhecimento do enunciado de súmula permanece importante. É que, segundo o artigo 6º da IN TST nº 41, de 2018, a condenação em honorá- rios advocatícios sucumbenciais prevista no artigo 791-A da CLT será aplicável apenas as

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reclamatórias ajuizada após 11 de novembro de 2017. Nas ações ajuizadas anteriormente, subsistem as diretrizes do artigo 14 da Lei nº 5.584, de 1970 e das Súmula 219 do TST.

O regramento previsto na CLT em relação aos honorários de sucumbência é um pouco diverso daquele do CPC.

Com efeito, ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa (CLT, art. 791- A, incluído pela Lei nº 13.467, de 2017).

A doutrina critica a opção do legislador, já que os percentuais dos honorários da Justiça do Trabalho, sem justificativa lógica e razoável, são inferiores aos previstos pelo Código de Processo Civil1.

Conforme o artigo 791-A, §2º, da CLT (incluído pela Lei nº 13.467, de 2017), os critérios a serem observados pelo Juiz do Trabalho na fixação dos honorários são: (a) o grau de zelo do profissional; (b) o lugar de prestação do serviço; (c) a natureza e a importância da causa;

e (d) o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.

À semelhança do que ocorria no item VI da Súmula 219 do TST, o artigo 791-A, §1º, da CLT, estabelece que os honorários são também devidos nas causas em que a Fazenda Pública for parte.

Registre-se que, à luz da nova legislação, Élisson Miessa defende que as limitações do artigo 85, §3º, do Código de Processo Civil “(...) devem ser observados no processo do trabalho, aplicando-se supletivamente os dispositivos do NCPC, nesse particular. No entanto, dever- se-á limitar aos limites mínimos e máximo permitidos pelo caput do art. 791-A da CLT”2. Ademais, com a Reforma Trabalhista (CLT, art. 791, §3º, incluído pela Lei nº 13.467, de 2017), passou-se a admitir, no processo do trabalho, a sucumbência recíproca para fins de conde- nação em honorários de sucumbência (fenômeno não admitido para condenação em cus- tas processuais). Não se admite, porém, a compensação entre os honorários advocatícios devidos, pois pertencem aos advogados, e não às partes.

Por fim, são devidos honorários de sucumbência, também, na reconvenção (CLT, art. 791-A,

§5º).

1 GARCIA, 2018, p. 335.

2 MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho. 5. ed. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 105.

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Honorários sucumbenciais é a mesma coisa que honorários contratuais?

NÃO! Não devem ser confundidos com: (a) honorários contratuais: são aqueles que decorrem da relação de prestação de serviços firmada entre o advogado e seu cliente; ou, para o processo do trabalho, (b) honorários assistenciais: são aqueles que derivam da assistência judiciária gratuita e, no processo do trabalho, eram devidos ao sindicato3.

Então, há possibilidade de recebimento cumulativo dos honorários contratuais e dos honorários sucumbenciais?

SIM! Como são parcelas diferentes, não há qualquer vedação no recebimento dessas duas verbas.

Portanto, a celebração de acordo, após o trânsito em julgado da sentença, prevendo apenas honorários contratuais não retira do advogado o direito de recebimento dos honorários sucumbenciais, correto?

NÃO! Para o TST, a assinatura do advogado em acordo celebrado e homologado judicialmente entre as partes, no qual se limitou o pagamento dos honorários advocatícios à modalidade contratual, comprova a sua aquiescência quanto à exclusão dos honorários sucumbenciais fixados em sentença transitada em julgado, anterior ao aludido acordo (TST.

SDI-I. E-ED-RR-225340-83.1998.5.07.0010, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho red. p/

acórdão Min. Breno Medeiros, julgado em 13.02.2020, Informativo TST nº 215).

O julgamento foi unânime?

NÃO! Foi vencido o Ministro Augusto César Leite de Carvalho Como foi veiculado no informativo?

Honorários de sucumbência fixados em sentença transitada em julgado. Posterior celebra- ção e homologação judicial de acordo. Cláusula que limita o pagamento dos honorários ad- vocatícios à modalidade contratual. Acordo assinado pelo advogado reclamante. Aquies- cência aos termos do acordo. Honorários sucumbenciais indevidos.

A assinatura do advogado em acordo celebrado e homologado judicialmente entre as partes, no qual se limitou o pagamento dos honorários advocatícios à modalidade contratual, comprova a sua aquiescência quanto à exclusão dos honorários sucumbenciais fixados em sentença transitada em julgado, anterior ao aludido acordo. Com esse entendimento, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu do recurso de embargos por divergência jurisprudencial,

3 MIESSA, Élisson. Normas Processuais da Reforma Trabalhista: Comentários à Instrução Normativa 41/2018 do TST. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 90.

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e, no mérito, por maioria, negou-lhe provimento, vencido o Ministro Augusto César Leite de Carvalho, Relator. TST-E-ED-RR-225340-83.1998.5.07.0010, SBDI-I, rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, red. p/ acórdão Min. Breno Medeiros, 13.2.2020.

Adequação textual do anexo de norma regulamentar não configura alteração contratual lesiva

IMPORTANTE: ADVOCACIA ESTATAIS!

Não configura alteração contratual lesiva a mera adequação textual de anexo de norma regulamentar, mormente quando se verifica que o anexo – parte acessória da norma –, está em descompasso com a totalidade do conteúdo da parte principal do regulamento.

(TST. SBDI-I. E-ED-RR-975-54.2015.5.22.0003, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann, red. p/

acórdão Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, julgado em 13.02.2020, Informativo TST nº 215).

O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

No Anexo do Plano de Cargos e Salários da EBSERH, empresa pública federal, constava que a progressão funcional ocorreria em 6 (seis) meses, o que estava em dissonância com o restante da norma regulamentar. Constatado o equívoco, a empresa retificou o conteúdo do anexo. A modificação foi questionada pelo reclamante, sob o argumento da violação ao artigo 468 da CLT e à Súmula 51 do TST.

Regulamento empresarial é fonte empresarial?

Há controvérsia doutrinária a respeito do enquadramento dos regulamentos empresariais como fontes do Direito do Trabalho. A posição que se recomenda adotar em provas é que os regulamentos somente devem ser considerados fontes formais trabalhistas quando de caráter genérico e impessoal, isto é, prevejam normas aplicáveis a todos os trabalhadores (ex.: critérios para a concessão de prêmios).

Princípio da inalterabilidade contratual lesiva e alteração de regulamentos empresariais Em razão do princípio da inalterabilidade contratual lesiva ao empregado, previsto no artigo 468 da CLT, só é lícita a alteração das condições do contrato de trabalho por mútuo consentimento, e, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.

Assim, para a alteração do contrato de trabalho, são necessários dois requisitos: (a) consentimento do empregado; e (b) inexistência de prejuízos diretos ou indiretos ao trabalhador.

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Especificamente quanto à modificação de regulamentos empresariais, o TST possui a Sú- mula 51. As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas an- teriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. Ademais, havendo a coexistência de dois regulamentos da empresa, a opção do empregado por um deles tem efeito jurídico de renúncia às regras do sistema do outro.

Note que esse entendimento jurisprudencial também reflete o princípio da condição mais benéfica, que assegura o empregado a fruição das vantagens e condições obtidas durante a vigência do contrato de trabalho.

Assim, é possível a alteração do conteúdo de regulamento empresarial?

SIM! Mas, conforme a Súmula 51 do TST, se prejudiciais, essas alterações somente serão válidas para empregados admitidos após esse fato.

Esse posicionamento é aplicável mesmo nas hipóteses de erro material?

NÃO! Para o TST, NÃO configura alteração contratual lesiva a mera adequação textual de anexo de norma regulamentar, mormente quando se verifica que o anexo – parte acessória da norma –, está em descompasso com a totalidade do conteúdo da parte principal do regulamento.

(TST. SBDI-I. E-ED-RR-975-54.2015.5.22.0003, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann, red. p/

acórdão Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, julgado em 13.02.2020, Informativo TST nº 215).

No caso, a empresa pública verificou que o anexo do seu plano de cargos e salários continha dispositivo dissonante com a norma regulamentar e com a realidade da empresa, corrigindo-o a tempo e modo, modificando os critérios para a progressão funcional.

A correção deu-se, sobretudo, pelo fato de que a empresa é integrante da Administração Pública indireta e possui o poder-dever de rever e corrigir seus atos que contenham algum vício.

Assim, a hipótese apresenta peculiaridade que afasta a aplicação geral do item I da Súmula 51 do TST.

O julgamento foi unânime?

NÃO! Foram vencidos os Ministros Hugo Carlos Scheuermann, Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira e José Roberto Freire Pimenta.

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Como foi veiculado no informativo?

Plano de cargos e salários. Modificação dos critérios contidos em anexo da norma regulamentar para a progressão funcional no curso do contrato de trabalho. Alteração contratual lesiva. Não configuração. Súmula nº 51, I, do TST.

Não configura alteração contratual lesiva a mera adequação textual de anexo de norma regulamentar, mormente quando se verifica que o anexo – parte acessória da norma –, está em descompasso com a totalidade do conteúdo da parte principal do regulamento. No caso, a empresa pública verificou que o anexo do seu plano de cargos e salários continha dispositivo dissonante com a norma regulamentar e com a realidade da empresa, corrigindo-o a tempo e modo, modificando os critérios para a progressão funcional. A correção deu-se, sobretudo, pelo fato de que a empresa é integrante da Administração Pública indireta e possui o poder-dever de rever e corrigir seus atos que contenham algum vício. Assim, a hipótese apresenta peculiaridade que afasta a aplicação geral do item I da Súmula nº 51 do TST.

Sob esse entendimento, a SBDI-I, por maioria, conheceu dos embargos e, no mérito, deu- lhes provimento para restabelecer o acórdão proferido pelo Tribunal Regional, que julgou improcedentes os pedidos da reclamação trabalhista. Vencidos os Ministros Hugo Carlos Scheuermann, Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira e José Roberto Freire Pimenta. TST- E-ED-RR-975-54.2015.5.22.0003, SBDI-I, rel. Min. Hugo Carlos Scheuermann, red. p/ acórdão Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, 13.2.2020.

Subseção II Especializada em Dissídios Individuais

Não cabe mandado de segurança contra indeferimento de pedido de mediação e de reconsideração em ação civil pública

NÃO é cabível o manejo de mandado de segurança para impugnar decisões que inde- feriram os pedidos de mediação e de reconsideração formulados pelo sindicato impe- trante relativa à abstenção de cobranças de honorários advocatícios decorrentes da prestação de assistência judiciária.

(TST. SBDI-II. RO-572-30.2018.5.17.0000, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, red. p/ acórdão Min. Douglas Alencar Rodrigues, julgado em 18.02.2019, Informativo TST nº 215).

O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

O Ministério Público do Trabalho ajuizou ação civil pública em face do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação e Afins do Estado do Espírito Santo, requerendo a condenação em obrigação de não fazer, consistente na abstenção de realizar acordos em nome dos trabalhadores, destituição de toda a diretoria e indenização por danos materiais e morais coletivos. O Sindicato apresentou pedido de mediação para solucionar a questão relativa à abstenção de cobranças de honorários advocatícios decorrentes da prestação

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de assistência judiciária, o qual foi indeferido. Contra essa medida, o Sindicato impetrou mandado de segurança.

Como funciona a recorribilidade das decisões no processo do trabalho?

Segundo o princípio da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias, previsto no artigo 893, §1º, da CLT, as decisões interlocutórias proferidas durante o processo traba- lhista serão impugnadas somente por ocasião do recurso contra a decisão final.

Então, NENHUMA decisão interlocutória é passível de recurso imediato no processo do trabalho?

CALMA! Sabe-se existir decisões interlocutórias que tem o potencial de gerar danos irreparáveis ou de improvável reparação às partes, sendo o maior exemplo a concessão ou a rejeição do pedido de tutela antecipada. Nestes casos, a jurisprudência dos Tribunais trabalhistas vem reconhecendo o cabimento do mandado de segurança para impugnação da decisão (Súmula 414 do TST).

O mandado de segurança, lembre-se, é o remédio constitucional que se destina a proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. É um direito fundamental previstos no artigo 5º, inciso LXIX, da Constituição e na Lei nº 12.016, de 2009.

E, no caso analisado pelo TST, era possível a utilização do mandado de segurança?

NÃO! Para o TST, NÃO é cabível o manejo de mandado de segurança para impugnar deci- sões que indeferiram os pedidos de mediação e de reconsideração formulados pelo sindi- cato impetrante relativa à abstenção de cobranças de honorários advocatícios decorrentes da prestação de assistência judiciária.

(TST. SBDI-II. RO-572-30.2018.5.17.0000, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, red. p/ acórdão Min. Douglas Alencar Rodrigues, julgado em 18.02.2019, Informativo TST nº 215).

Assistência judiciária gratuita

A assistência judiciária gratuita, prevista no artigo 14 da Lei nº 5.584, de 1970, é possibilida- de de o sindicato, de forma gratuita, prestar assistência a seus trabalhadores, especialmen- te àqueles que são beneficiários da justiça gratuita. É dizer, a assistência judiciária gratuita consiste em dois elementos: (a) benefício da justiça gratuita; e (b) representação judicial pelo sindicato. É importante pontuar que, nesta hipótese, os honorários advocatícios são reversíveis ao sindicato (Súmula 219 do TST).

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E, no caso, o Sindicado propôs mediação relativa à cobrança de honorários advocatícios pela prestação da assistência judiciária gratuita...

EXATO! Como a Lei nº 5.584, de 1970, prevê que a assistência judiciária prestada pelo sindicato é gratuita, não há falar em direito líquido e certo, tampouco em cabimento de mandado de segurança na hipótese.

O julgamento foi unânime?

NÃO! Foi vencida a Ministra Delaíde Miranda Arantes.

Como foi veiculado no informativo?

Mandado de segurança. Ação civil pública. Indeferimento dos pedidos de mediação e de reconsideração. Ausência de direito líquido e certo. Orientação Jurisprudencial nº 92 da SBDI-II.

Não é cabível o manejo de mandado de segurança para impugnar decisões que indeferiram os pedidos de mediação e de reconsideração formulados pelo sindicato impetrante.

Na espécie, o MPT ajuizou ação civil pública em face do Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação e Afins do Estado do Espírito Santo, requerendo a condenação em obrigação de não fazer, consistente na abstenção de realizar acordos em nome dos trabalhadores, destituição de toda a diretoria e indenização por danos materiais e morais coletivos. O Sindicato apresentou pedido de mediação para solucionar a questão relativa à abstenção de cobranças de honorários advocatícios decorrentes da prestação de assistência judiciária, o qual foi indeferido. Em virtude do indeferimento, postulou reconsideração, que foi rejeitada. Ocorre que a Lei nº 5.584/70 diz que a assistência judiciária prestada pelo sindicato é gratuita. Assim, não há falar em direito líquido e certo, tampouco em cabimento de mandado de segurança. Sob esses fundamentos, a SBDI-II, por unanimidade, conheceu do recurso ordinário e, no mérito, por maioria, vencida a Ministra Delaíde Miranda Arantes, negou-lhe provimento. TST-RO-572-30.2018.5.17.0000, SBDI-II, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, red. p/ acórdão Min. Douglas Alencar Rodrigues, 18.2.2020.

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Turmas

2ª Turma

A simples afirmação do reclamante de que não possui condições financeiras de arcar com as despesas do processo autoriza a concessão de justiça gratuita

IMPORTANTE!

Mesmo após a Lei nº 13.467, de 2017 (“Reforma Trabalhista”), a simples afirmação do reclamante de que não tem condições financeiras de arcar com as despesas do processo autoriza a concessão da justiça gratuita à pessoa natural.

(TST. 2ª Turma. RR-340-21.2018.5.06.0001, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta, julgado em 19.02.2020, Informativo TST nº 215).

O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

Cinge-se a controvérsia a decidir se apenas a declaração de pobreza é suficiente para a comprovação do estado de miserabilidade do reclamante, para fins de deferimento dos benefícios da Justiça gratuita, em ação ajuizada após a vigência da Lei n° 13.467, de 2017.

O TRT da 6ª Região, aplicando o artigo 99, §3º, do CPC, entenderam que a declaração de pobreza apresentada pelo reclamante era prova suficiente para deferimento do benefício.

De sua parte, o banco-reclamado levou a questão ao TST, alegando a necessidade de comprovação da condição de hipossuficiência, por força do artigo 790, §4º, da CLT.

Justiça gratuita

A justiça gratuita é a isenção de despesas processuais em razão do estado de miserabilida- de. O regime jurídico da justiça gratuita sofreu, no processo do trabalho, sensível mudança com a Reforma Trabalhista.

Efetivamente, o artigo 790, §3º, da CLT foi alterado pela Reforma Trabalhista para estabele- cer novo teto para a presunção de hipossuficiência do trabalhador, que passou a ser de 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral da Previdên- cia Social.

Ultrapassado o teto, o benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas do processo (CLT, art. 790, §4º, incluído pela Lei nº 13.467, de 2017).

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Mas como seria feita esta comprovação? Como a matéria é regulamentada no Código de Processo Civil?

O artigo 99, §3º, do CPC estabelece que se presume verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural.

A Súmula 463, item I, do TST reconhecia a aplicação deste dispositivo ao processo do trabalho, ao estabelecer que, “(...) para a concessão da assistência judiciária gratuita à pessoa natural, basta a declaração de hipossuficiência econômica firmada pela parte ou por seu advogado, desde que munido de procuração com poderes específicos para esse fim”.

Porém, ao comentar as alterações veiculadas na Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467, de 2017), Gustavo Filipe Barbosa Garcia ensina que “(...) defende-se o entendimento de que se a parte receber salário superior ao limite previsto no art. 790, §3º, da CLT, ainda assim terá direito ao benefício da justiça gratuita se comprovar insuficiência de recursos para o paga- mento das custas do processo (art. 790, §4º, da CLT). (...) Por se tratar de norma específica, deixa de ser aplicável ao processo do trabalho a previsão do art. 99, §3º, do CPC, no senti- do de que se presume verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural”4.

A 2ª Turma do TST concordou com esse posicionamento doutrinário? É necessária a demonstração a insuficiência de recursos para obtenção da justiça gratuita?

NÃO! Para a 2ª Turma do TST, mesmo após a Lei nº 13.467, de 2017 (“Reforma Trabalhista”), a simples afirmação do reclamante de que não tem condições financeiras de arcar com as despesas do processo autoriza a concessão da justiça gratuita à pessoa natural.

(TST. 2ª Turma. RR-340-21.2018.5.06.0001, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta, julgado em 19.02.2020, Informativo TST nº 215).

A 2ª Turma do TST entendeu que a nova redação do § 4º do artigo 790 da CLT NÃO é incompatível com a redação do artigo 99, § 3º, do CPC, razão pela qual as duas normas legais podem e devem ser aplicadas conjuntamente, por força dos artigos 15 e 769 da CLT.

Conclui-se, portanto, que a comprovação a que alude o § 4º do artigo 790 da CLT pode ser feita mediante declaração de miserabilidade da parte. Nesse contexto, a simples afirmação do reclamante de que não tem condições financeiras de arcar com as despesas do processo autoriza a concessão da Justiça gratuita à pessoa natural.

A 2ª Turma do TST enfatizou, ainda, que o banco recorrente nada provou em sentido contrário, ficando na cômoda posição de negar validade à declaração de pobreza feita

4 GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Reforma Trabalhista. 3. ed. Juspodivm: Salvador, 2018, p. 329-330.

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pelo reclamante, sem nada alegar de substancial contra ela e seu conteúdo. Não caberia, portanto, ao TST, tribunal de natureza extraordinária, afastar, sem nenhum elemento concreto em contrário, a conclusão de ambas as instâncias ordinárias sobre o fato de ser o reclamante pobre em sentido legal.

Como foi veiculado no informativo?

“RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DAS LEIS Nº 13.015/2014 E 13.467/2017.

BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. COMPROVAÇÃO. AÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. DECLARAÇÃO PROFERIDA POR PESSOA NATURAL. Cinge-se a controvérsia a de- cidir se apenas a declaração de pobreza é suficiente para a comprovação do estado de mi- serabilidade do reclamante, para fins de deferimento dos benefícios da Justiça gratuita, em ação ajuizada após a vigência da Lei n° 13.467/2017. No caso, as instâncias ordinárias, apli- cando o artigo 99, § 3º, do CPC/2015, entenderam que a declaração de pobreza apresentada pelo reclamante é suficiente para caracterizar a presunção relativa de veracidade desse fato.

Com efeito, para o Regional, o reclamante conseguiu comprovar a sua hipossuficiência eco- nômica, uma vez que “a declaração de pobreza apresentada pelo interessado em audiência é prova bastante de sua hipossuficiência econômica, a teor do artigo 99, §3º, do Código de Processo Civil: “Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natura”. A Lei nº 13.467/2017, que entrou em vigor em 11/11/2017, inseriu o pa- rágrafo 4º ao artigo 790 da CLT, que assim dispõe: “Art. 790. (...) § 4º O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas do processo”. Dessa forma, considerando que esta ação foi ajuizada na vigência da reforma trabalhista, ela submete-se ao que dispõe o § 4º do artigo 790 da CLT, que exige a comprovação da insuficiência de recursos para a concessão dos benefícios da Justiça gratuita à parte requerente. Com efeito, nos termos do item I da Súmula nº 463 do TST, basta a simples afirmação do declarante ou de seu advogado para se considerar configurada a sua situação econômica: “I - A partir de 26.06.2017, para a concessão da assistência judiciária gratuita à pessoa natural, basta a declaração de hipossuficiência econômica firmada pela parte ou por seu advogado, desde que munido de procuração com poderes específicos para esse fim (art.

105 do CPC de 2015)”. Ressalta-se que a nova redação do § 4º do artigo 790 da CLT não é in- compatível com a redação do artigo 99, § 3º, do CPC/2015, razão pela qual as duas normas legais podem e devem ser aplicadas conjuntamente, por força dos artigos 15 e 769 da CLT.

Conclui-se, portanto, que a comprovação a que alude o § 4º do artigo 790 da CLT pode ser feita mediante declaração de miserabilidade da parte. Nesse contexto, a simples afirmação do reclamante de que não tem condições financeiras de arcar com as despesas do processo autoriza a concessão da Justiça gratuita à pessoa natural. Enfatiza-se, por fim, que o banco recorrente nada provou em sentido contrário, ficando na cômoda posição de negar validade à declaração de pobreza feita pelo reclamante, sem nada alegar de substancial contra ela e seu conteúdo. Não cabe, portanto, a esta Corte de natureza extraordinária afastar, sem ne- nhum elemento concreto em contrário, a conclusão de ambas as instâncias ordinárias sobre o

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fato de ser o reclamante pobre em sentido legal. Recurso de revista conhecido e desprovido.”

(TST-RR-340-21.2018.5.06.0001, 2ª Turma, rel. Min. José Roberto Freire Pimenta, julgado em 19.2.2020)

5ª Turma

Não há vínculo de emprego entre o motorista parceiro e a Uber IMPORTANTE!

Não há vículo de emrpego entre o motorista parceiro e a Uber, tendo em vista a autonomia no desempenho das atividades do autor, a descaracterizar a subordinação.

(TST. 5ª Turma. RR-1000123-89.2017.5.02.0038, rel. Min. Breno Medeiros, julgado em 05.02.2020, Informativo TST nº 215).

O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

Cinge-se a controvérsia acerca da existência, ou não, do vínculo empregatício entre o reclamante, no exercício da função de “motorista”, e a empresa reclamada, Uber do Brasil Tecnologia Ltda.

Uberização

Segundo Raphael Miziara, “uberização é um neologismo utilizado para se referir às novas relações de trabalho surgidas e operadas via apps, no ambiente de economia compartilhada.

Deriva do nome da empresa Uber, a grande responsável pela popularização desse tipo de relação”5.

O fenômeno da uberização relaciona-se ao o trabalho on demand via aplicativos, em que o oferecimento de serviços “(...) é canalizada através de aplicativos gerenciados por empresas, que também intervêm no estabelecimento de padrões mínimos de qualidade de serviço e na seleção e gestão de força de trabalho. É chamado ‘sob demanda’ porque o destinatário final do serviço só aciona aplicativo quando necessita de serviço”6.

Requisitos configuradores da relação de emprego

A configuração do vínculo de emprego depende da verificação dos seguintes requisitos: (a) habitualidade (ou não eventualidade): o contrato de trabalho é de trato sucessivo e, por isso, há expectativa que o empregado sempre retorne ao local de prestação de serviços, que

5 MIZIARA, Raphael. Moderno Dicionário de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2019, p. 191.

6 MIZIARA, Raphael. Moderno Dicionário de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2019, p. 189.

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não pode ser meramente ocasional; (b) onerosidade: o trabalho é sempre assalariado, dá- -se mediante o pagamento de uma remuneração; (c) pessoalidade: o empregado deve ser uma pessoa física e, na prestação de serviços, não pode se fazer substituir por outra pessoa;

e (d) subordinação (jurídica): o empregado trabalha sob dependência do empregador, que dirige a atividade econômica, em razão da determinação legal.

MACETE!

Requisitos relação de emprego H abitualidade

O nerosidade P essoalidade S ubordinação Mnemônico: HOPS!

A exclusividade e o local da prestação de serviços NÃO são requisitos para configuração do vínculo de emprego urbano!

Subordinação

É o elemento central de distinção entre as mais variadas formas de relação de trabalho e essencial para entendermos os argumentos utilizados pelo TST no presente caso.

Para Vólia Bomfim Cassar, “a subordinação nada mais é que o dever de obediência ou o estado de dependência na conduta profissional, a sujeição às regras, orientações e normas estabelecidas pelo empregador inerentes ao contrato, à função, desde que legais e não abusivas”7.

O critério adotado pelo legislador trabalhista brasileiro foi o da subordinação jurídica (ou hierárquica), isto é, a subordinação tem fundamento na lei e no contrato.

Existem outras classificações sobre a subordinação, sendo válido o estudo para provas de concurso e, também, para atuação profissional:

CLASSIFICAÇÃO DA SUBORDINAÇÃO

Subordinação jurídica Adotada no Brasil. Subordinação tem fundamento na legislação e no contrato de trabalho

7 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 14. ed. Método: São Paulo, 2017, p. 253.

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Subordinação técnica

O empregador exerce o comando técnico, dirigindo a prestação de serviços do empregado. A crítica é que, não raro, o empregado tem maior conhecimento técnico que o empregador

Subordinação econômica O empregado depende dos salários pagos pelo patrão para sobreviver. A crítica é que, embora difícil, o trabalha- dor pode ter suficiência econômica própria.

Subordinação direta Exercida sem intermediários pelo empregador ou seus prepostos

Subordinação indireta

A ordem chega ao trabalhador por meio de terceiros. No Brasil, na forma da Súmula 331 do TST, a existência de subordinação indireta não é suficiente para descaracterizar as relações de trabalho com intermediação (ex.:

terceirização).

Subordinação objetiva Recai sobre os serviços executados sobre o trabalhador Subordinação subjetiva Recai sobre a pessoa do empregado. Não é admitida em

nosso ordenamento jurídico, por ser característica do trabalho escravo e da servidão.

Parassubordinação

“Há três correntes a respeito da matéria. A primeira, no sentido de que a parassubordinação é o estudo de sujeição sentido pelos trabalhadores que não são empregados.

A segunda, de que o instituto não se confunde com a coordenação existente entre o prestador e o tomador dos serviços. A última corrente afirma que parassubordinação é a subordinação leve tanto daqueles que são empregados como dos que não o são”8.

Subordinação Estrutural (ou Integrativa)

Caracteriza-se “pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento”9. Utilizada por alguns juristas para descaracterizar relações de trabalho com intermediação (ex.: terceirização), é de recepção controversa entre doutrina e jurisprudência.

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8 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 14. ed. Método: São Paulo, 2017, p. 258.

9 GODINHO, Maurício Delgado. Curso de Direito do Trabalho. 18. ed. LTr: São Paulo, 2019, p. 353.

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Enfim, o há vínculo de emprego entre o motorista e a Uber?

NÃO! Não há vículo de emrpego entre o motorista parceiro e a Uber, tendo em vista a autonomia no desempenho das atividades do autor, a descaracterizar a subordinação.

(TST. 5ª Turma. RR-1000123-89.2017.5.02.0038, rel. Min. Breno Medeiros, julgado em 05.02.2020, Informativo TST nº 215).

Argumentos utilizados pelo TST

O TST pontuou a existência de confissão do reclamante quanto à autonomia da prestação de serviços.

É que, no caso, o reclamante admitiu expressamente a possibilidade de ficar “off line”, sem delimitação de tempo, circunstância que indica a ausência completa e voluntária da prestação dos serviços em exame, que só ocorre em ambiente virtual.

Tal fato traduziria, na prática, a ampla flexibilidade do autor em determinar sua rotina, seus horários de trabalho, locais que deseja atuar e quantidade de clientes que pretende atender por dia.

A auto-determinação é incompatível com o reconhecimento da relação de emprego, que tem como pressuposto básico a subordinação, elemento no qual se funda a distinção com o trabalho autônomo.

Ademais, o TST sustentou que dentre os termos e condições relacionados à prestação de serviços estaria a reserva ao motorista do equivalente a 75% a 80% do valor pago pelo usuário.

O referido percentual revela-se superior ao que a Corte vem admitindo como bastante à caracterização da relação de parceria entre os envolvidos, uma vez que o rateio do valor do serviço em alto percentual a uma das partes evidencia vantagem remuneratória não condizente com o liame de emprego.

Tudo bem. Mas a Uber não oferece um sistema de avaliação do motorista que influi no número de corridas? Isso não se aproximaria da subordinação?

Para o TST, a possibilidade de avaliação dos motoristas pelos usuários, e vice-versa, sequer tangencia com a presença de subordinação, consubstanciando, em verdade, ferramenta de feedback para os usuários finais quanto à qualidade da prestação de serviços do condutor, de interesse de todos os envolvidos.

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Nesse passo, o fato da empresa se utilizar das avaliações, promovendo o descredenciamento do motorista mal avaliado, convém não apenas à reclamada para sua permanência no mercado, mas especialmente à coletividade de usuários, a quem melhor aproveita a confiabilidade e qualidade dos serviços prestados.

Consequencialismo: novas relações de trabalho e combate ao desemprego formal

O TST apontou, ainda, que a forma de funcionamento da relação empreendida entre os motoristas do aplicativo Uber e a empresa é de alcance mundial e tem se revelado como alternativa de trabalho e fonte de renda em tempos de desemprego formal crescente.

As relações de trabalho têm sofrido intensas modificações com a revolução tecnológica, de modo que incumbiria a Justiça do Trabalho permanecer atenta à preservação dos princípios que norteiam a relação de emprego, desde que presentes todos os seus elementos.

Cabe frisar que o intento de proteção ao trabalhador não deve se sobrepor a ponto de inviabilizar as formas de trabalho emergentes, pautadas em critérios menos rígidos e que permitem maior autonomia na sua consecução, mediante livre disposição das partes, o que ocorre no caso dos autos.

Como a questão vem sendo decidida no mundo?

Alguns países europeus como França, Espanha, Suíça e Portugal possuem precedentes reconhecendo o vínculo de emprego entre a Uber e seus motoristas. Nos Estados Unidos, o Estado da Califórnia editou legislação também no sentido reconhecendo o vínculo10.

Qual o posicionamento do Laboratório Trabalhista?

Entendo, na esteira do posicionamento do TST, que a forma de prestação de serviços dos aplicativos on demand afasta o requisito da subordinação, necessária à caracterização da relação de emprego.

Porém, não é prudente estabelecer uma regra geral e inflexível aplicável a todo e qualquer caso.

O ideal, em minha visão, seria que apenas se presumisse ausente a reação de emprego nessas hipóteses, permitindo ao trabalhador demonstrar que a ingerência da empresa intermediadora na prestação de serviços adquiriu intensidade tamanha que acabou por caracterizar a subordinação.

10 https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/o-brasil-na-contramao-e-o-complexo-de-vira-latas-20022020

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Como foi veiculado no informativo?

“RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. VÍNCULO DE EMPREGO. MOTORISTA. UBER. AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. Destaque-se, de início, que o reexame do caso não demanda o revolvimento de fatos e provas dos autos, isso porque a transcrição do depoimento pessoal do autor no acórdão recorrido contempla elemento fático hábil ao reconhecimento da confissão quanto à autonomia na prestação de serviços. Com efeito, o reclamante admite expressamente a possibilidade de ficar ‘off line’, sem delimitação de tempo, circunstância que indica a ausência completa e voluntária da prestação dos serviços em exame, que só ocorre em ambiente virtual.

Tal fato traduz, na prática, a ampla flexibilidade do autor em determinar sua rotina, seus horários de trabalho, locais que deseja atuar e quantidade de clientes que pretende atender por dia. Tal auto-determinação é incompatível com o reconhecimento da relação de emprego, que tem como pressuposto básico a subordinação, elemento no qual se funda a distinção com o trabalho autônomo. Não bastasse a confissão do reclamante quanto à autonomia para o desempenho de suas atividades, é fato incontroverso nos autos que o reclamante aderiu aos serviços de intermediação digital prestados pela reclamada, utilizando-se de aplicativo que oferece interface entre motoristas previamente cadastrados e usuários dos serviços.

Dentre os termos e condições relacionados aos referidos serviços, está a reserva ao motorista do equivalente a 75% a 80% do valor pago pelo usuário, conforme consignado pelo e. TRT.

O referido percentual revela-se superior ao que esta Corte vem admitindo como bastante à caracterização da relação de parceria entre os envolvidos, uma vez que o rateio do valor do serviço em alto percentual a uma das partes evidencia vantagem remuneratória não condizente com o liame de emprego. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido.”

(TST-RR-1000123-89.2017.5.02.0038, 5ª Turma, rel. Min. Breno Medeiros, julgado em 5.2.2020) 7ª Turma

O motorista profissional que teve o direito de dirigir suspenso no curso do contrato de trabalho comete falta grave a autorizar a justa causa

O motorista, que ao dirigir sob a influência de álcool e incidir em infração de trânsito, tendo seu direito de dirigir suspenso por um ano no curso do contrato de trabalho, pratica falta grave a autorizar sua dispensa por justa causa.

Embora atos de indisciplina estejam comumente relacionados às regras gerais de conduta emanadas pelo empregador, seu conceito é mais amplo e abrange também outras normas, inclusive leis

(TST. 7ª Turma. RR-287-93.2016.5.09.058, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado em 05.02.2020, Informativo TST nº 215). 

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O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

Um motorista profissional cometeu infração de trânsito ao dirigir sob a influência de álcool, o que gerou a suspensão de seu direito de dirigir pelo período de um ano. Em razão do fato, o empregador o dispensou por justa causa, sob o fundamento do artigo 482, alínea “b”, da CLT (indisciplina). O TRT da 9ª Região entendeu que houve inadequação na dispensa por justa causa, pois, em síntese, inexistia norma empresarial ou cláusula contratual prevendo que a suspensão do direito de dirigir ocasionaria a dispensa por justa causa. O empregador, então, leva a questão ao TST.

Dispensa por justa causa

A dispensa por justa causa dá-se nas hipóteses em que a falta grave é praticada pelo empregado, fazendo com que se torne insuportável a manutenção do contrato de trabalho, em decorrência da quebra de fidúcia a ele inerente.

Basicamente, são requisitos para dispensa por justa causa do empregado: (a) gravidade da falta (proporcionalidade); (b) imediatidade: deve a penalidade ser aplicada no momento em que o empregador dela tome conhecimento, sob pena de ser reconhecido o perdão tácito, evitando que a conduta faltosa torne-se instrumento de ameaça perpétua sobre o obreiro;

(c) tipicidade: o fato que enseja a sanção deve estar prevista na legislação trabalhista; e (d) non bis in idem: para cada falta, é possível apenas uma sanção (advertência, suspensão ou justa causa).

Indisciplina

Uma das hipóteses que autoriza a dispensa por justa causa é a prática de ato de indisciplina ou de insubordinação. Aliás, uma das questões mais cobradas em provas de concurso refere-se à diferenciação desses dois fatos geradores.

Indisciplina é o descumprimento de ordens gerais (todos os empregados), enquanto insubordinação é o não acolhimento de ordens específicas e diretas (a determinado empregado). Fique bastante atento a essa distinção!

No caso, ao praticar infração de trânsito pro dirigir alcoolizado, o empregado cometeu ato de indisciplina?

SIM! O TST entendeu que, embora atos de indisciplina estejam comumente relacionados às regras gerais de conduta emanadas pelo empregador, seu conceito é mais amplo e abrange também outras normas, inclusive leis.

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Ademais, ao ter suspenso requisito indispensável para o exercício de sua profissão, o empregado comprometeu de forma grave o desempenho de suas atividades na empresa.

Assim, para a 7ª Turma do TST, o motorista que, ao dirigir sob a influência de álcool e incidir em infração de trânsito, tendo seu direito de dirigir suspenso por um ano no curso do contrato de trabalho, pratica falta grave a autorizar sua dispensa por justa causa.

(TST. 7ª Turma. RR-287-93.2016.5.09.058, rel. Min. Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado em 05.02.2020, Informativo TST nº 215). 

Como foi veiculado no informativo?

“RECURSO DE REVISTA. LEI Nº 13.015/2014. CPC/2015. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 40 DO TST. JUSTA CAUSA/FALTA GRAVE. MOTORISTA PROFISSIONAL QUE TEVE O DIREITO DE DIRIGIR SUSPENSO NO CURSO DO CONTRATO DE TRABALHO. Embora atos de indisciplina estejam comumente relacionados às regras gerais de conduta emanadas pelo empregador, seu conceito é mais amplo e abrange também outras normas, inclusive leis. Além disso, o ato deve ser dotado de tamanha gravidade que incompatibilize a relação com o empregador e prejudique o bom andamento da produção. Deve, portanto, repercutir no contrato de trabalho a ponto de causar prejuízo às atividades da empresa. No presente caso, o autor, contratado como motorista profissional, cometeu infração de trânsito ao dirigir sob a influência de álcool, que gerou a suspensão do seu direito de dirigir pelo período de 1 ano. Assim, ao ter suspenso requisito indispensável para o exercício de sua profissão, comprometeu de forma grave o desempenho de suas atividades na empresa, o que valida a dispensa por justa causa. Recurso de revista conhecido e provido.” (TST-RR-287-93.2016.5.09.0658, 7ª Turma, rel. Cláudio Mascarenhas Brandão, julgado em 5.2.2020)

8ª Turma

É possível a correção de erros de cálculo a qualquer tempo pelo juiz

É possível a correção de erros de cálculo a qualquer tempo pelo juiz, de ofício ou a requerimento, providência que não viola a coisa julgada e não está sujeita ao regime da preclusão.

(TST. 8ª Turma. ARR-1571600-76.2004.5.09.0006, rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, julgado em 12.02.2020, Informativo TST nº 215). 

O que ocorreu no caso julgado pelo TST?

O Juiz do Trabalho da execução, nos primeiros cálculos homologados, não percebeu que o perito cometeu equívoco em efetuar as operações aritméticas em desconformidade ao disposto no título executivo. Após nova impugnação do Banco-executado, percebeu-se o

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erro e foi determinada a retificação das contas, mas o TRT da 9ª Região entendeu que houve preclusão e determinou que os cálculos fossem feitos em conformidade à primeira decisão.

Discute-se, em suma, a incidência da preclusão e da coisa julgada em face das alterações realizadas pelo juízo no mês de referência para definição do valor da indenização do PDI (plano de demissão incentivada), considerando a existência de erro manifesto de cálculo do perito, que não foi objeto de discussão nos primeiros cálculos homologados.

O que é preclusão?

“A preclusão consiste na perda do direito da parte de praticar um ato processual em virtu- de da inércia (preclusão temporal); por conta de já ter praticado esse mesmo ato anterior- mente (consumação do direito) ou quando demonstra inequivocamente por meio de outros atos a sua intenção em sentido contrário (extinção do direito)”11.

O juiz pode alterar a sentença após sua publicação?

SIM! O artigo 494 do CPC estabelece o princípio da irretratabilidade das sentenças, esta- belecendo a inalterabilidade dos pronunciamentos jurisdicionais pelo mesmo órgão que os emitiu. Há, no entanto, duas exceções: (a) para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; e (b) por meio de embargos de declaração.

Logo, não há preclusão na possibilidade de correção de erros na sentença pelo juiz do trabalho?

NÃO! Para a 8ª Turma do TST, é possível a correção de erros de cálculo a qualquer tempo pelo juiz, de ofício ou a requerimento, providência que não viola a coisa julgada e não está sujeita ao regime da preclusão.

(TST. 8ª Turma. ARR-1571600-76.2004.5.09.0006, rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, julgado em 12.02.2020, Informativo TST nº 215). 

Como foi veiculado no informativo?

“(...) DIFERENÇAS NA INDENIZAÇÃO DO PDI – VALOR DE REFERÊNCIA NÃO IMPUGNADO NOS PRIMEIROS CÁLCULOS HOMOLOGADOS – PRECLUSÃO. Com fundamento no art. 463, I, do CPC de 1973 (494, I, do CPC de 2015), é possível a correção de erros de cálculo a qualquer tempo pelo juiz, de ofício ou a requerimento, providência que não viola a coisa julgada e não está sujeita ao regime da preclusão. Julgados do Eg. STJ. Recurso de Revista conhecido parcialmente e provido. (TST-ARR-1571600-76.2004.5.09.0006, 8ª Turma, rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, julgado em 12.2.2020)

11 CAIRO JR., José. Curso de Direito Processual do Trabalho. 12. ed. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 350.

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Julgados não comentados

Os julgados abaixo, por serem demasiadamente específicos ou terem baixa probabilidade de serem objeto de cobrança em concursos públicos, não foram comentados ou incluídos na versão resumida do nosso material.

Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT. Embargos de declaração. Dissídio coletivo. Assistência médica/hospitalar e odontológica. Plano de saúde de pais e mães.

Regra de transição em face da autorização para a sua extinção. Interpretação de expressões da sentença normativa.

A SDC, em dissídio coletivo, embora tenha indeferido a pretensão da categoria profissional quanto à criação/manutenção do Plano de Saúde para Pais e Mães, determinou que ficava garantida a permanência dos tratamentos em andamento e não finalizados, da seguinte forma: quanto às internações hospitalares, até a alta; quanto aos tratamentos continuados em regime ambulatorial (hemodiálise, diálise, terapia imunobiológica, quimioterapia, quimioterápicos orais, radioterapia), até o fim do ciclo autorizado, e as terapias domiciliares (oxigenoterapia, fonoaudiologia domiciliar, internação domiciliar e fisioterapia domiciliar), até o fim das sessões autorizadas e iniciadas. Opostos embargos de declaração, com o intuito de se esclarecer, entre outras questões, o alcance das expressões “ciclo autorizado”

e “sessão autorizada e iniciada”, constantes do §16 da Cláusula 28 da sentença normativa, decidiu-se que o “ciclo autorizado” e a “sessão autorizada e iniciada” encerram-se apenas com a alta médica, ficando, contudo, excluídas das terapias domiciliares a fisioterapia e a fonoaudiologia, por não apresentarem a urgência dos demais tratamentos. Com esse entendimento, a SDC, pelo voto médio do Ministro Aloysio Corrêa da Veiga, acompanhado pelos Ministros Renato de Lacerda Paiva e Dora Maria da Costa, conheceu dos embargos de declaração e deu-lhes provimento para, sanando a omissão apontada e concedendo efeito modificativo ao julgado, declarar a interpretação a ser conferida ao §16 da Cláusula 28, nos termos da fundamentação. Vencidos parcialmente os Ministros Maurício Godinho Delgado, Kátia Magalhães Arruda e Lélio Bentes Corrêa, que davam provimento mais amplo, aplicando o marco da “alta médica” a todos os casos previstos no §16, e o Ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, que rejeitava os embargos de declaração no tópico, por entender que a interpretação deve-se ater à literalidade da cláusula. TST-ED- DCG-1000662-58.2019.5.00.0000, SDC, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, 17.2.2020.

“RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE - PROCESSO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014 E SOB A ÉGIDE DO CPC/1973 - EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR CARÊNCIA DE AÇÃO EM VIRTUDE DA AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR – TRANSAÇÃO EXTRAJUDICIAL CELEBRADA PELO EMPREGADO PERANTE O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL – INVALIDADE. 1. O Tribunal Regional manteve a sentença que extinguiu o processo sem resolução de mérito por carência de ação em virtude da existência de acordo extrajudicial firmado perante o Ministério Público Estadual, em que o autor se comprometeu a não ajuizar

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ação de indenização relativamente ao acidente de trabalho que sofreu e que o deixou com sequelas graves e irreversíveis.2. Extrai-se dos termos do acordo, mormente as Cláusulas 8 e 9, que estabelecem, respectivamente, que o reclamante “com este acordo, dá plena e geral quitação aos reclamados de qualquer verba indenizatória relativamente ao sinistro em questão, para nada mais ser cobrado no futuro, dos mesmos, quanto ao acidente tratado nesta transação” e que “se dá por satisfeito, comprometendo-se a deixar de ajuizar qualquer ação cível indenizatória contra os reclamados, bem como a retirar eventual documentação encaminhada a algum advogado para propor alguma ação indenizatória”, que a transação revela verdadeira renúncia a direito constitucionalmente estabelecido pelo art. 7º, XXVIII, da Constituição Federal, intrinsecamente ligado à saúde, à promoção e à proteção do trabalhador.

3. Assim, o acordo extrajudicial entabulado entre o autor e os supostos responsáveis pela obra em que trabalhou é nulo, não sendo obstáculo ao direito de propor ação de indenização em virtude da ocorrência do acidente de trabalho, mesmo que tenha havido a participação do Ministério Público Estadual, considerando que, quando ajuizada a presente ação, esta Justiça do Trabalho já era competente para analisar a matéria. Recurso de revista conhecido e provido.” (TST-RR-52800-46.2006.5.15.0068, 7ª Turma, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, julgado em 7.2.2020)

Exercícios de fixação

Com o objetivo de auxiliar na revisão do informativo anterior e fixar o estudo da jurispru- dência, a partir do Informativo TST nº 215, irei colocar um pequeno simulado para fixação:

(1) Cabe mandado de segurança contra decisão monocrática que nega provimento ao agravo de instrumento em recurso de revista por ausência de transcendência da causa.

(2) Após o advento da Lei nº 12.815, de 2013, a contratação de trabalhadores portuários avulsos para os serviços de capatazia com vínculo empregatício por prazo indeterminado não necessita ser realizada apenas dentre aqueles registrados no Órgão Gestor de Mão de Obra – OGMO.

(3) Tendo em vista o dever ordinário de fiscalização da execução do contrato e de outras obrigações impostas à Administração Pública por diversas normas legais, é do poder público o ônus de demonstrar que fiscalizou adequadamente os contratos de prestação de serviços por ele firmados, para efeitos de afastar a responsabilidade subsidiária pelas verbas trabalhistas em caso de terceirização.

(4) O litígio entre as partes a propósito do foro competente para apreciação da causa cons- titui pressuposto necessário para que o Juízo declinado suscite o conflito de competência.

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(5) A decisão de extinção da ação rescisória sem resolução do mérito por ausência do depósito prévio, sem anterior ciência da parte a respeito do indeferimento da justiça gratuita e sem a oportunidade para a regularização do pressuposto processual, viola o princípio da proteção da legítima confiança do jurisdicionado.

(6) O plano de saúde não integra o contrato de trabalho e, portanto, as alterações nas condições de custeio impostas ao plano de saúde podem atingir os empregados que já percebiam o benefício.

(7) Para efeito de se definir o marco final da estabilidade dos membros da CIPA, o encerra- mento da obra dá-se com a expedição do “habite-se”, salvo se verificada a permanência de alguns empregados para a execução de reparos ou acabamentos finais, dado que, nessas hipóteses, o grau de risco de acidentes que exigiu a criação da CIPA ainda subsiste.

(8) A criação de novo sindicado, por meio de desmembramento, depende da autorização da entidade sindical originária.

(9) A redução da carga horária do empregado autoriza o reconhecimento da rescisão indireta, com o consequente pagamento das verbas rescisórias, ainda que o trabalhador tenha continuado a prestar serviços à empregadora por mais de 10 (dez) meses após a falta contratual.

(10) Em caso de ausência de prova escrita da remuneração, deve-se arbitrar o valor com fundamento no princípio da razoabilidade e no que ordinariamente acontece em situações análogas, e não simplesmente presumir como verdadeiras as alegações da inicial, sobretudo quando nelas não há verossimilhança.

(11) A suspensão da prescrição em benefício do menor também elimina a prescrição parcial quinquenal das parcelas trabalhistas em relação ao próprio titular do direito.

(12) É cabível a condenação da reclamante em honorários advocatícios no caso de extinção do processo sem resolução de mérito, em razão de a petição inicial não apresentar pedidos líquidos.

(13) A garantia provisória de emprego ao trabalhador acidentado assegura a manutenção do contrato de trabalho do acidentado somente com a empresa em que ocorrido o infortúnio.

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Gabarito

Todos os julgados foram abordados no Informativo TST nº 214.

1 – F 2 – F 3 – V 4 – V 5 - V 6 – F 7 - F 8 – F 9 – V 10 – V 11 – F 12 – V 13 - V

Referências

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